08/10/2009 - 14:52
Pode até parecer uma cilada do destino: no instante em que o técnico Dunga pode dar o arremate final no elenco que irá à Copa, o jogo é lá nas alturas de La Paz.
Quer dizer: se Dunga decidir aplicar um teste decisivo com alguns dos recém convocados, tipo Sandro, Alex, Diego Tardelli, Diego Souza etc., terá de fazê-lo numa situação atípica, em que os testados já entrarão em campo sob o peso dos efeitos da altitude.
Mas, talvez, esse também venha a ser um teste a mais, quem sabe?
Mesmo porque, na Copa, teremos de enfrentar esse problema da altitude, nunca, claro, como em La Paz. Tanto, que a CBF se programa para levar a concentração brasileira, na fase pré-Copa, para alguma de nossas montanhas friorentas, mas, sem o empecilho do ruço de Teresópolis.
O fato é que Dunga terá de aproveitar o jogo de domingo contra a Bolívia e o de quarta contra a Venezuela para colocar em ação essa nova turminha que começou a orbitar na zona da convocação final.
Aliás, eu gostaria muito de ver, por exemplo, esta formação, do meio-de-campo pra frente: Sandro e Lucas; Kaká e Alex; Nilmar e Diego Tardelli. Ou qualquer coisa no gênero. Duvido que Dunga tenha tal ousadia. Não combina com seu perfil de um treinador que, antes de tudo, busca a segurança máxima. Portanto, não abriria mão de uma escalação já mais entrosada, mantendo a base e o esquema vitoriosos nesta sua jornada à frente do time nacional.
Pelo que se consegue vislumbrar através do ruço da Granja Comary, no máximo, o nosso técnico arriscaria uma experiência com o lateral-esquerdo Filipe no lugar de André Santos. E uma ou outra das alternativas supra citadas, no decorrer da partida.
Aliás, na verdade, quem acabará escalando nosso time para o jogo de La Paz será mesmo os departamento médico, os fisiologistas, de acordo com avaliação do poder de resistência à altitude de cada um dos componentes do elenco.
Uma pena.
Isso, porque há os que sucumbem só ao pensar nessa síndrome. E há os que nem estão aí com a tal de altitude, e jogam como se estivessem à beira-mar. Nesse negócio, entram não apenas o pulmão, mas, sobretudo, a cabeça e a alma.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Futebol internacional, Seleção Brasileira
Tags: altitude, Bolívia, Dunga, Seleção Brasileira
26/03/2009 - 18:40
Pois é: esse é o grande problema que nos espera em Quito – os efeitos nocivos da altitude para quem vem do nível do mar. Os basbaques de plantão tentam desprezar esse problema. Dizem que seria o mesmo que jogar em altas temperaturas, no Rio, no Nordeste, essas coisas. Não é. Nada tem a ver. Calor forte existe até na gélida Suécia.
A altitude, porém, atua sobre a oxigenação do sangue, diminuindo a quantidade de glóbulos vermelhos de quem sai do nível do mar. Mal que não atinge no sentido inverso, pra quem desce do morro. Ao contrário.
Mas, esse não é o único problema. Há que se levar em conta a velocidade da bola e, sobretudo, o time do Equador, que nos tem dado muito calor nos últimos tempos. E há, também, o caso Kaká-Ronaldinho Gaúcho.
Kaká fez seu primeiro teste ontem, em Teresópolis – algumas corridas balizadas por cones – e, mesmo aparentando não sentir dores no pé esquerdo machucado, segue sendo dúvida atroz para esse primeiro jogo do Brasil pelas Eliminatórias.
E, Ronaldinho Gaúcho, que ocupa seu lugar no time de Dunga, durante os quinze ou vinte minutos em que pudemos assistir o coletivo, esteve muito ausente, revelando que não está nos trinques, ainda que sem problemas de lesão.
Sua encrenca parece ser mesmo em parte, falta de preparo físico ideal, em parte, falta de força anímica.
E isso, sim, pode vir a representar um problemão para o nosso time, pois nesses dois, ou num ou noutro, repousa praticamente toda a criatividade do Brasil. Na melhor das hipóteses, se Robinho assumir sozinho essa tarefa, como ocorreu nos poucos minutos revelados do coletivo desta quinta, perderemos força ofensiva, que estaria resumida inteiramente a Luís Fabiano, autor de dois gols em Teresópolis, na vitória dos titulares sobre os reservas, por 3 a 2.
Mas, cada jogo é um jogo. E o negócio é mesmo esperar.
O ENIGMA DOS TRÊS
Finda a rodada do meio de semana do Paulistão, o Palmeiras segue líder, invicto. Isso, porque bateu o Bragantino, em casa, por 2 a 1, dois gols do paraguaio Ortigoza, que entrou no segundo tempo no lugar de um dos três beques (Jeci). Coincidência, não?
Assim como por mera coincidência o São Paulo, pela ausência de zagueiros suficientes para manter seu esquema em três, foi muito mais desenvolto, no segundo tempo, diante do Noroeste, em Bauru, e venceu por 2 a 0, mantendo-se no terceiro lugar, agora mais folgado, com os empates da Lusa e do Timão.
LUSA NA MÃO
E que empate esse da Lusa! Perdia até o finalzinho, quando Fabrício Carvalho empatou, de mão. E até poderia ter virado com gol de Edno, antes do apito final, que foi anulado pelo juiz.
DUAS VEZES RONALDO
Já o Corinthians, diante da Ponte, foi mais Ronaldo Fenômeno do que nunca. Ronaldo meteu uma, de cabeça, no poste, sofreu um pênalti (huuummm…) que converteu com categoria, marcou um golaço e deu um chute no beque adversário que merecia cartão vermelho.
Gordo ou magro, longe ou não de sua melhor forma física, até que (toc,toc) alguma lesão muscular o comprometa, a trajetória de Ronaldo no Corinthians será assim mesmo: média de, por baixo, um gol por partida. É pouco, meu?
O PEIXE, DE GANSO A NEYMAR
Por fim, o Santos, que enfiou 3 a 0 no Santo André, em mais uma grata exibição do menino Neymar, autor de um dos gols.
Vitória ainda mais valiosa por ter sido obtida diante de um dos mais próximos competidores à quarta vaga para as finais do Paulistão, time, aliás, que vem muito bem no campeonato.
Mais do que isso: o Santos mostrou um jogo equilibrado em todos os setores da equipe, defendendo-se bem, armando com ciência, graças à presença no meio de campo de outro menino da Vila, o Ganso de refinado passe e excelente postura.
Se conseguir passar por essa reta final, o Peixe ainda vai dar o que falar, creiam.
GRÊMIO, OLÉ!
Mais uma vez nestas Libertadores, o Grêmio domina o jogo de cabo a rabo, cria uma infinidade de chances de gol, e vence apertado.
Agora, foi com o Aurora, na Bolívia: 2 a 1, graças a um frango do goleiro, na cobrança de falta de Tcheco.
E, atenção, com um jogador a menos, pois Jonas, autor do primeiro gol, bonito, diga-se, foi expulso aos 41 minutos do primeiro tempo.
Bem, melhor vencer apertado criando muitas chances de gol, do que vencer apertado sem criar nada. Pelo menos, isso cria a expectativa de que, à hora em que o ataque acertar o pé, será uma glória só.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonatos Estaduais, Clubes brasileiros, Libertadores, Seleção Brasileira
Tags: altitude, Corinthians, Granja Comary, Grêmio, Kaká, Palmeiras, Portuguesa, Quito, Ronaldinho Gaúcho, Santo André, Santos, São Paulo, Teresópolis
05/02/2009 - 16:58
Madonna, mia! Nem as alturas conseguem derrubar esse Palestra encantado de início de temporada. Depois de meter 5 a 1 no Real, aqui, subiu o morro e venceu com categoria novamente, por 2 a 0, assegurando sua vaga para a fase que vale mesmo da Libertadores.
Um gol bem tramado, entre Keirrison e Cleiton Xavier, que mandou às redes, e outro de puro instinto e reflexos apurados: ao perceber que a zaga bobeou, o artilheiro infiltrou-se rapidamente e tocou no canto, com classe e esmero.
E é aqui que reside parte substancial do segredo do êxito inicial desse time: a presença de jogadores de refinada técnica e extrema eficiência em dois setores vitais de qualquer equipe: a armação de jogadas (Cleiton) e a finalização (Keirrison).
Ambos sabem jogar como poucos, são jovens, e, apesar de seus dotes individuais, sabem trabalhar em equipe. Claro que as chegadas de Armero e Edmílson, além da nova zaga, contribuíram para que ambos pudessem desenvolver seu melhor futebol.
Assim como o dedo de Luxemburgo serviu para dar o toque de coesão indispensável nesses casos.
Claro que o Palmeiras deverá oscilar como todos os outros, e que essa arrancada prodigiosa não garante desde já título algum.
Mas, já é um começo mais auspicioso do que jamais se poderia imaginar.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Libertadores
Tags: altitude, Palmeiras