E aí, meu? Quem vai levar a taça nessas decisões de 180 minutos que se iniciam neste domingo?
Nos casos do Rio e de Minas, o mando de jogo interfere de maneira mais amena, já que os campos, em si, serão neutros – Maracanã e Mineirão. Só muda de cor e sonoridade a galera.
Mas, em São Paulo, a Vila e o Pacaembu têm seus próprios significados.
A propósito, faz tempo que tenho minhas dúvidas sobre a praxe do futebol nessa questão: não sei se mandar o segundo jogo, num mata-mata de dois jogos, é melhor ou pior para o time que recebe esse “benefício”. Depende muito do comportamento da torcida. Se perder o jogo de ida, corre o risco de perder a torcida, no jogo de volta, caso não faça logo um gol.
Nesse sentido, o Corinthians parece levar uma certa vantagem sobre o Santos. Não apenas porque a Fiel (por questão de espaço no estádio) será maior no Pacaembu do que a galera santista na Vila, como passa a impressão de estar mais confiante e tolerante com seu time.
Mas, o jogo é jogado, e o melhor, numa disputa de dois jogos, acaba levando, se os deuses não interferirem de modo brutal. E mais: tudo o que ocorrer no primeiro jogo reflete no segundo, para o bem ou para o mal. Jogador expulso, a dimensão do placar e tal e cousa e lousa e maripousa.
Então, vamos ao que interessa: quem é melhor, entre os paulistas – Santos ou Corinthians?
Bem, o Corinthians leva a vantagem de ter um time armado e aprovado, pela conquista da Segundona e por seguir invicto ao longo desta temporada, há mais tempo do que o Santos, que começou a se ajustar nas mãos de Mancini outro dia. Além disso, conta com Ronaldo Fenômeno, gordo, fora de forma, mas sempre implacável nas proximidades da área inimiga, pra não falar na estrela que carrega na testa e no temor, justificável, que infunde no adversário.

O Santos, contudo, parece ter se reencontrado com seu destino, aquele que aponta para a permanente renovação, jogadores jovens e talentosos, como Ganso e Neymar, para dar a grande virada, quando dele nada se espera.
A balança pende para o Corinthians, sorbetudo se Douglas, o armador da equipe, jogar com a mesma intensidade com que jogou nas semifinais. Mas, se o Santos, por isso ou aquilo, vencer, sei não, meu.
QUE DECISÃO, SÔ!
No Mineirão, depois de um bom tempo em que o Cruzeiro dominou soberbo, o Galo entra em campo com a crista erguida, diante do rival que mantém a mesma pose.
Claro, pelas últimas campanhas e pelo time que tem, jogando aquele futebol tradicional da Raposa, feito de muita técnica e ofensivo, o Cruzeiro pinta como favorito. Mas, o Galo mudou de estilo e, principalmente, de ânimo, sob o comando de Leão. Além de contar com um iluminado Diego Tardelli, que sempre foi excelente jogador, de quem Leão sabe extrair o melhor, ao contrário de outros treinadores.
Mas, o Cruzeiro responde com Ramires, Wagner, Marquinhos Paraná, um meio-campista que sabe fazer a bola circular, e Kleber, o Gladiador.
É de se ver. Imagino, dois jogaços!
NO RIO, CARA…
No Rio, o Flamengo me parece um time mais consistente do que o Botafogo. Pelo menos, no aspecto anímico, por tudo o que tem acontecido nos últimos tempos.
O Botafogo, agora, como nas vésperas, joga melhor, não tanto quanto nos tempos de Cuca, hoje, técnico do Flamengo. Tem um ataque mais efetivo, com Simões e Reinaldo etc. Mas, o Flamengo – e isso se demonstrou mais uma vez na decisão da Taça Rio – acaba tendo maior imposição em campo.
Essas coisas, porém, não são definitivas, imutáveis. Uma hora, o braço da viola muda, e, então…
OBRIGADO, SENHOR!
Como no hino brega do Rei Roberto Carlos, agradeço ao Senhor – ou, aos deuses da bola do Armando Nogueira, ou ainda, baixando essa bola aos campos terrestres, a Sir Alex Ferguson -por aquelas duas horas de pleno reencontro com o futebol jogado sob todos os seus signos – força, brio, técnica, habilidade e muitos gols.
Confesso que há muitos e muitos anos não tinha essa sensação: um time que perdia por 2 a 0 no primeiro tempo infundindo-me a certeza de que, no segundo, a virada seria inevitável. Isso era privilégio do Santos de Pelé, da Academia de Ademir da Guia, do Inter de Falcão, do Flamengo de Zico etc. E de alguns momentos raros da Seleção.
Pois, foi assim no confronto do Old Trafford, entre o Manchester United e o Tottenham, que, em dois contragolpes, no primeiro tempo, meteu 2 a 0. Dois gols nascidos da habilidade de Lennon, um desses pontas agressivos e dribladores.
O Liverpool, com um time desfigurado – três volantes, essas coisas -, havia vencido, antes, o Hull City por 3 a 1, mas com um jogo opaco, e o Chelsea, também sem brilho, ganhava do West Ham por 1 a 0. Portanto, os Diabos Vermelhos estavam em situação crítica no Campeonato Inglês, quando, no intervalo, Sir Ferguson trocou Nani por Tevez.
E o Manchester, que já havia criado uma pá de chances no primeiro tempo, todas conjuradas pelo nosso Gomes, em tarde inspirada, partiu definitivamente para virar de cabeça pra baixo aquele cenário.
E virou: em 25 minutos de partida na etapa final, já vencia por 3 a 2, com dois gols de Cristiano Ronaldo e outro de Rooney, que ligou as turbinas e detonou esse período com arrancadas prodigiosas e passes exatos.
Antes disso, Sir Ferguson trocou um de seus volantes - Fletcher – pelo meia Scholes, que acertou o passe de meio-de-campo, e a arrancada para a goleada foi inevitável: Cristiano Ronaldo, de cabeça, em cruzamento da esquerda de Rooney, o mesmo Rooney, novamente, em bola chorada, e, por fim, Berbatov: 5 a 2!
Com exceção do primeiro gol, de pênalti, todos os outros foram frutos de jogadas trabalhadas a partir do meio de campo, com dribles, fintas, passes e lançamentos.
Um detalhe: qualquer outro treinador, quando o Manchester virou um jogo considerado praticamente perdido, por certo, teria sacado um atacante e escalado em seu lugar um volante de contenção, se não um beque. Ferguson, não: manteve sua equipe com apenas um volante, um meia e quatro atacantes.
Quem sabe sabe.