O MUNDO DA DONA CANDINHA
Essa é a história recente do jornalismo esportivo: um disse-que-disse interminável. Um jogador dá uma declaração, que logo é levada aos outros, estabelece-se a polêmica e o gol está marcado.
Não vou entrar no mérito do que Marcos disse e Diego Souza respondeu. Tampouco se isso pode representar uma divisão do grupo palmeirense ou apenas expressões isoladas de dois jogadores questionados pela mídia.
Mesmo porque já dizia o saudoso Telê Santana que essa história de união do grupo é uma falácia: só há união de grupo na vitória; na derrota, é um racha total, pois cada um tenta salvar o seu.
Aliás, isso vale não só no futebol. É da natureza humana.
Quero apenas lamentar essa forte tendência da mídia em geral no sentido de valorizar acima de um nível suportável o tal jornalismo de celebridades. Um “reality show” permanente, quase exclusivo, em que se coloca no centro do palco dos acontecimentos a figura desta ou aquela personalidade pública.
Não, isso não é novidade. O jornalismo, desde antes de Guttemberg, ja recorria a esse expediente. Mas, o objetivo era desmascar, ou manchar, de acordo com as conveniências políticas da hora, esta ou aquela autoridade, gente cujos atos poderiam beneficiar alguns e prejudicar outros. Era, segundo a ótica de cada um, um ato de profilaxia social.
Hoje, porém, nesta sociedade de imagens, o que importa é que nada importa, a não ser investir sobre as celebridades – sejam elas míticas ou passageiras -, e desnudá-las publicamente, a qualquer preço.
Bem, se assim é, então, vamos em frente, pois o mundo virou um cortiço e quem manda é a Dona Candinha.
