Celso Roth | Blog do Alberto Helena Jr.

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sábado, 9 de abril de 2011 Clubes brasileiros, Futebol internacional | 16:46

JÁ SAÍA QUANDO CHEGOU

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A bem da verdade, quem acompanha os passos do futebol sabe que Celso Roth já estava demitido quando foi contratado. Era só uma questão de tempo, não de resultados, que, nesse quesito, Roth cumpriu sua parte, apesar do vexame no Mundial de Clubes.

Depois de tantas reviravoltas na vida de Celso Roth, já me convenci que seu problema pouco  tem a ver com a maneira como exerce seu ofício e muito mais com um traço básico de sua personalidade: a falta de carisma, atributo essencial para qualquer líder.

No futebol, o grande líder é sempre o treinador, aquele que, além de armar, treinar e escalar o time, infunde confiança não apenas no grupo de jogadores, mas, também,na torcida.

Roth é tão bom treinador de futebol quanto tantos outros que por aí estão, melhor até que muitos afamados. Mas, não dá liga com a torcida. Não só a torcida colorada, mas as de todos os times que dirige.

Seu jeitão de ser e de falar em público, a cada injustiça de que é vítima, se adensa ainda mais, o que piora progressivamente essa sutil relação com a mídia e a opinião pública.

Que fazer?

Quanto a Roth não sei. É seguir adiante, até que um estrondoso sucesso mude o curso de sua carreira.

Quanto ao Inter, deu um salto no escuro, na esperança de que seja amparado por Falcão, maior ídolo de sua história e que há alguns anos atua como comentarista da Globo.

Falcão, o mais completo volante da história do futebol brasileiro, tinha tudo para se transformar num treinador especial, capaz de sair da mesmice que tomou conta dos nossos campos a partir dos anos 90, sobretudo.

Mas, sei lá por que cargas d’água, não vingou, nem na Seleção Brasileira, onde iniciou a renovação que culminaria no time campeão de 94 com Parreira, nem no próprio Inter, em 93.

Virou o comentarista principal da mais poderosa emissora de tv do país, e parecia destinado a ficar nessa pelo resto da vida. Sucede que Falcão, um vencedor por natureza, até hoje não engoliu a breve experiência sem êxito como técnico.

Vejamos no que vai dar isso tudo. Só adianto uma coisa: torço muito para que saia o acerto entre Inter e Falcão, e que, nessa função renovada, o Bola-Bola marque sua trajetória futura com a classe e o sucesso que obteve como craque.

BUROCRACIA À INGLESA

Vivo exaltando o show de bola, cores e emoção em que se transformou o Campeonato Inglês nos últimos anos. Mas, confesso: este foi um sábado decepcionante.

Tanto o líder Manchester United quanto milionário Chelsea jogaram um futebol burocrático, no limite mínimo necessário para assegurar vitórias sobre Fulham e Wigan, por 2 a 0 e 1 a 0, respectivamente.

O Chelsea com força total, apesar de dominar o jogo, ainda criou algumas chances, além do gol de Malouda, mas não encantou. E os Diabos Vermelhos, desfigurados por várias alterações, fez 2 a 0, com Berbatov e Valencia para cair na vala comum o resto da partida.

A diferença entre esses dois grandes do Reino Unido é que, enquanto o Chelsea luta por uma vaga na Liga dos Campeões, o Manchester se mantém como uma rocha inexpugnável na liderança que, ao cabo, poderá transformá-lo no maior vencedor do campeonato da ilha de todos os tempos, superando o Liverpool, com dezenove títulos.

REALINHO

Conheci Realinho lá pelos finais dos anos 50, durante uma greve dos estudantes secundários. Ele, filho do socialista Elpídio Reali, ex-delegado de polícia e político de integridade e coerência já então raras, era dirigente da UPES, União Paulista dos Estudantes Secundários. E parecia que o palanque seria seu destino.

Eis, porém, que Realinho reaparece na telinha como um dos primeiros repórteres de campo da tv brasileira. Esperto, boa pinta, simpático feito o demo, tricolor de fé, marcou sua passagem pelos campos de futebol com o 7 da Record às costas, antes de saltar para a reportagem política.

Durante anos, cruzamos pelas redações e botequins da vida, até que a sombra da ditadura militar passou a acompanhar seus passos. Antes que o alcançasse, Realinho, já casado e pai, juntou a trouxa, a família e se mandou para Paris.

Lembro que, no dia de sua partida, cruzei com Realinho na Praça D. José Gaspar, quando lhe dei carona até a casa de seu sogro, no Morumbi. À noite, o Canarinho voou para longe das trevas que se abateram sobre nós por mais uma década.

Em Paris, Realinho comeu o pão que o diabo amassou até se estabelecer como correspondente da Jovem Pan e do Estadão, transformando sua casa no verdadeiro consulado brasileiro em terras de França.

Amante dos bons vinhos e da mais refinada culinária, sempre que aportávamos em Paris, ele nos conduzia pelos descaminhos do pecado da gula. Papo inteligente, rápido, riso generoso, testemunha divertida e perspicaz de seu tempo, um jantar com Realinho valia a viagem.

Foi-se o nosso Canarinho neste sábado, depois de longa enfermidade, aos 71 anos de idade.

Até logo mais, companheiro, que precisamos botar esse papo em dia.

A SOMBRA DE MESSI

O jogo já estava no ralo. Três minutos de acréscimo, com o Barça, de virada, vencendo o Almeria por 2 a 1, quando uma bola despachada lá de trás, pingou na frente do beque Marcelo Silva, de frente para seu gol. Ah, mas pra que o beque, na corrida, deu aquela espiada sobre o ombro direito?

E o que ele viu? Viu Messi chegando na corrida. Pronto! Bateu o desespero, e a bola, caprichosa, toca o chão e alça-se o suficiente para escapar ao domínio do zagueiro já em pânico. Mas, não de Messi, que a controla com aquela esquerdinha mágica, e, na saída do goleiro Diego Alves, toca pras redes, com a frieza de um relojoeiro suíço dando o seu último retoque numa obra-prima da marcação do tempo.

Fosse qualquer outro adversário, certamente o beque teria controlado o lance, sem maiores dificuldades. Era Messi, porém, E é aí que a sombra do craque se avoluma o suficiente para assustar qualquer mortal.

Outra coisa que encanta nesse garoto: sua disposição de jogar, em qualquer lugar, a qualquer hora, contra quem for, com o mesmo empenho, do início ao fim, e com aquela alegria de menino discreto, embora cheio de firulas no trato com a bola, com que contagia a torcida, não importa de que camisa.

Notas relacionadas:

  1. ALGO EM COMUM
  2. DE BARCELONA A SANTOS
  3. INTER EM SINTONIA
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quinta-feira, 31 de março de 2011 Clubes brasileiros, Libertadores | 02:06

INTER E CRUZEIRO, COM FOLGA

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Como se esperava, Inter e Cruzeiro, os dois melhores brasileiros na Libertadores, passaram com folga por seus adversários, ambos de poucas luzes, convenhamos – o boliviano Jorge Willsterman e o paraguaio Guarani, respectivamente..

O Cruzeiro fez só 2 a 0, embora pudesse ter aplicado mais uma de suas proverbiais goleadas nesta temporada, num estádio vazio e deprimente. E o Inter fez um a mais, no festivo Beira-Rio, em noite de gala do menino Oscar que começa a pegar no breu depois de tanta expectativa em torno de seu nome desde quando começou a ser cevado no São Paulo.

Cruzeiro e Inter estão, pois praticamente na próxima fase da competição, e, se seguirem nessa progressão, irão muito além, não tenho a menor dúvida.

Ah, sim, vale destacar aqui o primeiro gol do Cruzeiro,uma bela trama entre Roger, Wallyson e Montillo para a conclusão de Thiago Ribeiro. Um primor de jogada.

E DEU TRICOLOR

Sim, deu o Tricolor na Copa do Brasil, mas o Tricolor de Recife, não o que leva o nome de São Paulo: 1 a 0. E deu porque o Cobra Coral  marcou melhor e foi mais organizado em campo.

Mas, deu Santa Cruz também porque o São Paulo foi simplesmente uma mixórdia tática, como já ocorreu outras vezes nesta temporada, sob o comando de Carpegiani.

São três zagueiros, mas não são três zagueiros porque um deles, Rhodolfo, fica ali plantado como lateral-direito sem avançar um milímetro. No meio de campo, Casemiro e Carlinhos Paraíba que deram tanta mobilidade e alternativas para o setor foram substituídos desde o início por Souto, que acabou marcando contra o gol da vitória do inimigo, e Jean.

Por fim, Lucas, marcado implacavelmente por Everton Sena, não tinha um parceiro para armar as jogadas de ataque, pois ao seu lado estava uma pálida sombra do verdadeiro Rivaldo.

Urgia trocar um zagueiro por um armador, ao menos. Mas, mesmo perdendo o jogo e com um a mais em campo, o São Paulo seguiu o velho roteiro dos três becões lá atrás, embora o técnico fizesse três alterações e terminasse o jogo com Alex Silva de centroavante.

Isso sem falar nos chiliques de Rogério Ceni e cia. que revelavam uma falta de controle emocional atípica nesse time.

Sim, o juiz deixou o pau cantar por parte do Santa Cruz. Mas, nada tão trágico assim.

Trágico mesmo foi o desempenho do São Paulo.

DEUS É BRASILEIRO

Se Juquinha, o Traquinas, pode reproduzir em seu blog textos integrais de leitores, por que não transmigrar este deliliciosa crônica de Rodrigo Prada que recebi por e-mail em minha caixa postal?

O presidente da Fifa reclamou que as obras para a Copa do Mundo estão muito atrasadas, mais do que estiveram para o Mundial da África do Sul em 2010. Uma grande falácia, desmentida pelo nosso ministro Orlando Silva. Pensando em colaborar com o presidente da Fifa, fiz algumas recomendações para que ele possa desfrutar o seu tempo no Brasil.

Dear Mister Blatter,
Vou escrever em português, pois mais de 80% das pessoas do meu país não falam um segundo idioma. Nosso ministro do Esporte, Orlando Silva, convidou o senhor para visitar o Brasil ainda neste semestre, para acompanhar o andamento das obras para a Copa do Mundo de 2014. O senhor poderá ver de perto que já estamos prontos para receber o Mundial. Só tenho algumas dicas importantes para que o senhor aproveite da melhor forma possível sua estada no Brasil.

Começar seu tour na próxima sexta-feira (1º de abril) seria uma ótima ideia, mas corra para reservar um quarto de hotel. Na verdade, este probleminha só ocorre em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Cuiabá, Brasília, Manaus e Recife.

Bom, após reservar o hotel, compre passagem com destino a Guarulhos, pois é o principal aeroporto da América do Sul.
Mas aí terei umas dicas preciosas.

Primeiro, concentre suas roupas na bagagem de mão, pois em 35% das vezes a bagagem despachada é perdida.

Além disso, aproveite para fazer amigos na fila de controle de passaportes do aeroporto, pois chegam cinco voos no mesmo horário e temos apenas seis postos de inspeção. Mesmo que demore, não tem importância, pois a bagagem também irá demorar em torno de uma hora. Aproveite para conhecer nosso “Duty Free”.

Traga uns relógios para distribuir aos nossos governantes. Afinal eles estão cumprindo o cronograma com precisão suíça. Não se preocupe com a alfândega, pois com apenas um funcionário para tantos voos a chance de ser barrado será de uma em um milhão.

Até o seu hotel serão mais umas duas horas, durante as quais o senhor poderá notar como nosso rio Tietê está cada dia mais bonito. Aliás, o senhor estará tão perto do estádio da abertura da Copa que não custa dar uma passadinha antes em Itaquera para conferir como a obra está impecável. Duvido que o senhor encontre um defeito no que já foi construído para a abertura do Mundial.

Sei que prometeram um trem de alta velocidade para ligar São Paulo ao Rio, mas é muito mais romântico ir de ponte aérea. Não há vista mais sublime que pousar no Santos Dumont, principalmente quando o avião precisa de mais pista do que o aeroporto apresenta.

Tirando esse perigo, no Rio temos as unidades pacificadoras nos morros. Acabou o problema do tráfico de drogas e da violência na Cidade Maravilhosa. O Maracanã ficará lindo. Como o senhor desejava, será demolido integralmente por dentro e encolherá em uns 120 mil lugares. Só quem não gostou foi o vendedor de amendoim.

Em Belo Horizonte, o pessoal estava tentando contratar serviço de fiscalização e gerenciamento da obra do Mineirão pelo menor preço, mas acho que vão mudar de ideia. Assim não corremos mais o risco de instalarem uma tabela de basquete no lugar da trave.

Se for a Salvador, não deixe de conhecer as obras do metrô. São seis quilômetros de pura beleza, tão bem-executada que ninguém tem nem coragem de usar. Já temos trem, operador, estações, tudo pronto, falta somente inaugurar.

Em Pernambuco, teremos a Cidade da Copa. Ainda bem que levaram os jogos para uma cidade novinha, onde não há sequer um registro de homicídios nem de tráfico de drogas.

Em Natal, cidade mais próxima da Europa, já temos pronta a pista do aeroporto (só ela). Precisa de mais alguma coisa? Ah, e não se esqueça de escolher um hotel com gerador, pois de vez em quando acaba a luz, que volta em, no máximo, cinco horas.

Fortaleza mostra o que é planejamento. Possivelmente terá o Castelão pronto antes mesmo da reforma do estádio Presidente Vargas, que seria o substituto do próprio Castelão enquanto este estivesse em obras, entende?

Em Manaus, capital do Amazonas, conhecerá um mundo de aventura. Será mais fácil encontrar um elefante branco do que uma conexão de internet de banda larga.

Em Cuiabá, não deixe de assistir a um clássico, de conhecer a paixão do mato-grossense pelo futebol.

Para chegar a Curitiba, o ideal é ir no dia anterior a sua programação, pois uma névoa levezinha atrapalha a chegada de voos matinais.

Em Porto Alegre, a rivalidade é tão grande que, se o senhor visitar o Beira-Rio, terás que ir também ao novo estádio do Grêmio. Importante: não vá de azul ao estádio do Colorado, nem de vermelho ao futuro estádio Tricolor. É perigoso.

Brasília não foi feita para ser conhecida de quarta-feira. Pois está cheia de políticos, reuniões e negócios. Por isso, pegar táxi, ir a um restaurante, hospedar-se em um hotel pode se tornar um martírio.

A nossa sorte é que em 2012 teremos eleições municipais e, em 2014, estaduais e federal. Assim, ficará fácil preparar o Brasil para o maior espetáculo da terra.

E o principal, Mister Blatter, é que aqui nós contamos com a ajuda de um compatriota que construiu o mundo inteiro em apenas sete dias. Deus é brasileiro, como o senhor bem sabe.

Se não puder vir ao Brasil agora, acompanhe pelo Portal 2014 (www.portal2014.org.br) o andamento das obras e saberá muito mais sobre o que vão lhe apresentar.”

*Rodrigo Prada é jornalista, autor do estudo sobre Os Estádios Brasileiros e diretor do Portal Copa 2014.

Notas relacionadas:

  1. SPORT E CRUZEIRO NO TOPO
  2. SÃO PAULO, CRUZEIRO E SANTOS
  3. CRUZEIRO, NOSSO GUIA
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quinta-feira, 19 de agosto de 2010 Clubes brasileiros, Libertadores | 02:20

INTER, CAMPEONÍSSIMO!

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Ainda bem, pois zebras, surpresas e outros bichos são exceções até mesmo nesse caprichoso joguinho da bola. Então, celebre à vontade, meu caro colorado, pois o título de campeão das Américas (já que tem mexicano na parada) é do Inter, como só poderia ser.

Afinal, o Inter, desta vez, não foi apenas um rico elenco à deriva, mas o melhor time de todos ao longo do campeonato, sobretudo depois da chegada ao Beira-Rio do técnico Celso Roth, que deu rumo certo à equipe. E o destino do Inter, desde muito tempo, é jogar uma bola mais refinada e contundente do que a maioria dos seus pares.

Uma bola, assim, como a do menino Giuliano, talvez a grande personagem dessa gloriosa caminhada concluída na noite desta quarta-feira com a vitória sobre o Chivas, por 3 a 2, de virada.

Não só pelos seus gols providenciais ou mesmo pelas jogadas de alto nível com que marcou sua passagem pela Libertadores. Mas, porque ele personifica as oscilações do time durante essa campanha e representa o ponto de inflexão entre a derrota e a vitória final..

Com o técnico Fossati, Giuliano, a exemplo de Taison, dois meninos de futuro mais que promissor, amargaram uma reserva injusta, determinada por conceitos táticos já superados. Ambos, porém, renasceram à luz de Roth, e deu no que deu: a lógica.

O jogo em si, claro, foi tenso, reticente, sofrido, mas assim mesmo acabou prevalecendo o talento sobre a força, e o Inter leva a taça, a vaga já assegurada na próxima Libertadores e o direito de disputar o maior de todos os títulos: o Mundial de Clubes.

De quebra, passa agora a lutar pelo Brasileirão, pleno de ânimo e categoria.

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quinta-feira, 12 de agosto de 2010 Clubes brasileiros, Copa Sul-Americana, Futebol internacional, Libertadores | 01:22

INTER EM SINTONIA

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Só foi de virada porque o Chivas achou um gol no primeiro tempo. Caso contrário, no jogo da bola rolada, o Inter, naturalmente, chegaria a 2 a 0, com folga, pois foi muito melhor do que o time mexicano.

E foi melhor, entre outras coisas, porque o técnico Celso Roth, em sintonia com a onda de bom senso que assola o país do Santos de Dorival e a Seleção de Mano, não recuou diante do bicho feio: escalou o meia Giuliano e botou seu time pra jogar lá fora como jogaria em casa, com toques envolventes e pra frente.

Pena que Alecsandro tenha se machucado ainda no primeiro tempo, pois, com ele em campo, a vitória poderia ter sido ainda mais folgada.

Assim, se não subir no salto alto, o Colorado escala o pódium da Libertadores e levanta a taça que já lhe é de direito.

Fechando a fresta

Diante do impasse em que o seu Palmeiras não ganhava um jogo desde sua estreia como salvador da pátria, Felipão foi ao Baradão, escalou três zagueiros de área, quatro volantes e jogou a chave da retranca fora.

Resultado: Vitória, 2 a 0, o que deixa apenas uma fresta por onde Felipão deverá conduzir seu Palmeiras em direção à única luz que brilha no horizonte verde, segundo o próprio treinador – a Copa Sul-Americana.

Depois do jogo, Felipão anunciou que, se for preciso, troca quatro ou cinco titulares. Mas, troca por quem, se o próprio treinador vem repetindo que o Palmeiras não tem elenco suficiente e precisa urgentemente de reforços?

Notas relacionadas:

  1. INTER, VASCO E GALO
  2. INTER, LÂMINA AFIADA
  3. INTER NA FITA, MAS…
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sexta-feira, 21 de maio de 2010 Campeonato Brasileiro, Libertadores, Treinadores | 00:30

INTER, LÁ; FLA, FORA

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Foi uma conquista heroica. Em dois minutos, ainda no primeiro tempo o Estudiantes fez o placar que o levaria para as semifinais da Libertadores: 2 a 0 – o primeiro gol num lançamento magistral de Verón.

Mas, o Estudiantes se resume em Verón, e o Inter se distribui em vários outros jogadores de nível, embora o time, como conjunto, não tenha chegado até agora a atingir o estádio que lhe é possível.

De qualquer forma, tinha o domínio da bola e dos espaços. E só precisava de um maldito golzinho para seguir avante no torneio. E o gol veio já aos 40 minutos do segundo tempo, com Giuliano, que entrara no lugar de D’Alessandro, invadindo a área argentina pela direita.

O técnico Fossati, por certo, será incensado por ter feito essa substituição e também por ter trocado um de seus três zagueiros pelo atacante Walter, o que, a meu ver, deu-se tarde. Mas, olhe o amigo para o lado oposto: eis o técnico Sabella tirando um meio-campista por um terceiro zagueiro para preservar o placar de 2 a 0.

No fundo, no fundo, é tudo uma troca protocolar, dentro dos padrões vigentes, em que o resultado, enfim, acaba sendo apenas circunstancial. Mas, o fato é que, bola rolando, o Inter mereceu mais do que o Estudiantes essa vaga para a próxima fase da Libertadores.

Ah, Fla…

Assim como o Flamengo mereceu vencer o Universidad de Chile, lá em Santiago, por 2 a 1, gols de Love, na sequência de bicicleta de Adriano, e de Adriano, em jogada iniciada por Petkovic, que deveria ter jogado desde o início.

Mas, tomou um golaço do argentino Montillo, e dançou. Dançou porque foi pífio no jogo de ida, no Maracanã. Agora, só lhe resta encarar pra valer o bicampeonato brasileiro, possível, sim, mas ainda mais difícil.

A dança dos técnicos

Parraga, das divisões de base, ex-integrante daquela Ponte Petra histórica dos anos 70, assumiu o Palmeiras, interinamente. E se declarou fã do futebol jogado com técnica e habilidade. Mas, não quis adiantar o time que entrará em campo neste fim de semana, pelo Brasileirão, contra o Grêmio, no Palestra. Logo o Grêmio, que apesar da desclassificação na reta final da Copa do Brasil, vem de magnífica campanha, com um time afiado?

É a chance de se consagrar. Mas, como, se Robert, o único que fazia gols nesse Verdão, foi demitido, por causa daquele quiproquó com o também dispensado técnico Zago? Robert junta-se, pois a Wagner Love e Diego Souza, postos pra correr pela torcida verde. A bola da vez quem será? Cleiton Xavier? Quem sabe Marcão? Aí não restará no Verdão um pingo de técnica e habilidade em que se basear o jogo de Parraga.

Gaúcho não resistiu à horrorosa exibição do Vasco contra o Palmeiras e cedeu seu posto interino para o titular Celso Roth, que chegou a São Januário comandando aos gritos a assustada boleirada. Às vezes, funciona; outras, não. Mas Roth é do ramo.

Por falar em técnicos, a cujo lugar certo Dorival Júnior alojou depois da vitória sobre o Grêmio (“Dá-se demais importância ao treinador no Brasil”), a França já anunciou seu comandante para depois da Copa: Blanc, extraordinário zagueiro dos bleus campeões do mundo e europeus nos finais dos anos 90. Na Copa de 98, na França, tive um breve papo com Blanc, que me causou excelente impressão. Cara articulado, que pensa o futebol dentro do melhor figurino do jogo. Acho que vai dar samba. Ops! Aquele puladinho ao som da concertina que eles lá cultivam na Provença.

Notas relacionadas:

  1. INTER E TUTTI QUANTI
  2. ATÉ AGORA, SÓ O INTER
  3. TODOS FORA
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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009 Campeonato Brasileiro, Libertadores | 14:42

DANÇA DOS TÉCNICOS

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Veja mais charges no blog do Milton Trajano

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Celso Roth foi dispensado do Atlético, em situação similar à que o tirou do Grêmio na mesma temporada: cumpriu um bom trabalho, até o instante final. Tanto que seu nome constava da lista dos três melhores do Brasileirão para o prêmio da CBF.

Caso curioso esse de Roth, cuja explicação talvez roce pelo lado da antipatia pessoal, nunca pela competência técnica.

Para o seu lugar, Luxemburgo, outro que não prima pela simpatia, de maneira diferente, creio. Mas, que transborda competência, embora ultimamente parece mais empenhado em gerir seus tantos negócios e participar de polêmicas estéreis do que em se dedicar exclusivamente ao ofício que lhe é mais grato, o de treinador de futebol.

Já Dorival Jr., que tirou o Vasco com  galhardia da Segundona, esteve com um pé no Grêmio, que preferiu Silas – um dos nomes da temporada – mas vai desembarcar na Vila, onde tem a simpatia geral da nova diretoria.

Contudo, os tempos de mudança mal começaram. Vem mais coisa por aí.

VAIVÉM DA BOLA

Tcheco chegou para assinar com o Corinthians, de olho na Libertadores, que ele mesmo confessa ser uma de suas obsessões. Excelente reforço. É o que se convencionou chamar de segundo volante, com técnica suficiente para participar ativamente da armação do time, bate bem na bola, é experiente e um líder dentro das quatro linhas.

Já o Grêmio, que perdeu Tcheco, pode ganhar Marquinhos, o meia-armador (coisa rara no nosso futebol atual) que deu senso e norte ao Avaí, na gloriosa campanha dos catarinas no Brasileirão. De estilo refinado, passes exatos e colocação invejável em campo, Marquinhos, aos 29 anos de idade, está na plenitude de sua forma, técnica e física. Ao lado de Souza, certamente, haverá de conferir um toque de classe extra no Grêmio que se reformula sob o comando de Silas.

O grande reforço do Flamengo para a disputa da Libertadores, sem dúvida, será o meia Andrezinho, prata da casa que ganhou asas no Inter. Ativo, hábil, exímio cobrador de faltas. Resta, pois, ao Rubro-Negro manter o elenco atual e, sobretudo, Andrade, e tocar a bola pra frente.

Falou-se em mudanças de rumo no Palmeiras, depois de sua exclusão da Libertadores. Mas, o presidente do clube jura que vai reforçar devidamente o elenco, a começar pelo retorno de Cleber Gladiador, também pretendido pelo Fla. Vejamos, vejamos. O diabo é essa janela escancarada, com vista panorâmica da Europa.

Notas relacionadas:

  1. PET E RONALDO, O SAL DO JOGO
  2. O GALO DE TARDELLI
  3. HERÓICO TIMBU
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segunda-feira, 6 de abril de 2009 Campeonatos Estaduais, Clubes brasileiros | 15:49

PAULISTÃO, GIULITE E ROTH

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O Palmeiras praticou o melhor futebol, durante boa parte da fase de classificação do Campeonato Paulista. O São Paulo é aquele tradicional cavalo de chegada, de jogo pragmático e eficiente, tricampeão brasileiro e tal e cousa e lousa e maripousa. O Corinthians segue sendo o único invicto do certame, que se apóia emocionalmente na Fiel, e tecnicamente em Ronaldo, dois fenômenos do futebol. E o Santos, que vem se aprumando nas mãos do técnico Vágner Mancini, ganhou moral com a vitória de domingo, quando seu artilheiro Kleber Pereira voltou a acertar as redes, desta feita, por três vezes seguidas.

Mas, todas essas diferenças se diluem diante do mata-mata decisivo das semifinais que se avizinham. Todas, não. Uma, que não foi registrada lá em cima, ainda resta: aquela que dá a Palmeiras e São Paulo, nos confrontos com Santos e Corinthians, respectivamente, a vantagem de dois resultados iguais.

E isso pesa, claro, em embates como esses, onde eventuais e ligeiras superioridades técnicas acabam se submetendo ao estado emocional dos jogadores no momento da decisão, já que todos ostentam ilustres escudos no peito e se apoiam em solenes tradições.

E quando falo em eventuais e ligeiras superioridades, tomo como exemplo, o cotejo entre o líder e o qyarto colocado. É voz corrente que, tecnicamente, o Palmeiras ganha do Santos. Pois, vejamos, jogador por jogador. Entre Fábio Costa e Marcos, claro, o palestrino exibe um currículo muito superior. Mas, entre Fábio e Bruno, que vem jogando, a situação se inverte. Nas duas laterais, ambos se equiparam, por baixo, quaisquer que sejam os escolhidos. E, na zaga central, se Edmílson ganha destaque, Fabiano Eller tem quase a mesma dimensão do outro lado. Do meio de campo pra frente, façamos a seguinte combinação: Pierre, Rodrigo Souto. Cleiton Xavier e Diego Souza; Keirrison e Kleber Pereira.

Claro, o Palmeiras está mais ajustado do que o Santos, pelo tempo de arrumação. Mas, em dois jogos, dependendo dos desfalques da hora, a balança pode tanto pender para um quanto para outro.

ADEUS A GIULITE

Foi-se o nosso Giulite Coutinho, antes de tudo, um cavalheiro entre essa horda de bárbaros que, no geral, compõem o cenário da cartolagem nacional.

Empresário de sucesso, americano de terno coração, assumiu a presidência da CBD no instante em que esta se transformava em CBF, muito por conta de sua ação nesse sentido, na virada dos anos 70 para os 80. E sua primeira atitude foi reunir um grupo de de cronistas esportivos para ouvir de nossa boca quais medidas básicas deveria tomar.

Dissemo-lhe que, antes de mais nada, deveria reduzir o número de clubes no Campeonato Nacional, de quase cem – herança de Heleno Nunes, presidente da Arena fluminense, que se notabilizou pelo slogan célebre: Onde a Arena vai mal, mais um clube no Nacional.

Giulite reduziu para vinte.

Outra exigência da mídia: técnico exclusivo para a Seleção Brasileira, alguém escolhido por méritos, não por amizade ou regionalismo. E que este formasse uma comissão técnica pelos mesmos padrões, sem compadrio. Telê, que já havia sido campeão pelo Fluminense, pelo Atlético Mineiro, pelo Grêmio e, pelo Palmeiras, cumpria magnífica performance no Nacional daquele ano, foi o escolhido, o que resultou naquela maravilhosa e inesquecível Seleção de 82, que ficou na história, apesar da derrota para a Itália, no amaldiçoado estádio de Sarriá. 

Giulite queria mais: um contrato milionário de patrocínio da Seleção pelo Instituto do Açúcar e do Alcool, um acordo de duas mãos, pois não só a Seleção receberia dinheiro suficiente para manter-se num nível altíssimo, como o Brasil venderia para o exterior a imagem de sua grande invenção desde o 14-Bis – a energia produzida pelo alcool extraído da cana de açúcar. Parece ao amigo algo tão atual e familiar? 

Tudo que solicitava era a inserção de uma semente da planta mágica na camisa. O então presidente da Fifa, João Havelange, seu desafeto por razões que desconheço, simplesmente vetou, baixando determinação que restringia a utlização de logotipos comerciais nas camisas das seleções de todo o mundo a marcas esportivas – no caso, a Adidas, patrocinadora da entidade-mor e de quase todas as federações do planeta.

Outra iniciativa de Giulite: diante da desistência da Colômbia, trazer para o Brasil a Copa de 86. Novo veto de Havelange, que preferiu levá-la de volta para o México.

Desgostoso com a perda da Copa da Espanha, pelas pressões das federações estaduais, que exigiam smepre mais clubes no Nacional, aos poucos, Giulite foi se afastando de seus objetivos iniciais, até sair de cena, seis anos depois de ter assumido o comando do futebol brasileiro.

Assim é a vida que Giulite deixa agora para virar memória, embora já praticamente esquecido.

E ROTH CAIU

Na verdade, os dias de Celso Roth no Grêmio estavam contados desde quando assumiu. Há uma invencível aversão da maioria da torcida gremista pela figura do treinador. Não importa aqui se justa ou injusta, ou até mesmo quais as suas raízes.

E Roth só resistiu por causa dos resultados positivos que alcançava nos momentos em que o nó começava a se apertar em volta de seu pescoço.

Mas alma gaúcha se comove muito mais com um Grenal do que todos títulos regionais, nacionais ou até mesmo internacionais ou belas campanhas no Brasileirão, por exemplo. E, nos Grenais, Roth levou de goleada, comandando o Grêmio.

A gota fatal foi a derrota de domingo, que deixou seu time fora da fase decisiva do Gauchão. Imperdoável! Tanto, que a degola veio às vésperas de um jogo importantíssimo pela Libertadores, torneio muito mais significativo do que o estadual: o Grêmio, que parece confluir para o nome de Renato Gaúcho, ídolo eterno da torcida tricolor, prefere enfrentar o Aurora sem técnico do que prolongar esse martírio interminável.

Notas relacionadas:

  1. ENFIM, O PAULISTÃO
  2. FIM DE SEMANA PAULISTA
  3. SELEÇÃO, PAULISTÃO E GRÊMIO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , ,

quinta-feira, 6 de novembro de 2008 Campeonato Brasileiro | 15:53

PLANO DE VÔO DO GRÊMIO

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O Grêmio, pelo visto, perdeu o senso, como diria o poeta das estrelas. Talvez, porque tenha visto e se encantado com mais estrelas em seu céu azul e preto do que o destino lhe havia reservado.

Todos se lembram – sobretudo os mais fiéis gremistas -, que, de início, o Grêmio não passava de um figurante no campeonato, que, no máximo, por sua história gloriosa, poderia aspirar por um lugar na Libertadores. Eram muitos os favoritos á sua frente.

Quem sabe, por isso mesmo, com a alma leve de maiores responsabilidades, tenha alçado aquele vôo prodigioso que o manteve acima dos demais ao longo de quase todo o campeonato. Vôo, diga-se,  que, se foi perdendo altura neste segundo turno,  não entrou em parafuso, ainda. Longe disso: está lá na zona da Libertadores, a rala distância do líder.

O campeonato por pontos corridos é interessante exatamente por isso: sendo de longo curso, premia aquele que souber equilibrar num bom nível técnico juízo e pertinácia. Aliás, esses foram os atributos que marcaram o longo período de liderança do Grêmio.

São Paulo e Palmeiras, líder e vice, que oscilaram em campo várias vezes durante o percurso, jamais perderam o rumo. Isto é: nem a torcida, nem os cartolas, muito menos as comissões técnicas e os jogadores entraram em pânico.

Já no Grêmio, seus mais recentes episódios revelam que bateu no Olímpico o descontrole: a torcida foi lá no treino cobrar raça, gesto típico nos times que estão em crise no Brasil; os dirigentes já anunciam que o técnico Celso Roth não seguirá no comando da equipe, ano que vem etc.

Eis a fórmula praticamente infalível de levar um time á derrocada, ao parafuso tão temido.

Cabeça fria e coração quente, esta, sim, é a fórmula do sucesso, principalmente no futebol.

O Grêmio, se bem analisada a questão, pode até perder para o Palmeiras no Palestra Itália, resultado plenamente inserido na lei das possibilidades, e, mesmo assim, seguir na luta pelo título, dado o equilíbrio entre todas as forças em confronto.

Mas, tem que manter o Plano B vivíssimo, no campo e na galera. E o Plano B é a Libertadores. Com o Plano B, pode até chegar ao Plano A. Mas, sem plano nenhum perdendo o norte, só lhe restará a frustração completa.

E, isso, meu amigo, está escrito nas estrelas há séculos e séculos.

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Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , ,