O empate dos meninos do Brasil por 1 a 1 com a Bolívia já atiçou a turma da retranca. O que fez Ney Franco vir a público para dizer que não abandonará o conceito de tr~es atacantes.
Entre um e outro, ambos cometem um equívoco palmar de avaliação. Não serão três ou quatro atacantes que farão um time mais ofensivo de fato. Tampouco, três volantes e três zagueiros, para exagerar o lado contrário, formarão uma defesa inexpugnável.
Aliás, se o amigo revirar a história verá que praticamente em todo time cheio de cuidados ofensivos, ao fim do jogo quem leva o rádinho é seu goleiro. Ora, se o goleiro é acaba sendo o destaque do time, a defesa, então, não funcionou devidamente.
Em contrapartida, nos históricos times ofensivos, o goleiro mal participa do jogo.
É claro: se você mantém a bola a maior parte do tempo no campo adversário, ela estará sempre mais longe da sua meta do que se recuar sua linha de defesa, dando espaço para o adversário manobrar a partir de sua própria intermediária.
Peguemos como exemplo o mais atual e flagrante paradigma do que estou dizendo – o Barça. Xavi, Iniesta, Messi e cia. bela detêm a posse de bola por cerca de 75 por cento por partida, seja contra quem seja e em que campo for.
Mas, isso não se dá apenas pela excelência do passe desses jogadores, pois o mesmo ocorre em geral quando o Barça coloca em campo seu time reserva ou mistão.
É que, para manter esse ritmo, essa fluência, esa cadência na troca de passes, é fundamental que o time jogue compacto. Nem muito atrás, nem muito à frente, o que lhe permite dar o primeiro combate no campo adversário, e os beques colherem a sobra ou o passe de alívio já na altura do meio-campo. Isso determina a dinâmica de domínio dos espaços e da bola, sempre mais próximo da zona de finalização do que da sua área de rebate.
Se o amigo pegar a dupla de zaga Puyol e Piqué e recuá-la ao nível da linha de sua grande área, terá de trazer para a linha de defesa também o volante Busquets. Nesse dominó, Xavi e Iniesta serão forçados a começar o seu trabalho de armação á altura de sua intermediária, o que deixará Messi, David Villa e Pedrito muito distantes da armação. Aí volta mais um e se estabelece a tal ligação direta – bola da defesa ao ataque, uma verdadeira loteria.
Esse tem sido o nó do nosso futebol, antes tão pródigo na troca de bola envolvente até que ela se ofereça em condições de remate de um dos atacantes.
Ah, mas se avançarmos nossa linha de defesa, aí, sim, é que nos tornaremos mais vulneráveis, retrucará o amigo mais cauteloso. Não, necessariamente, como disse lá em cima. Mas, de qualquer forma, trata-se de um jogo, onde o risco é inerente em quaisquer circunstâncias. Exemplo disso, o empate com a Bolívia, quando pela primeira vez no torneio, o Brasil conseguiu tocar a bola, tramar boas jogadas em vários instantes da partida, meteu quatro bolas nas traves, desperdiçou mais outras tantas chances e acabou levando o empate num único contragolpe.
Ah, mas só tomou o contragolpe porque estava lá na frente, tentando o segundo gol desnecessário, no caso. Mas, quem garante que se estivesse aqui recuado, submetido ao sufoco tradicional, não levasse o empate como decorrência de um escanteio bem aproveitado, uma falta bem executada ou qualquer outro acidente típico do futebol?
Jonas, ciao
Eis que, às vésperas da Libertadores, que o Grêmio cultiva a leite e mel, Jonas arrumou sua mala e partiu para saborear no berço a deliciosa paella valenciana. De troco, deixou míseros milhãozinho e meio nos cofres do Grêmio, conta de quatro doses de pinga e uma maria-mole no mercado internacional.
Logo Jonas, o goleador implacável do Tricolor nos dois últimos anos e o quinto no ranking de artilheiros da gloriosa história do clube?
Algo que lembra, guardadas todas as diferenças, a amarga saída de Ronaldinho Gaúcho do Olímpico, anos atrás.
Sucede que a relação do jogador com a torcida gremista sempre foi ciclo tímica: ora, tapas; ora, beijos. Ainda outro dia, houve um entrevero, como gosta de dizer a gente da fronteira, entre ambos, apesar de o craque ter marcado dois gols na partida.
Não sei se isso pesou definitivamente na decisão de Jonas, que tinha contrato com o Grêmio até dezembro deste ano. Ou se sua saída foi fruto da imprevidência da diretoria anterior, que estabeleceu multa rescisória tão baixa até mesmo para o mercado brasileiro.
O que sei é que fará uma falta danada ao Grêmio num momento de inflexão do clube.
Goleadas que animam
Santos e Fluminense foram os grandes destaques dos seus respectivos campeonatos neste fim de semana. Ambos golearam seus adversários. E golearam jogando um futebol bonito de se ver.
No Engenhão, diante do Olaria, os menos votados Tartá e Rodriguinho estavam com a macaca, mas quem deslizou pelo campo feito cisne branco foi o artilheiro Fred, com seus passes, seus toques de calcanhar e seus gols.
No início, até que o campeão brasileiro levou um susto. Mas, logo se reequilibrou e fechou o placar num 6 a 2, fora as chances desperdiçadas.
Em Prudente, o Santos meteu 4 a 0 no Grêmio, para no fim, relaxar e permitir a redução do placar para 4 a 2, numa partida exemplar de Elano que parece nunca ter saído da Vila.
E olhe que o Santos, já tão desfalcado, perdeu à última hora Zé Love, transferido para o Genoa, que vinha sendo um dos destaques do time nesta temporada.
Sei bem que os campeonatos estaduais, mesmo os mais badalados, não servem de parâmetro com vistas ao resto da temporada. Mas, me parece justo imaginar como serão Flu e Santos quando estiverem completinhos e nos trinques para as disputas da Libertadores e do Brasileirão, com base no que já mostraram na temporada passada e mostram no início desta.