MEIA SURPRESA: GRAFITE
E não é que houve uma surpresa nessa convocação final de Dunga para a Copa do Mundo? Quer dizer: meia surpresa, pois naquele chá da Academia Brasileira de Letras de que participei há uns dois meses, Dunga revelava certa descrença na recuperação plena de Adriano e deixava escapar o nome de Grafite como possível substituto do centroavante flamenguista.
Mas, nesse caso, faltou coerência a Dunga, pois, antes de Grafite, Diego Tardelli fora chamado algumas vezes e respondeu sempre à altura, nos poucos minutos em que esteve no campo de jogo. Isso, sem falar que Tardelli, com a camisa do Galo, segue jogando muito e fazendo gols sem parar.
E Grafite só teve uma chance, no último amistoso da Seleção. Foi bem, é verdade, mas não o suficiente para se sobrepor a Tardelli. Pelo visto, prevaleceu a questão do talhe físico: Grafite tem um porte físico mais parecido com o de Adriano do que Tardelli.
Mas, isso tudo são sutilezas para justificar a preferência por jogadores que atuam lá fora, senhores de experiência internacional e tal e cousa e lousa e maripousa, o que conta, sim, é claro.
Foi, imagino, a razão que deixou o goleiro Victor, do Grêmio, de fora. Em seu lugar, Gomes, apesar de Doni, o outro reserva de Júlio César, estar afastado da equipe titular da Roma há muito tempo, por razões técnicas e por lesões.
Assim como vários dos escolhidos para o meio de campo vêm cumprindo baixa performance nesta temporada em seus respectivos clubes. A saber: Kleberson, que só voltou bem no segundo tempo do jogo com o Corinthians, pela Libertadores, Júlio Baptista e Felipe Melo. Sem falar em Kaká, nossa principal estrela, jogador fundamental, pois o craque da equipe e único meia de ofício relacionado entre os 23 da Copa.
Apesar disso tudo, com o tempo que Dunga tem para preparar esse time, mais sua determinação em manter um moral de ferro cravado na alma dos seus escolhidos, bem que o Brasil pode voltar da África do Sul com o caneco pela sexta vez na história.
Entre outras coisas, porque o jogador médio brasileiro é, na maioria das vezes, superior aos jogadores médios estrangeiros (talvez, valha uma exceção para os argentinos). E Copa do Mundo, como qualquer outro torneio, é sempre coalhada de jogadores médios, embora quem costuma decidir tudo sejam os raros craques, aqui e ali.
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Autor: Alberto Helena jr. Tags: Adriano, convocação, Dunga, Grafite
