Publicidade

Posts com a Tag África do Sul

sexta-feira, 11 de junho de 2010 Copa do Mundo | 13:05

ROLA, JABULANI, ROLA!

Compartilhe: Twitter

Direto de Johanesburgo – A cidade amanheceu ensolarada, como de hábito nestes dias, com um vento mais ameno do que o de ontem, aço frio de mil punhais perfurando a grossa jaqueta comprada há dezesseis anos na Copa dos EUA com o emblema do NY Team.

Mas, o calor maior vem do som persistente e uníssono, num tom próximo ao de contralto, das vuvuzelas, essas cornetas africanas que são o encanto e o horror de Johanesburgo.

Ainda no jantar da véspera, num pub irlandês, cujo dono, ironicamente, é o português João, fui submetido a uma tortura tão insuportável que quase me declarei publicamente ser o cabo Anselmo em pessoa. Pra quem não sabe, cabo Anselmo foi o símbolo da traição da resistência à ditadura militar no Brasil.

Em duas mesas repletas de brancos e um japonês, os comensais se revezavam na arte de tirar sons de uma vuvuzela, que passava perdigotos de boca em boca, ao pé de meu ouvido, aos gritos e risadas histéricas.

Ao fundo, ou ainda mais alto, o som do show de abertura da Copa, um desfilar de cantores e cantoras internacionais, cuja estrela maior – Shakira – provocava estertores na moçada cada vez que aparecia com seus trejeitos e rebolados, numa versão mezzo sul-africana  da abominável Macarena de anos atrás, misturada com a dança do piu-piu do nosso inefável Gugu.

Ah, as vuvuzelas! Disse que são o encanto e o horror desta cidade aprazível. E cometo aqui uma confissão de culpa irremissível.

Outro dia, numa mesa do café do hotel, ouvi uma inconfidência de Lúcia, mulher do Veríssimo, mais que companheiro de outras viagens, mestre silencioso na arte das palavras: tramava a digna senhora uma falseta para o marido ilustre – dar de presente à netinha uma dessas vuvuzelas e instigá-la a acordar o vovô todas as manhãs, ao som mais irritante do mundo.

Em retribuição à gentileza que Lúcia me fizera dias antes, comprando-me um cosmético qualquer em suas andanças pela cidade, dei-lhe a tal vuvuzela. Ganhei dela um sorriso velhaco. Do Veríssimo, o silêncio eterno.

As cornetas, porém, continuam a soar, enquanto filas e mais filas de carros se encaminham lentamente para o estádio, onde África do Sul e México, finalmente, botam a bola da Copa, a famigerada  Jabulani, pra rolar.

E a Jabulani rola

O estádio é belíssimo, na sua arquitetura pneumática, inaugurada na Copa da Alemanha. E o show de abertura, de muito bom gosto, trocando os efeitos pirotécnicos de alta tecnologia por uma sucessão de danças e cantos nativos, estilizados, claro, pois tem de provocar uma leitura universal.

Afinal, a África do Sul é o país anfitrião, mas a Copa é do Mundo.

O mundo, porém, torcia pela África do Sul, não só pela simpatia irradiada por seu povo, por sua história, por essa figura singular de Mandela, cultuado aqui como um deus. Se deus não é, Mandela é uma lição eterna para todos os homens públicos, de qualquer fala, de qualquer cor, de qualquer canto do planeta. Pois, se não fosse tão especial no universo do poder, estaria agarrado ao trono até o último suspiro.

Jubilani rolando, no entanto, o México toma conta das ações, sob o comando de Giovanni dos Santos, brasileirinho mexicano de nascimento, filho de Zizinho (não confundir com o Mestre Ziza, please, Sir), um meia habilidoso que surgiu nos anos 80 ou começo dos 90, já não me lembro bem como grande promessa do São Paulo e que, muito cedo, partiu pras bandas dos astecas.

Giovanni, que chegou a jogar no Barça, e Vela, do Arsenal – um, pela direita; outro, pela esquerda – deitaram e rolaram no ataque mexicano. Cada um perdeu um gol feito, enquanto Giovanni marcava outro, em impedimento. Mas, quem bateu o recorde foi o centroavante Franco, cujo principal atributo é o cabeceio. Franco perdeu três chances claras, duas justamente de cabeça.

Os africanos, evidentemente tensos pela sobrecarga natural nessas ocasiões, mais a inexperiência flagrante de seus jogadores, com as exceções de praxe, como Pienaar, por exemplo, que já jogou na Holanda e na Inglaterra, arriscaram alguns poucos contragolpes inócuos. Num deles, pela direita, se o jogador deixa a bola passar, seu companheiro chegaria na cara do gol. Mas, nas bolas paradas, pelo alto, criaram duas boas chances em sequência.

Contudo, no comecinho do segundo tempo, bola lançada com precisão para a esquerda do ataque africano, Thsabalala chegou em desabalada carreira e, de canhota, fuzilou, abrindo a contagem: 1 a 0, Bafana-Bafana.

Os mexicanos sentiram a pancada, mas, mesmo assim, Giovanni ainda conseguiu um disparo fatal, defendido espetacularmente pelo goleiro bafana. Na sequência, Moses perdeu gol feito, e a África do Sul passou a exibir maior confiança e tomou conta do espírito do jogo, inflado pela torcida delirante.

A ponto de seu lateral-direito sofrer pênalti, na pequena área, que o juiz preferiu olvidar.

O jogo seguiu sobre o fio da navalha, tenso e corrido, até que, aos 34 minutos do segundo tempo, Rafa Marquez, aquele do Barça, colheu cruzamento da esquerda para empatar com o pé direito: 1 a 1.

E, já no finalzinho do jogo, M’Pha mete a bola no pé da trave mexicana.

Confesso que esperava um joguinho daqueles, chatos, cheio de erros de passe, essas coisas a que estamos acostumados por aí. Pois, foi exatamente o contrário – um jogo digno de uma abertura de Copa do Mundo.

As vuvuzelas voltaram a soar e a cidade dorme o sono do meio-sorriso.

Joguinho de campeões

Dois campeões do mundo: Uruguai versus França. Pois, não poderia ter sido um joguinho mais vagabundo.

A França, sem a menor criatividade. O Uruguai, todo lá atrás, esperando que Diego Forlán resolvesse tudo lá na frente.

Resultado: zero a zero. Um zero a zero de encher a paciência de qualquer um.

Notas relacionadas:

  1. CHEIRO DE ARROZ QUEIMADO
  2. COMEÇO ANIMADOR
  3. A VEZ DO MALANDRO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , ,

quinta-feira, 10 de junho de 2010 Copa do Mundo, Seleção Brasileira | 15:33

A VEZ DO MALANDRO

Compartilhe: Twitter

Direto de Joanesburgo - Como versava o velho samba, agora é que eu quero ver/ quem é malandro não pode correr.

Na verdade, malandragem, nessa Seleção do Dunga, está fora. Nem a saudável malandragem do passado, que se confundia com inventividade, habilidade e ousadia. Muito menos a deletéria, aquela feita de furtivas escapadas noturnas, de indisciplinas geradas pela vaidade ou pela indolência deste ou daquele.

A turma é disciplinada, coesa e come na mão do técnico, que rosna para toda sombra que passar à porta da concentração, amiga ou inimiga. Esquema, táticas, escalação, até mesmo as possíveis alterações estão devidamente delineados na prancheta do professor, que os jogadores seguem à risca.

Obviamente, muito melhor do que a bagunça. Mas, não tão edificante como alternativas mais transparentes e criativas sugerem.

A entrevista de Elano, nesta quinta-feira revela bem esse espírito. Justamente ele, que deveria dividir o setor de criação de jogadas do time, prefere se autodefinir como um eterno coadjuvante.

De fato, são todos coadjuvantes, talvez com exceção de Kaká e Robinho, que quebrou a lei do silêncio imposta pelo treinador para dar uma entrevista à Rede Globo, no dia de folga dos jogadores.

Mas, enfim, como em todas as Copas que entramos, desde 38, o Brasil é um dos favoritos à conquista. E isso é bem possível.

Raciocine comigo, companheiro: o jogador médio brasileiro é, em regra, superior, tecnicamente, ao jogador médio estrangeiro. A maioria das seleções é composta de jogadores médios.

Logo, se, por acidente qualquer, um Cristiano Ronaldo, um Messi, um Rooney, um Drogba, um desses poucos craques que desequilibram em seus times, estiver de fora na hora do confronto com o Brasil, nossas chances de vitória triplicam.

Portanto, como dizia o sambista maior, Cyro Monteiro, sempre que adentrava um recinto, quem é de bênção, bênção! Quem é de saravá, saravá!

charge daniel alves messi

Charge com Daniel Alves e Lionel Messi, por Milton Trajano

Treino secreto

O céu de Joanesburgo amanheceu com algumas nuvens brancas e esparsas, anunciando o frio que invadiria o dia e a noite. De manhã, nossos craques participaram de um treino secreto, que, segundo consegui apurar, na verdade, foi um coletivo.

Detalhes? Só consultando um oráculo.

À tarde, um treino alemão, em que o campo foi reduzido à metade e cinco equipes de quatro ou cinco jogadores, se revezavam, cada um vestindo uma cor diferente: branco, azul, verde, vermelho e verde.

O frio, já então, era de rachar, mas a moçada mexeu-se pra valer.

O mais importante da história toda é que Júlio César treinou com tudo, sem revelar nenhuma restrição aos seus movimentos.

Ao contrário, houve um lance em que ele foi simplesmente espetacular, defendendo três bolas atiradas cara a cara, em sequência. Coisa de cinema!

Melhor boa nova não poderia haver, pois nossa defesa é excelente, sem dúvida. Mas, muito da sua proficiência se deve ao goleiraço Júlio César, um paredão, como gostava de dizer o saudoso e até hoje insuperável Mário Moraes.

Bafanas em alta

África do Sul e México abrem a Copa nesta sexta-feira. Não se trata, claro, de um espetáculo inesquecível, a não ser pelo ritual próprio do maior torneio de futebol do mundo.

Os bafana-bafana estão entusiasmados com sua seleção, que é, tecnicamente, fraca. Mas, que, sob o comando de Parreira e incentivada pela galera pode surpreender um México que outro dia vi enfrentando a Inglaterra e me decepcionou. Os mexicanos, porém, são guerreiros e jogo de Copa é outro departamento.

França em baixa

Em seguida, o Uruguai pega uma França desacreditada. Ambos campeões do mundo, feitos, porém, distantes no tempo. A  França, mesmo sem ter um Zidane, um Platini ou um Kopa, que a conduziram a um patamar superior na história, tem alguns jogadores que merecem respeito.

Henry, sua maior estrela, está em plena decadência. É reserva no Barça, pra não dizer mais. Benzema, a jovem promessa, não conseguiu se firmar no Real. Restarão, pois, Ribéry, astro do Bayern, Malouda e Anelka, que ressurgiram no Chelsea para que a França tente, nesta Copa, apagar a má campanha na Eurocopa.

Ingleses e argentinos

No sábado, entram em campo mais dois dos sérios candidatos ao título. A Argentina, imprevisível, por conta de seu treinador maluquete, Maradona, enfrenta a Nigéria, e a Inglaterra pega os EUA, uma pedreira, não pela qualidade do time norte-americano, mas, principalmente, por sua determinação. Contudo, se Messi e Rooney acertarem o pé, fatura resolvida.

Notas relacionadas:

  1. NILMAR, TRÊS VEZES NILMAR
  2. COMEÇO ANIMADOR
  3. O VALOR DA TANZÂNIA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , , , , , , , ,

segunda-feira, 31 de maio de 2010 Copa do Mundo, Seleção Brasileira | 14:22

KAKÁ MELHORA

Compartilhe: Twitter

Direto de Johanesburgo – No coletivo desta tarde, no campo de treinamento da Hoerskool Randburg, Kaká já deu sinais de melhora. Nada próximo daquele futebol exuberante que lhe conferiu o título de melhor do mundo, há três temporadas.

Mas, nem era de se esperar tanto, claro. De qualquer jeito, Kaká movimentou-se com maior desenvoltura, e até fez um passe precioso para Robinho, à entrada da área dos reservas.

A propósito, perguntei ao seu assessor de imprensa, Diogo Kotscho o que realmente estava acontecendo com nosso craque – o que era resquício da contusão e o que era apenas falta de ritmo natural.

Kotscho me garantiu que não conversara desde o treino da véspera com Kaká, mas que ele desconfiava ser apenas falta de ritmo de jogo.

O diabo dessa blindagem em torno do time é que a gente fica aqui no escuro. Não dá para saber da boca do jogador realmente o que se passa com ele – olho no olho. Resultado: a sucessão de malentendidos, que gera ainda mais distanciamento entre o crítico e a Seleção, no momento da avaliação sobre o futebol do jogador em pauta.

É verdade que a turma fica procurando pelo em ovo. Mas, esses pelos crescem muito mais na escuridão da incomunicabilidade do que à luz da transparência e do contato direto.

O fato é que os titulares voltaram a apresentar um jogo dinâmico, ofensivo, cujjo destaque novamente foi Elano, que, entre outras coisas, meteu um tiro traiçoeiro nas traves inimigas da entrada da área.

E, Robinho, sempre insinuante, pela esquerda, pela direita, pelo meio, beneficiado, óbvio, pela marcação mais maneira dos companheiros do time de baixo, o que está no programa.

A sensação, enfim, é a de que nosso time vai tomando corpo. Mas, não se espere demais dele nos dois amistosos que precedem à estréia na Copa: afinal, ninguém quer correr o risco de se machucar nessa hora tão nobre.

Timão e Meninos

Vi, pela Internet, trechos do clássico de domingo. E me pareceu que o Corinthians jogou o jogo de sua vida. Seja porque mordido pelas falas dos Meninos da Vila, seja porque precisava assegurar a liderança do Brasileirão com estilo, nesta fase em que a turma está com um olho no campeonato e outro na Copa do Mundo.

E desconfio que a entrada de Bruno no meio de campo deu ao setor aquela mobilidade e fluência que faltava desde a saída de Douglas.

Quanto aos Meninos, em boca fechada não entra mosquito, ensinava já a minha avó.

Além do mais, foi um clássico. Perder, nessas circunstâncias é natural. Nenhuma razão para críticas mais acerbas, nem reclamações descabidas como a do veterano Edu Dracena, substituído por um meia, na evidente tentativa de o Santos chegar ao placar que lhe é habitual neste tempos de euforia.

Por fim, como sempre tenho dito, o Santos não é imbatível. Basta o adversário fazer, no mínimo, 4 gols. E foi o que fez o Corinthians.

Notas relacionadas:

  1. A VEZ DE DIEGO SOUZA
  2. COERÊNCIA, SENSIBILIDADE E…ROBERTO CARLOS
  3. PERIPÉCIAS DA CHEGADA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , ,

sexta-feira, 28 de maio de 2010 Copa do Mundo, Seleção Brasileira | 11:29

COMEÇO ANIMADOR

Compartilhe: Twitter

Direto de Johanesburgo – O primeiro dia de treinamentos da Seleção Brasileira amanheceu luminoso como tem sido por aqui, desde que cheguei. E o mesmo ar leve nos recebeu no campinho simpático e antiquado onde os três goleiros, do lado esquerdo, eram afiados por Wendell e Taffarel, enquanto Dunga e Jorginho ensaiavam os 20 jogadores de linha, à nossa direita.

Isto, claro, visto de uma pequena arquibancada de cimento, coberta por um telhado de zinco, situado ao fim de um corredor margeado à esquerda por velhas construções de madeira, que parecem remontar aos anos 20, se não antes.
O gramado é uma beleza, e nossos atletas se movimentam sobre ele com muita energia e desembaraço. Não chega a ser um treino-alemão, pois não conta com aquelas balizas anãs típicas desse exercício.

De início, rola um bobinho com dez jogadores de cada lado do campo. Em seguida, dez contra dez na metade direita da nossa posição. Não se trata de treino alemão, dada a ausência daquelas balizas anãs. É mais um exercício para aglutinar os jogadores e acelerar o passe entre eles, cortados por lançamentos mais longos de cá pra lá, tanto no sentido horizontal quanto no vertical do retângulo verde.

A turma está animada e muito falante, o que é bom sinal. Os passes, sobretudo de Elano e Nilmar, saem medidos, e a movimentação é intensa. Até surpreendente para um exercício que se supunha apenas como o que se costuma chamar de “tirar o avião do campo”.

Nada disso: já é, imagino, o primeiro estágio da preparação no sentido de compactar a equipe e conferir-lhe o devido sincronismo.

E o mais auspicioso é ver que Kaká e Luís Fabiano, os dois que chegaram baleados à Seleção, atuaram com desenvoltura, sem sinais aparentes de se ressentirem de suas lesões.

Auspicioso porque Kaká é o craque da equipe, ao lado de Robinho. Mais do que isso: o único meia de ofício na Seleção. 

Luís Fabiano, o artilheiro.

O treino durou cerca de três horas, e me pareceu muito proveitoso.

E, para nós, jornalistas, que esperávamos uma recepção mais dolorosa, o clima desanuviou-se, como este céu de anil gentil que cobre este pedacinho do Brasil na África Negra.

Papo de goleiro
Logo depois do almoço, já no Clube de Golfe onde está hospedada nossa Seleção, foi a vez dos três goleiros concederem a entrevista coletiva de praxe. Mas, o que dava um ar ainda mais ilustre à cena era a presença de Taffarel, nosso campeão do mundo, goleiro brasileiro em três Copas e gauchão simpático e até humilde, ao lado de Wendell, o treinador oficial nessa área tão delicada de qualquer time.

Taffarel, então, explicou que foi chamado por Dunga, que é quem comanda tudo nesse time, para cumprir a tarefa de olheiro. Mas, aqui chegando, não resistiu: vestiu o calção, calçou chuteiras e foi pra campo, ajudar na preparação dos goleiros.

Destes, claro, a estrela é Júlio César, considerado com inteira justiça como um dos dois melhores arqueiros do mundo na atualidade.  Título que ele logo vai descartando num papo descontraído e empático:
- Não sou estrela coisa nenhuma. Sou mais um aqui, apaixonado pela Seleção.
Discurso que certamente se repetirá em cada entrevista, seja de quem for, para gáudio de Dunga, claro.
Mas, para o riso da plateia, valeu a avaliação que Júlio César fez da bola da Copa que ele deverá agarrar sempre.
-Horrível. Parece essa bola que se compra em supermercado. Mas, essa é a sina do goleiro: tudo contra, nada a favor.
Acrescento: a não ser o talento de cada um. E o de Júlio César é transcendental.

Notas relacionadas:

  1. HABEMUS TIME?
  2. O BRASIL QUE EU GOSTARIA
  3. CRÍTICA E TORCIDA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , ,

quinta-feira, 27 de maio de 2010 Copa do Mundo | 12:03

PERIPÉCIAS DA CHEGADA

Compartilhe: Twitter

DIRETO DE JOANESBURGO – Como não se sabia a que horas o voo fretado da Seleção desembarcaria por aqui, o jeito foi levantar às cinco da matina, e partir em direção ao aeroporto, na certeza de que ninguém veria senão as sombras fugidias dos jogadores.

Não deu outra: eles desceram do avião direto para o ônibus exclusivo, e de lá partiram em direção ao clube de golfe que os abrigará doravante.

Enquanto a rapaziada não chegava, fiquei zanzando ali pelo saguão do aeroporto, batendo papo com os amigos e observando o desembarque das mais diferentes figuras, algumas bizarras para o nosso olhar.

Estava, pois, assim trocando figurinhas com meu caro Pedro Gueiros, atilado repórter de O Globo, quando fomos interrompidos por um senhor calvo, de bigode embranquecido que se apresentou como um brasileiro da serra gaúcha que vive por aqui há alguns anos. O que faz, o que não faz, o cavalheiro, meio a contragosto, disse que era pastor evangélico, amigo de Jorginho e o ex-goleiro e político mineiro, João Leite.

E, então, começou a nos pregar os mistérios deste pedaço fértil da Mãe África.

- Há quem condene o apartheid, mas há quem o considere essencial para que possamos estar aqui em segurança.

Ao perceber o rumo que a pregação tomaria, de súbito, baixou-me um cansaço mortal. Um cansaço atávico, daqueles que vêm do fundo dos tempos e da alma. Pedi licença e fui sentar-me a dez metros de distância.

Mais tarde, fiquei sabendo pelo Pedro que o amável pregador encerrou o papo com esta edificante e salutar frase.

- Lá em casa eu tenho cinto não só para segurar as calças. Mas, também, para usá-los nos filhos, quando necessário.

Jesus a tudo perdoa; menos, aos vendilhões do templo, segundo reza o velho livro.

A vez de Dunga

O primeiro encontro da imprensa com Dunga se daria à uma da tarde, e nós perdemos um tempão resolvendo o aluguel de um carro. Tempão maior ainda no trajeto de volta, graças aos dribles bem executados pelo GPS mal intencionado que nos levou a estranhos descaminhos.

Enfim encurtando a história, chegamos, mulambentos, à sala da entrevista coletiva no hotel da Seleção. A entrevista só começou lá pelas 2 horas: Dunga e Jorginho, atrás de uma mesa comprida, instalada sobre um palco, diante de uma centena de jornalistas, câmeras, ação!

Ação? Melhor dizendo: a repetição dos mesmos discursos de sempre, tisnados pela questão de sempre: a relação atormentada entre Dunga e a Seleção. Não que alguém da plateia entrasse nesse assunto espinhoso, nada disso. Dunga, que a cada pergunta, voltava ao tema, em tom ameno, é verdade, mas sempre condenatório sobre o comportamento da mídia.

Sobre a Seleção propriamente dita, explicou que vai aproveitar este período de treinamento – sobretudo os dois amistosos que antecederão à entrada nos campos da Copa – para resgatar o entrosamento do grupo, que não atua junto há algum tempo.

Por fim, o assessor de imprensa da CBF, Rodrigo Paiva, informou que, sim, poderemos assistir aos treinamentos e tal e cousa e lousa e maripousa. Resumindo: o diabo não é tão feio como parece. Ops, desculpe, Jorginho.

Na linha do gol
Então, quer dizer que aí na taba tupiniquim, o Flu bateu o Fla, o que encheu de moral o técnico Muricy e botou na fita o Rogério? Na mesma noite, o Galo levou outra goleada, o que deixou Luxemburgo irado. Não falta por aqui quem já dê como favas contadas a ida de Luxemburgo para a Gávea. Ora, dois mais dois são quatro. Para os mineiros, porém, ói, nem sempre, nem sempre, sô.

O Corinthians deixou de ser cem por cento, mas continua líder. Terá sido a ausência do presidente que acaba de desembarcar em Johanesburgo no cargo de chefe da delegação brasileira? Para os puxas de plantão, sem dúvida, sem dúvida. Mas, para outros, o buraco é mais embaixo.

E o Santos, quanto foi? Busco na Internet e ela me informa que foi 3 a 1 sobre o Guarani. Que novidade! Três gols por jogo é a tabelinha do Peixe, que voltou a contar com os meninos que andavam de castigo. Como digo a toda hora: o Santos não é imbatível, longe disso. Basta que o adversário faça, no mínimo, quatro gols.

Enfim, o São Paulo conseguiu vencer um clássico doméstico: 1 a 0 no Palmeiras, que entrou em campo com uma formação teoricamente mais ofensiva mas preferiu ficar lá atrás, e ainda por cima desperdiçou um pênalti, com Ewerthon, novamente. E, novamente, Fernandão, autor do gol, saiu de campo como herói da sua torcida, numa das mais rápidas construções de um ídolo tricolor da história.

Notas relacionadas:

  1. HABEMUS TIME?
  2. NILMAR, TRÊS VEZES NILMAR
  3. E SE KAKÁ MIAR?
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , ,

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009 Campeonato Brasileiro, Copa do Mundo, Seleção Brasileira | 16:57

JOGANDO COM A SORTE E O AZAR

Compartilhe: Twitter

O sorteio das chaves que comporão a Copa do Mundo na África do Sul, nesta sexta-feira, princesa, já foi antecipado por uma polêmica: teria sido a França, uma das seleções campeãs do mundo, destituída da condição de cabeça de chave por causa daquele indecente gol, armado pela mão safada de Henry, contra a Irlanda?

O presidente da FIFA, Joseph Blatter, e os membros do Comitê Organizador da Copa juram de mãos postas (ops!) que não. Valeu mesmo foi a classificação dos Bleus no ranking da FIFA, fruto da pífia campanha dos franceses nos últimos quatro anos.

No seu lugar, entrou a Holanda, que nunca levantou a taça, apesar de quase tê-lo feito por duas vezes (74/78), que, mesmo sem exibir aquele futebol encantador das três últimas gerações, teve desempenho superior ao da França neste período entre Copas.

Mas, e nós, o que temos com isso? Temos que, dependendo da sorte, podemos ter pela frente, logo de cara, essa mesma França, que, mal ou bem, tem sido uma asa negra da nossa Seleção, desde os tempos de Platini, diga-se.

E, mais recentemente, perdemos para eles a Copa deles, em 98, e fomos desclassificados vergonhosamente na da Alemanha, em 2006, com aquele gol de Henry, este legal.

E, se o azar nos perseguir no sorteio, segundo aqueles que se debruçam com mais paciência sobre a lei das probabilidades, teríamos ainda de enfrentar Camarões e México, outra pedra na nossa chuteira.

Mas, se a sorte nos sorrir, estaremos emparelhados com Eslováquia, Gana e Coréia do Norte. Bem, na verdade, não estou muito certo se o melhor para o início da caminhada brasileira ao título seja participar de uma chave mais mole, não.

Moleza e dureza

Em 2002, por exemplo, levamos a taça,  entre outras coisas, porque pegamos a maior moleza de todas as Copas: China, Costa Rica e Turquia, que, aliás, reencontramos mais adiante.

O time de Felipão se classificara na bacia das almas para a Copa, e a fragilidade de seu grupo, na Ásia, permitiu que a equipe ganhasse confiança, conjunto e força para chegar ao êxito final.

Mas, num passado mais distante, o Brasil, em 38, Copa que revelou pra valer o futebol brasileiro para o europeu, tivemos de rebolar diante da Polonia (6 a 5)  e frente á Tchecoslováquia, em dois acirrados jogos em menos de 48 horas, o que nos tirou Leônidas da Silva, o artilheiro da competição, na semifinal com a Itália, a campeã daquele ano.

Vinte anos mais tarde, pegamos pela proa a Áustria, que ainda guardava certos traços da Escola Danúbio, que lhe dera fama e sucesso nas três primeiras décadas do século passado, a Inglaterra de Billy Wright, uma legenda britânica, e a União Soviética, que surgia como o grande bicho-papão, montada na mais sofisticada tecnologia da época, a mesma que levaria Gagarin aos céus.

Passamos bem pela Áustria e sofremos o diabo com a Inglaterra, para, já com o time mudado, pelas entradas de Zito, Pelé e Garrincha, darmos um verdadeiro olé nos soviéticos, com direito a gol legítimo anulado e outros babados.

Assim como, vinte anos depois, a Tchecoslováquia de Dobias, Petras e Adamec, que, por sinal, havia decidido conosco a Copa de 62, a Inglaterra de Bobby Charlton e a Romênia de Dumitrache foram três pedreiras que despedaçamos com talento e organização, no início da conquista do Tri.

Como se vê, em tese é sempre melhor começar a campanha diante de adversários mais frágeis. Mas, bola rolando, sobretudo em Copa do Mundo, sabe-se lá o que acabará sendo melhor ou pior.

Como costuma dizer mestre Armando Nogueira, o cronista esportivo é o profeta do passado, pois o futuro pertence aos deuses do esporte, esses eternos brincalhões, qando não cruéis, que passam o tempo todo jogando bola com a alma da gente, pobres mortais.

O CASO LOVE

É, no mínimo, deprimente a imagem do ônibus do Palmeiras partindo para Itu, escoltado pela polícia, como se fugindo da sanha desses maníacos delinquentes que ainda outro dia agrediram Wagner Love na frente de uma ag~encia bancária em São Paulo.

Passa a exata sensação de insegurança que cerca a todos nós, neste Brasil analfabeto e raivoso que vem sendo construído há, por baixo, três décadas – a contrafacção do Brasil cordial a que se referia o imortal Sérgio Buarque de Holanda, nosso saudoso e insubstituível Serjão. Nos dois sentidos: o de passional mais que racional e o de afetivo, cortês, capaz de transformar em segundos o conhecimento em intimidade.

E o futebol, que deveria ser uma área livre e coletiva para a catarse das angústias do dia a dia, passa a ser um campo de manobras vis, arquitetadas friamente por mentes estúpidas e vagas, sem eira, nem beira.

O que fazem esses jovens cretinos, percorrendo a noite, não em busca de um olhar irresistível, um papo legal com os amigos, uma cervejinha maneira, essas coisas boas da vida, mas, sim, para vasculhar nos bares, restaurantes e boates este ou aquele jogador que esteja, porventura, se divertindo?

Claro, qualquer psico de plantão, até os de botequim como quem lhes fala, dirá que são movidos pela frustração que se transforma em raiva, quando não ódio mortal. Sujos, feios e malditos, porque, antes de tudo vagabundos, dirigem sua ira para aqueles que, saindo dos seus grotões, iguais de berço, atingiram fama, fortuna, tendo a seus pés o mundo de maravilhas que a sociedade de consumo e permissiva lhes oferece de bandeja – roupas de grife, linda mulheres, o melhor cardápio nas mesas mais requintadas e tal e cousa e lousa e maripousa.

Em vez de buscarem seus próprios caminhos, mesmo que modestos como a imensa maioria dos brasileiros, preferem destruir aqueles que significam o que eles são incapazes de ser.

Como, porém, isso é ignóbil demais até para suas cabecinhas primárias, tentam escudar-se num conceito muito mais nobre:  eles se convencem de que são os guardiões da moral e da integridade do clube que abraçam. Se não forem suas ações extremadas, tudo estará perdido no universo de suas cores.

Quando se juntam ignorânci, fanatismo  e frustração, três almas gêmeas, diga-se,  sai de baixo, meu!

Que assim seja com essa turminha imbecil, entende-se, embora mereça todas as condenações, morais e jurídicas.

O que não dá para entender é tamanha ingenuidade (ou será extrema esperteza?) de dirigentes esportivos que confraternizam com esse pessoal, e até atiçam suas ações com declarações explosivas como as recentes de meu considerado Belluzzo, seja no encontro com esses mesmos torcedores, seja através da mídia.

Não posso crer que, com o nível intelectual de Belluzzo, sua experiência de vida e tudo o mais, ele não tivesse a percepçã de que esse cenário estava sendo armado por suas próprias ações e palavras. A não ser pela soberba própria do intelectual, que se considera tão superior a ponto de controlar esse monstro errático e abjeto chamado fanatismo, fazendo-o trabalhar politicamente em seu favor, sejam quais forem suas mais nobres intenções.

Isso é como uma Caixa de Pandora, que, aberta, dispara todos os mais perversos sentimentos humanos.

Claro, tudo passa, menos o cobrador e o motorneiro, como o dístico dos velhos bondes. Mas, neste exato momento, nada poderia ser pior para o Palmeiras, que ainda tem chance de ser campeão e cuja torcida deveria se espelhar na do Fluminense, tricolor como as cores do Palestra Itália, tão cara ao presidente e à história do Palmeiras.

Notas relacionadas:

  1. JOGANDO COM A ESPERANÇA
  2. LOVE E SANDRO
  3. JOGANDO NO COLO ALHEIO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , ,

quinta-feira, 25 de junho de 2009 Seleção Brasileira | 18:06

UFA, GANHAMOS

Compartilhe: Twitter

Ufa! Não fosse aquela cobrança de falta magnífica de Daniel Alves, aos 41 minutos do segundo tempo, poderíamos estar amargando agora aquela tragédia singular de um raio cair em dois lugares ao mesmo tempo. Sim, porque não bastasse a desclassificação da Espanha pelos EUA, só faltava o Brasil cair diante da África do Sul.

E olhe que o jogo foi parelheiro, graças à marcação implacável dos africanos, sem, contudo, ser o suficiente para ter o maior domínio de bla, que ficou com o Brasil, por margem ínfima, diga-se.

Fecharam-se bem os sul-africanos de Joel Santana, mas também saíram para o jogo, e criaram algumas dificuldades para o Brasil, a quem faltou mais ousadia, no sentido de marcar o adversário já no campo contrário, onde a saída de bola deles era reticente.

Ao contrário: nossa seleção preferiu resguardar-se, voltando demais, e oferecendo campo ao inimigo, que foi e construiu um jogo bem mais interessante para ele.

E, nesse processo, dois jogadores de meio, aqueles que têm feito a diferença na Seleção Brasileira, no sistema de armação da equipe – Felipe Melo e Ramires -, não estavam inspirados no passe e nas arrancadas.

Logo, o Brasil ficou mais defensivo do que atacante. Mas, quando os sul-africanos chegaram encontraram o portão fechado por Júlio César, sempre impecável.

E, quando a situação estava abracadabrante, Dunga trocou o lateral-esquerdo André Santos, que vinha bem, apesar de uma ou duas falhas na marcação, por Daniel Alves. As alternativas eram outras tantas, até mais, teoricamente, produtivas, como as entradas de Nilmar ou Pato, por exemplo, no lugar de Gilberto Silva ou de Felipe Melo.

Deu certo, por outros caminhos.

Mas, enfim, estamos na final, diantedos EUA, repito, time raneta, complicado. Mas perfeitamente vencível.

Notas relacionadas:

  1. VIVA O BRASIL!
  2. SHOW? QUASE
  3. BRASIL SÓ PERDE PARA SI MESMO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , ,

quarta-feira, 24 de junho de 2009 Futebol internacional, Seleção Brasileira | 18:09

BRASIL SÓ PERDE PARA SI MESMO

Compartilhe: Twitter

Milton Trajano

Claro, em futebol, tudo pode acontecer, até mesmo o Brasil ser surpreendido pela África do Sul, nesta quinta-feira. Vide Espanha.

Mesmo porque os africanos caminham nas nuvens com o time de Joel chegando à implausível semifinal da Copa das Confederações. Até o ancião símbolo da redenção sul-africana, Mandela, foi retirado do leito para abençoar a sua seleção. Tudo vale nessa hora.

Mas, a disparidade técnica e o acervo de conquistas de um e de outro é abissal.

Na verdade, ouso dizer que esse é um daqueles jogos que o Brasil só perde pra si mesmo. Ou para os deuses do futebol, esses cruéis fazedores de surpresas que tanto encantam o jogo da bola.

E, quando digo que o Brasil só pode perder para si mesmo é se nosso time se embotar diante da evidente retranca que Joel armará do outro lado. Mas, até para isso esse time retocado já em plena disputa da Copa das Confederações, tem uma saída: as laterais.

Pela direita, um Maicon, voando, com as asas duplas emprestadas pela presença do atilado e ágil Ramires. Pela esquerda, o potencial ofensivo de André Santos, ainda contido nos seus dois primeiros jogos pela Seleção, em combinação com a velocidade e o talento de Robinho.

Só é preciso não relaxar, nem se enervar.

ZEBRA NA ÁFRICA

Os espanhóis entraram em campo carregando na alma a taça da Europa, a série incrível de 35 jogos sem derrota e a justa fama de praticarem o futebol mais agradável de se ver no planeta. Mas, nem por isso rebolaram, firularam ou mesmo desprezaram os EUA, time infinitamente inferior, em termos técnicos e de conquistas.

Ao contrário: fizeram seu jogo – bola no chão, trocas constantes de bola, envolvimento etc. Não souberam, porém, burlar a firme retranca de um time metódico, aplicado, muito disciplinado taticamente, e extremamente objetivo, como costumam ser os americanos, em geral. Deram dois chutes a gol, e partiram para a final da Copa das Confederações com os 2 a 0, executados por Altidore, no primeiro tempo, e Dempsey, no segundo.

Dois gols, diga-se, com a generosa contribuição dos laterais espanhóis.

No primeiro, Capdevilla deixou-se enredar pelo movimento do atacante, e, no segundo, Sérgio Ramos, bola dominada à boca de sua meta, hesitou, permitindo a Dempsey o chute de surpresa.

Dois erros individuais, não coletivos, pois os espanhóis tiveram um domínio absoluto do jogo, e, com exceção desses lances fatais, não correram riscos maiores. Em contrapartida, criaram poucas chances de marcar – a maioria, conjurada pelo goleiro Howard – e se ressentiram demais da ausência de Iniesta, aquele meia capaz de, quando a coisa está difícil, tirar do bolso do colete a jogada inesperada e mortífera.

Enfim, os espanhóis, neste fúnebre momento, devem estar resgatando com seus botões a velha máxima: “No creo em brujas, pero que las hay, las hay”.

Notas relacionadas:

  1. VIVA O BRASIL!
  2. BRASIL E ESPANHA
  3. BRASIL E ITÁLIA, UMA VELHA PINIMBA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , ,

domingo, 14 de junho de 2009 Futebol internacional | 15:49

ALQUIMISTAS AO CONTRÁRIO

Compartilhe: Twitter

O imortal Olympicus, nosso saudoso Thomás Mazzoni, primeiro historiador do futebol brasileiro, costumava chamar os técnicos de alquimistas, porque tentavam impingir fórmulas mágicas num jogo de absoluta simplicidade, em toda a sua complexidade.

O alquimista, como o amigo sabe de cor e salteado, era aquele misto de charlatão e cientista empírico da Idade Média, que buscava a Pedra Filosofal, o toque divino para transformar qualquer elemento banal da natureza em ouro.

O técnico de futebol, porém, em geral, consegue o prodígio de transformar ouro em cascalho. Isto é: em nome do resultado (leia-se: segurar o emprego) desvirtua, corrompe, transfigura, desfigura, toda uma escola de jogar bola,  toda a tendência natural do jogador, chegando a banir, no nascedouro os craques eventuais.

Quando a África Negra descobriu o futebol, houve um cataclismo. De repente, Camarões, Nigéria, Costa do Marfim, Gana, entre outros, surpreenderam o mundo com um futebol lúdico, ofensivo, plástico. Era a semente de um novo futuro. Dizia-se, então, que, em médio prazo, os africanos saltariam ao proscênio do futebol, então sob o signo da uniformização e da previsibilidade.

Faltava-lhes, apenas, um pouco mais de senso tático. E foi aí que se deu a tragédia: mais uma vez o colonizador europeu e de outros centros futebolísticos mais avançados entrou em cena. Pencas de técnicos ingleses, iugoslavos, brasileiros etc, aportaram no continente negro.

E o que se vê, hoje, é o que se viu na abertura da Copa das Confederaçõe, no empate de zero a zero entre África do Sul e Iraque.

Na galera, um povo alegre, musical, cheio de ginga e mumunhas. No campo, uma África do Sul atada a um sistema rígido, castrador, defensivo, incapaz de meter um gol sequer num Iraque que era seu clone.

Que pena…

Notas relacionadas:

  1. E COMEÇA A FARRA!
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , ,

quinta-feira, 11 de junho de 2009 Seleção Brasileira | 00:34

AGORA, A ÁFRICA!

Compartilhe: Twitter

Prova de que o Brasil está evoluindo está nesses 2 a 1, de virada, sobre o Paraguai, no Recife: é só comparar a atuação de Júlio César contra o Uruguai com a deste jogo.

Lá, foi um dos maiores destaques do nosso time, se não o melhor. Aqui, praticamente só bateu tiro de meta. E até o gol que sofreu – desvio de Elano, na cobrança de falta por Cabañas – serve de emblema, pois a Seleção não se descontrolou e foi buscar o resultado.

Primeiro, com Robinho. Depois, com Nilmar. E olhe que o Paraguai é um time bem mais equilibrado do que a Celeste.

No primeiro, a jogada nasce de um corte de Felipe Mello (cada vez, melhor), que serve a Robinho. Robinho abre para Kaká, que cruza para Robinho brigar com o beque, e a bola sobra para Kleber, que passa a Kaká. Kaká cruza, para Danie, na direita, recolher e devolver na área, onde Robinho, no segundo pau, toca de esquerda para as redes.

Conte o amigo paciente quantas vezes o nome de Robinho aparece nessa descrição, e depois me diga se Robinho é isso e aquilo que dizem por aí. (Ah, sim, perdeu aquele gol feito, chutando por cima, cara a cara com o goleiro, e deixou de dar dois passes para Kaká em momentos decisivos).

No segundo, já aos 5 minutos do segundo tempo, Felipe Mello enfia uma bola prodigiosa para Nilmar, na área, tentar o passe de peito para Robinho; mas a bola rebate no beque e sobra para o centroavante colorado dar o toque final.

Por falar nisso, como foi Nilmar, nome tão clamado por esse Brasil afora há algum tempo? Diria que foi bem, extremamente prejudicado pela marcação sólida dos paraguaios, que não se retrancaram lá atrás, mas também não perdiam o foco em nenhum momento do jogo.

Apesar disso, fez o gol da vitória, lutou muito e deu alguns toques de alta classe.

Todavia, os que mais chamaram a atenção foram, novamente, Felipe Mello e Daniel Alves.

Felipe foi, longe, o mais ativo e eficiente dos nossos volantes, marcando e armando as jogadas de frente, com estilo. E Daniel Alves cumpriu exemplarmente a dupla função do verdadeiro lateral – marcou atrás e se atirou ao ataque sempre que possível, com proficiência.

Por fim, Dunga, que fez as substituições corretas ao longo da partida, com as entradas de Pato, Ramires e Kleberson, nos lugares de Nilmar, Elano e Robinho.

Pato merecia mostrar seu jogo e Nilmar já estava dando sinais de cansaço. Elano era o mais apagado do trio de volantes e Ramires está tinindo. E Kleberson entrou para reforçar o meio-de-campo, no finalzinho, quando o Paraguai poderia surpreender.

Agora, é partir para a Mãe África, atrás da taça dos campeões continentais, uma pequena Copa do Mundo, laboratório para o autêntico Mundial.

Notas relacionadas:

  1. AS SURPRESAS DE DUNGA
  2. BELA VITÓRIA
  3. SELEÇÃO, PAIXÃO E FLORES
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , ,