VENCEMOS, MAS…
Até que o início foi promissor. Não apenas pelo gol de Marcelo logo aos 3 minutos de bola rolando, mas, sobretudo, porque o Brasil, pela primeira vez nos últimos anos, avançou sua linha de defesa e passou a pressionar a saída de bola do adversário.
Sistema que manteve até mesmo depois de levar o gol de empate, numa falha grosseira de David Luís na saída de bola, oferecendo-a de presente a Ibisevic. O bósnio, então, desferiu um disparo que varou o corpo de Júlio César, aos 13 minutos. E ainda criamos uma boa chance em que Hernanes foi obstado no momento fatal.
Mas, aos poucos, fomos refluindo, espicaçados por contragolpes rápidos e incisivos dos bósnios que erraram sempre na hora de finalizar.
A partir daí, evidenciou-se o principal equívoco de Mano: a escalação de um meio de campo com três volantes (Sandro, Hernanes e Fernandinho), deixando toda a criatividade nos pés de Ronaldinho Gaúcho que, quando aparecia no jogo, errava o passe, o lançamento, o toque, a matada de bola…
Quando o tédio começava a se transformar em sonolência, Elias entrou no lugar de Sandro. Um volante pelo outro, com um detalhe: Elias, ao menos, é mais ativo, ágil e versátil do que Sandro. Isso, combinado com a entrada de Ganso no lugar de Ronaldinho, conferiu mais velocidade e ciência no toque de bola do Brasil, que aumentou sua posse de bola e passou a circular mais próximo da área inimiga.
E, aos 28 minutos, depois de uma troca rápida e bem engendrada de Marcelo, Ganso e Elias, Neymar surgiu na cara do gol. Mas, o goleiro, esperto, pegou o chute do craque-menino, cujo futebol opaco ao longo do resto do jogo produziu apenas algumas centelhas até ser substituído por Jonas pouco antes do apito final.
Contudo, aí, o Brasil já safara a onça, com aquele cruzamento de Hulk da esquerda que o becão Papac tocou para as próprias redes, em gentil oferta ao adversário ilustre, já pra lá dos 45 minutos do segundo tempo.
É bom lembrar, porém, a origem da jogada de Hulk: Ganso sofreu falta na intermediária que ele mesmo bateu de primeira para o atacante brasileiro disparando pela esquerda. Isso, só para repisar o óbvio: a não ser que esteja com as duas pernas fraturadas, Ganso não pode ficar no banco desse time.
CADA UM
JÚLIO CÉSAR – Praticamente não fez uma defesa sequer. Mesmo porque aquela que deveria ter feito passou por ele como se trespassasse um fantasma. Uma sombra do goleiraço que já foi até outro dia.
DANIEL ALVES – Uma de suas melhores partidas pela Seleção. Marcou e atacou o tempo todo e foi quem levou, aos trancos e barrancos, aquela bola para Marcelo abrir a contagem.
THIAGO – Impecável, como sempre. É ele e Dedé, meu.
DAVID LUÍS - A pior partida dele na Seleção. Falhou no gol bósnio por duas vezes. Na primeira, ao entregar a bola para o atacante inimigo. Em seguida, por recuar, recuar, recuar, até que Ibisevic disparasse seu tiro fatal. Além disso, foi envolvido várias vezes no mano-a-mano.
MARCELO – Ótimo, do início ao fim. Além de ter sido o autor do primeiro gol, tentou sempre a jogada ali pela esquerda, ou mesmo por dentro, conferindo agudeza a um ataque avesso a isso.
SANDRO – Joga muito mais do que vem jogando no Tottenham, quando entra em campo, e mais ainda do que jogou hoje. Diante da Bósnia foi apenas um volantão de marcação e burocrático com a bola nos pés.
ELIAS – Entrou no seu lugar e imprimiu outro ritmo à função. Muito bem.
HERNANES – Começou bem, nos limites de um volante de classe transformado em meia, mas, depois caiu, sobretudo quando foi deslocado lá para a ponta-direita, onde sumiu de vez.
FERNANDINHO – Acertou alguns passes interessantes, mas, no geral, não acrescentou nem comprometeu.
RONALDINHO GAÚCHO – Com todo respeito a seu passado cintilante, só se justifica sua chamada pra Seleção se estiver jogando, por baixo, a metade do que sabe. Hoje em dia, tanto no Flamengo quanto na Seleção, tem sido um ilustre ausente.
GANSO – Já entrou tarde, e, mesmo assim acertou o setor de armação da equipe, ainda que sem brilhar, fazendo a bola circular com mais velocidade e inteligência do que até então.
NEYMAR – Longe do capetinha do Santos, pelo menos, buscou o jogo, mesmo errando a maioria de suas tentativas. Teve a chance do segundo gol a seus pés, mas não concluiu com êxito. Um dos problemas de Neymar neste jogo, especificamente, foi que teve de ceder seu espaço habitual, ali pela esquerda, para Ronaldinho, o que, em boa parte do jogo, deixou de ser a flecha par virar arco. Não é ainda a sua praia.
LEANDRO DAMIÃO - Foi quem mais tentou os chutes a gol, afinal, sua função precípua. Acabou prejudicado pela falta do passe exato detrás. Mas, também, não buscou a jogada pessoal que pudesse compensar isso.
HULK – Foi autor do cruzamento que resultou no gol contra dos bósnios. E só, o que não é pouco, convenhamos.
LUCAS E JONAS – Tiveram pouco tempo para mostrar alguma coisa. Lucas, ainda, conseguiu um belo giro no meio de dois beques, mas, a conclusão foi falha.
MANO – Errou na escalação inicial e acertou quando induziu seu time a marcar por pressão nos primeiros vinte minutos de jogo. Assim como acertou nas entradas de Elias e de Ganso. Falta-lhe, contudo, definir o conceito desse time. Ou melhor: aplicar em campo todo aquele discurso absolutamente correto com que nos brinda desde o dia em que assumiu a Seleção.
Notas relacionadas:
Autor: Alberto Helena jr. Tags: análise, Bósnia, Brasil, gol contra, Mano Menezes, Marcelo, Seleção Brasileira, Vitória
