JOGAÇO E O GESTO DE MALOUDA
Mais um jogo sensacional do futebol inglês, este que levou o Chelsea à final da Copa da Inglaterra, ao bater o Arsenal, em Wembley, por 2 a 1, gols de Walcott, Malouda e Drogba.
O Arsenal, depois de um vacilo inicial, subiu de produção e Walcott abriu o placar. Mas, Malouda, recebendo lançamento magistral de Lampard, empatou ainda no primeiro tempo. E, quando mais o Arsenal forçava, no segundo, Lampard enfiou outra bola precisa para Drogba, no contragolpe. O marfinês venceu Silvestre na corrida, livrou-se do goleiro e guardou.
O Arsenal, que raramente conseguiu aplicar seu toque de bola envolvente de meio-de-campo, mesmo porque desfalcado no setor, pressionou no final e quase chegou ao empate, que levaria o jogo para a prorrogação.
Dá gosto ver esse jogo jogado, ofensivo, exorcizado do medo habitual a que nos acostumamos por aqui, e que mantém suspenso no ar a jogada final até o último segundo.
ALÉM DO GESTO II
Malouda, ao marcar o primeiro gol do Chelsea contra o Arsenal, saiu celebrando com um gesto de mãos formando um losango, ao juntar os polegares e os indicadores. Óbvia referência ao sexo feminino, se me permitem, a vulva. Pelo menos, na linguagem gestual que se convencionou para a minha geração. Não sei se hoje em dia tem outra conotação. Ou, se tem outra representação para a tribo de Malouda. Como não sei se a comissão disciplinar da Federação Inglesa cuidará ou não de punir o rapaz.
Fosse em tempos vitorianos, por certo, Malouda dividiria a cela com Oscar Wilde, que, segundo consta, preferia mais o dedo médio em riste do Cristian, mas essa é outra história. Embora ambas se imbriquem neste papo furado nosso.
É bem possível que, no universo machista do futebol, o gesto de Malouda não ofenda ninguém. Ao contrário: afinal, há toda uma conotação sexual, assim como guerreira, na representação do gol. A bola é metida no véu da noiva. Penetração, enfiada, o gol é o orgasmo, interpretações desse tipo têm sido repetidas ao infinito por acadêmicos do mundo inteiro, há décadas, quando se debruçam sobre a, digamos, pisque do futebol.
Aliás, acho que essa é a grande sedução do futebol, entre outras, que o faz global e eterno. O futebol fala, por parábolas, de sexo e guerra, dois instintos primais do ser humano: Dionísio e Marte.
O resto é convenção, gestos e palavras que mudam de sentido ao longo da história e da geografia.
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Autor: Alberto Helena jr. Tags: Arsenal, Chelsea, Copa da Inglaterra, Malouda
