Para o Palmeiras, era uma questão de preservar a liderança, nem que fosse ao lado do São Paulo. Para o Fluminense, era uma questão de sobrevivência na Série A do Brasileirão – vida ou morte.
E foi isso que pautou o emocionante, embora pontilhado de muitas faltas, jogo do Maracanã, na comovente vitória do Fluminense por 1 a 0, gol de Fred, de cabeça, aos 15 minutos do segundo tempo: o Tricolor, o tempo todo atrás da vitória; o Verdão, o tempo todo, evitando a derrota.
Sim, é verdade, houve aquele gol de Obina, absolutamente legal, que Simon, em fase deplorável, anulou sabe-se lá por que cargas d’água. Mas, isso foi tudo o que o Palmeiras fez ofensivamente. De resto, afundou-se em total falta de criatividade no seu meio campo, mesmo depois que Muricy trocou um dos supérfluos zagueiros (Marcão) pelo meia Deyvid Sacconi, tarde demais.
Em contrapartida, o Flu era flama que Conca elevava ou baixava de acordo com a necessidade do jogo e pura aplicação.
Dessa forma, o Verdão perdeu a liderança e o Flu atingiu o limiar da fuga do rebaixamento, somando uma série de meia dúzia de jogos invictos no Brasileirão, um prodígio para quem já parecia destinado à queda irreversível.
O GRANDE VENCEDOR
Sem dúvida, o grande vencedor deste domingo foi o Flamengo, que meteu 3 a 1 no Galo em pleno Mineirão.
E aqui, mais uma vez, sou obrigado a abrir um espaço especial para falar de Petkovic, esse sérvio de fina cabeça e bola redonda, pedra de toque do Flamengo que, de time comum, deu esse salto prodigioso para a terceira colocação, com grandes chances de empalmar a taça, a partir do instante em que o gringo entrou na equipe, sem nenhuma expectativa, diga-se, à época.
Neste domingo, simplesmente, ele perpetrou seu segundo gol olímpico no campeonato, um atrás do outro. Ora, sabemos que gol olímpico é aquele lance esporádico, marcado de vinte em vinte em vinte anos. Pois, Pet fez dois, em poucos dias.
Além do mais, e o mais importante, é sua infinita capacidade de armar a equipe como só os grandes meias do passado o eram.
Enfim, deixaram, e o Mengão está aí, a dois passos da liderança.
O FENÔMENO
Falo de Pet e sou obrigado a apontar para Ronaldo, o Fenômeno, que decidiu o jogo com o Santo André, no Pacaembu, com um golaço de fora da área e uma assistência precisa para Dentinho definir o placar.
E aí é fácil entender por que o Corinthians viveu aquela fase de baixa ao longo do campeonato. Coincidentemente, a coisa se deu enquanto Ronaldo se recuperava de delicada lesão no punho.
Ao recuperar um tiquinho de condições físicas e técnica, pronto! Já está fazendo a diferença!
VASCO DE VOLTA
Sou do tempo em que o Vasco era a maior potência técnica do futebol brasileiro, e dono do terceiro maior estádio do país, abaixo apenas do Maracanã e do Pacaembu, onde botava pra jogar um timaço que era a própria Seleção Brasileira – Barbosa; Augusto e Wilson Capão; Eli, Danilo e Jorge; Tesourinha ou Friaça, Maneca, Ademir de Menezes, Ipojucã e Chico.
Mais tarde, montou outro esquadrão, com Hernani; Paulinho e Bellini; Laerte ou Écio, Orlando e Coronel; Sabará, Livinho (depois, Almir Pernambuquinho), Vavá, Walter (depois, dr. Rúbis) e Pinga.
Esse Vasco não podia cair. E, se caísse, por obra do destino e dos desmandos de seus dirigentes, teria de voltar rapidamente. Foi o que fez, para o bem do futebol brasileiro.
LÁ FORA
O clássico inglês, apesar da disposição ofensiva das duas equipes, foi tenso, corrido, mas pouco emocionante, pela ausência de chances de gol claras e bem definidas. Ganhou Chelsea, por 1 a 0, gol Terry, o zagueirão, de cabeça, em bola alçada por Lampard, jogada manjadíssima dos azuis.
Mas, na verdade, o Manchester United foi ligeiramente superior na bola rolando. Isso, porém, não conta pontos e o Chelsea é o líder isolado, enquanto o Arsenal, que goleou mais uma vez, no sábado, vem comendo pelas beiradas.
Dois levantamentos de Ronaldinho Gaúcho, e o Milan venceu a Lazio por 2 a 1. No primeiro, Thiago Silva emendou de cabeça; no segundo, foi Pato. O Milan, assim, vai dando sinais de recuperação – já é o quarto ou quinto jogo invicto – depois de um início de temporada deplorável. Mas, é evidente a queda de produção do time no segundo tempo.
Talvez, por conta da idade do trio de meio-de-campo – Seedorf, Pirlo e Ambrosini -, talvez, por deficiência na preparação física, não sei.
No Campeonato Espanhol, segue a disputa paralela entre Barça e Real, com a vitória de ambos neste fim-de-semana: o Barça meteu 4 a 2, no Mallorca, e o Real bateu o rival madrilenho, o Atlético, por 3 a 2, com gols de Kaká e Marcelo.
Nenhum dos dois, porém, ainda está praticando aquele futebol dos sonhos que seus elencos sugerem, pelo menos, não, até o final do ano, com a sobreposição da Liga dos Campeões com o campeonato nacional.