CAMPEONÍSSIMO
Não houve até hoje, e desconfio que não haverá tão cedo, um campeão da Série B com tantas sobras de desempenho. Antes mesmo da última rodada – dispensada, diga-se, na prática, pelo campeão, que já entrou em férias -, o Corinthians fechava o torneio com 19 pontos a mais em relação ao segundo colocado, o Avaí, com média superior a dois gols por partida e tal e cousa e lousa e maripousa.
E olhe que, apesar de já campeão há várias rodadas, empenhou-se nesse jogo de sábado, com o Avaí, como se o título ainda estivesse em disputa. Aliás, o Avaí, também com vaga assegurada na Primeirona, atirou-se á refrega com unhas e dentes. A tal ponto que o jogo terminou em pancadaria.
Só isso já dá a dimensão da força interior que moveu o Corinthians nessa arrancada em busca do prestígio perdido pela queda.
Sem garra, sem espírito de luta, não há como vencer uma disputa acirrada como essa.
Talvez, por isso mesmo o Corinthians trouxe para o Parque São Jorge um técnico gaúcho, de cenho franzido, voz grossa, afiado nas porfias da Segundona com seu ex-Grêmio, cuja capacidade de combate é histórica.
Eis, porém, que Mano Menezes chegou, e, sem que a turma percebesse, foi montando uma equipe com padrões que contrariavam todas as premissas sobre a competição. Nada de 3-5-2 ou 3-6-1, que em geral representam os sistemas mais adaptados ao tal de futebol de resultados. Nada de brucutus distribuindo porretadas no meio-de-campo para poupar os taludos beques do combate homem-a-homem.
Sem grossura, meu – esse foi o lema que, na prática, o gaúcho Mano Menezes adotou.
Com apenas dois zagueiros, firmes na marcação, mas que sabem jogar com a bola nos pés (Chicão e William), dois laterais ofensivos (basicamente, Alessandro e André Santos), apenas um volante mais de contenção, porém, técnico (Fabinho, de início; depois, Cristian), três meias de extrema habilidade (Elias, Douglas e Morais) e dois atacantes de muita mobilidade e incisivos – Herrera e Dentinho, os artilheiros do time com 15 gols cada.
Assim, o Corinthians pôs a bola no chão, envolveu seus adversários, correu poucos riscos e disparou um placar de resultados nunca visto nessa competição. Teve oscilações, jogou mal, ganhou esta ou aquela partida que até merecia perder, é verdade. Mas, isso é do jogo numa disputa tão longa. E, na média, o Timão foi aquele que, somando A e B, apresentou os espetáculos mais saborosos da temporada.

Ah, mas os adversários eram uma baba – dirão os ressentidos. Mas, se o eram neste ano, igualmente o eram nos anteriores, quando nenhum outro grande (Grêmio, Palmeiras, Botafogo, Atlético Mineiro etc) chegou perto de performance desse calibre.
E, se o que vale, para os pragmáticos de plantão, é o resultado que plantem uma vírgula sequer nesse obtido pelo campeoníssimo Corinthians.
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Autor: Alberto Helena jr. Tags: Corinthians, Série B