15/11/2009 - 19:42
O campeonato pode ser imprevisível, cheio de altos e baixos, mas certo mesmo é que o Flamengo chegou, ao bater o Náutico, nos Aflitos, por 2 a 0, gols emblemáticos, pois de Petkovic, pegando a sobra de um bate-rebate, e de Adriano, aproveitando exato cruzamento de Zé Roberto.
E o Flamengo chega, nas asas de sua torcida, praticando um futebol ofensivo e aprazível, mas eficiente na defesa também.
Diante do Náutico, o Flamengo jogou na conta do chá para vencer, sem sustos, nem ressalvas. E, se Pet, apesar do gol, não reprisou as belas atuações anteriores, Adriano tratou de jogar pelos dois: fez gol, deu assistências, combateu aqui atrás, armou, enfim, deu um exemplo irretocável de como se deve jogar o futebol, como diriam os mais jovens. pois, digo: deu o exemplo de como se deve jogar bola sempre, ontem, hoje e amanhã.
A polarização entre São Paulo, o líder, e Flamengo, o vice, seria inevitável, não fosse este campeonato tão volúvel e inexplicável.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro
Tags: Adriano, Campeonato Brasileiro, Flamengo, Náutico
21/09/2009 - 16:08
O Verdão, que passou o fim-de-semana celebrando os tropeços de seus rivais mais próximos na tabela do Brasileirão, afia suas armas para enfrentar o Cruzeiro, no Mineirão, nesta quarta.
Além da tradição de sua camisa e do time que tem hoje, o Cruzeiro é favorito, por jogar em casa. Mas, o Palmeiras, embora declinando neste segundo turno em relação ao primeiro, é forte o suficiente para virar esse jogo e livrar mais uns pontinhos de São Paulo e Inter, que seguem nos seus calcanhares. Depende, sobretudo, da formulação tática a ser adotada e do espírito de luta da equipe, claro.
Se entrar em campo só para evitar o pior, estará flertando com a derrota. Contudo, se entrar com a alma de um campeão e a postura tática de um vencedor, periga alcançar o máximo.
E olhe que Muricy teve tempo de sobra para armar esse time com vistas a esse jogo tão emblemático, pois está aí uma partida que pode servir de trampolim para o resto da temporada verde.
MEA CULPA DE MANO
O técnico Mano Menezes teve a altivez de assumir a responsabilidade pelo desastre corintiano diante do Goiás, no domingo. Disse que armou mal sua equipe, ao configurá-lo num modelo que considerava adequado para enfrentar especificamente o adversário da hora.
Assim, sem William, o grande líder de sua defesa, montou aquele setor com três zagueiros, fugindo de seu padrão habitual, com o lateral-direito Alessandro numa posição mais ofensiva, entre a ala e o meio-de-campo, que acabou se transformando numa zona cinzenta onde o jogador movia-se sem saber para onde nem por que.
E isso me remete a uma velha questão: até onde o treinador deve se arriscar a desfigurar o jogo de seu time, tentando ajustá-lo à marcação do eventual inimigo? Ou, não será sempre melhor (com as exceções de praxe) seguir o curso natural de sua equipe, deixando ao adversário a tarefa de inventar fórmulas para contê-lo?
Mestre Ziza, o grande Zizinho, um dos dois maiores craques que vi em ação (o outro foi Di Stefano – Pelé não conta) e técnico de breve carreira, pois estava anos-luz além da prática de seu tempo, costumava dizer que um time deve preocupar-se mais consigo mesmo do que com o adversário.
Claro, sempre há ajustes pontuais – uma marcação mais específica neste ou naquele jogador que faz a diferença e tal e cousa e lousa e maripousa.
A verdade, todavia, é que os grandes esquadrões da história impunham seu jogo, fosse qual fosse o adversário. E até hoje é assim, quando se pega um Barcelona, o campeão da Europa, como exemplo: seja onde for, contra quem seja, o Barça é sempre o mesmo.
Aliás, esse tem sido o grande mérito de Mano Menezes, que, mesmo com uma equipe em transição em meio ao campeonato, nunca alterou o padrão que lhe deu os títulos da Segundona, do Paulistão e da Copa do Brasil. E assim o Corinthians manteve-se na órbita dos candidatos ao título do Brasileirão.
Meno male, para o Corinthians e para o técnico, que Mano Menezes tenha caído na real logo após dela ter dado uma escapulida.
PET E ADRIANO
Eis uma dupla que já está dando o que falar: Pet e Adriano, o arco e a flecha, como diria mestre Armando Nogueira.
Petkovic, exemplo singular de um iugoslavo (ele ainda se considera assim) que aportou, de repente, no Brasil e aqui construiu uma legenda, graças ao seu futebol inteligente, hábil e de extrema precisão nos passes e nos disparos a gol, transformou-se na pedra de toque do novo Flamengo.
Já se transformara num retrato pregado no álbum de recordações do futebol brasileiro, quando, por trama do destino e dos cartolas do Flamengo, voltou à Gávea, como parte do pagamento de atrasados que o clube lhe devia, numa dessas estranhas engenharias que só nossa cartolagem é capaz de engendrar.
À época, o técnico de plantão olhou-o com desdém, e nem sequer pensava em utilizá-lo pra valer. Mas, aos poucos, e, sobretudo com a ascensão de Andrade, Pet foi cavando seu lugar no time, e hoje é, sem dúvida, titular absoluto. Mais do que isso: fator decisivo para a recuperação do Flamengo. Entre outras coisas, porque é ele quem aciona na medida o artilheiro Adriano.
O mesmo Adriano que havia pendurado as chuteiras milionárias para arrastar seus chinelos entre sua gente humilde das quebradas do Rio. E, que, num ato de paixão, resolveu calçá-las novamente para defender seu Flamengo de coração.
Pet e Adriano, duas histórias tão distintas, que se cruzam na Gávea para reacender as esperanças rubro-negras, antes extintas.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro
Tags: Adriano, Corinthians, Flamengo, Mano Menezes, Muricy Ramalho, Palmeiras, Petkovic
20/08/2009 - 17:26
Eis o Imperador de volta à seleção de Dunga, com todos os louros. Afinal, Adriano voltou bem (ainda em que longe de sua forma física ideal) ao Flamengo e está cumprindo à risca sua função básica: marcar gols.
Mesmo porque Adriano paira sobre os nervos argentinos, nossos próximos adversários, como uma assombração, por todos os sobressaltos que já causou a los hermanos, nos últimos tempos.
É um atacante experiente, embora jovem ainda, que só não se manteve no topo das celebridades do futebol por conta de sua personalidade ciclotímica, digamos. Como parece atravessar no Flamengo uma fase de bem-estar com a vida, por certo, será de grande valia para a seleção, ainda que apenas uma arma a ser sacada do banco na hora H por Dunga.
Quanto ao resto, lastimo, como sempre, a ausência de, pelo menos, mais dois meias de ofício, além de Kaká, o único dessa estirpe relacionado na última lista.
Há um excesso de volantes (ou, se preferirem, jogadores de muita força e habilidade convencional) e uma escassez de meias. No mínimo, um Cleiton Xavier, um Wagner (ex-Cruzeiro), um Alex (ex-Inter), um Diego, alguém com esse perfil, enfim, mereceria ser chamado.
Pois, se precisar de um jogador desse tipo, o técnico não o terá no banco, o que é, no mínimo, uma imprevidência.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Seleção Brasileira
Tags: Adriano, Alex, Argentina, Armadores, Cleiton Xavier, Diego, Dunga, Eliminatórias
09/08/2009 - 21:52

No encontro dos ascendentes, deu São Paulo. E deu com categoria, até certa folga., não só no placar de 3 a 1. Mas no jogo jogado.
Desde o início, o São Paulo se impôs, fosse na marcação segura, que lhe é proverbial, fosse na bola rolada, o que é uma novidade nesse Tricolor, antes, tão reticente.
Teve o domínio da bola, meteu três bolas na baliza do Goiás, em ataques sempre rápidos e bem engendrados, e ainda desperdiçou mais umas duas chances de ouro, sem correr grandes riscos.
Tudo isso contra um Goiás de escol, time bem armado, em grande fase e que vinha de campanha excepcional até então. Prova de que o Tricolor está mesmo pegando no breu.
Já no clássico das multidões, no Maracanã, o Flamengo tinha Adriano e o Corinthians ainda se ressente da ausência de Ronaldo, talvez mais até dos que se pularam a janela.
E essa foi a diferença, num jogo equilibrado em que podia dar qualquer um dos dois. Deu Flamengo, gol do Imperador, claro.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro
Tags: Adriano, Flamengo, São Paulo
01/06/2009 - 15:58

Pinço três nomes que se destacaram na rodada de fim-de-semana do Brasileirão: Adriano, o Imperador, Paulo Henrique, o Ganso, e Marlos, o Estreane.
Adriano, que, diga-se, não guarda a mais remota semelhança com o imperador romano homônimo, cultor das artes, arquitetura e ritos clássicos de sua gente, voltou para conquistar de vez o Maracanã, que o recebera ainda infante com mais desprezo do que esperança.
Sim, porque Adriano, formado nas categorias de base do Flamengo há mais de década, quando lançado no time principal do Rubronegro, foi recebido com rejeição pela torcida, que o considerava grosso e desajeitado. Só ganhou mesmo fama e respeito lá na Itália, primeiro no Parma, depois, na Inter.
O fato é que Adriano, na sua conturbada volta ao Brasil depois de breve aposentadoria, virou ídolo eterno da torcida em apenas um jogo. Parte, porque, mesmo fora de forma, atuou os 90 minutos, fez um gol, participou ativamente do jogo coletivo de sua equipe, suprindo a grande lacuna do Fla – aquele homem de área que inspira temor e respeito ao adversário. Parte, porque ele compensa a perda de Ronaldo Fenômeno, que acendera a paixão rubronegra para, na hora H, desembarcar no Parque São Jorge.
Adriano, se tudo correr nos conformes, sem dúvida, será a pedra de toque que fará do Flamengo um autêntico candidato ao título brasileiro deste ano.
Quanto ao Ganso, vejo nesse menino do Santos um luminoso futuro. Não que seja um craque de empolgar as massas, desses que provocam paixões desenfreadas e tal e cousa e lousa e maripousa. Nada disso. Por seu estilo, pela função que exerce no time e pelo talhe físico, Ganso está predestinado, se não tropeçar numa dessas esquinas da vida, a ser aquele meia-armador cerebral, de toques exatos e inesperados, dribles curtos, mais para se livrar da marcação do que para marcar presença, que dá ritmo e ciência à sua equipe. Aliás, não foi por acaso que quem o indicou para o Santos foi Giovanni, aquele de feitio parecido.
Por fim, o estreante Marlos, que, confesso, jamais havia visto antes em campo. Pois o menino entrou de repente, longe de sua melhor forma física e técnica, já que não joga há muito tempo, e iluminou esse meio-campo tão mecanizado e preisível do São Paulo.
Aquele passe para Zé Luís cruzar e Borges marcar seu gol é coisa de quem sabe jogar bola. Entre outras coisas, por ser uma jogada que exige sincronia, tempo de convivência com os companheiros, essas coisas. Ele, simplesmente, tirou da cartola, improvisou. E o improviso sempre foi a distinção da escola brasileira do futebol.
Claro: quando se trata de um garoto com menos de 20 anos de idade, não dá para fincar nenhuma bandeira. É preciso dar tempo ao tempo. Mas, que promete, promete.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro
Tags: Adriano, Flamengo, Ganso, Marlos, Paulo henrique, Santos, São Paulo
31/05/2009 - 21:07

Foi a tarde da vingança: o Santos, que perdera o título para o Corinthians outro dia, recebeu o velho rival na Vila e meteu 3 a 1 no seu time reserva; e o São Paulo, que levara um passeio no meio de semana do Cruzeiro, pela Libertadores, descontou com juros no Morumbi, pelo Brasileirão: 3 a 0.
Tá certo: o Corinthians não tinha nenhum titular em campo, nem no banco, mas jogou o suficiente para dar à vitória do Santos a dimensão que ela merece.
Sim, porque o Peixe vem se consolidando em campo desde a chegada do técnico Mancini, e, sobretudo, desde a ficação de Paulo Henrique Ganso como titular desse time. O rapaz não é nenhum prodígio, desses meias malabaristas que seduzem torcedores e mídia. Ao contrário, dono de um jogo enxuto, clarividente, feito de toques e passes precisos, mesmo tãp jovem passou a ser o eixo de seu meio-de-campo, em torno do qual gira todo o mecanismo peixeiro, de forma lúcida e fluente.
Além disso, é daqueles armadores que se apresentam na área também, e, só por isso foi o autor dos dois gols iniciais, que deram ao Santos a vantagem de comandar a partida sem afobação nem pressa.
Faz tempo, desde a Copa São Paulo Jr. de dois/três anos atrás advirto pra ficarmos de olhos nesse menino.
CLÁSSICO PAULISTA
Já o São Paulo, ufa!, finalmente, depois de longo e tenebroso inverno, achou um meia autêntico, um desses canhotinhos rápidos, que sabem o que fazer com a bola, tocando, driblando, passando, lançando, essas coisinhas simples mas fundamentais no futebol.
Refiro-me, claro, ao menino Marlos, que botou no chão essa bola sempre pererecante do Tricolor, dando outro feitio ao time que venceu o poderoso Cruzeiro, no Morumbi, por 3 a 0, gols de Washington, Borges e Dagoberto.
Foi um outro São Paulo, melhor ainda depois da entrada de Dagoberto no lugar de Washington, pois, mais leve e solto, embora nessas alturas, pra preservar o placar de 2 a 0, o time tenha recuado demais.
Quanto ao Cruzeiro, bem marcado, foi pálida lembrança do Cruzeiro habitual. E só deu sinal de vida no finzinho, quando atirou-se à frente e pressionou o Tricolor em seu campo.
AH, MEU SANTO
E tinha de ser São Marcos o autor de pecado tão grande, justo no jogo de sua sagração? Pois, acabou sendo: ao devolver mal bola a jogo, com os pés, ofereceu ao Barueri o gol de empate, num jogo que o Palmeiras vencia bem, por 2 a 0 já no segundo tempo, gols de Obina (sai, zica!) e Keirrison (mangalô, treis veis!), fruto da armação mais equilibrada, com dois zagueiros, dois volantes, dois meias e dois atacantes.
Mas, logo após o gol de Keirrison, Pedrão, deitado, no escorregão de Marcão. Sobreveio, então, a falha de São Marcos…
Faz parte, como ele mesmo costuma dizer
A VOLTA DO MPERADOR
Obviamente fora de forma, rotundo, Adriano entrou e resolveu o problema crônico do Flamengo – a falta de gols.
Marcou um, de cabeça, mas poderia ter feito outro, se o zagueiro adversário não empurrasse para as próprias redes.
Se afinar o talhe, Adriano vai dar muitas alegrias á galera rubronegra.
AS DESPEDIDAS
Kaká fez um e deu o passe para Pato fazer o segundo contra a Fiorentina, na despedida final de Maldini e na última partida sob o comando de Carlos Ancelloti, técnico há oito anos do Milan.
Depois do jogo, o vice-presidente Galiani deu uma entrevista emblemática à RAI. Quando perguntado sobre a possível saída de Kaká, não disparou aquele discurso de praxe, de que o Príncipe de Milão é um patrimônio eterno do rossonero, essas coisas. Ao contrário: apenas disse que essas questões de mercado serão discutidas a partir de segunda-feira.
O fato é que a fortuna de Berlusconi, dono do Milan,, gerida por sua filha, apresenta um rombo considerável, fruto da crise mundial. E o Milan está doidinho para fazer uma nota com o brasileiro, a fim de renovar o time, agora sob o comando de Leonardo. Por seu lado, Kaká já não está tão relutante diante da possibilidade de um convite de outro grande da Europa, tipo Real, Chelsea etc. Logo…
Figo é outro que se despede dos campos, depois de sagrar-se campeão italiano pela Inter de Milão. Várias vezes candidato ao título de melhor do mundo, na última década, Figo é um dos maiores craques da história do futebol português, dividindo essa primazia com Eusébio, Coluna, Jesus Correia e Cristiano Ronaldo.
Habilidoso, versátil, pois tanto jogava nas duas extremas do ataque, como na meia, armando, tinha alto espírito de solidariedade e muita técnica, batendo na bola como poucos.
INTER, 200 POR CENTO
Não é exagero. É apenas o reconhecimento ao excelente elenco do Inter, líder absoluto, sem um mísero empate. Então, 100 por cento vão para os titulares e outro tanto para os reservas, que meteram 2 a 1 no Avaí, jogando livre e solto, como relatam os que viram o jogo do Beira-Rio.
Já o Grêmio tropeçou no Barradão, diante de um Vitória que vem se mantendo com garra lá entre os primeirões, agora, na vice-liderança. E olhe que o Grêmio jogou com0pleto, e, mesmo assim, o Vitória, segundo os relatos do jogo, foi melhor e mereceu os tr~es pontos valiosos.
Por fim, o Náutico, outro que se segura lá em cima, agora em quarto lugar: aflito empate no finzinho com o Fluminense, que segue sem cumprir seus mais altos desígnios no campeonato.
Mas, ainda é muito cedo para qualquer um colocar o champagne no gelo.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro
Tags: Adriano, Corinthians, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Palmeiras, Santos, São Paulo
26/01/2009 - 15:15
Felipe Mello foi a grande surpresa na convocação de Dunga para o próximo amistoso do Brasil. Meia projetado pelo Flamengo, saiu muito cedo daqui, rodou mundo em semi-anonimato, até re-emergir na Fiorentina, onde está jogando o fino.
Hábil, inteligente, passe certo e bom senso de colocação, Felipe Mello é uma boa aposta de Dunga.
Se vai dar certo, quem sabe?
Mas, só saberemos se Dunga botar o rapaz em campo. Ser for para ficar apenas no grupo, adaptando-se, como se costuma dizer, corre o risco de cair novamente no anonimato.
Quanto à outra surpresa – o lateral-esquerdo Adriano, revelado pelo Coritiba e, agora, no Sevilha – já teve sua chance na Seleção, tempos atrás.
É daqueles laterais-esquerdos destros, que só uma técnica muito superior consegue manter o jogador num alto nível de desempenho. Para citar apenas dois desses no passado: Nílton Santos e Júnior, o Leovigildo.
Sei, não. Mas, acho que a vez deveria ser de Maxwell, que está muito bem na líder Inter de Milão.
Mas, enfim…
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Seleção Brasileira
Tags: Adriano, Dunga, felipe Melo, Júnior, Maxwell, Nilton Santos
20/11/2008 - 14:44
Faz de conta, amigo, que o juiz apitou o final do jogo antes da cabeçada fatal de Adriano. E que aqueles dois tiros magníficos de Maicon e Elano não tivessem beijado as redes – o goleiro espalmou e o outro chocou-se com o poste. Por fim, aquela virada de Luís Fabiano espremeu no pé do beque e foi recolhido com folga pelo goleiro. E aquele, outro, sob a trave, foi por cima.
Pronto! Aí temos no placar, 2 a 1 pra Portugal. E daí?
Supõe o companheiro que eu estaria aqui atirando pedras em Dunga, em Luís Fabiano, no Maicon, no Elano?
E tudo que escrevi até agora, nesta longa e incompreendida viagem pelo mundo do futebol como fica? Mando apagar como sugeriu o ex-presidente sobre seus escritos como sociólogo?
Não, meu caro. Estaria aqui aplaudindo na derrota como aplaudo na vitória o comportamento desse time, que reatou seus tênues laços com o verdadeiro futebol brasileiro, ofensivo, criativo, alegre, que lhe permitiu construir tantas chances e converter meia dúzia delas em gols.
Não cobro tanto o resultado quanto o desempenho da equipe. Entre outras coisas, porque aquele é consequência natural deste.
Jogando bem, dificilmente o Brasil deixa de vencer. E, se perder, nessas condições, a derrota será muito mais facilmente assimilável, porque sempre restará no ar a esperança de que, na próxima, virá o troco.
Jogando mal, mesmo que vença, acaba por matar a esperança, o sêmen da torcida.
É isso que não entra na cabeça dos chamados pragmáticos de plantão, dentre eles o nosso Dunga, sobretudo quando eles exumam a Seleção de 82 como um exemplo de fracasso a ser evitado como o diabo foge da cruz.
Pois, foi exatamente o inverso: mesmo derrotada, aquela Seleção recebeu um nicho na história de glórias do futebol brasileiro no mesmo nível que as do Penta (em certos casos, acima).
E por quê? Porque jogou como o brasileiro gosta que o futebol seja jogado desde quando Charles Miller desembarcou no Gasômetro com duas bolas de capotão e um par de chuteiras.
Porque a esperança talvez seja o traço mais inequívoco do brasileiro, da qual carece como um retirante faminto. E esse jeito de jogar – não o resultado propriamente dito – irradia esperança, só isso, que é quase tudo.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Seleção Brasileira
Tags: Adriano, Bezerrão, Brasil, Dunga, Elano, Luís Fabiano, Maicon, Portugal
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