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segunda-feira, 27 de julho de 2009 Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros, Treinadores | 15:34

O MILAGRE DE OBINA

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Que milagre é esse, meu? Eis a questão recorrente: o cara que não fazia um golzinho sequer, nem de pênalti, havia quase um ano no Flamengo, de repente, desembarca de graça no Palestra Itália e desanda a marcar, coroando esse renascimento do artilheiro com três gols contra o arquirrival Corinthians.

Claro que estou falando de Obina. Mas, não há milagre algum, a não ser aquele quase imperceptível que ocorre todo dia com cada um de nós, em qualquer ofício.

No futebol, então, casos como esse são escrachados, evidentes, comuns e repetidos ao longo da história.

Há a estirpe dos artilheiros-craques, aqueles seres especiais que sabem jogar bola num alto nível técnico, donos de habilidades incomuns, que somam a isso tudo a vocação rara de enfiar as bolas nas redes com mais rpecisão do que os demais. Pelé, Zico, Careca, Romário, Ronaldo Fenômeno etc. E há os goleadores que só foram ungidos com o dom de fazer gols, de técnica e habilidade reduzidas.

Ambos estão sujeitos às marés de sorte e azar, períodos de fausto e de estiagem, que se alternam ao longo de suas carreiras. Quando a lua não lhes é propícia, suprem a ausência de gols com passes medidos, dribles inesperados, jogadas deslumbrantes, essas coisas, que, aos olhos da multidão, acabam compensando a ausência de gols.

Já os goleadores da linhagem de Obina, ou fazem gols o tempo todo, ou caem em depressão, pois não contribuem para o time e para o espetáculo com nada mais do que aquele toque final à redes. E, à medida em que perdem gols feitos, perdem também a auto-confiança, num ciclo vicioso que parece interminável.

Então, vem o coro das arquibancadas, amplificado pela mídia: Grosso!

E aí o cara desce aos infernos.

É muito comum o artilheiro desprezado por este clube renascer naquele outro.

Flávio, o Minuano, e Mirandinha foram execrados pela Fiel nos anos 60 e 70, para renascerem no Fluminense, no Inter e no São Paulo, com direito a vagas na Seleção. Citei dois exemplos antigos, mas poderia acrescentar casos de hoje, como Washington, que ficou aí umas rodadas a seco e já pediam a cabeça do rapaz. De repente, voltou a marcar.

Essa é a vida do artilheiro, de ontem, de hoje, de sempre.

A AUSÊNCIA DE RONALDO

Por falar em artilheiros, veja só o caso de Souza, no Corinthians.

Souza é, tecnicamente, irmão gêmeo de Obina. Fez gols por onde passou, desde o Vasco até o Flamengo, mas também passou longos períodos de estio.

Chegou ao Corinthians para segurar as pontas de um Ronaldo em recuperação, uma incógnita à época. previa-se, então, que ambos se alternariam no comando do ataque corintiano, reservando-se Ronaldo para os grandes momentos.

Mas, Ronaldo surpreendeu e Souza jamais conseguiu justificar sua contratação.

Agora, com Ronaldo baixando enfermaria porcinco semanas, seria a chance de Souza se afirmar. Mas, quem confia? Pior: se entrar no time agora, ficará inapto para ser transacionado com qualquer outro clube da Série A do Brasileirão.

O diabo é que, no atual elenco corintiano, não há nenhum substituto à vista.

Tanto pode entrar e resolver a questão, quanto afundar-se definitivamente, levando consigo um time que vinha tão bem, antes de começar a perder alguns de seus principais jogadores.

É uma faca de dois legumes, como diria o saudoso presidente corintiano, Vicente Matheus.

FLA À DERIVA

Fragmentado lá em cima, pelas desavenças políticas, o Flamengo sai à cata de um treinador para substituir Cuca, demitido outro dia.

Assim de nome feito e técnico de longo curso, caiu na praça Leão, depois de se desaver com a diretoria do Sport. Mas, sobretudo, pelos maus resultados que baixaram o Leão à zona do descenso. Mas, Leão é tão complicado… E o Flamengo, ainda mais.

Na verdade, ao que se saiba, o Fla iniciou conversações com Mancini, defenestrado há pouco pelo Santos, mas mantém um olho em Sérgio Guedes, dois emergentes de competência comprovada, mas estilos diferentes.

De qualquer forma, Andrade, o sucessor de Carlinhos como eterno interino, vai ficando. Quem sabe, não fique o tempo necessário para que o Fla ponha a cabeça no lugar?

Notas relacionadas:

  1. O VAIVÉM DA MUDANÇA DE ANO
  2. LIBERTADORES, COPA BR E OBINA
  3. TRÊS VEZES OBINA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , ,