18/11/2009 - 21:41
Portugal e França passaram pelo buraco da agulha e, finalmente, chegaram à África do Sul. Com um gol de Meirelles, Portugal bateu a Bósnia, na casa do inimigo, mesmo placar obtido em terras lusitanas dias atrás. E a França teve de penar diante de sua torcida para empatar com a Irlanda, na prorrogação, com um gol vergonhosamente ilegal de Gallas.
No gol da França, aos 13 minutos do primeiro tempo da prorrogação, Henry ajeitou a bola com a mão esquerda, descaradamente, e cruzou para Gallas concluir de cabeça. Um escândalo, a comprovar que não é só aqui que os juízes cometem erros colossais. Na verdade, se o amigo espiar bem o lance, verá que a infração só poderia ser vista por um outro bandeirinha que corresse deste lado do campo, pois o árbitro e o auxiliar do outro lado não tinham visão plena da jogada. Ou, então, o óbvio: se o juiz pudesse recorrer às câmeras de TV. O fato é que tanto Portugal quanto França cumpriram pálidas Eliminatórias e precisam melhorar muito se quiserem fazer boa figura na Copa.
Nem vale discutir se justa ou injusta a decisão do tribunal que suspendeu o trio tricolor por três jogos, justamente a conta para o final do campeonato. Pois, são tantos os meandros e as armadilhas do código que cada um pode interpretá-lo a seu modo. O que vale mesmo é discutir se esse modelo de justiça esportiva no futebol já não está superado há anos.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Futebol internacional
Tags: Copa do Mundo, Eliminatórias, França, Portugal
11/10/2009 - 19:38
A classificação antecipada, a altitude, as ausências de vários titulares, tudo isso pode explicar a derrota do Brasil para a Bolívia, em La paz, por 2 a 1. E explica: pois, o Brasil não foi nem de longe o Brasil dos últimos tempos em La Paz.
Tomou dois gols logo de cara, com Olivares, de cabeça, aos 9 minutos, e Marcelo Moreno (aquele brasilviano do Cruzeiro), de falta, que deixou Júlio César plantado no meio-de-campo enquanto a bola zunia no ângulo direito do nosso goleiraço.
Na verdade, o time só ganhou um pouco de dinamismo no segundo tempo, depois das entradas de Alex, Tardelli e Elano, o que nos permitiu reduzir o placar para 2 a 1, com Nilmar, na conclusão de bela trama entre Tardelli e Maicon.
A maior decepção, porém, ficou por conta da estreia de Diego Souza, no lugar e Kaká, que teve um gol a seus pés e mais nada. Mas, pelas circunstâncias, não vale tirar nenhuma conclusão definitiva sobre seu futuro na Seleção.
De resto, é reativar a perplexidade diante da vitória, na véspera, da Argentina sobre o Peru. Não pelo resultado em si, normal, em tempos normais. Mas, pela situação vivida pelos dois times: o gol impedido de Palermo já nos descontos, a bola na trave da Argentina, na sequência, disparada do meio do campo, o pênalti de Schiavi já no apito final, enfim, um tango argentino, da introdução ao acorde final.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Seleção Brasileira
Tags: Bolívia, Eliminatórias, Seleção Brasileira
10/09/2009 - 19:29
Depois do jogo, Cleiton Xavier confidenciou que Dunga garantiu a ele e a Diego Souza que ambos ainda terão chance para provar seu valor na Seleção. Só isso basta para mostrar que Dunga está no caminho certo.
Apesar de todos os feitos recentes do atual elenco, o técnico brasileiro não está adotando aquela postura tacanha, na base de o grupo está fechado e é com esse que eu vou, até cair no chão, lembrando a velha marchinha-de-carnaval.
Mesmo porque a Copa é um torneio de tiro curto, mata-mata, em que os jogadores devem estar nos trinques, naquele exato momento, nem antes, nem depois.
O passado de cada um conta e muito, claro.
Mas, não é tudo nesse caso.
Ora, se esse mesmo elenco que nos deu Copa América, Copa das Confederações e a classificação para o Mundial com antecipação inédita estiver em plena forma às vésperas da convocação final, tudo bem. Mas, até lá, quem sabe?
Ainda assim, acho que Dunga desconfia que está faltando um retoque final nesse grupo: um reserva para Kaká, com perfil técnico mais próximo do titular do que Júlio Baptista, e um outro meia, mais de armação, para compensar a presença de tantos volantes. Pouca coisa, mas fundamental.
DANIEL ALVES
Esse foi o trunfo que Dunga tirou da manga, na hora H, repetindo, aliás, experi~encia por ele mesmo já feita tempos atrás.
Na verdade, Daniel Alves, de todo o elenco que estava na Bahia é o que tem o melhor talhe físico e técnico para atuar por ali, uma espécie de meia aberto mais pela direita: é veloz, sabe receber a bola de costas e fazer o giro rápido, cruza bem e tem um disparo potente e bem direcionado a gol, além de muita resistência e aplicação.
Não é à toa que ainda outro dia foi selecionado como um dos cinco jogadores do Barça candidatos ao título de melhor da Europa, empalmado por Messi, claro.
O fato é que deu uma boa dinâmica ao setor, em combinação com Maicon, lembrando as experiências feitas por Claudio Coutinho há mais e três décadas, com o seu célebre overlaping (ultrapassagem), com Nelinho e Toninho Baiano, dois laterais revezando-se ali pelo lado direito da defesa e do ataque.
Errou muitos passes, é verdade. Fruto justamente da velocidade com que pretende resolver a jogada, uma postura mais intuitiva do que cerebral. Mas, nada que prejudicasse demais sua atuação.
Sucede que temos opções melhores, mais bem dotadas de técnica e habilidade, para esse setor específico. E é nisso que Dunga deve se deter daqui pra diante.
Ali, na função de meia, Daniel será sempre uma alternativa, nunca uma solução definitiva e programada.
A ARGENTINA VAI?
Bem, pelo que tem jogdo o time de Maradona… Apesar de contar com um seleto grupo de jogadores (Zanetti, Verón, Mascherano, Messi, Aguero, Tevez e Dátolo, por exemplo), os argentinos são uma banda de rock em que cada um desafina mais à medida em que o conjunto se esgarça na absoluta falta de uma pauta geral.
Mas, creio ainda que consegue chegar em quinto, o que lhe seria até muito conveniente com vistas à Copa. Caindo na repescagem, haverá tempo e juízo para a AFA redirecionar seus planos: cai Maradona, entra alguém que consiga infundir mais confiança a esse elenco evidentemente humilhado e sem um pingo de auto-confiança e que lhe confira um conceito tático básico, ao menos.
Se isso acontecer, a Argentina até pode chegar à Copa, e, lá, supreender os que a consideram carta fora do baralho.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Seleção Brasileira
Tags: Argentina, Cleiton Xavier, Daniel Alves, Diego Souza, Eliminatórias, Maradona
03/09/2009 - 17:14
Essa é a grande chance de a bola rolar catita nas pés dos argentinos, já cansados de correr atrás dos brasileiros nas últimas décadas, em vão.
A inchada estará maciça apoiando seu time no campinho de Rosário, e, viva!, lá estarão Messi, Aguero, Tevez, Mascherano, o maestro Verón e tal e cousa e lousa e maripousa.
Depois dos disparos verbais contra nosso time, Maradona recolheu-se com sua turma ao silêncio do templo, aos pés da Cruz, na esperança de que os céus também colaborem para a vitória redentora.
Afinal, para os argentinos, esse é um jogo que pode levá-los ao paraíso ou ao inferno.
Já os brasileiros estão numa boa, praticamente classificados para a Copa, time escalado – o mesmo que se tem saído bem nas últimas exibições -, nenhuma dúvida atroz (apenas Juan parece não estar nos trinques), e nenhum problema maior à vista, a não ser o circo formado em torno do campo de treinamento em Teresópolis e a acidez habitual de Dunga em relação à mídia.
No plano emocional, portanto, o Brasil dá claros sinais de que está mais bem preparado do que a Argentina, que, pelas circunstâncias, se atirará ao jogo com os nervos na ponta das chuteiras, o que sempre se assemelha a uma faca de dois gumes: tanto pode levar o time a uma conquista épica, quanto afundá-lo no desespero, a partir do primeiro percalço, para usar uma expressão bem portenha.
E isso se reflete também no plano tático, o que sugere uma Argentina, desde o início, bem mais ofensiva do que o Brasil, sobretudo se Maradona escalar os três avantes – Messi, Aguero e Tevez -, como parece ser sua inclinação, com Verón armando por trás, ao lado de Mascherano.
Do meio de campo pra frente, uma potência!
Mas, atrás, Dios, que lástima…
E aqui entramos no plano técnico. Há muitos anos os argentinos deixaram de ser uma escola de goleiros de fazer inveja ao mundo. Basta dizer que o Carrizzo de hoje nem limparia as luvas do Carrizzo de ontem, o grande Amedeo.
A zaga, então, qualquer que seja a opção de Maradona, é de dar dó. Ainda mais se o técnico cumprir a ameaça de escalar Sebá, aquele mesmo que afundou o Corinthians algumas vezes nos
tempos de Kia e cia.
E, nós? Bem, nada de excepcional, claro, a não ser a presença ameaçadora de Adriano no banco, fantasma que os argentinos tentam exorcizar com todas as magias possíveis.
Pelo gosto e tradição de Dunga temos um time habituado ao contragolpe, com a velocidade de Kaká e de Robinho e a agudeza de Luís Fabiano. Se jogar Ramires, acrescente mais um a esse grupo seleto de contragolpistas.
Logo, grandes são nossas chances de voltarmos de Rosário com um sorriso iluminado no rosto.
Um sorriso em que haverá de cintilar uma centelha de malícia, como aquele que se expressava nos lábios argentinos em décadas passadas, quando éramos freguês de caderneta deles.
INTER, TIMÃO ETC.
O Inter, ao bater, com olé e tudo, o Galo, por 3 a 0, e o Timão, que virou na raça o clássico com o Santos, estão na fita. O Inter, campeão virtual do primeiro turno, a um ponto do Palmeiras, e o Corinthians, roçando o G-4.
Juntam-se, pois ao líder Palmeiras, ao Goiás e ao São Paulo na luta direta pelo título. Mais o Inter, claro, do que o Timão, que precisará de uma arrancada prodigiosa para chegar lá em cima, o que parece improvável mas não impossível.
Possível, porque o Corinthians tem alguns trunfos na manga: a volta de Ronaldo Fenômeno e de vários outros titulares, mais as inserções de Marcelo Matos e de Defederico, recém contratados.
Mas, se espiarmos a tabela, veremos que o Palmeiras, provavelmente já com Love no ataque, periga disparar na liderança, já que recebe em casa o Barueri, Jogo duro, mas palatável.
Em contrapartida, o São Paulo pega o Cruzeiro no Mineirão, e o Inter terá de ir a Florianópolis enfrentar o Avaí, sequioso de recuperar a pose perdida outro dia.
Enquanto isso, o Corinthians ficará treinando até a próxima quarta, quando terá de encarar o Coritiba, de Marcelinho Paraíba, na casa do inimigo.
É uma vantagem significativa, convenhamos, num torneio tão parelho, e de calendário tão avaro no tempo de treinamentos.
De qualquer forma, no quadro atual, Palmeiras, Inter e São Paulo, principalmente pela tradição, seguem sendo os maiores favoritos. Quanto ao Goiás, resta recuperar aquele jogo envolvente e agudo que lhe deu tão honrosa classificação até agora.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Copa do Mundo, Seleção Brasileira
Tags: Argentina, Contra-ataque, Dunga, Eliminatórias, Maradona, Messi, Tevez
20/08/2009 - 17:26
Eis o Imperador de volta à seleção de Dunga, com todos os louros. Afinal, Adriano voltou bem (ainda em que longe de sua forma física ideal) ao Flamengo e está cumprindo à risca sua função básica: marcar gols.
Mesmo porque Adriano paira sobre os nervos argentinos, nossos próximos adversários, como uma assombração, por todos os sobressaltos que já causou a los hermanos, nos últimos tempos.
É um atacante experiente, embora jovem ainda, que só não se manteve no topo das celebridades do futebol por conta de sua personalidade ciclotímica, digamos. Como parece atravessar no Flamengo uma fase de bem-estar com a vida, por certo, será de grande valia para a seleção, ainda que apenas uma arma a ser sacada do banco na hora H por Dunga.
Quanto ao resto, lastimo, como sempre, a ausência de, pelo menos, mais dois meias de ofício, além de Kaká, o único dessa estirpe relacionado na última lista.
Há um excesso de volantes (ou, se preferirem, jogadores de muita força e habilidade convencional) e uma escassez de meias. No mínimo, um Cleiton Xavier, um Wagner (ex-Cruzeiro), um Alex (ex-Inter), um Diego, alguém com esse perfil, enfim, mereceria ser chamado.
Pois, se precisar de um jogador desse tipo, o técnico não o terá no banco, o que é, no mínimo, uma imprevidência.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Seleção Brasileira
Tags: Adriano, Alex, Argentina, Armadores, Cleiton Xavier, Diego, Dunga, Eliminatórias
09/06/2009 - 21:33
Esta é a hora de o nosso time confirmar aquela evolução tão decantada depois da histórica vitória por 4 a 0 sobre o Uruguai, em Montevidéu. Na verdade, evolução maior do conjunto observou-se mais nos amistosos recentes, contra Itália, Portugal etc. No jogo de domingo, o que houve foi um raro aproveitamento da maioria das chances de gols criadas, não uma exibição de gala, a não ser nos vinte minutos que antecederam a expulsão de Luís Fabiano.
Estou sendo muito exigente. Claro, e é assim que a crônica esportiva responsável deve pensar e agir, exigindo sempre o melhor da nossa Seleção, pela simples razão de que ela sempre pode melhorar, até atingir o inatingível – a perfeição.
Sucede que se houve na história do planeta bola uma seleção nacional capaz de roçar esse objetivo impossível, esse foi sempre o nosso time, em vários momentos. Foi assim em 58 e em 70, quando levantamos a taça, e foi assim em várias outras ocasiões, em que não vencemos mas deixamos nossa marca de excelência no mundo, como em 38, em 50 e em 82.
E o Paraguai?
Isto posto, vamos ao que interessa aqui e agora: o Paraguai, chance para o Brasil praticamente selar sua vaga no Mundial da África, numa Recife apaixonada pelo nosso time.
O problema é que, nas eliminatórias, nesses jogos casados, tem sido uma no cravo e outra na ferradura. Geralmente, quando nada se espera da Seleção, ela renasce feito Fênix. Aí a turma esfrega as mãos, na esperança de que aqui teremos um repeteco da atuação de lá. Então, sobrevem a decepção.
O Paraguai, de digna campanha nas Eliminatórias, não é nenhum bicho-papão, mas joga com ardor e eficiência. A derrota em Assunção para o Chile só serviu, calculo, para atiçar ainda mais esse time, que, ao longo da história, sempre foi uma carne de pescoço para os brasileiros.
E, se na derrota para o Chile, os paraguaios estiveram desfalcados de alguns de seus principais jogadores, em Recife, a história será outra, pois todos estarão de volta, inclusive o barrilzinho Cabañas, de tão triste memória para nosotros.
Espera-se um Paraguai retrancado, apenas arrriscando este ou aquele contragolpe veneno. A lógica sugere isso, cá e lá.
Mas, até aqui, não tem sido essa a opção em geral desse novo Paraguai. Imaginemos, porém, que assim seja.
Então, seremos forçados a furar essa retranca, destruir esse ferrolho, abrir esse cadeado. Como? Ora, através de bolas bem trabalhadas a partir do meio de campo, dos avanços lúcidos de nossos laterais, de tabelinhas espertas na entrada da área, e de um pé certeiro lá na área.
O ENIGMA DOS 3
O diabo é que Dunga não parece nada disposto a mexer nos seus três volantes de contenção, o que já, em princípio, prejudica esse trabalho de bola do meio de campo mais refinado e inspirado. Além do mais, não teremos nosso artilheiro Luís Fabino, um desses atacantes de força que sabem, contudo, trabalhar a bichinha quando necessário.
As opções estão aí: Nilmar e Pato, dois baitas atacantes, de técnica esmerada e rara habilidade. Qualquer um dos dois merece vestir a camiseta nacional.
NILMAR, PATO, KAKÁ E ROBINHO
Aí, me pergunto: e por que não ambos, com recuo de Robinho, que, se não vem produzindo aquelas espirituosas invenções de hábito, não perdeu nem a velocidade, nem a disposição de correr atrás dos volantes adversários.
Dessa forma, com Robinho no lugar de um dos três volantes (pra meu gosto, ou de Elano, ou de Gilberto Silva) e com Kaká, Nilmar e Pato, teríamos um conjunto ofensivo de extrema mobilidade e alta capacidade de criar jogadas agudas como poucos no mundo.
Se daria certo, só vendo. Poderia até nem funcionar, sobretudo por falta de treinamento adequado.
Assim como podemos entrar com Nilmar ou Pato, e os três volantes se transformarem em heróis da partida.
Afinal, estamos falando de jogo, não é mesmo, onde tantas variáveis intervêm que não dá para apostar as cegas em nada.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Seleção Brasileira
Tags: Dunga, Eliminatórias, Seleção Brasileira, Volantes
06/06/2009 - 18:26
Foi uma vitória histórica, dessas para entrar nos almanaques do futebol: depois de trinta e três anos sem conseguir vencer o Uruguai em Montevidéu, metemos 4 a 0 neles, placar, aliás, que poderia ter se multiplicado, se considerarmos que foi pênalti em Luís Fabiano, não marcado pelo juiz, o mesmo Luís Fabiano que teve mais dois gols a seus pés, conjurados pelo goleiro Vieira, autor de um frango tão enorme, no chute longo de Daniel Alves, que daria para alimentar todo o Cone Sul.
Mas, se desviarmos o olhar para a nossa meta, então, veremos que Júlio César foi o grande pilar dessa conquistas, com meia-dúzia de defesas incríveis, além dos dois gols salvos por Daniel Alves, no primeiro tempo.
Esse gol, porém, em vez de se aproveitar da natural depressão que se abateu sobre a Celeste, por um breve momento, recuou, e o Uruguai passou a pressionar. Mesmo assim, aos 35 minutos, Juan foi lá e, em duas cabeçadas certeiras ampliou.
Contudo, só na segunda etapa, quando Luís Fabiano marcou o terceiro gol brasileiro, numa boa trama entre Robinho, Kaká, Elano e o artilheiro, que acertou belo tiro cruzado, sem ângulo, nós conseguimos botar a bola no chão esburacado do estádio Centenário.
E esse foi um fator decisivo para que o Brasil não tocasse a bola melhor e por mais tempo, envolvendo o adversário, ao nosso estilo tradicional. Não o único, porém: a presença de três volantes de contenção também influiu estruturalmente nessa clara dificuldade do time brasileiro ao longo da maior parte do jogo.
Mas, o que ficará para a história é o placar de 4 a 0, raro em confrontos desse tipo, fechado por pênalti sofrido e convertido por Kaká.

OS DESTAQUES
Júlio César, sem dúvida, foi espetacular, porque interveio nos momentos mais críticos, de forma sensacional.
A dupla de zaga – Lúcio e Juan – foram impecáveis, enquanto Daniel Alves fez um gol e salvou outros dois.
No meio-de-campo, Felipe Mello confirmou sua presença, marcando e armando mais do que seus outros dois parceiros de setor – Elano e Gilberto Silva.
Kaká, embora abaixo de suas habituais performances, pontuou jogadas decisivas, e Luís Fabiano foi o mais pontiagudo de nossos atacantes, como sempre, aliás. O diabo é que acabou sendo expulso injustamente, pois pulou sobre o goleiro e perdeu, na sequência, o equilíbrio, cena interpretada erroneamente como tentativa de cavar pênalti, pelo juiz.
E Robinho? Robinho errou passes como todos os demais jogadores em campo, mas ajudou muito (incrível, como as pessoas não vêem isso!) na marcação, roubou bolas preciosas até na área brasileira, deu um passe esperto para Elano, que não soube aproveitar, puxou o contragolpe que resultou no gol de Luís Fabiano, aquele que definiu de vez a vitória, e tal e cousa e lousa e maripousa. A turma, porém, continua atirando pedras no rapaz, dizendo que ele tentou enfeitar cada bola que recebia.
É, como sempre, o chavão imperando sobre a visão e a reflexão.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Seleção Brasileira
Tags: Eliminatórias, Júlio César, Seleção Brasileira, Uruguai
04/06/2009 - 11:22
A Seleção segue driblando aquela névoa que finge que vai e volta sobre o campo de treinamento de Teresópolis, com vistas ao Uruguai, adversário de sábado, em Montevidéu.
E segue do ponto em que parou: com exceção de Maicon, recuperando-se de delicada lesão, o time é aquele mesmo, com três volantes, um meia-ofensivo e dois atacantes.
Essa formação, às vezes, dá resultado, às vezes, não. Teoricamente, um sistema adequado para jogar no contragolpe, expediente recomendado pelos pragmáticos de plantão, sobretudo quando se joga no campo do inimigo.
Nesse caso, a força ofensiva da nossa equipe fica muito dependente de Kaká, o homem indicado para coordenar os contra-ataques, a partir do meio-de-campo. Robinho, também, costuma dar sua mãozinha nesse sentido.
Sucede que Kaká e Robinho não andam lá essas coisas nos últimos tempos e estão em fim de temporada, portanto, naturalmente desgastados. Além disso, Kaká está envolto nessa vertiginosa transação com o Real Madrid (ou será o Chelsea?), o que certamente deixa qualquer um tanto desfocado.
Para completar, o Brasil não ganha do Uruguai, lá, há mais de três décadas, tempo pra burro!
Aliás, tempo em que o futebol uruguaio esteve em baixa, muito distante dos gloriosos dias da Celeste Olímpica dos anos 30/40/50/60 e parte dos 70. Basta dizer que, desde Francescoli, os uruguaios não têm um ídolo desses como Pedro Rocha, Schiaffino e outros de passado mais distante.
Mas, ultimamente, o Uruguai começou a dar sinais de recuperação, e vai ser carne de pescoço, não tenha dúvida. Aliás, mesmo em baixa, quando enfrenta Brasil ou Argentina costuma se erguer ao mesmo nível dos gigantes de cima.
É sempre uma questão de honra para nossos vizinhos.
Mas, não me surpreenderia, apesar disso tudo, se o Brasil voltar de lá com um bom resultado. E, nesse caso, incluo um empatezinho maneiro, por que não?
MEU BRASIL
Amigos me perguntam que time escalaria se fosse o Dunga. Ora, se fosse o Dunga, escalaria o time do Dunga, óbvio. Mas, para meu gosto especial, teria feita uma convocação mais equilibrada no meio-de-campo, onde temos sete volantes – Gilberto Silva, Josué, Felipe Mello, Elano, Júlio Baptista, Ramires e Kléberson – e apenas um meia de ofício, mesmo assim um meia-ofensivo, quase atacante – Kaká, para oito vagas, entre titulares e reservas.
É um despropósito, um desequilíbrio desnecessário, mesmo com a escassez de meias que ronda nosso futebol há muito tempo.
É que, na cabeça de Dunga, Elano, Júlio Baptista, Kleberson, Ramires e Kléberson são meias, que fazer?
O que eu faria, nesse caso, com a convocação que aí está, seria escalar o time, do meio pra frente, com Felipe Mello, que joga de primeiro volante na Fiorentina, Ramires, Kaká e Robinho; Nilmar ou Pato e Luís Fabiano.
Já estou esperando a chuva de pedras que se erguem das trincheiras dos pragmáticos de plantão.
TIMÃO OU INTER?
Corinthians e Inter passaram para as finais da Copa do Brasil, cujo prêmio é uma vaga antecipada para a próxima Libertadores. Mas, a que custo, meu!
Agora, resta saber quem tem mais chance de levar a taça. Chances são chances, não certezas. Assim, não hesito em dizer que as melhores chances pendem para o Inter. Não só porque, cotejando a campanha mais recente de ambos em dois fronts, veremos que, enquanto o Corinthians ocupa uma posição subalterna no Brasileirão, o Colorado é líder, cem por cento, o que revela uma força maior de elenco.
Do ponto-de-vista anímico, essa situação confere ao Inter mais tranquilidade, diante da perspectiva de ter uma segunda chance já bem encaminhada de chegar, via Brasileirão, ao mesmo porto da Libertadores.
O Timão, ao contrário: se perder a Copa do Brasil, vai ter de correr atrás no Brasileirão, com o moral abatido e ameaçado daquelas proverbiais crises desagregadoras que costumam desabar sobre o Parque São Jorge quando as coisas não dão certo.
Mas, tudo isso é mera especulação. Lá no campo, tudo muda (ou não), como as nuvens no céu.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Copa do Brasil, Seleção Brasileira
Tags: Corinthians, Dunga, Eliminatórias, Internacional, Seleção Brasileira
12/03/2009 - 16:31

Dunga convocou a Seleção para os jogos com Equador e Peru. Única novidade, a presença de Miranda no lugar de Juan, machucado, além da volta de Kleber, na lateral-esquerda.
Miranda merecia uma chamada desde o ano passado, por baixo. Embora jovem ainda, é um desses raros zagueiros que não sujam o calção e cometem poucas faltas, pois tem um extraordinário senso de colocação e um bote quase cirúrgico sobre o adversário. Se vai dar certo na Seleção, é outro departamento, mas que merecia, ah, disso não resta a menor dúvida.
Quanto a Kleber, que já teve momentos mais prófícuos na carreira, entra mais com a experiência, creio, no banco de Marcelo, que, por sua vez, está em ascensão no Real, apesar da goleada diante do Liverpool, pela Liga dos Campeões, desastre em que ele foi um dos poucos a sair com poucas escoriações.
Quem inexplicavelmente segue de fora das convocações de Dunga é o volante Hernanes, do São Paulo, que há dois anos vem esmerilhando no meio-de-campo tricolor.
De resto, é esperar que Kaká esteja plenamente recuperado até lá, que Ronaldinho Gaúcho, na reserva do Milan, aproveite mais esta chance para se recuperar, e que o Brasil repita a atuação contra a Itália. Isso basta.
Ah, sim, ia me esquecendo na primeira edição do post o que os bloguistas me lembraram: além de Hernanes, Ramires e Keirrison. Nos lugares de quem? Ora, de Gilberto Silva, Elano, que jogaram muito bem contra a Itália, diga-se, e Adriano. Mas, enfim…
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Seleção Brasileira
Tags: convocação, Dunga, Eliminatórias, Equador, Juan, Kléber, Miranda, Peru
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