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05/11/2009 - 00:15

BOM PARA A ALMA TRICOLOR

Se no primeiro tempo o 1 a 1, gols de Rafael e Dagoberto, mais ou menos refletiu o equilíbrio das duas equipes, no segundo, as circunstâncias levaram o São Paulo a celebrar o empate como um grande feito.

Afinal, quando o juiz apitou o encerramento da partida, o Tricolor estava com oito jogadores contra onze. E nem mesmo levou um daqueles sufocos tradicionais – bolas nas traves e tal e cousa e lousa e maripousa.

Assim, acabou sendo um placar até favorável ao Tricolor paulista, embora correndo o risco de perder a liderança para o Verdão, no fechamento da rodada, no fim-de- semana. Sobretudo, porque tudo isso serviu para forjar ainda mais a alma tricolor na disputa pelo título.

AMARELINHA QUE AMARELA

Os meninos da Argentina, alguns como Villalva e Araujo de primeira categoria, venciam, já no segundo tempo, por 2 a 0 a Colômbia, pelo Mundial de 17. Mas, a Colômbia, virou para 3 a 2, com merecimento e dando de lambuja um pênalti convertido e anulado pelo juiz, sob a alegação de que houve invasão.

Confesso que espiei bem o lance e não vi a tal da invasão, antes da cobrança do pênalti.

Aproveito, então, para mandar um recadinho ao meu chapa, grande repórter e âncora da Jovem Pan, Wanderley Nogueira, detrator contumaz dos nossos meninos em favor dos hermanos: pelo visto, a camisa amarela da Colômbia bastou para amarelar os nossos irmãos do sul, como tem acontecido há anos entre os marmanjos.

ALÁ, MEU BOM ALÁ!

O Barça, no seu toque-toque, não conseguiu varar a retranca absoluta do Rubin Kazan, pela Liga dos Campeões.

O técnico adversário montou um ferrolho com onze dentro da sua grande área, e, lá na frente, apenas Alá e Maomé, Seu Profeta, invocados sempre pelo rosário entrelaçados nos dedos. A coisa, com todo respeito, deve funcionar, pois o Barça, apesar do domínio absurdo de bola, coisa de 90 por cento, meteu uma bola no poste, com Ibrahimovic, e desperdiçou, por baixo, mais umas quatro oportunidades claras de abrir a contagem, que se fechou até o final.

Em contrapartida, o Arsenal, a versão inglesa do Barça sem o mesmo resultado, goleou o holandês AZ, em casa, numa exibição de gala de Fabregas, volante que vira meia e vira artilheiro assim como quem está tomando um copo d’água.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Futebol internacional Tags: , , , , , ,
14/10/2009 - 21:48

SEM FESTA, NEM CHORO

Não foi a festa que Campo Grande esperava, mas também não foi nenhuma tragédia, esse empate sem gols do Brasil com a Venezuela, no estádio Morenão.

Em outros tempos, um placar desses, em qualquer campo, seria tratado como mácula indelével na alma do futebol brasileiro. Mas, hoje em dia, com o evidente progresso da Venezuela dentro das quatro linhas, sem, contudo, atingir um patamar superior no palco sul-americano, acaba sendo até aceitável, nas circunstâncias em que ocorreu; o Brasil classificado com folga e tal e cousa e lousa e maripousa.

Mas, nem é por isso. É, sobretudo, porque, depois de um primeiro tempo deplorável, a nossa Seleção praticou um bom jogo, no segundo, principalmente a partir da expulsão (justa) de Miranda, que deixou o braço no rosto do adversário, por mais incoerente que isso possa parecer.

O fato é que passamos o tempo restante no campo inimigo, metemos duas bolas no poste venezuelano, em cabeceio de Gilberto Silva e colocada de Kaká, e pudemos ver alguns sinais muito positivos emitidos por Alex e Diego Tardelli, nos poucos minutos em que estiveram em ação.

Alex, sobretudo, pois entrou na lateral-esquerda, no lugar de Felipe Luís, que estreou muito timidamente.

Pena que ambos não tivessem entrado desde o início, já que são raras as chances de Dunga observar alguém além da turma já testada desde o início de sue trabalho.

Mas, enfim, vamos em frente.

FESTA DE MARADONA

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Festa mesmo quem fez foi Maradona e seus parceiros, depois da agoniada classificação para a Copa do Mundo, quando a Argentina bateu o Uruguai, em pleno estádio Centenário, por 1 0, gol de Bolatti, no finzinho da partida.

O jogo foi tecnicamente muito fraco. Mas, não se poderia esperar o contrário, naquele clima tenso criado antes da partida. Todos – argentinos e paraguaios, técnicos, torcidas, até a bola – estavam com o coração na boca. Todos, menos um: Verón, que, com talento e ciência, deu o tom de sua equipe, suprindo inclusive a falta de harmonia habitual do time de Maradona.

É nesses momentos que o craque revela sua real grandeza.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Seleção Brasileira Tags: , , ,
10/09/2009 - 19:29

DUNGA NO RUMO CERTO

Depois do jogo, Cleiton Xavier confidenciou que Dunga garantiu a ele e a Diego Souza que ambos ainda terão chance para provar seu valor na Seleção. Só isso basta para mostrar que Dunga está no caminho certo.

Apesar de todos os feitos recentes do atual elenco, o técnico brasileiro não está adotando aquela postura tacanha, na base de o grupo está fechado e é com esse que eu vou, até cair no chão, lembrando a velha marchinha-de-carnaval.

Mesmo porque a Copa é um torneio de tiro curto, mata-mata, em que os jogadores devem estar nos trinques, naquele exato momento, nem antes, nem depois.
O passado de cada um conta e muito, claro.

Mas, não é tudo nesse caso.

Ora, se esse mesmo elenco que nos deu Copa América, Copa das Confederações e a classificação para o Mundial com antecipação inédita estiver em plena forma às vésperas da convocação final, tudo bem. Mas, até lá, quem sabe?

Ainda assim, acho que Dunga desconfia que está faltando um retoque final nesse grupo: um reserva para Kaká, com perfil técnico mais próximo do titular do que Júlio Baptista, e um outro meia, mais de armação, para compensar a presença de tantos volantes. Pouca coisa, mas fundamental.

DANIEL ALVES

Esse foi o trunfo que Dunga tirou da manga, na hora H, repetindo, aliás, experi~encia por ele mesmo já feita tempos atrás.

Na verdade, Daniel Alves, de todo o elenco que estava na Bahia é o que tem o melhor talhe físico e técnico para atuar por ali, uma espécie de meia aberto mais pela direita: é veloz, sabe receber a bola de costas e fazer o giro rápido, cruza bem e tem um disparo potente e bem direcionado a gol, além de muita resistência e aplicação.

Não é à toa que ainda outro dia foi selecionado como um dos cinco jogadores do Barça candidatos ao título de melhor da Europa, empalmado por Messi, claro.

O fato é que deu uma boa dinâmica ao setor, em combinação com Maicon, lembrando as experiências feitas por Claudio Coutinho há mais e três décadas, com o seu célebre overlaping (ultrapassagem), com Nelinho e Toninho Baiano, dois laterais revezando-se ali pelo lado direito da defesa e do ataque.

Errou muitos passes, é verdade. Fruto justamente da velocidade com que pretende resolver a jogada, uma postura mais intuitiva do que cerebral. Mas, nada que prejudicasse demais sua atuação.

Sucede que temos opções melhores, mais bem dotadas de técnica e habilidade, para esse setor específico. E é nisso que Dunga deve se deter daqui pra diante.

Ali, na função de meia, Daniel será sempre uma alternativa, nunca uma solução definitiva e programada.

A ARGENTINA VAI?

Bem, pelo que tem jogdo o time de Maradona… Apesar de contar com um seleto grupo de jogadores (Zanetti, Verón, Mascherano, Messi, Aguero, Tevez e Dátolo, por exemplo), os argentinos são uma banda de rock em que cada um desafina mais à medida em que o conjunto se esgarça na absoluta falta de uma pauta geral.

Mas, creio ainda que consegue chegar em quinto, o que lhe seria até muito conveniente com vistas à Copa. Caindo na repescagem, haverá tempo e juízo para a AFA redirecionar seus planos: cai Maradona, entra alguém que consiga infundir mais confiança a esse elenco evidentemente humilhado e sem um pingo de auto-confiança e que lhe confira um conceito tático básico, ao menos.

Se isso acontecer, a Argentina até pode chegar à Copa, e, lá, supreender os que a consideram carta fora do baralho.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Seleção Brasileira Tags: , , , , ,
10/09/2009 - 00:18

NILMAR, TRÊS VEZES NILMAR

Essa Seleção do Dunga está mesmo encantada: desfalcada de meio time e jogando praticamente todo o segundo tempo com um a menos, já que em noite aziaga Felipe Melo foi expulso, mesmo assim, meteu 4 a 2 no Chile.

E chegou a esse placar depois de ter levado o implausível empate quando vencia fácil por 2 a 0. Graças às mudanças feitas por Dunga e, sobretudo, à vocação de artilheiro de Nilmar, três vezes Nilmar, o nome do jogo. Que, diga-se não marcou só (só?) três gols, mas jogou muito bem o tempo todo, nas horas boas e nas más, principalmente.

Dos três que entraram no decorrer da partida – Sandro, Elano e Diego Tardelli -, Elano deu o centro que resultou no quarto gol brasileiro, Sandro cimentou a cabeça de área que começava a se esgarçar, e Diego Tardelli parecia ter saído do chuveiro e caído no pagode, de calções e toalha no pescoço.

Movimentou-se com leveza lá na frente, e, sempre que a bola chegava a seus pés, algo de diferente acontecia. Gostaria muito de ver um jogo inteiro essa dupla – Nilmar e Tardelli – com a camisa brasileira. No mínimo, seria divertido.

PELAS OROPA

A Iglaterra ingressou na Copa da Áftrica do Sul com uma goleada histórica sobre a Croácia: 5 a 1, dois de Lampard, dois de Gerrard e um de Rooney, as três estrelas do time. Mas, quem abriu o caminho para a vitória espetacular foi o garoto Lennon, um cabrochinho desses bem brasileiros, espertos, driblador, veloz, que fez o diabo pela direita: sofreu o pênalti que deu origem à abertura de contagem; fez assistências para outros dois e tal e cousa e lousa e maripousa.

E olhe que a Croácia não é nenhum San Marino, Luxemburgo ou Ilhas Faore, nada disso. É um dos centros mais evoluídos do futebol europeu, desmembramento da antiga Iugoslávia, praticante da mais lídima escola Danúbio de jogar bola.

A Espanha, também cumprindo cem por cento de campanha, bateu a Estônia por 3 a 0, em bela performance de Fabregas, e assegurou sua ida à África do Sul, juntando-se até agora à Holanda, que bateu a Escócia por 1 a 0, já classificada, e à Inglaterra.

Como a Itália, vencedora do embate com a Bulgária por 2 a 0, caminha na mesma direção, assim como a Alemanha, que goleou o Azerbajião por 4 a 0, a Europa colocará nos campos africanos sua linha de frente. Falta apenas a França, que empatou com a Sérvia por 1 a 1 e periga em seu grupo.

Mas, a verdade é que a França parece viver de seus craques excepcionais e sazonais: Kopa, nos anos 50, Platini, nos 70/80, e Zidane, na fase mais gloriosa dos azuis.

E LOS HERMANOS…

Só no primeiro tempo, o Paraguai já havia metido duas bolas nas traves do goleiro Romero e outra, nas redes. De resto, foi uma lamentável exibição dos argentinos, mais uma, sob o comando (ou seria desorientação?) de Maradona.

Pois, nem mesmo o meio de campo e o ataque, compostos por jogadores de alto nível, conseguiam armar sequer uma jogada de perigo real e talento compatível.

Choro por ti, Argentina, lágrimas tangueras e sinceras.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Copa do Mundo, Futebol internacional, Seleção Brasileira Tags: , , , , , , , ,
06/09/2009 - 00:27

SANTA RETRANCA!

Congelei na tela da tv o close de Maradona: os traços e a expressão lembravam uma daquelas máscaras mortuárias dos nativos andinos feitas para rituais mágicos e de sacrifício.

Exangue, pois toda sua energia se voltara para as vésperas do grande jogo, fatal para os argentinos: promoveu uma guerra psicológica contra os brasileiros, reuniu sua tropa, infundiu-lhes vigor pátrio, desafiou-os a entregar seus corações nessa partida, levou-os à igreja, fê-los ajoelhar-se aos pés da Cruz, acendeu uma vela a San Gená, conduziu Brasil e Argentina para o campo de Rorsário, onde a pressão seria maior do que no estádio de Nuñes, dançou um tango e jogou uma flor à estrela da manhã, nas suas primeiras cintilações.

Só não cuidou de dar um mínimo de segurança à sua defesa, que geme ao mais leve toque do adversário.

Resultado: 3 a 1 para o Brasil, que nada fez para tanto, a não ser defender-se com precisão quase cirúrgica, enquanto os argentinos tomavam conta da bola de cabo a rabo da partida, sem, contudo, conseguirem levá-la à meta adversária. E, nas raras vezes em que o conseguiram, lá estava Júlio César, um paredão.

Sim, houve uma pálida oportunidade que deu certo – um disparo longo e certeiro de Datolo, no ângulo esquerdo de Júlio César. Mas, aí, la vaquita já se embrenhara no brejo até o pescoço.

Pois, o Brasil, ainda no primeiro tempo, em duas pontadas obtivera seus dois gols, em jogadas nascidas de cobranças de faltas por Elano. Na primeira, Luisão surge só e lampeiro para meter de cabeça. Na segunda, a bola espirra na barreira, cai nos pés de Kaká, na esquerda, que centra rasteiro, e, pebolim!, Luís Fabiano, livre e solto, empurra para as redes vazias.

E, para maiores pecados de Maradona e cia., os argentinos sequer tiveram tempo de celebrar aquele gol de Datolo, que prenunciava a virada épica, pois Kaká recebe na meia-direita, pela intermediária gringa, uma daquelas bolas solitárias que escapavam da nossas defesa, domina, mira e executa passe milimétrico para Luís Fabuloso tocar por cima do goleiro.

O amigo sabe que tenho a maior aversão por retrancas que enfeiam o jogo e enfumaçam o brilho de uma vitória. Mas, para tudo, há exceção. E a exceção foi essa retranca brasileira deste sábado luminoso. Afinal, não se tratava de um jogo qualquer, nem mesmo apenas um dos tantos clássicos com nosso mais feroz adversário. Resumia em si toda a campanha de quase quatro anos de Dunga à frente da Seleção e a conquista, com antecipação inédita, da vaga à próxima Copa do Mundo.

Ali, naquela hora, diante de um adversário cuja potência ofensiva é notável, não havia espaço para nenhum outro pensamento a não ser fechar todos os espaços. Sobretudo, depois de ter aberto dois gols de vantagem.

Ora, somos o único futebol do planeta que nunca ficou fora de uma Copa do Mundo. E não seria agora que poríamos em risco mais essa láurea do brasileiro.

OS HERÓIS DO JOGO

Sem dúvida, Júlio César encabeça a lista dos heróis de Rosário, pelas três defesas sensacionais que praticou, duas, cara-a-cara.

Mas, ao seu lado, sem dúvida, Luisão, absolutamente imbatível, por baixo ou por cima. Além do mais, autor do gol que abriu caminho para a vitória. Pensando bem, passo Luisão para o topo da lista.

Seu parceiro, Lúcio, foi outro esteio, enquanto André Santos portou-se de forma tão magnífica, tanto defendendo como apoiando (muito menos do que habitualmente o faz, por força das circunstâncias), que dificilmente perderá a camisa titular para outro qualquer na Copa.

Por fim, Kaká, por ter estado na origem de dois gols e por ter sido o mais lúcido de nossos jogadores, embora longe de suas melhores atuações, o que é natural numa hora dessas. E Luís Fabiano, que, mesmo isolado pelo esquema e pela ausência de Robinho, cumpriu com louvor sua principal função. Ou seja, marcar gols, não um, que já seria de bom tamanho, mas, dois.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Seleção Brasileira, Sem categoria Tags: , , , , , , , ,
04/09/2009 - 19:03

BRASIL E ARGENTINA, HOMEM A HOMEM

Se o amigo me permite, brinquemos um pouco, na sala de espera do grande confronto, de cotejarmos as duas equipes, jogador por jogador, pois no plano tático antevê-se uma inversão de valores: os brasileiros jogando mais ao estilo argentino e vice-versa, meu endereço, como diria o saudoso Adonirã Barbosa.

Bem, goleiro, nem se discute: Júlio César é hoje, reconhecido pela imensa maioria dos observadores mundiais, como um dos três melhores do planeta, ao lado de Buffon e de Van der Sar, embora tenhamos ainda Cech e Casillas beirando o trio, sem falar nos nossos Marcão e Rogério Ceni, que, por não servirem à Seleção, ficam meio de escanteio nessas comparações.

O certo é que Andújar nem de longe roça esse grupo de elite.

Claro, pode fechar o gol e Júlio César tomar três perus, tudo é possível, mas improvável.

Na lateral-direita, Zanetti é mais experiente e técnico do que Maicon, uma força da natureza. Diria que se trata, talvez, do melhor na posição dentre os argentinos que vi jogar nas últimas seis décadas. Mas, já está em suave declínio, sem energia para fazer a dupla função que lhe cabe. Por isso, a presença de Heinze, mais beque do que lateral (uma espécie de Marcão do Palmeiras), do lado esquerdo, o que confere a Zanetti segurança para atacar mais do que defender.

Como lateral-esquerdo, porém, André Santos, ainda que tenteando na Seleção, é mais ativo e habilidoso com a bola nos pés.

Quanto à dupla de área, nem pensar: Lúcio e Luisão formam um dueto muito mais seguro, por cima e por baixo, do que Otamendi e… creiam, Sebá.

Mascherano supera Gilberto Silva pela vitalidade e até pela técnica, embora nosso primeiro volante compense em parte pela experiência.

Já o inverso se dá quanto ao cotejo entre Maxi Rodrigues e Felipe Mello. O brasileiro só não o supera em velocidade. De resto, ganha em todos os quesitos: força, técnica e habilidade.

Comparar Verón com Elano seria covardia. Não por culpa de eventuais defeitos de Elano, nada disso. É que o gringo joga muito, apesar da idade avançada. É daqueles volantes com o dom da antevisão dos meias: toca de primeira, lança, bate na bola com veneno e potência, enfim, um maestro do meio-de-campo. Resta saber se as pernas complementarão a complexidade de seus pensamentos durante a partida.

Kaká e Dátolo? Incomparável, em todos os sentidos: afora a qualidade técnica e o status de cada um no mundo futebol, Kaká joga por dentro, é destro e combina na medida exata armação e chegada para conclusão; Dátolo, canhoto, joga mais aberto pela esquerda e, embora hábil, não tem a mesma técnica do brasileiro.

Na frente, Messi, que acabou de ganhar o prêmio de melhor jogador da temporada europeia conferido pela Uefa, está jogando há um bom tempo muito mais do que Robinho, que parece ter estagnado no seu processo evolutivo como jogador.

Por fim, Luís Fabiano e Tevez, de estilos opostos – um, mais fixo na área; outro, movimentando-se e mordendo o tempo todo. No cumprimento do que lhes destina a função, Luís Fabiano tem sido mais eficiente do que Tevez. Mas, tecnicamente, ambos se equivalem.

Assim, se fossemos montar hoje um combinado Brasil-Argentina, voto pelo seguinte: Júlio César, Zanetti, Lúcio, Luisão e André Santos; Mascherano, Felipe Mello, Kaká e Verón; Messi e Luís Fabiano. Quanto deu aí? Sete a quatro para o Brasil.

Isso tudo, porém, além de ser muito subjetivo, no fim das contas, nada terá a ver com o que se desenrolará no campo de Rosário, onde os últimos podem ser os primeiros, e, nós, profetas do passado, como diz mestre Armando Nogueira, corremos o sério risco de quebrar a cara ali na esquina.

Agora, me permita o amigo ir mais longe nesse exercício, e tentar montar aqui uma seleção dos que vi jogar nessas duas seleções tão poderosas. Lá vai (e me abaixo para receber as pedradas inevitáveis): Amedeo Carrizzo; Carlos Alberto Torres, Ramos Delgado, Passarela e Nilton Santos; Nestor Pipo Rossi, Zizinho, Pelé e Maradona; Garrincha e Di Stefano.

Mas, são tantos gênios que ficaram de fora…

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Ex-jogadores, Seleção Brasileira Tags: ,
03/09/2009 - 17:14

NERVOS NO BICO DA CHUTEIRA

Essa é a grande chance de a bola rolar catita nas pés dos argentinos, já cansados de correr atrás dos brasileiros nas últimas décadas, em vão.

A inchada estará maciça apoiando seu time no campinho de Rosário, e, viva!, lá estarão Messi, Aguero, Tevez, Mascherano, o maestro Verón e tal e cousa e lousa e maripousa.

Depois dos disparos verbais contra nosso time, Maradona recolheu-se com sua turma ao silêncio do templo, aos pés da Cruz, na esperança de que os céus também colaborem para a vitória redentora.

Afinal, para os argentinos, esse é um jogo que pode levá-los ao paraíso ou ao inferno.

Já os brasileiros estão numa boa, praticamente classificados para a Copa, time escalado – o mesmo que se tem saído bem nas últimas exibições -, nenhuma dúvida atroz (apenas Juan parece não estar nos trinques), e nenhum problema maior à vista, a não ser o circo formado em torno do campo de treinamento em Teresópolis e a acidez habitual de Dunga em relação à mídia.

No plano emocional, portanto, o Brasil dá claros sinais de que está mais bem preparado do que a Argentina, que, pelas circunstâncias, se atirará ao jogo com os nervos na ponta das chuteiras, o que sempre se assemelha a uma faca de dois gumes: tanto pode levar o time a uma conquista épica, quanto afundá-lo no desespero, a partir do primeiro percalço, para usar uma expressão bem portenha.

E isso se reflete também no plano tático, o que sugere uma Argentina, desde o início, bem mais ofensiva do que o Brasil, sobretudo se Maradona escalar os três avantes – Messi, Aguero e Tevez -, como parece ser sua inclinação, com Verón armando por trás, ao lado de Mascherano.

Do meio de campo pra frente, uma potência!

Mas, atrás, Dios, que lástima…

E aqui entramos no plano técnico. Há muitos anos os argentinos deixaram de ser uma escola de goleiros de fazer inveja ao mundo. Basta dizer que o Carrizzo de hoje nem limparia as luvas do Carrizzo de ontem, o grande Amedeo.

A zaga, então, qualquer que seja a opção de Maradona, é de dar dó. Ainda mais se o técnico cumprir a ameaça de escalar Sebá, aquele mesmo que afundou o Corinthians algumas vezes nos
tempos de Kia e cia.

E, nós? Bem, nada de excepcional, claro, a não ser a presença ameaçadora de Adriano no banco, fantasma que os argentinos tentam exorcizar com todas as magias possíveis.

Pelo gosto e tradição de Dunga temos um time habituado ao contragolpe, com a velocidade de Kaká e de Robinho e a agudeza de Luís Fabiano. Se jogar Ramires, acrescente mais um a esse grupo seleto de contragolpistas.

Logo, grandes são nossas chances de voltarmos de Rosário com um sorriso iluminado no rosto.
Um sorriso em que haverá de cintilar uma centelha de malícia, como aquele que se expressava nos lábios argentinos em décadas passadas, quando éramos freguês de caderneta deles.

INTER, TIMÃO ETC.

O Inter, ao bater, com olé e tudo, o Galo, por 3 a 0, e o Timão, que virou na raça o clássico com o Santos, estão na fita. O Inter, campeão virtual do primeiro turno, a um ponto do Palmeiras, e o Corinthians, roçando o G-4.

Juntam-se, pois ao líder Palmeiras, ao Goiás e ao São Paulo na luta direta pelo título. Mais o Inter, claro, do que o Timão, que precisará de uma arrancada prodigiosa para chegar lá em cima, o que parece improvável mas não impossível.

Possível, porque o Corinthians tem alguns trunfos na manga: a volta de Ronaldo Fenômeno e de vários outros titulares, mais as inserções de Marcelo Matos e de Defederico, recém contratados.

Mas, se espiarmos a tabela, veremos que o Palmeiras, provavelmente já com Love no ataque, periga disparar na liderança, já que recebe em casa o Barueri, Jogo duro, mas palatável.

Em contrapartida, o São Paulo pega o Cruzeiro no Mineirão, e o Inter terá de ir a Florianópolis enfrentar o Avaí, sequioso de recuperar a pose perdida outro dia.

Enquanto isso, o Corinthians ficará treinando até a próxima quarta, quando terá de encarar o Coritiba, de Marcelinho Paraíba, na casa do inimigo.

É uma vantagem significativa, convenhamos, num torneio tão parelho, e de calendário tão avaro no tempo de treinamentos.

De qualquer forma, no quadro atual, Palmeiras, Inter e São Paulo, principalmente pela tradição, seguem sendo os maiores favoritos. Quanto ao Goiás, resta recuperar aquele jogo envolvente e agudo que lhe deu tão honrosa classificação até agora.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Copa do Mundo, Seleção Brasileira Tags: , , , , , ,
20/08/2009 - 17:26

A VOLTA DO IMPERADOR

Eis o Imperador de volta à seleção de Dunga, com todos os louros. Afinal, Adriano voltou bem (ainda em que longe de sua forma física ideal) ao Flamengo e  está cumprindo à risca sua função básica: marcar gols.

Mesmo porque Adriano paira sobre os nervos argentinos, nossos próximos adversários, como uma assombração, por todos os sobressaltos que já causou a los hermanos, nos últimos tempos.

É um atacante experiente, embora jovem ainda, que só não se manteve no topo das celebridades do futebol por conta de sua personalidade ciclotímica, digamos. Como parece atravessar no Flamengo uma fase de bem-estar com a vida, por certo, será de grande valia para a seleção, ainda que apenas uma arma a ser sacada do banco na hora H por Dunga.

Quanto ao resto, lastimo, como sempre, a ausência de, pelo menos, mais dois meias de ofício, além de Kaká, o único dessa estirpe relacionado na última lista.

Há um excesso de volantes (ou, se preferirem, jogadores de muita força e habilidade convencional) e uma escassez de meias. No mínimo, um Cleiton Xavier, um Wagner (ex-Cruzeiro), um Alex (ex-Inter), um Diego, alguém com esse perfil, enfim, mereceria ser chamado.

Pois, se precisar de um jogador desse tipo, o técnico não o terá no banco, o que é, no mínimo, uma imprevidência.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Seleção Brasileira Tags: , , , , , , ,
01/04/2009 - 19:03

HERMANOS, UI!

Que biaba, meu Deus! Coisa de derrubar Maradona e Messi do mesmo altar, num piparote: 6 a 1 para a Bolívia, placar que um historiador futuro, distraído, trocará de mão, por certo.

Claro, a altitude deve ter influenciado e muito. Digamos que a altitude marcou três gols. Mas, o resto foi obra exlcusiva dos bolivianos e da frágil defesa argentina, calcanhar de Aquiles desse time há muito tempo.

Intrigante, pois os argentinos foram, durante décadas e décadas, mestres na produção de grandes goleiros (Vacca, Amedeo Carrizzo – não confundir com o seu homônimo atual -, Roma, Cejas, Fillol, o nosso Poy etc.) e zagueiros de altíssimo nível, como Salomón, Delacha, Ramos Delgado, Perfumo, Passarella e tantos outros.

Mas, de uns tempos pra cá, têm sido um fracasso absoluto nessa grande área.

De qualquer forma, nada justifica um placar tão amplo, a não ser o prosaico fato de que o deus Maradona não foi capaz de dar o devido conjunto à equipe alvi-celeste. Nem mesmo quando a Argentina goleou a frágil Venezuela em Buenos Aires, outro dia. Ganhou aquela, sim, com folga, mas em nenhum momento seu jogo coletivo convenceu.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Futebol internacional Tags: , , ,
19/03/2009 - 18:57

MÁRIO E OS DEUSES DO FUTEBOL

Estava aqui, no meu doce auto-exílio da caverna de Ibiúna, relendo Os Filhos da Candinha, coletânea de crônicas de Mário de Andrade, Pai do Modernismo, para desgosto do magnífico escritor e cronista Carlos Heitor Cony, que, por força de seu carioquismo-anti-paulista, considera que a literatura brasileira só avançou depois de ter tomado o suco de caju, com garapa e água de coco, batido por Zé Lins do Rego, Rachel de Queiroz, Jorge Amado etc., quando deparo como suelto intitulado Brasil e Argentina.

Mário descreve, então, um jogo entre Brasil e Argentina. Pela Copa Roca, em 1939, em São  Januário, período em que o autor de Macunaíma, a eterna rapsódia sobre o caráter do brasileiro, viveu no Rio.

Eram tempos em que os argentinos viviam nos dando sovas homéricas. E não ficou por menos, nesse jogo: 5 a 1, com dois gols de Moreno, que, até o aparecimento de Maradona e o desaparecimento das testemunhas do meia do River, era considerado o maior jogador argentino de sempre.

E olhe que lá estavam, entre os brasileiros, alguns dos monstros sagrados do nosso futebol, como Domingos da Guia, o Divino, Leônidas, Tim, Romeu etc.

Mas, o que nos interessa é o seguinte. Mário, que na crônica havia sentido a fisgada de um amigo urugaio pró-Argentina, de repente, compara os dois times a um trator massacrando beija-flores. O trator eram os argentinos; os beja-flores, os brasileiros.

E encerra sua crônica assim:

Era Minerva dando palmada num Dionísio adolescente e já completamente embriagado. Mas, que razões Dionísio inventava para justificar sua bebedice, ninguém pode imaginar! Havia umas rasteiras sutis, uns jeitos sambísticos de enganar, tantas esperanças davam aqueles volteios rapidíssimos, uma coisa radiosa, pânica, cheia das mais sublimes promessas! E, até o fim, não parou de prometer… Minerva, porém, ia chegando com jeito, com uma segurança infalível, baça, vulgar, sem oratória nem lirismo, e, juque!, fazia gol.”

Minerva, a deusa da sabedoria, era o time argentino daqueles tempos; Dionísio, o deus da criatividade e da esbórinia, éramos nós.

Ah, sim, no jogo seguinte, o Brasil meteu 3 a 2 na Argentina, com aquele pênalti célebre de Perácio cobrado sem goleiro, pois os argentinos abandonaram o jogo.

O  certo é que, passados setenta anos desse evento, nem os argentinos não são mais Minerva, nem os brasileiros, Dionísio. Simplesmente, o Olimpo se dissipou na névoa do passado, e todos somos igualmente meros e insípidos mortais, com uma ou outra exceção.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Ex-jogadores, Seleção Brasileira Tags: , , , , , , , , ,
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