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quarta-feira, 8 de junho de 2011 Seleção Brasileira | 00:57

AS DUAS FESTAS E O FIM DE FESTA

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Até o início do segundo tempo, foi uma festa só. Festa de despedida de Ronaldo e festa da bola nos pés dos brasileiros diante dos romenos. Depois, foi um fim de festa.

Ronaldo desperdiçou a chance de se despedir com o aceno de sua vida gloriosa – o gol esteve aos seus pés por duas vezes; numa, o goleiro pegou; noutra, o Fenômeno mandou-a para fora.

Mas, nas duas oportunidades, Ronaldo relembrou um dos seus atributos mais marcantes: o senso de colocação na área. Senso que Fred, seu antecessor nos 30 minutos iniciais de partida, também revelou, ao colher aquela bola bem tramada entre Maicon, Jadson e Neymar, aos 21 minutos de jogo, E que Nilmar, seu sucessor não demonstrou nas duas boas ocasiões criadas por Maicon e Neymar, no segundo tempo.

Mas, se concentrarmos todas as nossas atenções sobre a Seleção, abstraindo-se Ronaldo, seu antecessor e seu sucessor no jogo, veremos que o técnico Mano Menezes voltou ao ponto inicial de sua proposta para o time: ainda sem Ganso, em vez de escalar mais um volante por ali, preferiu dar uma chance completa para Jadson.

E Jadson foi aprovado com louvor no trabalho de organizar o time, sobretudo no primeiro tempo, quando nosso time deslizou em direção ao ataque, criou várias chances de marcar e fez só aquele gol de Fred.

É a velha questão do homem certo no lugar certo. Na meia, um meia, meu! Não precisa ser um Didi, um Zizinho, um Gérson, um Ademir da Guia, um Zidane ou qualquer monstro sagrado da posição para exercer essa função. Basta que o sujeito tenha cacoete para a coisa – bom passe, boa visão de jogo e molejo para se mexer ali naquela zona congestionada da intermediária adversária sem grandes embaraços.

Já o segundo tempo se desenrolou num clima de fim de festa, em boa parte por conta do cansaço – físico e emocional – de um grupo de jogadores cuja maioria joga na Europa. Portanto, em tempo de férias, não de trabalho.

Por fim, a convocação final para a Copa América segue dentro dos parâmetros estabelecidos por Mano até aqui, na esperança de que Ganso e Pato estejam nos trinques até lá.

Com o tempo de que disporá Mano para afiar a equipe com vistas à Copa América, há uma boa margem de esperança, embora seja ajuizado mantermos a cabeça fria: lá, com Messi e cia. bela, a Argentina é e sempre será a favorita. Mas, temos chances, sim.

> Leia mais sobre Ronaldo e seleção brasileira

Notas relacionadas:

  1. SEM FESTA, NEM CHORO
  2. UMA DECISÃO
  3. DO FENÔMENO À ENCRENCA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , ,

segunda-feira, 23 de março de 2009 Seleção Brasileira | 16:06

OS MONSTROS E A SELEÇÃO

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Sou de um tempo em que a Seleção Brasileira não ganhava nada – era um Sul-Americano aqui; outro ali, em meio século de futebol implantado em terras tapuias – se tanto. De resto, éramos fregueses contumazes de argentinos e uruguaios e carregávamos na alma o peso sombrio do Maracanazo, em 50.

E mesmo assim, o país se enrolava na bandeira da CBD (antiga CBF) a cada convocação do time nacional. E aguardava tenso pelo jogo que se aproximava, fosse um mero amistoso, fosse jogo de torneios continentais, fosse jogo de Copa do Mundo.

Vale observar que não era simplesmente por puro fanatismo nacionalista, essas fascistóides exibições de pretensas superioridades, não. Era, sobretudo, pelo prazer de ver reunidos num mesmo time os craques maiores que se espalhavam pelos clubes brasileiros, apesar de todas as desavenças geradas pelo regionalismo, o Rio-São Paulo eterno que dividia a opinião pública quanto à escolha desses jogadores. 

Hoje, às vésperas de duas partidas importantíssimas, pelas Eliminatórias da Copa, há uma forte corrente contrária à Seleção, passando de boa parte da mídia para o torcedor – e vice-versa -, que despreza nosso time porque a elite dos jogadores brasileiros está além de nossas fronteiras.

Dizem que, ao cruzar o grande mar, o sujeito perde a alma verde-amarela, sugada, provavelmente, por um daqueles mitológicos monstros marinhos que tanto atrasaram a chegada de Colombo ao Novo Mundo. É mesmo?

Então, podemos dizer que Ronaldo Fenômeno e Rivaldo devem ser elevados à categoria de heróis míticos, verdadeiros Ulisses do século 21, pois fizeram a fatídica travessia e mesmo assim nos deram um título mundial, o quinto de nossa história, em terras do Japão.

Há os que sugerem, como receita para combater o mal da desalma dos nossos craques exportados, que a Seleção só abrigue, doravante, os que aqui estão. Haja seleções… Sim, porque basta o jogador ser chamado hoje para a Seleção que, no dia seguinte, já estará arrumando suas malas, espiando o outro lado do mar grande. Mesmo porque as sereias cantam sua sedução é aqui mesmo, em terra firme, emitindo sons muito semelhantes ao do tilintar de moedas.

Claro que a Seleção Brasileira não tem sido, nos últimos tempos, um exemplo de brio e técnica, embora levante mais Copas Américas do que no passado distante, e vença mais do que perde, nos últimos cinquenta anos de sua história. Claro que o negócio futebol, em que o jogador é a grande moeda de troca, ganhou vulto inconcebível nesta era, o que semeia dúvidas no coração e nas mentes do torcedor e de boa parte da mídia quanto aos reais motivos de possíveis deserções e maus desempenhos dos mais célebres dentre os convocados.

Toda dúvida, aliás, é sempre bem-vinda, no futebol ou na vida. Mas, quando se transforma em verdade absoluta, clichê, lugar-comum para explicar o inexplicável, vira fanatismo, o pior de todos os males de que sofre a raça humana. E a Internet, esse maravilhoso instrumento de comunicação entre as pessoas de todos os recantos do mundo, tem contribuido muito para disseminar essas dúvidas, obras sinistras dos monstros virtuais que substituem aqueles dos mares antigos.

De repente, um anônimo qualquer inventa uma conspiração aqui, uma desventura ali, e, pronto!, a patuléia engole e passa a expelir essa excrescência como a mais pura das verdades.

E o pior é que até mesmo prestigiosos membros da crônica esportiva embarcam nessa onda e são devorados por esses mesmos monstros.

A moda, agora, é dizer-se que Kaká é mais um desses zumbis sem alma, que vagam por entre o luxo e a riqueza, sem destino. Ou melhor: que se negam a cumprir seu destino patriótico, recusando-se a servir à Seleção.

Ora, o rapaz, que recusou outro dia proposta mirabolante do futebol inglês só para ficar no Milan, há um bom tempo não joga pelo seu clube, vítima de séria lesão. Voltou, semana passada, jogou vinte minutos e saiu mancando de campo, no exato momento em que o Milan precisa desesperadamente de seus préstimos.

O craque está machucado, gente! Por que é tão impossível acreditar nesse simples e trivial fato do futebol, inventando suposto desinteresse de Kaká em jogar pela Seleção Brasileira?

E veja o amigo que Kaká nem pediu dispensa, apenas tempo para ver se consegue se recuperar até os jogos pelas Eliminatórias. Por conta de tamanha pressão, nunca saberemos ao certo, caso Kaká jogue, se o estará fazendo no sacrifício ou numa boa.

Mesmo porque, se ele disser que foi no sacrifício, responderão que não passa de um fingido, que apenas está valorizando sua volta e desculpando-se de eventual mau desempenho. Se disser que havia se recuperado plenamente, a turma, então, plantará nos lábios aquele sorriso cínico e sentenciará: “Estão vendo? Não tinha nada, apenas queria tirar o corpo fora da Seleção”.

Pois é, e os monstros estão bem mansos e solidários lá no fundo do oceano primevo, onde o ser humano começou sua própria gestação. 

Notas relacionadas:

  1. ASSIM, SIM!
  2. QUEM, NO LUGAR DE KAKÁ?
  3. QUEM NO LUGAR DE KAKÁ
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , ,