04/05/2009 - 16:40
A cena foi patética porque não terminou em tragédia: enquanto o capitão William tentava despesperadamente se livrar das chamas que subiam por sua camisa, o presidente do Corinthians praticava um estranho ritual de exorcismo sobre a taça literalmente flamejante. Os demais cartolas e políticos, empoleirados no palanque armado para a cerimônia de entrega da taça ao campeão paulista, saltitavam daqui pra lá, numa dança entre o horror e o hilário.
Mas, chamuscada ou não pela imprudência geral, denunciada após o jogo por ninguém menos que o Fenômeno, a taça está lá na Fazendinha, onde se juntará ao troféu de 1938, o último, até então, com o timbre da invencibilidade.
Mas, passados o susto e a festa subsequente, o Timão já volta à dura realidade: em vez do fogo, terá de enfrentar o Furacão, que vem soprando forte do Sul, também com uma faixa de campeão no peito. Lá, na Arena da Baixada, o Corinthians esteve a pique de ser destroçado de vez, mas conseguiu reduzir o desastre a um nível aceitável no jogo daqui, pela Copa do Brasil – apenas um gol de diferença para os rubro-negros.
Todos sabem que a Copa do Brasil é o atalho para a Libertadores, principal torneio continental, cuja taça o Corinthians jamais levantou. Mas, como levantar o moral da tropa, às vésperas de batalha tão decisiva, se a tendência natural é o relaxamento imediato à tão histórica conquista?
Esse, pois, é o jogo que veremos até onde a chama interior desse time pode ser reacendida, de uma hora pra outra – a chama do campeão que não se apaga.
SILAS, O HERÓI
Depois da virada emocionante do Avaí sobre o Chapecoense, o técnico Silas foi carregado nos ombros dos jogadores e torcedores. Não sem boa razão. Afinal, Silas trouxe o Avaí para a divisão de elite do futebol brasileiro e, de quebra, levantou o título catarinense quando a vaca já parecia ter ido para o brejo.
Eis um jovem treinador – ex-craque de Seleção Brasileira, dono de passes medidos e fina leitura do jogo dentro das quatro linhas – que merece ser observado mais de perto, nessa interminável dança de rostos batidos em que se transformou o futebol brasileiro das últimas décadas.
LEÃO, O VILÃO
Confesso que a personalidade de Leão não me atrai. Mas, embora sendo um treinador de tiro curto (geralmente, obtém resultados rapidamente, mas logo se esgota em atritos desnecessários), já provou que sabe montar uma equipe voltada para o ataque e que privilegia o talento individual, o que não é pouco num futebol de resultados como o nosso.
Foi o que fez por sua breve passagem pelo Atlético Mineiro, grandíssimo clube brasileiro que anda, porém, nos últimos anos por baixo. Pois, Leão fez o Galo erguer a crista, em pouco tempo. Com um elenco de qualidade técnica discutível, no mínimo, cumpriu excelente campanha no Mineirão, recuperou Diego Tardelli, jovem atacante de temperamento instável, artilheiro do Brasil nesta fase dos estaduais, e… Bem, numa semana aziaga, levou uma sova do Cruzeiro, no primeiro jogo decisivo do campeonato, e perdeu por 3 a 0, logo em seguida, para o Vitória, que se sagraria campeão baiano, pela Copa do Brasil.
Nem mesmo o empate por 1 a 1 com o Cruzeiro, domingo, bastou para livrar a cara de Leão, que acaba de ceder seu lugar a Celso Roth. É, como batizou o ex-treinador José Sarno o seu livro de memórias, a Dança do Diabo.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonatos Estaduais
Tags: Atlético-MG, Avaí, Corinthians, Emerson Leão, Silas, William, Xhapecoense
12/04/2009 - 19:14
Resumo da ópera: ganhou aquele que entrou em campo programado para ganhar, num jogo emocionante em que o Corinthians foi dominante do início ao fim.
Sim, porque Mano Menezes escalou sua equipe com apenas um volante – Cristian -, justamente o que deu a vitória nos últimos segundos da partida, dois zagueiros, dois laterais que avançaram o tempo todo, dois meias e três atacantes.
Já o São Paulo, pela ausência de Zé Luís, voltou ao esquema com três zagueiros de ofício e dois atacantes de ofício, o que enfraqueceu seu meio de campo, inteiramente controlado pelo Corinthians.
Apesar disso, quem saiu na frente foi o Tricolor, graças à jogada de bola parada, sua infalível e recorrente arma: aos 25 minutos do primeiro tempo, na cobrança de bola presa por Dentinho, em dois lances, Jorge Wagner (sempre ele!) levantou para Miranda desviar de cabeça.
Em menos de quatro minutos, porém, Elias, em bela jogada pessoal, passou no meio de dois defensores e tocou de canhota no canto de Rogério Ceni.
Um prêmio para Elias, que acabou se transformando no melhor em campo, não apenas pelo gol marcado, tampouco pelo gol salvo em cima da linha, em novo cabeceio de Miranda, no finzinho da etapa inicial.
Nessas alturas, o Tricolor já havia perdido Arouca, machucado, trocado por Joílson, o que acabou dando um certo equilíbrio ao time, já que Arouca como ala direito é uma escolha equivocada do técnico Muricy – o rapaz não tem velocidade, nem habilidade para essa função.
Mas, não houve muito tempo para essa substituição surtir algum efeito, pois, logo aos 11 minutos do segundo tempo, André Dias foi expulso e, em seguida, Joílson foi substituído por Renato Silva.
O fato é que o Corinthians continuou jogando em cima do São Paulo e as chances se multiplicaram, inclusive pelas falhas e defesas oportunas de Rogério Ceni, sobretudo no duelo direto com Ronaldo.
O mesmo Ronaldo, que fez duas ou três jogadas de alto nível, tomou um amarelo justo pela entrada sobre André Dias e, mesmo perdendo três boas oportunidades, semeia todas as esperanças na Fiel para o jogo decisivo.
Assim, o cenário inverteu: o Corinthians é que ficou com a vantagem do empate no jogo do Morumbi. Porém, isso não é tudo.
FLA-FLU RUBRO-NEGRO
O Flamengo passou pelo Fluminense por 1 a 0, placar enganoso, já que os rubro-negros criaram cerca de meia dúzia de chances incríveis para ampliar o resultado, quase todas conjuradas por Fernando Henrique.
O mais irônico, contudo, é que o gol de Juan foi fruto de uma falha do goleiro tricolor. Azar de goleiro.
Assim, o Flamengo volta a encarar o Botafogo numa decisão carioca. Parece replay.
O GALO DE LEÃO
Em Minas, Diego Tardelli deu o tom, ao marcar o primeiro gol do Galo, na vitória por 2 a 0 sobre o Rio Branco de Andradas (o segundo foi de Eder Luís). E aqui vale repisar sobre o óbvio: com Leão, Diego Tardelli é fera. Foi assim no São Paulo e está agora sendo no Atlético.
E é aqui que quero prestar minhas homenagens ao técnico Leão, com quem tenho bicado muitas vezes. O maior mérito de um treinador, a meu modesto ver, não é o de inventar sistemas, táticas mirabolantes, manter a tropa em formação militar, nada disso. É dar uma espiada no elenco e nos jogadores disponíveis no mercado, e escolher os que têm mais potencial para jogar. Por fim, tendo-os sob seu comando, armar esquemas que permitam explorar o máximo de cada um. Leão é um dos poucos treinadores brasileiros que fazem isso.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonatos Estaduais
Tags: Atlético-MG, Corinthians, Cristian, Diego Tardelli, Emerson Leão, Flamengo, Fluminense, Mano Menezes, São Paulo
15/12/2008 - 13:46
Dorival Júnior assumiu o Vasco, enquanto Cuca foi para a Gávea. Júnior me parece o nome certo para dar estrutura a um time fragmentado, moral, tática e tecnicamente. Quanto a Cuca, nenhuma restrição à competência técnica. Apenas uma dúvida: será que, pelo desenho de sua personalidade propensa ao baixo astral, agüentará a pressão que virá com a perda até da vaga na Libertadores neste ano?
outro que está de volta ao futebol brasileiro é Leão, no Atlético Mineiro, onde já se deu bem, no passado. mas, terá que se virar com o que tem, pois o Galo está com os cofres vazios. E o que tem, sobretudo, é esse menino Renan Oliveira, bom de bola, além de poder contar de novo com Eder Luís, que não teve espaço no São Paulo.
É a eterna dança dos técnicos, que o ex-jogador e ex-treinador José Sarno perpetrou em livro como A Dança do Diabo.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Clubes brasileiros
Tags: Atlético-MG, Cuca, Dorival Júnior, Emerson Leão, Flamengo, Renan Oliveira, Vasco