VALEU PELA VITÓRIA, SÓ
Só não foi um desastre total porque o Fluminense deixou o Engenhão com 1 a 0 no placar, gol de Fred, conquistado logo no início da partida, quando o Tricolor encetou uma blitz sobre o Arsenal de Sarandi, desenhando no ar a expectativa da goleada que não veio.
Ao contrário: aos poucos, o Flu refluiu, perdeu o compasso e acabou sendo até pressionado pelo frágil time argentino no final.
Não sei se os brasileiros ficaram nervosos porque passaram a errar muitos passes, ou se passaram a errar os passes porque ficaram nervosos. o que seria um contrassenso para um time que jogava em casa e vencia.
Só sei que a turma perdeu o controle da bola, dos espaços e dos nervos, a ponto de ter dois jogadores expulsos, com toda razão: Wagner, que chutou um adversário pelas costas numa bola parada, e Eusébio, que desferiu um coice no argentino no chão.
Wagner, que deveria dividir o trabalho de criação com Deco, foi ausente a maior parte do jogo em que o seu parceiro de meio de campo, enquanto teve pernas, foi o único a jogar bola de verdade. E Eusébio, além de perder todas de cabeça na sua própria área, quando tinha a bola aos pés, despachava-a de qualquer jeito pra frente.
E, nem mesmo a entrada de Thiago Neves, aos 17 do segundo tempo, no lugar de Sóbis, foi suficiente para conferir ao Flu o mínimo de organização em campo.
Placar magro, exibição pobre, descontrole emocional… O Flu vai ter de melhorar muito para justificar tanta expectativa criada em torno da qualidade de seu elenco.
FALCÃO NO BAHIA
Falcão, o maior volante da história do futebol brasileiro (o amigo pode sentir o tamanho dessa escolha para quem cultuou a vida toda nessa posição o nome sagrado de José Carlos Bauer, o Monstro do Maracanã), acaba de assumir o lugar de Joel Santana no Bahia.
Antes de tudo, admiro a persistência desse amigo. Aos 58 anos, idade em que a imensa maioria das pessoas quer mesmo é se aposentar, rico, famoso, um ícone do futebol mundial, largou ofício confortável e posição invejável na Rede Globo para perseguir um sonho que mais se assemelha a pesadelo: o de vencer definitivamente também na carreira de técnico de futebol, talvez, a mais ingrata de todas as profissões, como ele próprio já sentiu na pele, ainda outro dia, ao ser demitido pelo seu Inter, mesmo sagrando-se campeão gaúcho.
Gaúcho por adoção, o que inclui a absorção de todos os valores do povo da fronteira, dentre eles, o gosto pelos desenhos táticos e estratégicos de um time de futebol, Falcão, na Itália, onde esses mesmos valores são reverenciados ao extremo, ganhou a coroa de Rei de Roma e o epíteto de o Médio Tático.
Como um craque com tal formação aliada à lucidez e a experiência vivida nos dois hemisférios do mundo, líder como jogador e de fácil poder de comunicação, não conseguiu decolar na carreira de treinador? Um desses tantos mistérios da vida.
Quando Falcão ainda comandava dentro do campo aquele Inter espetacular do bicampeonato brasileiro de 75/76, escrevi que ele, ao pendurar as chuteiras, viria a ser o maior técnico do futebol brasileiro desde Zezé Moreira.
A chance recomeça, depois da punhalada vermelha, agora, no Bahia, um dos grandes do Brasil, de imensa e festiva torcida, que está em terceiro lugar no Campeonato Baiano, cinco pontos atrás de seu homônimo de Feira e apenas um acima do eterno rival Vitória, dirigido justamente por Cerezo, seu parceiro na Copa do Mundo de 82 e na Roma.
Torço pela realização do sonho de Falcão, como amigo e por sabê-lo capaz de imprimir novos rumos ao futebol brasileiro, e para que o Bahia, com ele, inicie uma nova era de grandes conquistas.
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Autor: Alberto Helena jr. Tags: Abel Braga, Arsenal, estreia, expulsão, Fluminense, Libertadores