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quarta-feira, 6 de abril de 2011 Futebol internacional | 18:31

O CAMINHÃO DO BARÇA

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O Barça, no seu velho estilo – domínio absoluto da bola e dos espaços, jogando o tempo todo no campo adversário –, sem maiores esforços, meteu 5 a 1 no Shakhtar, time composto por uma legião de jogadores brasileiros (bons jogadores, diga-se), e praticamente se garantiu para a próxima fase da Liga dos Campeões.

A não ser que uma tragédia ocorra em Donetsk, no jogo da volta, o Barça já está lá. E o Barça, vale lembrar, não é time de sofrer tragédias. No máximo, um pequeno drama.

Mesmo porque lá estão três dos maiores jogadores do mundo, segundo a Fifa – Messi, o escolhido de sempre, Iniesta e Xavi. Se um já é o bastante, tipo Cristiano Ronaldo, que dirá três? Três craques que custaram ao Barça um prato de tremoços, pois todos cevados nas suas categorias de base.

Quer dizer: o Barça é bilionário, mas não é perdulário. Sabe onde meter seu rico dinheirinho.

Não sai por aí contratando estrelas a preço de ouro, como, por exemplo, o Chelsea, que pagou 50 milhões de libras pelo centroavante espanhol El Niño Torres, que já não é nenhum niño, e até hoje não conseguiu confirmar sua fama, a não ser num início promissor no Atlético de Madri, anos atrás.

Mas, o dinheiro do Chelsea, todos sabemos, é fácil, vem de fonte borbulhante que nada tem a ver com o futebol.

O fato é que Torres não jogou nada,como de hábito, e ainda por cima ficou em campo até o fim, enquanto Drogba, que se desdobrava em campo, foi substituído por Anelka, que, a exemplo de Malouda não deveria ter sido preterido desde o início.

Já Iniesta, por exemplo, abriu a contagem num gesto de puro oportunismo e deu um passe magistral para Daniel fazer o segundo, e assim detonar a goleada.

DIABOS O LEVAM

Por falar em Torres, o celestial (na cor da camisa, claro) Chelsea, em casa, foi levado na manha pelos Diabos Vermelhos, que meteram 1 a 0, em gol de magnífica feitura, no primeiro tempo: Carrick cruza da direita para a esquerda, e o veteraníssimo Giggs, só na matada já deixou o português Bosingwa na saudade, a única palavra só luso-brasileira. O galês, então, passou na medida para Rooney tocar no canto esquerdo do goleiro.

O resto da partida foi um Chelsea tentando criar situações difíceis para Van der Saar, um dos maiores que vi jogar, em vão, e o Manchester United respondendo sempre com perigo.

Como? Se esse cenário sugere que Sir Ferguson adotou uma daquelas retrancas tão amadas por nossos treiandores? Nada disso. Ao contrário: escalou um time altamente ofensivo, pelas características de seus jogadores, com apenas um volante de ofício – Carrick.

A diferença é que não deu moleza ao adversário. Marcou como devia e atacou como devia. Se não obteve melhor resultado, vai por conta do jogo jogado contra um igualmente poderoso adversário.

Notas relacionadas:

  1. BARÇA, MILAN E OS DIABOS
  2. E DEU BARÇA, POR JUSTIÇA
  3. BARÇA, ÚNICO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , ,

domingo, 2 de janeiro de 2011 Clubes brasileiros, Futebol internacional | 14:54

O DIVINO E O GANSO

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Disse o poeta que tinha o fogo em suas mãos. Imagino que Garcia Lorca, se escapasse dos assassinos de Franco, trinta anos depois, ao vê-lo em campo, diria que Ademir da Guia tinha o ar, a água e a terra a seus pés.

Seu futebol era líquido, fluente, que escorria como um regato cristalino, não confrontando mas desviando-se dos obstáculos, sinuoso, ininterrupto, sempre renovado no seu repetido e manso fluxo.

Era ar, porque etéreo, como se não tocasse o chão nas suas passadas largas e lânguidas, ereto, cabeça erguida, como quem apenas vislumbra o horizonte, nada mais, esquadrinhando a terra sobre a qual tinha domínio absoluto: onde estivesse, por ele, a bola teria de passar inevitavelmente.

Resumindo, o Divino passava a sensação de controlar como nenhum outro o espaço e o tempo. Falso lento, submetia o jogo ao seu ritmo, à sua intuição, ao seu poder feito de silêncio e magia.

Falo de Ademir da Guia, o Divino, apelido herdado de seu legendário pai, Domingos, para falar de Ganso, pois este é o mês que abre o ano e a perspectiva de termos o craque peixeiro de volta aos campos. Entre outras coisas, porque um lembra o outro.

Ademir era destro, Ganso é canhoto. Mas, ambos guardam entre si a mesma postura. Esguios, cerebrais, falsos lentos, donos de um senso de organização raríssimo e de uma elegância no trato com a bola sem par.

Ganso, ao contrário de Ademir, que praticamente nunca teve sequer uma distensão muscular em seus quase vinte anos de carreira, muito jovem ainda já foi vítima de sérias lesões. Eis por que me agonia a espera de sua volta. Mas, ao contrário de Ademir, Ganso me parece um sujeito mais determinado, mais centrado no seu destino, o que lhe pode conferir uma força extra para recuperar o tempo perdido.

Rezo por isso, mesmo sendo ateu.

Até o minuto final

Uma das tantas coisas que me encantam no Campeonato Inglês é que, lá, prevalece sempre a lei do saudoso Chacrinha: o jogo só acaba quando termina.

Pegue o amigo como exemplo esse empate por 3 a 3 do Chelsea com o Aston Villa. No primeiro tempo, 1 a 1, gols de pênaltis para cada lado. No segundo, logo aos 2 minutos, o Aston passa à frente, arrecua os arfos como recomendava o folclórico técnico caipira, e passa a sofrer um sufoco que só poderia resultar na virada por 3 a 2, já nos acréscimos. Pois  não é que Clark, de cabeça, empata de novo a partida, o que coloca a cabeça do técnico italiano do Chelsea, Carlo Ancelotti, no cadafalso?

O fato é que este campeonato começa a tomar contornos inesperados: ou os grandes já não são tão grandes, ou os pequenos deram um salto de qualidade que transformou a disputa mais acirrada do que de hábito.

Sim, claro, Manchester United, que bateu o West Bromwich, na casa do inimigo por 2 a 1, a duras penas, segue líder. O Arsenal meteu 3 a 0, com certa folga, no Birmingham, e o Manchester City, que começa a ganhar um espaço, finalmente, entre os grandes, ficando em terceiro e segundo lugares, respectivamente.

Isso sem falar nas surpresas das rodadas anteriores, acumuladas pelas neves implacáveis da véspera do Natal.

Pelo visto, será um ano realmente novo para inglês ver.

Notas relacionadas:

  1. NEYMAR, FRED, KAKÁ, GANSO E PATO
  2. GANSO, RONALDINHO, KAKÁ, MESSI…
  3. CASABLANCA, NEYMAR E GANSO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , ,

sábado, 21 de agosto de 2010 Campeonato Brasileiro, Futebol internacional, Seleção Brasileira | 18:53

DOMINGO DE GALA

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São dois clássicos de arrepiar: no Maracanã, o líder Flu de Muricy contra a estrela ascendente – o Vasco de PC Gusmão; no Pacaembu, o vice Corinthians de Adílson, ainda tomando tento no Parque, contra um São Paulo que se prevê mais ofensivo do que o habitual, agora sob o comando do novato Sérgio Baresi.

No Maracanã, há ainda a expectativa do confronto entre os dois quartetos ofensivos, além da estreia de Deco no Tricolor. Mas, na pior das hipóteses, pelos menos três deles de cada lado estarão em campo, o que já garante a probabilidade de um jogo emocionante e ousado.

No Pacaembu, findou a expectativa da volta de Ronaldo Fenômeno, o que deixa o Corinthians ainda carente de um centroavante de porte, ao contrário do São Paulo que, nesse quesito, sobra, pois tem dois para a mesma posição – Fernandão e Ricardo Oliveira – que podem jogar juntos.

E, se o técnico Baresi optar por Fernandinho em lugar de Richarlyson, pois essa é sua dúvida, Fernandão e Ricardo Oliveira, dois eméritos cabeceadores, por certo, serão favorecidos pelas infiltrações do ponta-esquerda até a linha de fundo.

De qualquer forma, um domingo de gala na ponte Rio-São Paulo.

Mano, treinando

Como a CBF não conseguiu fechar amistosos de nível para as duas próximas datas-Fifa, Mano decidiu chamar uma seleção de “estrangeiros” para fazer dois jogos-treinos lá na Europa.

É uma chance de conviver um pouco mais com os jogadores selecionáveis, observando de perto, sobretudo, os mais jovens candidatos a uma vaga na Seleção Olímpica.

Esse me parece o caso de Douglas Costa e P. Coutinho, que já chegou agradando em Milão. São dois meias de estilo e habilidade, do tipo de que tanto necessitamos e ao gosto do modelo que Mano pretende implantar no time nacional.

Surpreende a chamada de Hulk, que já não tem idade para as Olimpíadas mas estará em plena maturidade na época do Mundial. Embora badalado no futebol português, confesso que não tiver sorte nas poucas vezes em que o vi em ação.

Luís Fabiano, neste momento, me parece muito mais habilitado a uma convocação dessas. Vale, porém, a tentativa de Mano de ver mais de perto esse jogador, quem sabe…

Chuva de gols na Inglaterra

O Chelsea, campeão inglês, repetiu diante do Wigan a mesma goleada da estreia no campeonato imposta ao Weste Bromwich: 6 a 0. Não é mole, meu – doze gols marcados nas duas primeiras rodadas do certame sem levar unzinho sequer.

E olhe que o Wigan, no primeiro tempo, jogou melhor do que o Chelsea, apertou e tal e cousa e lousa e maripousa. Mas, no segundo, foi um massacre.

Massacre igual ao praticado pelo Arsenal sobre o caçula Blckpool, que esteara cheio de vento, metendo 4 a 0 no Wigan. Outro placar de 6 a 0, sem contar umas vinte chances claras – não é exagero, não – de ampliar esse placar já dilatado, raças à espetacular atuação do ponta Theo Walcott, ponta-ponta mesmo, desses que avançam pela direita, aos dribles e em alta velocidade.

Estarão os grandes times ingleses tão mais bem equipados do que os demais? Ou, estes é que não passam de frágeis coadjuvantes? Há um pouco de cada uma dessas coisas. Mas, acho que, acima de tudo, está a fome de gols que assola o futebol inglês. É a compulsão pelo espetáculo que move esses times a não se acomodarem quando alcançam um placar seguro.

Veja o caso do Arsenal. Já goleava por uns quatro ou cinco, não me lembro bem, quando, aproveitando-se da expulsão de um adversário, o técnico Wenger trocou o único volante de ofício da equipe (Diaby) por um meio-campista de extrema habilidade, passe exato e chute a gol, Fábregas.

É só uma questão de ver o que é melhor para o público ou o que é mais conveniente para o treinador.

Que beleza!

Bem que a CBF, onde a grana se acumula até o teto sem outro destino além da Seleção, poderia se mirar no exemplo alemão. A abertura do Campeonato Alemão, neste sábado, no Allianza Arena, foi digna de uma Copa do Mundo. Um espetáculo visual bonito, de bom gosto, sem exageros, e no tempo certo para não adiar demais o começo da partida entre Bayern de Munique e Wolfsburg, um belo jogo, diga-se.

O Bayern venceu por 2 a 1, com um gol de Schweinsteiger no finzinho do jogo, depois de o Wolfs ter criado e desperdiçado uma pá de oportunidades claras, sobretudo com o bósnio Dzek, um desses centroavantes espigados, que batem pra gol do jeito que a bola vem e de qualquer lugar.

E isso é só o começo.

Fogão, lá

O Botafogo, confirmando sua ascensão no campeonato, venceu o mistão do Avaí, numa tarde-noite festiva no Enegenhão. Festiva pela presença maciça dos torcedores alvinegros e, principalmente, pela homenagem prestada a um dos maiores ídolos da história do Botafogo – Jairzinho Furacão -, materializada numa bela estátua em bronze a se eternizar ao lado das de Garrincha e de Nilton Santos.

Na verdade, o Botafogo não jogou tudo o que vinha jogando nas últimas partidas, mas fez o suficiente para ganhar, com um gol de cabeça do zagueirão Fábio Ferreira numa daquelas cobranças de falta enviesadas que são o tormento de todas as defesas.

Mais que isso: o suficiente para abrir as portas do G-4 e passar a sonhar, na ilustre posição de terceiro colocado, sonhar em surpreender mais á frente Corinthians e Flu, por que não?

Grêmio, cá

Chiii… Logo na estreia de Mário Sérgio como treinador do Ceará, Renato Gaúcho sofreu sua primeira derrota no comando do Grêmio, que caiu para aquela incômoda posição limítrofe à zona do rebaixamento.

Segundo o próprio Mário Sérgio foi um jogo entre dois Grêmios, aqueles Grêmios que a torcida tricolor adora, muita força na disputa de bola e no congestionamento do meio-campo e da defesa.

- Cheguei no Ceará, olhei em volta e escolhi os jogadores mais fortes, pois conheço bem o futebol gaúcho – completou Mário Sérgio.

Resultado: um gol contra de cada um e o da vitória, de Geraldo, o veterano Geraldo, cuja força maior ainda é a habilidade.

Notas relacionadas:

  1. DOMINGO TENSO
  2. PALMEIRAS, INTER E CRUZEIRO, NA MOSCA
  3. CLÁSSICOS DE DOMINGO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , , , , ,

quarta-feira, 18 de agosto de 2010 Clubes brasileiros | 17:35

UM ATAQUE DE ARRASAR PARA O FLA

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Deivid e Diogo deverão formar a dupla de ataque do Flamengo, que, ao perder Love e Adriano, perdeu qualquer poder de fogo lá na frente.

Deivid matou a pau no Corinthians e no Santos, antes de se mandar para o Exterior. Atacante de técnica mais refinada do que a habitual para a sua posição, sempre foi incisivo e goleador. E Diogo despontou na Lusa com iguais características, mais veloz e talvez mais decisivo.

Se o negócio der certo, o Flamengo recomeça sua participação neste Brasileirão em alto estilo, claro, depois de um tempo de readaptação dos jogadores.

O caso Neymar

Uns dois ou três meses atrás, cruzei nos corredores da Globo com Neymar pai, o presidente do Santos, Luís Álvaro e o empresário Wagner Ribeiro. No papo, o pai de Neymar deixou claro que achava judicioso manter seu menino no Santos por mais dois anos, para que ele amadurecesse como pessoa, firmasse status de craque e ganhasse corpo para enfrentar uma aventura na Europa. Igual discurso foi o do presidente do Santos.

Mas, um pouco afastado, Wagner Ribeiro não conseguia disfarçar o olhar entre desaprovação e cobiça. Em mais de meio século na profissão de jornalista, em tantas áreas quantas possíveis, creio ter desenvolvido um mínimo de senso de observação. E este me dizia que o problema estava ali.

É claro, o empresário, agente, ou seja lá que denominação o amigo queira dar ao cara que negocia os direitos do jogador, tem lá sua percentagem na negociação do atleta. Quanto maior a quantia, maior o lucro. Nada de errado nisso. É o trabalho dele.

Mas, entre a cupidez e o cálculo sobre o quanto todos podem ganhar muito mais do que uma imediata negociação, vai um abismo.

Wagner Ribeiro já atirou Robinho num mar tempestuoso, ao negociá-lo com o Real e, em seguida, com o Manchester City, claro, com anuência do jogador. Portanto, Neymar e seu pai devem considerar com muito juízo a proposta feita pelo Santos, uma salvaguarda para o futuro do menino.

Não sei os detalhes da proposta, logo, não posso opinar a respeito. Mas, dizem que seria algo em torno de quase um milhão de reais por mês, quatrocentos a mais do que o oferecido pelo Chelsea. O que pega? O empresário, óbvio, que não levará sua parte na transação.

Não me oponho à figura do empresário, que deu ao jogador moderno uma ferramenta de negociação que antes não havia. Antigamente, craques como Ademir da Guia, Nilton Santos, Garrincha e até Pelé, que foi tungado pelo tal Pepe Gordo, passaram sua vida nos respectivos clubes ganhando tal mixaria que nem lhes dá uma aposentadoria compatível com a grandeza de seu futebol.

Mas, até no mundo dos frios negócios, há que haver um mínimo de sensibilidade e percepção para captar a probabilidade de ganhos futuros maiores do que uma imediata transação.

Neymar é craque, disso não resta dúvida. E craque em evolução, claro,

Se for para o Chelsea, dirigido pelo italiano Mancini, consequentemente adepto de um futebol tático, sem muito espaço para a criatividade e a invenção, que são os maiores atributos de Neymar, o nosso menino genial sofrerá o diabo para ganhar uma chance no time titular.

Ao olhar de perto aquele caiçarinha mirrado, Mancini certamente irá mandá-lo para o departamento de fisicultura, com a ordem: “Botem músculos nesse garoto”.

Entre tantos exercícios para apurar seu físico, que – pela idade, depende de tempo para seu configurar, antes de qualquer trabalho físico (o homem vai até os 21 anos para ganhar seu formato como tal, segundo a ciência e a lei) e os estudos para aprender o inglês – , Neymar levará, no mínimo, um ano para se adaptar à nova vida.

Sim, pode ser que ele desembarque em Londres e bote pra quebrar logo de cara, e que dali pra frente seja uma alegria só. Nunca se sabe. kaká foi uma excepção, no Milan.

Mas, o mais apropriado, nesta hora, seria Neymar ficar mais um tempo por aqui, sob o guarda-chuva oferecido pelo Santos. Estaria entre os seus, sem dúvidas, e no ponto de encetar sua grande aventura para o futuro.

Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , ,

quinta-feira, 12 de agosto de 2010 Clubes brasileiros | 17:26

O CASO NEYMAR

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A posição assumida pelo Santos no caso do assédio do Chelsea sobre Neymar é absolutamente irretocável. Num discurso lúcido e convicto no programa Arena Sportv, o presidente do Santos, Luís Álvaro, arrolou item por item as razões pelas quais o Santos não aceitará qualquer proposta de clube algum pelos direitos federativos de Neymar e de Ganso, até o final da Copa de 2014.

Não se trata de um arroubo apaixonado, do tipo que rasga dinheiro mas não perde a pose, nada disso. É uma visão clara do negócio, envolvendo todos os seus aspectos: os benefícios para o jogador, se continuar na Vila; para o Santos; para a  Seleção Brasileira, e mesmo para o futebol brasileiro como um todo, em termos financeiros e de marketing, a médio e longo prazos.

Enfim, a convicção nascida de um exame racional da questão sob todos os ângulos. Uma fala de estadista, rara, senão inédita, partindo da boca de um cartola.

Merecia ser gravada, impressa e distribuída para todos os que mexem com futebol, sobretudo os que o administram.

Isso, claro, não impedirá a saída de Neymar do Santos, caso o Chelsea pague a indenização de 35 milhões de euros, na ficha, prevista em contrato, se houver aquiescência, é claro, do jogador.

Vale dizer ainda que o Santos já enviou notificação à Fifa, acusando o Chelsea de aliciamento indevido, o que poderá acarretar em punição ao clube inglês, que, através do empresário do jogador, passou a negociar diretamente com ele, apesar da recusa formal do Peixe, após a primeira investida.

Resta, pois ao Santos, agora, convencer o jogador a resistir a tamanha tentação. E, nesse caso, as palavras, por mais sedutoras e racionais, não bastam. Afinal, Os Neymares, pai e filho, sabem muito bem que um contrato desses – ainda que o jogador não se dê bem nessa sua aventura inglesa, o que é bem possível, por razões extracampo – pode significar a redenção financeira da família por algumas gerações. Amanhã, o jogador se machuca gravemente e nunca mais volta a jogar nesse nível, por exemplo.

Solução: o Santos e os eventuais patrocinadores, que tanto apostam  no futuro do jogador, com todas as razões do mundo, devem montar um sistema de segurança financeira para o garoto, até o fim calculado de sua longa carreira à vista.

Notas relacionadas:

  1. NEYMAR, FRED, KAKÁ, GANSO E PATO
  2. NEYMAR FILHO POR NEYMAR PAI
  3. PEIXE, DISPARADO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , ,

domingo, 9 de maio de 2010 Campeonato Brasileiro, Futebol internacional | 19:26

SÓ PODIA VENCER

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Bem, ao Corinthians não restava nada menos do que a vitória, depois da pífia campanha no Paulistão e da desclassificação na Libertadores. Afinal, jogava em casa e o adversário, de tradicional camisa, o Furacão, não nada lá bem das pernas.

E não é que o Atlético saiu na frente? Uma bola alçada à área por Wagner Diniz passou por todo mudo e morreu nas redes alvinegras.

E olhe que o Timão demorou para reagir. Reagiu, porém, no segundo tempo, quando o Atlético já estava sem um jogador, simplesmente o craque da equipe – Paulo Baier. Mas, só chegou ao empate depois da entrada de Souza no lugar do lateral Alessandro. Souza empatou e sofreu o pênalti que Ronaldo converteu no gol da vitória.

Isso, claro, depois de forte pressão exercida pelo Corinthians, sobretudo depois da segunda expulsão do goleiro atleticano.

Mas, cá entre nós, vai ter de melhorar muito esse time para transformar o centenário numa celebração.

Empate misto

No Maracanã, Flamengo e São Paulo, de olho ainda na Libertadores, entraram em campo com times mistos – parte reserva, parte titular. E não deu outra: 1 a 1, gols de Washington, em bela trama do ataque tricolor, e Denis Marques, em lançamento primoroso lá de trás de Michael.

O São Paulo foi melhor no primeiro tempo e o Fla, no segundo.

Resultado, porém, mais favorável ao São Paulo. Não apenas porque arrancou um empate do campeão brasileiro no Maracanã, mas, principalmente, porque revelou equilíbrio para trabalhar dignamente com tantos reservas.

Vitória mista

Misto por misto, deu Cruzeiro no Beira-Rio, graças ao títular indiscutível, Kleber, o Gladiador, que marcou os dois de seu time, nos 2 a 1 sobre o Inter.

E assim esses dois grandões do Brasil vão seguindo caminhos opostos na temporada: enquanto o Cruzeiro ascende, o Inter regride, quando não empaca. E olhe que ambos têm elencos de excelência comparável.

Galo não perdoa

Enquanto isso, o Galo não perdoa: recuperou-se rapidamente da queda diante do Santos, na Copa do Brasil, para bicar o Almirante no Mineirão: 2 a 1, sem gols de Tardelli, imagine!

Quer dizer: aquele de Muriqui deveria ser creditado a Tardelli, cujo disparo tinha endereço certo; Muriqui apenas empurrou já sobre a linha do gol.

Mas, o Galo, escreva, vai ainda dar o que falar neste Brasileirão.

LÁ FORA

O Bayern, sob o comando desse magnífico canhoto holandês, Arjien Robben, autor de dois gols, ao bater o Hertha, em Berlim, por 3 a , sagrou-se campeão alemão já, o que lhe dá moral e folga para esperar o embate com a Inter de Milao, pelo título europeu.

Inter que, apesar de meter 4 a 3 no Chievo, terá de buscar a faixa de campeão italiano na rodada final, pois a Roma, que venceu o Cagliari por 2 a 1, continua na sua cola.

Pau a pau também continua o Campeonato Espanhol, com o Barça um passo à frente do Real. Ambos venceram bem no sábado. O Barça, depois de disparar 3 a 0 sobre o Sevilha, na Andaluzia, relaxou e tomou dois gols no fim, um deles, de Luís Fabiano, mas teve pleno domínio da partida. E o Real goleou o Bilbao em casa, por 5 a 1, em mais uma exibição de gala de Cristiano Ronaldo, que voltou a jogar aquela bola dos tempos de melhor do mundo. Essa encrenca só se decide na rodada final.

Já o mais espetacular campeonato nacional do mundo acabou, espetacularmente: o Chelsea simplesmente massacrou em casa o Wigan – 8 a 0. Isso mesmo: 8 a 0! O que não chega a ser grande surpresa, já que o Chelsea, neste torneio somou duas goleadas por sete gols e alcançou, no final, a marca de 103 gols na campanha inglesa. Um prodígio! E, que diria, sob o comando do italiano Carlo Ancelotti, tido e havido, na época em que dirigia o Milan, como emérito retranqueiro, o que sugere a paródia do velho ditado: em Roma, como os romanos; em Londres, como os londrinos.

Sim, porque o vice-campeão, que tentava o tetra inédito no futebol inglês, o Manchester United, despediu-se com uma goleada por 4ª 0 sobre o Stokes, no Teatro dos Sonhos, Lá ganha quem faz mais gols, claro.

Notas relacionadas:

  1. DOMINGO TENSO
  2. PALMEIRAS, INTER E CRUZEIRO, NA MOSCA
  3. O DOMINGÃO E OS DIABOS CAMPEÕES
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , , , , , ,

sábado, 24 de abril de 2010 Campeonatos Estaduais, Futebol internacional | 21:41

DECISÃO PRA FRENTE

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Beleza que essa final do Paulistão seja disputada por Santos e Santo André, os dois que obtiveram o maior número de pontos na fase classificatória, com os ataques mais positivos.

Futebol é gol, na sua mais estrita essência. E, para obtê-los, é preciso ter audácia, velocidade, técnica e habilidade. Santos e Santo André revelaram, ao longo do torneio, esses atributos, o que é ótimo para a própria preservação do futebol como tal.

A antítese, a retranca, aquele jogo defensivo, chamado de pragmático, que imperou nas últimas duas décadas, está se esvaindo no mundo todo, inclusive no Brasil, um dos últimos redutos, preservados pela covardia e falta de imaginação da maioria dos nossos treinadores, para não falar da mídia em geral.

Claro, o Santos, com sua média de gols superior a três por partida, e, sobretudo, pela campanha brilhante que cumpriu até aqui nesta temporada, é franco favorito.

Mas, todos sabemos, em mata-mata, tudo pode acontecer. Mas, o que acontecer será sempre a superposição do futebol ofensivo sobre o defensivo.

GRENAL

O Inter tem elenco mais ilustre do que o Grêmio. Mas, o Grêmio, que tem excelente time, cumpre campanha muito mais equilibrada e eficiente do que seu eterno rival.

O Inter deu sinais de melhora no último confronto pela Libertadores, assim como o Grêmio, na Copa do Brasil.

É daqueles clássicos em que qualquer previsão é mero chute. Mas, para meu gosto, o Grêmio parece ser mais consistente.

MINAS, SÔ!

Por mais incrível que pareça, o título mineiro não será disputado entre Cruzeiro e Atlético. O Ipatinga tomou o lugar do Cruzeiro e vai para as finais com o Galo, que o próprio Luxemburgo já avisou só estará nos trinques para o Brasileirão.

Apesar da advertência, quem tem Tardelli no ataque tem meio gol.

LÁ FORA

O Manchester United, mesmo sem Wayne Rooney, sua principal estrela, meteu 3 a 1 no Tottenham, e garantiu a liderança, no que poderá ser alcançado neste domingo pelo Chelsea, acerbando a disputa nesta reta final do campeonato inglês.

Apertada segue, também a disputa pelo título alemão, com a vitória do Schalke, no finzinho, sobre o Herta Berlim, e o empate do Bayern com o Borússia Monchengladebach, por 1 a 1, embora o time de Munique merecesse a vitória por conta da pressão exercida no segundo tempo, sobretudo depois do gol de Klose, de cabeça, claro.

Já o Barça, poupando vários jogadores, alguns dos quais entraram no segundo tempo para definir a questão, penou a maior parte do tempo diante do lanterna Jerez. Abriu a contagem com Jeffren, ampliou com Henry, mas tomou o gol de Bermejon, e só foi tirar a diferença quando Piqué e Messi entraram em campo, no segundo tempo, com Ibrahimovic, quando maior era o volume de jogo do adversário.

Mas, o Real segue na cola, ao bater por 2 a 1 o Zaragoza, com a volta triunfal de Kaká, depois de 45 dias sem jogar por conta de uma pubalgia. Entrou aos 33 minutos, quase marca na primeira bola, e, na segunda, deu o gol da vitória, em passe de Cristiano Ronaldo. Boas novas.

NATALINO DISSE NÃO

Natalino, Primeiro e Único, Rei do Rio, depois de muito pensar e papear, disse não ao Flamengo, preferindo ficar mesmo em General Severiano, onde acaricia seus três títulos conquistados neste primeiro semestre: a Taça Guanabara, a Taça Rio, e, por consequência, a faixa de campeão carioca do ano.

Assim, a diretoria do Flamengo fica com o mico nas mãos, às vésperas do mata-mata com o Corinthians pela Libertadores. Afinal, demitiu Andrade sem ter um técnico de peso como garantia para substituí-lo.

Mais uma demonstração de que o clube está à deriva, agindo mais por impulso do que pela razão.

Sonha com Leonardo, cujo Milan acaba de sofrer humilhante derrota para o Palermo, por 3 a , numa das piores exibições do rossonero em campeonatos italianos, depois de ter chegado atrasado em Muricy, que está fechando com o Fluminense, e de receber a negativa de Zico, que não quer manchar seu pedestal na Gávea sendo chamado de burro à beira do campo na primeira derrota da equipe.

Quem se habilita?

Notas relacionadas:

  1. PRA FRENTE, BRASIL!
  2. TRICOLOR SEGUE EM FRENTE
  3. FÓRMULAS E EUFORIAS
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

domingo, 18 de abril de 2010 Campeonatos Estaduais, Futebol internacional | 19:19

ENFIM, BOTA!

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Ufa!, afinal deu Botafogo, depois de tantas bolas nas traves dos últimos anos. E não pela tão esperada bola aérea para Loco Abreu e Herrera. Deu mesmo nos pênaltis, os dois convertidos pelo Glorioso, um por Herrera e outro por Loco Abreu, contra aquele perdido por Adriano. Ou melhor: magistralmente defendido por Jefferson, que já tanto sofreu sob a meta alvinegra no passado, e hoje celebra com todos os méritos o título carioca, conquistado direto, no levantar de duas taças, a Guanabara e a Rio.

O jogo em si foi tenso e cinzento, do jeitinho que o técnico Joel gosta. Mas, essa não era a quadra da vida do Bota para exigir brilho ou coisas do gênero. Disso, a história do Botafogo está repleta. Precisava mesmo era o do titulo, e ele, finalmente, chegou.

Ainda bem.

Peixe na média

Bem, se a média de gols do Santos no Paulistão é de pouco mais de três, esses 3 a 0 sobre o São Paulo não foram nada além do que a sequência do óbvio. E olhe o amigo que o São Paulo, time cascudo, tricampeão brasileiro, experiente, copero e tal e cousa e lousa e maripousa, jogou tudo o que sabe.

Marcou em cima, tentou sair em velocidade para o ataque, a receita completa da cartilha, equilibrou o primeiro tempo, mas, no segundo…

No segundo, os Meninos da Vila, mais uma vez, puseram a bola no chão e, numa troca de bola vertiginosa, Marquinhos cruzou da direita para Neymar, de peixinho, abrir o placar. A bola realmente bateu no antebraço do artilheiro santista, mas como consequência do empurrão de Alex Silva. Bola na mão, não mão na bola. Gol legítimo.

Isso foi aos 15 da etapa final. Aos 25, novo pênalti de Alex Silva em Neymar que o juiz não deu, e, por fim, um terceiro, aos 37, que o próprio Neymar ampliou o placar para 2 a 0. Nessas alturas, o domínio santista era absoluto, o que justificaria o terceiro gol, de Ganso, colhendo cruzamento de Madson, aos 41 minutos.

O fato é que esse time do Santos pode não ser campeão de nada, mas que joga uma bola redondinha e contundente, ah, isso ninguém pode negar. E joga contra quem for, valendo vaga, taça ou apenas três pontos da mesma forma desabrida e encantadora de sempre. Joga o seu jogo, os outros é que tratem de ir atrás e buscar um jeito de pará-lo.

E, para os que suspeitavam da envergadura espiritual desses meninos atrevidos, aí está a resposta: em três confrontos contra o poderoso time do São Paulo, três vitórias consecutivas. Jogando da mesma forma.

Aliás, nem quando Dorival Júnior trocou, no fim da partida, um meia por um volante, o Santos recuou, se amoitou, nada disso. Seguiu em frente e foi buscar o terceiro gol com Ganso. Que sirva de lição para todos os pragmáticos – eufemismo para medrosos – deste país, incluindo o treinador-mor da Seleção: esse é o futebol brasileiro que queremos, a soma exata de arte e eficiência.

Robben, o craque

Desde sempre depositou toda a minha admiração naquele pé canhoto de Robben, holandês que se revelou menino ainda, mas que passou a maior parte de sua carreira nas enfermarias dos clubes que defendeu. Só isso o impediu de ter sido sério candidato ao título de maior do mundo.

Robben é daqueles canhotos habilidosos, dribladores por vocação, instinto e habilidade, que conseguem também acrescentar à sua bola uma nível de eficiência e entrega como poucos. Mesmo porque canhotos hábeis, em geral, costumam ser um tanto preguiçosos em campo.

Robben, não. Batalha, arma e ataca. De preferência, pela direita, contrariando a lógica do jogo, a exemplo de Messi e do nosso Mário Sérgio de feliz memória. A propósito, uma das tantas bobagens cometidas pela direção do Real foi negociá-lo com o Bayern, pois Robben, na temporada em que esteve em Madri, foi seu principal jogador. Pena que o treinador não o colocasse em campo ao lado de Robinho, em nome do tal futebol de resultados.

Virada incrível

O placar mais estrondoso, lá fora, foi o do Bayern Munique sobre o Hannover – 7 a 0! – em mais um show do holandês Robben, autor de três gols e mais duas assistências geniais. Mas, o mais incrível foi a virada do pequeno Wigan em cima do gigante Arsenal, de virada, nos últimos minutos, por 3 a 2. Feito histórico, pois o Wigan jamais havia vencido o Arsenal, em mais de século de disputas.

E uma surpresa total para quem acompanhava o jogo, controlado o tempo todo pelo Arsenal, que disparou logo 2 a 0 no primeiro tempo, e depois ficou ali cozinhando o galo. No segundo, o Wigan reduziu o placar, e, de súbito nos últimos minutos de partida, virou, espetacularmente. Esse é o futebol na Inglaterra: não há resultado definido até o apito final do juiz.

Prova disso, o gol de Scholes, de cabeça, no minuto final do clássico com o Manchester City, que, conjugado com a derrota do Chelsea para o Tottenham, recoloca os Diabos Vemelhos na disputa direta pelo tetra inglês, conquista absolutamente inédita na história mais que secular do torneio da Rainha.

O Manchester sofreu, é verdade, para chegar à vitória, mas o Chelsea deve levantar as mãos para os céus por ter tomado apenas dois gols do Tottenham. Poucas vezes na vida vi um time criar tantas e tão claras chances de marcar como o fez o Tottenham. Era pra ter sido de goleada.

Notas relacionadas:

  1. ENFIM, O PAULISTÃO
  2. ATÉ QUE ENFIM, SÃO PAULO
  3. ENFIM, CAMPEÃO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , ,

sábado, 3 de abril de 2010 Sem categoria | 19:02

GANHOU A POÇA D’ÁGUA

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Foi um jogo a três: Palmeiras x Oeste de Itápolis x Poças D’Áagua. As poças d’água, sem dúvida, venceram o cotejo que terminou em pálido 0 a 0.

A propósito, é inconcebível que o Palestra Itália esteja nesse estágio. Choveu muito, é verdade, ms não foi nenhum desses temporais capaz de inundar a cidade, embora São Paulo esteja á mercê das águas há muito tempo.

Afinal, lá pelos anos 70, o Palmeiras providenciou uma reforma báwsica de seu gramado, elevando-o acima do nível normal. Por isso mesmo foi batizado de O Jardim Suspenso. Justamente, para eleiminar o problema com a drenagem, crônico, na época, em todos os estádios paulistanos.

Durante décadas, o gramado resistiu bravamente ás intempéries, até que resolveram reformulá-lo no ano passado. Foram duas reformas consecutivas, e o resultado aí está.

Claro que não foi apenas o péssimo estado do gramado que fez o Palmeiras empacar mais uma vez.

O maior responsável por esse empate frustrante foi o fato de o técnico Zago ter poupado vários titulares, além dos que estão na enfermaria. E. mais: a boa marcação do Oeste, que chegou a criar duas ou três boas chances até de abrir a contagem.

De qualquer jeito, ficou claro, na própria escalação que o Palmeiras jogou definitivamente a toalha no Paulistão e mira a Copa do Brasil como objetivo final para salvar o semestre tão perturbado.

LÁ FORA

Na Inglaterra, a disputa continua acirrada entre Chelsea, Manchester United e Arsenal. O Arsenal, por exemplo, estava a um fio de cair fora da luta direta pelo título, diante do Wolverhampton, quando Bentdner, tão execrado pela míd a e a torcida dos Gunners, de cabeça, aos 49 minutos do segundo tempo, salvou a pátria.

Antes, o Chelsea havia assumido a liderança isolada ao bater o Manchester United, por 2 a 1, embora o segundo gol azul tivesse sido irregular.

Mas, na verdade, os Diabos Vermelhos sentiram muito a falta de seu artilheiro e principal jogador, Wayner Rooney.

Tipo de problema que parece não afetar o Barça, vencedor do Bilbao por 4 a 1, sem mais de meio titular. E é isso que impressiona nesse Barça, a capcidade de manter o mesmo padrão de jogo – marcação por pressão no campo adversário, toque de bola religioso – sejam quais forem os jogadores que estejam em campo. Volantes que atacam, meias que organizam, laterais que se projetam o tempo todo, veteranos experimentados ou jovens garimpados nas canteras, as divisões de base do clube.

Na Itália, o Inter manteve a pose, ao bater o Bolonha por 3 a 0, enquanto a Roma penava diante do Bari, para vencer por 1 a 0. Mas, o Milan, que desperdiçou duas chances seguidas de chegar ao topo da tabela, finalmente ganhou do Cagliari, por 3 a 2 e se mantém ali na faixa da disputa pelo título.

Nada excepcional, mas, pelo menos, emocionante.

Notas relacionadas:

  1. GARFO NA INCOMPETÊNCIA
  2. RONALDO, BRANDÃO E O CLÁSSICO
  3. PEIXE, NO MERGULHO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , , ,

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009 Futebol internacional | 22:51

BOM, BONITO E BARATO

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O Barça é um clube riquíssimo. Visitar as dependências desse clube é uma viagem à Disneylândia do futebol. E sua sala de troféus, um museu.

E é tudo isso sem captar um tostão na venda dos espaços do seu uniforme. Ao contrário: paga para ostentar o logotipo da Unesco, organismo de apoio social.

Vive apenas da receita que lhe oferecem os torcedores (seja, como associados do clube; seja, lotando o Camp Nou a cada jogo, estando o time bem ou mal) e a cota da TV. Investe quase nada, comparando aos outros grandes da Europa – Real, Chelsea, Manchester, Bayern de Munique, Milan, Inter etc. – na contratação de jogadores, preferindo revelar seus próprios craques, como Puyol, Busquets, Iniesta, Xavi, Pedro Rodrigues, Bojan, inclusive Messi, eleito o melhor do mundo pela Fifa, argentino que lá desembarcou aos 13 anos de idade.

Sua última grande contratação foi Ibrahimovic, que, na verdade, veio na troca com Eto’o, artilheiro desprezado pelo Real, que o Barça recolheu num clube modesto da Espanha – o Getafe, se não me falha a memória – para transformá-lo numa estrela mundial.

Quando traz um Ronaldinho Gaúcho ou um Henry, é a preço de banana, no mercado europeu, ou porque o cara não está dando certo no clube anterior (caso de Ronaldinho no PSG) ou porque já cumpriu seu ciclo (caso de Henry no Arsenal).

É só uma questão de boa gestão, que começa pela ideia básica segundo a qual o time deve sempre praticar um futebol bonito (e, para tanto, os jogadores adequados são garimpados no mercado ou forjados nas bases com esse objetivo). O resto é consequência.

A FUGA DE OSCAR

No fundo, no fundo, seja por incitação de terceiros ou não, o menino Oscar, que o São Paulo tratava como joia rara de suas categorias de base, aprontou essa quizumba jurídica porque queria jogar bola, só isso.

Jogador quer jogar, essa é a lei básica do futebol. E jogador jovem, ainda por cima, é mais afoito. Sobretudo, quando percebe que sua bola está à altura do time, se não, acima.

Confesso que ainda não tenho uma ideia formada sobre o futebol de Oscar, pois o vi por alguns poucos minutos neste tempo todo desde que ele foi alçado à equipe titular.

Mas, o que vi me sugere que tem condições de jogar mais.

De qualquer jeito, mesmo que fique, o encanto foi quebrado.

O DESTINO DE LOVE

Para continuar no Palmeiras, Wagner Love quer garantias do Palmeiras de que ele e sua família serão devidamente protegidos da sanha desses marginais que vestem a camisa da torcida uniformizada e que já o agrediram no meio da rua.

Eis algo que o clube não pode assegurar por completo, e o craque sabe disso, assim como seu representante. Numa cidade em que não há segurança para o cidadão comum na avenida Paulista, ao meio-dia, como garantir a integridade de uma figura notória como ele?

Na verdade, por falta de um bode expiatório, o palestrino resolveu transformar Love, assim como Diego Souza, nessa figura tradicional da fábula humana.

Ora, como o Flamengo está atrás de um atacante desse nível para reforçar-se ainda mais com vistas à Copa Libertadores, caiu a sopa no mel.

Notas relacionadas:

  1. RONALDINHO E A AMBIÇÃO
  2. NOITE DE DECISÕES
  3. MUNDIAL DE CLUBES?
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , ,

  1. Primeira
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