DE OLHO NO FUTURO
Na verdade, o que mais me chamou a atenção na vitória brasileira sobre os argentinos nem foi tanto o golaço de Lucas, ou a bela estreia de Cortês, tampouco, as seguras e plásticas intervenções de Jefferson, quando exigido, esses destaques todos do Brasil nessa partida.
Tudo isso faz parte, claro. Lucas, por exemplo, sei que merece de Mano um cuidado especial, enquanto Cortês passou-me a sensação que terá futuro mais promissor na Seleção até do que o tão decantado Marcelo, do Real. E Jefferson, nessa toada (e é bom sempre lembrar que a tendência do goleiro é melhorar com o passar dos anos), acabará tomando conta da posição.
Entretanto, o que mais tocou minha expectativa com relação ao futuro da Seleção foi, além da formação mais ofensiva do time, com apenas dois volantes de ofício, em certos momentos, a química que se criou entre Neymar, Lucas e Ronaldinho, aquela conversa cifrada dos craques, um código fora do nosso entendimento, pobres mortais.
Foram poucos e rápidos lances, mas que sugerem muito para o futuro do time de Mano, quando o treinador puder afiar o conjunto com mais acuro e tempo.
Falo desses três, mas vale lembrar que Borges e Diego Souza, quando entrou, também mostraram sintonia com esse estilo de jogo. Assim como, certamente o farão Robinho, Kaká, que começa a recuperar sua forma no Real, Ganso, enfim, esses caras que jogam e pensam o jogo.
Isso, sem falar nos craques que ainda estão por florescer no futebol brasileiro até a Copa do Mundo. Pegue-se como exemplo esse Cortês, que, no início do ano era um Zé Ninguém, escondido nos interiores fluminenses. E, de repente, surge no Botafogo como uma estrela nascente.
Desde que Mano aposte, contra grandes ou pequenos, amistosos ou torneios pra valer – como a Copa das Confederações que se avizinha -, numa formação com quatro jogadores de frente, entre meias e atacantes, de alta qualidade técnica, mais cedo ou mais tarde, nos reencontraremos com nosso verdadeiro desígnio. E, aí, sim, será uma festa.
O CASO BRENO
O caso Breno é confrangedor. Poucas vezes vi um zagueiro-menino revelar tão cedo tanto potencial. Alto, forte, bom no cabeceio, atrás e na frente, veloz, dono de técnica rara, ainda garoto de tudo, assumiu um lugar entre os titulares do São Paulo, tomou conta da área, foi chamado para a Seleção e via diante de si um futuro deslumbrante.
Aos 17 anos, foi para o Bayern de Miunique, e…sucumbiu à reserva, ao empréstimo para o Nuremberg e, na volta a Munique, à uma contusão que o prendeu à enfermaria do clube por mais de dez meses, sem perspectivas à vista.
Dizem que o rapaz naufragou na depressão, pela contusão renitente, por um casamento infeliz, por isso, por aquilo, aquelas todas adversidades que nos esperam traiçoeiramente atrás da próxima esquina.
Resultado: acabou algemado e preso, acusado de ter ateado fogo em sua própria casa, num momento de desespero.
Nem sei se isso tem fundamento, pois o caso está sob averiguação policial e dos peritos em incêndios. Confesso que tenho minhas dúvidas se Breno viveria esse constrangimento, sendo culpado ou não, fosse branco e instruído alemão.
Segundo algumas parcas informações que nos chegam de Munique, foi constatada uma alta dosagem de álcool no sangue do craque, o que nos permite supor que a coisa toda tenha sido acidental.
De porre, acossado pela solidão na casa vazia, deprimido por eventual separação da mulher e dos filhos, pela lesão que não se cura, pela redução drástica de seu salário, pelos malfeitos do destino, enfim, Breno poderia ter posto fogo no navio em alto mar – a casa, seu último reduto firme e seguro num mar de incertezas mortais.
De qualquer forma, é óbvio que Breno carece menos da prisão do que de uma clínica especializada em depressões.
E, aqui, só nos resta torcer pra que consiga renascer das cinzas, pois a vida, meu caro, é dolorosamente longa, mas, cheia de momentos prazerosos também.
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Autor: Alberto Helena jr. Tags: Alemanha, Argentina, BAyern de Munique, Brasil, Breno, casa, Cortês, fogo, Jefferson, Lucas, Mano Menezes, Neymar