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quinta-feira, 1 de setembro de 2011 Sem categoria | 17:20

FUTEBOL DOGMÁTICO

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O futebol, como a vida que ele representa nas quatro linhas do gramado, é cheio de dogmas, clichês e preconceitos.

Um deles, que ata o futebol brasileiro há pelo menos duas décadas, é a dos dois volantes de ofício, quando não três ou quatro, de acordo com a visão do professor de plantão e as circunstâncias do seu time na competição.

E não adianta você antepor a esse conceito (ou melhor: preconceito) outro, mais arejado e moderno (ou eterno). O bicho não quer saber. Olha você com aquele ar de quem sabe das coisas diante de um neófito, um romântico, um poeta que nunca jogou bola e desconhece os mais fundos mistérios do futebol.

Se você citar como exemplo o Barça, que joga com apenas um volante ou até nenhum, o professor afivela no nariz o virtual pincenez da sabedoria sobre os mais ocultos segredos da bola, e rebate de pronto: “Ah, mas o Barça não vale. É uma exceção, pela sua estrutura e tal e cousa e lousa e maripousa”.

Tá bom, e o Santos do primeiro semestre do ano passado, que ganhou tudo, encheu de gols o adversário e deu o maior espetáculo que o brasileiro pôde ver ao vivo nas últimas décadas?

Ah, mas aquilo também foi uma exceção. Claro que foi uma exceção, pois se a regra é ditada pelos professores apavorados para manter o seu plantão nas equipes que dirigem, só haverá exceções em contrário.

E, por que eles não transformam a exceção em regra, quando elas passaram por essa transformação nos principais clubes da Europa?

Porque morrem de medo de perder e ser dispensados dos times que dirigem, numa organização volátil e imediatista como a que conduz o futebol brasileiro.

E, sobretudo, porque cultivam ignorância palmar sobre a história do futebol, de ontem e de hoje.

Luxemburgo, por quem nutro especial carinho e admiração como treinador de futebol, ainda outro dia, no Bem, Amigos, disparou o seguinte lugar-comum: aqui, de repente, você pega pela frente um cabrochinho lá de um time inexpressivo do mato brasileiro que, com sua habilidade típica, desmonta seu esquema; na Europa, não.

Ora, ora, isso era no tempo em que se amarrava cachorro com lingüiça, como já disse certa vez, no sentido contrário, Felipão. Hoje, a Europa é um mosaico de jogadores de todas as etnias, estilos, técnicas e habilidadess. Lá convivem negros, mulatos, asiáticos, sul-americanos, africanos arábicos e da Mãe Negra, eslavos, balcânicos, o que o amigo possa imaginar.

Há jogadores automatizados como há jogadores de extrema habilidade e inventiva, muito mais do que aqui, onde nossos técnicos optam por uma só maneira de jogar e amputam, em geral, a habilidade e a criatividade em nome da segurança.

Aliás, esse cabrochinho cheio de manhas e dengos já está por lá desde menino, há muito tempo.

Outra, do meu querido Luxa, que, digo de passagem, tem sido o mais ofensivo dos nossos treinadores, falando sobre a Seleção: “Não temos laterais, laterais, daqueles que sabem marcar primeiro e apoiar depois, que façam a cobertura por dentro, quando necessário…”

Está certo o Luxa quando se refere aos laterais daqui, criados como alas, pela imposição do maldito sistema com três zagueiros que começa a ser abandonado, graças a Deus!

Mas, os da Seleção, meu? Daniel Alves joga naquele Barça sem peias ou teias. E já cansou de ser eleito o melhor da posição na Europa. Marcelo, agora reconvocado por Mano, idem com batatas do outro lado, no Real.

E até o nosso André Santos, massacrado pela imprensa por causa de uma lambança contra a Alemanha, acaba de ser contratado pelo Arsenal.

Resumindo: a tese dos professores é a de que não podemos arriscar um milímetro do convencionado porque não há tempo para preparar adequadamente uma equipe para tão fundamental mudança.

Mas, a verdade é que, apesar do péssimo calendário brasileiro, que escamoteia dos técnicos o tempo necessário para a preparação de seus times, o que falta mesmo é coragem para mudar esse cenário tático. Avançar a linha defensiva, compactando-a com um meio de campo onde prevaleçam os meias habilidosos, que, por sua vez, atuem próximos dos atacantes não é nenhum cavalo de batalha. Exige apenas bom senso e um pouco de coragem.

Mesmo porque nossos professores, que tanto preservam seus empregos, vivem saltando daqui pra lá, sob o signo da incompetência sempre temporária. Ser demitido por covardia, em vez de ousadia, convenhamos, é muito mais vergonhoso.

Notas relacionadas:

  1. ENTRA ANO, SAI ANO… (2)
  2. PRA FRENTE, BRASIL!
  3. DECISÕES E A GRANDE VIRADA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , ,

terça-feira, 31 de maio de 2011 Clubes brasileiros, Futebol internacional | 19:28

O PEIXE NA RAIA OFICIAL

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Certamente, o discurso que todos os torcedores portadores do tal DNA do Santos gostariam de ouvir às vésperas do derradeiro confronto com o Cerro, pelas semifinais da Libertadores, seria mais ou menos este: vamos a Assunção impor nosso jogo, nosso estilo, nossa maneira de jogar, destemida, ofensiva, recheada de dribles desconcertantes, chapéus, passes inesperados e muitos gols, ainda que percamos o jogo, um risco que correríamos sempre se, ao contrário, nos amoitássemos atrás de feroz retranca, pois, em futebol, num jogo só, o resultado é imprevisível.

Mas, não é essa a fala peixeira. Ao contrário: o que a turma chegou lá dizendo é que se trata de jogo difícil, que exige extrema cautela, que essa história de jogar bonito é conversa mole pra boi dormir, e que o zero a zero será saudado com fogos e champanha, já que esse desfecho projeta o Santos para a decisão da taça.

Nem poderia ser outra, aliás. Pois, o time que entrará no estádio Pablo Rojas não é aquele que foi capaz de unir eficiência e espetáculo na dose exata, no primeiro semestre do ano passado, campeão da Copa do Brasil e do Paulistão. E o elenco de que dispõe Muricy para esse jogo, embora de qualidade comprovada, não tem bala para atingir esse patamar especial.

Pode, sim, voltar de Assunção com a classificação para a final e até com uma vitória consagradora. Mas, se o fizer, será num nível mais próximo da realidade do atual futebol brasileiro: bom, eficaz em certos momentos, mas de brilhos intermitentes, em geral, cintilando nos pés de Neymar.

Portanto, se me permitem, sugiro ao amigo peixeiro, em vez da inebriante champanha da celebração antecipada, uma dose de uísque pra relaxar, e reza braba pra que tudo dê certo.

Depois, sim, é soltar as frangas. Ôps, as lagostas com champanha.

O FUTURO DE HERNANES

Cruzo com Hernanes nos corredores da tv e colho dele a certeza de que, apesar de algumas sondagens para sair de Roma, ele está disposto mesmo a ficar no Lazio.

Garante que está adorando a cidade, o clube, os companheiros e tutti quanti. E que já se adaptou à nova função, mais adiantada, quase um atacante verdadeiro.

Mas, cá entre nós, duvido que Hernanes, jogando o que jogou nesta temporada na Lazio, permaneça por lá muito tempo.

CONCEITO CATALÃO

O conceito precede à prática e aos resultados. Pelo menos, no caso desse deslumbrante Barça.

Nesse caso, o conceito básico é o seguinte: vamos montar um time que ocupe um terço do gramado – da nossa intermediária à deles. Por quê? Porque, como já ensinou Rinus Mitchels – o inventor do Carrossel Holandês da Copa de 74, jamais reproduzido na íntegra, por nenhum outro time do planeta -, à época, treinador também do Barcelona de Cruyjff, Neskeens etc., se você compactar o seu time de intermediária a intermediária, estará sempre mais próximo da meta adversária, e capacitado a trocar passes de primeira: um-dois.

Quanto mais trocar passes, seu time estará mais próximo do fundamento essencial do jogo. Além do mais, evitará o confronto direto com os marcadores, e não desgastará os músculos, os pulmões e as mentes de seus jogadores, correndo atrás do adversário ou de bolas lançadas a esmo.

E, mais, se o amigo apoiar seu jogo no toque-toque, fará poucas faltas e não perderá o equilíbrio emocional. Resultado: menos suspensões por cartões e por lesões.

Assim, se você preservar a integridade física e mental de seu time, o amigo terá o mesmo time jogando junto por um tempo maior do que ocorrer com os demais, habituados a jogar a partir de uma defesa recuada, que lança chutões pra frente.

A sua marcação se resume em ocupar espaços que estão próximos de você mesmo, pois a compactação das três linhas (defesa, meio-campo e ataque) facilita essa tarefa. Além do mais, vale lembrar a estatística que diz o seguinte: a recuperação de bola por um time é coisa de setenta por cento resultante do erro de passe do adversário. Logo, você não precisa estar atacando o adversário com a bola via carrinhos e outros lances que permitam a ele se organizar em campo, durante uma cobrança de falta.

Por fim, você mantendo por um longo tempo seu time principal com os músculos, os pulmões e a mente em forma, mais vezes esse time entrará em campo. E, quanto mais vezes o mesmo time entrar em campo, mais se afia o conjunto, a capacidade, enfim, de tocar a bola e impor seu jogo conceitual.

Esse é o mistério do Barça, não treinamentos específicos ou qualquer outro artifício de um técnico milagroso. Traduzindo: a mais pura simplicidade, fruto da maior complexidade, como costuma ser a simplicidade, aliás.

E que consegue a proeza de manter a bola sob seu domínio por setenta por cento do jogo, praticar a base de cinco faltas por jogo (sofre coisa de 15, no máximo) e mantém a média de gols nas cercanias dos três.

O Barça joga como Guardiola jogava, quando era um volante de alta classe, tocando a bola sem dar pelota às críticas dos pragmáticos de plantão, que exigiam dele mais voluntariedade.

Isso, na esteira desses tantos holandeses voadores, de Rinus Mitchels a Reijkaard, passando por Cruyjff e Van Gaal.

As sofisticações foram se depurando, ao longo do tempo, até que a decantação final produzisse esse Barça, de tanta consistência, cor e sabor.

FIFA SOMBRA

Está marcada para amanhã a eleição – ou melhor, aclamação – de Sepp Blatter para mais um mandato do suiço à presidência da Fifa. Em meio à enxurrada de denúncias de corrupção, envolvendo o Comitê Executivo da entidade e do próprio presidente, Blatter conseguiu desviar os disparos sobre os inimigos e saiu ileso, com seus amigos, do tiroteio.

A Federação Inglesa pede adiamento do pleito, mas os ingleses, que também não são flores que se cheirem, embora me pareçam do lado certo neste caso,  duvido que tenham êxito.

Aliás, se houvesse um rapa geral na Fifa, como na CBF e demais entidades que tocam essa barca entupida de barras de ouro de cá pra lá, duvide-o-dó que a nova tripulação fugiria do roteiro traçado pela amibição desmedida e descarada dos dias em que vivemos.

Já tive tantas decepções nesta minha já longa caminhada – e não só no esporte -, que me sinto um Diógenes apesentado.

Pra quem não sabe, Diógenes era aquele filósofo da Grécia Antiga, discípulo de Antístenes, criador da Escola Cínica (cínico, de cão, o único bicho confiável), que morava num barril e de lá saía com uma lanterna acesa pela cidade em busca do homem íntegro. Morreu sem encontrar.

Lendário é o episódio em que, estando tomando sol diante de sua barrica, postou-se um desses poderosos à sua frente e intimou-o:

- Diize o que desejas neste momento e te concederei a dádiva de imediato. O que quiseres: ouro, poder, palácios, as mais belas donzelas, o que desejares!

Diógenes, então, olhou-o nos olhos, e respondeu:

- Só desejo que saias da minha frente para que não continues me roubando o raio de sol que me aquece.

Notas relacionadas:

  1. A LONGA JORNADA DO PEIXE
  2. O PEIXE DESTE SÉCULO
  3. PEIXE, PIRATAS, COPA DO BRASIL, GIGGS E ABDIAS
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , ,

sábado, 28 de maio de 2011 Futebol internacional | 18:16

BARÇA!

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Que o Barça é o melhor time do mundo, na atualidade, não resta a menor dúvida. Aliás, um dos melhores times de futebol da história, diga-se.

Mas, às vésperas da decisão da Liga dos Campeões da Europa, infiltrou-se na alma dos observadores a desconfiança de que o Manchester United e seu futebol sólido e pragmático poderiam subjugar o refinado e envolvente toque de bola do Barça, em pleno Wembley, o Templo do Futebol.

E até que nos primeiros dez minutos, essa sensação criou asas, pois os Diabos Vermelhos, numa formação mais desabrida, com apenas Carrick como volante de ofício, pressionou o Barça, que não conseguiu impor seu tradicional toque de bola.

charge_liga

Em charge de Milton Trajano, Messi levando a melhor sobre Rooney

Mas, aos poucos, Busquets, Xavi e Iniesta começaram a tomar conta do meio de campo, e, logo, o marcador da posse de bola saltou para 66 por cento a favor dos catalães, que, num passe magistral de Xavi para Pedro concluir com êxito e abrir o placar.

Num raro contragolpe, Rooney tabelou com Giggs e empatou, antes do apito final do primeiro tempo.

Mas, era apenas uma questão de tempo. Tanto, que Messi, num disparo de fora da área, desempatou e Villa ampliaria mais tarde para 3 a 1, placar que bem reflete a superioridade desse time incrível, que não se abala em nenhuma circunstância e que imprime seu ritmo onde for, com quem quer que seja.

NO APITO FINAL

O juiz já levava o apito final à boca, quando Lucas recolheu à entrada da meia-lua, limpou o beque e bateu de direita; a bola fez súbita curva, o suficiente para escapar um centímetro das mãos do goleiro Wilson e morrer nas redes do Figueira.

Não houve tempo nem para o reinício, pois o jogo encerrou-se em meio às celebrações dos jogadores tricolores, que conseguiam uma vitória apertadíssima, mesmo jogando no Morumbi, sua sacrossanta casa, como diria o Coronel Juju.
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Apertadíssima porque o São Paulo, embora tivesse a bola aos seus pés o tempo todo não soube levá-la devidamente à zona de perigo. Depois de um primeiro tempo insosso, melhorou no segundo. Nem tanto pela entrada de Rivaldo, clamada pela torcida, e muito mais por Marlos, de hábito tão criticado. E, sobretudo, pela substituição de Juan pelo estreante Henrique Miranda, menino da base de quem ninguém ouvira falar: veloz, hábil e desinibido, o garoto disparou pela lateral-esquerda até o fundo, várias vezes.

Rivaldo até que deu dois ou três bons passes, mas foi Marlos quem criou, ao lado de Lucas, as poucas boas oportunidades tricolores, inclusive um disparo de canhota no poste. Poste, aliás, que já havia sido beijado por um cabeceio de Casemiro.

Resumindo esse jogo curioso: o São Paulo jogou bem e mal, criou poucas chances, mas, poderia ter vencido com folga, e o Figueira, que passou o tempo escondido numa retranca atroz, quase saiu do Morumbi festejando mais um resultado positivo no Brasileirão.

GALO, BOTA E CEARÁ

Além do São Paulo, os outros vencedores da rodada foram Atlético Mineiro, Botafogo e Ceará. Só tenho dúvidas sobre qual destes foram os maiores vencedores: o Galo, que bateu o Avaí em plena Ressecada, por 3 a 1, ou o Ceará, que, com um gol de Iarley, herói da conquista mundial do Colorado, ganhou do Inter de Falcão no Beira-Rio.

Mesmo porque o Botafogo, no Engenhão, com gol de zagueiro, venceu o time reserva do Santos, o que está dentro da escrita. O legal nessa vitória do Glorioso foi a estreia do meia Elkeson, recém-contratado, que conferiu certa qualidade a um meio de campo carente de criatividade. Com Herrera e Loco Abreu lá na frente, e Maicossuel em plena recuperação, o Botafogo poderá fazer boa figura no torneio.

Quanto ao Santos, só o teremos nos campos do Brasileirão depois de resolvida sua situação na Libertadores.

Mas, desde já, quem ponteia a tabela é o Galo, que, em Floripa, também com gols de zagueiros (dois de Leonardo Silva e um de Rever), virou um jogo complicado diante do Avaí, que abrira a contagem Fábio Santos. Um ótimo começo do Atlético de Dorival Jr., que cultiva mesmo um futebol ofensivo.
Por fim, e o Inter de Falcão, hein? Time de excelente elenco, comandado por um ícone de sua gloriosa história, entrou no Brasileirão com o pé esquerdo diante dos reservas do Santos e tropeçou neste sábado diante do Ceará, que é bom time, diga-se, mas, nada excepcional.

Novamente, faltou ao Inter, segundo os relatos dos que lá estavam, agressividade, contundência, lá na frente. Justamente, a característica que Falcão gostaria de enfatizar nesse time.

Notas relacionadas:

  1. BARÇA, MILAN E OS DIABOS
  2. BARÇA, O MAIOR!
  3. O CAMINHÃO DO BARÇA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , ,

quinta-feira, 12 de maio de 2011 Clubes brasileiros, Copa do Brasil, Futebol internacional | 16:22

QUEDA TRICOLOR E RIVALDO

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O Vasco passou, mas o São Paulo ficou pelos descaminhos da Copa do Brasil, o atalho para a Libertadores, portanto, mais valiosa do que os estaduais que pipocaram por aí neste primeiro semestre do ano.

O Vasco chegou às semifinais do torneio com dois empates diante do Furacão – 2 a 2, lá, e 1 a 1, em São Januário. Mas, que dois empates! Sobretudo o desta noite de quinta, quando a bola zuniu nas duas áreas com o som de alarme ligado a todo volume.

O Atlético saiu na frente, mas logo o Vasco empatou, com Elton, e segue em frente.

Já o São Paulo, que desembarcou em Florianópolis com o 1 a 0 do Morumbi sob o braço, levou uma virada histórica do Avaí, que dominou praticamente todo o primeiro tempo, quando tomou o gol de Casemiro, mas, reagiu com William e Bruno.

E, em 30 segundos da etapa final, Marquinhos Gabriel atingiu o placar que classificaria o Avaí.

Ao fim do jogo, enquanto a galera azul celebrava a conquista, Rivaldo metia a boca em Carpegiani, na rádio Globo, dizendo-se humilhado pela reserva tão completa que não teve vez nem nas três substituições promovidas pelo treinador tricolor.

Substituições, por sinal, confusas. Precisando de apenas um gol, no segundo tempo, voltou com Marlos no lugar de Fernandinho,  machucado, para tentar equilibrar a luta pelo meio de campo, vencida pelos avaianos na etapa primeira.

Marlos, porém, entrara no lugar de Fernandinho para fechar pelo meio. Assim, perdeu de vez qualquer profundidade pela esquerda, já que Juan raramente tem ido à linha de fundo.

Só depois Carpegiani sacou o inútil terceiro zagueiro, para a entrada do atacante Henrique. Por fim, retirou o mesmo Marlos e pôs em seu lugar outro atacante, o menino William José. Não sem antes ter levado Wellington à beira do campo, pronto para entrar em campo, abortando, de repente, essa substituição.

O sonho da Libertadores, agora, se limita a obter uma vaga no Brasileirão que aí vem.

Charge com técnicos de Avaí e São Paulo (Milton Trajano)

REFAZENDO O MENGO

O  Flamengo ganhou os dois turnos do Campeonato Carioca, manteve uma série invicta considerável nesta temporada, além de apresentar dois jogadores de alto nível, como Ronaldinho Gaúcho e Thiago Neves. Mas, perdeu para o Ceará ( excelente time, porém nada excepcional) a invencibilidade e a vaga às semifinais da Copa do Brasil, atalho para a Libertadores, sonho de consumo na Gávea, claro.

Thiago Neves tem respondido à expectativa que dele se fazia. Ronaldinho, não. Isso porque se esperava muito mais de Ronaldinho do que de Thiago, pela imensa diferença e potencial técnico de um em relação ao outro.

O Mengão, todavia, não pode ficar refém de expectativas. Precisa montar um time real, capaz de oferecer às suas duas mais cintilantes estrelas base para alcançar o nível adequado às exigências de sua camisa e da torcida.

Por exemplo: um zagueiro, um lateral-esquerdo e um centroavante de alto porte, pelo menos, já que o entorno quebra um belo galho.

Fala-se, para a lateral-esquerda. em Júnior César, na reserva de Juan – que o Flamengo jamais deveria ter permitido sair da Gávea. Aliás, só é reserva porque andou muito tempo se recuperando de grave lesão e, quando voltou, esbarrou na presença de Juan, cria da casa e recém-contratado pelo São Paulo. Boa pedida

Lá mesmo no Morumbi, há uma solução para a zaga central: Alex Pirulito, que vive reclamando da inoperância da diretoria tricolor em resolver seu caso definitivamente.

Quanto ao atacante de escol… bem, aí, já não me arrisco, pois não vejo na praça nenhum que chegaria à Gávea, agora, com porte e técnica para assegurar uma perforrmance esperada.

Quem sabe, com o andamento dos jogos, Wanderlei venha a ser o cara. Mas, é preciso testá-lo até o seu limite. Não adianta o sujeito entrar e sair do time, jogo após jogo. É fundamental dar-lhe uma sequência de cinco ou seis partidas, pelo menos.

BUSQUETS PISOU NA BOLA

Busquets talvez seja o mais elegante e eficiente volante do futebol do planeta. E, quando digo volante, é no estilo da formação do Barça – nada de dois, um só, como mandam as regras da arte.

Mas, Busquets é, reconhecidamente, um encrenqueiro em campo. Provoca os adversários, com chistes e ofensas, e alguns pontapés, nada além da conta, neste quesito.

O fato é que o Real enviou uma reclamação à Uefa, segundo a qual Busquets excedeu-se, ao chamar o nosso Marcelo de macaco, no último clássico espanhol. A punição pode chegar a cinco jogos de suspensão, o que tiraria Busquets da final da Liga dos Campeões contra o Manchester.

Justíssima pena, caso seja comprovada a denúncia, que é pra essa gringalhada tomar ciência dos tempos atuais, onde o racismo e o preconceito não têm lugar.

A VERDADE DE ROBINHO

Robinho não tem sido, ultimamente, aquele malabarista de outros tempos, o rei das pedaladas e tal e cousa e lousa e maripousa.

Mas, pense o amigo comigo. O bicho foi fundamental nas conquistas do Paulistão e da Copa do Brasil, no primeiro semestre do ano passado, pelo Santos. Transferiu-se para o Milan no início da temporada europeia e acaba de levantar a taça italiana como um dos três artilheiros da equipe, ao lado de Pato e de Ibra,.

Resumindo, em um ano e meio. Robinho foi campeão paulista, ajudou o Santos a chegar na Libertadores e vestiu a faixa de campeão italiano. É pouco? Vasculhe por aí, atrás de quem tenha tenha conquistado tudo isso em tão pouco tempo.

Notas relacionadas:

  1. A RAPOSA E O OSSO DURO TRICOLOR
  2. A RAPOSA E O OSSO DURO TRICOLOR
  3. A VOLTA DE RIVALDO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , ,

segunda-feira, 2 de maio de 2011 Campeonatos Estaduais, Clubes brasileiros, Futebol internacional, Libertadores | 18:42

A LONGA JORNADA DO PEIXE

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O Santos, que sábado ganhou do São Paulo e foi às finais do Paulistão, viajou dezesseis horas para chegar a Querétaro, distante mais de duzentos quilômetros da Cidade do México, não sem antes levar um susto danado: o avião, ao tentar descer na capital mexicana, por causa de forte chuva, teve de arremeter e fazer uma parada técnica em Acapulco.

Somem-se a esses contratempos a ausência de Elano e o placar apertado do jogo na Vila (1 a 0) e já podemos dimensionar de antemão o tamanho da encrenca. Aliás, a lesão muscular de Elano já era mais ou menos esperada, assim como possíveis outras baixas provocadas pelo estresse a que está submetido o Peixe neste período em que luta pelo Paulistão e pela sequência na libertadores.

Por tudo isso, valendo-se do empate por qualquer placar, não me causaria nenhuma surpresa se Muricy entrasse em campo com seus já tradicionais três zagueiros. E, mais: não o recriminaria por isso, apesar da minha aversão por esse sistema, na esperança de que seja apenas uma alternativa diante das circunstâncias.

O CLÁSSICO DOS CLÁSSICOS

Em cena, nesta terça-feira, mais um Real-Barça, o terceiro da série de quatro dos clássicos dos clássicos, porque a rivalidade, como todos sabemos, não se restringe ao campo do jogo. Mas, este é o que vale ouro: a vaga para as finais da Liga dos Campeões, o maior torneio do mundo.

José Mourinho, técnico do Real Madrid e um dos maiores personagens do clássico espanhol (EFE)

Se o Barça, que no Santiago Bernabeu meteu 2 a 0 no Real, simplesmente empatar ou perder por 1 a 0, estará lá. Fosse o Barça de Guardiola o Real de Mourinho dos jogos recentes, poderíamos imaginá-lo retrancado, cheio de volantes e zagueiros, pra cumprir o regulamento.

Mas, não é. O Barça segue à risca o dístico dos dois grandes de Espanha: “No hay que ganar, hay que desfrutar”, Ou seja: o importante não é ganhar, mas desfrutar de um belo futebol.

E o Barça, nas últimas temporadas, tem ganhado quase tudo produzindo belos espetáculos. Nem sabe fazer diferente, se quisesse. Pior: não tem, em seu elenco prodigioso, jogadores de defesa (volantes ou zagueiros) capazes de montar uma retranca feroz. Perdeu o francês Abidal, em fase esplêndida, numa maca de cirurgia, e seus dois laterais esquerdos, os brasileiros Maxwell e Adriano, machucados, o que obrigou o central Puyol a deixar a cama da enfermaria para quebrar um galho por ali.

Tanto, que o volante Mascherano tem se revezado na quara-zaga com outro volante, Busquets.

De seu lado, o Real, que tem um precioso elenco, nos últimos confrontos com o Barça, tem preferido jogar como um rato diante de um leão, no dizer de Di Stefano, o maior ícone da história merengue.

Bem, de qualquer jeito, Mourinho terá de mudar o braço da viola, pois o zagueiro Pepe, travestido de volante, não poderá jogar, expulso que foi no jogo anterior.

E, se resolver bater ficha, escalando um time compatível com a qualidade de seu elenco, bem que pode tirar a diferença, em pleno Camp Nou. Ou levar outra goleada de cinco, como no primeiro turno do Espanhol. Mas, no mínimo, não será execrado pelo torcida merengue.

JUIZADA

Paulo César Oliveira, o juiz que apitou o clássico entre Palmeiras e Corinthians, até prova em contrário, é um sujeito honestíssimo. Pode ser vítima das fraquezas humanas, como qualquer um de nós. Erro de avaliação, sopro de alguma paixão reprimida, enfim, toda a gama de sentimentos humanos.

A questão não é essa. Mesmo porque sua atuação no jogo foi impecável, com exceção daquela expulsão de Danilo, que achei excessiva, mas que se respalda na lei: carrinho, por frente, ou por trás, com força desproporcional, vermelho! Assim como cartão vermelho mereceria ser dado, no caso, para Liedson, que entrou com o pé por cima, certamente num gesto de defesa, mas, igualmente reprovável.

Contudo, o que quero dissertar é sobre a questão que vira-e-mexe, nessas ocasiões voltam à tona; a profissionalização dos árbitros.

Há muito tempo defendo isso. Mas, sempre que o faço, lembro o saudoso Álvaro Paes Leme, jornalistas e professor da Escola de Árbitros da FPF.

Quando colocado diante dessa questão, Paes Leme, com sua voz tonitruante, rebatia que, para garantia da honestidade da arbitragem, sempre seria melhor o juiz ter uma atividade básica, que lhe permitisse resistir às tentações do momento. E citava, como exemplo, Arnaldo César Coelho, bem sucedido profissional na área do mercado financeiro.

Um cara como esse estaria mais blindado a quaisquer ofertas eventuais deste u daquele clube.

É a tese, por exemplo, que prevalece na Fifa, contra a profissionalização dos juízes de futebol.

E, cá entre nós, não é sem fundamento. A tese da profissionalização dos árbitros, baseia-se no fato de que o preparo físico dos jogadores atingiu níveis tão prodigiosos que exigiria dos árbitros algo próximo, só atingível se ele dedicasse sua vida a esse ofício.

O princípio tem sentido. Mas, comparar um juiz a um jogador começa a me parecer inadequado.  O jogador, em dez, quinze anos, de carreira tem uma infinidade de oportunidades para fazer seu pé de meia, Aqui e no exterior. E o juiz?

Imagine que um jovem tenha vocação e habilidade para ser juiz de futebol. E que ele consiga um espaço nobre aos 20/25 anos de idade. Terá, no máximo, mais vinte anos de carreira, antes de ser jubilado. Digamos que cinco desses profissionais tenham condições, por suas excelências técnicas e retidão de caráter, de acumular uma fortuna suficiente para uma aposentadoria decente, aos quarenta e poucos anos de idade.

E os demais? Aqueles tantos que atuam por esse Brasil afora?

Se não têm um ofício normal, que lhes dê a devida segurança no futuro, por certo, serão presas fáceis do suborno.

Jogador de futebol pode ir pra cá, pra lá, no Brasil, no Exterior, e fazer seu pé de meia. Juiz, não. No máximo pode rodar de um estado a outro, nem sempre por salários milionários.

Vale refletir a respeito.

Notas relacionadas:

  1. PEIXE, TIMÃO E FLA
  2. RECEITA PARA OS PRAGMÁTICOS: PEIXE
  3. RAPOSA E PEIXE, SÓ ALEGRIA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , ,

sábado, 16 de abril de 2011 Campeonatos Estaduais, Clubes brasileiros | 22:33

AH, RONALDINHO…

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Que novidade é essa? O Flamengo precisando vencer para escapar do confronto com o Fluminense nas semifinais da Taça Rio, tem um pênalti no último segundo antes do apito final.

Lá vai Ronaldinho para a cobrança. Caixa, claro. Ledo engano, amigo, Ronaldinho aproxima-se da bola e desfere um tiro de meta, quilômetros sobre o travessão.

Bem, vai ter de se desdobrar no Fla-Flu decisivo, o que não é fácil, nunca.

LIDERANÇA INESPERADA

E não é que, na rodada final, o Palmeiras perdeu a liderança para o São Paulo, na fase de classificação do Paulistâo?

Pois é: uma virada inesperada, já que o São Paulo enfrentou o Oeste com um time reserva, com exceção de Rogério Ceni e Lucas, e o Verdão não foi tão desfalcado a Campinas como anunciava Felipão na véspera, e acabou perdendo para a Ponte, por 2 a 1, em bela exibição de Renatinho.

Eis, porém, um resultado que suscita mais dúvidas do que certezas. Isto é: será que foi bom negócio para o São Paulo terminar na liderança, já que terá de enfrentar a Lusa, penetra de última hora no clube dos 8? E, será que não é o caso de o Palmeiras celebrar a vice-liderança final, desde que o destino lhe reservou o Mirassol para a fase decisiva?

De qualquer forma, o São Paulo, que saiu perdendo para o Oeste, só conseguiu erguer a fronte no fim do jogo, depois das entradas de Ilsinho, Marlos e Henrique, autor do gol de empate.

Até então, com Cleber Santana, Rivaldo e Willian, todos jogadores lentos demais, o time não andava. Depois, foi da água para o vinho.

SINAIS DE FALCÃO

O placar foi modestíssimo: 1 a 0 para o Inter sobre o Santa cruz, na reestreia de Falcão como técnico colorado.

Mas, muitas foram as chances criadas, como fruto evidente do novo posicionamento da equipe adotado por Falcão. O principal truque foi o de aproximar sua linha de zaga ao meio campo, por sua vez, colado ao ataque. Com isso, Falcão compactou o Inter mais à  frente, o que sempre facilita a criação de jogadas de perigo para o adversário.

Isso, porém, foi apenas um sinal, um início do que pode vir por aí, se tudo der certo.

REAL E BARÇA

No jogo dos pênaltis, o Barça venceu por 2 a 0, pois o juiz deixou de marcar um, de Casillas em Villa, no primeiro tempo, e marcou outro que não aconteceu, de Daniel Alves em Marcelo, no finzinho da partida.

Placar, aliás, que faria jus ao andamento de um jogo em que o Barça chegou a alcançar a marca inconcebível, num clássico, de 83 por cento de posse de bola.

Sim, é verdade que essa posse de bola não foi convertida em chances de gols na mesma proporção. Isso, porque o Real, mesmo jogando em casa, mesmo precisando da vitória para, ao menos, se aproximar do líder Barça, mesmo com um elenco estelar e poderoso, preferiu plantar-se atrás de deslavada retranca.

Basta dizer que o becão luso-brasileiro Pepe foi escalado como cabeça-de-área, ao lado de dois volantes – Xabi Alonso e Khedira. O lateral-direito Sérgio Ramos, zagueiro de origem, diga-se, estava claramente proibido de avançar além de sua linha de defesa, e assim por diante.

Diante disso, coube ao Barça trocar bola atrás, e, ir, aos poucos, empurrando seu típico toque-toque até a intermediária adversária, na esperança de uma escapada como aquela de Messi que, por pouco, não encobre Casillas.

Sim, claro, vez por outra o Real arriscava um contragolpe. Ou aproveitava uma cobrança de corner para Cristiano Ronaldo, de cabeça, enviar a bola na direção da meta catalã, salva pela intervenção providencial de Adriano.

Mas, logo aos 5 minutos do segundo tempo, Messi converte pênalti claro de Albiol em Villa e fica com um jogador a mais de vantagem.

O que se esperava seria um passeio do Barcelona transformou-se num longo bocejo, como se as duas equipes estivessem satisfeitas com o resultado de 1 a 0 para o Barça. Até que o técnico Mourinho decidiu colocar o alemão Ozil em campo, no lugar de Benzema.

A partir daí, o Real ganhou a coordenação que lhe faltava, e os merengues passaram a pressionar um pouco, o suficiente para cavar aquele pênalti, numa inédita saída errada da defesa catalã. Cristiano Ronaldo, então, empatou, incendiando a partida, que ficou lá e cá até o apito final.

O curioso nessa história toda é que o Real, embora tenha jogado a toalha do campeonato em seu próprio campo, atuando três quartos da partida como um pequeno, o empate parece ter-lhe infundido uma dose de ânimo extra para a sequência desse clássico na Copa do Rei e na Liga dos Campeões.

Notas relacionadas:

  1. RONALDINHO NA ENCRUZILHADA
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  3. RONALDINHO E LIEDSON, OS NOMES
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , ,

quarta-feira, 6 de abril de 2011 Futebol internacional | 18:31

O CAMINHÃO DO BARÇA

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O Barça, no seu velho estilo – domínio absoluto da bola e dos espaços, jogando o tempo todo no campo adversário –, sem maiores esforços, meteu 5 a 1 no Shakhtar, time composto por uma legião de jogadores brasileiros (bons jogadores, diga-se), e praticamente se garantiu para a próxima fase da Liga dos Campeões.

A não ser que uma tragédia ocorra em Donetsk, no jogo da volta, o Barça já está lá. E o Barça, vale lembrar, não é time de sofrer tragédias. No máximo, um pequeno drama.

Mesmo porque lá estão três dos maiores jogadores do mundo, segundo a Fifa – Messi, o escolhido de sempre, Iniesta e Xavi. Se um já é o bastante, tipo Cristiano Ronaldo, que dirá três? Três craques que custaram ao Barça um prato de tremoços, pois todos cevados nas suas categorias de base.

Quer dizer: o Barça é bilionário, mas não é perdulário. Sabe onde meter seu rico dinheirinho.

Não sai por aí contratando estrelas a preço de ouro, como, por exemplo, o Chelsea, que pagou 50 milhões de libras pelo centroavante espanhol El Niño Torres, que já não é nenhum niño, e até hoje não conseguiu confirmar sua fama, a não ser num início promissor no Atlético de Madri, anos atrás.

Mas, o dinheiro do Chelsea, todos sabemos, é fácil, vem de fonte borbulhante que nada tem a ver com o futebol.

O fato é que Torres não jogou nada,como de hábito, e ainda por cima ficou em campo até o fim, enquanto Drogba, que se desdobrava em campo, foi substituído por Anelka, que, a exemplo de Malouda não deveria ter sido preterido desde o início.

Já Iniesta, por exemplo, abriu a contagem num gesto de puro oportunismo e deu um passe magistral para Daniel fazer o segundo, e assim detonar a goleada.

DIABOS O LEVAM

Por falar em Torres, o celestial (na cor da camisa, claro) Chelsea, em casa, foi levado na manha pelos Diabos Vermelhos, que meteram 1 a 0, em gol de magnífica feitura, no primeiro tempo: Carrick cruza da direita para a esquerda, e o veteraníssimo Giggs, só na matada já deixou o português Bosingwa na saudade, a única palavra só luso-brasileira. O galês, então, passou na medida para Rooney tocar no canto esquerdo do goleiro.

O resto da partida foi um Chelsea tentando criar situações difíceis para Van der Saar, um dos maiores que vi jogar, em vão, e o Manchester United respondendo sempre com perigo.

Como? Se esse cenário sugere que Sir Ferguson adotou uma daquelas retrancas tão amadas por nossos treiandores? Nada disso. Ao contrário: escalou um time altamente ofensivo, pelas características de seus jogadores, com apenas um volante de ofício – Carrick.

A diferença é que não deu moleza ao adversário. Marcou como devia e atacou como devia. Se não obteve melhor resultado, vai por conta do jogo jogado contra um igualmente poderoso adversário.

Notas relacionadas:

  1. BARÇA, MILAN E OS DIABOS
  2. E DEU BARÇA, POR JUSTIÇA
  3. BARÇA, ÚNICO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , ,

domingo, 3 de abril de 2011 Futebol internacional | 15:13

E QUE GOOOL!

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Sem dúvida, o lance do domingo foi aquele gol do menino Lucas contra o Mirassol. Recolheu a bola na sua própria intermediária, pela direita, tocou para Jean e recebeu logo após a linha de meio de campo. Dali partiu em diagonal, passou por um, por dois, por três, livrou-se do goleiro e finalizou de esquerda para a meta aberta.

Sim, claro, já vimos muitos gols assim, feitos por vários jogadores, alguns craques, outros simplesmente comuns, que, num estalo, realizam tais proezas.

Mas, no caso de Lucas a história é bem outra. Esse menino, desde os juniores do São Paulo, tem esse tipo de jogada como marca registrada. No Sul-Americano Sub-20, realizou uma série dessas arrancadas. E até na Seleção de Mano, na estreia em Londres, em dez minutos que esteve em campo protagonizou dois lances desse mesmo jeitinho.

Nem sempre, porém, a jogada se configura em sua integralidade, com a bola dormindo na rede. Mas, de qualquer forma é sempre um recurso valioso, pois fruto da combinação exata entre velocidade, habilidade e ousadia, atributos cada vez mais raros no nosso futebol.

VASCÃO E VERDÃO

Vasco e Palmeiras iniciaram a temporada sob um enorme ponto de interrogação.

Mas, com o decorrer das rodadas dos estaduais, ambos passaram de zebras a destaques.

Em São Paulo, o Verdão acaba de bater o tão decantado Santos de Neymar, Ganso, Elano e cia., por 1 a 0, em jogo parelho e emocionante, gol de Kleber em passe magistral do menino Patrik. E segue líder da competição, a duas rodadas do final dessa fase classificação.

Já o Vasco, que foi um horror na Taça Guanabara, contratou o técnico Ricardo Gomes e mais uns dois ou três reforços e passou a golear, como nos 4 a 0 sobre o Bangu, em tarde inspirada de Felipe e com direito a gol do artilheiro Alecsandro, recém contratado ao Inter.

Assim, o Vasco saltou para a ponta da tabela de seu grupo na Taça Rio, o que não podia ser mais animador.

PRA INGLÊS VER

Não há campeonato mais charmoso do que esse da Inglaterra. Estádios sempre lotados, arejados, sem alambrados de nenhuma espécie, e, no campo, um jogo ofensivo, de lado a lado, do início ao fim.

E, com as reascensões recentes de Chelsea, Manchester City e Tottenham, são mais três disputantes de escol a se juntarem a Manchester United, Arsenal e Liverpool na disputa do título nacional.

Apesar disso, os Diabos Vermelhos, mesmo sem reprisar as grandes atuações das últimas três temporadas, mantêm a liderança com rédeas curtas.

Ainda neste sábado, contou com uma combinação de resultados mágica: o Arsenal, seu mais próximo perseguidor, empatou por zero a zero, enquanto o Manchester United virava de maneira sensacional sobre o West Ham: 4 a 2.

Foi um primeiro tempo deplorável do Manchester, quando chegou a levar de 2 a 0, dois gols de pênalti de Noble – um volante baixinho homônimo e clone do lendário Noble Stylles, o Carniceiro de Liverpool, da gloriosa conquista mundial de 66.

Mas, no segundo, depois das entradas do mexicano Chicharito Hernandez e do búlgaro Berbatov, o Manchester United virou um caminhão de melancia sobre o adversário. E o piloto foi Wayne Rooney, que, jogando na armação, marcou três gols., de enfiada.

Aproveitando-se dos tropeços de Liverpool, Arsenal e Chelsea, o outro Manchester, o City, dominou e goleou o Sunderland, por 5 a 0, com participação efetiva de Tevez, mas, sobretudo, de Yayá Tourré, um volante espetacular, que o Barça deixou escapar pelos dedos.

BARÇA, ALÉM

Por falar em Barça, o time catalão aumentou sua diferença em relação ao Real, seu eterno caçador, quando não é o inverso.

Os dois jogaram no sábado com suas equipes mistas. A diferença é que o Real jamais se encontrou diante do Sporting Gijón, e acabou perdendo por 1 a 0, enquanto o Barça, mesmo poupando vários titulares, manteve o mesmo padrão de domínio de bola e dos espaços.

E venceu o Villareal por 1 a 0, com um gol de Piqué como autêntico centroavante – matou no peito e bateu certeiro.

CIAO, CARO

No clássico de Milão, o líder Milan meteu 3 a 0 na Inter, eterno rival, graças ao oportunismo de Pato, autor de dois gols de puro oportunismo.

Assim, o Milan despediu da Inter, que cedeu a vice-liderança para o Napoli. Napoli, autor de uma virada espetacular sobre a Lazio: 4 a 3.

Não podia ser um fim de semana mais auspicioso para os milanistas.

Notas relacionadas:

  1. BARÇA, MILAN E OS DIABOS
  2. OS MELHORES, SOFRENDO
  3. RONALDINHO E A AMBIÇÃO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , ,

quarta-feira, 9 de março de 2011 Futebol internacional | 19:38

O MELHOR DO MUNDO?

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Perguntam-me se o Barça, que bateu o Arsenal por 3 a 1 na Liga dos Campeões, pode ser considerado o melhor do mundo de todos os tempos. Exagero. Mas, certamente, está entre os grandes da história. Não, talvez no nível de um Santos de Pelé ou um Real de Di Stefano, dois gênios incomparáveis do futebol.

Mas, muito perto, com Messi, esse extraordinário jogador que pode, ao encerrar sua carreira apresentar um  currículo comparável ao dos seus antecessores mitológicos.

Diria que esse Barcelona atual se equipara ou supera alguns dos grandes times que vi em ação ao longo das últimas seis décadas: o Ajax dos gêmeos De Boers, Kanu e Obermars, dos anos 90; do Milan dos holandeses Reyjkaard e Van Basteen, nos 80, mesma época em que tivemos o Fla de Zico; do Bayern de Munique, de Beckenbauer, Overath, Muller e Sepp Mayer, nos 70; do Benfica de Eusébio e Coluna, nos 60; do Honved, de Puskas e Kocsis, dos 50, e aqui vou parando, pois minha memória só estende até aí. O resto é literatura e histórias contadas pelos mais antigos.

Quer dizer: esse time atual do Braça, formado, na verdade há cinco anos, e esmerilhado quase à perfeição por Guardiola, é, sem dúvida, uma dos maiores times da história do futebol.

Se vai ser campeão da Espanha, da Europa, do Mundo, isso é outra história.

Milan, fora

E o Milan caiu fora ao empatar por 0 a 0 com o Tottenham, tradicional time inglês em fase de renascimento, num jogo interessante, em que os britânicos dominaram o jogo no início dos dois tempos, e o Milan não conseguiu marcar, apesar de seu trio de ataque – Robinho, Pato e Ibra – ter tentado ao infinito.

Mas, o Milan esbarrou na irreprimível exibição dos brasileiros Sandro e Gomes, e o resultado foi esse, enfim.

Brasileiros por brasileiros, na véspera, o Shaktar atingiu o auge de sua história, ao chegar às quartas de final da Liga dos Campeões, com uma legião de caboclinhos de primeira linha – William, ex-Corinthians; Jadson, ex-Furacão; Luís Adriano, ex-Inter; Douglas Costa, ex-Grêmio; Alex Teixeira e Eduardo Silva, ex-Arsenal, naturalizado croata. Sem falar em Marcelo Moreno, ex-Cruzeiro, meio brasileiro, meio boliviano.

William fez um golaço e Eduardo Silva encerrou o placar sobre a Roma, que não deu sinais de reação o jogo todo.

Curioso foi ver um time da Ucrânia, cheio de brasileiros, jogar o tempo todo, lá e cá, com uma formação tão ofensiva.

Por fim, o Schalke virou sobre o Valência, por 2 a 1, e conseguiu sua vaga para seguri adiante na Liga dos Campeões. Não é um time que encanta, mas joga certo pelo resultado.

Notas relacionadas:

  1. VOLTA AO MUNDO
  2. KAKÁ E O DUCE
  3. BARÇA, O MELHOR
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , ,

terça-feira, 8 de março de 2011 Futebol internacional | 19:00

TAPA NA CARA

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Foi de cabo a rabo o domínio do Barça, no Camp Nou, bola de pé em pé, em tomar conhecimento do fato de estar com sua dupla de zaga improvisada: o volante Busquet no lugar de Piqué e o laeral-esquerdo Abidal no de Puyol.

Essas coisas, tão significativas para os outros times, são irrelevantes para o Barça, que se dispõe em campo de forma a manter a bola a partir da intermediária adversária, e ciao e bênça.

Nem por isso, porém, criou tantas chances assim, pois o Arsenal é um belo time e saber defender-se como atacar. Mas fez o suficiente para marcar 1 a 0, com Messi, claro, em passe magistral de Iniesta, já no finzinho do primeiro tempo. Gol de Messsi, que recebeu livre diante do goleiro, deu-lhe um lenço e tocou para as redes.

Bem que no início do segundo tempo, num dos raríssimos ataques do Arsenal, pela esqeurda, córner, que, na sequência da cobrança, Busquets meteu de cabeça contra as próprias redes.

Nem isso abalou o Barça, que seguiu alugando meio campo e pressionando o adversário naquela base de toques de primeira, dribles curtos e enfiadas que são verdadeiras estocadas. Quase todas conjuradas por Almunia, que entrara com a bola rolando.

E, pra maior dos pecados do Arsenal, logo Van Persie é expulso, pelo segundo amarelo. A partir daí, o sufoco incrementou e o Barça, em dois minutos, entre os 23 e os 25, definiu o placar e a classificação para as quartas de final da Liga dos Campeões, com Xavi, em bela trama, e Messi, de pênalti indiscutível.

E olhe que foi de pouco, pois o Barça, mesmo vencendo com o placar necessário para a classificação, mas não o bastante para evitar o gol fatal, aquele que poderia abreviar sua vida no torneio, seguiu impávido no ataque. Mais do que isso: ao perder seu único volante, Mascherano, já no finalzinho da partida, Guardiola mandou entrar em seu lugar mais um meia – Keita.

É um tapa na cara dessa legião de treinadores covardes que lotam os campos de futebol do mundo todo.

Notas relacionadas:

  1. GOLEADA DO FUTEBOL NA LIGA
  2. BOM PARA A ALMA TRICOLOR
  3. E DEU ARSENAL, DE VIRADA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , ,

  1. Primeira
  2. 1
  3. 2
  4. 3
  5. 4
  6. 5
  7. Última