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22/11/2009 - 22:17

TROPEÇOS E ALÍVIOS

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Bem, se esse jogo com o Botafogo era a chave para o São Paulo chegar ao título, no fim das contas deste domingo, o Tricolor conseguiu a proeza de seguir líder, mesmo perdendo, graças ao empate do Flamengo em casa com o Goiás e a derrota do Galo para o Inter, no seu terreiro do Mineirão.

Aliás, quem mais saiu aliviado ao cabo desta rodada, na verdade, foi o Palmeiras, que viu reacender uma ponta de esperança, depois de já ter jogado a toalha em relação à disputa de campeão.

O fato é que, no Engenhão, tivemos um jogo incrível, disputado sobre o fio da navalha e cheio de alternâncias. Ora, era o Botafogo que jogava melhor e conseguia seu gol, logo aos 14 do primeiro tempo, com exímio disparo de Jobson de fora da área; ora era o São Paulo, que passava a dominar, empatando e virando o placar, com Washington e Jorge Wagner, sem tempo para celebrar, pois, na recarga, o Glorioso empatou novamente com Renato, com participação discutível de Jobson – o atacante estava em posição de impedimento, quando a bola lhe veio ricocheteada para ser lançada a Renato, que, de cabeça, concluiu.

Houve, então, a expulsão de Richarlyson, e, no finalzinho, Jobson, o nome do jogo, desempatou, logo após Hernanes meter uma bola trave (a segunda do São Paulo).

Enfim, um jogo emocionante, cujo resultado tirou o Botafogo da zona do rebaixamento e manteve o Tricolor na liderança, embora nada esteja garantido neste campeonato dos tropeções.

Já o Flamengo, que perdeu a chance de pular para o topo da tabela, numa arrancada fulminante neste segundo turno, o que lhe daria a vantagem de só depender de si nas duas rodadas restantes, frustrou a imensa e festiva galera que lotou o Maracanã, pelas mesmas razões que vêm fazendo os demais candidatos ao título tropeçarem tanto: a ansiedade de vencer, que desvia o passe, o chute e o foco da melhor alternativa para a jogada certa.

O Goiás, movido ou não por estímulos extras, jogou pra valer, marcou muito bem e soube explorar essa ansiedade rubro-negra em várias pontadas perigosas, do início ao fim da partida.

Além do mais, no instante em que o Flamengo deveria apresentar todas as suas armas, lá pela metade do segundo tempo, cansou, como, aliás, vem ocorrendo nas suas últimas apresentações.

Sobretudo, seus principais jogadores, dentre eles, claro, o mais veterano, Petkovic. É natural, mas pode vir a ser fatal nas duas rodadas restantes do campeonato.

LÁ FORA

O jogo foi espetacular. No primeiro tempo, o Cagliari começou melhor, abriu a contagem, o Milan virou e tomou o empate, antes de revirar tudo com um golaço de Pato, em assistência genial de Ronaldinho, que ampliou de pênalti, para o Cagliari diminuir mais tarde: 4 a 3.

Mas, mais do que os sete gols num futebol atavicamente avaro nesse quesito, vale ressaltar o singelo fato de que Leonardo está recolocando o Milan na linha de sua história: um time mais solto, ofensivo, criativo, o que explica o crescimento de Ronaldinho e Pato, que estão jogando o fino.

Outro dia, o veterano Del Piero, lídimo herdeiro de Rivera, Sandrino Mazzola, Baggio e outros meias históricos do futebol italiano, declarou que a Itália sem Totti não é a Itália. Pois, Totti voltou à Roma diante do Bari, marcando nada menos do que três gols.

Não, nunca espere de Totti um lance a La Ronaldinho, em que a habilidade supere a lógica. Mas, a exemplo de Del Piero, é um jogador de técnica irrepreensível no passe, na visão de jogo, e, sobretudo no remate a gol. Sem dúvida, a Itália sem Totti não é a Itália.

No Campeonato Inglês, a disputa vai se polarizando entre o líder Chelsea e o vice Manchester United. Ambos venceram sues jogos deste fim de semana: o Chelsea goleou o Wolverhampton por 4 a 0, enquanto os Diabos Vermelhos batiam por 3 a 0. O Chelsea dá a impressão de mais compacto, mas o Manchester é o Manchester, e muita água ainda vai rolar nesse eterno Tâmisa.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Sem categoria Tags: , , , , , , , , ,
01/10/2009 - 20:12

JOGANDO NO COLO ALHEIO

Já vi esse menino Oscar, que virou a cara do jogo contra o Náutico, em alguns fragmentos passados, quando revelou extrema tibieza em seu jogo: quando era lançado, chegava depois, e, quando recebia, tocava para o companheiro mais próximo, como querendo se livrar da bichinha o mais rápido possível. Mas, nesta quarta, não. Entrou numa fogueira danada, e plantou sua bandeira na intermediária adversária: chegou antes nas divididas, driblou, chutou a gol, deu a assistência para o gol decisivo de Hugo e tal e cousa e lousa e maripousa.

Merece oportunidades mais assíduas no time principal, sobretudo porque o Tricolor carece de jogadores dessa estirpe e estilo. O fato é que o São Paulo, agora, jogou a bomba no colo dos demais candidatos ao título, que entram em campo neste fim-de-semana premidos pela necessidade da vitória. A começar pelo líder Palmeiras, que enfrenta o Santos no Alçapão da Vila.

É verdade que o Alçapão anda meio enferrujado. E, de vez em quando, abre-se aos pés do seu próprio dono, o que me lembra o verso antológico, não sei se de Orestes Barbosa ou de Noel Rosa, pois ambos são os autores do samba Positivismo: “…E também faleceu por ter pescoço/ O autor da guilhotina de Paris…” Trata-se, porém, de um clássico paulista, o que, naturalmente, reveste o jogo de fatores que transcendem apenas ao embate entre dois times desnivelados tecnicamente.

 O Palmeiras, porém, terá Cleiton Xavier de volta ao time, o que significa muito.

Tarefa mais amena caberá ao vice Goiás, que recebe o Botafogo no Serra Dourada. O Glorioso recebeu uma injeção de ânimo ao classificar-se para a próxima fase da Sul-americana, embora perdendo. Mas, o Goiás está voando.

Outro que não pode vacilar é o Galo, jogando no Mineirão contra o Barueri, sábado. O Atlético está animado, com razão, e deve aproveitar Diego Tardelli, sua maior estrela, enquanto a Seleção não engole o artilheiro carijó.

Já o Inter, que caiu fora desse mesmo torneio e que trepida no Brasileirão, se não bater o Coritiba, na casa do inimigo, certamente entrará no funil de uma crise cujo desfecho é imprevisível. E olhe que o Coxa, no Couto Pereira, não é mole, não, meu.

Quanto ao Corinthians, que já começa a aceitar a ideia de que não chegará lá, pelo menos, poderá começar a armar definitivamente seu time para a Libertadores. Para tanto, Mano Menezes cogita de utilizar Edno na meia-esquerda desde o início do jogo contra o Furacão. Periga, na verdade, encetar uma reação fulminante neste mesmo Brasileirão, pois – a não ser que os fatos me contariem -, Edno é desses jogadores capazes de acrescentar muito mais do que o esperado. Brasil olímpico

BRASIL OLÍMPICO

Nesta sexta. sai o resultado da grande disputa pela sede das Olimpíadas de 2016.

O Rio está bem nas paradas da mídia internacional, pau a pau com Chicago.

E fico me lembrando de um filminho de tv, desses seriados policiais, em que a vítima é uma dama membro do comitê de seleção das Olimpíadas. E o mandante é um maligno lobista pela realização do evento no Rio.

Claro, pura ficção, como advertem os créditos iniciais da fita, afora o fato de que os americanos gostam de cunhar de corruptos todos os que não hasteiam na porta de casa a bandeira de tricolor e estrelada. Já que o mais forte concorrente parece ser Chicago, ventos dos Obama…

Mas, cá entre nós, meu chapa, cultivo há tempos uma dúvida atroz: se a corrupção é o ofício mais antigo ou não daquele outro que a história costuma timbrar.

De qualquer forma – e por isso mesmo -, se a Olimpíada cair no colo carioca, será, tirando todos os sombrios prognósticos (nosso bolso assaltado, caos no trânsito etc.), um passo adiante.

Afinal, o índice de desemprego no país é ainda tão grande que não podemos nos dar ao luxo de abrir mão de frentes das frentes de trabalho que se abrirão nessa eventual situação.

Quem sabe as autoridades não tenham um pingo de juízo e cumpram todas as metas necessárias para a realização das Olimpíadas, e o tal legado social fique para sempre à disposição da população carioca?

Quem sabe? Oremos, irmão, oremos…

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros, Outros esportes Tags: , , , , , , , , , , , , , , ,
24/08/2009 - 16:08

OLHAÍ O GOIÁS E O AVAÍ

Desculpe o atraso na postagem destes comentários, pois fui vítima de um crepe nos meus equipamentos, justamente na noite de domingo, e só agora eles puderam ser reabilitados.

O fato é que, se nomeio de semana o São Paulo foi o grande beneficiário da combinação de resultados, neste final de semana os astros apontaram para o Palmeiras, que, no sábado, venceu o Inter, em jogo de seis pontos, e celebrou, no domingo, os tropeços de três dos outros chamados grandes, concorrentes mais próximos - São Paulo, Galo e Corinthians.

As exceções foram Goiás e Avaí, que derrubaram com folga Santos e Flamengo, em seus próprios estádios.

Aliás, duas exceções magníficas, sobretudo o Avai, por quem não se dava um tostão furado nas primeiras rodadas e que, de repente, criou asas, e alçou vôo da zona do rebaixamento ao G-4, com a marca inacreditável de onze partidas inictas.

Claro, o Flamengo, em plena fase de transição, jogou muito desfalcado. Mas, o Avaí, ao seu estilo, botou a bola no chão, sob o comando de Marquinhos, um dos dois ou três melhores jogadores do campeonato até agora, e poderia ter alcançado um placar ainda mais sonoro.

Além de Goiás, vice-líder, agora já com Fernandão estreando, o que lhe dará certamente mais força ofensiva, ao lado de Léo Lima e um pouco atrás de Iarley e Felipe, e de Avaí, vale ressaltar o renascimento do Atlético PR nas mãos do experiente Antonio Lopes, cujo batismo de fogo seria esse jogo contra o ascendente São Paulo. Resultado: 1 a 0, com clara predominância do Furacão, num jogo de extração técnica mediana.

Já Corinthians e Botafogo ofereceram emoções redobradas no Pacaembu, num empate de 3 a 3, eivado de erros da arbitragem. Abstraindo-se isso, o que é quase impossível, pois muitos desses erros influiram diretamente no resultado, a partida foi muito movimentada, e mais positiva para o Botafogo, que luta para escapar da degola, enquanto o Corinthians vai tentando se rearmar de olho apenas na Libertadores, embora possa, sim, senhor, chegar ao G-4, pelo menos.

Por fim, a impiedosa goleada do Grêmio sobre o Galo – 4 a 1, no Olímpico. E eis aquestão: no Olímpico, o Grêmio, com seus Tchecos e Souzas, é rei. Fora, tem sido um mero súdito.

De qualquer forma, essas alternâncias, de rodada a rodada, é que fazem o sal desse campeonato de pontos corridos, uma decisão a cada jogo, para todos.

O GRINGO CHEGOU

Nesta ssegunda-feira, o argentino De Federico desembarcou em Congonhas, posou com a camisa do Corinthians, e prometeu dar um brilho extra ao seu novo time.

Bem, confesso que não vi de seu futebol mais do que as imagens divulgadas pelas emissoras de TV, o que basta para impressionar. Mas, o amigo sacumé essa história de DVD de jogador de futebol. Podem apenas revelar as exceções de um desempenho, na média, bem inferior.

Fio-me, porém, na imprensa argentina que, há tempos, vem enaltecendo a bola desse garoto recém-promovido à elite do futebol de seu país, defendendo o Huracán, sensação do último campeonato de lá.

Canhoto, habilidoso e incisivo é o mínimo que se fala dele. O máximo, é que se trata de um novo Messi. Se conseguir ser, ao menos, um Douglas já estará de bom tamanho para o Corinthians.

VASCOOO!

Foi simplesmente emocionante ver a torcida vascaína invadir o Maracanã para empurrar seu Vasco em direção à goleada por 4 a 0 sobre o Ipatinga, em jogo pela Segundona, que o Almirante comanda do alto da proa.

Curiosa essa reação recorrente nas torcidas dos grandes clubes brasileiros que amargam a queda para a divisão inferior. Fluminense, Grêmio, Palmeiras, Corinthians e outros tantos que viveram essa experiência provam que o torcedor se irmana ao clube na desgraça e passa a jogar junto para vê-lo novamente na Série A, seu verdadeiro patamar histórico.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Série B Tags: , , , , , , ,
10/08/2009 - 17:13

AMANHÃ SERÁ OUTRO DIA

Mais três treinadores de certa nomeada estão na rua: Renê Simões, defenestrado pelo Coritiba, e Ney Franco, demitido pelo Botafogo, e Paulo César Carpegiani, dispensado pelo Vitória. Nenhuma surpresa, pois essa é a ciranda do futebol brasileiro, desde que Charles Miller desembarcou em Santos com as duas bolas primevas, há mais de século.

E a expectativa é sempre a mesma: quem sabe a troca de técnico não energize o elenco e o time sai do ramerrão em que se encontra? Às vezes, dá certo; muitas outras, não.

Agora mesmo, o amigo pode apontar o dedo para Ricardo Gomes, que chegou ao São Paulo tricampeão brasileiro mas em baixa preocupante, com um currículo ralo, e, de repente, encaminhou o time para uma reação que já o coloca nas fímbrias da disputa pelo título.

E Jorginho, no Palmeiras? Recebeu do justamente afamado Luxemburgo uma equipe que oscilava lá pelo quinto/sexto lugar na tabela, e, em meia dúzia de rodadas, elevou-o ao topo da classificação, entregando-o de mão beijada para Muricy, o ex-super campeão do São Paulo.

Mas, poderia arrolar aqui uma lista telefônica de trocas de treinadores que resultaram apenas em tantas outras trocas, sem nenhum avanço.

Essa impaciência somada ao desejo quase mágico de que, num toque da varinha nova, tudo se transforme, na verdade, está encruada na alma do brasileiro, que apenas se projeta no futebol, enfim um mero espelho de nossa paisagem emocional.

Vota-se pra valer somente no presidente da República, logo elevado à condição de alguém capaz de, num gesto prodigioso, acabar com a corrupção, eliminar o desemprego, botar pão na mesa dos famintos, livrar-nos, enfim, de todo mal, amém. Simples impulso, nenhuma capacidade de tentar entender o todo pelas partes. Nenhum projeto. Ou vários, que não se sustentam diante da primeira adversidade.

Amanhã, será outro dia, como descanta o poeta popular, esse é o nosso lema, quando amanhã não passa da véspera de um outro dia qualquer.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros Tags: , , ,
06/08/2009 - 01:00

SÃO PAULO, AVAÍ E GOIÁS

Por Miltojn Trajano

E o São Paulo já começa a rondar a zona de classificação para a Libertadores, ao completar sua sexta partida invicta nas mãos de Ricardo Gomes, batendo o Botafogo, no Morumbi, de virada, por 3 a 1.

É verdade que, nesse jogo, o Tricolor demorou pra pegar no breu. Levou um golaço de Lúcio Flávio, e, só depois de responder com Jorge Wagner, de pênalti, e Washington, já no finzinho do primeiro tempo, é que a equipe se equilibrou em campo. No segundo, um belo gol de Dagoberto encerrou o placar, quando o São Paulo era melhor do que o Botafogo.

Outra vitória significativa foi a do Santos, em Cascavel, sobre o Coritiba, que, depois de súbita ascensão, despencou novamente para o bloco do adeus. Com um gol de Ganso e predominou da bola e dos espaços no segundo tempo, o Santos se reequilibra na tabela.

Já o Corinthians vai seguindo a sua sina, nesta fase de transição: perdeu por 1 a 0 do Náutico, nos Aflitos. Mas, atenção: não foi nenhum desastre técnico, pois o Timão jogou razoavelmente bem na medida de suas atuais possibilidades.

Quem começa a dar sinais de preocupação é o Cruzeiro, que, no Mineirão, perdeu por 2 a 0 para um Atlético PR de campanha mínima neste campeonato, e assim continua cortejando a zona do rebaixamento. Na estreia do técnico Antonio Lopes, o Atlético soube explorar a evidente tensão desse Cruzeiro que soma expulsões tantas quantas nunca teve em sua história, jogo a jogo.

Em contrapartida, o Avaí segue escalando a jato a tabela de classificação, com mais uma vitória nessa série incrível de invencibilidade: 1 a 0 no Santo André, em casa.
Mas, todas as emoções da noite ficaram por conta de Goiás 3, Flamengo 2, no Serra Dourada.

O Goiás, que cumpre campanha exemplar, logo meteu 2 a 0, com Amaral e Léo Lima, mas tomou o empate, com os dois craques do Fla – Adriano e Petikovic. E, como já virou hábito, Iarley, no finzinho, desempatou, mantendo o Goiás lá no topo, na área de disputa do título.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro Tags: , , , , , , , ,
04/08/2009 - 17:34

RODADA DECISIVA, COMO TODAS

Évem, como dizem as baianinhas de saia de roda e penduricalhos de muito axé, mais uma rodada decisiva do Brasileirão. Isso mesmo: decisiva, pois, em campeonatos por pontos corridos, lá e cá, cada rodada é decisiva, cujos pontos disputados serão saudados ou lamentados lá na frente, na reta final.

E o Vitória de Carpegiani, por quem elas suspiram com graça e fervor, precisa se reabilitar diante do Barueri, quinta, na Arena, da derrota recente para o São Paulo, o que não parece nada improvável, desde que o adversário anda capengando, depois de bela campanha até três rodadas atrás.

Mesmo porque periga o Vitória ter mais torcida na Arena do que o Barueri, pelo simples fato de a Grande São Paulo ser a maior cidade nordestina do país, sobretudo de baianos natos e seus descendentes diretos.

Já o São Paulo, que venceu o Vitória na rodada passada, enfrenta uma pedreira maior até, ao receber o  Botafogo, que enceta uma reação na tabela nas mãos de Ney Franco. Não só pela força da camisa do Glorioso, mas pela arrancada recente que o despregou da zona de rebaixamento para o limiar da Sul-Americana.

Mas, o Tricolor começa a se ajeitar nas mãos de Ricardo Gomes, ainda que no velho esquema dos três zagueiros. Passou a marcar mais à frente, e está conseguindo fazer a bola circular com ciência no meio-de-campo, graças a pequenas, porém, fundamentais mudanças: o recuo de Hernanes à posição de volante, onde o rapaz se sente muito mais à vontade do que atuando como meia, e o visível crescimento do futebol de Dagoberto, herói das duas últimas vitórias tricolores, entre outras coisas.

O São Paulo, porém, apesar dos bons sinais, ainda não chegou ao formato ideal – talvez, nem chegue -, mas caminha nessa direção.

TIMÃO NOS AFLITOS

Ainda sem Ronaldo, mas com Edu no time, o Corinthians vai aos Aflitos enfrentar o Timbu lanterna, que na rodada anterior arrancou heróico empate do Flamengo, em pleno Maracanã. Aliás, nem tão pleno assim, onde a nota destoando foi protagonizada por Léo Moura, xingando a torcida.

A ausência de Ronaldo segue sendo uma lacuna impossível de ser preenchida, embora Souza, já no empate com o Avaí, tenha apresentado evolução significativa desde sua estréia no Corinthians.

E a presença de Edu implica num passe mais exato e em maior segurança para a defesa corintiana. Além de empurrar Elias mais à frente, onde o meia se dá tão bem como segundo volante. Acrescente aí a volta de Dentinho, e, tudo indica, teremos um Timão mais forte do que o do fim-de-semana. Com a cabeça fria, o Corinthians haverá de se moldar em novo time.

LÍDER IMPREVISÍVEL

Muricy, mal assumiu o comando do líder Palmeiras, e já imprimiu suas digitais no time. As digitais de um tricampeão brasileiro, o que vale ouro, sem dúvida. Mas, que descaracterizou o time até então em plena ascensão.

Se a justificativa de Muricy para impingir o esquema com três zagueiros contra o Sport, na pior exibição do time nas últimas sete/oito partidas anteriores, era porque o adversário usava o mesmo esquema, contra o Grêmio, nesta quinta, no Palestra Itália, isso cai por terra, já que o Tricolor gaúcho de Paulo Autuori mudou o braço da viola e joga com apenas dois zagueiros.

De qualquer forma, o Verdão tem todas as chances de acumular mais uma vitória, pois a recente goleada do Grêmio sobre o Cruzeiro, embora lídima, prejudica qualquer análise pelas expulsões de dois adversários.

Mas, se optar pelo sistema em que Muricy está aferrado, grandes são as possibilidades de o Grêmio, com seus Túlios, Adilsons, Tchecos e Souzas, dominar o meio de campo e ditar o ritmo do jogo.

Mais importante, porém, no caso, é celebrar os 36 anos de idade do goleiraço Marcos, na minha opinião, o maior da história gloriosa do Palmeiras, com todo o respeito a Oberdã, outro ícone, e a Leão, Valdir de Moraes, Primo e tantos que ali brilharam.

Idade de trinta e seis anos  para um goleiro do porte de Marcos é nada , quando sabemos que seus nobres parceiros de outras eras, no mundo todo, passaram dos quarenta jogando uma enormidade, como Carrizzo, Manga etc.

A propósito, pelo talento e pelo caráter de Marcos, se estiver nessa mesma forma às vésperas da Copa da África, teria um lugar na nossa Seleção, nem que seja para a reserva de Júlio César, que anda fechando o gol na Inter e na Seleção como poucos, diga-se.

TEMPO DO GOIÁS

O Goiás, em franca ascensão e celebrando a volta do filho pródigo, Fernandão, recebe no Serra Dourada um Flamengo machucado pelo empate com o Náutico no Maracanã, e cheio de dedos pela incompatibilidade entre Léo Moura, um dos seus principais jogadores, e a torcida, justamente no dia em que Andrade foi efetivado como treinador da equipe.

O Goiás, possivelmente, deverá ter de volta vários dos titulares que estiveram ausentes na heróica virada sobre o Santo André em São Caetano, o que aumenta em muito suas possibilidades.

O diabo é que o Goiás tem apresentado um resultado muito superior fora de casa do que no Serra Dourada: coisa de 78 por cento contra apenas 50.

É hora de virar esse jogo, se quiser seguir brigando pelo título.

RAPOSA, PEIXE, AVAÍ E FLU

O Peixe, por causa de seu jogo adiado com o Inter, teve um bom espaço para Luxemburgo prepará-lo com vistas ao jogo contra o Coritiba, no Couto Pereira, coisa rara nesse calendário opressivo do futebol brasileiro.

Luxa, que é errático e exaustivo nos seus discursos, sabe como nenhum outro armar seus times, treiná-los devidamente, motivá-los e tal e cousa e lousa e maripousa. Vale verificar se isso ainda funciona.

Quanto ao Coritiba, que, depois de uma arrancada prodigiosa para longe da zona do rebaixamento, refluiu, esse é um daqueles jogos em que não pode bobear. Confesso que não apostaria nem em um, nem em outro.

Já o Avaí, nessa virtuosa escalada desde a lanterna, jogando em casa, dificilmente deverá deixar escapar um belo resultado diante de um Santo André em crise. Basta evitar que Marcelinho Carioca tenha uma daquelas chances de cobrança de falta perto da área em que o veterano craque costuma transformar em pênalti.

E a Raposa, a que veio? Bem, o Cruzeiro ainda carrega nos nervos os eflúvios da frustrante perda da Copa Libertadores da América. Tem time para se reerguer, embora já nem almejando o título. E esse é o momento de readquirir o equilíbrio, jogando no Mineirão contra um Furacão que não passa de brisa leve neste campeonato.

Por fim, o Fluminense, em plena reformulação administrativa, com a saída do gerente Alexandre Faria, a provável volta de Branco (fala-se, também, em Parreira para uma função dessas) e a chegada de Valdir Espinosa como apoio a Renato Gaúcho, que já começa a ter sua cabeça a prêmio.

Tudo lá em cima. E, no campo? No campo, o Flu é um time frágil, que transita pela zona do rebaixamento há muito tempo, e que recebe o Sport, outro desesperado. É jogo de vida ou morte, já que disputado entre dois que brigam para sair do bloco dos desesperados.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro Tags: , , , , , , , , , , ,
26/07/2009 - 21:33

TRÊS VEZES OBINA

Três vezes Obina, na espetacular vitória do Palmeiras sobre o Corinthians, por 3 a 0, em Presidente Prudente. Espetacular porque o Corinthians jogou com a força máxima que lhe restou depois das saídas de Cristian e de André Santos, que, aliás, estreou no Fenerbaçh marcando um gol. E, sobretudo, porque foi sempre mais seguro e incisivo do que o Timão, que, diga-se, jogou de igual pra igual.

E o tom do partida já foi dada logo no começo, com aquele disparo de Cleiton Xavier que até agora está reverberando na trave de Felipe. E, com a baixa do Fenômeno, que sofreu logo de cara uma lesão no punho e teve de deixar o campo.

Com um jogo equilibrado entre defesa, meio de campo e ataque, o Palmeiras plantou-se em campo e chegou ao gol de abertura com o artilheiro Obina, desviando de peixinho cruzamento da direita de Pierre.

Correndo poucos riscos, recomeçou o segundo na mesma toada, até chegar aos 2 a 0, com Obina, de pênalti. E, quando parecia que o Timão iria encetar uma reação, lá veio o terceiro, num contragolpe fulminante em que Cleiton Xavier deixou Obina diante das redes vazias.

Logo em seguida, Alessandro foi expulso, e a coisa toda ficou definida assim: Verdão 3, Timão 0.

Dessa forma, Jorginho entrega a Muricy, que assistiu o jogo das tribunas, um Palmeiras líder, por pontos ganhos, ao lado do Galo, que leva a vantagem de um gol a mais, esquema definido, time formado e com o moral lá nas estrelas. É só tocar o barco.

AH, GALO…

Jogando em casa e defendendo a liderança isolada do campeonato, o Galo não podia ter perdido esse jogo para o Goiás, por 1 a 0, gol de Iarley. Mesmo porque, segundo os relatos que nos chegam de Belo Horizonte, o Atlético teve o controle do jogo, pressionou, pressionou e, num contragolpe, se estrepou.

Mas, nem tanto. Afinal, segue sendo líder do campeonato, o que lhe cai bem, diga-se.

FLA, DE VIRADA

Bem que o Santos deu pala de que iria estraçalhar, com um início fulminante, em exibição exemplar de Fanso, no primeiro tempo. Mas, aos poucos, foi refluindo, e o jogo caiu num marasmo atroz, quebrado apenas no segundo tempo pelo disparo certeiro de Robson.

O Flamengo, contudo, estava vivo na parada e Adriano, de fora da área, diminuiu, e Pará, contra, ao tentar cortar cruzamento da direita, marcou a virada que evitou crise maior na Gávea, mas que pantou uma interrogação ainda maior na Vila – será que nem Luxemburgo?

GAÚCHOS E AVAÍ

Sem dúvida, a mais sensacional recuperação deste campeonato é a do Avaí, que segurou a lanterna por várias rodas, e, de repente, alçou vôo para posições mais dignas. Foi a quarta vitória consecutiva, se não erro nos números, ao bater, sábado o Furacão, em plena Arena da Baixada, por 3 a 1.

Já os gaúchos, como de hábito, estiveram em polos opostos neste sábado: enquanto o Grêmio, com toda categoria, vencia o Santo André no Olímpico por 3 a 2 (que golaço do Souza!), o Inter somava mais um infortúnio seguido, ao levar de 3 a 2 do Botafogo, no Engenhão, em jogo emocionate.

Tanto, que Juninho meteu das bolas nas traves, num jogo em que o Bota chegou a disparar 2 a 0 no primeiro tempo, levou o empate no segundo e ainda conseguiu chegar lá.

Pra mal dos pecados dos colorados, Nilmar, a estrela da companhia, já bateu asas e
voou em direção ao Villareal. Sei, não…

VITÓRIAS E SUFOCOS

Por Milton Trajano

Muito boa a vitória do São Paulo sobre o Barueri, na Arena, por 2 a 1. Não apenas porque o time vai recuperando a confiança, mas, sobretudo, pelas excelentes atuações de Hernanes e Miranda, dois craques da equipe que não andavam bem nos últimos tempos.

No primeiro tempo, foi lá e cá, uma partida gostosa de se ver, quando o placar final foi estabelecido, com gols de Washington, Raf e André Dias. Mas, no segundo, depois da expulsão de Washiington, por reclamação, foi um sufoco só: o Barueri, sob o comando de Thiago Humberto e de Everton, acuou o Tricolor em sua grande área, e o empate só não saiu por aqueles outrossins do futebol.

Quem resiste bravamente no grupo da Libertadores é o Vitória, que bateu o Coritiba em ascensão, e voltou a ocupar o lugar que lhe cabe por mérito e direito, em mais uma bela exibição de Leandro Dominguez.

Já o Cruzeiro, ao empatar com o Fluminense, na casa do inimigo, por 1 a 1, continua raiando a zona de rebaixamento, o que nem de longe faz jus à excelência de seu elenco e à gloriosa história de sua camisa.

Mas, há que se levar em conta que o Cruzeiro disputou praticamente todo o segundo tempo com um jogador a menos – Leonardo Silva, expulso. Abriu a contagem, recebeu o empate e perdeu boas chances na grande área do Flu, que, por sua vez, jogou desfalcado. De qualquer forma, o jogo foi, tecnicamente, lamentável.

*Veja mais charges de Milton trajano no blog do iG Esporte

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro Tags: , , , , , , ,
17/05/2009 - 21:04

INTER E TUTTI QUANTI

Inter x Palmeiras

Prova de que o Inter, apesar do início um tanto frustrante diante da enorme expectativa que gerou, tem um elenco de escol está nessa vitória por 2 a 0 sobre um Verdão completo, embora jogando com seu time misto.

E ganhou no pau a pau, não em jogadas fortuitas – um contragolpe aqui, uma bola parada ali, nada disso.

Ganhou jogando bola, a começar pela brilhante investida de Taison pela esquerda, que o zagueiro Danny Moraes guardou, logo aos 11 minutos. E terminando já nos descontos (ou acréscimos, como queiram), com D’Alessandro, pegando rebote na área.

Sim, é verdade; no segundo tempo, Tite reforçou sua equipe com alguns titulares. Mas, o fato é que não isso não foi determinante, pois faltou ao Palmeiras punch, força, enfim, para buscar o resultado, sobretudo pela ausência de um lateral-direito que equilibrasse a equipe por aquele setor, ocupado a maior parte do tempo apenas por Marquinhos, tentando cobrir a deficiência de um time armado canhestramente por três zagueiros de ofício.

EMPATE DOS CÉUS

O São Paulo, no Morumbi, mais uma vez decepcionou. Pelo menos, não demonstrou nenhuma evolução nesse longo período de preparação de que usufruiu por conta da febre mexicana. Foram quase vinte dias de tempo disponível para que Muricy recuperasse as forças da equipe, afiasse jogadas inesperadas, testasse uma novo tipo de formação, enfim, o que achasse mais conveniente.

Mas, em campo,  que se viu foi um pastiche daquele time, ao menos, competitivo e eficiente das temporadas passadas.

Disso, se aproveitou o Atlético PR, que abriu o placar aos 45 do primeiro tempo, com o zagueiro Rafael Santos, o mesmo que faria o segundo do Furacão na etapa complementar, depois de Borges ter empatado.

No finalzinho, André Lima, em posição duvidosa, salvou a honra tricolor.

Apesar disso tudo, o São Paulo tem bala para evoluir muito ainda.

AH, PEIXE…

O Santos estava com a vitória nas mãos: 3 a 1, em casa, contra um Goiás que nem de longe lembra seus melhores momentos do passado.

Pois não é que, no finzinho, permitiu o empate?
Coisas de um time ainda em formação.

ALVINEGROS, MEZZO A MEZZO

Bota x Corinthians

O Corinthians teve o jogo aos seus pés ao longo de todo o primeiro tempo, quando, crieam!, Ronaldo Fenômeno perdeu dois gols que ele costuma fazer chupando um picolé.  Série completada, diga-se, no segundo tempo, com outro nessas circunstâncias.

Houve ainda aquela jogada com André Santos, que preferiu o chute á queima-roupa…

Mas, quem não faz quase toma, como não diz o ditado. E o Bota voltou mais fogo no segundo tempo, acuou o Timão e só não chegou à vitória porque Felipe estava atento.

CANTO DO GALO

No seu terreiro, sábado, o Galo cantou um canto um tanto agoniado, mas, no fim, de glória. Afinal, Tardelli, já no anoitecer da partida, quebrou seu jejum de gols e marcou de pênalti o gol da vitória sobre o poderoso Grêmio. Pênalti, por sinal, que, segundo se pôde verificar pela câmera mais bem postada, não aconteceu, já que a bola foi aparada pelo corpo, não pelo braço ou mão de Joílson, dentro da área.

Mas, o relevante para o Atlético – a par a eventual vingança de Roth, recém defenstrado do Grêmio – foi demonstrar que tem time para fazer boa figura no campeonato, ao contrário do que muitos supunham depois daqueles desastres na decisão do Mineirão e na desclassificação da Copa do Brasil. 

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro Tags: , , , , , , , , , ,
16/05/2009 - 16:24

O DOMINGÃO E OS DIABOS CAMPEÕES

Pena que estas primeiras rodadas do Brasileirão sejam prejudicadas pela disputa concomitante das fases decisivas da Copa do Brasil e da Libertadores. Sim, porque os principais candidatos ao título estão envolvidos numa ou noutra, o que os força a jogar com seus times mistos ou mesmo reservas na disputa nacional.

Por exemplo, esse Inter e Palmeiras de amanhã. Se jogassem completos, seria um jogaço, por certo, o clássico da rodada. mas, nesse jogo de esconde-esconde em que os treinadores transformaram as vésperas dos jogos, ninguém sabe que Inter entrará em campo, muito menos que Verdão será escalado por Luxemburgo.

Nesse cenário fica muito difícil arriscar qualquer previsão, a não ser aquela óbvia: o Inter leva a vantagem de jogar no Beira-Rio, diante de sua torcida Outra: tudo indica que o Inter tem um elenco mais qualificado do que o do Palmeiras, o que deve, em princípio, amenizar as ausências mais nobres, tipo Nilmar, Taison e D’Alessandro.

Já o Palmeiras, se poupar seu trio equivalente de ataque – Diego Souza, Cleiton Xavier e K-9 -, encontrará mais dificuldade nas substituições. De qualquer forma, segue sendo o jogo mais expectante da rodada.

Outro que desperta expectativas, mas por outras razões, é São Paulo e Atlético PR. Nem tanto pelo eventual espetáculo, já que ambos praticam, de hábito, um jogo altamente competitivo, e só.

A questão é saber se o Tricolor soube ou não aproveitar mais este largo período de folga para aprumar sua equipe, embora se saiba que, nos treinamentos, o time perdeu para a enfermaria alguns de seus valiosos titulares.

Já Botafogo e Corinthians recai naquele item inicial: o Corinthians, provavelmente, jogará muito desfalcado, a exemplo do Fluminense, que irá a Barueri. Logo, é a grande chance de o Botafogo ganhar pontinhos essenciais em casa.

O mesmo vale para o Cruzeiro, que oferece ao Náutico, nos Aflitos, a oportunidade de ganhar aquela vantagem que contará muito na hora da definição dos lanternas do campeonato, lá na frente, se assim for.

O Santos, porém, recebe o Goiás na Vila sem restrições de nenhuma ordem. É, pois, a hora de se firmar de vez na competição, pois o Goiás está longe daqueles times que nos encantaram em passado recente.

Por fim, o clássico do Nordeste: Vitória e Sport, ambos feridos pelos recentes insucessos. O Vitória, pela goleada sofrida diante do Vasco pela Copa do Brasil; o Leão Encantado, lambendo ainda a ferida mortal da desclassificação na Libertadores. Vai ser fogo!

DIABOS, SEGUNDA COROA

Não, não foi aquele time mortífero das últimas temporadas, pois, após um início promissor, o Manchester United caiu na retranca diante de um Arsenal que toca-toca-toca, mas não agride. Era o que antigamente se chamava de tico-tico, o passarinho ciscando no terreiro sem um rumo final.

Sucede que o empate lhe daria a segunda coroa do reino. E, assim, com o zero a zero final, os Diabos Vermelhos levantaram seu segundo título expressivo deste ano (antes, levantara a taça da Liga dos Campeões), antes da hora, o que lhe dará tempo para se armar com vistas à decisão da Liga dos Campeões da Europa, contra o Barça, também, atrás da tríplice coroa, já que poderá se sagrar campeão espanhol amanhã, depois de ter levado a Copa do Rei.

É o tricampeonato nacional do Manchester United, o décimo oitavo, que o deixa na liderança de títulos ingleses, ao lado do Liverpool, e a trigésima primeira conquista de expressão de Sir Alex Ferguson, que desde 86 dirige a equipe.

E que técnico, esse! Aos 67 anos, segue sólido no comando do Manchester, e, sobretudo, lúcido, mais lúcido do que a maioria dos jovens treinadores que o perseguem. Lúcido porque vê o futebol com a clareza de quem já viu quase tudo na vida. E sabe que, no fim, as coisas, no campo e fora dela, são muito simples em toda a sua complexidade.

INTER, TETRA

Quem não vai gostar deste meu comentário é o consideradíssimo Gian Oddi, que percorre a Bota do cano ao salto, cheio de expectativas. Expectativas que não se realizam em campo, num período em que o futebol italiano experimenta seus piores momentos nos últimos tempos, apesar de ostentar o título de campeão do mundo pela Azzurra.

Mas, veja o amigo um exemplo rasteiro: Cannavaro, eleito o melhor jogador da Copa do Mundo, ícone daquela seleção de futebol opaco mas vitoriosa, está implorando para trocar o Real, onde jamais repetiu sua bola mais redonda, pela Juve, seu ex-time. E a Juve, huummm…, espia de esguelha.

Voltando à vaca fria: o Milan, neste sábado, entregou de bandeja o título nacional ao seu maior rival, com antecedência, ao perder pifiamente para o Udinese, em Udine, por 2 a 0. E perdeu sem jogar um tostão de bola, como se prevendo o imenso desmanche que se prenuncia.

O técnico Ancellotti está de malas prontas em direção ao Chelsea. Schevchenko, Ronaldinho Gaúcho, Sendero e aquela zaga geriátrica do Milan devem ser defenestrado no final da temporada, se é que o Duce Berlusconi pretende cumprir melhor performance na próxima temporada.

O fato é que o futebol italiano, último bastião do chamado futebol de resultados nos grandes centros futebolísticos da Europa, precisa mudar rapidamente o braço da viola. Sair desse inhenhém defensivo que o tem caracterizado nas duas últimas décadas, em busca de um jogo mais arejado, divertido, ofensivo, para recuperar o prestígio e a audiência perdida desde muito.

Aliás, essa foi a proposta de Mourinho ao trocar o Chelsea pela Inter. Em, entrevista ao Sportv, meses atrás, disse que ia para Milão a fim de mudar a cara do futebol italiano. Não será fácil, mas vale a pena tentar.  

 

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Futebol internacional Tags: , , , , , , , , , , , , , ,
03/05/2009 - 19:29

TIMÃO E MENGÃO

Antes de mais nada, meu caro, vale exaltar o nível técnico dessa decisão, em que os dois times praticaram um futebol leve, criativo e ofensivo, ao contrário do que habitualmente acontece nessas ocasiões.

O Corinthians, por exemplo, que entrou no Pacaembu com significativa vantagem de três gols, jamais se entrincheirou lá atrás, buscando o resultado através de uma retranca feroz. Nada disso: jogou o jogo, apostando na qualidade de seu elenco.

Por isso, resistiu ao brutal assédio do Santos, no primeiro tempo, quando o Peixe poderia até ter chegado ao placar desejado, tantas foram as chances criadas – algumas, perdidas por um triz; outras, pelas intervenções providenciais do goleiro Felipe.

O mesmo Felipe que, depois de uma sucessão de ataques do Santos, foi obrigado a cometer pênalti em Kleber Pereira, que converteu, aos 27 minutos de jogo.

Mas, o Timão, apesar de tudo, reagiu na hora, e, aos 33, num passe exato de Dentinho, André Santos queimou Fábio Costa, de canhota: 1 a 1.

Foi o placar final, aquele que assegurava ao Corinthians o título paulista, não apenas pelo resultado do jogo anterior, na Vila, mas, sobretudo, pela campanha ao longo da fase inicial, que lhe concedeu a vantagem do empate nas partidas decisivas.

E, mais do que isso: o corolário da campanha que vem desenvolvendo desde a Segundona, quando, então, dizia-se que o Timão, lá embaixo, poderia ser rei. Mas, aqui em cima, a história seria outra. Não foi. E não foi porque o Corinthians joga pra ganhar, embora também empate, pois futebol não é ciência exata.

Ah, sim, e também pode perder, por que não?

O fato é que se fala muito, ultimamente, em projetos, planificação e o diabo. Pois, se isso existe e funciona, o Corinthians de Mano Menezes é um exemplo único de time que contrariou todos os chamados preceitos modernos e clichês vigentes para chegar a dois títulos consecutivos de forma indiscutível, jogando um futebol ofensivo, sem legiões de beques e volantes de contenção.

Assim como o Santos, honradamente vice-campeão, que acaba de nos dar de presente duas gotas de esperança: o meia Paulo Henrique ‘Ganso’, espigado, elegante no toque de bola, inteligente armador, hábil e seguro no passe, e Neymar, que disputou todos esses jogos decisivo com uma fissura num dedo do pé direito, e só por isso, estou convencido, não produziu tudo o que sabe.

Enfim parabéns para Corinthians, o campeão, e para Santos, o vice, que mudaram o braço da viola e nos ofereceram, aos que amam o futebol bem jogado, uma decisão para ser recortada e colada no álbum de recordações, como prova de que, sim, se pode fazer uma decisão sem catimbas, retrancas e outras bobagens do gênero.

E, que, no fim, quase sempre ganha o melhor.

SELEÇÃO DO PAULISTÃO

Se fosse fazer a seleção do campeonato, teria de dividir em duas – a da fase de classificação e a decisiva. Somando as duas, porém, e pesando tudo, lá vai: Felipe; Alessandro, André Dias, Chicão e André Santos; Pierre, Elias, Cleiton Xavier e Paulo Henrique; Keirrison e Ronaldo.

FLA, CAMPEONÍSSIMO

Foi nos pênaltis, é verdade, pois o jogo, no tempo regulamentar, repetiu o placar anterior: 2 a 2, numa comovente reação do Botafogo, já que perdia por 2 a 0 na etapa inicial, dois gols de Kleberson – um, de cabeça, que Ronaldo Angelim empurrou além da risca; outro, na sequência de cobrança de falta, que desviou na barreira e enganou o goleiro Renan.

E é aqui que entra aquele velho axioma do futebol, segundo o qual 2 a 0 é um placar muito perigoso. Ultimamente, a turma dá um sorriso de escárnio diante desse bordão e replica: melhor 2 a 0 do que nada, pô!

Não deixa de ser verdade. Mas, na prática, a tendência de nossos técnicos e jogadores é, quando seu time chega a esse placar, recuar demais, para garanti-lo, ou ampliá-lo em eventuais contragolpes. Mas, dois é menos do que três, como nos ensina a mais elementar aritmética, portanto placar mais acessível, para quem está atrás e nada mais tem a perder.

A prudência, pois, e não a ousadia, sugere que o vencedor por 2 a 0 aproveite-se dessa vantagem – numérica e psicológica – para investir sobre o outro, em busca do terceiro, do quarto, enfim, da pá de cal sobre o placar.

No Maracanã não foi assim: o Fla recuou, o Bota cresceu, apesar de seus desfalques essenciais, e a coisa toda foi para a cobrança de penalidades, que Bruno, mais uma vez, resolveu, com duas defesas prodigiosas, sobretudo porque diante de dois dos mais experientes cobradores adversários: Juninho e Leandro Guerreiro.

O fato é que o Flamengo celebra mais um Carioca, com toda justiça, mas ainda apreensivo em relação ao Brasileirão, pois não cumpriu uma campanha brilhante, apenas eficiente.

Quem sabe com Adriano, um artilheiro na área onde o rubro-negro é mais carente, o cenário mude de figura.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonatos Estaduais Tags: , , , , , ,
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