
Por Milton Trajano
O Palmeiras não só estreou no Paulistão com vitória como simplesmente arrasou o Mogi-Mirim: 5 a 1, com direito a bola na trave e outros babados. Mais do que isso: construiu a goleada botando a bola no chão, como manda o figurino e sugere a formação do time adotada pelo técnico Muricy: dois zagueiros, dois laterais, dois volantes que sabem sair para o jogo, três meias típicos e um atacante.
Assim, o Verdão fez a bola circular com ciência, sob o comando sutil de Cleiton Xavier, e até o gol de pênalti, que encerrou o placar, acabou sendo fruto de uma trama dessas, abortada pela falta em Diego Souza dentro da área.
Ah, mas o Mogi é uma teta, dirá o mais cético. É verdade. Porém, já cansei de ver time com jogadores ainda mais afamados do que este do Palmeiras perder para si mesmo, jogando contra o vento.
O mais importante é um time ter padrão definido, no qual o passe se insira como algo fundamental que sempre foi, é e será.
Destaques? Além dos óbvios Cleiton Xavier e Diego Souza, a entrada de Sacconi, no intervalo, em lugar de William, o que acentuou a velocidade e o molejo da equipe. E, sim, as ótimas estreias de Márcio Araújo e Léo.
VASCO E BOTAFOGO
O Vasco venceu a duras penas o Tigres por 1 a 0, falha do goleiro em falta cobrada de longe por Fagner. Não vi o jogo todo, mas sofri um pouco com um primeiro tempo tedioso.
Contudo, pelos jogadores que lá estão, mais o comando competente de Wagner Mancini, é de se espera melhoras sensíveis daqui pra frente.
Já o Botafogo encheu os olhos com um futebol prático e incisivo, na estreia de Herrera, autor do gol de abertura, em Macaé, cujo time surpreendeu com uma virada de 2 a 1, em seguida. Mas, o Glorioso, sob a batuta de Lúcio Flávio, que fez um golaço de falta e deu as outras duas assistências, revirou tudo.
E olhe que ainda falta um Loco nessa turma.
NA COPINHA
O São Paulo, mais uma vez, brilhou e meteu 5 a 1 no Guarani, completando uma campanha espetacular na Copinha até aqui: em cinco jogos, vinte e quatro gols marcados (média acima de quatro por partida) e apenas um tomado. E tudo na base do toque-toque para Lucas Gaúcho rematar lá na frente.Só nesse jogo, fez três, três passes açucarados de Zé Victor, o nome do jogo.
Por outro lado, o Corinthians naufragou diante do Juventude e caiu fora do torneio antes do previsto. Na verdade, o Corinthians, que chegou na Copinha cercado de muitas expectativas, naufragou mesmo no seu próprio copo d’água.
Não jogou nada e acabou sendo superado por um Juventude mais determinado.
MESSI 101
Parecia que Messi iria mesmo ficar paralisado diante da síndrome do seu centésimo gol oficial pelo Barça. Entre outras coisas, porque o goleiro Palop, do Sevilha, estava em tarde de graça, pegando tudo. Por duas vezes, aliás, Messi chegou na cara do gol e Palop defendeu.
Mas, craque é craque, e Messi não só acabou marcando o gol de número 100, como abriu nova centena, com a habilidade de sempre.
Além do mais, com essa posse de bola habitual de seu time – coisa de 65 a 70 por cento -, sob a regência desse Xavi de passe exato e perturbador, mais cedo ou mais tarde, Messi chegaria lá e muito mais.
O Barça, porém, é isso mesmo: toca-toca, e mete um gol atrás do outro. Desta vez, foram quatro. Nenhuma novidade.
Espantosa novidade foi o show dado pelo Chelsea diante do Stoke City, na casa do inimigo: 7 a 2, fora o baile. E, sem Drogba, Essien e outros bichos.
Enfim, um sábado cheio de gols e muitas esperanças de que o futebol volte aos trilhos. Definitivamente.