TIMÃO, SILAS E LEÃO. É FOGO!
A cena foi patética porque não terminou em tragédia: enquanto o capitão William tentava despesperadamente se livrar das chamas que subiam por sua camisa, o presidente do Corinthians praticava um estranho ritual de exorcismo sobre a taça literalmente flamejante. Os demais cartolas e políticos, empoleirados no palanque armado para a cerimônia de entrega da taça ao campeão paulista, saltitavam daqui pra lá, numa dança entre o horror e o hilário.
Mas, chamuscada ou não pela imprudência geral, denunciada após o jogo por ninguém menos que o Fenômeno, a taça está lá na Fazendinha, onde se juntará ao troféu de 1938, o último, até então, com o timbre da invencibilidade.
Mas, passados o susto e a festa subsequente, o Timão já volta à dura realidade: em vez do fogo, terá de enfrentar o Furacão, que vem soprando forte do Sul, também com uma faixa de campeão no peito. Lá, na Arena da Baixada, o Corinthians esteve a pique de ser destroçado de vez, mas conseguiu reduzir o desastre a um nível aceitável no jogo daqui, pela Copa do Brasil – apenas um gol de diferença para os rubro-negros.
Todos sabem que a Copa do Brasil é o atalho para a Libertadores, principal torneio continental, cuja taça o Corinthians jamais levantou. Mas, como levantar o moral da tropa, às vésperas de batalha tão decisiva, se a tendência natural é o relaxamento imediato à tão histórica conquista?
Esse, pois, é o jogo que veremos até onde a chama interior desse time pode ser reacendida, de uma hora pra outra – a chama do campeão que não se apaga.
SILAS, O HERÓI
Depois da virada emocionante do Avaí sobre o Chapecoense, o técnico Silas foi carregado nos ombros dos jogadores e torcedores. Não sem boa razão. Afinal, Silas trouxe o Avaí para a divisão de elite do futebol brasileiro e, de quebra, levantou o título catarinense quando a vaca já parecia ter ido para o brejo.
Eis um jovem treinador – ex-craque de Seleção Brasileira, dono de passes medidos e fina leitura do jogo dentro das quatro linhas – que merece ser observado mais de perto, nessa interminável dança de rostos batidos em que se transformou o futebol brasileiro das últimas décadas.
LEÃO, O VILÃO
Confesso que a personalidade de Leão não me atrai. Mas, embora sendo um treinador de tiro curto (geralmente, obtém resultados rapidamente, mas logo se esgota em atritos desnecessários), já provou que sabe montar uma equipe voltada para o ataque e que privilegia o talento individual, o que não é pouco num futebol de resultados como o nosso.
Foi o que fez por sua breve passagem pelo Atlético Mineiro, grandíssimo clube brasileiro que anda, porém, nos últimos anos por baixo. Pois, Leão fez o Galo erguer a crista, em pouco tempo. Com um elenco de qualidade técnica discutível, no mínimo, cumpriu excelente campanha no Mineirão, recuperou Diego Tardelli, jovem atacante de temperamento instável, artilheiro do Brasil nesta fase dos estaduais, e… Bem, numa semana aziaga, levou uma sova do Cruzeiro, no primeiro jogo decisivo do campeonato, e perdeu por 3 a 0, logo em seguida, para o Vitória, que se sagraria campeão baiano, pela Copa do Brasil.
Nem mesmo o empate por 1 a 1 com o Cruzeiro, domingo, bastou para livrar a cara de Leão, que acaba de ceder seu lugar a Celso Roth. É, como batizou o ex-treinador José Sarno o seu livro de memórias, a Dança do Diabo.
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Autor: Alberto Helena jr. Tags: Atlético-MG, Avaí, Corinthians, Emerson Leão, Silas, William, Xhapecoense