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02/05/2009 - 17:55

DOMINGO TENSO

Bem, este é o domingo tenso, aquele em que se decidem alguns dos principais estaduais brasileiros.

No Pacaembu, o Corinthians recebe o Santos com a vantagem de três gols, o maior entrosamento de sua equipe e… Ronaldo. Não é pouco, se a isso tudo acrescentarmos a Fiel flamante, disposta a celebrar um título paulista invicto.

Mas, o Timão não terá Chicão, seu melhor beque e artilheiro da equipe. E o Santos poderá contar com Rodrigo Souto, se não o melhor volante do campeonato, um deles.

Jogador por jogador, a superioridade corintiana nem é tanta quanto sugere as campanhas de ambos no torneio. Talvez, ganhe mais nas opções. Mas, está mais ajustado, pelo tempo, e isso sempre conta.

Contudo, o Santos é bem capaz de surpreender. Não sei se o suficiente para virar o jogo do campeonato, mas o suficiente para ganhar essa partida.

NO RIO

Tirei o domingo para descansar/ Mas, não descansei, que louco fui eu/ Regressei do futebol/ Todo queimado de sol/ o Flamengo perdeu pro Botafogo/ Meu patrão é vascaíno e de mIm vai gozar (…)/ Zizinho passa a Pirilo, Pirilo serve a Nandinho, que preparou pra chutar…/ Aí, o juiz apitou tempo regulamentar/ Que azar!

Esses versos são de um samba antológico, o rubro-negro Wilson Batista, gênio da raça, uma das raras gravações de Vassourinha, que morreu aos 21 anos de idade no início dos anos 40, e que forma com Luís Barbosa, Cyro Monteiro, Dilermando Pinheiro e Roberto Silva (Moreira da Silva é outro departamento) o quarteto de ases do chamado samba liso ou sincopado, gênero extinto pela falta de bossa de seus eventuais sucessores.

Mas, nem de longe significam uma profecia para o que vai acontecer neste domingo no Maracanã. Afinal, o Flamengo segue sendo um time tão forte como o Botafogo, embora este tenha cumprido melhor campanha ao longo das duas taças cariocas.

Sucede que o Bota acaba de perder dois de seus jogadores essenciais de frente: Maicosuel e Reinaldo. É muito. Mas, como o Fla sofre de esterilidade crônica em seu ataque, tudo é possível. Quem sabe, um bocejante zero a zero, que levará a decisão aos pênaltis, no fim.

EM MINAS

Em Minas, a vantagem do Cruzeiro é avassaladora. Não apenas pelos 5 a 0 no primeiro jogo da decisão, mas, sobretudo, porque esse placar refletiu a superioridade da Raposa sobre o Galo.

Clássico é clássico. E esse é um dos históricos do futebol brasileiro. Portanto, o Galo, apesar de tudo, pode se superar. Mas, duvido que o suficiente para tirar essa vantagem.

QUE É ISSO, BARÇA!

Até que no início um dos maiores clássicos do planeta foi uma vertigem, lá e cá. Duas chances claras pra cada lado, até que o Real ousou abrir a contagem com Higuain, de cabeça, em cruzamento de Sérgio Ramos – que, no segundo tempo, marcaria o seu -, em troca de passe com Robben, o único a se salvar no Real, além do goleiro Casillas.

Foi o estopim para o Barça detonar o seu toque de bola hipnótico, e botar o Real na roda: em seis minutos, já havia virado a partida para 2 a 1, com Henry e Puyol.

A partir daí, foi um show de Messi sobre uma defesa merengue que se liquefazia a cada ataque catalão. E, depois uma série de gols perdidos, Messi ampliou para 3 a 1, prenúncio da goleada histórica por 6 a 2, em pleno Santiago Bernabéu, campo do Real, com mais dois de Henry, outro de Messi e a pá de cal com o zagueiro Piqué.

Foi um baile silencioso como se os craques do Barça estivessem praticando a Sardana, aquela dança arcana que os catalães repete religiosamente todas as manhãs de domingo diante da Catedral Gótica de Barcelona, um ritual tão antigo quanto a origem de sua refinada civilização.

NA VELHA ALBIÓN

E, lá, na Velha Albión, Manchester e Arsenal livraram-se facilmente de seus respectivos adversários – Middelsbrough e Portsmouth: 2 a 0 e 3 a 0. Ambos, por sinal, muito desfalcados. O Manchester, poupando boa parte do time que enfrentará o Arsenal, pela Liga dos Campeões da Europa. O Arsenal, porque tem uma legião de contundidos.

Assim, os Diabos Vermelhos seguem firmes em direção à Liga da Inglaterra, um dos seus tantos objetivos na temporada.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonatos Estaduais, Futebol internacional Tags: , , , , , , , , , , ,
27/04/2009 - 15:49

ENTÃO, FICAMOS ASSIM…

Quer dizer, então, que depois dos jogos iniciais das decisões em São Paulo e Minas, está tudo resolvido?

Quase, pelo menos, em São Paulo, onde o resultado de 3 a 1 para o Corinthians oferece, obviamente, mais chances de ser recuperado pelo Santos do que a goleada de 5 a 0 do Cruzeiro sobre o Galo.

Goleada, aliás, que revelou uma superioridade da Raposa sobre o Galo ainda maior do que se supunha. Que o Cruzeiro era melhor, nunca restou dúvida. Mas, a sensação, ao longo do Campeonato Mineiro, era a de que essa diferença havia diminuído, oferecendo campo para o Atlético até surpreender.

E não é que o Galo tenha eivado o Mineirão de erros primários, nada disso. Até tomar o segundo gol, encarou o Cruzeiro. Fez, enfim, o que estava ao seu alcance, naquelas circunstâncias. Mas, o Cruzeiro é que se impôs, com o refino dos seus jogadores e objetividade ímpar. Diria, grosso modo, que a Raposa converteu coisa de 80 por cento das chances criadas, o que é um índice de se tirar o chapéu, convenhamos.

Já o Campeonato Paulista parece estar mais decidido no aspecto anímico do que no plano dos números. Os peixeiros estão de crista baixa, depois da derrota em casa, sobretudo pela montanha de gols desperdiçados por ninguém menos que o seu artilheiro Kléber Pereira. Em contrapartida, o Timão flutua nas nuvens, com as asas de Ronaldo, o Fenômeno, na expectativa de confirmar no Pacaembu uma campanha histórica – campeão invicto, o que já foi, mas num passado remoto.

Baixando a bola para o duro chão da realidade, porém, há um ponto de interrogação plantado ali no meio da zaga corintiana, com a ausência de Chicão. Sim, porque o beque Chicão não é apenas seu principal defensor, mas é também o artilheiro do time. 

E, se o amigo fizer um cotejo desapaixonado entre os dois times, jogador por jogador, verá que, com exceção da exceção chamada Ronaldo, ambos se equilibram. Digo: não há assim uma supremacia absoluta de um sobre o outro, embora, nem de longe se possa comparar as campanhas de ambos ao longo do campeonato.

Mas, equilíbrio mesmo, pra valer, se verifica no Rio, onde Flamengo e Botafogo deixaram em aberto a decisão, com o empate de 2 a 2 no jogo inicial. Não apenas pelo placar igual, mas, sobretudo, pela equivalência dos dois times, ainda que o Botafogo tenha sido melhor na soma dos dois turnos.

O que assusta General Severiano, porém, é a iminente ausência de Maicosuel, jogador-chave no esquema de Ney Franco e aquele meia-atacante que cumpre desempenho excepcional nesta temporada carioca.

Mas, é sempre jogo pra mais de metro.

GRÊMIO DANDO A VOLTA

O Grêmio, que tem amargado sucessivas derrotas para o eterno rival Inter, em fase de esplendor, está a um passo de fechar esta fase da Libertadores como líder geral da competição: basta vencer o Chicó, em pleno Olímpico desvairado, o que passa do provável.

Com isso, o Tricolor teria a vantagem de mando de campo pelo resto do torneio, quesito sempre valioso numa disputa difícil como essa.

E só a eventual conquista da Libertadores é que tirará do gremista esse gosto de fel na boca. Daqui pra frente, no Olímpico, é tudo ou nada.

A LIGA DOS SONHOS

Começam nesta terça-feira as quartas-de-final da Liga dos Campeões da Europa, com Barcelona e Chelsea, numa perna, e, noutra, Manchester United e Arsenal, jogo lá e cá.

O Barça recebe o Chelsea, no Camp Nou, com uma campanha absurdamente exemplar até aqui: foi o líder dos quatro finalistas na fase de classificação, com dez gols de saldo, e aquele time que apresentou a melhor defesa e o futebol mais deslumbrante de todos, um toque hipnótico a partir do meio de campo em direção ao trio atacante mais implacável do futebol mundial no momento: Messi, Eto’o e Henry.

Mas, quando se trata de enfrentar um dos quatro grandes da Inglaterra é sempre bom fazer o placar em casa, mesmo porque o Chelsea, depois dos vacilos dos tempos de Felipão, sob o comando do holandês Hiddink vem em plena ascensão.

Quanto ao Manchester, que declinou neste final de temporada, parece ter retomado aquela auto-confiança letal, ao virar de forma espetacular o último jogo do Campeonato inglês.

Pega o Arsenal, de belas tramas mas pouca conclusão, em Old Trafford, e, apesar de ser um clássico britânico, não deve deixar escapar essa chance.

Confesso que não sou de torcer por times, mas, sim, pelo futebol superior deste ou daquele, neste ou naquele tempo, mas gostaria muito que a final se desse entre Barça e Manchester, como prêmio pela campanha excepcional de ambos na temporada toda, seja na Liga, seja em seus respectivos campeonatos nacionais.

Aí, sim, que vença o melhor entre os melhores.

De qualquer forma, a simples conjunção desses quatro times na fase decisiva da Liga já representa uma vitória sensacional do futebol na sua mais viva expressão, aquele jogado pra frente, sob o signo da técnica e da habilidade, em que cada um, com suas próprias característica, é digno exemplo.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonatos Estaduais, Sem categoria Tags: , , , , , , , , , , , ,
10/02/2009 - 16:35

CHICÃO E GRANÉ

Uma das curiosidades deste início de Paulistão é a presença do beque Chicão lá no topo da tabela da artilharia do campeonato, um gol a menos do centroavante Pedrão e com os mesmos cinco gols do atacante Lenny.

Difícil será Chicão manter a mesma progressão ao longo de um torneio onde concorrem matadores do calibre de um Keirrison, um Kleber Pereira, um Washington, um Borges, sem falar na grata surpresa de Pedrão, todos especialistas na arte de meter a bola nas redes, com classe ou oportunismo, pouco importa.

Sucede que Chicão é exímio cobrador de faltas e pênaltis, o que lhe permitiu acumular um acervo de gols significativo para alguém de sua posição, essencialmente defensiva. E, se Chicão permanecer no Corinthians por tempo considerável, nessa toada, poderá ameaçar um recorde histórico no Parque, desbancando um dos maiores mitos da vida do Timão: ninguém menos do que Pedro Grané, o Grané do trio final (era como se denominava a formação básica de goleiro e dois beques naqueles tempos) – Tuffy, o Sanatnás, Grané e Del Debbio.

Grané jogou de 1924 a 1932 no Corinthians. E a simples menção de seu nome, fazia os goleiros de sua época e os meninos de uma década depois de ele ter pendurado as chuteiras tremerem de medo. Alto, forte, possuía, segundo os antigos, um petardo tão letal em seu pé direito, que logo foi apelidado de 420, o sinistro canhão do Kaiser utilizado na Primeira Grande Guerra.

Muitas lendas se criaram em torno de seu chute poderoso. A mais célebre foi a de que Grané, num jogo decisivo viu-se na marca do pênalti diante de seu irmão Lara, goleiro do Ypiranga. Bem que Grané implorou várias vezes para o irmão sair da frente. Não saiu. Fez mais: saltou e agarrou o míssil com as duas mãos. E não mais se levantou. Estava mortinho da silva.

 

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonatos Estaduais, Clubes brasileiros Tags: , ,
31/01/2009 - 18:28

QUASE GALA

Não, não foi uma exibição de gala do Timão. Mas, quase. Sobretudo naquele finalzinho, depois de sacramentar a goleada por 4 a 1 sobre o Oeste, quando perdeu mais três ou quatro chances claras para ampliar o placar. Numa delas, Elias desferiu tiro cruzado no pé do poste direito, goleiro já batido.

No primeiro tempo, não foi fácil, embora o Corinthians tivesse a bola a seus pés o tempo todo e obtido seu primeiro gol, contra, de Adriano, logo aos 2 minutos de partida.

Mas, no segundo, o Oeste foi reduzindo seu poder de marcação, enquanto o Corinthians acelerava o toque de bola, e a goleada se desdobrou naturalmente: Otacílio, de cabeça, Chicão, de falta, e Souza, de pênalti, contra o gol solitário do Oeste, marcado por Dias, de pênalti, num dos raros ataques do time de Itápolis.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonatos Estaduais Tags: , , , , ,
22/01/2009 - 21:42

AH, TIMÃO…

Confesso que tinha uma esperança imensa de que o Corinthians já entraria chutando a porta do Paulistão, pela qualidade de seu elenco, pelo clima saudável criado ao seu redor, e por ter sido, dos grandes, aquele que teve mais tempo de preparação.

Eis, porém, que pegou pela frente um Barueri aguerrido, fechado, bem postado na sua defesa, e, a partir do primeiro ataque vertiginoso, as dificuldades começaram a se redobrar. E a coisa ficou feia quando, num contragolpe rápido, Pedrão, em posição de impedimento, abriu o placar.

Piorou, no segundo tempo, quando  o Pedrão converteu pênalti: 2 a 0!

Mas, o fato é que, apesar da excelência do Barueri, time que acaba de subir para a divisão especial do Brasileirão, o Timão é o Timão, e teve forças para buscar o empate, com Chicão, de pênalti, e Jorge Henrique, de cabeça, em cruzamento de Octacílio.

E assim tudo terminou. Mas, não o campeonato, que acaba de começar.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonatos Estaduais Tags: , , , ,
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