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07/09/2009 - 16:46

NOSSO TIME, NOSSA HISTÓRIA

Lamento, mas é preciso repetir essa ladainha, dia após dia, porque vivemos tempos em que apenas o resultado interessa, e boa parte da mídia e da opinião pública vai no embalo dessa onda sem olhar para os lados, pra trás, e, sobretudo, pra frente, onde, enfim, esse barco vai encalhar.

Futebol não é só isso. É, também, claro, pois o resultado está no cerne da competição. Mas é muito mais, esse jogo tão simples em toda a sua complexidade. Caso contrário, não seria tão devastadoramente apaixonante, único esporte de massa praticado em cada palmo de terreno deste mundão de Deus, e que circula como tema em todas as áreas da observação humana: desde tratados acadêmicos ao bate-boca nas padarias.

Seria o mesmo que resumir o ato de viver no saldo da conta bancária de cada um de nós. Parodiando o Príncipe da Viola, o futebol não é só isso que se vê; é um pouco mais… Pois, no fundo, no fundo, o segredo do êxito do futebol está no fato de que ele é a mais completa representação do cotidiano de todos nós numa praça esportiva.

Aceitar que  resultado é tudo e se basta em si mesmo é a maneira mais simplista e tosca de ver e sentir o futebol, eis a grande verdade que precisa ser repetida à exaustão para que não se perca o encanto desse jogo feito de maravilhas.

Nesse contexto, a Seleção Brasileira passa a ser um paradigma, uma das raras reinvenções do brasileiro que o mundo todo venera e teme, desde aquele distante dia em que os jogadores do Paulistano de Friedenreich desembarcaram na França para ser aclamados, dois jogos após, como Les Rois du Footbal (Os Reis do Futebol).

De lá pra cá, perdemos e ganhamos, mas nunca deixamos de encantar com nosso jogo revestido de brilho incomum, inimitável.

Na verdade, não foram os resultados que nos colocaram no trono do futebol mundial, mas, sim, o brilho de nosso jogo, que precedeu de muito a tantas conquistas, como, por exemplo, o Penta Mundial.

Por isso, é dever do crítico, aquele que conhece um pouco de nossa história e que visa espiar um pouco além do mero placar final, exigir sempre da nossa Seleção muito mais do que o simples resultado, embora jamais possa descartar este, claro, óbvio, indiscutível.

Nosso time já beirou, ao longo da história, algumas vezes, a perfeição. Como dizia Gilberto Gil, a perfeição é uma meta defendida pelo goleiro… da Seleção. Nesse sentido, literalmente, Júlio César se encaixa nos versos do baiano ilustre.

Mas, dali pra frente, o que temos? Uma linha de defesa sensacional, um meio-campo desequilibrado, já que excessivamente defensivo, e um ataque fulminante. Isso basta para ganharmos de qualquer outra seleção do mundo que nos enfrente. Mas, não basta para cumprir aqueles nosso mais altos desígnios. Ou seja: vencer, brilhando.

Digo todas essas filosofices baratas para dar os parabéns a Dunga pelos incríveis resultados obtidos à frente da Seleção: as conquistas das Copas América e das Confederações e a classificação ao Mundial com antecipação inédita na história das Eliminatórias desde sua reformulação.

Mas, me reservo o direito de seguir exigindo do técnico brasileiro uma formação de time e um jeito de jogar mais compatível com nossa identidade. E olhe o amigo que ele está a um passo disso. Basta trocar um dos três volantes por um meia de ofício, ao lado de Kaká. Pronto, Fiat Lux!

E AGORA?

O amigo é testemunha que venho cobrando de Dunga a presença de, pelo menos, mais um meia nato para compor esse grupo vencedor. Alguém, no mínimo, capaz de revezar com Kaká, embora o ideal fosse que nosso elenco dispusesse de outros dois, além desse, com características mais de armação do que de chegada à área.

Não precisa ser um craque, um malabarista, nada disso. Apenas um sujeito do ramo, que saiba receber a bola de costas no meio-de-campo, girar e iniciar a trama de ataque. Mesmo porque no no setor de meio-de-campo do Brasil, com exceção de Kaká, não há craques, apenas bons ou excelentes volantes, de acordo com a visão de cada um. Basta listar: Gilberto Silva, Felipe Melo, Lucas, Elano, Ramires, Júlio Baptista, Sandro, sei lá quantos mais. Com disse, todos bons ou excelentes… volantes, mas nenhum craque-craque.

Agora, perdemos Kaká para o jogo com o Chile. Tudo bem: é festa no Pelourinho. Já estamos classificados e tal e cousa e lousa e maripousa. Mas, não podemos dar sopa pro azar, nunca!

Bem, temos lá Júlio Baptista, moço instruído, articulado, bom jogador, dono de vitalidade invejável, mas de técnica reduzida. Pode até entrar no lugar de Kaká e acabar com o jogo, isso faz parte de seu repertório, mas é jogar com a sorte, não com a razão.

Melhor seria ter por ali um Diego, que está matando a pau na Juve, depois de brilhante passagem pelo futebol alemão. Ou, se quiserem, o outro Diego, o Souza do Palmeiras, que vem sendo o melhor jogador do Brasileirão nesta temporada, não só pela força, mas, sobretudo, pela técnica.

Quanto a um eventual chamado para o ataque, onde só restaram Nilmar e Adriano (só?), bem que Dunga poderia chamar para o jogo com o Chile Diego Tardelli, cujo estilo é o que mais se aproxima do de Robinho: velocidade, movimentação e drible fácil, além de ser emérito goleador e estar em plena forma.

Mas, enfim…

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Seleção Brasileira Tags: , , , , , , ,
02/09/2009 - 18:05

KAKÁ OU MESSI?

O Brasil terá Kaká, a Argentina, Messi, dois jogadores considerados os que podem desequilibrar uma partida de futebol. Mas, quem é melhor?

Ambos, responderia sem nenhuma inclinação para subir no muro. Ambos, porque os dois podem jogar juntos num mesmo time sem que a função de um se sobreponha à do outro.

Kaká é um tipo é um tipo esguio, destro, meia-ofensivo, que opera mais naquela zona difusa entre a armação e a conclusão, a partir do meio-de-campo, que, embora caia pelos lados de seu ataque, tem como principal arma a arrancada com a bola colada aos pés.

Messi, baixinho, canhoto, é senhor de uma habilidade invulgar, e uma capacidade inventiva rara. Mas, prefere mesmo atuar pelo lado direito de seu ataque, ainda que circule bem pelo campo, a partir da intermediária adversária.

Os dois finalizam bem e marcam muitos gols, de hábito, sem contudo, se caracterizarem por esse quesito.

Messi, na Seleção, não tem sido o mesmo do Barça. Ao contrário de Kaká, que, em geral, atua bem com a camisa canarinho. Mas, quem vai decidir esse jogo só os deuses da bola podem responder.

ÊTA, DIEGO!

Vejo o treino da Seleção em Teresópolis, coisa leve, e busco um meia que possa se alternar com Kaká, numa eventualidade dessas corriqueiras no futebol.

Lembro, então, da atuação de Diego, ex-Santos, pela Juventus contra a Roma, no estádio Olímpico. Esqueça os dois gols de Diego – um deles, súmula perfeita da escola brasileira de jogar bola: balançou duas vezes diante do beque, que esteve prestes a quebrar a coluna, antes de bater firme. E fixe-se apenas na atuação do craque ao longo da partida: soberba!

Sim, sei bem, que Diego, nas tantas vezes convocado, não chegou a brilhar. Mas, nas últimas apresentações também não decepcionou. Aliás, é preciso levar em conta que Diego é muito jovem – revelou-se naquele Santos campeão brasileiro, ao lado de Robinho, aos 17 anos. E isso foi outro dia.

O tempo passa, como dizia o saudoso Edson Leite, e o sujeito vai incorporando novos conhecimentos, novos conceitos, novas atitudes. Aos 24 anos, Diego é um jogador mais ativo; movimenta-se pelo campo com maior desenvoltura; fecha espaços, dribla e passa com maior segurança. Foi eleito por dois anos consecutivos o melhor estrangeiro da Alemanha, e, agora, na Juve, já virou ídolo.

Falo de dois centros muito caros ao técnico Dunga – a Alemanha e a Itália, onde o técnico brasileiro fez longa carreira -, tidos como os mais duros na marcação do planeta. De resto, a relação de Diego com a bola excede em muito à da imensa maioria da legião de volantes convocados.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Seleção Brasileira Tags: , , ,
20/08/2009 - 17:26

A VOLTA DO IMPERADOR

Eis o Imperador de volta à seleção de Dunga, com todos os louros. Afinal, Adriano voltou bem (ainda em que longe de sua forma física ideal) ao Flamengo e  está cumprindo à risca sua função básica: marcar gols.

Mesmo porque Adriano paira sobre os nervos argentinos, nossos próximos adversários, como uma assombração, por todos os sobressaltos que já causou a los hermanos, nos últimos tempos.

É um atacante experiente, embora jovem ainda, que só não se manteve no topo das celebridades do futebol por conta de sua personalidade ciclotímica, digamos. Como parece atravessar no Flamengo uma fase de bem-estar com a vida, por certo, será de grande valia para a seleção, ainda que apenas uma arma a ser sacada do banco na hora H por Dunga.

Quanto ao resto, lastimo, como sempre, a ausência de, pelo menos, mais dois meias de ofício, além de Kaká, o único dessa estirpe relacionado na última lista.

Há um excesso de volantes (ou, se preferirem, jogadores de muita força e habilidade convencional) e uma escassez de meias. No mínimo, um Cleiton Xavier, um Wagner (ex-Cruzeiro), um Alex (ex-Inter), um Diego, alguém com esse perfil, enfim, mereceria ser chamado.

Pois, se precisar de um jogador desse tipo, o técnico não o terá no banco, o que é, no mínimo, uma imprevidência.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Seleção Brasileira Tags: , , , , , , ,
16/03/2009 - 15:32

QUEM NO LUGAR DE KAKÁ

Na hipótese de Kaká não se recuperar a tempo, o que parece ser a mais provável, quem Dunga deveria chamar?

Sempre lembrando que a escolha exclui os que estão lá fora, por questões de prazo, embora negociações sejam viáveis, por exemplo, para trazer Diego, do Werder, em grande fase lá na Alemanha e que já foi convocado várias vezes por Dunga justamente por ser um dos poucos que atuam na posição específica de Kaká – a de meia mais avançado. Ou mesmo Alex, ex-Inter, que começava a pavimentar seu caminho na Seleção antes de se transferir para o exterior.

Se a escolha, porém, se restringir apenas aos que jogam por aqui, vale fazer uma varredura em busca do nome ideal dentro dessas especificações – um meia-ofensivo, que joga no Brasil atualmente, levando em conta que não0 encontraremos nenhum outro com as mesmas características de Kaká, nem aqui, nem lá.

No Sul, temos dois nomes: o menino Andrezinho, do Inter, e o já escolado Souza, do Grêmio, dois que atuam mais ou menos na mesma posição de Kaká.

Em Minas, Wagner, do Cruzeiro, embora Ramires, ainda que volante de origem, seja até mais agressivo e incisivo do que Wagner.

No Rio, temos Thiago Neves, que já esteve a Seleção.

E, em São Paulo, Diego Souza, do Palmeiras, é único que preenche esses requisitos básicos.

O problema é que, nos grandes centros futebolísticos do Brasil perdura essa sucata do 3-5-2, abandonada pelos principais clubes e seleções da Europa há muito tempo, o que reduz o espaço para meias autênticos.

Tanto, que o São Paulo, por exemplo, traveste o volante Hernanes de meia tão bem que o próprio Dunga se convenceu desse equívoco: quando perguntado por que não convocava Hernanes, respondeu que era porque o volante tricolor, na verdade, jogava na posição de Kaká. Só isso bastaria para receber da CBF o bilhete azul por justa causa.

Mas, enfim, por coerência, então, o nome é Hernanes, que, a exemplo de Ramires merece demais uma chamada, mas para suas reais funções.

De qualquer forma, seja quem for chamado agora, apenas esquentará banco, pois a tendência natural é Dunga escalar Ronaldinho Gaúcho por ali, entre a linha de volantes (Elano, Gilberto Silva e Anderson) e a dupla de ataque (Robinho e Luís Fabiano).

Depois, seja o que Deus quiser.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Seleção Brasileira Tags: , , , , , ,
03/02/2009 - 16:49

LÉO E O PEIXE

O Santos, que perdeu para o Ituano, num jogo inusitado de sete bolas nas traves (seis disparadas pelo Santos e uma pelo Ituano), enfrenta amanhã o São Caetano, na Vila, com direito a re-estreia de Léo, lateral canhoto destaque daquele timaço de Robinho, Diego, Elano, Renato e cia. bela.

Não sei como anda Léo, que passou esse tempo todo no Benfica, entre altos e baixos. Se ainda tiver a mesma flama, a mesma velocidade e técnica dos seus tempos da Vila, será, sem dúvida, a alternativa pela esquerda perdida com a queda de ímpeto de Kleber, que já se foi, e a chegada acanhada de Triguinho.

De resto, conta a volta de Fabiano Eller, que faz uma falta danada lá atrás e a esperança de maior entrosamento de Bolaños com Kleber Pereira, lá na frente.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Clubes brasileiros Tags: , , , , , , , , ,
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