A AMÉRICA PARA OS BRASILEIROS
A Libertadores da América, em sua fase de grupos, começa hoje para os times brasileiros, com o Fluminense recebendo no Engenhão o Arsenal Sarandi, clube que despontou na cena principal do futebol argentino há pouco tempo, mas já devidamente rodado no torneio continental.
O Tricolor, que já esteve a pique de levantar essa taça ainda recentemente, no papel, tem time não apenas para vencer o Arsenal, mas, para ser um dos mais sérios candidatos ao título.
No papel, até agora, pois nas raras chances que tivemos neste início de ano de ver todos os titulares em campo ficou no ar um ponto de interrogação.
Claro, é início de temporada, os jogadores ainda não estão nos trinques, essas coisas todas tão sabidas. Mas, o fato é que o jogo é hoje.
Vejamos, vejamos, com atenção e muitas esperanças, pois um time que tem Deco, Wagner, Fred, Sóbis, Fred, em campo, e Thiago Neves no banco, pode num piscar de olhos pegar no breu. E aí, é só alegria.
VASCÃO
Se futebol é momento, como ensinava mestre Rubens Minelli, o momento do Vasco é, sem dúvida, o melhor dentre todos os brasileiros da Libertadores. A tal ponto que foi eleito favorito para a conquista do título pelo chileno Valdívia, no Bem, Amigos de ontem.
Não chego a tanto, porque a disputa é longa e acirrada, com outros brasileiros também na fita. Mas, é que o Vasco vem de gloriosa campanha a partir do segundo semestre do ano passado, manteve seu time intacto e está mais bem preparado do que os demais, ao disputar o Cariocão com sua equipe titular, sem muitas mexidas.
Para sua estreia na Libertadores amanhã, contra o Nacional de Montevidéu, em casa, o único problema do técnico Cristóvão Borges está na lateral-direita, com as ausências de Fagner, uma das principais válvulas de escape do Vasco, e de seu reserva imediato, Alan.
E o doce dilema é se poderá ou não contar com Felipe e Juninho Pernambucano juntos na mesma equipe, desde o início, por razões físicas, nunca técnicas ou táticas.
Com Diego Souza esmerilhando lá na frente, ao lado do sempre oportunista Alecssandro, acionados por essa dupla de magníficos veteranos, por mais sólida que seja a retranca tradicional dos uruguaios, o Almirante tem tudo para sair de campo de fronte erguida e um sorriso nos lábios.
COLORADO
Na quinta-feira, será a vez do Inter, que já passou pelos campos da pré-Libertadores. Desta vez, pega o Juan Aurich, campeão peruano pela primeira vez em 89 anos de existência.
O Inter, a exemplo do Flu, é um dos mais bem equipados para essa disputa. Não só pela camisa que ostenta a estrela de campeão do mundo, mas, sobretudo, pela excelência de seu time.
É verdade, ainda está longe do ponto ideal. Mas, já deu pra ver na fase de classificação que está imbuído do espírito da Libertadores, o que, somado à qualidade de jogadores como D’Alessandro, Oscar, Leandro Damião e Dagoberto, confere ao Colorado uma força especial para ir longe nessa dura caminhada.
PEIXE, FLA E TIMÃO
Santos, Flamengo e Corinthians só estreiam na Libertadores dia 15.
Mas, valem algumas pinceladas sobre as possibilidades de cada um.
Dos três, a maior incógnita é o Flamengo, agora sob nova direção. Como o Rubro-Negro reagirá ao comando conciliador de Papai Joel? A tendência é que, espiritualmente, o time se sinta mais leve em campo. Mas, taticamente, sei, não. Joel é daqueles pragmáticos de plantão que botam seu time em campo, antes de mais nada, para não perder.
Às vezes dá certo, às vezes, não. No caso, se fizer isso, mais do que nunca o Flamengo dependerá de um Ronaldinho mais ativo e participativo do que vem sendo. Isso, enquanto Seu Love não possa entrar em campo.
Já o Santos, atual campeão da América, me preocupa mais do que o Corinthians, por exemplo.
Sem dois laterais de bom nível técnico, já que Léo está no estaleiro e Danilo e Alex Sandro escafederam-se, e com um trio de volantes que até agora não funcionou, mais do que nunca o Peixe depende quase que exclusivamente de Ganso e Neymar.
Ganso, embora bem melhor do que na temporada passada, ainda não alcançou o estágio ideal, fisicamente, e Neymar é cracaço, mas, não um deus para produzir milagres a cada jogo.
Bobeou o Santos ao não buscar de imediato um substituto para Alex Sandro e outro para Danilo. Aliás, bobeada maior foi deixá-los partir, já que se trata de dois jovens promissores e que resolveram esses problemas na Vila, desde o início.
Quanto ao Corinthians, naquele jeitão sereno de encarar os adversários, com Douglas armando o jogo ao lado de Alex para Emerson e Liedson, tem tudo para ir comendo pelas beiradas e chegar lá.
Como? Se Tite deve incluir o nome de Adriano na lista dos vinte e cinco inscritos para esta fase da Libertadores? Claro que sim. Inclui e acende uma vela na vaga esperança de que um dia desses Adriano entre em forma pelo menos para jogar alguns minutos.
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Autor: Alberto Helena jr. Tags: Campeonato Carioca, Corinthians, Flamengo, Libertadores, Santos, Vasco
