05/11/2009 - 00:15
Se no primeiro tempo o 1 a 1, gols de Rafael e Dagoberto, mais ou menos refletiu o equilíbrio das duas equipes, no segundo, as circunstâncias levaram o São Paulo a celebrar o empate como um grande feito.
Afinal, quando o juiz apitou o encerramento da partida, o Tricolor estava com oito jogadores contra onze. E nem mesmo levou um daqueles sufocos tradicionais – bolas nas traves e tal e cousa e lousa e maripousa.
Assim, acabou sendo um placar até favorável ao Tricolor paulista, embora correndo o risco de perder a liderança para o Verdão, no fechamento da rodada, no fim-de- semana. Sobretudo, porque tudo isso serviu para forjar ainda mais a alma tricolor na disputa pelo título.
AMARELINHA QUE AMARELA
Os meninos da Argentina, alguns como Villalva e Araujo de primeira categoria, venciam, já no segundo tempo, por 2 a 0 a Colômbia, pelo Mundial de 17. Mas, a Colômbia, virou para 3 a 2, com merecimento e dando de lambuja um pênalti convertido e anulado pelo juiz, sob a alegação de que houve invasão.
Confesso que espiei bem o lance e não vi a tal da invasão, antes da cobrança do pênalti.
Aproveito, então, para mandar um recadinho ao meu chapa, grande repórter e âncora da Jovem Pan, Wanderley Nogueira, detrator contumaz dos nossos meninos em favor dos hermanos: pelo visto, a camisa amarela da Colômbia bastou para amarelar os nossos irmãos do sul, como tem acontecido há anos entre os marmanjos.
ALÁ, MEU BOM ALÁ!
O Barça, no seu toque-toque, não conseguiu varar a retranca absoluta do Rubin Kazan, pela Liga dos Campeões.
O técnico adversário montou um ferrolho com onze dentro da sua grande área, e, lá na frente, apenas Alá e Maomé, Seu Profeta, invocados sempre pelo rosário entrelaçados nos dedos. A coisa, com todo respeito, deve funcionar, pois o Barça, apesar do domínio absurdo de bola, coisa de 90 por cento, meteu uma bola no poste, com Ibrahimovic, e desperdiçou, por baixo, mais umas quatro oportunidades claras de abrir a contagem, que se fechou até o final.
Em contrapartida, o Arsenal, a versão inglesa do Barça sem o mesmo resultado, goleou o holandês AZ, em casa, numa exibição de gala de Fabregas, volante que vira meia e vira artilheiro assim como quem está tomando um copo d’água.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Futebol internacional
Tags: Argentina, Arsenal, Barcelona, Grêmio, Liga dos CAmpeões, Mundial Sub-17, São Paulo
31/10/2009 - 14:40
Meu chapinha Rodrigo Bueno, um dos jovens cronistas esportivos mais bem informados e formados da praça sobre futebol internacional, foi na mosca, na transmissão pela Espn da vitória do Arsenal sobre o Tottenham, no Derby Londrino, por 3 a 0, neste sábado: ah, se tivéssemos um treinador como Arséne Wenger, que busca a excelência acima do resultado…
Apesar de dispor de um orçamento milionário, Wenger (ou será Lupin, o investigador refinado saído da pena de Maurice Le Blanc?), prefere garimpar talentos quase anônimos para montar seus times sob o prisma do espetáculo, antes de mais nada. E o que se vê, a cada rodada, é esse futebol nem sempre vitorioso, mas inegavelmente aprazível, pleno de toque de bola, envolvente, insinuante e agressivo, que nunca despreza o lance inventivo e surpreendente, que justifica o título acima, uma simbiose de Arséne com Arsenal.
Se há algum tempo o Arsenal não ganha títulos, já bateu recordes históricos no secular futebol inglês, ainda outro dia, nos tempos de Henry e cia. E contribuiu em muito para transformar o campeonato inglês na mais gostosa e competitiva Liga mundial.
Sim, temos por aqui alguns poucos técnicos comprometidos com o espetáculo, além do mero resultado. Mano, do Corinthians, Adílson, do Cruzeiro, por exemplo. Assim como o foi por muito tempo Luxemburgo, hoje disperso entre tantos outros afazeres.
Mas, a imensa maioria, apoiada por boa parte da mídia, das torcidas e das diretorias dos clubes, prefere apostar no resultado como recurso de preservação do cargo.
É a cultura do brasileiro, dizem. Não é, se esticarmos essa visão por um período histórico maior do que as úlimas duas décadas. Mas, ainda assim: cultura é algo que se cultiva, volúvel, pois: O que vale hoje não significa nada amanhã.
O futebol inglês, até outro dia, era uma chatice sem fim: bola na área, para os grandões lá meterem a cabeça. Hoje, é uma graça, sobretudo pela variedade de estilos e conceitos, mas, todos – Arsenal, Manchester, Chelsea, Liverpool, para ficarmos só com os grandes – comprometidos com o sentido do jogo: a busca permanente do gol.
Acorda, Brasil!
SAUDADES, JUVENAL
Vi pouco o zagueirão Juvenal em ação, que atuou de 43 a 59. Mas, se pudesse descrevê-lo buscaria as tintas e as linhas de Gauguin: um negro de formato sólido, quadrado, nariz achatado, pernas curvas e expressão ausente.
Firme no combate, porém, técnico no primeiro passe, Juvenal, embora sem a altura dos beques atuais, era excelente no corte de cabeça em sua área.
Ainda que baiano, começou lá no Sul, e viveu seu auge no Flamengo e no Palmeiras, onde se sagrou campeão do mundo, na célebre Copa Rio de 51. Mas, perdeu a Copa de 50, de cujo time brasileiro era o último remanescente, e pagou um preço altíssimo por isso, junto com o goleiro Barbosa e o lateral-esquerdo Bigode. Os três foram estigmatizados pelo resto de suas vidas: Bigode, porque não parou Gigghia; Juvenal, porque não lhe deu a devida cobertura, e, Barbosa, porque não aparou o tiro fatal.
Dizia-se, na época, que Juvenal era chegado a uma manguassa (ou será manguaça?), uma mardita. Mas, isso , na época – terá mudado tanto? -, era mais ou menos lugar-comum. O fato é que Juvenal foi um baita zagueiro, num tempo em que os beques tinham de se haver, mano-a-mano com atacantes de extrema habilidade, sem as tantas proteções extras de hoje em dia.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Futebol internacional
Tags: Arsenal, Arsene Wenger, Tottenham
29/09/2009 - 19:29
Huuumm… Tem cheiro de arroz queimado nessa história do Morumbi e a Copa do Mundo de 2014 no Brasil.
Agora, foi a vez do presidente da Fifa, em visita ao Brasil, reforçar o lobby contra o estádio do São Paulo, como possível centro de abertura da Copa.
A tese é a de que o Morumbi não está, neste momento, preparado para receber jogos de excelência do Mundial.
Pergunto: qual dos atuais estádios brasileiros, neste momento, está? Nenhum. Rigorosamente, nenhum. Mas, isso não passa de um flagrante, um retrato de agora, o que nada tem a ver com a prospeção do futuro.
Mesmo porque, certamente, nenhum dos estádios candidatos, estará em 2014 como estão agora, óbvio.
Caso contrário, a Copa terá de ser transferido para outro país, claro.
O mais intrigante é que, das declarações de Sepp Blatter, flutuou uma peninha: diz ele que soube pelo prefeito de São Paulo que outro estádio será erguido pelo poder público na Capital, talvez uma profunda reforma do Pacaembu.
Bem, o Pacaembu está tombado pelo Patrimônio Histórico, o que implicará numa batalha extra para submetê-lo a qualquer reforma. Além do mais, é inaceitável que o poder público gaste um tostão sequer do nosso bolso para construir ou reformar estádios, desde que haja uma alternativa como o Morumbi, pertencente á iniciativa privada.
Todo e qualquer tostão a ser gasto pelo Município, Governo Estadual e União, deverá ser em benefício da população, obras de infra-estrutura, como metrô, avenidas, aeroportos, transporte coletivo etc.
Tem coisa aí, simpatia.
MASSACRES NA LIGA
Vi em tela dividida dois jogos da Liga dos Campeões Europeus. Pois, fora dois massacres técnicos e táticos, com resultados modestos pelo volume de ações ofensivas criadas tanto pelo Barça quanto pelo Barcelona: 2 a 0.
No Nou Camp, o Barça acuou o Dínamo de Kiev por quatro quintos da partida, e só não aplicou uma goleada histórica porque o goleiro ucraniano pegou tudo e mais alguma coisa, fora os gols desperdiçados.
Messi e Xavi deram as cartas.
Em Londres, o Arsenal, idem com batatas, contra o Olympiacos: plantou-se o tempo todo no campo adversário, meteu uma bola no travessão e fez o nome de Nikpolidis, o arqueiro grego, em tarde de Fabregas.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Copa do Mundo, Futebol internacional
Tags: Arsenal, Barcelona, Copa do Mundo, Fifa, Liga dos CAmpeões, MOrumbi
12/09/2009 - 22:36

O jogo foi muito equilibrado no primeiro tempo, quando o Avaí chegou a ter ligeira superioridade tática, além de ter criado as duas melhores chances para marcar.
Mas, no segundo, o Tricolor voltou mais determinado, apertou a marcação na saída de bola do adversário, e chegou aos 2 a 0, com Dagoberto e Hugo.
Vitória preciosa, nesta quadra do campeonato, pois o Avaí, embora esteja patinando depois daquela arrancada fenomenal, é sempre um inimigo perigoso – bem armado em campo, sob o comando de Marquinhos, que divide com Diego Souza a palma de melhor jogador do campeonato até agora, não permite nenhum vacilo, não.
O certo é que o São Paulo segue praticando um futebol bem mais interessante do que aquele do primeiro semestre.
Usou muito as bolas alçadas à área do Avaí, mas também colocou-a no chão e produziu algumas tramas coletivas até então raras nesse time.
MENGOOOO!

Exagerou nosso querido Andrade ao dizer que seu Flamengo fez lembrar aquele dos anos 80, dele mesmo, de Zico, Adílio e cia. bela. Mas, não muito, pois o Mengo realmente deslizou diante do Sport, na vitória por 3 a 0 – dois de Adriano, o primeiro, de se tirar o chapéu.
É verdade que o Sport, não bastasse a fase aziaga por que passa, jogou todo desfalcado e ainda por cima perdeu o zagueiro Durval, expulso no fim do primeiro tempo.
Mas, isso não subtrai o mérito do jogo praticado pelo Fla. Afinal, estamos cansados de ver um time tropeçar na bola, mesmo enfrentado uma leve brisa contra.
NA EUROPA
Real e Barcelona avançam em direção ao título espanhol como se aproveitassem o vácuo da mais antiga tradição do futebol europeu.
Ambos pouparam alguns de seus craques na rodada deste sábado, e mesmo assim se livraram sem muitos problemas de seus respectivos adversários – o Espanyol e o Getafe.
Mas, os dois tiveram que recorrer no segundo tempo a seus astros em descanso. Em Barcelona, Cristiano Ronaldo entrou no segundo tempo para fazer o gol de abertura do Real, na vitória por 3 a 0, sobre o Espanyol. E Messi foi chamado para resolver de cabeça, diante do Getafe, em passe magistral de Ibrahimovic, autor do primeiro gol.
Pelo visto, vai ser, como sempre, o campeonato de dois times. Mas, mais do nunca, uma pauleira entre os dois.
Já no campeonato inglês, o Manchester City ratificou seu início auspicioso, com todos os seus novos reforços (Adebayor, Lescott, Barry etc.), menos Tevez, poupado, e Robinho, machucado. Meteu simplesmente 4 a 2 no Arsenal de toque de bola tão afinado, mas de muito pouca agressividade no ataque. Falta ali alguém como… como.. Adebayor, seu ex-artilheiro e atual carrasco.
Triste é ver esse Milan de Leonardo empatar por 0 a 0 com o Livorno, exibindo um jogo opaco e inoperante. Ronaldinho Gaúcho, que na primeira rodada havia dado sinais de recuperação, saiu substituído sob vaias da torcida, justificadas, diga-se. Até quando?
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Futebol internacional
Tags: Adebayor, Arsenal, Flamengo, Inglaterra, São Paulo
29/08/2009 - 19:09
Como prever o que poderá ocorrer no clássico decisivo entre São Paulo e Palmeiras se os dois treinadores escondem os times que entrarão em campo? Técnicos, esquemas, tradições, camisas, retrospectos, campo, tudo isso pesa, sim, num clássico desses. Mas, quem resolve mesmo a parada são os jogadores. Um deles colocado em posição errada, outro que fique de fora, podem fazer a grande diferença, no fim das contas.
Pegue o exemplo de Cleiton Xavier: joga, não joga? Se não jogar, Muricy optará por um volante tipo Sandro Silva ou Jumar, ou preferirá Deyvid Sacconi, que até hoje não se frmou no time, mas que leva mais jeito do titular do que os demais? ou terá uma recaída e escalará um terceiro zagueiro, pra bater ficha com o esquema do adversário, que herdou esse time dele mesmo, Muricy?
Já Ricardo Gomes, embora esconda o jogo, não dá sinais de que está muito preocupado com esses detalhes, pois deve ir com o sistema de jogo e a escalação que deram certo até à última rodada. Mas, deveria. Se, com seus três zagueiros, der espaço para o Palmeiras dominar o meio de campo, a coisa pode ficar preta – ou melhor: verde.
PELAS OROPA
Que sábado, nas Oropa, parceiro!
A começar pelo clássico inglês vencido pelo Manchester United por 2 a 1 sobre o Arsenal. Jogo mais emperrado do que se esperava, mesmo porque ambos cuidaram de reforçar a marcação no meio de campo, extraindo o poder de criação dos dois.
O Arsenal, embora tivesse o domínio das ações a maior parte do tempo, jamais foi aquele time de toque de bola hipnótico, muito por causa da ausência de Fabregas – Song, Eboué e Diaby, que prencheram o setor ao lado de Denílson, preferem a condução de bola e o drible. Mesmo assim, abriu o placar com Arshavin, e poderia ter ampliado com um tiro na trave de Van Persie, em cobrança de falta, e outra, diante do gol, perdida.
O Manchester, sentindo muito a perda de Ronaldo Cristiano, virou, em pênalti, sofrido e cobrado por Rooney, e num gol contra absurdo de Diaby.
Por falar em Cristiano Ronaldo, o português foi muito discreto na estreia do Real no Campeonato Espanhol, vitória por 3 a 2 sobre o Deportivo La Coruña. Kaká já foi um tanto melhor, e marcou presença com um passe genial para Benzema disparar no poste e Raúl marcar, no rebote. Enfim, o Real foi muito melhor mas ainda está longe de ser aquele timaço que poderá vir a ser.
Quem deixou o galáctico Real para refazer sua fama foi o holandês Robben, que entrou no segundo tempo contra o Wolsfburg para se transformar na sensação do Bayern de Munique, que recuperopu também o francês Ribéry: fez dois gols (num deles, deixou o beque deitado na área, num corte esperto) e algumas jogadas de alta classe.
Por fim, no clássico de Milão, Dio Mio1: 4 a 0 para a Inter, num jogo fogoso, em que Ronaldinho Gaúcho correu muito mas produziu pouco. Pelo andar da carruagem, a Inter vai levar o penta no beiço.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro
Tags: Arsenal, Internazionale, Manchester United, Milan, Muricy Ramalho, Palmeiras, Real Madrid, Ricardo Gomes, São Paulo
22/08/2009 - 17:35
Podem falar o que quiser. Mas, não é a toa que os times ingleses estão aí liderando, há quatro, cinco anos, a Liga dos Campeões da Europa, e oferecendo o mais belo espetáculo do mundo no seu campeonato nacional.
Seja por percepção, seja por comum acordo, o fato é que os times ingleses optaram, na contramão de sua história, há um par de anos, adotar um estilo de jogo ofensivo, embora não temerário, e o resultado está aí: estádios cheios e muitos gols, que é, enfim, o objetivo final de uma partida de futebol.
Neste sábado, o Arsenal, jogando em casa, naquele seu toque-toque tradicional, botou o Portsmouth na roda e enfiou-lhe 4 a 1, sem arfar, com direito a dois gols de Diaby, um mero volante, mas daqueles que chegam pra valer no ataque. Assim, o Arsenal soma dez gols nas duas partidas iniciais do Campeonato Inglês.
Por seu turno, o Manchester United, jogando na casa do inimigo, não deixou por menos: meteu 5 a 0 no Wigan, com direito a dois gols de Wayne Rooney, que, aos 22 anos de idade, completou o centésimo primeiro gol com a camisa dos Diabos Vermelhos.
Comparando-se os dois times, veremos que cada um escolheu um estilo de jogo, mas ambos dão prioridade ao ataque, ao contrário da maioria das equipes brasileirs: um, o Manchester, busca o jogo longo e incisivo; outro, o Arsenal, vai na base do toque e dos dribles, ambos, porém, oferecem um futebol de primeira.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Futebol internacional
Tags: Arsenal, futebol ofensivo, Manchester United, Rooney
16/08/2009 - 21:00
Pode ser mera coincidência. Ou fruto da dureza dos confrontos. Afinal, foram tr~es clássicos nacionais que o Palmeiras enfrentou nas últimas rodadas: Grêmio, Galo e Botafogo, três empates por 1 a 1, dois deles, frustrantes para um líder que sonha com o título, por mérito e honra, já que disputados em casa.
O último, sábado, contra o Botafogo, ainda mais decepcionante, desde que o adversário, embora tradiconalíssimo clube brasileiro, vem se arrastando no campeonato lá pelos últimos lugares.
Seja por que motivo for, o fato é que o Palmeiras mudou de cara, em relação àquele time que vinha vencendo e encantando sob o comando de Jorginho ainda outro dia.
Não consegue mais tocar a bola com fluência da defesa ao ataque, não mais pressiona o adversário no campo adversário, não mais cria tantas chances de gol como criava. Passou a jogar com um olhar mais defensiva, e, evidentemente, mais tenso na troca de bola. Por isso, talvez tantos erros de passe no jogo contra o Botafogo, que jogou o trivial, com uma dose extra de empenho, só.
Muricy, depois do jogo, assegurou que o time joga sob o mesmo esquema anterior, que nada mudou. Em termos: o simples fato de escalar três volantes, empurrando Cleiton Xavier e Diego Souza um degrau acima, já representa uma mudança radical no estilo do Palmeiras jogar. Ambos se sentem desconfortáveis nessas funções. E eles têm sido a grande diferença desse time.
Alguém que Muricy muito admira já disse que futebol é detalhes. E, muitas vezes, é mesmo.
Contudo, a vitória do Inter, folgada, sobre o Santo André, naquele pasto do ABC, por 2 a 0, mostra como é precária a liderança do Palmeiras.
Pois, o Inter, agora, entra pra valer na disputa, com dois jogos ainda a serem cumpridos, o que lhe confere a chance de virar o turno em primeirão. Jogo é joo, porém.
TIMÃO ACERTANDO
O Corinthians, ao meter 2 a 0 no Galo, no Pacaembu, não só ganhou moral para seguir nessa reformulação inesperada, como mostrou que avançou bem nesse sentido. Não pela vitória em si, que isso, às vezes, é ocasional. Mas, pela forma com que jogou, organizada, segura, eficiente. E o mais animador: sem abrir mão de seu esquema ofensivo, com um volante, dois meias e três atacantes.
Sim, porque, geralmente, nesses casos, a tendência do treinador é buscar refúgio num esquema defensivo para se resguardar dos maus ventos da transição: até encontrar o time ideal, até chegarem os reforços, fecha aqui, fecha acolá, que não vou botar a cara a bater.
Mano, não. Mano botou a cara a bater, levou dois ou três tabefes, e já começa a revidar.
É verdade que o Galo não foi o Galo. Foi um arremedo do Galo, time inteiramente desfigurado por lesões e cartões. E aqui volta à cena a única restrição que se lhe fazia quando assumiu a liderança do campeonato: terá elenco para resistir à maratona lá no topo?
Esperemos pra ver.
TRICOLOR EM MARCHA
E o São Paulo, ao vencer o Sport, na Ilha do Retiro, por 2 a 1, com gol de cabeça de Hugo já nos descontos, cumpre respeitável série invicta e segue na direção da luta pelo título, ocupando já um lugar no G-4.
Não, não foi uma exibição exemplar do Tricolor,prejudicada também pelas duas expulsões, mas bastou para cumprir sua missão, com méritos, já que dominou o primeiro tempo e foi dominado no segundo, mas soube aproveitar suas chances.
A GOLEADA
O grande placar da rodada, sem dúvida, foi a goleada impingida pelo Grêmio num Flamengo que se embicava para uma rápida escalada na tabela: 4 a 1. Mesmo sendo no Olímpico, é resultado para virar manchete e plantar uma pulguinha na orelha do Urubu (sei bem, meu, que urubu não tem orelha, é jeito de falar).
Quem, no entanto, não para de crescer é o Goiás, já na vice-liderança do torneio, ao bater o Vitória por 3 a 2, em jogo renhido. Assim como o Avaí, que recebeu o Náutico no Avaí e o venceu por 2 a 1.
Só o Fluminense não consegue subir um degrau sequer, e continua lá embaixo, depois da derrota para o Coritiba por 3 a 1, em casa. É demais.
PEIXE E RAPOSA
Foram poucas mas boas, as oportunidades criadas tanto por Cruzeiro quanto pelo Santos, na noite de domingo no Mineirão. E quase todas elas foram devidamente conjuradas pelos dois goleiros, os destaques do clássico nacional – Felipe e Fábio. Mas, se o Santos dá sinais de melhora, o Cruzeiro continua marcando passo numa zona cinzenta e temerária da tabela.
ARSENAL, SHOW
Na rodada inicial do Campeonato Inglês, o mais charmoso do planeta, só o Liverpool, dentre os eternos candidatos ao título, não venceu. Tomou de 2 a 1 do Tottenham. Chelsea, Manchester United e Arsenal estrearam, porém com vitória.
Mas, show mesmo quem deu foi o Arsenal, ao golear o tradicional Everton por 6 a 1, fora o baile. Naquele seu toque-toque habitual, já sem Adebayor, que se juntou a Robinho no City, os Guns hipnotizaram os azuis e foram somando seus gols e chances desperdiçadas, sob o comando da dupla Denílson e Fabregas, este, autor de dois gols, um deles, de placa. Dá gosto ver esse time jogar.
Já o Manchester United teve pleno domínio sobre o Bermingham, mas errou demais na hora da finalização, sobretudo com o português Nani. De positivo, a presença do equatoriano Antonio Valencia no lugar de Cristiano Ronaldo, ali pela direita. Joga bem, é hábil e, com o tempo, tende a evoluir. Se não algo perto do português ilustre, pelo menos, para cumprir bem aquela função ali nos Diabos Vermelhos, que, diga-se, já não são os mesmos, mas vão brigar.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Futebol internacional
Tags: Arsenal, Brasileirão, Inglaterra
10/05/2009 - 20:34
No sábado, o Palmeiras foi um dos principais candidatos ao título brasileiro a estrear com vitória, ao bater o Coritiba, no Palestra Itália, por 2 a 1, de virada. Virada, aliás, que veio a partir da entrada, no segundo tempo, de seu trio de ouro: Keirrison, Diego Souza e Cleiton Xavier. Até ali, o Coritiba vencia por 1 a 0, gol de Marcelinho Paraíba, e resistia bem ao assédio um tanto descomposto do adversário.
Mas, depois dessas modificações, o Verdão tomou conta do jogo, e chegou lá, com gols de Willians, que, ao celebrar excessivamente seu feito machucou-se e é dúvida para o próximo jogo, e de Keirrison, em bela trama iniciada por Cleiton Xavier, passando por Jefferson.
A propósito, é de uma crueldade, para não dizer estupidez, imensurável o que andam fazendo com o menino Keirrison, artilheiro do time na temporada, jogador de qualidades raras num centroavante de ofício, só porque o rapaz ficou alguns jogos sem marcar gols. Coincidentemente, jogos decisivos do Paulistão.
Estigmatizar um jogador de carreira tão curta e tão jovem é, no mínimo, uma estultícia, e, no máximo, sacanagem.
O fato é que o Palmeiras já deu seu primeiro passo certo no Brasileirão, mesmo com formação incerta de sua equipe.
INTER CONFIRMA
Como se esperava o Inter, um dos mais favoritos ao títulos de véspera, confirmou sua força ao bater o Corinthians, no Pacaembu.
É verdade que o Timão entrou em campo com um time recheado de reservas, e, mesmo assim comportou-se dignamente, sobretudo no segundo tempo, quando dominou a bola e os espaços e poderia até empatar, o que revela possuir elenco suficiente para encarar os dois fronts de batalha – o Brasileirão e a Copa do Brasil.
Valeu, porém, a alta técnica e a habilidade imensa de Nilmar, que, logo no início da partida, passou por cinco adversários antes de perpetrar o golaço da vitória colorada.
TRICOLORES, 1 A 0
Venceu o Tricolor carioca, com um gol, logo de cara, de Maurício – disparo bem colocado no ângulo esquerdo de Bosco de fora da área.
Mas, foi praticamente só isso, ao longo de toda a partida, em que o São Paulo surpreendeu pela falta de competitividade, sua principal, senão única, qualidade recente.
Sim, porque depois de dez, quinze dias, apenas treinando e descansando, desde a sua eliminação nas semifinais do Paulistão e do último confronto na Libertadores, era de se esperar um Tricolor paulista nos trinques.
Ao contrário, jogou como se estivesse exausto por duras e seguidas refregas.
Na verdade, ambos têm de melhorar muito para chegar onde pretendem.
QUEM TEM RAMIRES…
No Mineirão, dizem, o jogo estava renhido, embora o Cruzeiro vencesse o Fla por 1 a 0, quando Ramires escapou pela esquerda, cortou um e bateu rasteiro no canto. E assim a Raposa, uma das mais cotadas do torneio, estréia vencendo outro favorito. O que não parece nada agora vai refletir – e muito – lá na frente.
Por fim, o Santos foi ao Olímpico e arrancou um empatezinho maneiro do Grêmio, outro em alta cotação no mercado da bola, com gol de falta de Molina, depois do de abertura de Rever.
Mesmo porque o Grêmio foi melhor quase o tempo todo.
AH, BARÇA…
Ah, Barça… Estava com as duas mãos na taça espanhola, com 3 a 1 sobre o Villareal, fora o baile. Basta dizer que, só no primeiro tempo, já havia desperdiçado cinco chances de ouro para ampliar o placar. Sem falar no pênalti em Daniel Alves que o juiz não deu e no gol de Xavi injustamente anulado.
Pois, não é que, em duas lambanças da defesa do Barça, o Villareal chega ao empate, no finalzinho? Castigo imerecido.
DIABOS, QUASE LÁ
Na Inglaterra, onde rola a bola mais redondinha do mundo na atualidade, o Manchester United meteu 2 a 0 no City com direito a duas bolas extras nas traves projetadas por Tevez, autor de um dos dois gols (o outro, de Cristiano Ronaldo, de falta).
O mesmo Cristiano Ronaldo que produziu a nota dissonante da partida, ao sair de campo, substituído por Schoel, chutando o pau da barraca. Nem mesmo o desejo de consolidar sua posição de artilheiro do campeonato justificaria tal atitude intempestiva, neste momento tão delicado da equipe, às vésperas de levantar dois títulos vitais – o da Liga da Inglaterra e o da Liga dos Campeões da Europa.
Por fim, no clássico entre Arsenal e Chelsea, uma inesperada goleada dos azuis por 4 a 1. Inesperada porque o Arsenal, naquele seu toque-toque proverbial, era dono do campo até que o nosso becão Alex, de cabeça, abrisse o placar. Depois, só deu Chelsea. E a goleada foi apenas uma natural decorrência essa superioridade.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Futebol internacional
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05/05/2009 - 23:53
O Leão Encantado entrou na arena farejando o campo minado, e, em vez de atacar sua presa no Palestra Itália, preferiu proteger-se apenas, guardando energias para a ronda seguinte, a se travar no seu próprio covil, a Ilha do Recife, onde é rei.
Assim, coube ao Verdão atirar-se à luta. E, logo, Keirrison meteu uma bola na trave, meta aberta. O mesmo K-9 bate a média distância e a bola passa raspando. Por fim, sofre pênalti de César, que o juiz não deu. A soma desses três lances emblemáticos do primeiro tempo, por certo. haveria de tocar os nervos do Palmeiras no segundo tempo.
Afinal o Palmeiras foi dono da bola e dos espaços, mas não conseguira converter essa supremacia em gols. Mesmo processo que se densenvolveria na etapa final, quando os dois treinadores executaram várias trocas de jogadores. Dentre elas, as entradas de Ortigoza e de Mozart nos lugares de Marquinhos e Willians. E Ortigoza, de imediato, deu sinais de que estava ungido, ao penetrar por entre a bem sincronizada zaga do Sport, numa incursão perigosa, embora frustrada.
Mas, o jogo todo haveria de se resumir naquele lance, aos 30 minutos do tempo final, em que Hamilton derruba Ortigoza lá na intermediária, próxima à lateral direita do ataque palestrino, recebe o segundo amarelo e é expulso.

Cleiton Xavier, o melhor em campo, bate forte, bola que Ortigoza desvia levemente de cabeça: 1 a 0. Pouco, para o volume de jogo do Palmeiras e, sobretudo, para o que o espera na Ilha do Retiro. mas, justo, pelo empenho e a eficácia do Sport na defesa, ainda que, antes do apito final, mais uma no poste, desta vez, em cruzamento de Mozart para Diego Souza, de cabeça, acertar o pé do poste esquerdo de Magrão.
Bom, para o Palmeiras, mas nada trágico para o Sport, pois este foi apenas o primeiro passo.
DIABOS, FÁCIL
Em onze minutos, os Diabos Vermelhos, que já tinham a vantagem do 1 a 0 no jogo de Old Trafford, venciam o Arsenal, no Emirates, por 2 a 0, gols de Park e de Cristiano Ronaldo. No primeiro, passe de Anderson para Cristiano na esquerda que cruzou para o coreano aproveitar-se do escorregão de Gibbs na área. No segundo, Cristiano disparou falta recebida por ele mesmo, na intermediária, quase lateral-direita, que Almunia, o goleiraço espanhol do Arsenal aceitou, ao chegar tarde na bola.
Assim, logo de cara o jogo já estava decidido, e o Manchester United nem teve de sair lá de trás, contrariando sua vocação, para manter a classificação à final da Liga dos Campeões da Europa.
E, mais: num contragolpe rápido, Cristiano aumentou para 3 a 0, placar reduzido no fim por Van Persie em cobrança de pênalti.
Agora, é esperar pelo vencedor de Barça e Chelsea para disputar em Roma a taça.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Futebol internacional, Libertadores
Tags: Arsenal, Libertadores, Liga dos CAmpeões, Manchester United, Palmeiras, Sport
02/05/2009 - 17:55
Bem, este é o domingo tenso, aquele em que se decidem alguns dos principais estaduais brasileiros.
No Pacaembu, o Corinthians recebe o Santos com a vantagem de três gols, o maior entrosamento de sua equipe e… Ronaldo. Não é pouco, se a isso tudo acrescentarmos a Fiel flamante, disposta a celebrar um título paulista invicto.
Mas, o Timão não terá Chicão, seu melhor beque e artilheiro da equipe. E o Santos poderá contar com Rodrigo Souto, se não o melhor volante do campeonato, um deles.
Jogador por jogador, a superioridade corintiana nem é tanta quanto sugere as campanhas de ambos no torneio. Talvez, ganhe mais nas opções. Mas, está mais ajustado, pelo tempo, e isso sempre conta.
Contudo, o Santos é bem capaz de surpreender. Não sei se o suficiente para virar o jogo do campeonato, mas o suficiente para ganhar essa partida.
NO RIO
Tirei o domingo para descansar/ Mas, não descansei, que louco fui eu/ Regressei do futebol/ Todo queimado de sol/ o Flamengo perdeu pro Botafogo/ Meu patrão é vascaíno e de mIm vai gozar (…)/ Zizinho passa a Pirilo, Pirilo serve a Nandinho, que preparou pra chutar…/ Aí, o juiz apitou tempo regulamentar/ Que azar!
Esses versos são de um samba antológico, o rubro-negro Wilson Batista, gênio da raça, uma das raras gravações de Vassourinha, que morreu aos 21 anos de idade no início dos anos 40, e que forma com Luís Barbosa, Cyro Monteiro, Dilermando Pinheiro e Roberto Silva (Moreira da Silva é outro departamento) o quarteto de ases do chamado samba liso ou sincopado, gênero extinto pela falta de bossa de seus eventuais sucessores.
Mas, nem de longe significam uma profecia para o que vai acontecer neste domingo no Maracanã. Afinal, o Flamengo segue sendo um time tão forte como o Botafogo, embora este tenha cumprido melhor campanha ao longo das duas taças cariocas.
Sucede que o Bota acaba de perder dois de seus jogadores essenciais de frente: Maicosuel e Reinaldo. É muito. Mas, como o Fla sofre de esterilidade crônica em seu ataque, tudo é possível. Quem sabe, um bocejante zero a zero, que levará a decisão aos pênaltis, no fim.
EM MINAS
Em Minas, a vantagem do Cruzeiro é avassaladora. Não apenas pelos 5 a 0 no primeiro jogo da decisão, mas, sobretudo, porque esse placar refletiu a superioridade da Raposa sobre o Galo.
Clássico é clássico. E esse é um dos históricos do futebol brasileiro. Portanto, o Galo, apesar de tudo, pode se superar. Mas, duvido que o suficiente para tirar essa vantagem.
QUE É ISSO, BARÇA!
Até que no início um dos maiores clássicos do planeta foi uma vertigem, lá e cá. Duas chances claras pra cada lado, até que o Real ousou abrir a contagem com Higuain, de cabeça, em cruzamento de Sérgio Ramos – que, no segundo tempo, marcaria o seu -, em troca de passe com Robben, o único a se salvar no Real, além do goleiro Casillas.
Foi o estopim para o Barça detonar o seu toque de bola hipnótico, e botar o Real na roda: em seis minutos, já havia virado a partida para 2 a 1, com Henry e Puyol.
A partir daí, foi um show de Messi sobre uma defesa merengue que se liquefazia a cada ataque catalão. E, depois uma série de gols perdidos, Messi ampliou para 3 a 1, prenúncio da goleada histórica por 6 a 2, em pleno Santiago Bernabéu, campo do Real, com mais dois de Henry, outro de Messi e a pá de cal com o zagueiro Piqué.
Foi um baile silencioso como se os craques do Barça estivessem praticando a Sardana, aquela dança arcana que os catalães repete religiosamente todas as manhãs de domingo diante da Catedral Gótica de Barcelona, um ritual tão antigo quanto a origem de sua refinada civilização.
NA VELHA ALBIÓN
E, lá, na Velha Albión, Manchester e Arsenal livraram-se facilmente de seus respectivos adversários – Middelsbrough e Portsmouth: 2 a 0 e 3 a 0. Ambos, por sinal, muito desfalcados. O Manchester, poupando boa parte do time que enfrentará o Arsenal, pela Liga dos Campeões da Europa. O Arsenal, porque tem uma legião de contundidos.
Assim, os Diabos Vermelhos seguem firmes em direção à Liga da Inglaterra, um dos seus tantos objetivos na temporada.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonatos Estaduais, Futebol internacional
Tags: Arsenal, Atlético-MG, Barcelona, Botafogo, Chicão, Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Manchester United, Paulistão, Real Madrid, Santos
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