12/11/2009 - 15:14
Os ingleses inventaram o futebol,e os brasileiros o reinventaram, acrescentando à viril disputa de chutes e cabeçadas graça, imaginação, plasticidade, malícia e um tom certo de irreverência, que não só encantou o mundo como lhe serviu de espelho.
Tanto, que,ao longo do século passado, embora com certa relutância, que inglês tem o conservadorismo no seu DNA, eles passaram aos poucos a nos imitar, processo que se acelerou na última década, época em que fazíamos o caminho inverso, por conta do medo atávico de nossos treinadores ditos pragmáticos.
Sábado, ingleses e brasileiros se encontram em Dubai, num amistoso emblemático, já que ambos tiveram brilhantes campanhas nas respectivas Eliminatórias para a Copa do Mundo.
Pena que o Brasil não vá com toda a sua força, por lesões e outros bichos. Mas, vai com um time competitivo, capaz de ganhar mais uma vez deles. Não sei se o English Team igualmente terá seus melhores jogadores. Só sei que, se tiverem Rooney, Gerrard e Lampard, teremos de ficar muito atentos.
É verdade que o futebol inglês tem duas vertentes distintas: a dos nativos da Old Albion, que formam a Seleção, e a dos imigrantes globais, que formam os clubes mais poderosos do mundo, no momento, ao lado do catalão Barça.
Mas, talvez por osmose,essa diferença diminuiu nos últimos tempos, o que, certamente, dará um tempero especial a esse amistoso.
A hora de Fred
Simplesmente impressionante a performance de Fred, desde que, finalmente, assumiu o comando do ataque do Fluminense: oito gols em oito jogos, o que faz dele o ponto de inflexão do seu time que vive nessa dicotomia atroz – no Brasileirão, luta para escapar do descenso; na Copa Sul-Americana briga pelo título.
Mesmo longe de sua melhor forma física, Fred faz a diferença, entre outras coisas, porque é um daqueles raros artilheiros que sabem jogar – driblar, servir os companheiros, essas coisas todas.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Seleção Brasileira
Tags: Brasil, Catar, Doha, Inglaterra
14/10/2009 - 21:48
Não foi a festa que Campo Grande esperava, mas também não foi nenhuma tragédia, esse empate sem gols do Brasil com a Venezuela, no estádio Morenão.
Em outros tempos, um placar desses, em qualquer campo, seria tratado como mácula indelével na alma do futebol brasileiro. Mas, hoje em dia, com o evidente progresso da Venezuela dentro das quatro linhas, sem, contudo, atingir um patamar superior no palco sul-americano, acaba sendo até aceitável, nas circunstâncias em que ocorreu; o Brasil classificado com folga e tal e cousa e lousa e maripousa.
Mas, nem é por isso. É, sobretudo, porque, depois de um primeiro tempo deplorável, a nossa Seleção praticou um bom jogo, no segundo, principalmente a partir da expulsão (justa) de Miranda, que deixou o braço no rosto do adversário, por mais incoerente que isso possa parecer.
O fato é que passamos o tempo restante no campo inimigo, metemos duas bolas no poste venezuelano, em cabeceio de Gilberto Silva e colocada de Kaká, e pudemos ver alguns sinais muito positivos emitidos por Alex e Diego Tardelli, nos poucos minutos em que estiveram em ação.
Alex, sobretudo, pois entrou na lateral-esquerda, no lugar de Felipe Luís, que estreou muito timidamente.
Pena que ambos não tivessem entrado desde o início, já que são raras as chances de Dunga observar alguém além da turma já testada desde o início de sue trabalho.
Mas, enfim, vamos em frente.
FESTA DE MARADONA

Mais charges no blog do Milton Trajano
Festa mesmo quem fez foi Maradona e seus parceiros, depois da agoniada classificação para a Copa do Mundo, quando a Argentina bateu o Uruguai, em pleno estádio Centenário, por 1 0, gol de Bolatti, no finzinho da partida.
O jogo foi tecnicamente muito fraco. Mas, não se poderia esperar o contrário, naquele clima tenso criado antes da partida. Todos – argentinos e paraguaios, técnicos, torcidas, até a bola – estavam com o coração na boca. Todos, menos um: Verón, que, com talento e ciência, deu o tom de sua equipe, suprindo inclusive a falta de harmonia habitual do time de Maradona.
É nesses momentos que o craque revela sua real grandeza.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Seleção Brasileira
Tags: Argentina, Brasil, Uruguai, Venezuela
13/10/2009 - 18:00
O jogo contra a Venezuela não vale nada, a não ser que Dunga resolva fazer as experiências básicas para balizar suas decisões sobre o time final para a Copa.
Por exemplo, talvez seja a última chance para nosso treinador testar alguns dos recém convocados em condições adequadas, já que Diego Souza, um deles, entrou numa fria lá nas alturas de La Paz.
Nem sei se Diego Souza seja mesmo o nome indicado para ser o reserva de Kaká, ou seu parceiro, como segundo meia da Seleção. Todo indica que sim, mas, só vendo mesmo na prática.
Há ainda Alex, em quem boto fé, pelo fato de ser mais dinâmico e canhoto, um estilo de que carecemos ali entre o meio de campo e o ataque.
Por fim, Diego Tardelli, um atacante diferente dos dois cenroavantes relacionados – Luís Fabiano e Adriano. Mais fluido, hábil, capaz de invenções que escapam aos outros dois, e veloz, é o típico jogador de que não abriria mão no elenco para a Copa. Sobretudo, porque, nas poucas oportunidades que teve, demonstrou nem estar aí com o peso da amarelinha.
Mas, Dunga, que acumulou série incrível de invencibilidade antes da derrota para a Bolívia, provavelmente, não queira arriscar mais do que o mínimo nesse jogo de Campo Grande, e a tendência é que tenhamos a Seleção habitual no gramado, com as mudanças decorrentes do andamento da partida.
ESTAMOS NA FINAL
A Seleçãozinha, que segue invicta no Mundial, bateu a Costa Rica, time que havia massacrado por 5 a 0, na abertura do torneio, por 1 a 0 apenas.
A propósito, me desculpe, mas não resisto: 1 a 0, gol espírita de Alan Kardec, que disparou da linha de fundo, sem ângulo, por sobre o goleiro adversário.
Não, não foi no sufoco, jogo renhido e tal e cousa e lousa e maripousa. O Brasil simplesmente teve pleno domínio da bola e dos espaços – cerca de 70 por cento de posse de bola – de cabo a rabo, e não sofreu mais do que dois ataques dos inimigos, conjurados pelo excelente goleiro Rafael, terceiro reserva do Cruzeiro.
É verdade que não criamos muitas chances claras de gol, apesar da flagrante superioridade brasileira.
Mesmo porque a Costa Rica plantou-se na retranca do início ao fim. E o Brasil soube, como das vezes anteriores, jogar o jogo necessário: muita paciência, controle de bola, trocas constantes de passes, sempre à espera de um vacilo do inimigo que lhe permitisse dar o bote fatal.
Aliás, bem ao estilo da escola brasileira de jogar bola, com técnica, habilidade e ciência.
Agora, na final, toca-nos Gana, um jeito de jogar diferente dos demais adversários até aqui: mais plástico, ofensivo e veloz.
Acho que dá, mas não é nada garantido.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Seleção Brasileira
Tags: Brasil, Dunga, Mundial Sub-20, Venezuela
10/10/2009 - 14:24
O Brasil tinha lá na frente Alan Kardec, mas quem recebeu o Espírito Santo foi o menino Maicon, do Fluminense, que entrou no finalzinho do jogo, quando os alemães venciam por 1 a 0, gol de Holtby, e virou tudo de ponta-cabeça, com dois golaços.
No primeiro, que levou a partida para a prorrogação, recebeu passe exato de Alex Teixeira, e tocou por baixo do goleiro. No segundo, um lançamento de mais de quarenta metros de Fabrício, que Maicon tocou por cima do goleiro.
Aliás, o que jogou esse Fabrício, um quarto-zagueiro canhoto, de passe medido e muita precisão no bote lá atrás. Mas, não foi só ele: o goleiro Rafael, Alex Teixeira, o lateral-esquerdo Diogo, Ganso, enquanto esteve em campo, Giuliano, que quase faz um gol de bicicleta, Douglas Costa, que entrou no lugar de Ganso, enfim, todos os que participaram do jogo foram verdadeiros heróis dessa jornada.
Isso, porque os alemães plantaram uma retranca feroz da qual só ousavam sair em contragolpes velozes e perigosos. E, o Brasil, teve ciência para tocar a bola, quando necessário, e para partir ao ataque, quando já não havia outra alternativa.
O que me encanta nesse time é a predominância dos meias de técnica refinada e habilidade, algo incomum de se ver no futebol aqui praticado, seja pelos clubes, seja pela própria Seleção de Dunga. Lá estão, à disposição do técnico Rogério: Ganso, Alex Teixeira, Giuliano, Douglas Costa, Boquita, Maílson (que não jogou), meia dúzia de futuros craques desse ofício, uns, canhotos, outros destros, uns, mais ofensivos, outros mais de armação, como manda o figurino da nossa escola de jogar bola.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Seleção Brasileira
Tags: Brasil, Maicon, Mundial Sub-20
24/06/2009 - 18:09

Claro, em futebol, tudo pode acontecer, até mesmo o Brasil ser surpreendido pela África do Sul, nesta quinta-feira. Vide Espanha.
Mesmo porque os africanos caminham nas nuvens com o time de Joel chegando à implausível semifinal da Copa das Confederações. Até o ancião símbolo da redenção sul-africana, Mandela, foi retirado do leito para abençoar a sua seleção. Tudo vale nessa hora.
Mas, a disparidade técnica e o acervo de conquistas de um e de outro é abissal.
Na verdade, ouso dizer que esse é um daqueles jogos que o Brasil só perde pra si mesmo. Ou para os deuses do futebol, esses cruéis fazedores de surpresas que tanto encantam o jogo da bola.
E, quando digo que o Brasil só pode perder para si mesmo é se nosso time se embotar diante da evidente retranca que Joel armará do outro lado. Mas, até para isso esse time retocado já em plena disputa da Copa das Confederações, tem uma saída: as laterais.
Pela direita, um Maicon, voando, com as asas duplas emprestadas pela presença do atilado e ágil Ramires. Pela esquerda, o potencial ofensivo de André Santos, ainda contido nos seus dois primeiros jogos pela Seleção, em combinação com a velocidade e o talento de Robinho.
Só é preciso não relaxar, nem se enervar.
ZEBRA NA ÁFRICA
Os espanhóis entraram em campo carregando na alma a taça da Europa, a série incrível de 35 jogos sem derrota e a justa fama de praticarem o futebol mais agradável de se ver no planeta. Mas, nem por isso rebolaram, firularam ou mesmo desprezaram os EUA, time infinitamente inferior, em termos técnicos e de conquistas.
Ao contrário: fizeram seu jogo – bola no chão, trocas constantes de bola, envolvimento etc. Não souberam, porém, burlar a firme retranca de um time metódico, aplicado, muito disciplinado taticamente, e extremamente objetivo, como costumam ser os americanos, em geral. Deram dois chutes a gol, e partiram para a final da Copa das Confederações com os 2 a 0, executados por Altidore, no primeiro tempo, e Dempsey, no segundo.
Dois gols, diga-se, com a generosa contribuição dos laterais espanhóis.
No primeiro, Capdevilla deixou-se enredar pelo movimento do atacante, e, no segundo, Sérgio Ramos, bola dominada à boca de sua meta, hesitou, permitindo a Dempsey o chute de surpresa.
Dois erros individuais, não coletivos, pois os espanhóis tiveram um domínio absoluto do jogo, e, com exceção desses lances fatais, não correram riscos maiores. Em contrapartida, criaram poucas chances de marcar – a maioria, conjurada pelo goleiro Howard – e se ressentiram demais da ausência de Iniesta, aquele meia capaz de, quando a coisa está difícil, tirar do bolso do colete a jogada inesperada e mortífera.
Enfim, os espanhóis, neste fúnebre momento, devem estar resgatando com seus botões a velha máxima: “No creo em brujas, pero que las hay, las hay”.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Futebol internacional, Seleção Brasileira
Tags: África do Sul, Brasil, Copa das Confederações, Espanha, Estados Unidos
15/06/2009 - 13:38
Se o que vale é apenas o resultado, então, Viva o Brasil! Viva Dunga! Viva o Zé Pereira! Viva tudo e viva o Chico Barrigudo! Afinal, ganhamos, na agonia do tempo regulamentar, com gol de pênalti cobrado por Kaká, por 4 a 3, do poderoso Egito de todos os faraós.
Mas, se o jogo é aquele outro, da bola trocada, dos dribles, dos lançamentos, do passe justo, ah, meu!, que vexame… Nesse, o Egito foi o Brasil e o Brasil o Egito dos tempos das pirâmides.
Foi – cá entre nós, que nenhum Ramsés nos ouça – um verdadeiro totó que levamos dos egípcios, muito mais versáteis, compactos, hábeis e incisivos. E olhe que tivemos tudo, ainda no primeiro tempo, para impor nosso jogo, já que Kaká, com dois balõezinhos, abriu a contagem logo aos 5 minutos.
Zidam, êta som aziago!, de cabeça, empatou três minutos depois. Mas, mesmo sob o maior domínio dos egípcios, o Brasil disparou 3 a 1, entre os 11 e os 36 minutos, com Luís Fabiano e Juan, de cabeça, em bolas paradas de Elano.
Mas, o Egito voltou para o segundo tempo com um ataque em três e muita volúpia. E, em um minuto, chegou ao empate, com Shawki e novamente Zidam, que cortaram nossa defesa ao meio, como faca em manteiga derretida.
Essa blitz vertiginosa é coisa rara, sei bem. Contudo, não foi um fato isolado, mas, sim, coerente em relação ao controle do jogo exercido pelos egípcios, somado à absoluta abulia do time brasileiro, esgarçado em campo, sem capacidade nem para se defender em bloco, nem para atacar em massa, muito menos fazer a bola circular com inteligência no meio de campo.
Novidade? Nem tanto. A propósito, falei lá em cima sobre impormos nosso jogo. Que jogo? Esse que sobrecarrega o sistema defensivo com três volantes, mais um lateral -Kleber -que pouco sai para o jogo, e vive de contragolpes em bolas lançadas a esmo para Kaká, Luís Fabiano e Robinho?
Esse não é, nem deve ser nosso jogo. Pelo menos, não o jogo brasileiro que encanta o mundo há um século.
Mas, enfim, é uma questão de conceito. Uns, avançaram; outros, regrediram nesse sentido. É o nosso caso.
A diferença é que a habilidade, em geral, do jogador brasileiro, mesmo em baixa temporária, quase sempre prevalece sobre quaisquer conceitos.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Seleção Brasileira
Tags: Brasil, Copa das Confederações, Egito
13/06/2009 - 15:11
A Copa das Confederações é mais um caça-níquel criado pela Fifa, para testar com um ano de antecedência como andam as obras e as coisas no país-sede da Copa do Mundo seguinte. Mas, é também um torneio sugestivo para que os favoritos de sempre – os campeões da América do Sul e da Europa, além do campeão do Mundial passado – busquem encorpar suas respectivas equipes, num tempo de convivência maior do que o oferecido pelas disputas das Eliminatórias.
Para o Brasil, que estréia nesta segunda-feira contra o Egito, então, nem se fala, já que praticamente todos os nossos jogadores atuam esparsamente pelo mundo, sobretudo Europa.
Sucede que o Brasil é um caso especial: como consequência de sua extraordinária capacidade de produzir bons jogadores em quantidade superior a qualquer outro futebol do planeta e numa velocidade incrível, mesmo que vença, com brilho, essa Copa das Confederações, um ano é tempo demais para consagrar essa equipe como a que deverá disputar o Mundial em 2010.
E, se o técnico for cabeça-dura e se fechar nesse grupo, corre sérios riscos de se esboroar na volta à África do Sul.
Mas, de qualquer maneira, o momento é este. E, agora, o time de Dunga está de moral alto e minimamente ajeitado para entrar na rinha como um dos favoritos, já que o outro, certamente, é a Espanha.
A Espanha, campeã da Europa, que estréia neste domingo contra a Nova Zelândia, pratica um futebol leve e envolvente, ofensivo, e não perde há uma pá de tempo. Mas, sacumé…
O curioso é que a Fúria, durante décadas e décadas, se apresentava às vésperas como uma grande possibilidade, porém, era abatida logo de cara. Justamente, nos tempos em que seu apelido justificava-se em campo: os espanhóis eram, então, mais touros que toureiros, ao contrário do que são hoje em dia.
Todavia, não poderão contar com Marcos Senna, que foi um dos destaques do time na Eurocopa, nem com Iniesta, atualmente, talvez, o mais ativo, hábil meia-de-ligação do mundo. Para seu lugar, o coração do técnico Del Bosque balança entre Fábregas, Riera e Cazorla. Dos três, Fábregas me parece aquele que joga em estilo um pouco mais semelhante ao de Iniesta. Mas, esse é um problema deles, lá.
Por fim, temos a Itália, campeã do mundo, em fase de transição. Por isso mesmo, o técnico resolveu levar um grupo de novatos para testá-los nesta competição. A Azzurra, contudo, sabemos muito bem: com veteranos ou novatos, naquele seu futebol mesquinho, começa mal, parece que vai ficar no meio do caminho, e, de repente, arranca e leva a taça. Nunca se sabe quando se trata dos italianos.
Algo, no entanto, me diz que teremos um Brasil e Espanha na final. Um Brasil e Espanha com os sinais trocados – eles mais brasileiros do que nós.
ESPANHA OU BARÇA?
Os espanhóis andam tão fidalgos, de fronte erguida, que o jornal Marca lançou uma enquete em seu site: quem venceria um jogo imaginário entre a A Fúria e o Barça – a campeã da Eurocopa e o campeão da Liga dos Campeões da Europa?
Boa pergunta. Pergunta, aliás, que se fazia por aqui nos tempos de fastígio de um Santos de Pelé, um Botafogo de Nilton Santos e Garrincha, um Flamengo de Zico, um Cruzeiro de Tostão e Dirceu Lopes e tal e cousa e lousa e maripousa.
Com uma diferença estrutural. Naquele tempo, aqui, éramos todos brasileiros. Você podia pegar a canarinho e vestir, do goleiro ao ponta-esquerda, um time todo, que não haveria nenhum empecilho de ordem burocrática. Tanto, que o Palmeiras da Academia, inteirinho, titulares e reservas, representou o Brasil na inauguração do Mineirão, contra o Uruguai. E venceu. E olhe que o Uruguai era um timaço.
Aliás, vale lembrar que as duas maiores Seleções Brasileiras da história eram, na verdade, um combinado entre dois ou três times brasileiros, com alguns enxertos isolados. Em 58, por exemplo, o Flamengo cedeu praticamente todo o seu ataque: Joel, Moacir, Dida e Zagallo. O Botafogo, Garrincha, Didi e Nilton Santos. O Santos, Zito, Pelé e Pepe. O São Paulo, De Sordi, Mauro e Dino e assim vai. E, em 70, desde as Eliminatórias com Saldanha era um composto baseado no Santos, Cruzeiro e Botafogo.
Já não temos times como esses, entre outras coisas, porque é um leva e trás interminável no intercâmbio de craques por esse mundo afora, embora, hoje, Inter, Cruzeiro e Corinthians, mais este ou aquele do São Paulo, do Grêmio e do Flamengo, por exemplo, poderiam formar uma base nacional da Seleção. Hoje, insisto, pois amanhã já não sei, já que o cara, ao vestir a canarinho, está com um pé na Europa.
Quanto à Espanha e Barça, impossível, pois simplesmente todo o ataque do Barça – Messi, Eto’o e Henry – estaria vetado para a Fúria, por serem estrangeiros. E, mesmo que o regulamento permitisse, vale lembrar o fracasso da legião estrangeira espanhola em 62, que, mesmo com Puskas, Di Stefano, Canário etc, não foi além das pernas, embora tenha dado um passeio no Brasil no primeiro tempo, quando poderia definir o placar, caso o juiz marcasse aquele pênalti claro de Nilton Santos.
Como? Se eu fosse escalar um combinado desses aqui, qual seria? Só por farra: Marcos ou Fábio; Alessandro ou Jonathan; André Dias, Miranda e André Santos; Hernanes, Ramires (já foi negociado, mas ainda está por aqui), Elias e Cleiton Xavier (ou Wagner, ou Souza); Nilmar e Taison.
Faça a sua, amigo, faça a sua.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Futebol internacional, Seleção Brasileira
Tags: Brasil, Copa das Confederações, Espanha
11/06/2009 - 00:34
Prova de que o Brasil está evoluindo está nesses 2 a 1, de virada, sobre o Paraguai, no Recife: é só comparar a atuação de Júlio César contra o Uruguai com a deste jogo.
Lá, foi um dos maiores destaques do nosso time, se não o melhor. Aqui, praticamente só bateu tiro de meta. E até o gol que sofreu – desvio de Elano, na cobrança de falta por Cabañas – serve de emblema, pois a Seleção não se descontrolou e foi buscar o resultado.
Primeiro, com Robinho. Depois, com Nilmar. E olhe que o Paraguai é um time bem mais equilibrado do que a Celeste.
No primeiro, a jogada nasce de um corte de Felipe Mello (cada vez, melhor), que serve a Robinho. Robinho abre para Kaká, que cruza para Robinho brigar com o beque, e a bola sobra para Kleber, que passa a Kaká. Kaká cruza, para Danie, na direita, recolher e devolver na área, onde Robinho, no segundo pau, toca de esquerda para as redes.
Conte o amigo paciente quantas vezes o nome de Robinho aparece nessa descrição, e depois me diga se Robinho é isso e aquilo que dizem por aí. (Ah, sim, perdeu aquele gol feito, chutando por cima, cara a cara com o goleiro, e deixou de dar dois passes para Kaká em momentos decisivos).
No segundo, já aos 5 minutos do segundo tempo, Felipe Mello enfia uma bola prodigiosa para Nilmar, na área, tentar o passe de peito para Robinho; mas a bola rebate no beque e sobra para o centroavante colorado dar o toque final.
Por falar nisso, como foi Nilmar, nome tão clamado por esse Brasil afora há algum tempo? Diria que foi bem, extremamente prejudicado pela marcação sólida dos paraguaios, que não se retrancaram lá atrás, mas também não perdiam o foco em nenhum momento do jogo.
Apesar disso, fez o gol da vitória, lutou muito e deu alguns toques de alta classe.
Todavia, os que mais chamaram a atenção foram, novamente, Felipe Mello e Daniel Alves.
Felipe foi, longe, o mais ativo e eficiente dos nossos volantes, marcando e armando as jogadas de frente, com estilo. E Daniel Alves cumpriu exemplarmente a dupla função do verdadeiro lateral – marcou atrás e se atirou ao ataque sempre que possível, com proficiência.
Por fim, Dunga, que fez as substituições corretas ao longo da partida, com as entradas de Pato, Ramires e Kleberson, nos lugares de Nilmar, Elano e Robinho.
Pato merecia mostrar seu jogo e Nilmar já estava dando sinais de cansaço. Elano era o mais apagado do trio de volantes e Ramires está tinindo. E Kleberson entrou para reforçar o meio-de-campo, no finalzinho, quando o Paraguai poderia surpreender.
Agora, é partir para a Mãe África, atrás da taça dos campeões continentais, uma pequena Copa do Mundo, laboratório para o autêntico Mundial.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Seleção Brasileira
Tags: 2010, África do Sul, Brasil, Copa do Mundo, Dunga, Nilmar, Paraguai, Robinho
02/04/2009 - 00:19
Foi mais ou menos o que se esperava: adversário fraco, abatido pela pífia campanha que cumpre nas Eliminatórias, num cenário decorado em verde e amarelo, e um Brasil contido nos limites de uma vitória segura.
E assim, tocando a bola de cá pra lá, sem arriscar um tostão, a Seleção foi cozinhando o Peru em água morna, até que, num lançamento de Daniel Alves, Kaká é derrubado na área. Pênalti, que Luís Fabiano converte. O mesmo Luís Fabiano recebeu outro bom passe de Daniel Alves e guardou: 2 a 0.
O terceiro viria só no segundo tempo, numa jogada de força de Felipe Mello: em dois pés-de-ferro, surgiu diante do goleiro, quando deu aquela cavadinha esperta: 3 a 0.
Como? E Kaká? Não fez diferença alguma. Mas, aguentou até o fim, o que já foi um grande negócio.
Assim como as entradas de Pato e Ronaldinho Gaúcho, tão solicitadas, não chegaram a alterar o quadro geral do Beira-Rio. Mas, ambos tiveram muito pouco tempo para mostrar algo mais do que uma ou duas jogadas de categoria.
Resumindo: nem se pode execrar, tampouco exaltar, esse desempenho brasileiro, embora a vitória seja louvada, pois nos mantém em situação privilegiada na tabela das Eliminatórias.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Seleção Brasileira
Tags: Beira-Rio, Brasil, Daniel Alves, felipe Melo, Kaká, Luís Fabiano, Peru, Ronaldinho Gaúcho
19/03/2009 - 18:57
Estava aqui, no meu doce auto-exílio da caverna de Ibiúna, relendo Os Filhos da Candinha, coletânea de crônicas de Mário de Andrade, Pai do Modernismo, para desgosto do magnífico escritor e cronista Carlos Heitor Cony, que, por força de seu carioquismo-anti-paulista, considera que a literatura brasileira só avançou depois de ter tomado o suco de caju, com garapa e água de coco, batido por Zé Lins do Rego, Rachel de Queiroz, Jorge Amado etc., quando deparo como suelto intitulado Brasil e Argentina.
Mário descreve, então, um jogo entre Brasil e Argentina. Pela Copa Roca, em 1939, em São Januário, período em que o autor de Macunaíma, a eterna rapsódia sobre o caráter do brasileiro, viveu no Rio.
Eram tempos em que os argentinos viviam nos dando sovas homéricas. E não ficou por menos, nesse jogo: 5 a 1, com dois gols de Moreno, que, até o aparecimento de Maradona e o desaparecimento das testemunhas do meia do River, era considerado o maior jogador argentino de sempre.
E olhe que lá estavam, entre os brasileiros, alguns dos monstros sagrados do nosso futebol, como Domingos da Guia, o Divino, Leônidas, Tim, Romeu etc.
Mas, o que nos interessa é o seguinte. Mário, que na crônica havia sentido a fisgada de um amigo urugaio pró-Argentina, de repente, compara os dois times a um trator massacrando beija-flores. O trator eram os argentinos; os beja-flores, os brasileiros.
E encerra sua crônica assim:
“Era Minerva dando palmada num Dionísio adolescente e já completamente embriagado. Mas, que razões Dionísio inventava para justificar sua bebedice, ninguém pode imaginar! Havia umas rasteiras sutis, uns jeitos sambísticos de enganar, tantas esperanças davam aqueles volteios rapidíssimos, uma coisa radiosa, pânica, cheia das mais sublimes promessas! E, até o fim, não parou de prometer… Minerva, porém, ia chegando com jeito, com uma segurança infalível, baça, vulgar, sem oratória nem lirismo, e, juque!, fazia gol.”
Minerva, a deusa da sabedoria, era o time argentino daqueles tempos; Dionísio, o deus da criatividade e da esbórinia, éramos nós.
Ah, sim, no jogo seguinte, o Brasil meteu 3 a 2 na Argentina, com aquele pênalti célebre de Perácio cobrado sem goleiro, pois os argentinos abandonaram o jogo.
O certo é que, passados setenta anos desse evento, nem os argentinos não são mais Minerva, nem os brasileiros, Dionísio. Simplesmente, o Olimpo se dissipou na névoa do passado, e todos somos igualmente meros e insípidos mortais, com uma ou outra exceção.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Ex-jogadores, Seleção Brasileira
Tags: Argentina, Brasil, Carlos Heitor Cony, Copa Roca, Domingos da Guia, Leônidas da Silva, Maradona, Mário de Andrade, Romeu, Tim
Voltar ao topo