Cerro Porteño | Blog do Alberto Helena Jr.

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quinta-feira, 2 de junho de 2011 Clubes brasileiros, Copa do Brasil, Libertadores | 00:39

PARECIA FÁCIL, MAS…

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Foi uma decisão a la Libertadores dos velhos tempos: jogo acirrado, pedrada que atingiu a testa do técnico Muricy, e um placar de 3 a 3 lancinante, com bolas nas traves de cá e de lá.

E olhe que no primeiro tempo parecia que a coisa caminharia facilmente para o Peixe, que abriu 3 a 1, graças à esperteza de Zé Love, à lambança da defesa do Cerro e ao talento de Neymar, contra o oportunismo de Benitez.

Mas, no segundo tempo, o Peixe recuou demais e concedeu espaços para o Cerro empatar, e quase virar o placar, o que também não alteraria em nada o rumo do Santos em direção à final da Copa Libertadores da América.

VASCÃO!

No primeiro tempo da decisão da Copa do Brasil, o Vasco levou a melhor sobre o Coritiba, por 1 a 0, gol de Alecsandro, desviando de cabeça cruzamento da direita. Era mais ou menos o esperado, já que o Vasco jogava em casa e o Coritiba parece ter quebrado aquele encanto da incrível série invicta dos primeiros meses do ano.

Mas, o placar reflete o equilíbrio da partida, o que deixa em suspenso o desfecho final.

Notas relacionadas:

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Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , ,

terça-feira, 31 de maio de 2011 Clubes brasileiros, Futebol internacional | 19:28

O PEIXE NA RAIA OFICIAL

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Certamente, o discurso que todos os torcedores portadores do tal DNA do Santos gostariam de ouvir às vésperas do derradeiro confronto com o Cerro, pelas semifinais da Libertadores, seria mais ou menos este: vamos a Assunção impor nosso jogo, nosso estilo, nossa maneira de jogar, destemida, ofensiva, recheada de dribles desconcertantes, chapéus, passes inesperados e muitos gols, ainda que percamos o jogo, um risco que correríamos sempre se, ao contrário, nos amoitássemos atrás de feroz retranca, pois, em futebol, num jogo só, o resultado é imprevisível.

Mas, não é essa a fala peixeira. Ao contrário: o que a turma chegou lá dizendo é que se trata de jogo difícil, que exige extrema cautela, que essa história de jogar bonito é conversa mole pra boi dormir, e que o zero a zero será saudado com fogos e champanha, já que esse desfecho projeta o Santos para a decisão da taça.

Nem poderia ser outra, aliás. Pois, o time que entrará no estádio Pablo Rojas não é aquele que foi capaz de unir eficiência e espetáculo na dose exata, no primeiro semestre do ano passado, campeão da Copa do Brasil e do Paulistão. E o elenco de que dispõe Muricy para esse jogo, embora de qualidade comprovada, não tem bala para atingir esse patamar especial.

Pode, sim, voltar de Assunção com a classificação para a final e até com uma vitória consagradora. Mas, se o fizer, será num nível mais próximo da realidade do atual futebol brasileiro: bom, eficaz em certos momentos, mas de brilhos intermitentes, em geral, cintilando nos pés de Neymar.

Portanto, se me permitem, sugiro ao amigo peixeiro, em vez da inebriante champanha da celebração antecipada, uma dose de uísque pra relaxar, e reza braba pra que tudo dê certo.

Depois, sim, é soltar as frangas. Ôps, as lagostas com champanha.

O FUTURO DE HERNANES

Cruzo com Hernanes nos corredores da tv e colho dele a certeza de que, apesar de algumas sondagens para sair de Roma, ele está disposto mesmo a ficar no Lazio.

Garante que está adorando a cidade, o clube, os companheiros e tutti quanti. E que já se adaptou à nova função, mais adiantada, quase um atacante verdadeiro.

Mas, cá entre nós, duvido que Hernanes, jogando o que jogou nesta temporada na Lazio, permaneça por lá muito tempo.

CONCEITO CATALÃO

O conceito precede à prática e aos resultados. Pelo menos, no caso desse deslumbrante Barça.

Nesse caso, o conceito básico é o seguinte: vamos montar um time que ocupe um terço do gramado – da nossa intermediária à deles. Por quê? Porque, como já ensinou Rinus Mitchels – o inventor do Carrossel Holandês da Copa de 74, jamais reproduzido na íntegra, por nenhum outro time do planeta -, à época, treinador também do Barcelona de Cruyjff, Neskeens etc., se você compactar o seu time de intermediária a intermediária, estará sempre mais próximo da meta adversária, e capacitado a trocar passes de primeira: um-dois.

Quanto mais trocar passes, seu time estará mais próximo do fundamento essencial do jogo. Além do mais, evitará o confronto direto com os marcadores, e não desgastará os músculos, os pulmões e as mentes de seus jogadores, correndo atrás do adversário ou de bolas lançadas a esmo.

E, mais, se o amigo apoiar seu jogo no toque-toque, fará poucas faltas e não perderá o equilíbrio emocional. Resultado: menos suspensões por cartões e por lesões.

Assim, se você preservar a integridade física e mental de seu time, o amigo terá o mesmo time jogando junto por um tempo maior do que ocorrer com os demais, habituados a jogar a partir de uma defesa recuada, que lança chutões pra frente.

A sua marcação se resume em ocupar espaços que estão próximos de você mesmo, pois a compactação das três linhas (defesa, meio-campo e ataque) facilita essa tarefa. Além do mais, vale lembrar a estatística que diz o seguinte: a recuperação de bola por um time é coisa de setenta por cento resultante do erro de passe do adversário. Logo, você não precisa estar atacando o adversário com a bola via carrinhos e outros lances que permitam a ele se organizar em campo, durante uma cobrança de falta.

Por fim, você mantendo por um longo tempo seu time principal com os músculos, os pulmões e a mente em forma, mais vezes esse time entrará em campo. E, quanto mais vezes o mesmo time entrar em campo, mais se afia o conjunto, a capacidade, enfim, de tocar a bola e impor seu jogo conceitual.

Esse é o mistério do Barça, não treinamentos específicos ou qualquer outro artifício de um técnico milagroso. Traduzindo: a mais pura simplicidade, fruto da maior complexidade, como costuma ser a simplicidade, aliás.

E que consegue a proeza de manter a bola sob seu domínio por setenta por cento do jogo, praticar a base de cinco faltas por jogo (sofre coisa de 15, no máximo) e mantém a média de gols nas cercanias dos três.

O Barça joga como Guardiola jogava, quando era um volante de alta classe, tocando a bola sem dar pelota às críticas dos pragmáticos de plantão, que exigiam dele mais voluntariedade.

Isso, na esteira desses tantos holandeses voadores, de Rinus Mitchels a Reijkaard, passando por Cruyjff e Van Gaal.

As sofisticações foram se depurando, ao longo do tempo, até que a decantação final produzisse esse Barça, de tanta consistência, cor e sabor.

FIFA SOMBRA

Está marcada para amanhã a eleição – ou melhor, aclamação – de Sepp Blatter para mais um mandato do suiço à presidência da Fifa. Em meio à enxurrada de denúncias de corrupção, envolvendo o Comitê Executivo da entidade e do próprio presidente, Blatter conseguiu desviar os disparos sobre os inimigos e saiu ileso, com seus amigos, do tiroteio.

A Federação Inglesa pede adiamento do pleito, mas os ingleses, que também não são flores que se cheirem, embora me pareçam do lado certo neste caso,  duvido que tenham êxito.

Aliás, se houvesse um rapa geral na Fifa, como na CBF e demais entidades que tocam essa barca entupida de barras de ouro de cá pra lá, duvide-o-dó que a nova tripulação fugiria do roteiro traçado pela amibição desmedida e descarada dos dias em que vivemos.

Já tive tantas decepções nesta minha já longa caminhada – e não só no esporte -, que me sinto um Diógenes apesentado.

Pra quem não sabe, Diógenes era aquele filósofo da Grécia Antiga, discípulo de Antístenes, criador da Escola Cínica (cínico, de cão, o único bicho confiável), que morava num barril e de lá saía com uma lanterna acesa pela cidade em busca do homem íntegro. Morreu sem encontrar.

Lendário é o episódio em que, estando tomando sol diante de sua barrica, postou-se um desses poderosos à sua frente e intimou-o:

- Diize o que desejas neste momento e te concederei a dádiva de imediato. O que quiseres: ouro, poder, palácios, as mais belas donzelas, o que desejares!

Diógenes, então, olhou-o nos olhos, e respondeu:

- Só desejo que saias da minha frente para que não continues me roubando o raio de sol que me aquece.

Notas relacionadas:

  1. A LONGA JORNADA DO PEIXE
  2. O PEIXE DESTE SÉCULO
  3. PEIXE, PIRATAS, COPA DO BRASIL, GIGGS E ABDIAS
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , ,

quinta-feira, 1 de abril de 2010 Sem categoria | 21:51

TIMÃO POSSÍVEL

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Não, não foi uma exibição de gala do Timão, longe disso. Foi apenas um desempenho acima do sofrível, capaz de levar o time a uma vitória necessária sobre o Cerro Porteño, no Pacaembu, por 2 a 1.

Mesmo porque não é de se esperar do atual Corinthians nada semelhante às perfomances dos tempos do Paulistão e da Copa do Brasil passados. Pois, a formação é outra e seu perfil distinto daquele.

Ganhará muito, sem dúvida, quando (e se) Ronaldo afinar um pouco o talhe e, consequentemente, acelerar seu jogo. Pouca coisa, mas o suficiente para integrar com maior fluência e constância o jogo coletivo do resto dos companheiros.

Fez o gol de abertura, é verdade, colhendo o fruto da boa jogada de Moacir pela direita, e só. O que, no jogo dos resultados não é pouco, diga-se.

Depois, Chicão, de falta, completou o placar alvinegro, e o Timão teve de se virar para evitar o empate no finzinho, em seguida ao tento de Julio dos Santos, quando tomou uma pressão descabida em partida que teve a seus pés durante toda a segunda etapa.

Recuo à frente

Quando vemos o técnico Dorival Júnior, à beira do campo, trocando beques e volantes por meias e atacantes, já com o Santos vencendo por quatro, cinco, a zero, resta-nos a impressão de que se trata de um insaciável, cruel algoz que só se compraz com a goleada sem limites.

Pois o nosso sóbrio e grave Dorival Júnior, outro dia, explicou que não é nada disso. Jogo definido no placar, ele se utiliza desse truque para obrigar seus meias – Ganso, Marquinhos etc. – a afiar sua participação mais efetiva na marcação.

E o que pode parecer à primeira vista um recuo tático, na verdade é um avanço. Com meias de habilidade e senso mais ligados na marcação, o time sempre será mais ofensivo quando tiver a bola a seus pés. Esse é o objetivo final, portanto, o mais louvável.

Há tempos, meu chapinha e parceiro de colunas no Diário de S. Paulo, Cleber Machado, além de narrador oficial da Globo, costuma lembrar a respeito observação feita por mim anos atrás: é mais fácil fazer Djalminha marcar do que Galeano a armar.

Resumindo: destruir é mais fácil do que construir como a vida nos ensina em qualquer atividade humana. Logo, para um craque de habilidade e estilo, cidadão que sabe controlar a pelota, o caprichoso objeto do jogo, tirá-la do adversário (ou, pelo menos, fechar seus espaços) é coisa de se tirar de letra.

Agora, o volantão duro de cintura e de gaguejante colóquio com a bola, criar, armar jogadas para os companheiros, ah, isso é tortura chinesa!

Sou de um tempo em que havia apenas um volante, dois meias e três atacantes. Exatamente como jogam há algum tempo os maiores times do mundo, hoje em dia, com pequenas variações: Barcelona, Arsenal, Manchester United, Bayern de Munique, para citar quatro dos favoritos ao título europeu.

Times que, nesse formato, vêm ganhando o diabo a quatro, embora possam perder a Liga dos Campeões, que isso é do jogo.

E por quê? Porque seus treinadores vêm treinando seus meias a marcar ou fechar espaços como o faziam no passado Didi e Zizinho. Gérson e Ademir da Guia, para ficar com uma quadra de ases do setor, por exemplo, por aqui.

Do mesmo jeitinho que Dorival Júnior pretende fazer com seus Gansos e Marquinhos.

E esse é o maior avanço que o futebol brasileiro poderia dar nos últimos anos. Que os deuses dos estádios o protejam.

Notas relacionadas:

  1. DECISÕES E A GRANDE VIRADA
  2. ENTÃO, FICAMOS ASSIM…
  3. QUÉ PASA, COLORADO?
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , , ,

terça-feira, 16 de março de 2010 Libertadores | 17:26

DE VOLTA PARA O FUTURO

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O Corinthians vai a Assunção enfrentar o Cerro Porteño, time com respeitável tradição em Libertadores, já mais definido quanto á sua proposta de jogo.

Isso, porque Dentinho, em excelente forma física e técnica, recuperou por méritos um lugar lá na frente, ao lado de Jorge Henrique e Ronaldo Fenômeno, o que reconduz o Timão ao esquema que tão certo deu nas campanhas espetaculares da Segundona, do Paulistão passado e da Copa do Brasil.

Mais ainda: resgata no Parque o conceito de que o time não precisa se adaptar ao estilo deste ou daquele torneio, pois todos são iguais para uma equipe que pratique jogo equilibrado entre defesa e ataque, enfatizando a técnica e a habilidade acima da força.

O diabo está no meio, com seus chifres e tridente, onde já não há mais os passes inesperados e certeiros de Douglas, um meia mais veloz na resolução das jogadas do que Danilo, que ainda não se encaixou devidamente no Timão.

De qualquer forma, o Timão, ao dar um passo atrás na sua estratégia de jogo para a Libertadores, avança um pouco mais em direção ao formato ideal de seu time, seja para o certame continental, seja para qualquer outro.

INTERROGAÇÃO TRICOLOR

Amanhã, o Tricolor recebe no Morumbi o Nacional do Paraguai, time que bateu por 2 a 0 outro dia, no jogo de ida.

Mas, por mais irônico que pareça, o problema do São Paulo está na ausência de problemas. Ou melhor: todos os jogadores do forte e amplo elenco estão à disposição do treinador Ricardo Gomes.

Então, quem escalar? Cá entre nós, qualquer que seja a formação adotada pelo técnico, a vitória está mais próxima, na véspera, do que a derrota ou o empate, pois, se o São Paulo não conseguir passar, até com certa folga, pelo mais frágil componente do seu grupo na Libertadores, então, só resta jogar o boné.

Fico imaginando a cena: Ricardo Gomes, à beira do campo, coçando a cabeça, em busca de uma solução para várias situações do time: Hernanes, Rodrigo Souto, Cleber Santana e Léo Lima, todos volantes de estilo e porte técnico mais ou menos similares, quais deles serão escolhidos para formar o meio de campo com Richarlyson, um modelito diferente, pois canhoto, veloz e mais versátil, aprovado com louvor por Ricardo Gomes? E/ou Jean, que não está justificando sua presença, nem na ala, nem no meio.

Qualquer que seja a escolha, o ritmo do time não muda, em princípio. Todos sabem marcar, todos sabem jogar, mas a cadência é praticamente a mesma.
Bem que o técnico poderia dar um pouco de molejo e rapidez a esse meio-campo com Marcelinho Paraíba atuando atrás de Dagoberto e Washington, por exemplo. Mas,
Marcelinho até agora não engrenou seu jogo no Morumbi. E Jorge Wagner, embora mais ofensivo que a legião de volantes citadas, é também lento no pensamento e na ação.

Além do mais, para tanto, Ricardo Gomes deveria abdicar de vez do sistema com três zagueiros, gesto que refletiria positivamente lá na frente, onde Dagoberto, Washington e Fernandinho poderiam formar o trio atacante, o que seria altamente benéfico para um centroavantão como Washington.

Pense comigo, companheiro, nesta questão, que tem sido recorrente no São Paulo desde os tempos de Muricy: com três zagueiros lá atrás e um centroavante fixo e lento como Washington lá na frente, o time se alonga demasiadamente, o que força o jogo de estirões, resultando no bate-e-volta típico das performances tricolores.

Ora, se você pode ter três volantes que marcam e sabem jogar, como os citados acima, mantém-se a segurança defensiva e é perfeitamente viável ter três atacantes – dois deles, pelos lados, acionando o atacante fixo na área inimiga.

Mas, qualquer que seja a solução pretendida esta terá de ser devidamente treinada.
Todavia, como o São Paulo varia de esquema com a mobilidade da jovem dama faceira da ópera clássica, passou todos estes dois meses e picos de início de temporada sem se fixar nisto ou naquilo.

Resta, pois, uma enorme interrogação.

FLA E TERREMOTO

Os jogadores pediram e a diretoria aceitou: vamos devagar em direção a Santiago que tem terremoto à vista. O terremoto em questão é literal, não uma possível catástrofe diante do Universidad do Chile, time que o Flamengo pega nesta noite de quarta, pela
Libertadores.

Abalos sísmicos, na verdade, atingiram a Gávea, com a divulgação de fotos e informações flagrando Wagner Love escoltado por soldados do tráfico num morro carioca. Isso, poucos dias depois do barraco armado em torno de Adriano, parceiro de Love no explosivo bloco Império do Amor.

Pensando bem, essas coisas já não abalam tanto. Antes, essas zonas carentes do Brasil eram dominadas pelos bicheiros, substituídos depois pelos narcotraficantes atuais. Ou, simplesmente, dividindo e unindo territórios, que sei eu? Só sei que o poder público, a cada dia, se revela mais incapaz de resolver essa questão, preocupado em promover eventos do tipo Copa do Mundo e Olimpíadas no Brasil.

E Wagner Love segue para o Chile, driblando eventuais terremotos, na certeza de que seus gols apagarão qualquer imagem negativa sobrevivente ao dia seguinte.

E, muito provavelmente, é o que acontecerá, pois o Flamengo é mais time do que o Universidad, e apesar da guerra que enfrentará no estádio Centenário, sobreviverá, como a imensa maioria dos moradores dos morros cariocas, embora sempre sobre uma bola perdida na cabeça deste menino ou daquela adolescente que ninguém fica sabendo se dos mocinhos ou dos bandidos, sejam eles quais forem.

COLORADO NA FRONTEIRA

O Inter vai a Rivera, aquela cidade em que, deste lado da rua, você está no Brasil; do outro, no Uruguai, o que, para boa parte dos gaúchos, não faz a menor diferença. Mesmo porque está recheado de gringos daquele Cone Sul – o mais ilustre, seu treinador uruguaio, Fossatti.

O mesmo que resolveu mudar de canal, às vésperas do jogo com o Cerro: em vez do 3-5-2, um já clássico 4-4-2. O que fez respirar aliviado o meia Giuliano, menino que, por sua técnica e movimentação, carece de um mínimo de apoio do meio-campo, escamoteado pelo esquema excessivamente defensivo adotado nos últimos tempos por Fossatti.

O fato é que o Inter tem um potencial ofensivo, pela lista de seu elenco, que não se justifica, sob nenhum outro argumento, o futebol tão burocrático e defensivo utilizado no último jogo pela Libertadores.

Hay que jugar, hermanos!

VERDÃO E PEIXE

Santos e Palmeiras, que nos ofereceram um espetáculo deslumbrante no último final de semana, voltam aos campos da Copa do Brasil muito motivados, claro. O Santos, porque revelou, mais uma vez, competência para reagir à súbita adversidade da virada verde, reempatando aquele jogo, antes de receber o golpe final de Robert. E o Verdão, pelo estupendo resultado: saiu da beira de tomar uma goleada para virar o mundo de ponta-cabeça, com raça e técnica.

Ambos vão a Belém do Pará, onde o Palmeiras pega o Paysandu, nesta  quarta, e o Santos encara o Remo, na noite seguinte, dois tradicionais clubes do Norte. Tão perigosos, que em empatezinho maneiro viria a calhar, embora a vitória por dois gols de diferença economizaria desgaste para os dois times paulistas.

Desgaste que já anda preocupando o técnico Dorival Jr., já que o Peixe vem numa balada só desde o início do ano. Balada festiva, diga-se, mas sempre cansativa. Tanto, que Robinho será poupado (aliás, é dúvida até para o jogo do Paulistão no fim de semana). Por precaução, Dorival Jr. deverá escalar no seu lugar um segundo volante – mancha ou Brum -, o que não altera muito a vocação ofensiva dos Meninos da Vila, nem representa necessariamente um recuo conceitual no futebol mais bem jogado no Brasil nesta quadra do ano.

O Palmeiras também anda estressado. Não só porque jogadores pontuais da equipe, tipo Pierre, Cleiton Xavier, Diego Souza e Robert estiveram praticamente em todas, as boas e as ruins. Mas, também, por esse sobe e desce psicológico a que o Verdão esteve submetido nos últimos tempos. Tanto, que São Marcos foi poupado da viagem. Por outro lado, é uma grande chance para o técnico Tonhão ir incorporando ao time Lincoln e Ewerthon, que serão, sem dúvida de grande utilidade no futuro próximo.

VASCO SEM DODÔ

Dodô sempre foi uma figura enigmática. Bom de bola – isso é indiscutível -, um desses artilheiros que sabem jogar, passar, driblar, lançar, além de marcar gols a granel, quase todos de bela feitura.

Mas, ao longo de sua carreira, tem saltado com prodigiosa velocidade de herói a vilão, em todos os clubes por que passou. Será porque falha nos momentos decisivos, como naqueles dois pênaltis perdidos diante do Fla, um clássico de tantas firulas históricas?

Claro que não. Esse é mais um dos clichês que a mídia e o torcedor costuma impingir neste ou naquele jogador, sobretudo o artilheiro, ser especial que caminha sempre numa tênue linha entre a glória e o fracasso.Afinal, Dodô foi decisivo em vários jogos cruciais, com a camisa do São Paulo, do Santos, do Palmeiras, do Botafogo, do Vasco, sei lá quantas mais vestiu.

Mas, com todas elas, a história sempre foi a mesma: herói num dia, vilão noutro. E por quê?

Já falei aqui do sorriso do Dodô algumas vezes. É um sorriso que me faz lembrar do clássico da literatura francesa - O Homem que Ri.

É a história de um inocente que acaba nas prisões infectas da França dos tempos dos reis, e ali, ao ser torturado, tem seus lábios rasgados de forma que lhe fica implantado no rosto um sorriso permanente, muitas vezes gaiato, outras, sinistro, dependendo de como se o veja. Sorriso que tanto será sua fortuna como sua tragédia.

Dodô tem implantado nos lábios aquele sorriso eterno, seja na glória, seja na desgraça. Mais do que isso, esse sorriso percorre seu corpo e lhe confere aquele jeito de andar e correr que sugere displicência. Enfim gestos e ares que conflitam com a sisudez do torcedor, que quer em campo onze guerreiros graves e dispostos a qualquer sacrifício por sua camisa.

Dodô não pertence a essa tribo., definitivamente. Ele, simplesmente, joga bola. E, quando erra, não tem respaldo algum. Ao contrário: vira o saco de pancada ideal. Entre outras coisas, porque sorri.

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  1. TIMÃO E RACISMO
  2. NOVOS RUMOS DO TIMÃO
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Autor: Alberto Helena jr. Tags: ,