NA MADRUGA, COM DANI ALVES
Vendo assim de perto, você não dá um tostão furado por aquele tipo mirrado, filho da Bahia de Todos os Santos estampada na pele morena e na fala mansa, cabeça raspada como uma bola de bilhar, trajando jeans e uma jaqueta de couro mole.
Pois, saiba que o amigo está diante do maior lateral-direito do mundo, assim eleito pela Fifa por cinco ou seis anos seguidos, perdi a conta, titular do Barcelona e da Seleção Brasileira, aos 29 anos de idade. E, se espiar através das lentes dos óculos de armação branca, verá um olhar atento que busca algo além do simples domínio da bola que traça seu destino nos campos da vida.
Daniel Alves cai na balada em São Paulo. Veja fotos das férias dos boleiros
- Não gosto só de jogar futebol. Gosto de futebol. De apreciá-lo, falar sobre ele, ouvir quem realmente conhece futebol.
É o que me diz Daniel Alves, de férias por aqui, numa mesa do Lellis, em companhia do professor Ruy Carlos Ostermann e do seu agente de imprensa, Acaz Felleger, que vi nascer como repórter esportivo na querida Gazetinha, depois de animadas duas horas de Bem, Amigos.
E, por se interessar tanto pelos meandros do jogo, Daniel Alves não hesita em timbrar o técnico Pep Guardiola de gênio:
- Ele não só sabe escolher a tática certa e escalar os jogadores adequados para cada jogo, como conhece todos os detalhes do adversário. E, quando saímos do vestiário para o campo, a gente tem a plena certeza de que, fazendo o que ele pediu, ganhamos o jogo.
Um bom exemplo disso, segundo Daniel, foi a preparação para o jogo com o Santos, na decisão do Mundial de Clubes.
- Até estranhei ele não me perguntar nada sobre o Santos nos dias que antecederam a partida. Mas, na preleção, ele demonstrou que sabia tudo, detalhadamente, sobre o Santos, jogador por jogador, tática etc.
E aqui vai uma revelação surpreendente: Daniel não sabe se Guardiola aceitaria ou não um eventual convite para dirigir a Seleção Brasileira como foi aventado recentemente por aqui.
- Mas, dia desses, ele me disse que tinha na cabeça a Seleção Brasileira que gostaria de ver em campo. Ele é muito ligado ao nosso futebol.
No que toca diretamente a Daniel Alves, o craque atribui a Guardiola o grande avanço no seu próprio jogo, desde que trocou o Sevilha pelo Barça.
- No Sevilha, era disparar pela direita e cruzar para o Kanouté ou o Luís Fabiano enfiarem a cabeça na área. No Barça, aprendi a jogar coletivamente. Por três vezes, o cara me escalou como zagueiro-zagueiro, imagine! Mas, o que ele exige mesmo é a participação de todos no toque de bola, o tal tic-tac que tanto falam.
É isso. Esse é basicamente todo o treinamento do Barça de Guardiola – passe e repasse ao infinito, pois aqui está o fundamento de tudo no futebol.
E Messi? O garoto é assim discreto nos gestos e reações, embora iluminado com a bola nos pés, por sua própria natureza ou como resultado da convivência desde menino no Barça?
- Não tenho dúvidas que o comportamento discreto de Messi, dentro e fora do campo, se deve muito à formação que recebeu no Barça. Aquilo é realmente uma escola onde se forma o homem antes do craque, coisa que a gente houve muito aqui no Brasil, mas que é só papo furado.
Por fim, e a Seleção Brasileira?
- Bem, nosso futebol está, como um todo, muito atrasado em relação ao europeu. E a Seleção é reflexo disso. Mas, acho que até a Copa teremos um time competitivo, capaz de disputar o título, sim.
E o papo seguiu madrugada adentro, num bate-bola agradável como se estivéssemos assistindo a um treino do Barça, sob o comando de Guardiola e as investidas de Daniel Alves, em tabelinhas com Messi, Xavi, Inieste e cia. bela.
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Autor: Alberto Helena jr. Tags: Barcelona, Daniel Alves, Guardiola, Seleção Brasileira



