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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012 Campeonatos Estaduais, Clubes brasileiros | 14:21

E DEU FLU NA LOTERIA

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Foram setenta e cinco minutos de profundo tédio no clássico decisivo do Engenhão, entre Botafogo e Fluminense – uma interminável sucessão de passes errados de lado a lado, muito pega-pega no meio de campo e praticamente nenhuma emoção nas áreas.

Até que, aos 30 minutos, bola alongada lá detrás colheu Herrera em disparada pela direita, sozinho; o passe do gringo saiu exato para Elkeson, no meio, tocar às redes de Diego Cavalieri.

Pronto, acendeu-se o pavio, e o jogo eletrizou-se, lá e cá, sobretudo depois que Abel mandou pra campo Araújo e Rafael Moura a fim de aumentar seu poder de fogo. Coube, porém, a um zagueiro – Leandro Eusébio – marcar o gol de empate, numa tentativa errada da defesa alvinegra de provocar a linha de impedimento, em bola lançada à sua área.

Aí, sobreveio a decisão por cobranças de tiros diretos da marca do pênalti, que, dizem, nada tem a ver com loteria, sorte ou azar, mas, simplesmente produto de treinamento adequado.

Pois, na véspera, Jean, que entrou no decorrer do segundo tempo, foi o rei das cobranças de pênalti nas Laranjeiras: converteu os seis batidos, cem por cento de aproveitamento.

Eis que, na hora H, Jean bate e Diego Cavalieri salva, como salvaria o último, cobrado por Loco Abreu, outro especialista no assunto.

Resultado: Fluminense e Vasco decidem domingo o título da Taça Guanabara. Outra loteria?

NOITE VERDE

Dois verdes fizeram a noite desta quinta-feira de Paulistão.

O Palmeiras, que, ao empatar por 1 a 1 com o Oeste, em casa, perdeu a liderança para o Corinthians, e o Guarani, que, ao bater o XV de Piracicaba por 2 a 0, no Brinco de Ouro da Princesa, tomou ainda por cima até a vice-liderança do Verdão.

Não vi o jogo de Campinas, de olho que estava no clássico carioca. Mas, não é difícil imaginar a superioridade bugrina, com base na brilhante campanha que vem cumprindo neste Paulistão.

Mas, vi o Palmeiras ser dominado pelo Oeste em boa parte do jogo. Tomou o gol logo de cara e conseguiu empatar no finalzinho do primeiro tempo. Mas, não teve descortino para, no segundo, mesmo com certo predomínio, mudar um cenário cada vez mais decepcionante.

Resta agora se reerguer diante do São Paulo, domingo, caso não queira repetir o mesmo trajeto do ano passado, quando começou a toda e foi, foi, foi e acabou fondo pro fundo, como dizia aquele luminar do passado.

O PESO DAS SUSPEITAS

Para Vagner Love, que conhece muito bem a posição, Deivid pensou na celebração antecipada antes de se cocentrar para empurrar aquela bola fatídica às redes vazias do Vasco.

Pode ser, como pode ter sido resultado de milhões de outros motivos, tantos quantos neurônios levamos na testa. Sem contar os fatores físicos, tipo velocidade da bola, eventual saliência imperceptível do gramado e tal e cousa e lousa e maripousa. Coisa para cem anos de estudos em laboratórios da mais alta tecnologia.

Mas, há quem creia no Sobrenatural de Almeida, figura criada pela fértil imaginação do dramaturgo e cronista Nélson Rodrigues. Aquela sombra miraculosa que intervém, para o bem ou para o mal, nos espaços abertos pela razão. Também pode ser, quem sou para duvidar do imponderável?

Prefiro, porém, do fundo de meu poço de ignorância sobre a alma humana, supor que esse foi o desfecho do acúmulo progressivo de suspeitas sobre seu futebol que tem arrastado esta passagem de Deivid pelo Flamengo.

Deivid, se nunca foi um craque deslumbrante, mostrou apreciável técnica e extrema eficiência por onde passou aqui no Brasil, no Santos, no Corinthians e no Cruzeiro. Nunca foi o cabeça-de-bagre em que se transformou no imaginário rubro-negro.

Sim, porque, desde que chegou à Gávea, a peso de ouro, que, diga-se, teve de cobrar na justiça, Deivid tem sido tratado como um estorvo, o cara que perde gols feitos. Há pouco tempo, num jogo importante (não me lembro mais contra quem), mas, nem tanto, do Brasileirão, cabeceou pra fora gol certo.

Lance corriqueiro entre artilheiros. Pois, o erro alcançou proporções inimagináveis na mídia, sobretudo carioca. Quando entrevistado pela tv a respeito, respondi que já vira coisas muito piores.

Ainda que marcando seus gols, alguns providenciais até, a cada jogo, Deivid, percebia-se, entrava em campo sob o peso das suspeitas crescentes. Não é fácil, meu.

O amigo, por certo, dirá: o grande craque costuma dar a volta por cima, nessas circunstâncias. É verdade. Eu mesmo sou testemunha de tantos casos assim. Mas, Deivid não é, nem nunca foi, um grande craque. É apenas um excelente atacante, tecnicamente melhor do que muitos fadados a sucedê-lo com a camisa do Flamengo.

Pode até ser que ele consiga se recuperar emocionalmente desse lance mortificante. Mas, livrar-se definitivamente das suspeitas que o perseguem desde sua chegada à Gávea, ah, isso é tarefa que me parece fora do seu alcance.

CAÇA AO MENINO

Muricy, depois da vitória do Santos sobre o Comercial, saiu reclamando do rodízio de faltas a que vem sendo submetido o menino-craque Neymar, jogo após jogo, sob o olhar complacente dos juízes.

- Desse jeito, uma hora vão quebrar o menino pra valer. Não tem essa de cai-cai, não. Ele apanha mesmo, sem parar. É preciso preservá-lo, principalmente, para a Copa de 2014.

Ah, mas não é função do juiz preservar este ou aquele jogador em campo, pois, isso seria privilegiar uns em detrimento de outros, dirá o frio catedrático do apito. Que arrematará: cabe ao juiz apenas aplicar as leis do jogo.

Eis aqui, nesta última frase, um equívoco básico sobre a função principal de um árbitro de futebol. As leis do jogo são as ferramentas práticas e legais para que o juiz, a suprema autoridade em campo, cumpra seu dever precípuo – o de preservar o espetáculo no tocante á parte disciplinar.

Não é seu dever apenas evitar o pior, uma lesão grave produzida por entrada desleal ou temerária em excesso do adversário. Suas atribuições vão além, no sentido de garantir a fluidez do jogo, o que implica em punir severamente o time que recorre ao famigerado rodízio das tais faltinhas necessárias, aquelas que, na verdade, matam o espetáculo no seu nascedouro.

Como a juizada flutua entre a mentalidade do sargentão, mais preocupado em impor sua otoridade (assim, com o mesmo), e a do funcionário público relapso, que faz vistas grossas à irregularidade para não se complicar, houve até a necessidade de se apelar para aquele expediente das sete faltas coletivas convertidas em cobrança de pênalti ou equivalente, que vigorou por uns tempos nos campos de futebol.

Grande ideia, que, infelizmente, não frutificou.

De qualquer forma, é dever fundamental do juiz preservar o espetáculo. E, por conseguinte, preservar os Neymares da vida, que eles são o espetáculo no fim das contas.

Notas relacionadas:

  1. UM ATAQUE DE ARRASAR PARA O FLA
  2. VASCO, ATÉ QUE ENFIM
  3. A RAPOSA E O OSSO DURO TRICOLOR
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , ,

quarta-feira, 12 de outubro de 2011 Campeonato Brasileiro | 18:52

EMPATE QUE VALE DUPLA DERROTA

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O São Paulo precisava ganhar para quebrar a série de insucessos recentes e para manter acesa a chama da disputa pelo título. Além do mais, jogava em casa, já que a Arena de Barueri lhe tem favorecido mais do que o próprio Morumbi.

E o Inter precisava ganhar para avançar em direção, ao menos, da zona de classificação à Libertadores.

Pois, o jogo, embora agradável de se ver, terminou em 0 a 0, com poucas chances de gol de parte a parte.

No primeiro tempo, o Tricolor teve mais posse de bola. No segundo, o Colorado. Mas, nenhum deles demonstrou aquela superioridade capaz de cravar, se não no placar, na alma do torcedor, a certeza de que o empate foi uma injustiça irreparável.

O Inter entrou em campo praticamente sem ataque, com Leandro Damião no estaleiro e Oscar na Seleção. O menino Delatorre, por isso ou por aquilo, não deu conta do recado. Quem, na verdade, se transformou no homem da conclusão acabou sendo o armador D’Alessandro, sem êxito, claro.

Já o São Paulo tinha uma dupla de artilheiros de escol – Dagoberto e Luís Fabiano, ainda longe de sua melhor forma física e técnica. Mas, na armação, Cícero e Rivaldo, de ritmo e porte semelhantes, anulavam-se, e os dois volantes, atuando muito atrás, chamavam o Inter para seu próprio campo de defesa.

Melhorou o São Paulo, nesse quesito, com as entradas de Casemiro e Marlos, nos lugares de Carlinhos Paraíba e Dagoberto. Foi quando Rivaldo perdeu a melhor chance tricolor do jogo, depois de uma tabela de cabeça na área colorada.

Resumindo: o empate foi uma derrota para ambos.

SURPRESA NO OLÍMPICO

A grande surpresa da tarde desta quarta-feira, sem dúvida, foi a derrota do Grêmio para o Figueirense. Nem tanto por isso e muito mais pelo placar de 3 a 1, com direito a golaço de Wellington Nem.

O Grêmio, que parecia estar a ponto de uma arrancada em direção à disputa de um lugar na Libertadores, refluiu, e agora só lhe resta pensar em garantir uma vaga na Sul-Americana.

SURPRESA EM SETE LAGOAS

Surpreendente também foi a goleada imposta pelo lanterna América mineiro no Ceará, em Sete Lagoas: 4 a 1. Não só pela pífia campanha dos americanos na competição e muito mais porque no Ceará não tem disso não.

Mas, a verdade é que, apesar dos últimos insucessos do América (quatro derrotas e três empates), esse time tem jogado mais do que o placar revelava. E, de vez em quando, quando acertava o pé, era capaz de aplicar uma goleada até no Vasco, líder recente do Brasileirão.

Coisas do futebol.

Notas relacionadas:

  1. O EMPATE E AS GOLEADAS
  2. VITÓRIA QUE VALE O DOBRO
  3. EMPATE EM TRÊS CORES
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , ,

quinta-feira, 6 de outubro de 2011 Campeonato Brasileiro | 01:11

EMPATE RUIM EM BELO JOGO

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Se o empate por 3 a 3 foi ruim para ambos, o jogo foi bom pra danar. Belíssimo espetáculo nos proporcionaram Cruzeiro e São Paulo, em Sete Lagoas, cheio de alternâncias, lá e cá, com direito a golaço (mais um) de Dagoberto, que passou por quatro adversários antes de empurrar para as redes, e pênalti desperdiçado por Luís Fabiano.

Pênalti, por sinal, inexistente, pois simulado por Cícero, em boa trama do ataque tricolor. Cícero que jogou muito, sobretudo no primeiro tempo.

Assim como esmerilhou o gringo Montillo, na primeira partida em que Rivaldo, como pedia, atuou do início ao fim, com discreta participação, diga-se. Nesse cotejo das celebridades em campo, Luís Fabiano, apesar do pênalti perdido e do escorregão no gol de Charles, foi mais ativo do que na estreia, como se esperava, aliás.

Embora o empate não colaborasse para a melhoria dos dois times na tabela – um atrás do titulo, outro fugindo das proximidades da zona da degola -, ambos saíram de campo mais esperançosos em relação ao que aí vem.

NOITE DE BRANDÃO

Ele era o alvo de todos os ressentimentos da torcida gremista com seu time. E seus passos foram marcados por sonoras vaias no Olímpico. Até que Douglas invadisse a área santista pela direita, e, na sequência de um bate e rebate, Brandão metesse a cabeça na bola e garantisse a vitória que coloca o Grêmio na fita de partida para uma arrancada na tabela.

Já o Santos, sem Neymar e com Elano e Borges praticamente ausentes da partida, somou sua terceira derrota seguida, ainda que obrigasse aqui e ali Victor a fazer boas defesas.

Avante, Grêmio! Acorda, Peixe!

Notas relacionadas:

  1. PET E RONALDO, O SAL DO JOGO
  2. BICHO FEIO E BELO FLU
  3. EMPATE EM TRÊS CORES
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , ,

quarta-feira, 5 de outubro de 2011 Campeonato Brasileiro | 14:01

DOIS CLÁSSICOS DE MORTE

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Antes de tudo, peço desculpas por não ter conseguido postar meus comentários aqui ontem. É que demônios cibernéticos invadiram minha caverna de Ibiúna, deixando-me isolado do mundo.

Só agora pouco consegui exorcizá-los. Então, vamos ao que interessa: os dois clássicos nacionais que agitam esta noite de quarta-feira – no Olímpico, o jogo atrasado entre Grêmio e Santos, e, em Sete Lagoas, o Cruzeiro a perigo versus um São Paulo que segue sonhando com o título.

O Tricolor costuma se sair bem melhor fora e casa do que no Morumbi, outrora sua fortaleza inexpugnável. Mas, irá desfalcado de alguns titulares, como Lucas, Wellington e o paraguaio Piris. Desfalques, porém, para os quais há boas soluções entre as tantas de que pode se socorrer o treinador Adílson Batista.

Na lateral-direita, Jean, que antes da chegada de Piris vinha se virando muito bem por ali, apesar de algumas restrições, é a solução óbvia.

Já para os lugar de Lucas, o leque de opções se abre em várias direções e estilos: Carlinhos Paraíba, Rivaldo e Marlos, por exemplo.

Desconfio, porém, que bastará ao técnico escalar Carlinhos Paraíba, ao lado de Casemiro, Denílson e Cícero, no meio de campo, com a dupla de ataque formada por Dagoberto e Luís Fabiano.

Haveria a alternativa da passagem de Carlinhos Paraíba para a lateral-esquerda, onde Juan não vem correspondendo à altura e a inclusão de Rivaldo ou Marlos na ligação ao ataque. Mas, essa é outra história, mudança possível de ocorrer no transcurso da partida.

Quanto ao Cruzeiro, que vive o pior momento de sua gloriosa história no Brasileirão, precisa desesperadamente da vitória para que a situação não fique ainda mais preta. E, se o amigo espiar a escalação de Vagner Mancini, verá que o time não é para estar em posição tão delicada, apesar de todas as perdas sofridas desde os tempos em que era considerado o melhor da América, no começo da temporada.

Logo, desconfio que o problema todo está mais na cuca do que nos pés dos jogadores. E que uma vitória esta noite teria um efeito terapêutico maior do que a ida da turma toda ao divã do Gikovate.

GRÊMIO E SANTOS

Grêmio e Santos contam com uma vitória esta noite para alcançar posições mais adequadas às suas tradições. Ambos vagam ali pela metade da tabela, com um ponto de diferença a favor dos tricolores do Sul, embora ao Santos ainda reste resgatar um jogo a mais adiado, contra o Botafogo.

O cenário é mais propício ao Grêmio, claro, não apenas porque joga em casa, mas, sobretudo, porque vem de vitórias, ao contrário do Santos. E, mais, pega um Peixe sem Neymar, que é o cara, aquele que faz a diferença, como dizem por aí.

O Santos, contudo, responde com Borges, o artilheiro do campeonato, que certamente gostaria de brindar seu aniversário com um cálice cheio de vingança contra o time que o desprezou outro dia.

Muricy não adiantou se vai com três atacantes ou quatro volantes. Neste caso, confesso, isso é um tanto irrelevante.

E Celso Roth vacila entre André Lima e Brandão, que vem merecendo muitas críticas e vaias até da torcida gremista. No fundo, no fundo, ambos se equiparam – são dois centroavantes à moda antiga tão em voga recentemente, fortes, bons no cabeceio e rompedores, mas reticentes com a bola nos pés.

Justamente o oposto de Borges.

FELIPÃO NO MORUMBI?

A doce, bela e sempre bem informada Sonia Racy, em sua coluna no Estadão, revela que Felipão., quem diria?, poderá acabar no Morumbi no ano que vem. Pelo que sei da esplêndida jornalista, certamente alguém de dentro do São Paulo lhe soprou a novidade.

Quem? Não sei. Tampouco de que escalão na hierarquia tricolor.

Só sei que os maiorais do departamento de futebol do clube desmentem a mais remota intenção, neste momento, de que esse tema sequer seja tratado no Morumbi. Assim como, por meio de seu assessor de imprensa, Acaz Fellenger, Felipão segue o mesmo roteiro da negativa.

A possibilidade, todos sabemos, sempre existe, mesmo porque nesta longa caminhada pelos campos do futebol, aprendi a não confiar cegamente na palavra de cartola ou de treinador.

O improvável, nessa história toda, é o São Paulo romper todos os tetos de sua tradição para pagar a Felipão o que nunca pagou nem a Telê Santana. A não ser que a obsessão pela Libertadores se transforme em esquizofrenia.

VASCOOO!

O Almirante volta a campo, desta vez, pela Copa Sul-Americana, levando o barco devagar, como aconselha o velho vascaíno Paulinho da Viola no samba antológico. Vai a Cochabamba, carregando o barco nas costas, pois por lá o mar não lambe, com um time praticamente reserva.

Reserva, mas, nem por isso, uma baba. Lá estão, por exemplo, além dos titulares Fernando Prass, goleiro que está merecendo mais atenção do que a habitual, e o lateral-direito Fagner.

Mas, espie o amigo o resto da equipe. Lá estão os meninos Diego Rosa, um volante de estirpe, Alan, frequentador de seleções de base, Felipe Bastos e Bernardo, que sempre quando chamados para o time principal respondem à altura. E, lá na frente, o veterano Leandro e Elton, que tem feito seus golzinhos providenciais.

Quer dizer: diante do Aurora, o Vasco bem que pode levar adiante sua esperança dissimulada de conquistar nesta temporada singular a tríplice coroa – a Copa do Brasil, já na gaveta, o Brasileirão que lidera e a Sul-Americana, projetando-se para A Libertadores do ano que vem.

Feito inédito, salvo engano, na história do Vasco da Gama, incluindo seus momentos mais gloriosos, que não foram poucos.

VELHICE E REALIDADE

Vira e mexe, algum jovem posta aqui um comentário me acusando de ser velho, superado, gagá mesmo. E, por causa disso, as ideias que aqui exponho são inválidas.

Pois, quero declarar, publicamente, que sou um velho, sim, senhor. Não porque esteja celebrando o mês que vem meus 70 anos de vida. Mas, porque nasci velho.

Isso mesmo; velho como Matusalém, de barbas brancas e cabelos encanecidos, ou como aquele Benjamim Button do cinema, que desperta ancião e começa a regredir até virar um bebê.

Basta dizer que lá pelos cinco, seis anos, curtia no rádio as canções e sambas dos anos 20, 30, duas ou uma década antes de ter vindo à luz. E jamais, no tempo da minha adolescência e juventude, o rock, por exemplo, me seduziu. Até hoje.

Quando aprendi a ler, comecei com a saga de Arséne Lupin, de Maurice Le Blanc, e logo fui para Machado, Aluísio de Azevedo, Eça, passando aos onze anos pelos Diálogos de Plantão, etc.

Na pintura, nunca trocaria um Cézanne por um Picasso.

São coisas intrínsecas, que fazer?

Mas, nada disso me fez perder o juízo, creio, Imagino-me olhando o presente com um olho no passado e um terceiro, aquele que muitas culturas supõem com poderes precogniscíveis no futuro.

O que isso tudo quer dizer? Rigorosamente, nada. Pois, a memória embaça quando se busca o passado, a visão falha ao ver o presente, e o futuro a Deus pertence.

Mas, é o que sou, como sou, e, parodiando a célebre frase de Zagalo, me engula quem quiser. Quem não quiser mude de canal.

Notas relacionadas:

  1. CLÁSSICOS DE DOMINGO
  2. CLÁSSICOS SOBRE CLÁSSICOS
  3. CLÁSSICOS DE ARROMBA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , ,

domingo, 2 de outubro de 2011 Campeonato Brasileiro | 21:35

E NADA MUDOU

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Então, ficamos assim: depois de tanto tralalá, tudo na mesma na ponta da tabela.

O Vasco, que poderia ganhar uma folga na tabela, empatou com o Corinthians, que pretendia voltar à ponta. Enquanto isso, o São Paulo, que pela quarta vez estava a um passo da liderança, despencou diante do Flamengo, que se emparelhou com o Fluminense, um degrau acima de Palmeiras, que não foi além de um empate em casa, e o Inter, derrotado na Arena pelo Furacão. E um abaixo do Botafogo, que levou de 2 a 0 do Atlético GO, dois gols de Felipe, logo de saída.

Essa tem sido a sina deste Brasileirão, onde o pelotão da frente não se desgruda nem a pau.

Bem que o Vasco tentou, no início, quando pressionou o Corinthians em São Januário e abriu o placar com Dedé, de cabeça. Mas, não demorou muito, Alex empatou.

Jogo animado, Fagner escapa pela direita e acerta as redes que ele defendeu quando menino. Pelo andar da carruagem, a tendência era o Vasco ampliar a contagem logo, logo.

Que nada! No segundo tempo, foi o Corinthians quem passou a jogar melhor, empatou novamente, com Danilo, de cabeça, e deu-se ao luxo de perder duas ou três boas chances com William.

Nem Vasco, nem Corinthians obtiveram o que queriam. Em compensação, não perderam nada.

NA VOLTA DO FABULOSO

Morumbi lotado, torcida delirante, Fabuloso, de volta com a camisa do São Paulo, e Ronaldinho ostentando o manto sagrado rubro-negro.

Se a legião tricolor não pôde celebrar completamente a volta de seu ídolo, quem não tinha nada com isso, mas, que gosta de futebol divertiu-se a valer com o espetáculo proporcionado por São Paulo e Flamengo.

O jogo foi bem disputado, com alternâncias no domínio da bola e dos espaços. E o mais curioso é que tudo se definiu só depois da primeira expulsão, a de Lucas. Pois, foi logo em seguida que o Fla conquistou seu primeiro gol, com Thiago Neves, de cabeça, depois de blitz rubro-negra sobre a área tricolor.

Eis, então, que é a vez de Willians ser expulso, e o São Paulo, de imediato, empata com um tirombaço de Dagoberto de fora da área. E, quando parecia que o Tricolor viraria o jogo, Renato Abreu acerta um disparo de longe, que desvia em Carlinhos Paraíba e paralisa Rogério no contrapé. Logo Rogério, que, a exemplo de Felipe, foi um dos dois maiores destaques da partida.

E Luis Fabiano? Bem, teve participação modesta, o que, aliás, era de se esperar pelas circunstâncias. Mas, se os músculos resistirem, daqui a dois ou três jogos começará a revelar a face do Fabuloso.

ONDE, MINAS?

Nunca a célebre frase do político mineiro – “Minas está onde sempre esteve e de lá não arredará pé!” – esteve tão fora de lugar do que nos campos deste Brasileirão: dois de seus ilustres representantes não conseguem escapar da zona de rebaixamento, e o terceiro caminha, lenta e progressivamente, para esse buraco negro.

Esse não é, decididamente, o lugar de Minas. Mas, que fazer, se o Galo não consegue ir além de um empate por 1 a 1 o Ceará na Arena do Jacaré, e o Cruzeiro, no Olímpico, perde por 2 a 0 para o Grêmio?

Que fazer? Jogar bola, meu. Vamos jogar bola para repor Minas em seu devido lugar, que é lá em cima, cara!

Notas relacionadas:

  1. REFUNDANDO O VASCO
  2. CLÁSSICOS SOBRE CLÁSSICOS
  3. VASCO, O GRANDE VENCEDOR
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , ,

terça-feira, 16 de agosto de 2011 Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros | 18:52

TEMPO DE CRISE E REDENÇÃO

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A crise e a redenção rondam a rodada do Brasileirão que começa nesta quarta-feira.

O Fluminense, por exemplo, recebe o Figueira no Engenhão, sob saraivada de vaias da torcida, expressas nos muros do clube em forma de grafites agressivos. E não é que Fred, um dos principais alvos da torcida, está fora, por sentir dores no corpo?

Essa história não vai acabar bem…

Já o Cruzeiro, que se redimiu na última rodada com aquela goleada estupenda sobre o Avaí, vai pegar o Furacão, de tão brava recuperação nas mãos de Renato Gaúcho, na Arena da Baixada, onde o rubro-negro não é sopa, não.

Sem Wallyson, machucado, e Thiago Ribeiro, em processo de transferência, para o Cagliari, o ataque da Raposa será entregue à dupla a Anselmo e Wellington Paulista, enquanto Keirrison, recém-contratado não tem sua situação regularizada na CBF.

Mas, Keirrison tem ido tão mal por seu périplo desde a saída do Palmeiras que nem sei se representa de fato uma esperança.

O Grêmio, por sua vez, cheio de esperanças pela vitória sobre o Fluminense, tenta confirmar a recuperação diante do Ceará, em Fortaleza e sua delirante torcida. É hora de Celso Roth provar que é o cara, pois o time é assim, assim.

Não é bem o caso de Muricy que não tem mais o que provar. Tem é que dar um jeito nesse Peixe que recebe na Vila o Coritiba de bola bem arredonda por Marcelo Oliveira. E o Santos tem time, sim, para dar a volta por cima. Mas, nem sei se a questão do Santos se resuma aos planos táticos do treinador ou à excelência do time. O buraco parece ser mais embaixo. Ou, não: é apenas uma fase ruim, que desaparece ao dobrar a próxima esquina. Vejamos.

Agora, subamos para a região onde não há nem crise, nem redenção. Ou seja: a turma do G-4 ou proximidades.

Quer dizer: crise e Corinthians são indissociáveis na rica história do clube. A atual, porém, convenhamos, é quase irrelevante. Trata-se apenas de reajustar o time, que, depois de extraordinária arrancada, passou a perder gordura e se encontra no limiar de perder a liderança.

O Timão vai a Ipatinga enfrentar um Galo de crista baixa, mas sob nova direção – o competente Cuca, que já tirou muita gente boa desse sufoco no passado. E vai sem um lateral-esquerdo de ofício, mas com Liedson, muito provavelmente, em melhor forma do que na volta contra o Ceará.

Quanto ao Vasco, pega o Avaí, em Floripa. Fácil? Provável. Mas, atenção que o Vasco não terá Felipe, figura de proa na barca enfunada do Almirante.

Já o Bota, sem Loco Abreu, vai ao Beira-Rio, onde o Inter começa a se remontar sob o comando de Dorival Jr., treinador sensato e de métodos simples.

Talvez seja exatamente do que careça o Inter, de voos tão altos e recente trajetória mais terrena.

A FALA DE RIVALDO

De hábito, Rivaldo é um tipo que prefere o silêncio ou respostas breves, quando questionado. Pois, nesta terça, abriu o bico na longa entrevista de imprensa.

E, levantou uma questão que, num dia sem notícias ou fofocas mais estridentes, levou a turma a refletir sobre o assunto. E o que disse nosso Rivaldo que tem seu nicho intacto na galeria dos melhores do mundo eleitos pela Fifa?

Disse que acha mais que legal, necessária, a saída imediata dos nossos jovens astros para a Europa. Não só para acelerar a maturidade de um Neymar, um Ganso, um Lucas, mas, sobretudo, para que, quando a Copa chegar, a turma lá de fora venha a ser mais prudente diante desses craques já conhecidos e badalados no plano internacional.

Diria que é uma faca de dois legumes, lembrando o saudoso Vicente Matheus. Pode ser assim: Neymar, por exemplo, vai para o Real ou Barça. Chega e logo vai mostrando sua bola vertiginosa, metendo medo no mundo todo.

Kaká foi assim no Milan, lembram?

Mas, vai que Neymar chegue no Real ou no Barça de tantas estrelas, estranhe o novo ambiente, a língua, os costumes, a comida, o estilo do futebol lá praticado, essas coisas todas, e não consegue reproduzir seu futebol de início.

Vai para o banco, sente-se desprezado, é tomado pelo banzo ou se irrita além da conta, e, pronto!, o ano acabou, a Copa se aproximou, e essa experiência não poderia ter sido mais deletéria para a alma do craque, refletindo-se, claro, no seu futebol.

Com Robinho foi mais ou menos isso, não foi?

O que quero dizer é que não existe uma receita pronta para esses casos. Cada um é cada um e cada experiência é própria. O cara pode ficar aqui, agasalhado pelos companheiros, pela família próxima, e crescer a ponto de chegar na Copa e brilhar.

Vale ouvir Rivaldo e pensar a respeito. Mas, sempre levando em conta que suas palavras são abalizadas, mas não uma sentença irrefutável.

NOSSOS MENINOS

E chegou a hora de pegar o touro mexicano a unha.

O México ainda não tem a devida marca de grandeza no plano internacional. Mas, tem time, sim, senhor. Ainda outro dia, o México saiu campeão de um desses Mundiais das categorias de base.

Mas, boto fé nos nossos meninos, que já mostraram cabeça e bola para seguir avante nesse Mundial Sub-20.

BARÇA E REAL

No empate por 2 a 2, no campo do Real, o Barça deu o tom dessa Supercopa da Espanha.

Não só por chegar a virar o placar para 2 a 1, mas, sobretudo, porque impôs, mais uma vez, seu toque-toque sobre o rival eterno.

Contudo, atenção: enquanto o Barça nesta fase preparatória da temporada, andou rateando mais do que o Real, que é outro – mais ofensivo e confiante – daquele da temporada passada.

A coisa está mais equilibrada, agora, acredito.

Notas relacionadas:

  1. CRISE NA LIBERTADORES
  2. BOTA E CRUZEIRO EMBOLANDO
  3. TEMPO DE BOAS ESCOLHAS
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , ,

domingo, 24 de julho de 2011 Campeonato Brasileiro | 20:29

VASCO, O GRANDE VENCEDOR

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Sem dúvida, o grande vencedor da rodada foi o Vasco, que bateu o Galo em Ipatinga, por 2 a 1, dois gols de Diego Souza (um de cabeça, outro de pênalti) e Magno Alves.

Não só bateu fora de casa um rival histórico, embora em baixa no momento, como saltou para o G-4, superando o Palmeiras, que perdeu para o Flu.

Foi um jogo em que o Galo começou a toda, dando a impressão de que sairia do buraco em que se encontra, finalmente. Mas, aos poucos, o Vasco tomou conta do espírito do jogo e até poderia ter chegado a um placar mais expressivo: meteu duas bolas nas traves e Alecsandro desperdiçou pênalti mal marcado pelo juiz.

Assim, o Vascão vai comprovando que segue em progressiva ascensão.

A CILADA DA RAPOSA

Outro grande vencedor da rodada foi o Cruzeiro, que quebrou a invencibilidade do líder Corinthians, em pleno Pacaembu, por 1 a 0, um golaço de Wallyson, lá de fora, no ânulo do menino Renan.

E foi uma Raposa a la Papai Joel: bem fechadinha, atenta na marcação, sobretudo, de Danilo, o organizador alvinegro, e buscando sempre fustigar nos contragolpes. A tal ponto que nem se abalou com a expulsão de Gilberto e a não assinalação de um pênalti a seu favor.

O Corinthians, de sua parte, empenhou-se, mas não conseguiu escapar da cilada da Raposa. Mesmo assim, saiu de campo sob os aplausos da Fiel e ainda firme no topo da tabela.

DOIS POR UM

O Fluminense teve de fazer dois gols legítimos para ganhar por 1 a 0 do Palmeiras, em Volta Redonda. Como? Simples, o primeiro de Marquinhos foi anulado pelo bandeirinha. Mas, logo em seguida o mesmo Marquinhos pontuou o jogo, que, por sinal, primou pela falta de criatividade e emoção.

E olhe que o jogo prometia, com Deco e Fred de um lado e Valdívia e Kleber. E até que Fred foi bem. Mas, de resto….

AMÉRICA CELESTE

E a Celeste, finalmente, depois de décadas na fila, levantou uma Copa América. E levou a taça com todos os méritos. Foi a equipe de melhor pontuação ao longo de todo o torneio, e bateu o Paraguai, na final, com categoria, por 3 a 0, com dois gols de Forlán e um de Luisito Suarez, os dois astros mais cintilantes desse time.

Mas, era só o que faltava – o Paraguai ser campeão nos pênaltis, depois de empatar todos os seus jogos até aqui.

Notas relacionadas:

  1. A GRANDE VITÓRIA
  2. VASCO, ATÉ QUE ENFIM
  3. FLU, LÍDER; TIMÃO, O GRANDE VENCEDOR
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domingo, 19 de junho de 2011 Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros | 20:56

RECORDE E DECEPÇÕES

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O placar mais estridente desta rodada do Brasileirão foi a goleada do Palmeiras sobre o Avaí, por 5 a 0, no Canindé, o que não seria nenhum espanto pela péssima campanha do lanterna Avaí até aqui. Mas, sim, pelo fato de que o Palmeiras não é dado a esses exageros, nesta quadra modesta de sua gloriosa história.

Ainda mais porque o Verdão não só goleou como passeou diante do Avaí, deu as cartas e jogou de mão, podendo até ter ampliado o bizarro placar.

Mas, a vitória mais significativa foi a do líder São Paulo em Fortaleza: 2 a 0 no Ceará, com direito a gol de placa de Lucas. Com esse resultado, o São Paulo atingiu o recorde de cinco vitórias consecutivas desde o início do Brasileirão, na era dos pontos corridos, com nove gols marcados e apenas um tomado. Pudera! Com esse goleiro. Sim, porque Rogério Ceni pegou um pênalti e ainda fez mais três ou quatro defesas decisivas.

Já Cruzeiro e Fluminense foram as grandes decepções no sábado.

O empate por 1 a 1 com o América mineiro, o que custou à Raposa cair lá para a rabeira da tabela, cumprindo o pior início de Brasileirão de sua história, também derrubou o técnico Cuca, substituído por Joel Santana, famoso por descascar abacaxis como esse.

Assim como não poderia ter sido mais decepcionante o empate por 0 a 0 no clássico carioca, entre Flamengo e Botafogo. A tal ponto que a maior estrela do espetáculo, Ronaldinho Gaúcho, depois de opaca atuação, saiu de campo substituído e vaiado pela torcida que dele tanto espera desde sua chegada à Gávea.

Já o Vasco foi ao Olímpico pela primeira vez com seu time titular e arrancou um empate por 1 a 1 com o Grêmio. Mas, quem resolveu a parada vascaína foi o reserva de luxo Bernardo que cruzou lá direita e o destino desviou a bola para as redes de Victor. Quanto ao Grêmio, bem, as vaias da torcida ao cabo do empate de Roberson dizem tudo.

Outro que decepcionou foi o Galo, que, em casa, teve de suar para chegar ao empate com o seu xará de Goiás por 2 a 2, perdendo a chance de entrar no chamado G-4, dando chance ao Figueirense, que lá chegou ao bater o Furacão por 2 a 0, resultado que, somado aos demais do Atlético, coloca Adílson Baptista em maus lençóis. .

Os mesmos que envolvem o meu querido Falcão, cujo Inter foi a Curitiba, e mais uma vez não conseguiu vencer. Aliás, o empate por 1 a 1 puniu mais o Coritiba, que foi melhor do que o Inter a maior parte do jogo.

Notas relacionadas:

  1. AS DECEPÇÕES DO DOMINGO
  2. AS DECEPÇÕES DO ANO VELHO
  3. E COMEÇA A SARABANDA
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sexta-feira, 17 de junho de 2011 Campeonato Brasileiro | 17:23

CLÁSSICOS E A RODADA

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Nesta rodada do Brasileirão, teremos um clássico nacional – Grêmio e Vasco, no Olímpico – e dois estaduais: Flamengo x Botafogo e América mineiro x Cruzeiro. Sim, porque, depois da reascensão do América, que já teve no passado a maior torcida de Minas, esse confronto com o Cruzeiro pode ser considerado novamente um clássico local.

E ele se trava numa situação curiosa, pois o Cruzeiro, tido e havido, não sem razão, um dos principais candidatos ao título, está abaixo do América, na tabela, algo impensável antes de a bola rolar no Brasileirão.

Portanto, não pode o Cruzeiro, que só acumulou tropeços neste início de campeonato, pensar algo além da vitória. Mas, como, se segue desfalcado de alguns jogadores-chave, como Thiago Ribeiro e Roger?

Sei lá. Só sei que com Montillo, Wallyson, Henrique, Marquinhos Paraná, Fabrício, Gilberto etc. a Raposa tem bola para se recuperar. É só ajustar a sintonia fina, e exorcizar o demônio do Once Caldas que ainda ronda a Toca famosa.

JÁ NO OLÍMPICO...

O Grêmio, ainda instável, recebe o Vasco de vela enfunada com a conquista da Copa do Brasil e, agora, com seu time titular em campos do Brasileirão, finalmente.

E, se o amigo fizer um cotejo de jogador por jogador, verá que o Vasco entra no Olímpico com a virtual vantagem técnica.

Mas, o Grêmio é sabidamente Imortal, e, no Olímpico, quase imbatível. É de se ver.

E NO ENGENHÃO?

No Engenhão, esse Flamengo de tantas estrelas e montado há algum tempo, pega o Botafogo em formação, sob o comando de Caio Jr. Sucede que, apesar do título carioca, e de estar armado há muito mais tempo, o Flamengo não consegue escapar do lugar-comum, sem ser, no entanto, uma frustração completa. Está sempre naquela ponta do trampolim, prestes a dar o grande salto, mas dali não sai.

O Botafogo, de seu lado, apesar do desencontro entre torcida e time, vai se ajeitando sob os pés de Maicossuel, finalmente, voltando a jogar, e de Elkeson, sua mais justa contratação nos últimos tempos.

Um clássico de arrepiar, pelo visto.

O FLU DE ABEL

O Fluminense que receberá neste sábado, no Engenhão, o Bahia, pela escalação prevista já começa a tomar os traços de Abel Braga, que estreou outro dia com derrota para o Corinthians.

A começar pela presença de Souza em seu meio-campo, craque que não consigo entender como não foi devidamente aproveitado nem no Grêmio, nem mesmo no Flu, até agora.

Por sua versatilidade (joga de lateral-direito, segundo volante, meia e até de atacante), habilidade, dinamismo e precisão nas bolas paradas, deveria ser o encanto de qualquer treinador. Pois, não é. Está sempre obrigado a matar um leão por dia.

Mas, a grande novidade será a estreia do atacante Ciro, ao lado de Fred, lá na frente. Revelado pelo Sport, eis um atacante do tipo que me fascina – artilheiro, mas que sabe jogar com a bola nos pés. Se Fred estiver nos trinques, desconfio estar nascendo nas Laranjeiras uma dupla ofensiva de fazer figura.

Quanto ao Bahia de Renê Simões, todas as fichas são apostadas em Jobson, aquele! O que sabe jogar muito com a bola e se embaraça no trato com a vida.

NO CEARÁ, NÃO!

O São Paulo desembarca em Fortaleza para defender sua liderança cem por cento. Mas, no Ceará não tem disso, não, como reza o forró antológico.

Lá, diante de sua torcida empolgada, o Ceará cresce e não vê pela frente um líder, mas, sim, um time como outro qualquer.

Sucede que a diferença de pontos entre os dois é grande. E, se o Ceará tem lá seu Iarley, seu Thiago Humberto, o São Paulo responde com sua garotada afiada, sob o comando de Rogério Ceni e Dagoberto, os mais experientes – goleiro e goleador.

O diabo é que, com o São Paulo, é uma no cravo, outra na ferradura. Vem ganhando todas, mas só contra o Grêmio conseguiu acertar uma partida de nível, sem ter sido espetacular, nada disso.

E é com a mesma formação que irá a Fortaleza. Vejamos onde a marreta acerta – no cravo ou na ferradura.

DESFOLHANDO O VERDE

O Palmeiras de hoje está  lembrando aquele Corinthians dos tempos das vacas magras, dos vinte e poucos anos de fila, dos 50 aos 70: quando vai mal, não sai da crise; quando vai bem, arruma um pé para entrar em crise.

Até agora, o Palmeiras vinha bem no Brasileirão, mais do que se esperava pelas limitações de seu elenco. Pelo menos, em termos de resultado. Eis, contudo, que, de repente, começam as encrencas: a diretoria tromba com a parceira DIS; Felipão, com Tinga, Wellington Paulista e o garoto Vinícius; a torcida pega no pé de Luan, justamente um dos mais regulares da equipe, além de decisivo em várias partidas recentes, e assim vai.

Bem, apesar disso tudo, ouso dizer que o Verdão tem bala para derrubar o Avaí, no Canindé, domingo. Com dificuldades, suponho, mas isso é de lei.

HORA DO COXA E DO INTER

Já está na hora de o Coritiba mostrar aquela bola redonda e insinuante do início da temporada. Todavia, é mais do que hora de o Inter de Falcão sair da situação deprimente em que se encontra no Brasileirão.

Surpreende-me mais, confesso, a péssima campanha do Inter do que a do Coritiba.

Não só porque o Colorado tem um elenco mais qualificado, como por apostar na inteligência de Falcão, embora esses confrontos com parte da imprensa gaúcha (ou, especificamente, um comentarista de lá) não contribuam em nada para desanuviar o clima denso no Beira-Rio.

O fato é que, expresso claramente nos números da campanha colorada, o Inter não vai bem. Falcão despreza a ditadura dos números – e, nesse sentido, estou com ele. Muitas vezes, o resultado de uma partida não reflete o comportamento do time. Ora, joga mal e ganha; ora, joga bem e perde. Esse, aliás, é o sal do futebol.

É fato, também,, que não tenho visto o Inter jogar bem. Pelo menos, não no nível em que seu elenco possibilitaria.

O certo é que esta é a hora de o Coritiba provar que está em campo para ser protagonista e o Inter de se impor de uma vez como um dos sérios postulantes ao título.

ATLÉTICOS NA ÁREA

O Galo, sob o comando ajuizado de Dorival Jr., mais mineiro que paulista naquele seu jeitão conciliatório, em que a esperteza se dissimula em recato, recebe em Sete Lagoas, o seu xará goiano.

Sem ter um time de cintilantes estrelas, o Atlético Mineiro vem cumprindo excelente campanha, guardando a quarta posição do Brasileirão. Não é pouco, apesar de o campeonato estar no início, apenas.
Mas, o seu xará cumpre percurso inesperado neste Brasileirão: vem de uma goleada estupenda sobre o Ceará, e se segura ali na oitava posição, sob a regência do sempre ligado PC Gusmão.

Por jogar em casa e ter um elenco mais qualificado, o Galo é favorito.

FIGUEIRA E FURACÃO

O Figueirense vai bem, obrigado. Ocupa a sexta colocação, joga em casa e pega um Furacão que sopra uma brisa amena lá nos finais da tabela.

Nenhum dos dois é, pra valer, um candidato à faixa de campeão, a não ser que ocorra daqui pra frente uma grande reviravolta no Brasileirão, o que é sempre possível, mas improvável.

Diante desse cenário, e dependendo dos demais resultados, é bem possível o Figueira, por exemplo, ascender ao G-4, por que não?

CHEIRO DE ITAQUERÃO

Começa a cheirar muito mal o Itaquerão que ainda nem saiu do papel e já está eleito como o estádio para a abertura da Copa do Mundo, em 2014. E não são os eventuais gases  exalados pelas tubulações subterrâneas do terreno destinado ao seu soerguimento.

Falo desse projeto que corre na Câmara Municipal de São Paulo, isentando o estádio, seus construtores e o Corinthians, de impostos no valor de mais de quatrocentos milhões de reais.

Meu amigo paulistano, é o seu, o meu, o de todos nós que será destinado a uma aventura que deveria se restringir à iniciativa privada – o Corinthians e a empreiteira. A mais ninguém, a não ser possíveis patrocinadores particulares.

Sou capaz de apostar que essa quantia é o equivalente ao custo real da empreitada. O resto – mais de o dobro -, será repartido equanimente entre os demais interessados, não tenha dúvida.

É por esses absurdos, mais ou menos recorrentes há séculos, que não temos escolas suficientes, hospitais, postos de saúde, asfalto decente, moradias adequadas e tudo o mais.

Nada contra a construção do Itaquerão, que ele venha a ser a sede da abertura da Copa e sirva ao Corinthians pelo resto da vida, além de melhorar a vida dos moradores da região.. Mas, sim, que isso seja feito com o dinheiro privado, não com o dinheiro público, como, aliás, foi prometido desde o início das gestões.

Charge do iG Esporte

Charge do iG Esporte

Notas relacionadas:

  1. RODADA DECISIVA, COMO TODAS
  2. CLÁSSICOS SOBRE CLÁSSICOS
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sábado, 11 de junho de 2011 Sem categoria | 23:23

NAMORANDO A LIDERANÇA

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O São Paulo festejou o Dia dos Namorados de mãos dadas com a liderança do Brasileirão, ao bater o Grêmio, por 3 a 1, no Morumbi. E, desta vez, não foi só a vitória que mereceu celebração pelos tricolores paulistas. Mas, sobretudo, o bom futebol praticado, firme na defesa, dinâmico no meio de campo e insinuante no ataque.

Equilíbrio que Carpegiani obteve num só lance de mão, com apenas uma troca – a saída do volante Carlinhos Paraíba para a entrada de Marlos, mais à frente, ao lado de Lucas e Dagoberto. Ah, sim, sem esquecermos o singelo fato de que o São Paulo, nestas quatro vitórias seguidas, tomou só um gol. Com apenas dois zagueiros de ofício, dois novatos, diga-se.

Mas, quem abriu a contagem foi um volante, que a cada rodada mostra bola mais redonda: em jogada de Marlos, Casemiro dispara bola que desvia no beque e engana Victor. O próprio Casemiro, porém de cabeça, contra, trataria de empatar a partida.
Marlos, porém, faria o segundo, escalando pela direita, e Jean, em posição irregular, por fim, fintou o goleiro e emplacou o resultado de 3 a 1.

Por seu lado, o Grêmio, com uma formação peculiar, em que dois laterais – Gabriel e Lúcio – faziam as funções de meias (Lúcio tem jogado assim há algum tempo), entupindo o seu meio de campo, em nenhum momento conseguiu se organizar o suficiente para mudar o cenário do jogo que foi sempre do São Paulo.

CUCA ENCUCADO

Estava estampado na cara do Cuca, durante a entrevista coletiva depois do empate em casa com o time reserva do Santos e com um jogador a mais durante quase todo o segundo tempo, por 1 a 1 – o que era até outro dia um céu de anil gentil cobrindo a Toca da Raposa transformou-se em nuvens de chumbo, com raios e trovões anunciando-se ao longe.

Afinal, neste sábado, o Cruzeiro, considerado com justiça o melhor time da América, antes daquela trágica quarta-feira da Libertadores, somou sua quarta partida consecutiva no Brasileirão sem vitória. É muito para os padrões do Cruzeiro.

E o diabo é que o time jogou bem. Pelo menos, muito melhor do que o Santos. Criou uma infinidade de chances para ampliar o placar de 1 a 0, conseguido a duras penas, de pênalti, e acabou levando aquele gol de cabeça de Borges, já nos acréscimos.

(O mesmo Borges que chegou à Vila para resolver justamente esse problema – meter nas redes as bolas que o Peixe jogava fora antes dele).

Fatalista como é, por certo, Cuca espia essa súbita mudança de clima como um sinal dos céus de que é hora de mudar.

SALVE O REI!

São Januário recepcionou em festa seu Rei Juninho Pernambucano, Primeiro e Único. E, ainda nas dobras das celebrações da conquista da Copa do Brasil, deu folga a seus principais titulares diante do Figueira.

A festa foi bonita e enche de esperanças o torcedor vascaíno, neste momento de plena recuperação do orgulho da Cruz de Malta. Mas, o resultado foi pífio: 1 a 1, num jogo em que o Figueirense foi melhor a maior parte do tempo, sobretudo na etapa final, quando perdia por 1 a 0, gol de Elton no primeiro tempo, e chegou ao empate no finalzinho, em bola chorada.

Mas, ninguém ligou muito pra isso, não, pois todos estavam mesmo preocupados em estender o tapete vermelho para o Rei de São Januário, que está, finalmente, de volta, depois de tantas conquistas em campos de França.

Notas relacionadas:

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  1. Primeira
  2. 1
  3. 2
  4. 3
  5. 4
  6. 5
  7. 10
  8. Última