18/11/2009 - 21:41
Portugal e França passaram pelo buraco da agulha e, finalmente, chegaram à África do Sul. Com um gol de Meirelles, Portugal bateu a Bósnia, na casa do inimigo, mesmo placar obtido em terras lusitanas dias atrás. E a França teve de penar diante de sua torcida para empatar com a Irlanda, na prorrogação, com um gol vergonhosamente ilegal de Gallas.
No gol da França, aos 13 minutos do primeiro tempo da prorrogação, Henry ajeitou a bola com a mão esquerda, descaradamente, e cruzou para Gallas concluir de cabeça. Um escândalo, a comprovar que não é só aqui que os juízes cometem erros colossais. Na verdade, se o amigo espiar bem o lance, verá que a infração só poderia ser vista por um outro bandeirinha que corresse deste lado do campo, pois o árbitro e o auxiliar do outro lado não tinham visão plena da jogada. Ou, então, o óbvio: se o juiz pudesse recorrer às câmeras de TV. O fato é que tanto Portugal quanto França cumpriram pálidas Eliminatórias e precisam melhorar muito se quiserem fazer boa figura na Copa.
Nem vale discutir se justa ou injusta a decisão do tribunal que suspendeu o trio tricolor por três jogos, justamente a conta para o final do campeonato. Pois, são tantos os meandros e as armadilhas do código que cada um pode interpretá-lo a seu modo. O que vale mesmo é discutir se esse modelo de justiça esportiva no futebol já não está superado há anos.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Futebol internacional
Tags: Copa do Mundo, Eliminatórias, França, Portugal
29/09/2009 - 19:29
Huuumm… Tem cheiro de arroz queimado nessa história do Morumbi e a Copa do Mundo de 2014 no Brasil.
Agora, foi a vez do presidente da Fifa, em visita ao Brasil, reforçar o lobby contra o estádio do São Paulo, como possível centro de abertura da Copa.
A tese é a de que o Morumbi não está, neste momento, preparado para receber jogos de excelência do Mundial.
Pergunto: qual dos atuais estádios brasileiros, neste momento, está? Nenhum. Rigorosamente, nenhum. Mas, isso não passa de um flagrante, um retrato de agora, o que nada tem a ver com a prospeção do futuro.
Mesmo porque, certamente, nenhum dos estádios candidatos, estará em 2014 como estão agora, óbvio.
Caso contrário, a Copa terá de ser transferido para outro país, claro.
O mais intrigante é que, das declarações de Sepp Blatter, flutuou uma peninha: diz ele que soube pelo prefeito de São Paulo que outro estádio será erguido pelo poder público na Capital, talvez uma profunda reforma do Pacaembu.
Bem, o Pacaembu está tombado pelo Patrimônio Histórico, o que implicará numa batalha extra para submetê-lo a qualquer reforma. Além do mais, é inaceitável que o poder público gaste um tostão sequer do nosso bolso para construir ou reformar estádios, desde que haja uma alternativa como o Morumbi, pertencente á iniciativa privada.
Todo e qualquer tostão a ser gasto pelo Município, Governo Estadual e União, deverá ser em benefício da população, obras de infra-estrutura, como metrô, avenidas, aeroportos, transporte coletivo etc.
Tem coisa aí, simpatia.
MASSACRES NA LIGA
Vi em tela dividida dois jogos da Liga dos Campeões Europeus. Pois, fora dois massacres técnicos e táticos, com resultados modestos pelo volume de ações ofensivas criadas tanto pelo Barça quanto pelo Barcelona: 2 a 0.
No Nou Camp, o Barça acuou o Dínamo de Kiev por quatro quintos da partida, e só não aplicou uma goleada histórica porque o goleiro ucraniano pegou tudo e mais alguma coisa, fora os gols desperdiçados.
Messi e Xavi deram as cartas.
Em Londres, o Arsenal, idem com batatas, contra o Olympiacos: plantou-se o tempo todo no campo adversário, meteu uma bola no travessão e fez o nome de Nikpolidis, o arqueiro grego, em tarde de Fabregas.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Copa do Mundo, Futebol internacional
Tags: Arsenal, Barcelona, Copa do Mundo, Fifa, Liga dos CAmpeões, MOrumbi
29/06/2009 - 15:27
Foi, sim, uma vitória épica, essa do Brasil sobre os EUA. Pelo desenrolar do jogo, não pela dimensão das forças em confronto.
Explico: se o Brasil metesse 3 a 0, como o fez no jogo da fase de grupos da Copa das Confederações, não haveria nem um traço épico nessa vitória, dada a imensa diferença histórica e técnica entre os dois times.
Épico, porém, não significa excelência técnica. Nesse aspecto, o Brasil não cumpriu – a não ser em breves momentos do segundo tempo – seus altos desígnios. Foi muito mais guerreiro, determinado do que qualquer outra coisa. Claro que esse atributo é também essencial, mas jogar bola, esse, sim, é o nosso destino.
Mas, virar um placar de 2 a 0 contra, numa decisão qualquer, nas condições em que isso ocorreu, com o adversário inteiro até o final, sem pênaltis ou gols ilícitos (ao contrário: aquela bola de Kaká entrou e o juiz não deu), é, sem dúvida, um feito épico.
Mas, passando de pato a ganso – e, neste momento, estou vendo três patinhos brancos deslizando no regato que banha meu jardim, como a saudar a vitória brasileira -, então, quer dizer que já temos o time da Copa e que Dunga está mais firme do que as Muralhas da China no comando da Seleção?
Bem, a não ser que advenha uma catástrofe irremediável, Dunga selou sua passagem para a Copa do Mundo, não apenas pela conquista da Copa das Confederações, com cinco vitórias – uma delas, sobre a Itália, campeã do mundo, mas, também, pela reação nas Eliminatórias nos jogos que precederam a ida à África do Sul.
Quanto ao time, não há nenhuma garantia, pois, até lá, sempre haverá a possibilidade de lesões, queda acentuada de rendimento deste ou daquele jogador, aparecimento súbito de um craque desses que estão acima de qualquer suspeita e tal e cousa e lousa e maripousa.
Esse time mesmo já teve bons e maus momentos, mesmo no curso das vitórias recentes. Isso faz parte. Mesmo porque há outros fatores, além dos técnicos e táticos, que contribuem para tanto – cansaço, falta de tempo para treinamento adequado, má fase deste ou daquele jogador etc.
Mas, digamos, como um exercício de imaginação, que essa turma toda chegue na Copa do Mundo nos trinques, o que ficará ainda faltando? Estou convencido de que falta uma alternativa tática confiável para quando as coisas não correrem do jeitinho que a gente gosta.
Na defesa e no ataque, não há muito o que se cogitar: os últimos convocados se suprem na medida do necessário. Mas, no meio-de-campo é que a porca torce o rabo. Há volantes demais e meias de menos.
Não custa nada Dunga trocar dois ou três volantes por dois ou três meias habilidosos. Vai que precisa, não é mesmo?
MURICY RETICENTE
Não tenho conversado com Muricy nos últimos tempos, apesar de vizinhos aqui em Ibiúna, onde ele descansa e reflete sobre seu futuro. Desconfio que ele anda agastado comigo, o que lastimo mas entendo. Afinal, passei, por baixo, este ano e meio pedindo para que Muricy mudasse o braço da viola, escapasse daquele círculo de giz que ele mesmo riscou ao seu redor, fixando-se num sistema que tornava seu time previsível, repetitivo e sem brilho.
A propósito, alguns internautas me cobram coerência: como, depois de tantas críticas, venho aqui condenar a demissão de Muricy do São Paulo?
Poderia, simplesmente, responder-lhes como o sábio: coerência é apanágio dos idiotas. Mas, não o farei, pois, não é esse o caso: ao mesmo tempo em que critiquei a postura tática inflexível do São Paulo de Muricy, antes mesmo, muitos anos atrás, venho repetido que se trata da maior vocação para técnico de futebol de que me lembro nas últimas décadas.
Uma coisa é o sistema adotado por Muricy; outra coisa é seu potencial como treinador de futebol, sua honradez, sua disposição de trabalhar de sol a sol na montagem de uma equipe, seus conhecimentos sobre os segredos do futebol, esse jogo tão simples em toda a sua complexidade.
O fato é que passei agora pouco pela frente do seu condomínio e me deaprei com uma fila de pretendentes aos seus serviços técnicos que atravessava a estrada.
Qual o clube que não quer Muricy, tricampeão brasileiro?
O primeiro a saltar na frente foi o Palmeiras, que, aliás, só se desfez de Luxemburgo, o mais vitorioso técnico brasileiro, depois que soube que Muricy estava na praça.
Muricy, porém, está reticente: aceita ou não aceita o convite? Pediu uns dias para pensar.
Num prato da balança está o pudor de assumir o grande rival do São Paulo, clube que está entranhado na sua alma simples e direta. No outro, o desejo da família de que ele continue mesmo por aqui, na rota São Paulo-Ibiúna-Guarujá.
Ora, se Muricy estivesse pensando em trocar o São Paulo pelo Palmeiras por vontade própria, por uma oferta irrecusável etc., esse sentimento de lealdade se justificaria plenamente. Mas, não é o caso. Muricy foi simplesmente defenestrado do Morumbi. Logo, ninguém poderia condená-lo por aceitar uma oferta do Palmeiras nessas circunstâncias.
O homem, porém, é a soma de seus desejos e hábitos, muitas vezes conflitantes. E o que Muricy gostaria mesmo, lá no fundo, era suspirar feito Greta Garbo: Leave me alone!
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Copa do Mundo, Seleção Brasileira, Treinadores
Tags: Copa das Confederações, Copa do Mundo, Dunga, Ibiúna, Muricy Ramalho, Palmeiras, São Paulo, Seleção Brasileira, Volantes
11/06/2009 - 00:34
Prova de que o Brasil está evoluindo está nesses 2 a 1, de virada, sobre o Paraguai, no Recife: é só comparar a atuação de Júlio César contra o Uruguai com a deste jogo.
Lá, foi um dos maiores destaques do nosso time, se não o melhor. Aqui, praticamente só bateu tiro de meta. E até o gol que sofreu – desvio de Elano, na cobrança de falta por Cabañas – serve de emblema, pois a Seleção não se descontrolou e foi buscar o resultado.
Primeiro, com Robinho. Depois, com Nilmar. E olhe que o Paraguai é um time bem mais equilibrado do que a Celeste.
No primeiro, a jogada nasce de um corte de Felipe Mello (cada vez, melhor), que serve a Robinho. Robinho abre para Kaká, que cruza para Robinho brigar com o beque, e a bola sobra para Kleber, que passa a Kaká. Kaká cruza, para Danie, na direita, recolher e devolver na área, onde Robinho, no segundo pau, toca de esquerda para as redes.
Conte o amigo paciente quantas vezes o nome de Robinho aparece nessa descrição, e depois me diga se Robinho é isso e aquilo que dizem por aí. (Ah, sim, perdeu aquele gol feito, chutando por cima, cara a cara com o goleiro, e deixou de dar dois passes para Kaká em momentos decisivos).
No segundo, já aos 5 minutos do segundo tempo, Felipe Mello enfia uma bola prodigiosa para Nilmar, na área, tentar o passe de peito para Robinho; mas a bola rebate no beque e sobra para o centroavante colorado dar o toque final.
Por falar nisso, como foi Nilmar, nome tão clamado por esse Brasil afora há algum tempo? Diria que foi bem, extremamente prejudicado pela marcação sólida dos paraguaios, que não se retrancaram lá atrás, mas também não perdiam o foco em nenhum momento do jogo.
Apesar disso, fez o gol da vitória, lutou muito e deu alguns toques de alta classe.
Todavia, os que mais chamaram a atenção foram, novamente, Felipe Mello e Daniel Alves.
Felipe foi, longe, o mais ativo e eficiente dos nossos volantes, marcando e armando as jogadas de frente, com estilo. E Daniel Alves cumpriu exemplarmente a dupla função do verdadeiro lateral – marcou atrás e se atirou ao ataque sempre que possível, com proficiência.
Por fim, Dunga, que fez as substituições corretas ao longo da partida, com as entradas de Pato, Ramires e Kleberson, nos lugares de Nilmar, Elano e Robinho.
Pato merecia mostrar seu jogo e Nilmar já estava dando sinais de cansaço. Elano era o mais apagado do trio de volantes e Ramires está tinindo. E Kleberson entrou para reforçar o meio-de-campo, no finalzinho, quando o Paraguai poderia surpreender.
Agora, é partir para a Mãe África, atrás da taça dos campeões continentais, uma pequena Copa do Mundo, laboratório para o autêntico Mundial.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Seleção Brasileira
Tags: 2010, África do Sul, Brasil, Copa do Mundo, Dunga, Nilmar, Paraguai, Robinho
23/03/2009 - 16:06
Sou de um tempo em que a Seleção Brasileira não ganhava nada – era um Sul-Americano aqui; outro ali, em meio século de futebol implantado em terras tapuias – se tanto. De resto, éramos fregueses contumazes de argentinos e uruguaios e carregávamos na alma o peso sombrio do Maracanazo, em 50.
E mesmo assim, o país se enrolava na bandeira da CBD (antiga CBF) a cada convocação do time nacional. E aguardava tenso pelo jogo que se aproximava, fosse um mero amistoso, fosse jogo de torneios continentais, fosse jogo de Copa do Mundo.
Vale observar que não era simplesmente por puro fanatismo nacionalista, essas fascistóides exibições de pretensas superioridades, não. Era, sobretudo, pelo prazer de ver reunidos num mesmo time os craques maiores que se espalhavam pelos clubes brasileiros, apesar de todas as desavenças geradas pelo regionalismo, o Rio-São Paulo eterno que dividia a opinião pública quanto à escolha desses jogadores.
Hoje, às vésperas de duas partidas importantíssimas, pelas Eliminatórias da Copa, há uma forte corrente contrária à Seleção, passando de boa parte da mídia para o torcedor – e vice-versa -, que despreza nosso time porque a elite dos jogadores brasileiros está além de nossas fronteiras.
Dizem que, ao cruzar o grande mar, o sujeito perde a alma verde-amarela, sugada, provavelmente, por um daqueles mitológicos monstros marinhos que tanto atrasaram a chegada de Colombo ao Novo Mundo. É mesmo?
Então, podemos dizer que Ronaldo Fenômeno e Rivaldo devem ser elevados à categoria de heróis míticos, verdadeiros Ulisses do século 21, pois fizeram a fatídica travessia e mesmo assim nos deram um título mundial, o quinto de nossa história, em terras do Japão.
Há os que sugerem, como receita para combater o mal da desalma dos nossos craques exportados, que a Seleção só abrigue, doravante, os que aqui estão. Haja seleções… Sim, porque basta o jogador ser chamado hoje para a Seleção que, no dia seguinte, já estará arrumando suas malas, espiando o outro lado do mar grande. Mesmo porque as sereias cantam sua sedução é aqui mesmo, em terra firme, emitindo sons muito semelhantes ao do tilintar de moedas.
Claro que a Seleção Brasileira não tem sido, nos últimos tempos, um exemplo de brio e técnica, embora levante mais Copas Américas do que no passado distante, e vença mais do que perde, nos últimos cinquenta anos de sua história. Claro que o negócio futebol, em que o jogador é a grande moeda de troca, ganhou vulto inconcebível nesta era, o que semeia dúvidas no coração e nas mentes do torcedor e de boa parte da mídia quanto aos reais motivos de possíveis deserções e maus desempenhos dos mais célebres dentre os convocados.
Toda dúvida, aliás, é sempre bem-vinda, no futebol ou na vida. Mas, quando se transforma em verdade absoluta, clichê, lugar-comum para explicar o inexplicável, vira fanatismo, o pior de todos os males de que sofre a raça humana. E a Internet, esse maravilhoso instrumento de comunicação entre as pessoas de todos os recantos do mundo, tem contribuido muito para disseminar essas dúvidas, obras sinistras dos monstros virtuais que substituem aqueles dos mares antigos.
De repente, um anônimo qualquer inventa uma conspiração aqui, uma desventura ali, e, pronto!, a patuléia engole e passa a expelir essa excrescência como a mais pura das verdades.
E o pior é que até mesmo prestigiosos membros da crônica esportiva embarcam nessa onda e são devorados por esses mesmos monstros.
A moda, agora, é dizer-se que Kaká é mais um desses zumbis sem alma, que vagam por entre o luxo e a riqueza, sem destino. Ou melhor: que se negam a cumprir seu destino patriótico, recusando-se a servir à Seleção.
Ora, o rapaz, que recusou outro dia proposta mirabolante do futebol inglês só para ficar no Milan, há um bom tempo não joga pelo seu clube, vítima de séria lesão. Voltou, semana passada, jogou vinte minutos e saiu mancando de campo, no exato momento em que o Milan precisa desesperadamente de seus préstimos.
O craque está machucado, gente! Por que é tão impossível acreditar nesse simples e trivial fato do futebol, inventando suposto desinteresse de Kaká em jogar pela Seleção Brasileira?
E veja o amigo que Kaká nem pediu dispensa, apenas tempo para ver se consegue se recuperar até os jogos pelas Eliminatórias. Por conta de tamanha pressão, nunca saberemos ao certo, caso Kaká jogue, se o estará fazendo no sacrifício ou numa boa.
Mesmo porque, se ele disser que foi no sacrifício, responderão que não passa de um fingido, que apenas está valorizando sua volta e desculpando-se de eventual mau desempenho. Se disser que havia se recuperado plenamente, a turma, então, plantará nos lábios aquele sorriso cínico e sentenciará: “Estão vendo? Não tinha nada, apenas queria tirar o corpo fora da Seleção”.
Pois é, e os monstros estão bem mansos e solidários lá no fundo do oceano primevo, onde o ser humano começou sua própria gestação.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Seleção Brasileira
Tags: Copa América, Copa do Mundo, Kaká, Milan, Rivaldo, Ronaldo
27/02/2009 - 14:59
Djalma Santos está completando 80 anos, sólido e feliz como se ainda fosse aquele lateral-direito assombroso que vi encantando os campos no início da década de 50.
Há dois, três anos, tive a honra e o prazer de dividir com Djalma um chalé em Mongaguá, como convidados para uma palestra de uma instituição cultural.
Djalma estava radiante porque, beirando os 80, iria se casar – como casou – com uma senhora de Uberlândia, que preencheria o resto de sua vida de viúvo. E contou mil histórias de sua carreira incomparável.
Tão incomparável que bastou participar de apenas um jogo, a decisão contra a Suécia, para ser eleito o melhor lateral-direito do mundo, na Copa da Suécia. Mesmo título que havia conquistado quatro anos antes, na Suiça, e completaria em 62, no Chile.
Pra quem não sabe, Djalma Santos foi um lateral-direito espetacular. Marcava como poucos. E, quando avançava – o que fazia com frequência -, cruzava na medida.
Na célebre excursão brasileira à Europa, em 56, marcou um golaço contra a Turquia, lá da lateral, num chute que ele mesmo me confessou ter sido um cruzamento errado.
Djalma era a exata combinação de força, marcação e espetáculo. Até mesmo em lances simples, vez por outra, Djalma enfeitava. Costumava realizar uma jogada plástica, sempre que a bola vinha alta para seu setor, deixava ela encobri-lo para devolver de calcanhar. Era um espanto!
Pra resumir: em qualquer parte do mundo, se pedirem uma Seleção Mundial de Todos os Tempos, para quem estiver ligado na história do futebol, a lateral-direita já tem um dono – o monstro sagrado Djalma Santos. A este não é preciso desejar longa vida, pois é eterna. Ao velho Rato, gente fina e querida, parabéns por mais este ano de vida.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Ex-jogadores
Tags: 80 anos, Chile, Copa do Mundo, Djalma Santos, Suécia, Suíça, Uberlândia
24/11/2008 - 14:29
Esse negócio de bi, tri, hexa, passa mais pela quantidade do que pela qualidade. O número 6 (hexa) é simplesmente o dobro de 3 (tri). Logo, a torcida tricolor sai por aí cantando vitória quase certa de véspera: “Hexa! Hexa!”.
Antes do hexa, vêm o penta, o tetra e o tri, e aqui paramos para um mergulho nas origens dessas denominações tão em voga hoje em dia no mundo do futebol.
Até a conquista do Tri, no México, essas expressões só se restringiam às séries seqüenciais, ano a ano – dois campeonatos seguidos, bi; três, tri e assim por diante. Isso, claro, com referência aos campeonatos estaduais, que representavam a base do calendário nacional. Vale lembrar que não havia campeonatos brasileiros, a não ser o Rio-São Paulo, por um período, depois transformado em Robertão, a par da Copa do Brasil, que era um mata-mata que só foi ganhar dimensão quando o Santos de Pelé se defrontou com o Cruzeiro de Tostão, briga de cachorro grande.
Em Copas do Mundo, jogada de quatro em quatro anos, esse negócio de bi só era usado para duas seleções nacionais; a Itália, bi em 34/38; e o Brasil, bi em 58/62. Mas, então, por que o Tri do México, já que 66 nos separava do bi convencional?
Em primeiro lugar, porque era a primeira seleção a conquistar três títulos, ainda que alternadamente. Em segundo lugar, porque, pelo regulamento da Fifa, quem levantasse a taça por três vezes, ainda que não sucessivamente, a levaria definitivamente para casa.
Era, pois, uma exceção, um instante histórico que jamais se repetiria, já que a Taça Jules Rimet não mais entraria em disputa até o fim dos tempos. Por isso mesmo, quando se fala da conquista do México, grafa-se o Tri com T maiúsculo.
Aliás, houve tremendo debate a respeito, na época: uns, contra essa denominação; outros, a favor, por sua excepcionalidade.
Mas, o que era exceção acabou virando regra aqui entre nós, sobretudo nas últimas décadas. E o pessoal passou a falar grego sempre que se referia aos títulos brasileiros obtidos por seu clube, mesmo fora de seqüência.
Pergunto, porém, ao tricolino amigo que já festeja antecipadamente o hexa que não veio ainda: o que vale mais? – os seis títulos alternados, ou os três sequenciais? Vai que o São Paulo, por um desses acidentes de percurso, perfeitamente possível, perca o título deste ano. Se ganhar o do próximo ano, será igualmente hexa.
Mas, tri, assim, um atrás do outro? Esse será um feito único, histórico, que, pelo andar da carruagem, levará muito tempo para deixar de ser exclusivo, dado o equilíbrio natural do futebol brasileiro.
Mais ainda para o São Paulo, que tem uma relação amarga com essa palavrinha mágica – tri. Basta dizer que é o único dos grandes paulistas que jamais conseguiu ser tri nas competições estaduais. Bateu na trave várias vezes – em 47, 50, 72, 82, sei lá quantas mais. Em 50, por exemplo, estava cinco pontos na frente do Palmeiras, e, nas últimas três rodadas, perdeu seis pontos e cedeu o empate para o Verdão, que levantou a taça, naquele 1 a 1 célebre.
Na Libertadores, tão cara aos torcedores mais jovens, idem, com batatas.
Logo, amigo tricolino, se quiser cantar vitória antes da hora, seja mais comedido e grite: “Tri! Tri! Neste caso, menos vale mais.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro
Tags: Brasil, Copa do Mundo, Cruzeiro, hexacampeonato, Itália, México, MOrumbi, Rio-SP, São Paulo, Tostão, tricampeonato
18/11/2008 - 14:20
Disse aqui que Luxemburgo parece estar atravessando seu inferno astral, o que não necessariamente se refere ao conceito astrológico da expressão. Nada disso. Falo daquelas fases na vida da gente em que os anseios colidem com o curso dos acotecimentos, criando uma desarmonia nos gestos, fala, no comportamento geral do sujeito, que acaba por reforçar as dificuldades.
A partir daí, você mete os pés pelas mãos, e a coisa só tende a piorar, até que seus anseios se reduzam ao níivel do possível e o amigo reencontra seu equilíbrio.
Não creio em astrologia, tampouco me atrevo a avançar no campo das psicos, um imenso mistério para mim. Mas, a vida nos dá algumas lições óbvias, que quase nunca servem pra nada, a não ser neste ou naquele caso.
Portanto, longe de mim, aconselhar Luxemburgo nisto ou naquilo. O bicho é bem crescidinho e senhor, como poucos, de seu ofício – dirigir um time de futebol. Limito-me apenas em constatar essa realidade, na soma dos seguintes fatos:
Luxa anseia como poucos – e com toda razão do mundo – ser o técnico brasileiro numa Copa do Mundo. Esteve perto disso, e até hoje não se conforma com a queda antecipada. E só caiu, naquela ocasião, porque seu comportamento fora do campo acabou influenciando diretamente na sua ação em campo.
O seu temperamento tenso, que se revela até quando ri, se o conduz à plena evolução como profissional, sempre em busca do melhor, vai criando em torno de si uma aura de rejeição proporcional às suas inúmeras conquistas em campo. Assim, cada passo em falso de Luxemburgo, de imediato, se transforma numa hecatombe. Um fenômeno exatamente oposto, por exemplo, ao de Felipão, a quem tudo se perdoa.
Ganha muito dinheiro, é arrogante, chorão, tem um ego do tamanho do mundo, vai à Globo quando devia ter ido dirigir seu time na Sul-Americana, substituiu errado neste e naquele jogo, disse isso, disse aquilo, a soma dessas quireras basta para abrir campo aos que não gostam de sua personalidade avançar nas críticas. E ele, obviamente, não sabe conviver com o contraditório, o que acaba interferindo diratemente no seu trabalho, de hábito muitíssimo eficiente.
Resumindo: há exageros de parte a parte. Mas, se me fosse dado aconselhar Luxa, nesta má hora, recorreria ao velho ditado caipira: passarinho, na muda, não pia. Ou, se preferir, aquele de Madureira, que lhe é mais caro: malandro que é malandro não estrila, espera pra tirar a forra.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro
Tags: astrologia, Copa do Mundo, Madureira, Rede Globo, Vander
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