INTER, LÁ, PRIMEIRÃO
Não foi um passeio do Inter no Beira-Rio. Nem era de se esperar. Menos pela eventual força do adversário e muito mais pelo período de ajuste do time às idéias de Falcão: um sistema com duas linhas de quatro jogadores, mais próximas entre si, além dos dois avantes.
O Emelec também postou-se dessa forma e deu-se o impasse no meio de campo, graças ao forte poder de marcação dos equatorianos.
Isso, porém, exige um poder de concentração e um fôlego que o Emelec não tinha para manter no mesmo nível ao longo do segundo tempo. Some-se a isso o fato de que o colorado voltou mais disposto a combater o inimigo no campo adversário, e está devidamente explicado o placar final, de 2 a 0 para o Inter, gols de Sobis e Damião.
E lá vai o Inter com todas as possibilidades de chegar ao bi, por que não?
FLU E PEIXE
Já, amanhã, Fluminense e Santos jogam sua sorte diante de Argentino Juniors e Deportivo Táchira, respectivamente. O Flu, lá na Argentina; o Peixe, aqui no Pacaembu.
Obviamente, a tarefa menos árdua cabe ao Santos, sobretudo pelas voltas de Elano, Neymar e Zé Love, que se juntarão a Ganso, Arouca e Danilo, na formação do meio de campo pra frente, o que dará ao time um poder de fogo para chegar à vitória, resultado suficiente para seguir em frente na Libertadores.
Em contrapartida, o Flu terá de pegar o Argentino Juniors na casa do inimigo, de olho no jogo entre Nacional e América do México, fazendo todas as contas que caibam na calculadora tricolor. Sim, porque não basta ao Flu vencer os argentinos. É preciso que o Nacional, ao mesmo tempo, perca para o América. Ou, no caso de empate dos uruguaios, o campeão brasileiro terá de fazer, no mínimo três gols, para superar o Nacional no saldo de gols. Isso se o empate em Montevidéu for de zero a zero.
É uma combinação de resultados possível, mas improvável. Nem tanto pelo Flu, que tem um ataque capaz de atingir tal placar, e, sim, por conta do Nacional, que dificilmente perderá a chance de se classificar em casa, mesmo que o América, com vaga já garantida, seja eventualmente melhor.
O Flu, porém, já alcançou alguns milagres nos últimos tempos. Portanto, fé, gente tricolor, fé.
ADRIANO, CHIII…
No treino da véspera, Adriano já sentira o tornozelo. No de hoje, teve rompimento de tendão do esquerdo, lesão gravíssima e de longa duração para o jogador se refazer integralmente. Fala-se em coisa de cinco meses.
É muita uruca! Ou havaerá uma explicação mais científica para o caso? Algo em torno da relação peso do atleta e suas articulações? Não sou médico, nem nada para responder a essa pergunta.
Só sei que o Corinthians, depois do vultoso invetimento sobre Adriano, já está à cata no mercado de outro centroavante para revezar com Liedson, o que não será fácil.
CHINESINHO
Menos de dois anos depois de ter-se consagrado nacionalmente naquela conquista mítica do Pan-Americano de 56, no México, com aquele timaço gaúcho vestindo a canarinho, o ponta-esquerda Chinesinho, do Inter, foi contratado a peso de ouro pelo Palmeiras.
Chegou no Parque Antárctica e… murchou. Nada dava certo, ao ponto de mestre Brandão desistir, enviando-o para a turma do come-e-dorme, quando o olho clínico de Canhotinho, ex-ídolo verde e, na época, auxiliar-técnico, lhe confidenciou: Chinês é meia, meu, não ponta.
Canhotinho, então, comprovou sua tese na prática, e foi sussurrar ao ouvido de Brandão que Chinês estava merecendo uma nova chance no time titular. Dito e feito, o craque gaúcho – um tipo baixinho, veloz, habilidoso como poucos, daqueles de fazer fieira nos adversários ou meter um lançamento exato de 30 metros -, estourou.
Foi vital na construção da primeira Academia do Palmeiras, ganhando o título paulista sobre o inigualável Santos de Pelé e cia. bela, e ganhou lugar cativo na Seleção Brasileira, até ser negociado com o futebol italiano, onde era aclamado por onde passava.
Recentemente, Chinesinho, já debilitado, me procurou querendo que escrevesse sua biografia. Pedi-lhe que gravasse suas histórias, na medida em que fosse delas se lembrando. A partir dessas fitas, então, poderíamos desenvolver um projeto.
Ele se entusiasmou, mas o seu tempo já começava a se esvair e Chinesinho, agora, é apenas um nome na história.
Notas relacionadas:
Autor: Alberto Helena jr. Tags: Adriano, Chinesinho, Copa Libertadores, Corinthians, Emelec, Falcão, Fluminense, Internacional, Santos

