31/10/2009 - 14:40
Meu chapinha Rodrigo Bueno, um dos jovens cronistas esportivos mais bem informados e formados da praça sobre futebol internacional, foi na mosca, na transmissão pela Espn da vitória do Arsenal sobre o Tottenham, no Derby Londrino, por 3 a 0, neste sábado: ah, se tivéssemos um treinador como Arséne Wenger, que busca a excelência acima do resultado…
Apesar de dispor de um orçamento milionário, Wenger (ou será Lupin, o investigador refinado saído da pena de Maurice Le Blanc?), prefere garimpar talentos quase anônimos para montar seus times sob o prisma do espetáculo, antes de mais nada. E o que se vê, a cada rodada, é esse futebol nem sempre vitorioso, mas inegavelmente aprazível, pleno de toque de bola, envolvente, insinuante e agressivo, que nunca despreza o lance inventivo e surpreendente, que justifica o título acima, uma simbiose de Arséne com Arsenal.
Se há algum tempo o Arsenal não ganha títulos, já bateu recordes históricos no secular futebol inglês, ainda outro dia, nos tempos de Henry e cia. E contribuiu em muito para transformar o campeonato inglês na mais gostosa e competitiva Liga mundial.
Sim, temos por aqui alguns poucos técnicos comprometidos com o espetáculo, além do mero resultado. Mano, do Corinthians, Adílson, do Cruzeiro, por exemplo. Assim como o foi por muito tempo Luxemburgo, hoje disperso entre tantos outros afazeres.
Mas, a imensa maioria, apoiada por boa parte da mídia, das torcidas e das diretorias dos clubes, prefere apostar no resultado como recurso de preservação do cargo.
É a cultura do brasileiro, dizem. Não é, se esticarmos essa visão por um período histórico maior do que as úlimas duas décadas. Mas, ainda assim: cultura é algo que se cultiva, volúvel, pois: O que vale hoje não significa nada amanhã.
O futebol inglês, até outro dia, era uma chatice sem fim: bola na área, para os grandões lá meterem a cabeça. Hoje, é uma graça, sobretudo pela variedade de estilos e conceitos, mas, todos – Arsenal, Manchester, Chelsea, Liverpool, para ficarmos só com os grandes – comprometidos com o sentido do jogo: a busca permanente do gol.
Acorda, Brasil!
SAUDADES, JUVENAL
Vi pouco o zagueirão Juvenal em ação, que atuou de 43 a 59. Mas, se pudesse descrevê-lo buscaria as tintas e as linhas de Gauguin: um negro de formato sólido, quadrado, nariz achatado, pernas curvas e expressão ausente.
Firme no combate, porém, técnico no primeiro passe, Juvenal, embora sem a altura dos beques atuais, era excelente no corte de cabeça em sua área.
Ainda que baiano, começou lá no Sul, e viveu seu auge no Flamengo e no Palmeiras, onde se sagrou campeão do mundo, na célebre Copa Rio de 51. Mas, perdeu a Copa de 50, de cujo time brasileiro era o último remanescente, e pagou um preço altíssimo por isso, junto com o goleiro Barbosa e o lateral-esquerdo Bigode. Os três foram estigmatizados pelo resto de suas vidas: Bigode, porque não parou Gigghia; Juvenal, porque não lhe deu a devida cobertura, e, Barbosa, porque não aparou o tiro fatal.
Dizia-se, na época, que Juvenal era chegado a uma manguassa (ou será manguaça?), uma mardita. Mas, isso , na época – terá mudado tanto? -, era mais ou menos lugar-comum. O fato é que Juvenal foi um baita zagueiro, num tempo em que os beques tinham de se haver, mano-a-mano com atacantes de extrema habilidade, sem as tantas proteções extras de hoje em dia.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Futebol internacional
Tags: Arsenal, Arsene Wenger, Tottenham
11/11/2008 - 19:04
Foi um show dos meninos do Arsenal na vitória por 3 a 0 sobre o Wigan, pela Copa da Liga Inglesa.
Pra quem acha ainda impossível o avanço em direção ao verdadeiro futebol, jogado com empenho e arte, é só rever essa partida, onde presente e futuro se fundem contra o passado que ainda persiste em alguns pontos do planeta, como nosso rincão de taperas.
A média de idade desse time do Arsenal, reserva da jovem equipe titular, é, pasmem!, de 19 anos, como nos informa o querido Paulo Vinícius Coelho. São meninos colhidos aqui e ali, ainda em botão, que Arséne Wenger bota pra jogar no melhor estilo do futebol-espetáculo: veloz, cheio de graça, ofensivo, irreprimível.
Quase todos esses garotos – de Fabianski a Simpson – têm um futuro promissor. Mas, quem marcou um passo adiante foi, sem dúvida, o mexicaninho Vela, canhoto de extrema habilidade, ousado, que, aos dribles e toques, marcou dois golaços e deu uma assistênica primorosa para Simpson fazer o outro.
Sim, claro, o Wigan está caindo pelas tabelas, embora tenha lá seus Melchiots e Zikas. Mas, estou cansado de ver times muito mais experientes e aplicados tropeçarem no vento. Disse vento? Pois, são bons ventos esses que nos sopram da Old Albion.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Futebol internacional
Tags: Arsenal, Arsene Wenger, Copa da Liga Inglesa, Fabianski, PVC, Simpson, Wigan
08/11/2008 - 16:00
Foi um clássico para honrar as recentes tradições dos súditos da Rainha: poucas faltas – quase todas como último recurso, nas zonas de perigo, o que transforma o tédio das tais faltinhas necessárias, sucessivas, de meio-de-campo, tão ao nosso gosto, em expectativa de emoção -, técnica além da força e um futebol ofensivo, de parte a parte, do início ao apito final.
Ganhou o Arsenal, por 2 a 1, dois gols de Nasri (no primeiro, foi decisivo o desvio do lateral Gary Neville), dois disparos da entrada da área, e um do nosso menino Rafael, que entrou no segundo tempo e dinamizou o lado direito do Manchester.
Rafael, pra quem não sabe, nasceu, ao lado de seu irmão gêmeo Fábio, lateral-esquerdo, em Xerém, e ainda adolescente foi cooptado, junto com o irmão, pelos Diabos vermelhos de Sir Ferguson. Começou a entrar no time titular nesta temporada, e só fez bonito até agora. É lateral-direito e marcou um golaço de canhota no clássico.
Clássico timbrado pela diferença de estilos, embora ambos os times, como virou praxe na Inglaterra, busquem sempre a vitória, com um espírito ofensivo invulgar e muita velocidade.
O Arsenal, naquele tico-tico, toque-toque, marca registrada do técnico Wenger, vai conduzindo a bola, entre Denílson (olhai, Dunga!), cria do São Paulo, garoto ainda que defenestrou o veterano Gilberto Silva do Arsenal, diga-se, Fabregas, Diaby, Walcott e Nasri, com apoio freqüente do lateral canhoto Clichy, até achar a brecha. O Manchester, já prefere as bolas esticadas para as investidas de Cristiano Ronaldo e Rooney.
Mas, quando entra na troca de bolas inspirado, sai de baixo!
Desta vez, porém, foram raras essas iluminações, embora o Manchester tivesse criado chances suficientes para revirar esse placar, com Rooney, Cristiano Ronaldo e Berbatov. Esbarrou, porém, nas más finalizações e, sobretudo, na Linha Maginot mais conhecida por Gallas, um zagueiro camisa 10, literalmente. É 10 na bola e 10 na camisa, fato raríssimo. Que me lembre, só o genial alemão Lothar Matthaus, um dos mais completos jogadores da história, passou seus últimos dias como craque jogando de líbero com a camisa 10 que ostentou desde os tempos em que era meia-armador.
Resumindo: já ganhei o fim-de-semana, venha lá o que vier.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Futebol internacional
Tags: Alex Ferguson, Arsenal, Arsene Wenger, Berbatov, Cristiano Ronaldo, Denílson, Fábregas, Gary Neville, Manchester United, Nasri, Rafael, Walcott
05/11/2008 - 19:29
Seguramente, não foi uma rodada para inglês ver, nem lembrar. No máximo, para sofrer, pois nenhum de seus fortes candidatos ao título da Liga dos Campeões passou ileso neste meio de semana.
Na terça, o Chelsea de Felipão levou uma biaba da Roma, no estádio Olímpico, por 3 a 1, em partida exemplar do veteraníssimo Panucci – lateral, beque, volante e goleador.
E, na quarta, o Arsenal, embora alugasse meio-campo não saiu do empate por 0 a 0 com o Fenerbahçe, enquanto o Manchester empatava por 1 a 1 com o Celtic, na Escócia de Sir Ferguson.
Fotos: AP

Wenger, Felipão, Ferguson e Benítez: nenhum deles saiu feliz da rodada da Liga dos Campeões
Não vi esse jogo, mas apenas os gols, além de colher algumas informações superficiais, o bastante para saber que os Diabos Vermelhos não enfrentarem o Celtic com a devida determinação, pois Rooney passou todo o primeiro tempo no banco.
Já o Arsenal, vi. Naquele toque-toque, tico-tico hipnótico, envolveu completamente o Fenerbahçe, que não fez nada a não ser se defender. Van Persie perdeu dois gols feitos e, no fim, a frustração.
Sucede que a frustração não baixou apenas sobre os ingleses. Os catalães saíram do Camp Nou, mãos no bolso, chutando chapinhas na rua, pelo empate por 1 a 1 com o fragilíssimo Basel. E a poderosa Inter de Mourinho, que dizer?: 3 a 3 com o Anorthosis, em Nicósia, Chipre, creiam.
Uma pancada nas cabeças coroadas dos técnicos Felipão, Wenger, Ferguson, Guardiola etc. E, mais uma vez, no Santiago Bernabéu, a velha lição: pode montar o esquema que quiser, elaborar os mais comoventes discursos motivadores, fazer isto ou aquilo, que, quem, na verdade, decide é o craque.
E Del Piero, o velho Del Piero, o tantas vezes desprezado pela Azzurra Del Piero, em dois disparos definiu a vitória de sua Juve sobre o Real.
Em meio a tantos mistérios, o futebol não tem segredo, quer queiram ou não.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Futebol internacional
Tags: Alex Ferguson, Anorthosis Famagusta, Arsenal, Arsene Wenger, Basel, Camp Nou, Celtic, Chelsea, Del Piero, Felipão, Fenerbahçe, Guardiola, Juventus, Olímpico, Panucci, Real Madrid, Santiago Bernabéu
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