FÓRMULAS E EUFORIAS
Não há fórmula de disputa de campeonatos perfeitamente justa, como, aliás, nada é perfeito neste mundão dos homens. A menos injusta será sempre a de pontos corridos, lá e cá, que concede o título àquele time que somou mais pontos; portanto, o melhor de todos, na média, em geral.
Nesse sentido, o Campeonato Carioca obedece uma lógica perfeitamente aceitável: divididos em dois grupos, todos jogam contra todos,em dois turnos, denominados Taça Guanabara e Taça Rio. Os campeões dos turnos, ao cabo, se enfrentam numa grande final. Se um deles, por acaso, vence os dois turnos, leva a faixa. Fim de papo.
Mas, o Campeonato Carioca leva sobre o Paulistão a vantagem de contar com menos clubes participantes do torneio, o que lhe permite o encaixe de datas no prazo reservado pelo calendário brasileiro às competições estaduais.
O que não dá pra aceitar é essa fórmula híbrida e eivada de desequilíbrios – mistura de pontos corridos com mata-mata, na qual alguns times jogam mais fora do que outros em apenas um turno etc. –, aplicada no Paulistão que se inicia neste fim de semana.
Além do mais é a menos atraente de todas, pois passamos a maior parte do tempo à espera da classificação dos grandes (quase sempre, com esta ou aquela exceção) para a disputa das finais, o verdadeiro campeonato.
Mais atraente, sem dúvida, seria dividir os times em grupos jogando entre si para apurar o campeão de cada chave, que, em seguida, disputariam o título do turno entre si, em semifinal e final. Dependendo do número de datas disponíveis, pode-se jogar até quatro turnos, cujos campeões disputariam uma superdecisão.
Se um deles ganhasse, digamos, dois ou três turnos, ou ficaria à espera do vencedor da semifinal, ou entraria para o jogo decisivo com a vantagem do empate, por exemplo.
A sintonia fina, claro, seria feita na elaboração do regulamento, essas coisas. Mas, pelo menos, teríamos um torneio baseado numa lógica definida, com emoção do início ao fim, e apuração técnica do melhor mais compatível com a realidade do nosso futebol.
Mas, enfim…
VERDÃO NA FRENTE
Não apenas porque será o primeiro grande paulista a entrar em campo, sábado, contra o Mogi, em casa. Mas, o Palmeiras sai na frente dos outros dois componentes do Trio de Ferro – Corinthians e São Paulo -, sobretudo, porque leva a campo o entrosamento herdado da temporada passada, enquanto os outros dois terão de remontar suas equipes, em novos modelos táticos, com essa batelada de reforços a que recorreram nesta passagem de ano.
E não só por isso. Também, porque São Paulo e Corinthians estarão obsessivamente enfocados na disputa da Libertadores, que lhes é muito mais cara do que o Paulistão, para eles, transformado mais em campo de provas do que numa arena de disputa.
Isso, porém, é apenas uma impressão inicial, pois, quando a bola rolar, todo esse cenário pode virar de ponta-cabeça.
Claro que a saída de Love enfraquece demais um ataque já carente de bons jogadores. Mas, Muricy, por certo, não contava mais com seu ex-centroavante. Logo…
Mesmo porque o Santos está aí, como quem nada quer, mas de olho grande na recuperação do prestígio desgastado na última temporada.
EUFORIA GERAL
Os cariocas, eufóricos, só esperam a bola rolar na Taça Guanabara, com o Flamengo, campeão brasileiro, reforçado pela chegada de Vágner Love, enfrentando domingo o Duque de Caxias, num Maracanã em festa, suponho. Mas, não são só os rubro-negros que estão em festa: tricolores, botafoguenses e vascaínos também soltam rojões de expectativa por seus times, todos reforçados, devidamente ou não, pouco importa.
Basta dizer que cada um deles apresentará em campo um goleador emérito: Fred, pelo Flu, o Imperador Adriano, pelo Fla, Dodô, pelo Vasco, e Loco Abreu, pelo Bota. Não é mole, não, brother. Ah, e não esquecer do América de Romário, sob o comando de Bebeto. Se o entendimento que eles tiveram no campo se incorporar ao espírito da equipe, não me surpreenderia se o Ameriquinha do Trajano fizer bela temporada.
Assim como os mineiros têm tudo para esperar por um torneio doméstico bem disputado entre Cruzeiro, que manteve sua equipe de tão boa performance no Brasileirão, e Galo, que, além do técnico Luxemburgo, recebeu o reforço de Muriqui, destaque do Avaí no ano passado.
Por fim, mas não por último, os gaúchos apostam suas fichas nos tradicionais Inter, sob o comando do uruguaio Fossati, com os volantes Sandro e Guiñazu devidamente preservados, mais uma pá de meias de alta qualidade, e o Grêmio, inteiramente remodelado pelas mãos de Silas Pereira, a grande revelação do ofício no último Brasileirão. Bons auspícios para o início de temporada no futebol brasileiro.
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Autor: Alberto Helena jr. Tags: América-RJ, Atlético-MG, Botafogo, Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Internacional, Palmeiras, pontos corridos, regulamentos, Santos, São Paulo, Vasco


