Bangu | Blog do Alberto Helena Jr.

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quarta-feira, 19 de janeiro de 2011 Campeonatos Estaduais, Seleção Brasileira | 16:13

NENÊ? E POR QUE NÃO?

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Parece até transmimento de pensação, como dizia o caipira. Pois, outro dia, estava vendo um jogo do PSG, em que o grande destaque foi o meia Nenê, e me veio à cabeça a possibilidade de o ex-craque do Palmeiras e do Santos merecer uma chamada de Mano.

Claro que não há nada de esotérico nisso. Afinal, creio haver uma sintonia fina entre a minha maneira de ver o futebol e a do técnico brasileiro, que tenta resgatar nosso estilo verdadeiro de jogar bola na Seleção, tão vilipendiado nos últimos tempos.

Eis, pois, que leio na Internet declaração do treinador, segundo a qual está de olho em Nenê, abrindo até a perspectiva de chamá-lo dias desses. Canhoto, hábil, solidário, e agora até goleador, Nenê não é nenhum super craque, mas pode, sim, vir a ser útil, sobretudo com sua experiência internacional, nessa fase de transição da equipe brasileira.

Cariocão

O Fluminense, que acaba de apresentar mais dois reforços – o volante-zagueiro Edinho e o atacante Araújo, revelado pelo Goiás anos atrás -, estreia no Cariocão ainda sem Conca e Emerson, mas com Souza e Deco armando as jogadas para Tartá e Fred.

Sugestiva formação, diga-se, para pegar o Bangu no Engenhão.

Claro que o campeão brasileiro não estará cintilando desde já, assim como todos os outros grandes do Brasil, que tiveram sua pré-temporada capada pela imediata disputa dos estaduais.

Mas, é de se esperar coisa de meia hora de bom futebol do Flu, pelo menos.

Já o Botafogo, que recebe o Duque de Caxias, na rodada dupla do Engenhão, ainda não poderá contar com seus novos reforços – Rodrigo Mancha, volante, ex-Santos; o meia-atacante Everton e o uruguaio Arévalo “Cacha” Rios, contratado para substituir Leandro Guerreiro.

O esquema é praticamente o mesmo do Brasileirão, com três zagueiros de ofício, e as estrelas solitárias do Botafogo continuam sendo o técnico Joel e o centroavante Loco Abreu.

Vejamos no que vai dar.

Paulistão

O campeão paulista, ainda desfalcado de uma batelada de titulares, recebe o Mirassol, no Pacaembu, com duas novidades de escol: Jonathan, ex-Cruzeiro, e Elano, na sua reestreia no clube da Vila.

Na sua estreia no Paulistão, o Santos não brilhou, mas goleou, e a manutenção da base vitoriosa sempre dá um novo estímulo.

Já São Paulo e Corinthians não golearam na rodada de abertura, mas venceram seus jogos, o que também serve para animar a tropa.

O Tricolor tem a vantagem de reincorporar dois titulares contra o caçula São Bernardo, que entrou com o pé direito na competição, no fim de semana: Dagoberto e Marlos. Ao contrário do Corinthians, que vai a Bragança sem Ronaldo Fenômeno, aquele que faz diferença, mesmo longe de sua melhor forma física.

Por fim, o Palmeiras, único grande paulista a tropeçar na estreia do Brasileirão, empatando por 0 a 0 com o Botafogo. Ainda sem Valdívia (até quando?) e com Lincoln contundido, Felipão terá de tirar da manga do colete um armador para dar uma pitada de sal no seu meio-campo. Ora, colmo colete não tem manga…

Seleção Europeia

Por falar em estrela solitária, o lateral-direito Maicon é o único brasileiro escalado na Seleção da Uefa de 2010. Em contrapartida, o Barça cede nada menos que meia dúzia de craques: a dupla de zaga Piqué e Puyol, Xavi, Iniesta, Messi e David Villa, ratificando mais uma vez – o Barça é o melhor do mundo, tanto coletivamente quanto individualmente.

E olhe que, no ano findo, Danel Alves, também do Barça, jogou mais do que Maicon, sobretudo no segundo semestre quando tomou a posição do interista na Seleção Brasileira de Mano Menezes. Seriam, portanto sete.

Completam a equipe o goleiro Iker Castillas e Cristiano Ronaldo, do Real, o meia Sneijder, da Inter, e o inglês Ashley Cole, do Chelsea, formando um time dos sonhos que, infelizmente, nunca entrará em campo de verdade: Casillas; Maicon, Piqué, Puyol e
Cole; Xavi, Iniesta e Sneijder; Messi, David Villa e Crstiano Ronaldo.

Renato x Grêmio

A lua-de-mel do técnico Ronaldo Gaúcho e a direção do Grêmio chegou a um impasse, digamos, a primeira briga do casal, consequência da vitória da oposição nas urnas tricolores.

Renato, dizendo-se cansado de tanta trabalheira e de olho exclusivo na pré-Libertadores, anunciou publicamente que não irá aos jogos de seu time no interior gaúcho e que, talvez, nem participe em campo do Gre-Nal, o que, lá nos pagos, significa mais do que uma heresia.

E, mais: contrariando os desejos da nova diretoria, espalha aos quatro ventos o andamento de sua renovação de contrato, as buscas por novos reforços e tal e cousa e lousa e maripousa.

Pelo visto, isso não vai dar certo.

Tudo bem: Renato é uma legenda na história do Grêmio, como jogador, e, como treinador, conseguiu a proeza de elevar o time da zona do rebaixamento à vaga na Libertadores, no Brasileirão passado.

Mas, sacumé, nessa fogueira de vaidades que arde sem cessar no mundo do futebol, se o cara não souber evitar as fagulhas, acaba sendo mesmo é fritado.

*Leia mais sobre Nenê no blog de futebol francês do iG Esporte clicando aqui

Notas relacionadas:

  1. PALMEIRAS? DEIXE-ME EXPLICAR
  2. FÓRMULAS E EUFORIAS
  3. CARIOCAS, LOGO LÁ
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

sábado, 23 de janeiro de 2010 Campeonatos Estaduais, Clubes brasileiros | 22:49

LOVE, LOVE

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Duas vezes Love, na estreia do artilheiro no Flamengo: na primeira, bola que sobra do rebote do goleiro, em disparo de Kleberson; na segunda, escapada do atacante, que dribla o goleiro e só não entra com a bichinha na rede porque essas coisas, hoje em dia, são tratadas como ofensa mortal. Ninguém mais entra com bola e tudo como antigamente. Que pena.

Mas, pelo que consegui ver desse Flamengo 2, Bangu 1, o Rubro-Negro não jogou nem um terço do que será capaz de fazer quando a turma estiver nos trinques. É natural, nestas alturas do campeonato, de lá, de cá, de que quadrante for.

FÁCIL, SÓ NO PLACAR

O São Paulo, ufa!, conseguiu vencer pela primeira vez no Paulistão: 3 a 0 no Rio Claro, em casa. Visto assim, o placar, pode parecer que o Tricolor deslizou diante do adversário, ganhando com certa folga.

Só no placar. No campo, bola rolando, o São Paulo foi vacilante na defesa, inepto na armação e reticente no ataque. Basta dizer que, no primeiro tempo, o nome do time foi Rogério Ceni, que pegou três bolas preciosas, por baixo.

Isso, porque, embora jogando atrás, o Rio Claro era contundente nos contragolpes, sobretudo porque, com quatro volantes de ofício, o Tricolor se embaralhava no meio de campo, o que obrigava Marcelinho Paraíba recuar para a armação, deixando Washington solitário lá entre os beques inimigos.

Essa formação do São Paulo acabou empurrando Hernanes lá para a ponta-direita, só para se ter uma ideia da encrenca. Pois, foi ali que Hernanes abriu a contagem e sofreu o pênalti que Rogério Ceni converteu, no fechamento do placar. Prova de que o futebol está aí para contrariar a lógica do próprio jogo. Tanto, que os melhores momentos do time aconteceram depois da expulsão de Adrián Gonzales.

Cosas del bandoneón
e do futebol.

SANSÃO NA COPINHA

Num jogo emocionante, de alto nível técnico, Santos e Palmeiras empataram por 3 a 3 e o Peixe, nos pênatis, deslizou em direção à disputa da Copinha, no dia de São Paulo, com o Tricolor, que na véspera batera o Juventude, por 2 a 0.

Podia tanto ter dado Verdão quanto Peixe, pois são dois times de se tirar o chapéu. É verdade que o Santos, ao fazer 2 a 0, estava bem melhor. Até que ficou com dez contra onze, e o Palmeiras reagiu, mas tomou o terceiro, para chegar ao empate nos minutinhos finais.
Já o São Paulo, diante do Juventude, na sexta, não sofreu susto algum.

Aliás, pode até perder o título para o Peixe, mas tem sido até aqui, disparado, aquele time que consegue conjugar o maior número de promessas individuais (a bequeira Fabiano e Uvi, o volante Casemiro, Zé Victor, Jefferson, Marcelinho, Lucas Gaúcho, artilheiro do campeonato, e Ronieli) com um jogo coletivo seguro na defesa e sedutor daí pra frente.

BARÇA E ROONEY

O Barcelona, ao bater o Valladolid por 3 a 0, em tarde inspirada de Daniel Alves, encerrou o primeiro turno do Campeonato Espanhol líder e invicto.

E olhe o amigo que foi de três, mas poderia ter sido de seis, pois, só Ibra perdeu três gols feitos, antes de conferir o seu.

Já em Old Trafford, o Manchester goleou o frágil Hull City por 4 a 0, quatro gols de Wayner Rooney, esse espetacular atacante que já deveria merecer uma reverência maior do mundo do futebol. Um gol de cada jeito, diga-se, só para demonstrar toda a sua versatilidade.

Notas relacionadas:

  1. PALESTRA SOBREVOANDO
  2. VERDÃO, INGLESES E MENGO
  3. LOVE E SANDRO
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quinta-feira, 12 de março de 2009 Campeonatos Estaduais, Ex-jogadores | 18:23

BANGU, UM TRAVO AMARGO

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Eu vi, meninos, Bangu e Resende. Creiam aqueles que me acusam de só dar atenção ao futebol paulista.

E o que vi me deixou um travo amargo: joguinho ruim, juiz, pior ainda, além de me remeter a um passado de glória do Bangu, onde se revelaram os Divinos Da Guia, Pai e Filho. O Espírito Santo, Zizinho, que se não foi uma revelação de Moça Bonita (nome tão idílico só se compara ao do Brinco de Ouro da Princesa, do Guarani), foi a maior transação até então da história do nosso futebol.

Foi mais ou menos assim. Silveirinha, dono da Fábrica de Tecidos Bangu, um portento da indústria têxtil do Brasil nos anos 40/50 e do clube que levava o nome de sua empresa, queria porque queria no Alvi-rubro a maior estrela do futebol brasileiro da época, cria e ídolo do Flamengo, o Leonardo da Vinci da Copa de 50, Mestre Ziza.

Então, fez uma oferta mirabolante pelo passe do craque: 1 milhão de cruzeiros, algo incapaz de ser traduzido para os valores atuais, devido às inúmeras mudanças cambiais e do valor da nossa moeda, de lá pra cá. Mas, era uma fortuna. Tamanha, que o presidente do Flamengo balançou o suficiente para chamar Zizinho à sua sala querendo saber como o craque reagiria diante de tal oferta.

Zizinho simplesmente olhou nos olhos do presidente e sentenciou, sem mesmo saber o que lhe caberia no negócio.:

- Se o Flamengo não me quer mais, não quero mais o Flamengo. A partir de agora, sou jogador do Bangu.

 E, durante cabalísticos sete anos, Zizinho fez história no Bangu, até se transferir para o São Paulo, onde comandou a conquista do título paulista de 57.

Nesse período, o Bangu, que já fizera furor décadas antes com seus célebres Mulatinhos Rosados, por ter sido, juntamente com o Vasco, um dos primeiros clubes do Brasil a abrir suas portas caiadas para negros e mulatos, montou timaços, ganhou títulos e encantou a todos com equipes em que desfilaram Rafagnelli, Sula, Zózimo (bicampeão mundial pelo Brasil), Vermelho, Décio Esteves, Calazans, irmão de Zózimo, e tantos outros.

Hoje, nem é pálida lembrança daquele Bangu, infelizmente.

Notas relacionadas:

  1. A TEORIA DA CONSPIRAÇÃO
  2. A PARADINHA
  3. A FESTA DE VIOLA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , , , ,

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009 Campeonatos Estaduais, Ex-jogadores | 16:58

A PARADINHA

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Obina acaba de chutar na trave um pênalti contra o Bangu. O lance foi eivado de irregularidades: o goleiro, antes da cobrança, salto um metro à frente, quatro jogadores do Bangu invadiram a área e tal e cousa e lousa e maripousa.

Mas, não é sobre isso que quero falar. Quero falar do conceito da cobrança, a famigerada paradinha. Obina executou a tal paradinha e bateu no canto na direção do qual salto uo goleiro. Portanto, bateu mal, embora o goleiro não a alcançasse.

Sim, porque o sentido da paradinha é permitir ao batedor esperar a escolha do canto pelo goleiro para cobrar o pênalti exatamente no lado oposto. Se fez a paradinha e bateu no mesmo canto escolhido pelo goleiro, errou. Era como se não cobrasse com paradinha nenhuma.

A propósito, outro dia me ligou um companheiro da Caros Amigos para colher alguns subsidios sobre Didi, o Príncipe de Rancho de Carnaval, como o definiu magnificamente mestre Nelson Rodrigues.

Os amigos mais jovens, por certo, não captam essa imagem. Nos primórdios do samba, antes mesmo do avdvento das escolas de samba, os foliões iam às ruas, no Tríduo do Carnaval, em blocos avelhacados e ranchos. Os ranchos obdeciam um ritmo mais candenciado de marcha, com direito, além da percussão e das cordas, de instrumentos de sopro – clarinetes, flautas e até saxes.

O canto, os movimentos, as fantasias, tudo, enfim, exigia uma elegância impecável, sintetizada pela figura do príncipe,de peruca e tudo.

Mas, voltando à paradinha, que Pelé sacramentou e difundiu mundo afora. lembro vivamente dos treinamentos que a Seleção Brasileira, às vésperas da Copa do Mundo de 58, protagonizava nos balneários brasileiros – Araxá, sobretudo.

Esses treinamentos eram transmitidos pela TV Record, e, num deles, depois do coletivo, nas cobranças de pênati, vi Didi partir pra bola, dar um tempo malandro, antes de disparar no canto contrário ao do goleiro.

Pelé e os demais cobradores, em seguida, passaram a repetir a cobrança, num campo que divide a curiosidade da disputa pessoal.

Coube a Pelé imortalizar a jogada. Mas, o inventor foi Didi.

Notas relacionadas:

  1. TIRANDO DA LUSA O QUE LHE RESTA
  2. A TEORIA DA CONSPIRAÇÃO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , ,