TIMÃO DECISIVO

Foi uma autêntica decisão, em que a tensão anulou a técnica e a atenção inibiu a criatividade. Assim, o jogo transcorreu a maior parte do tempo numa disputa atroz pela posse da bola no meio de campo, com poucas ações agudas de área.
E, nesse quesito, o Corinthians, aos poucos foi ganhando terreno, pois seus três volantes – Paulinho, Jucilei e Elias -, mais o meia Bruno conseguiam conjugar melhor aos seus pés a arte de marcar e armar do que o meio de campo do Flu, reduzido em número de participantes pela presença de um terceiro zagueiro lá atrás.
E foi justamente um desses três volantes, aliás, o melhor jogador em campo, Jucilei, quem abriu o placar, no finzinho do primeiro tempo, com categoria: bola alçada à área tricolor, que o corintiano matou no peito com estilo e girou para as redes de Fernando Henrique.
No segundo tempo, Muricy tentou reequilibrar seu time, trocando o beque André Luís pelo atacante Rodriguinho, e o Flu passou a pressionar, entre outras coisas porque ganhou velocidade na frente. Mas, num contragolpe puxado por Alessandro, Iarley empurrou para o gol a bola da vitória corintiana, ameaçada logo depois pelo tento de Washington.
Raposa no galinheiro
Enquanto isso, o Cruzeiro, em sua nova casa, vacilou diante do Guarani, permitindo o empate por 2 a 2, depois de ter disparado 2 a 0 no placar, mas se reaprumou a tempo de pespegar a goleada por 4 a 2 no Bugre.
Assim, com a dupla Flu-Timão na ponta da tabela, a Raposa se aproxima do galinheiro de forma perigosa, tentando abocanhar, mais cedo ou mais tarde, o prêmio maior.
Na Vila, o Santos conseguiu uma virada espetacular sobre o Atlético Goianense: goleou por 4 a 2, depois de estar perdendo por 2 a 0.
Mas, todas as atenções se centraram num bate-boca entre Neymar e o técnico Dorival Júnior, a ponto de merecer um discurso hiperbólico e demagógico do técnico Simões, do Atlético. Coisa do tipo: “Estamos criando um monstro!”
O monstro, creia, é Neymar… Ora, vá ver se estou na esquina.
Cada bocejo do menino vira vendaval, e ainda querem que ele se comporte como um cavalheiro inglês da era vitoriana.
A grande surpresa
Sem dúvida, a grande surpresa da rodada foi a goleada imposta pelo Goiás sobre o Botafogo, que vinha de vento em popa escalando a tabela: 4 a 1.
Papai Joel não gostou nem um pouquinho e, certamente, vai puxar as orelhas da rapaziada.
Mengão, ufa!
Quando o juiz já levava o apito final à boca, Toró salvou a pátria rubro-negra diante do Grêmio Prudente: 2 a 1.
Nem quero pensar a que alturas subiria o termômetro da Gávea se o jogo terminasse em 1 a 0 para o Prudente, placar que predominou a maior parte do tempo.
Grêmio e Palmeiras estavam iguais na tabela, com as mesmas expectativas: levantar de vez a cabeça, escapando das campanhas medíocres que vêm cumprindo neste Brasileirão.
Era noite de festa tricolor: 107 anos de vida. Mas, no fim de tudo, um réquiem em vez de Parabéns a Você. Afinal, o Palmeiras do trigremista Felipão meteu 2 a 0 e só levou o gol de honra do Gr~emio no finalzinho.
E tudo por conta de Marcos Assunção, que cobrou mais uma falta impecável, no primeiro gol, e alçou a bola perfeita na cabeça de Ewerthon, no segundo.
É esperar que o Verdão, assim, ganhe um pingo, ao menos, de confiança para se reerguer de vez. Quanto ao Grêmio, fica pra próxima.
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Autor: Alberto Helena jr. Tags: Brasileirão, Corinthians, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Jucilei, Neymar, Palmeiras, Santos



