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quinta-feira, 16 de setembro de 2010 Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros | 00:45

TIMÃO DECISIVO

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Foi uma autêntica decisão, em que a tensão anulou a técnica e a atenção inibiu a criatividade. Assim, o jogo transcorreu a maior parte do tempo numa disputa atroz pela posse da bola no meio de campo, com poucas ações agudas de área.

E, nesse quesito, o Corinthians, aos poucos foi ganhando terreno, pois seus três volantes – Paulinho, Jucilei e Elias -, mais o meia Bruno conseguiam conjugar melhor aos seus pés a arte de marcar e armar do que o meio de campo do Flu, reduzido em número de participantes pela presença de um terceiro zagueiro lá atrás.

E foi justamente um desses três volantes, aliás, o melhor jogador em campo, Jucilei, quem abriu o placar, no finzinho do primeiro tempo, com categoria: bola alçada à área tricolor, que o corintiano matou no peito com estilo e girou para as redes de Fernando Henrique.

No segundo tempo, Muricy tentou reequilibrar seu time, trocando o beque André Luís pelo atacante Rodriguinho, e o Flu passou a pressionar, entre outras coisas porque ganhou velocidade na frente. Mas, num contragolpe puxado por Alessandro, Iarley empurrou para o gol a bola da vitória corintiana, ameaçada logo depois pelo tento de Washington.

Raposa no galinheiro

Enquanto isso, o Cruzeiro, em sua nova casa, vacilou diante do Guarani, permitindo o empate por 2 a 2, depois de ter disparado 2 a 0 no placar, mas se reaprumou a tempo de pespegar a goleada por 4 a 2 no Bugre.

Assim, com a dupla Flu-Timão na ponta da tabela, a Raposa se aproxima do galinheiro de forma perigosa, tentando abocanhar, mais cedo ou mais tarde, o prêmio maior.

Neymar, Neymar…

Na Vila, o Santos conseguiu uma virada espetacular sobre o Atlético Goianense: goleou por 4 a 2, depois de estar perdendo por 2 a 0.

Mas, todas as atenções se centraram num bate-boca entre Neymar e o técnico Dorival Júnior, a ponto de merecer um discurso hiperbólico e demagógico do técnico Simões, do Atlético. Coisa do tipo: “Estamos criando um monstro!”

O monstro, creia, é Neymar… Ora, vá ver se estou na esquina.

Cada bocejo do menino vira vendaval, e ainda querem que ele se comporte como um cavalheiro inglês da era vitoriana.

A grande surpresa

Sem dúvida, a grande surpresa da rodada foi a goleada imposta pelo Goiás sobre o Botafogo, que vinha de vento em popa escalando a tabela: 4 a 1.

Papai Joel não gostou nem um pouquinho e, certamente, vai puxar as orelhas da rapaziada.

Mengão, ufa!

Quando o juiz já levava o apito final à boca, Toró salvou a pátria rubro-negra diante do Grêmio Prudente: 2 a 1.

Nem quero pensar a que alturas subiria o termômetro da Gávea se o jogo terminasse em 1 a 0 para o Prudente, placar que predominou a maior parte do tempo.

A vitória mais importante

Grêmio e Palmeiras estavam iguais na tabela, com as mesmas expectativas: levantar de vez a cabeça, escapando das campanhas medíocres que vêm cumprindo neste Brasileirão.

Era noite de festa tricolor: 107 anos de vida. Mas, no fim de tudo, um réquiem em vez de Parabéns a Você. Afinal, o Palmeiras do trigremista Felipão meteu 2 a 0 e só levou o gol de honra do Gr~emio no finalzinho.

E tudo por conta de Marcos Assunção, que cobrou mais uma falta impecável, no primeiro gol, e alçou a bola perfeita na cabeça de Ewerthon, no segundo.

É esperar que o Verdão, assim, ganhe um pingo, ao menos, de confiança para se reerguer de vez. Quanto ao Grêmio, fica pra próxima.

Notas relacionadas:

  1. FLU, TIMÃO E AQUELE TIME DE AZUL E AMARELO
  2. TIMÃO, CATEGÓRICO
  3. JOGO UM POUCO MAIS DECISIVO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , ,

terça-feira, 14 de setembro de 2010 Campeonato Brasileiro | 13:16

JOGO UM POUCO MAIS DECISIVO

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Há quem veja nesse Fluminense e Corinthians uma decisão do campeonato antecipada.

Na verdade, em torneios de pontos corridos como o Brasileirão, todo jogo é decisivo. A diferença, no caso, é que, neste exato momento, Tricolor e Timão brigam ali, pau a pau, pela liderança do certame.

Depois, a história passa a ser outra. Ou não.

O fato é que Ronaldo Fenômeno não joga, mas Roberto Carlos deve voltar.

Pelo Flu, não jogam Emerson e Diguinho, dois desfalques consideráveis. Mas, o Flu joga em casa, no Engenhão, é líder e isso lhe dá o favoritismo no confronto.

Mas, o Corinthians já se acostumou a jogar sem Ronaldo, e, mesmo perdendo para o Grêmio, no fim de semana, massacrou o adversário durante o segundo tempo todo.

Vai sair faísca desse clássico.

Os três corações de Riva

Mestre Rivellino é um dos maiores ídolos tanto do Corinthians quanto do Fluminense. E, sempre que eles se defrontam, tira o corpo fora de qualquer previsão. Mas, o que poucos sabem é que, menino ainda, Riva era palestrino fanático.

Deco é outro que nasceu no Corinthians, rodou mundo, e acabou nas Laranjeiras, onde está comendo a bola. Curiosidade: Deco só fez duas partidas pelo time principal do Corinthians, quando era rapaz. Uma delas, justamente contra o Flu.

Promessa de Neymar

Reclamei no Bem. Amigos desta segunda-feira, no Sportv, da leniência do juiz do jogo Ceará e Santos naquela falta sofrida por Neymar, depois do inesperado carretel do menino da Vila. E reclamei como consumidor, cidadão que paga o pay-per-view para ver justamente essas belezas inventadas por craques como Neymar, não para colecionar imagens de pontapés, socos, cotoveladas e outras pancadarias. Afinal, uma jogada genial como aquela pode nunca mais se repetir, concluí.

Pois, findo o programa, Neymar deu-me um abraço de despedida e sussurrou: “Fique tranquilo. Prometo que vou fazer de novo só pro senhor.” Já agradeço, em nome do futebol. E que nenhum juizinho venha a impedir o cumprimento da promessa do menino-gênio da Vila.

Em contrapartida, diante de tanto tititi em torno do rapaz, tantos conselhos sisudos, sobretudo de jovens que nasceram velhos, dei-lhe minha dica final: feche os ouvidos e faça seu discurso único, original, definitivo, com a bola nos pés. Ele sorriu e confirmou com um sim de cabeça.

Notas relacionadas:

  1. PET E RONALDO, O SAL DO JOGO
  2. MAIS LÍDER AINDA
  3. PEIXE E TRICOLOR
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , ,

segunda-feira, 13 de setembro de 2010 Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros | 16:46

SÃO TANTOS NO PÁREO…

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Não há, meninos, no mundo, campeonato nacional como este. Não por suposta excelência técnica, pela organização, pela eventuial presença maciça de público nos estádios, pela força de seu poder econômico, nada disso. Ao contrário: nesses quesitos todos perdemos para vários países, não só da Europa, como também das Américas – no caso, o México.

O que temos e eles não é a participação no mesmo torneio de dez, doze clubes grandes o suficiente para serem considerados, de fato, candidatos ao título nacional. Lá fora, são dois, três, no máximo quatro grandes que se revezam na disputa real da faixa de campeão.

Por isso mesmo, se explica o cenário atual da competição brasileira: o Flu e o Corinthians chegaram a abrir uma vantagem sobre os demais que parecia inalcançável, até que dois, três tropeços de ambos, somados ao embalo de outros, configura um quadro absolutamente novo na tabela, com Botafogo e Cruzeiro chegando lá, e Inter e Santos ainda com possibilidades de apertarem a disputa.

Santos e Inter (assim como o Corinthians) têm um jogo a menos e, de certa forma, estão remontando suas equipes ainda nesta fase do campeonato. E, se tivessem vencido neste fim de semana, o que não seria nada improvável, já estariam no bolo do topo da tabela.

Então, conte aí comigo: Flu, Corinthians, Bota, Cruzeiro, Inter e Santos, meia dúzia de sérios pretendentes ao título, já no início do segundo turno.

De todos eles, o Botafogo é o que vem cumprindo a melhor performance, justamente aquele que, de início, era o menos badalado, embora ostentasse o título de campeão carioca, o que não é pouco.

Talvez por isso mesmo, Seo Natalino teve tranquilidade para ajustar ainda mais esse time, ao incorporar os novos reforços – Maicosuel, Jobson etc.

E o Cruzeiro de Cuca parece ter se revestido daquela carapaça que lhe faltou em temporadas anteriores, então, um time de alta técnica e pouca transpiração.

Contudo, da mesma forma que Fluminense, depois de uma arrancada fulminante no primeiro turno, naturalmente passou a oscilar, a exemplo do Corinthians, dificilmente Bota e Cruzeiro conseguirão manter o mesmo nível de resultados.

Isso é absolutamente normal, num campeonato em que até o lanterna é capaz de dar sufoco em muitos cancãs da parada.

Portanto, nada de euforia, tampouco de depressão. O jogo está na mesa e continuará tenso até a última cartada, creia.

O caso Neymar

A fuga patética para o vestiário daquele marginal travestido de polícia, na hora do bololô depois do jogo entre Ceará e Santos, é mais esclarecedora do que o resultado de qualquer inquérito policial sobre o caso.

Certa vez, perguntaram ao extraordinário escritor alagoano Graciliano Ramos se havia gostado de tal livro. Resposta: “Não li e não gostei”.

Pois bem, não vi a agressão em Marquinhos – pelo menos as imagens da tv não a mostraram claramente, Não vi, mas estou convencido de que ela aconteceu, até prova em contrário, claro.

Mas, esse foi o epílogo do episódio, que começou com Neymar discutindo com um adversário, um dos tantos que lhe desceram porradas ao longo da partida. Um dos tantos que lhe descem porradas por onde o menino vá exibindo sua bola redonda, inventiva e desconcertante por esse brasis afora.

Reveja aquele lance espetacular em que ele junta os calcanhares na bola e a faz dar uma pirueta por cima do marcador, e, quando tenta alcançá-la à frente é interceptado pelo braço do adversário em sua garganta. Falta, clara, insofismável. Está na regra: não se pode usar os braços para impedir que o jogador contrário passe ao largo.

Pela imagem da tv está nítido que o juiz vê o lance e ignora a infração olimpicamente, como se ele pudesse passar ao largo da lei do jogo por insondáveis motivos.

Ah, mas o Neymar é muito cai-cai, vive simulando faltas. Por isso, os juízes já estão de olho nele e preferem castigá-lo não marcando as faltas que ele sofreu realmente.

Em primeiro lugar, é preciso levar em conta que Neymar é um jogador franzino, veloz e dono de uma habilidade incomum, além de ser um garoto ainda. A velocidade, por si só, já é um fator de desequilíbrio do corpo – qualquer esbarrão pode levar um Adriano, em plena carreira, ao chão, quanto mais um peso mosca como Neymar.

E sua notória habilidade já predispõe o adversário, pelo sim, ou pelo não, antevendo a possibilidade de levar um drible humilhante, partir direto para o corpo do craque, atalho mais garantido para matar a jogada.

Logo, muitas das tais simulações de Neymar não são simulações, nem necessariamente faltas cometidas por seus marcadores de plantão.

Portanto, é absolutamente injustificável o comportamento de juízes como esse do jogo com o Ceará.

Eu pago o pay-per-view pra ver futebol, jogadas deslumbrantes, gols espetaculares essas coisas, não pra ver trombadas, pontapés, cotoveladas, socos e encontrões. Pra isso, prefiro o boxe, o rúgbi, a luta livre, essas coisas.

Então, como consumidor me sinto lesado pelo juiz que não marcou a falta sobre Neymar, naquele lance de plástica e genialidade excepcionais. Já imaginou o amigo se, com medo da punição, o beque cearense não comete a falta e Neymar completa a jogada, quem sabe até mesmo fazendo a bola chegar ao gol?

Teria sido um momento mágico, único no álbum de recordações do futebol eterno.

Com que direito alguém me rouba esse prazer que talvez nunca mais se repita?

Estou prensando em processar por perdas e danos esse juiz incompetente, que acha o amigo?

Notas relacionadas:

  1. TIMÃO, CATEGÓRICO
  2. FLU, PERDENDO DE VISTA
  3. PEIXE E TRICOLOR
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , ,

quinta-feira, 9 de setembro de 2010 Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros | 18:21

FLU, RETOMANDO O VOO

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O Fluminense escapou da leve trepidação que vinha sofrendo nas últimas rodadas ao reajustar seu sistema de voo – voltou aos três zagueiros, tão caros a Muricy, e passou por cima do Ceará, num rasante de 45 minutos: 3 a 1.

O reajuste, porém, teve uma componente diferente do original: em vez de cinco, seis meio-campistas, considerando-se que os alas o sejam, e apenas Washington como atacante típico.

Assim, além de voltar a ganhar a força de Mariano pela direita, o Flu preencheu melhor seu meio-campo, problema sempre recorrente no esquema 3-5-2. E, com isso, fez a bola fluir da defesa ao ataque por pés mais hábeis do que o habitual nessa fórmula de jogo.

O fato é que o Tricolor, com qualquer expediente tático, vai fincando o pé na liderança, mesmo quando trepida.

Mais Cruzeiro

No clássico nacional da rodada, deu Cruzeiro sobre o Inter, campeão das Américas, num jogo agradável de ver, embora despido de tantas chances de gol quantos poderia sugerir a formação das duas equipes.

Talvez, a origem disso esteja na ausência de dois gringos ilustres, um de cada lado, responsáveis pela criação de jogadas ofensivas: Montillo, pela Raposa, e D’Alessandro, pelo Colorado.

De qualquer forma, ambos seguem naquela zona onde se reúnem os demais candidatos ao título, além de Flu e Timão.

Noite de Douglas

Esse, talvez, tenha sido o grande feito de Renato Gaúcho à frente do Grêmio: a elevação de Douglas a seu real status de craque, um dos raros meias canhotos e imaginativos do nosso futebol.

Douglas, simplesmente, matou a pau na vitória do Tricolor gaúcho, no Olímpico, por 2 a 0 contra o Atlético Goianiense. Entre outras coisas, porque Renato teve a ousadia de escalar seu time com apenas um volante de ofício, avançando sua marcação e fazendo seu time jogar dentro das receitas mais modernas do futebol mundial.

Claro que se há de descontar a fragilidade do adversário, lanterna do campeonato. Mas, é sempre animador saber que, pelo menos, essa possibilidade medra na cabeça de mais um treinador brasileiro.

Trio de Ferro

O Corinthians, mais uma vez jogando fora, deixou o Fluminense escapar na liderança. Ronaldo, com o mesmo perfil dos últimos tempos, cavou um pênalti inexistente, que ele mesmo converteu, quase fez outro gol e saiu no intervalo. Só que a entrada de Iarley em seu lugar não reverteu o Timão àquele futebol incisivo das duas últimas partidas. E o empate do Furacão veio também de absurda marcação de pênalti.

Já o São Paulo, que vai se remoçando com a garotada campeã da Copinha, meteu 2 a 0 no Flamengo, no primeiro tempo. E, no intervalo, refluiu para três zagueiros, mesmo com um jogador a mais, e tomou um sufoco do Rubro-Negro que ainda não conseguiu se achar nas mãos de Silas.

Por fim, o Palmeiras. Ah, o Palmeiras… Continua patinando, ao empatar com o Vitória lá, o que, em si, não chega a ser um drama. Drama é o que está fazendo Felipão ao dizer que alguns jogadores não correm atrás da bola, discurso bem ao gosto do torcedor sempre exaltado.

É assim que se motiva uma equipe devastada pelos recentes insucessos?

Bota lá

Apesar do imenso número de passes errados, de parte a parte, foi um jogo animado, em que o Botafogo soube aproveitar, com Loco Abreu, uma das raras chances de gol criadas, já no finzinho da partida.

Prêmio para o Botafogo, que marcou o Santos de maneira implacável, do início ao fim, forçando o erro do adversário, que, por sua vez, cumpriu sua pior performance ao longo de toda a temporada.

Assim, o Botafogo confirma sua excelente fase, consolidando-se na terceira colocação do campeonato, o que não é pouco, convenhamos.

Enquanto isso, em São Januário, o Galo escapou de mais um desastre, ao empatar o jogo por 1 a 1 com o Vasco, que, mesmo invicto sob o comando de PC Gusmão, brecou sua ascensão na tabela, em casa, o que não é nada bom para ele.

Mas, isso tudo é circunstancial, pois o segundo turno inteiro está aí estendido à frente de todos eles.

Notas relacionadas:

  1. FLU, TIMÃO E AQUELE TIME DE AZUL E AMARELO
  2. TIMÃO QUERIA, MAS QUEM PODE É O FLU
  3. EMPATE EM TRÊS CORES
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , ,

quinta-feira, 2 de setembro de 2010 Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros | 00:46

PALMEIRAS, HERÓICO

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O Fluminense começou apertando a retranca palestrina, fez seu gol, com Emerson, logo no começo da partida, e… E passou a dividir a bola com o Palmeiras, no meio de campo, em vez de partir para decidir a questão ainda no primeiro tempo.

Voltou para o segundo tempo com Belletti no lugar de Diogo, machucado, enquanto Felipão ia destravando sua equipe, ao trocar o terceiro zagueiro Fabrício pelo atacante Luan, incrementou seu meio-campo com Tinga no lugar de Pierre, e, a partir dos 30 minutos, o impasse transformou-se em sufoco verde sobre a área tricolor.

E, já nos acréscimos, em bola alçada lá de longe, Edinho apara de cabeça para Ewerthon, que substituíra Valdívia, empurrar para as redes de Fernando Henrique.

O empate, no fim, fez jus ao comportamento dos dois times, mas, para o líder, foi mais um baque – o segundo empate em casa diante de times de camisas gloriosas mas em fase ruim.

Para o Palmeiras, um alento a mais na busca de sua formação ideal e na retomada por campanha que inspire ao torcedor alvos mais nobres.

Lágrimas de fé

A festa foi algo de memorável: mais de cento e vinte mil pessoas celebrando o centenário do Corinthians no Vale do Anhangabaú, como se fosse um autêntico réveillon, a passagem não de um ano mas de um século de vida.

As festas, muitas delas espontâneas, se espalharam por todo o estado de São Paulo, congregando cerca de 20 milhões de corintianos, uma verdadeira nação, maior que uma infinidade de países distribuídos por esse mundão afora.

Daqui, da minha caverna de Ibiúna, só pude captar os sons distantes das comemorações e vislumbrar as lágrimas prateadas que caíam do céu, lá longe. Lágrimas de fé.

Parabéns, Timão.

Notas relacionadas:

  1. PALMEIRAS E BARCELONA POR UM FIO
  2. HERÓICO TIMBU
  3. PALMEIRAS? DEIXE-ME EXPLICAR
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , ,

segunda-feira, 30 de agosto de 2010 Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros, Copa do Mundo | 16:37

POR QUE NÃO ITAQUERA?

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É evidente que o presidente Lula, como corintiano de carteirinha e a bordo da maior aprovação popular, segundo as pesquisas, de todos os tempos da República, tem interesse na construção do estádio de Itaquera e que ele venha a ser sede da abertura da Copa no Brasil.

É evidente que o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, demoliu o Morumbi, pedra a pedra, por razões de foro íntimo e por politicalha.

Assim como é evidente que a falta de habilidade para conduzir o processo por parte do presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio, pavimentou esse caminho sem volta – a exclusão do estádio tricolor como candidato único da cidade de São Paulo à abertura da Copa do Mundo de 2014.

Aliás, durante esse processo, Juvenal abriu outra frente de batalha que acabaria, por fim, se fundindo à outra, ao tratar com soberba e até desprezo o presidente corintiano Andrés Sanchez, nas negociações sobre o uso do Morumbi pelo Corinthians, em jogos domésticos e nacionais.

Andrés prometeu o troco em alto estilo. É o que está fazendo, sem dúvida, ao anunciar o estádio de Itaquera como um projeto destinado apenas a atender as necessidades de seu clube, mas abrindo a perspectiva de ampliar suas instalações para poder atender às exigências da Fifa (leia-se, Ricardo Teixeira) para o jogo de abertura da Copa.

O governador interino Alberto Goldman e o prefeito Kassab, antes tão apegados ao projeto Morumbi, subitamente mudaram de rumo, ao sabor dos ventos eleitorais que sopram para as bandas da Zona Leste, e passaram a avalizar o Itaquerão. Entre outras coisas, porque no Morumbi vale muito mais preservar o Palácio do Governo que o estádio.

Bem, este é o cenário em que os agentes dessa trama atuam, às vezes, em parcerias, às vezes, em solos próprios, segundo minhas depreensões.

Outra coisa, bem diferente, é a construção do estádio de Itaquera em si mesmo.

Belas são as palavras do presidente corintiano quando diz que o Corinthians tem uma dívida com a Zona Leste da cidade, núcleo central e histórico da grande nação alvinegra. E, realmente, se há uma região desta megalópole que merece atenção especial do poder público é essa. Tudo que for feito de infraestrutura ao redor do futuro estádio será pouco e necessário.

Claro, essas coisas deveriam independer de eventos como a Copa. Mas, entre o ideal e o real vai uma distância de Itaquera a Wembley. E, se a imensa população daquela região tiver de ser beneficiada por descaminhos como esse, meno male.

Outras belas palavras do cartola corintiano são as que prometem não haver nenhuma perspectiva de uso de dinheiro público na obra em si, o que é fundamental. Estádio, sim, mas com grana particular. Dinheiro público só para obras públicas, que atendam as necessidades da população.

Ora, palavras somem com o vento, dirá o amigo mais cético. É verdade. Mas, o fato é que Andrés Sanchez prometeu, na campanha para presidente do Corinthians, acabar com as reeleições sucessivas, que construíram no clube verdadeiros impérios no passado. E cumpriu sua palavra. Logo que assumiu, mudou os estatutos do clube e já avisou que cumprirá estritamente o que lá ficou escrito.

Ao contrário, por exemplo, de Juvenal Juvêncio, que, acenando com a bandeira da reforma do Morumbi para a Copa do Mundo, quebrou a longa e proficiente tradição tricolor de não se permitir senão uma única reeleição, de dois em dois anos. Ampliou seu reinado até 2014, com todos os ônus que o clube teve de arcar nesse período insólito da vida tricolor.

Portanto, até prova em contrário, não há que se duvidar das palavras de Andrés Sanchez.

E, se assim for, por que não Itaquera em vez do Morumbi?

Notas relacionadas:

  1. FINAL MANCHADA
  2. CAMPEÃO, CAMPEONÍSSIMO SÃO PAULO
  3. CHEIRO DE ARROZ QUEIMADO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , ,

domingo, 29 de agosto de 2010 Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros, Futebol internacional | 20:45

EMPATE EM TRÊS CORES

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Fez um gol de falta, pegou um pênalti e salvou a meta do São Paulo por mais três vezes, no mínimo.
Eis por que o Tricolor paulista deve esse empate inesperado diante do líder Fluminense, sobretudo, a Rogério Ceni.

É verdade que o São Paulo foi bem no primeiro tempo, quando virou o placar para 2 a 1, em um minuto, entre os 34 e os 35 minutos, gols de Deco (seu primeiro no Flu), Rogério e Fernandão, em falha incrível de Fernando Henrique.

O São Paulo foi bem no primeiro tempo, entre outras coisas, porque o Fluminense, preocupado com as investidas de Fernandinho pela esquerda, escalou por ali três jogadores – Belletti, Diogo e Mariano. Fernandinho, porém, sempre que acionado, conseguia varar a marcação.

O Flu, todavia, voltou para o segundo tempo com o atacante Rodriguinho no lugar de Belletti, equilibrou seu meio-campo e partiu para o sufoco. Teve o gol da vitória nos pés de Washington, em pênalti inexistente (bola na mão de Richarlyson), que Rogério conjurou. E ficou nisso, o suficiente para manter-se na ponta da tabela ainda com certa folga em relação ao Corinthians.

Timão no rastro

Ele jogou pouco mais de uma hora, não fez gol nem qualquer jogada memorável. Mas, Ronaldo Fenômeno bem que ajudou o Corinthians a conquistar essa preciosa vitória por 2 a 1 sobre o Vitória, num Pacamebu festivo, que encerrou a partida entoando o tradicional Parabéns a Você, pelos cem anos de vida do clube.

Não foi, é verdade, uma partida primorosa do Timão, mas, digamos que boa o bastante para merecer o placar  que até poderia ter sido um pouco mais amplo, dado o domínio constante da equipe paulista sobre a baiana.

Iarley fez de cabeça, em bola alçada de longe por Roberto Carlos, e Paulinho completou o placar, na cara do gol, pouco antes do apito final do primeiro tempo.

Nada excepcional, mas tudo muito consistente nessa perseguição implacável do Timão ao Flu, em busca da liderança do Brasileirão.

A destacar, mais uma excelente participação de Jucilei e de Iarley, que, aos poucos, vai voltando aos seus melhores dias. Ah, sim, e esse Bruno César é da pontinha da orelha, como dizia minha avó.

Palestra, de virada!

Não sei se devo exaltar a virada do Palmeiras ou lastimar a indigência do Galo, que, a cada rodada, mais afunda na tabela do Brasileirão, apesar da excelência de seu elenco e da nomeada de seu treinador.

Acho que os dois. Afinal, o Palmeiras, embora com uma formação altamente defensiva – três zagueiros e cinco volantes -, conseguiu um feito em Ipatinga, graças ao oportunismo de Marcos Assunção e de Kleber, autores dos dois gols verdes.

Quanto ao Galo, pfiu… Que vergonha, meu.

Silas e a virada

Já que Parreira não quis pegar o pepino, o Flamengo acertou com Silas mesmo, que considero boa pedida. Mas, Silas, ao ver seu Flamengo perder de virada para o Guarani, no Brinco de Ouro da Princesa, deve estar coçando a cabeça até agora.

Barça em campo

Dois golaços marcaram a estreia do Barça no Campeonato Espanhol. No primeiro, Iniesta serviu de bandeja Messi, que invadiu a área, e, de cavadinha, encobriu o goleiro. No segundo, o goleiro do Racing socou a bola, que Iniesta pegou de sem pulo lá de longe, metendo a bichinha, pelo alto, nas redes de Santander. Barça: 3 a 0, com direito a primeiro gol de Villa com a sua nova e gloriosa camisa.

Futebol ou rúgbi?

Bem que o técnico Arséne Wenger disse que estão querendo transformar futebol em rúgbi. No jogo contra o Arsenal, o Blakburn só tinha uma jogada de ataque: as cobranças de lateral direto para a pequena área do Arsenal. Igual lance foi repetido à exaustão pelo Stoke City contra o Chelsea. Não preciso dizer que o futebol venceu, nos dois casos.

Notas relacionadas:

  1. TRÊS VEZES OBINA
  2. O EMPATE E AS GOLEADAS
  3. TRÊS CLÁSSICOS BRASILEIROS
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , ,

quinta-feira, 26 de agosto de 2010 Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros | 01:22

FLU, PERDENDO DE VISTA

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No duelo paralelo no Brasileirão, entre líder e vice-líder, o Fluminense afastou-se ainda mais do Corinthians. E, afastou-se com a fronte erguida, ao meter 3 a 0 no Goiás, lá casa do inimigo, o Serra Dourada.

Mais do que vencer e abrir vantagem de cinco pontos para o vice-líder, vale exaltar a forma como esses resultados foram obtidos. O Flu, depois de um primeiro tempo vacilante no esquema 4-4-2, quando o novo meio-campo, onde despontam Conca e Deco, buscava seu melhor posicionamento no gramado, voltou um aço para a etapa final. E chegou ao placar definitivo em jogadas tramadas, com participação decisiva de seus dois meias.

Num desses gols, de Emerson, o Tricolor aplicou um contragolpe que poderia ser recortado e colado no ar1quivo dos contragolpes como um lance exemplar. Partiu pra cima da defesa adversária com cinco jogadores, e urdiu com ciência a série de passes que culminou com a finalização de Emerson, livre, na cara do gol.

Assim, o Flu não só abre essa vantagem temporária como, sobretudo, abre as portas de maiores expectativas ainda quando essa dupla – Deco e Conca – se ajustarem na sintonia fina, finíssima, na verdade, como a qualidade de seu futebol.

Já o Corinthians foi flama e ousadia o tempo todo contra o Cruzeiro, em Uberlândia, em vão. O Cruzeiro entrincheirou-se desde o início do jogo atrás do placar aberto e fechado por esse excelente gringo Montillo, e resistiu até o apito final, graças, sobretudo, ás ações providenciais do goleirão Fábio.

O fato é que, para alcançar o líder, o Corinthians precisa fazer como o Flu: ganhar os jogos fora de casa com a mesma frequência do time do Muricy. Não é fácil.

Peixe e Inter

Os outros dois grandes vencedores da rodada, sem dúvida, foram o Santos, que venceu o Grêmio de virada em pleno Olímpico, e o Inter, que bateu o forte Avaí, na Ressacada, por 1 a 0, na despedida do garoto Taison que vai para o Leste Europeu.

Entre outras coisas, porque ambos são os únicos no Brasileirão que têm um jogo a menos na tabela, o que aumenta muito a possibilidade de chegarem mais perto do Flu do que muitos imaginavam.

O Peixe sofreu o diabo diante da severa marcação gremista aos seus dois meninos de ouro – Ganso e Neymar -, e aos pés hábeis de Souza e Douglas. Foi quando tomou o gol de Borges, sempre ele.

Mas, no segundo tempo, voltou aceso, empatou em pênalti cobrado por Neymar, que perderia um segundo, mais tarde, e virou com Rodriguinho, no bico do corvo, num chute longo e certeiro.

A lamentar apenas a saída de Ganso, que, pelo jeito, sofreu lesão preocupante, no mínimo, no instante do pênalti em Zé Eduardo.

Assim, como o colorado amigo deve lamentar a partida de Taison, um menino de grande futuro que pode se ofuscar lá nas distâncias da Ucrânia. Mesmo porque, apesar da excelência de seu elenco, o Inter não poderia ter perdido esse menino logo agora, às vésperas de uma arrancada ao título brasileiro e da Copa Mundial de Clubes.

São Paulo e Vasco

Basta só colocar na mesa este dado: no segundo tempo do jogo do Morumbi, o São Paulo disparou quinze vezes sobre a meta de Fernando Prass, diga-se, o melhor em campo, enquanto o Vasco não conseguiu dar sequer um chute ao gol de Rogério Ceni.

Apesar do maciço domínio tricolor, um time mais solto e leve do que o habitual, com as entradas de Fernandinho e Marcelinho desde o início, o jogo terminou sem gols. Uma pena.

Notas relacionadas:

  1. CINCO JOGOS BÁSICOS
  2. PALMEIRAS? DEIXE-ME EXPLICAR
  3. TIMÃO, CATEGÓRICO
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terça-feira, 24 de agosto de 2010 Campeonato Brasileiro | 14:57

LÍDER E VICE: TORNEIO À PARTE

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Líder e vice jogam nesta quarta uma cartada de alto preço na disputa pela ponta do Brasileirão.

Visto assim, pelo ângulo da tabela, dos números lá expressos, o Fluminense, mesmo jogando no Serra Dourada, é franco favorito diante do Goiás, lá na rabeira e em crise aberta na diretoria. Mas, é justamente isso que mais preocupa o técnico Muricy – a história do leão ferido.

Além, claro, da ausência de Diguinho e a natural pressão para que Deco já comece no lugar do volante titular. Diguinho é mais defensivo, enquanto Deco, um craque ainda sem o devido ritmo de jogo, bem mais ofensivo. Será que Muricy, tão cauteloso, arriscará abrir esse seu meio-campo logo de cara? Tenho minhas dúvidas.

Já o Timão vai a Minas pegar o forte Cruzeiro, que até outro dia esteve nas mãos de Adílson, hoje técnico alvinegro.

Adílson acena com a possibilidade de entrar com três zagueiros. Deve ter lá seus recônditos motivos. Mas, o time jogou tão bem no domingo contra o São Paulo…

Enfim, é esperar pra ver.

Ah, sim, a propósito, o técnico Adílson Batista dá como quase certa a volta de Ronaldo Fenômeno no jogo do fim de semana do Corinthians. O craque fará um teste na sexta-feira, e se aprovado entra em campo, domingo, contra o Vitória.

Segundo o treinador, Ronaldo já está mais leve e terá condições de atuar, pelo menos, meio tempo.

Dilema na Vila

Wesley partiu e deixou um dilema na cabeça do técnico Dorival Jr. Maior até do que as provocadas pelas saídas de André e de Robinho, creia, amigo.

Sim, porque para o lugar de André será ocupado por Keirrison, jogador, digamos, da mesma estatura técnica do antigo titular, ou até mais, se voltar a jogar como o fazia no Coritiba e nas primeiras apresentações pelo Palmeiras.

Quanto a Robinho, claro, guardadas todas as imensas proporções, Zé Eduardo vem dando conta do recado sempre que entrou na equipe.

Mas, Wesley, um volante-meia de múltiplas funções na equipe, ah, esse é um problemão. Dorival tem um leque de opções: Danilo, Rodriguinho, Zézinho e, agora, o recém-chegado Rodrigo Possebon, um desses garotos que partem para a Europa antes mesmo de ganhar um fio de barba.

Revelado pelo Inter, confesso que não me lembro dele com a camisa colorada. Fui vê-lo, por alguns breves momentos, com a camisa rubra do Manchester United – entrou e saiu algumas vezes durante a temporada retrasada, assim como os gêmeos Rafael e Fábio, e, confesso, chamou-me a atenção.
Seu estilo não se assemelha ao de Wesley, mas sabe jogar, marca e pode muito bem vir a se integrar no espírito singular desse time peixeiro. É uma questão de tempo.

Notas relacionadas:

  1. TIMÃO, LÍDER
  2. AINDA LÍDER
  3. MAIS LÍDER AINDA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , ,

segunda-feira, 23 de agosto de 2010 Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros | 15:51

ESSE RIO-SÃO PAULO PARALELO

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Até aqui, os cariocas estão vencendo os paulistas, nessa eterna disputada paralela no Brasileirão. O Flu é líder e o Botafogo terceiro colocado, enquanto o Vasco, nas mãos de PC Gusmão e com os novos reforços, sobe a cada rodada.

Só o Flamengo não acompanha seus pares nessa corrida. Mas, com a chegada da dupla de ataque Diogo-Deivid, por certo, haverá de melhorar substancialmente sua perfromance.

Em contrapartida, do lado dos paulistas, o São Paulo mergulha para as profundezas limítrofes á zona do rebaixamento e o Palmeiras não consegue evoluir sob o comando de Felipão. Neste caso, porém, a readaptação de Valdívia ao nosso futebol e a volta de Lincoln acenam para uma recuperação progressiva do Verdão.

O diabo é o São Paulo, que segue praticando um futebol opaco, sem alma nem talento. E é isso que preocupa o atacante Fernandão, mais até do que a delicada posição do seu time na tabela. Pela ausência de um meia criativo ao menos para dividir com Marlos a armação, defeito já crônico do Tricolor (assim como a ausência de um lateral—direito de ofício), o time não consegue tocar a bola, envolver o adversário e assim aproveitar o máximo da excelente dupla de ataque formada por Ricardo Oliveira e Fernandão.

O Santos, depois das atribulações recentes, o que certamente influiu no seu rendimento, tem bala para avançar mais daqui pra frente. Com Neymar e Ganso estabilizados emocionalmente, e Keirrison ganhando condições melhores de jogo, mais o menino Danilo ocupando a posição de Wesley, as coisas voltarão quase ao normal na vila. Fica faltando alguém para suprir – mesmo que num patamar inferior – a ausência de Robinho.

Bem, mesmo, continua o Corinthians, sob nova direção, vice-líder e com recursos técnicos para ameaçar e até ultrapassar o Fluminense, dependendo das circunstâncias, claro.

A formação adotada por Adílson contra o São Paulo conferiu maior equilíbrio ao meio-campo corintiano, com Elias, um desses raros casos de volante que tem ginga e velocidade para atuar como meia, mais avançado, ao lado de Bruno César, apoiando uma dupla de ataque versátil e rápida, que já vai compensando a ausência recorrente de Ronaldo Fenômeno. E olhe que ainda há o Dentinho para entrar aí.

Isso tudo, porém, é um flagrante do momento. Bola rolando nas tantas rodadas que faltam, quem sabe como esse quadro se alterará? Ou não.

Carabina calada

Foi-se o nosso Waldemar Carabina, aos 78 anos de idade.

Carabina, volante e quarto-zagueiro espigado, bom no cabeceio, teve a honra de se revelar naquele Ypiranga memorável da virada dos anos 40 para os 50. Aquele timaço de Liminha, Rúbens (depois, Walter Marciano), Silas, Bibe e Valter.

Não bastasse isso, mais tarde integrou-se à Academia do Palmeiras, já como quarto-zagueiro viril mas de boa técnica, onde protagonizou o insólito e antológico lance do “pênalti” em Pelé, engendrado pelo gênio também moleque do Rei.

Pra quem não sabe, foi assim. Corner a favor do Santos pela direita. No bolo da área, Pelé enlaçou seu braço esquerdo no direito de Carabina, levantou o direito, em sinal de protesto, gritando que estava sendo agarrado pelo adversário. Carabina, perplexo, ainda tentava retirar com toda força seu braço do enlace real quando o juiz já corria em direção à marca do pênalti.

O apelido, segundo ele mesmo me relatou anos atrás, quando já era treinador de futebol, nasceu de uma expressão do inesquecível comentarista Mário Moraes, o Leão, ao acertar um tiro de longa distância e muita potência no gol adversário: “Foi um tiro de carabina”, sentenciou Moraes no microfone da Panamericana, se não me engano.

Saudades, velho.

Notas relacionadas:

  1. E O SÃO PAULO CHEGOU
  2. CAMPEÃO, CAMPEONÍSSIMO SÃO PAULO
  3. VAIVÉM NO SÃO PAULO E PALMEIRAS
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , ,

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