Copa Do Mundo | Blog do Alberto Helena Jr.

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Posts com a Tag Copa do Mundo

sábado, 4 de junho de 2011 Sem categoria | 18:57

MANO E O LUGAR-COMUM

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Por Milton TrajanoO Brasil começou e terminou o jogo contra a Holanda, sob vaias da torcida no Serra Dourada, com três volantes. Quer dizer, só não terminou com três volantes porque Ramires foi expulso. E, na maior parte do tempo, foi aquele ramerrão, muito pega-pega no meio de campo e raras emoções no ataque.

Houve, apenas um breve momento em que a Seleção Brasileira quebrou o lugar-comum e criou uma série de boas oportunidades, com Robinho, Neymar etc., no início do segundo tempo, sobretudo, depois da entrada de Lucas no lugar de Elano.

Mas, logo, Mano retornou ao esquema com três volantes, ao trocar Robinho por Sandro, o que animou a Holanda  a se aventurar ao ataque.

Ao assumir a Seleção, Mano deu sinais de que não só promoveria uma reformulação de elenco, mas, principalmente, de mentalidade, mudando a forma de nosso time jogar. Mas, aos poucos, começou a refluir para o clichê convencional de nossos times e até mesmo da Seleção que disputou a Copa do Mundo na África.

Fórmula que contraria inclusive sua maneira de pensar. Ainda é tempo de Mano escapar dessa armadilha ardilosa, aquela que recomenda não correr riscos para não criar marolas. Ao contrário: as vaias do Serra Dourada refletem bem que o torcedor brasileiro já está de saco cheio com esses sistemas em que a cautela pragmática submete a aventura e a imaginação, atributos eternos de nosso futebol.

Notas relacionadas:

  1. TIMÃO, INTER, GRÊMIO, VERDÃO E SELEÇÃO
  2. O MODERNO E O ANTIGO
  3. E PODE?
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quarta-feira, 30 de março de 2011 História, Seleção Brasileira | 15:50

O FANTASMA DA ÁREA

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Cafu é um dos maiores recordistas da história, além de ter sido titular da lateral-direita da Seleção Brasileira por mais de dez anos. Basta dizer que é o único craque do planeta que disputou quatro finais de Copa do Mundo, levantando a Taça por duas vezes, na última, como capitão.

Daqui a cem anos, quando morrer de velhice e seu caixão coberto pela bandeira nacional estiver sendo levado à morada final, alguém sentenciará: “Lá vai Cafu, o lateral que não sabia cruzar”.

Pois assim é o futebol: cola-se no sujeito um rótulo, verdadeiro ou não, e o infeliz o carregará vida afora, sem perdão.

No caso de Cafu, a coisa toda começou com a obsessão do saudoso Mestre Telê pelo cruzamento exato, perfeito. Não só Cafu, mas Edevaldo e outros tantos laterais sob o comando de Telê, sofreram e se beneficiaram da persistência do treinador, que, para os mais desavisados, era um sinal de que o craque não conseguia acertar o lance.

Não era. Era, isso sim, a compulsiva busca da perfeição por parte de quem, como jogador, fora mestre nesse tipo de jogada.

Como acompanhei a carreira de Cafu desde seus tempos de juvenil no São Paulo, esse estigma pregado na testa do craque me levava às vezes á indignação.

Cera vez, li na imprensa italiana o que meus olhos me diziam a cada rodada: Cafu era o rei das assistências na Roma. Cerca de 60 por cento dos gols romanistas nasciam dos cruzamentos perfeitos de Cafu.

Bastava, porém, Cafu vestir a camisa canarinho e lá vinha a mesma cantilena: não sabe cruzar!

Numa dessas ocasiões, perguntei ao Cafu o que acontecia, afinal.

- Olhe lá dentro da área e você verá a diferença – respondeu-me o craque com aquele sorriso maroto do Jardim Irene.

Realmente, esse é um vezo do futebol brasileiro em geral nos últimos dez, quinze anos: com medo de levar contragolpes, nossos treinadores viciaram até os atacantes a ficar todo mundo aquém da linha da bola. Então, o lateral vai ao fundo, cruza e lá na área, um ou, no máximo, dois atacantes se aventuram a disputar essa bola contra quatro ou cinco defensores.

Sou do tempo em que o ataque dos cem gols do Corinthians formava uma verdadeiro leque na área inimiga quando Claudio preparava-se para cruzar da direita: Luisinho, no bico esquerdo da grande área, Baltazar, na marca do pênalti, Carbone um pouco além e Mário fechando pelo bico direito da pequena área, lá na extrema esquerda da linha alvinegra. Passasse a bola por um, por dois, não passaria do terceiro ou quarto.

Outro dia, Cafu esteve no Bem, Amigos, e, levantada essa bola pra ele, foi incisivo:

- Na Europa, é de lei ter, pelo menos, três atacantes na área, quando o lateral ou ala prepara o cruzamento. Isso é treinado e exigido por todos os t[ecnicos. Aqui, não. Ao contrário.

Pois é.

Notas relacionadas:

  1. GRAÇA E PREOCUPAÇÃO
  2. UM FESTIVO DIA DE CÃO
  3. É MAIS OU MENOS ISSO AÍ
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terça-feira, 10 de agosto de 2010 Seleção Brasileira | 23:17

O MILAGRE DO BOM SENSO

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Saiu melhor do que a encomenda: dois gols, um terceiro anulado injustamente pelo árbitro, mais cinco chances claras para ampliar o marcador e um baile em alto estilo do Brasil sobre os EUA, lá na casa deles.

Isso, por parte de um time que sequer fez um coletivo nas regras da arte contra outro, formadinho e em alto astral pela excelente campanha cumprida na Copa do Mundo.

Qual o milagre? O milagre do bom senso. Aquele que reza o óbvio abandonado há muito tempo pelo futebol brasileiro: basta colocar em campo um grupo de jogadores de habilidade, inteligência, técnica refinada e fome de gols que a coisa rola redondinha.

E, como se previa antes mesmo da Copa do Mundo, Neymar, Ganso e cia. desfilaram com a camisa da Seleção Brasileira como se estivessem atuando na Vila ou brincando na praia de  jogar bola, que é nosso desígnio e maior trunfo desde sempre.

Notas relacionadas:

  1. A VEZ DE AMAURI
  2. A VEZ DE AMAURI
  3. SINTONIA FINA
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sábado, 10 de julho de 2010 Copa do Mundo | 17:56

ALEMANHA, COM JUSTIÇA

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O jogo foi disputado sobre o fio da navalha, literalmente, até o último lance, depois de Kiessling perder gol feito – aquela falta cobrada por Forlán, no travessão, . Dez centímetros pra baixo, e iríamos para a prorrogação, e, quem sabe, aos pênaltis, com desfecho imprevisível.

Mas, creio que se fez justiça: ao aguerrido, quando não heroico Uruguai, o quarto lugar, honrosa e inesperada posição para um time que, se não encantou pela técnica, comoveu pela entrega.

E, o terceiro lugar, prêmio de consolação para a Alemanha, time que ofereceu os momentos mais emocionantes e belos da Copa, praticando um futebol leve, inteligente, ofensivo e irradiando juventude de um grupo de garotos que ainda darão muito o que falar.

No toque da jabulani, especificamente, na revirada por 3 a 2 dos alemães, vale dizer que, mesmo desfalcada de alguns jogadores-chave, como o lateral Lahm e o atacante Podolski, dominou a maior parte do jogo, e criou as melhores chances para marcar.

Grande jogo e sugestivo prenúncio para a final deste domingo.

Notas relacionadas:

  1. UNIÃO É GRUPO
  2. O CIVILIZADO MANO
  3. ESPANHA, OLÉ!
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domingo, 27 de junho de 2010 Copa do Mundo, Seleção Brasileira | 17:55

O PASSADO NOS ABSOLVE

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Direto de Johanesburgo – O passado nos absolve. Afinal, o Chile é velho freguês de caderneta. Mas, cada jogo é um jogo. E este é definitivo. Se perdermos, voltamos pra casa, com o rabo no meio das pernas, ganindo, como um cachorrinho ferido.

O que nos dá esperanças maiores, sem dúvida, é a presença da dupla Kaká e Robinho. Sem ela, somos como qualquer outro. Com ela, sobretudo se Kaká confirmar a evolução em sua busca pelo ideal físico e técnico que revelou no segundo tempo do jogo contra a Costa do Marfim, antes de ser expulso, podemos cantar de galo.

É a velha história: qualquer time do mundo depende deste ou daquele jogador. Se o ungido estiver em campo, já é outra coisa. E, se baixar a inspiração, então…

Técnico, como todos eles mesmos costumam dizer, significa algo em torno de 30 por cento do rendimento da equipe.

Há os que sabem treinar bem a equipe. Há os que sabem motivar o grupo. E há os que sabem combinar na exata medida as duas coisas. Estes são raros.

Mas, em qualquer circunstância, no fim, quem decide é o jogador.

Ao treinador, cabe escolher metodicamente os jogadores que comporão seu grupo, e, em seguida, treiná-los dentro dos padrões adequados.

Alguém como Robinho

Eis por que, depois do jogo com Portugal, aquela exibição precária dos dois times, me surpreende a declaração de Dunga, segundo a qual, faltou ao Brasil um jogador com a habilidade de Robinho para romper a retranca lusitana.

Faltou por que? Ora, faltou porque não há no elenco convocado pelo próprio Dunga um jogador com essas qualidades. Pelo menos, um!

O amigo poderá redarguir que simplesmente não temos outro Robinho no cardápio de opções do mercado. Será? Talvez, não exatamente no mesmo nível, mas algo parecido, ah, isso temos aos baldes. Aqui e lá fora.

Pra ficarmos com apenas dois relacionados entre os sete fora, podemos citar Ganso e Carlos Henrique, pra não falar no menino Neymar. Aliás, se uma grande vantagem o futebol brasileiro leva sobre o estrangeiro em geral (exceção ao argentino) é a produzir jogadores com essas características em número maior do que qualquer outro.

O foco, contudo, aqui e agora é o Chile, nosso adversário desta segunda-feira.

Passaremos

Pois, digo que passaremos. Não apenas pelo histórico que cerca esse confronto, mas até pela forma cautelosa de jogar do Brasil de Dunga, apesar da evolução vivida pelos chilenos sob o comando de Marcelo Bielsa. Entre outras coisas, porque Valdívia, o jogador de exceção dos chilenos, nesta Copa, está sendo pálida imagem daquele Valdívia que vimos no Palmeiras.

Entretanto, é bom ter cautela com esse adversário. Assim como contra todos os demais. Afinal, isto é Copa do Mundo, e cada jogo pode ser fatal.

JOGO DE CAMPEÕES

E mais um campeão do mundo cai fora da Copa antes da hora. Mas, este, ao contrário da França, que entrou e saiu pela porta dos fundos, ou a Itália, que foi um verdadeiro fiasco, a Inglaterra, apesar do bombardeio alemão, morreu com honras.

Jogou de peito aberto com a Alemanha, levou dois gols no primeiro tempo, fez o seu e mais um, que a arbitragem não deu, num disparo de Lampard de fora da área, cuja bola chocou-se com o travessão e tocou o chão quase um metro além da risca. O que soou para os germânicos como um revide ao contestado gol inglês na final de 1966.

No segundo tempo, porém, quanto mais os ingleses buscavam o empate, mais os alemães acertavam sua pontaria, em jogadas tramadas ou em rápidos contragolpes foram ampliando o placar até chegarem aos 4 a 1 finais.  Um jogaço, digno de dois campeões do mundo, com exibição irretocável de Schweistenegger, Muller, Podolski, Klose e Olzi, o quinteto ofensivo da Alemanha. Na verdade, digna de uma final de Copa do Mundo.


ARGENTINA SOBRANDO

No outro grande jogo desta fase das oitavas de final, a Argentina passou, com categoria, pelo bom time do México: meteu 2 a 0 ainda no primeiro tempo, e ampliou com Tevez, no segundo, para tomar um gol de fora da área, no ângulo.

E, assim, a Argentina vai se colocando, ao lado de Alemanha, com um dos times que está conseguindo obter resultados significativos ao lado de um futebol agradável de se ver, até aqui.

Notas relacionadas:

  1. VOLANTE VOLA
  2. HABEMUS TIME?
  3. O BRASIL QUE EU GOSTARIA
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sábado, 26 de junho de 2010 Copa do Mundo, Seleção Brasileira | 18:12

SEM FELIPE, JOSUÉ?

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Direto De Johanesburgo – Pelo visto, Felipe Melo não enfrentará o Chile, no jogo do Brasil pelas oitavas de final. Perda considerável, já que o volante vinha cumprindo bem sua função, e, embora na corda bamba por seu temperamento explosivo, pelo menos, era dos meio-campistas aquele capaz de executar um passe mais longo.

Se Dunga mantiver seu perfil conservador, Josué entrará em seu lugar. Encurta o passe, num jogo mata-mata, em que só a vitória interessa.

Haveria, claro, a possibilidade de Ramires, um volante mais agressivo, assumir o lugar de Felipe. Mas, não creio que essa possibilidade será levada a sério por Dunga, que considera Ramires um meia.

E, aí, pergunto: o que faz Kleberson nesse grupo? Nem é aproveitado como volante, nem como meia, nem como atacante. Em contrapartida, seguimos não tendo um meia de habilidade capaz de dar ritmo e ciência ao nosso meio de campo.

A sorte da nossa Seleção é que o nível técnico do campeonato é tão baixo que crescem as nossas chances de chegar além, além das nossas possibilidades reais.

Sobretudo, porque voltam Robinho e Kaká.

URUGUAI E GANA

O Uruguai penou para vencer a Coréia do Sul, por 2 a 1, dois gols de Luisito Suarez, o segundo, uma pintura de técnica e percepção – bola colocada com régua e compasso de fora da área, no canto esquerdo do goleiro.

O fato é que ninguém dava um tostão pelos uruguaios antes da Copa. Mas, dadas as circunstâncias, ei-los já nas quartas de final, um feito!

Agora, se prepara para enfrentar Gana.

Gana, o único africano sobrevivente na Copa, mostrou diante dos EUA um futebol mais palatável, próximo do nosso e distante das demais seleções negras, submetidas nos últimos tempos ao pragmatismo dos técnicos brancos europeus.

Fez 1 a 0, tomou o empate, foi para a prorrogação, e, lá definiu a questão: 2 a 1.

Os EUA vêm progredindo, ano a ano. Mas, enquanto aqueles negrões do Harlem não forem seduzidos pelo jogo da bola, o caminho ainda será longo.

Notas relacionadas:

  1. VOLANTE VOLA
  2. BRASIL E ESPANHA
  3. CHAVEZINHA MANEIRA, A NOSSA
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sexta-feira, 11 de junho de 2010 Copa do Mundo | 13:05

ROLA, JABULANI, ROLA!

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Direto de Johanesburgo – A cidade amanheceu ensolarada, como de hábito nestes dias, com um vento mais ameno do que o de ontem, aço frio de mil punhais perfurando a grossa jaqueta comprada há dezesseis anos na Copa dos EUA com o emblema do NY Team.

Mas, o calor maior vem do som persistente e uníssono, num tom próximo ao de contralto, das vuvuzelas, essas cornetas africanas que são o encanto e o horror de Johanesburgo.

Ainda no jantar da véspera, num pub irlandês, cujo dono, ironicamente, é o português João, fui submetido a uma tortura tão insuportável que quase me declarei publicamente ser o cabo Anselmo em pessoa. Pra quem não sabe, cabo Anselmo foi o símbolo da traição da resistência à ditadura militar no Brasil.

Em duas mesas repletas de brancos e um japonês, os comensais se revezavam na arte de tirar sons de uma vuvuzela, que passava perdigotos de boca em boca, ao pé de meu ouvido, aos gritos e risadas histéricas.

Ao fundo, ou ainda mais alto, o som do show de abertura da Copa, um desfilar de cantores e cantoras internacionais, cuja estrela maior – Shakira – provocava estertores na moçada cada vez que aparecia com seus trejeitos e rebolados, numa versão mezzo sul-africana  da abominável Macarena de anos atrás, misturada com a dança do piu-piu do nosso inefável Gugu.

Ah, as vuvuzelas! Disse que são o encanto e o horror desta cidade aprazível. E cometo aqui uma confissão de culpa irremissível.

Outro dia, numa mesa do café do hotel, ouvi uma inconfidência de Lúcia, mulher do Veríssimo, mais que companheiro de outras viagens, mestre silencioso na arte das palavras: tramava a digna senhora uma falseta para o marido ilustre – dar de presente à netinha uma dessas vuvuzelas e instigá-la a acordar o vovô todas as manhãs, ao som mais irritante do mundo.

Em retribuição à gentileza que Lúcia me fizera dias antes, comprando-me um cosmético qualquer em suas andanças pela cidade, dei-lhe a tal vuvuzela. Ganhei dela um sorriso velhaco. Do Veríssimo, o silêncio eterno.

As cornetas, porém, continuam a soar, enquanto filas e mais filas de carros se encaminham lentamente para o estádio, onde África do Sul e México, finalmente, botam a bola da Copa, a famigerada  Jabulani, pra rolar.

E a Jabulani rola

O estádio é belíssimo, na sua arquitetura pneumática, inaugurada na Copa da Alemanha. E o show de abertura, de muito bom gosto, trocando os efeitos pirotécnicos de alta tecnologia por uma sucessão de danças e cantos nativos, estilizados, claro, pois tem de provocar uma leitura universal.

Afinal, a África do Sul é o país anfitrião, mas a Copa é do Mundo.

O mundo, porém, torcia pela África do Sul, não só pela simpatia irradiada por seu povo, por sua história, por essa figura singular de Mandela, cultuado aqui como um deus. Se deus não é, Mandela é uma lição eterna para todos os homens públicos, de qualquer fala, de qualquer cor, de qualquer canto do planeta. Pois, se não fosse tão especial no universo do poder, estaria agarrado ao trono até o último suspiro.

Jubilani rolando, no entanto, o México toma conta das ações, sob o comando de Giovanni dos Santos, brasileirinho mexicano de nascimento, filho de Zizinho (não confundir com o Mestre Ziza, please, Sir), um meia habilidoso que surgiu nos anos 80 ou começo dos 90, já não me lembro bem como grande promessa do São Paulo e que, muito cedo, partiu pras bandas dos astecas.

Giovanni, que chegou a jogar no Barça, e Vela, do Arsenal – um, pela direita; outro, pela esquerda – deitaram e rolaram no ataque mexicano. Cada um perdeu um gol feito, enquanto Giovanni marcava outro, em impedimento. Mas, quem bateu o recorde foi o centroavante Franco, cujo principal atributo é o cabeceio. Franco perdeu três chances claras, duas justamente de cabeça.

Os africanos, evidentemente tensos pela sobrecarga natural nessas ocasiões, mais a inexperiência flagrante de seus jogadores, com as exceções de praxe, como Pienaar, por exemplo, que já jogou na Holanda e na Inglaterra, arriscaram alguns poucos contragolpes inócuos. Num deles, pela direita, se o jogador deixa a bola passar, seu companheiro chegaria na cara do gol. Mas, nas bolas paradas, pelo alto, criaram duas boas chances em sequência.

Contudo, no comecinho do segundo tempo, bola lançada com precisão para a esquerda do ataque africano, Thsabalala chegou em desabalada carreira e, de canhota, fuzilou, abrindo a contagem: 1 a 0, Bafana-Bafana.

Os mexicanos sentiram a pancada, mas, mesmo assim, Giovanni ainda conseguiu um disparo fatal, defendido espetacularmente pelo goleiro bafana. Na sequência, Moses perdeu gol feito, e a África do Sul passou a exibir maior confiança e tomou conta do espírito do jogo, inflado pela torcida delirante.

A ponto de seu lateral-direito sofrer pênalti, na pequena área, que o juiz preferiu olvidar.

O jogo seguiu sobre o fio da navalha, tenso e corrido, até que, aos 34 minutos do segundo tempo, Rafa Marquez, aquele do Barça, colheu cruzamento da esquerda para empatar com o pé direito: 1 a 1.

E, já no finalzinho do jogo, M’Pha mete a bola no pé da trave mexicana.

Confesso que esperava um joguinho daqueles, chatos, cheio de erros de passe, essas coisas a que estamos acostumados por aí. Pois, foi exatamente o contrário – um jogo digno de uma abertura de Copa do Mundo.

As vuvuzelas voltaram a soar e a cidade dorme o sono do meio-sorriso.

Joguinho de campeões

Dois campeões do mundo: Uruguai versus França. Pois, não poderia ter sido um joguinho mais vagabundo.

A França, sem a menor criatividade. O Uruguai, todo lá atrás, esperando que Diego Forlán resolvesse tudo lá na frente.

Resultado: zero a zero. Um zero a zero de encher a paciência de qualquer um.

Notas relacionadas:

  1. CHEIRO DE ARROZ QUEIMADO
  2. COMEÇO ANIMADOR
  3. A VEZ DO MALANDRO
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quarta-feira, 9 de junho de 2010 Copa do Mundo, Seleção Brasileira | 11:38

UM FESTIVO DIA DE CÃO

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Direto de Johanesburgo – Esta quarta-feira foi uma longa perda de tempo. Passei a manhã toda indo de seca em meca atrás dos ingressos ds jogos escolhidos, em vão. O pior é que já sabia disso. Quem não sabia dar uma informação segura era  a turma da organização do evento, todos muito simpáticos, mas pouco eficientes.

Partimos, então, a 120 por hora, que é a velocidade permitida nestas rodovias larguíssimas, para o Randing Park Golf  Club, hotel da Seleção, para, ávidos, ouvirmos o que Gilberto Silva e Gomes tinham a declarar na entrevista coletiva de praxe.

Na verdade, a única coisa que queria saber de Gilberto Silva era por que a nossa defesa, tão boa e tão bem protegida pela legião de volantes à sua frente, foi por tantas vezes vencida pelos atacantes do Zimbábue e da Tanzânia.

Resposta: eles só jogaram assim porque não tinham nada a perder; fosse na Copa, a história seria outra.

Não explica tudo, mas, obviamente, é o que nosso craque poderia dizer em público.

Gilberto também justificou a má performance de seu parceiro Felipe Melo contra a Tanzânia classificando-a como apenas um mau momento do companheiro. Idem, com batatas.

Por fim, trocamos o leve recreativo, como se dizia antigamente, do time brasileiro, no campo do hotel, por uma espiada à gigantesca festa promovida pela prefeitura de Johanesburgo no centro da cidade.

O povo todo foi às ruas, vestido de amarelo e verde, tocando as ensurdecedoras vuvuzelas, para saudar a proximidade do início da Copa e sua Seleção – a Bafana-Bafana. Umas festa alegre e um tanto ingênua, demonstrando, enfim, que o espírito da Copa incorporou-se no sul-africano – brancos e negros, todos misturados -, até então muito mais  dividido entre o rúgbi e críquete do que centrado no futebol.

E o dia terminou num largo sorriso.

La Fúria em fúria

No seu último amistoso antes de embarcar para África do Sul, a Espanha, uma das mais sérias candidatas ao título mundial, simplesmente massacrou a Polonia: 6 a 0. Só no toque-toque, a la Barça.

Mas, desembarca aqui com uma ruga na testa: Iniesta, uma das estrelas da companhia, sofreu lesão muscular que deve tirá-lo da partida de estreia.

Aliás, esse tem sido o maior problema de Iniesta, um craque com a bola nos pés e um bom companheiro no combate ao adversário – as lesões intermitentes que o perseguem nos dois últimos anos.

Notas relacionadas:

  1. PRA FRENTE, DUNGA!
  2. VOLANTE VOLA
  3. GRAÇA E PREOCUPAÇÃO
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terça-feira, 8 de junho de 2010 Copa do Mundo, Seleção Brasileira | 09:46

SINTONIA FINA

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Segundo o técnico Dunga, finda a fase de amistosos pré-Copa com a goleada por 5 a 1 sobre a Tanzânia, só resta agora ajustar a sintonia fina.

O time é esse, o esquema é esse, e fim de papo.

Mas, quais serão os ajustes finais?

Bem, confesso que fiquei com uma pulguinha atrás da orelha em relação ao lado esquerdo de nossa defesa, guarnecida (ou, melhor: desguarnecida) por Michel Bastos, tendo Felipe Melo e Juan na cobertura.

Tanto o Zimbábue quanto a Tanzânia insistiram por ali e chegaram com muita frequência à posição do disparo final. Só não vararam nossa meta na proporção das chances criadas porque eles são muito ruins em finalização, quando não, Gomes conjurou.

Embora lateral-esquerdo de origem, Michel Bastos não vem atuando nessa posição na França, e isso pode justificar um certo desacerto por ali. Há, também, que se descontar o fato de que ninguém está a fim de se estourar antes do tempo. Em plena Copa, a turma vai se desdobrar quando o perigo medrar perto de nossa área.

Vale também a mesma observação para os três volantes – Gilberto Silva, Felipe Melo e Elano, que permitiram, igualmente, investidas pelo meio da área incompatíveis com o alto saldo de nossa defesa nestes quatro anos de preparação.

E a armação?

Outro ajuste deverá ocorrer na zona de criação do time brasileiro.
Kaká, todos sabemos, está em fase de recuperação. Portanto, carece de mais ritmo de jogo e preparo físico para fazer a dupla função que lhe cabe: armar e chegar para as jogadas de decisão.

Apesar de demonstrar muita disposição para sair dessa, está errando passes demais, o que prejudica a ação da dupla ofensiva – Robinho e Luís Fabiano.

Peralá, meu! Fizemos cinco gols e você taí falando que o time não ataca como devia? – replicará o nosso querido Pachecão da hora.

Alguém aí duvida de que, se nosso time estivesse realmente nos trinques, mais do que as cinco chances criadas e convertidas, deixaria de criar outras tantas contra a frágil e ingênua defesa da Tanzânia?

Robinho se desdobra

Nossa vantagem, até aqui, contando-se os coletivos e os dois jogos-treinos, é que Robinho está na ponta dos cascos, o que lhe permite fazer a dele e a de Kaká. Não só porque tem bola pra isso, como, sobretudo, porque é o único da equipe que está no meio e não no fim de temporada, pois joga no Brasil.

Dunga terá mais uns cinco, seis dias, já que nesta terça-feira foi folga geral da companhia, antes da estreia contra a Coréia, time de muita correria e pouco futebol. Em todo caso, é bom ficar esperto.

Kaká e o estilo

Por falar em Kaká, lembro-me que na Copa passada, na Alemanha, tive um papo exclusivo com o nosso craque, quando lhe perguntei se ele cogitava, num futuro próximo, transformar-se em autêntico meia-armador, daqueles organizadores de jogo, um pouco mais atrás, passando, lançando, determinando, enfim, o ritmo e a cadência de seu time.

Kaká, de pronto, rechaçou. Afinal, quatro anos mais jovem do que hoje, em plena vitalidade, a um passo de ganhar o título de melhor do mundo, nem pensava em abandonar seu estilo fogoso, feito de vertiginosas arrancadas em direção à meta adversária, essas coisas.

Na verdade, quando me referia ao futuro, não era apenas dele, mas tambem da Seleção Brasileira, que há tempos não dispõe de um craque nessa função tão nobre e fundamental.

Não sei se uma coisa tem a ver com a outra, não sou médico, tampouco fisioterapeuta para falar de cátedra. Mas, o senso comum me diz que as lesões recentes do craque são um sinal de que o esforço despendido na função de meia ponta-de-lança começa a cobrar seu preço.

E que, se Kaká, ao longo destes quatro anos tivesse contido sua compulsão ao ataque e se esmerado mais no trabalho de criação, teria se poupado de tanta amolação. E, mais: conferiria ao time brasileiro, neste exato momento, um poder extra de que tanto carece em meio a tantos volantes.

Notas relacionadas:

  1. CONQUISTA HISTÓRICA DO BRASIL
  2. COMEÇO ANIMADOR
  3. MENSAGEM PARA DUNGA
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quinta-feira, 3 de junho de 2010 Campeonato Brasileiro, Copa do Mundo, Seleção Brasileira | 15:17

MENSAGEM PARA DUNGA

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Direto de Johanesburgo – Os discursos de Dunga, nas entrevistas coletivas, estão ficando quase tão tediosos, por repetitivos e revanchistas, como o jogo da sua Seleção.

Não há pergunta de jornalista, a mais direta e técnica possível, em cuja resposta Dunga não dê uma volta para revidar com alguma observação espicaçando a imprensa esportiva brasileira.

Nesta quarta-feira, idem com batatas, durante os cerca de 40 minutos em que ele e Jorginho estiveram sobre o palco armado no salão do Randing Parke Golfe Club.

Jorginho, então, intempestivamente, passou a fazer uma exaltada peroração, que culminou com uma bravata: “Não estou generalizando, mas há quem vem aqui e não faz perguntas. Quero ver se esse tem coragem, agora de levantar a mão!”

São falas desmedidas, primárias, toscas, obviamente provocativas, opostas ao tom conciliador que a imensa maioria dos jornalistas que frequentam essas conferências desde o primeiro momento.

Como me disse o Milton Neves, depois da entrevista, Dunga até agora não falou das 31 seleções restantes. Até parece que o único adversário do Brasil na Copa é a imprensa brasileira. Aliás, por falar em Milton Neves, meu querido confrade, às vezes, exagera, mas não mente, como o slogan do fofoqueiro Rubens.

Eis que o Milton Neves me confidencia que, há algum tempo, numa champanhota, como diziam os antigos colunistas sociais, Dunga meteu a boca em mim. Coisas do tipo: esse Helena se acha mais inteligente do que todo mundo e tal e cousa e lousa e maripousa.

Ledo engano. Mesmo porque meus 160 de QI atestados pelos laboratórios da USP, quando ainda saindo da adolescência, depois de tantos anos queimando neurônios, já devem ter se reduzido à metade. De quase gênio, a quase imbecil.

Mas, toda vida me dediquei a aprender, a ler sobre tudo e especialmente procurar entender o futebol, sob todos os seus aspectos. E, sobretudo, ouvir os mais velhos, aqueles que tinham sido testemunhas de tempos anteriores aos meus.

Tenho, pois, seguramente mais tempo de estrada do que Dunga e Jorginho juntos. E muito, muito mais conhecimento sobre a história do futebol, a evolução dos sistemas táticos etc.

Privei do convívio com os mais hábeis e famosos treinadores brasileiros (alguns estrangeiros) de todos os tempos, desde Flávio Costa, Feola, Aymoré Moreira, Zezé Moreyra, Tim, Ênio Andrade, Oswaldo Brandão, Oto Glória, Rubens Minelli, Cláudio Coutinho, Telê Santana, Felipão, Parreira, Zagallo, até os atuais Luxemburgo, Muricy e outros tantos.

E, deles, colhi ensinamentos inestimáveis sobre os segredos do futebol. Vi mais treinos e jogos de Seleção Brasileira que nem Dunga, nem Jorginho podem imaginar.

Ora, como não tenho nenhuma antipatia pessoal contra ambos, apenas discordo veementemente de algumas de suas posições a respeito do futebol e da vida, sinto-me à vontade para mandar-lhes um recado de quem tem idade pra ser seu pai.

Parem com essa bobagem, essa infantil compulsão para a revanche.

Limitem-se a falar sobre futebol, que vocês conhecem porque estiveram lá, pois, quando saem fora desse roteiro, pisam na bola de forma inaceitável, pra quem tenha um pouco de conhecimento.

Abram as portas da concentração e da mente para novas ideias e o convívio ameno com seus compatriotas, já que esse nacionalismo vesgo faz parte da índole dos dois e até de boa parte da imprensa.

Vai ser melhor para todos, principalmente pra vocês. 

charge seleção brasileira QIxQI

Jorginho, Dunga e Ricardo Teixeira em charge por Milton Trajano

 

FESTA PARA A SELEÇÃO

A presença da Seleção, numa tarde luminosa, apesar do vento gelado, no pequeno mas agradável estádio do Noroka, aqui em Joanesburgo, foi uma imposição da Fifa. Garanto, porém, que os jogadores adoraram a recepção festiva por parte de cerca de cinco mil bafanas-bafanas que receberam os ingressos pra ver nossos craques numa atividade mais de descontração do que de concentração.

Com suas vuvuzelas, as cornetas típicas dos torcedores africanos, eles embalaram, com um suingue incrível, as rodas de bobinho, os exercícios físicos e os treinamentos dos goleiros: uma sessão de cornetas fazia o canto e outra o contraponto, num balanço rítmico contagiante. Essa gente é nossa, sem dúvida, a partir do instante em que a seleção daqui cair fora da disputa. Vale preservar essa relação.

ADILSON E KLEBER

Adilson deixou o Cruzeiro. Já estava muito desgastado, é verdade. Não posso afirmar, mas desconfio que acabará no Palestra Itália, se não for para a Gávea. Confesso que não sei o que deu errado no Cruzeiro, mas é um treinador atilado, com bom futuro, creio.

Por falar em Palmeiras, dizem que Kleber, também do Cruzeiro, está de malasprontas para retornar ao Palestra Itália. É um velho sonho do Verdão. Mas, do jeito que tem reagido a torcida palmeirense em relação aos seus principais jogadores, tipo Vágner Love e Diego Souza, sei não, somado à compulsão de Kleber em levar o vermelho, sei não.

Notas relacionadas:

  1. PRA FRENTE, DUNGA!
  2. A SELEÇÃO DE DUNGA
  3. ALEX E DIEGO SOUZA: BOA, DUNGA!
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , ,

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