O centroavante Tadeu estava numa banheira de causar inveja ao velho Arquimedes, quando o sábio grego teve o estalo genial e saiu doidão, pelado, pelas ruas de Siracusa gritando: “Eureka! Eureka!”.
Neste caso, porém, o juiz não conseguiu sequer ver o que acontecia a poucos metros de seus olhos opacos, e confirmou o segundo gol do Barueri diante do Palmeiras, em Prudente. Isso, depois de ter fechado os olhos antes em pelo menos um dos dois pênaltis reclamados pelos verdes.
A verdade, contudo, é que o Barueri, mesmo mudando de endereço e de time, segue sendo osso duro de roer.e deu uma canseira no Palmeiras, nesse empate por 2 a 2. Sobretudo, quando a bola caía nos pés do serelepe Flavinho lá na frente, ao lado de Tadeu.
Assim como o Verdão, apesar de todas as adversidades, ainda que não jogando a bola da estreia, revelou que tem caixa para manter-se na superfície do campeonato.
NA FALTA DA PRÉ-TEMPORADA…
Corinthians e São Paulo têm sofrido um bocado, neste início de campeonato, em função dos revezamentos adotados por seus respectivos treinadores: hoje, joga um time; amanhã, outro substancialmente alterado.
Ricardo Gomes chegou ao extremo de trocar, da estreia à segunda rodada do Paulistão, nove jogadores, por exemplo. Mano, menos, mas o suficiente para que o entrosamento ideal seja comprometido.
Claro que ambos estão utilizando o Paulistão como campo de provas para a Libertadores. Ainda mais que esses dois treinadores acabaram de receber uma batelada de novos jogadores, cada um, na virada do ano. É preciso, pois, afiá-los fisicamente e testá-los tecnicamente para que adquiram ritmo de jogo, essas coisas óbvias.
Tivéssemos um calendário civilizado, e este seria exatamente o período de pré-temporada, tão fundamental para a montagem da base (física, técnica, tática e psicológica) de um time para toda a temporada que se desdobrará em vários campeonatos ao longo da temporada.
Era para esses times, depois de trabalho físico forte, estarem soltando os músculos e ganhando harmonia coletiva em jogos-treinos, torneios de verão, amistosos e tal e cousa e lousa. Nunca, disputando um campeonato pra valer, por mais esdrúxula que seja sua fórmula.
Pois, o torcedor, movido pelo instinto, não quer saber de nada disso, embora saiba, mas não sinta. É jogo de campeonato? Então, tem que jogar no limite.
Caso contrário, é vaia no Tcheco, é a torcida tricolor pedindo raça para um time que mal se conheceu na véspera e cujos jogadores estão ainda com os músculos encolhidos pelo estágio atual da preparação-física etc.
Se bobear, queima-se este jogador-chave para o resto da campanha – o mais importante, diga-se – ou aquele outro treinador, se não chega a cair, pelo menos, terá seu trabalho solapado. E aí todo o planejamento vai pra a cucuia.
Calma nessa hora, minha gente.
ROONEY NO BARÇA?
O ambicioso repórter joga sobre a mesa do editor a reportagem-bomba: “Bin Laden e Hillary Clinton vivem tórrido romance!”. O editor levanta o olhar perplexo do título bombástico, à espera da explicação óbvia: como o repórter obteve aquela explosiva informação:
- Fácil, chefe. Liguei para o Bin Laden e o telefone estava ocupado. Liguei em seguida para a Hillary, e o mesmo sinal de ocupado. Logo, os dois estavam em profundo colóquio.
Claro que adaptei essa do velho anedotário político mineiro, mas foi a primeira imagem que me veio à mente quando li a notícia do jornal espanhol Marca, anunciando que o Manchester United esperava proposta milionária do Barça pelo atacante Wayne Rooney, o ai Jesus dos Diabos Vermelhos.
A notícia não parte do Barça, mais próximo do jornal do que o Manchester, claro. Logo, soa como um factoide, um fato que não é fato, de fato, mas que pode virar fato, se levado ao pé da letra.
O fato é que seria, para o Barça, uma bênção divina a presença de Rooney entre Xavi, Iniesta, Ibrahimovic, Messi e tantos ilustres integrantes desse time deslumbrante. O mesmo Barça que acaba de ser eleito pelo instituto de estáticas daquele alemão maluquete como o melhor time de todos os tempos. Todos os tempos, desde 1991, quando o tal instituto foi inventado. Data, aliás, da fundação do mundo, como todos sabem, de cor e salteado.
Ah, sim, o São Paulo, bicampeão mundial nesse período abarcado pelo tal instituto, ficou em décimo oitavo lugar, abaixo do Parma, bicampeão do… da… de nada.
DOUGLAS NO GRÊMIO
Douglas, aquele canhoto de tanta habilidade projetado pelo São Caetano e que comandou o meio de campo do Corinthians na volta à Primeirona do Brasileirão e na conquista do Paulistão e da Copa do Brasil.
Sou fã da bola desse rapaz, tão refinada como intermitente, feito chuva belga: ora, cai, ora, se retrai. Embora, tenha evoluído muito no sentido de brigar pela bola, sob o comando do gaúcho Mano Menezes, no Corinthians.
Meu temor é que seu estilo não seja devidamente assimilado pelo torcedor gremista, tão cioso daquele espírito guerreiro que fez sua gloriosa tradição. Mas, se for dado ao craque tempo necessário para readquirir a forma física ideal e o ritmo de jogo necessário, o torcedor tricolor terá muitas alegrias.