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25/06/2009 - 18:06

UFA, GANHAMOS

Ufa! Não fosse aquela cobrança de falta magnífica de Daniel Alves, aos 41 minutos do segundo tempo, poderíamos estar amargando agora aquela tragédia singular de um raio cair em dois lugares ao mesmo tempo. Sim, porque não bastasse a desclassificação da Espanha pelos EUA, só faltava o Brasil cair diante da África do Sul.

E olhe que o jogo foi parelheiro, graças à marcação implacável dos africanos, sem, contudo, ser o suficiente para ter o maior domínio de bla, que ficou com o Brasil, por margem ínfima, diga-se.

Fecharam-se bem os sul-africanos de Joel Santana, mas também saíram para o jogo, e criaram algumas dificuldades para o Brasil, a quem faltou mais ousadia, no sentido de marcar o adversário já no campo contrário, onde a saída de bola deles era reticente.

Ao contrário: nossa seleção preferiu resguardar-se, voltando demais, e oferecendo campo ao inimigo, que foi e construiu um jogo bem mais interessante para ele.

E, nesse processo, dois jogadores de meio, aqueles que têm feito a diferença na Seleção Brasileira, no sistema de armação da equipe – Felipe Melo e Ramires -, não estavam inspirados no passe e nas arrancadas.

Logo, o Brasil ficou mais defensivo do que atacante. Mas, quando os sul-africanos chegaram encontraram o portão fechado por Júlio César, sempre impecável.

E, quando a situação estava abracadabrante, Dunga trocou o lateral-esquerdo André Santos, que vinha bem, apesar de uma ou duas falhas na marcação, por Daniel Alves. As alternativas eram outras tantas, até mais, teoricamente, produtivas, como as entradas de Nilmar ou Pato, por exemplo, no lugar de Gilberto Silva ou de Felipe Melo.

Deu certo, por outros caminhos.

Mas, enfim, estamos na final, diantedos EUA, repito, time raneta, complicado. Mas perfeitamente vencível.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Seleção Brasileira Tags: , ,
24/06/2009 - 18:09

BRASIL SÓ PERDE PARA SI MESMO

Milton Trajano

Claro, em futebol, tudo pode acontecer, até mesmo o Brasil ser surpreendido pela África do Sul, nesta quinta-feira. Vide Espanha.

Mesmo porque os africanos caminham nas nuvens com o time de Joel chegando à implausível semifinal da Copa das Confederações. Até o ancião símbolo da redenção sul-africana, Mandela, foi retirado do leito para abençoar a sua seleção. Tudo vale nessa hora.

Mas, a disparidade técnica e o acervo de conquistas de um e de outro é abissal.

Na verdade, ouso dizer que esse é um daqueles jogos que o Brasil só perde pra si mesmo. Ou para os deuses do futebol, esses cruéis fazedores de surpresas que tanto encantam o jogo da bola.

E, quando digo que o Brasil só pode perder para si mesmo é se nosso time se embotar diante da evidente retranca que Joel armará do outro lado. Mas, até para isso esse time retocado já em plena disputa da Copa das Confederações, tem uma saída: as laterais.

Pela direita, um Maicon, voando, com as asas duplas emprestadas pela presença do atilado e ágil Ramires. Pela esquerda, o potencial ofensivo de André Santos, ainda contido nos seus dois primeiros jogos pela Seleção, em combinação com a velocidade e o talento de Robinho.

Só é preciso não relaxar, nem se enervar.

ZEBRA NA ÁFRICA

Os espanhóis entraram em campo carregando na alma a taça da Europa, a série incrível de 35 jogos sem derrota e a justa fama de praticarem o futebol mais agradável de se ver no planeta. Mas, nem por isso rebolaram, firularam ou mesmo desprezaram os EUA, time infinitamente inferior, em termos técnicos e de conquistas.

Ao contrário: fizeram seu jogo – bola no chão, trocas constantes de bola, envolvimento etc. Não souberam, porém, burlar a firme retranca de um time metódico, aplicado, muito disciplinado taticamente, e extremamente objetivo, como costumam ser os americanos, em geral. Deram dois chutes a gol, e partiram para a final da Copa das Confederações com os 2 a 0, executados por Altidore, no primeiro tempo, e Dempsey, no segundo.

Dois gols, diga-se, com a generosa contribuição dos laterais espanhóis.

No primeiro, Capdevilla deixou-se enredar pelo movimento do atacante, e, no segundo, Sérgio Ramos, bola dominada à boca de sua meta, hesitou, permitindo a Dempsey o chute de surpresa.

Dois erros individuais, não coletivos, pois os espanhóis tiveram um domínio absoluto do jogo, e, com exceção desses lances fatais, não correram riscos maiores. Em contrapartida, criaram poucas chances de marcar – a maioria, conjurada pelo goleiro Howard – e se ressentiram demais da ausência de Iniesta, aquele meia capaz de, quando a coisa está difícil, tirar do bolso do colete a jogada inesperada e mortífera.

Enfim, os espanhóis, neste fúnebre momento, devem estar resgatando com seus botões a velha máxima: “No creo em brujas, pero que las hay, las hay”.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Futebol internacional, Seleção Brasileira Tags: , , , ,
14/06/2009 - 15:49

ALQUIMISTAS AO CONTRÁRIO

O imortal Olympicus, nosso saudoso Thomás Mazzoni, primeiro historiador do futebol brasileiro, costumava chamar os técnicos de alquimistas, porque tentavam impingir fórmulas mágicas num jogo de absoluta simplicidade, em toda a sua complexidade.

O alquimista, como o amigo sabe de cor e salteado, era aquele misto de charlatão e cientista empírico da Idade Média, que buscava a Pedra Filosofal, o toque divino para transformar qualquer elemento banal da natureza em ouro.

O técnico de futebol, porém, em geral, consegue o prodígio de transformar ouro em cascalho. Isto é: em nome do resultado (leia-se: segurar o emprego) desvirtua, corrompe, transfigura, desfigura, toda uma escola de jogar bola,  toda a tendência natural do jogador, chegando a banir, no nascedouro os craques eventuais.

Quando a África Negra descobriu o futebol, houve um cataclismo. De repente, Camarões, Nigéria, Costa do Marfim, Gana, entre outros, surpreenderam o mundo com um futebol lúdico, ofensivo, plástico. Era a semente de um novo futuro. Dizia-se, então, que, em médio prazo, os africanos saltariam ao proscênio do futebol, então sob o signo da uniformização e da previsibilidade.

Faltava-lhes, apenas, um pouco mais de senso tático. E foi aí que se deu a tragédia: mais uma vez o colonizador europeu e de outros centros futebolísticos mais avançados entrou em cena. Pencas de técnicos ingleses, iugoslavos, brasileiros etc, aportaram no continente negro.

E o que se vê, hoje, é o que se viu na abertura da Copa das Confederaçõe, no empate de zero a zero entre África do Sul e Iraque.

Na galera, um povo alegre, musical, cheio de ginga e mumunhas. No campo, uma África do Sul atada a um sistema rígido, castrador, defensivo, incapaz de meter um gol sequer num Iraque que era seu clone.

Que pena…

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Futebol internacional Tags: , ,
11/06/2009 - 00:34

AGORA, A ÁFRICA!

Prova de que o Brasil está evoluindo está nesses 2 a 1, de virada, sobre o Paraguai, no Recife: é só comparar a atuação de Júlio César contra o Uruguai com a deste jogo.

Lá, foi um dos maiores destaques do nosso time, se não o melhor. Aqui, praticamente só bateu tiro de meta. E até o gol que sofreu – desvio de Elano, na cobrança de falta por Cabañas – serve de emblema, pois a Seleção não se descontrolou e foi buscar o resultado.

Primeiro, com Robinho. Depois, com Nilmar. E olhe que o Paraguai é um time bem mais equilibrado do que a Celeste.

No primeiro, a jogada nasce de um corte de Felipe Mello (cada vez, melhor), que serve a Robinho. Robinho abre para Kaká, que cruza para Robinho brigar com o beque, e a bola sobra para Kleber, que passa a Kaká. Kaká cruza, para Danie, na direita, recolher e devolver na área, onde Robinho, no segundo pau, toca de esquerda para as redes.

Conte o amigo paciente quantas vezes o nome de Robinho aparece nessa descrição, e depois me diga se Robinho é isso e aquilo que dizem por aí. (Ah, sim, perdeu aquele gol feito, chutando por cima, cara a cara com o goleiro, e deixou de dar dois passes para Kaká em momentos decisivos).

No segundo, já aos 5 minutos do segundo tempo, Felipe Mello enfia uma bola prodigiosa para Nilmar, na área, tentar o passe de peito para Robinho; mas a bola rebate no beque e sobra para o centroavante colorado dar o toque final.

Por falar nisso, como foi Nilmar, nome tão clamado por esse Brasil afora há algum tempo? Diria que foi bem, extremamente prejudicado pela marcação sólida dos paraguaios, que não se retrancaram lá atrás, mas também não perdiam o foco em nenhum momento do jogo.

Apesar disso, fez o gol da vitória, lutou muito e deu alguns toques de alta classe.

Todavia, os que mais chamaram a atenção foram, novamente, Felipe Mello e Daniel Alves.

Felipe foi, longe, o mais ativo e eficiente dos nossos volantes, marcando e armando as jogadas de frente, com estilo. E Daniel Alves cumpriu exemplarmente a dupla função do verdadeiro lateral – marcou atrás e se atirou ao ataque sempre que possível, com proficiência.

Por fim, Dunga, que fez as substituições corretas ao longo da partida, com as entradas de Pato, Ramires e Kleberson, nos lugares de Nilmar, Elano e Robinho.

Pato merecia mostrar seu jogo e Nilmar já estava dando sinais de cansaço. Elano era o mais apagado do trio de volantes e Ramires está tinindo. E Kleberson entrou para reforçar o meio-de-campo, no finalzinho, quando o Paraguai poderia surpreender.

Agora, é partir para a Mãe África, atrás da taça dos campeões continentais, uma pequena Copa do Mundo, laboratório para o autêntico Mundial.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Seleção Brasileira Tags: , , , , , , ,
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