Blog do Alberto Helena Jr - Part 4

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domingo, 8 de julho de 2012 Sem categoria | 21:47

GALO, FLA-FLU E OUTROS BICHOS

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E lá vai o Galo de crista alta puxando a fila do Brasileirão. É verdade que a Lusa foi uma visitante muito incômoda, com seu jogo rápido e bom toque de bola, o que só fez exaltar ainda mais a estreia do goleiro Victor, ex-Grêmio.

Ao contrário do consagrado Dida, campeão do mundo e um dos maiores goleiros da nossa história, que falhou duas vezes, dois gols do Atlético. No primeiro, trombou com Ronaldinho, antes de a bola sobrar para Marcus Rocha disparar. No segundo rebateu tiro de Ronaldinho para o meio da área, nos pés de Leonardo Silva, que matou o placar.

Mas, a grande cena da rodada desenrolou-se no Engenhão. Ao som de Cidade Maravilhosa, tocada pela afinadíssima Banda dos Fuzileiros Navais do Rio de Janeiro, o Flu venceu o Fla por 1 a 0, gol de Fred, claro, em cruzamento de Thiago Neves da direita, no centenário do mais glamoroso clássico brasileiro.

O jogo em si não foi lá essas coisas, e, na verdade, o Flamengo merecia melhor sorte, sobretudo pelo que jogou no segundo tempo, quando o Tricolor passou o tempo todo enfiado lá na sua defesa. Mas, faltou contundência ao Rubro-Negro pra mudar esse capítulo do histórico confronto.

O fato é que, com essa vitória, o Flu segura a vice-liderança do torneio, enquanto o Vasco fica em terceiro, por conta do empate com o Figueira, em Floripa, por 1 a 1, sob o atento olhar de Loco Abreu, o novo contratado do time catarina.

Até aí, nenhuma novidade. A novidade vem agora, com o São Paulo enfiando-se entre os quatro da Libertadores, ao bater os reservas do Coritiba, no Morumbi, por 3 a 1, em bela exibição de Lucas e Osvaldo, a dupla de atacantes sem centroavante do Tricolor nesta tarde de domingo.

E, tudo sob o olhar de Ney Franco, que assume o time nesta segunda-feira, feliz da vida, claro.

LÁ EMBAIXO…

Ufa, até que enfim o Santos ganhou uma. E espie só o placar: 4 a 2 sobre o Grêmio de Luxemburgo, Zé Roberto, o Gladiador, Marcelo Moreno, Gilberto Silva e cia. bela.

Quer dizer que o Peixe arrasou? Nada disso. Ao contrário, pois o Grêmio foi melhor o tempo todo. O Peixe foi, porém, cirúrgico em três bolas paradas e naquele golaço do menino Felipe Anderson, que finalmente fez uma partida à altura do que dele se espera há um bom tempo.

Assim, o Peixe emergiu da zona do rebaixamento.
Já o mesmo não se pode dizer de Palmeiras e Corinthians, que seguem pagando o preço das disputas paralelas da Copa do Brasil e da Libertadores, pois ambos atuaram com suas equipes reservas.

O Corínthians, porque ainda está curando a ressaca da conquista gloriosa de sua primeira Libertadores, foi à Ilha do Retiro e voltou de lá com um empate por 1 a 1, em jogo que vencia, sem merecer, por 1 a 0 até os 44 minutos do segundo tempo.

E o Palmeiras, recheado de meninos em campo e no banco, olhos postos na decisão de quarta com o Coritiba pela Copa do Brasil, perdeu em Campinas para a Ponte – 1 a 0. Mas, olhe, até que a garotada não decepcionou, não.

A partir da próxima rodada do Brasileirão, contudo, não haverá mais desculpas para nenhum dos dois, que, se não mais almejam brigar pelo título brasileiro, pelo menos, que fujam de tão humilhante posição na tabela, o mais rápido possível.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

sábado, 7 de julho de 2012 Sem categoria | 20:56

ESTRELAS, DE CAMAROTE

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As duas mais cintilantes estrelas da rodada, assistiram a tudo de camarote – Diego Forlán, no Beira-Rio, e Seedorf, no Engenhão. E deram sorte, pois seus dois novos times saíram de campo com a vitória.

Mas, imagino que Diego, a cara do Pablo, não conseguiu conter aquele esgar típico do pai quando contrariado – um repuxar do lábio superior comprimindo a asa esquerda do narigão.

Sim, porque o Inter venceu o Cruzeiro por 2 a 1, tomando o quarto lugar na tabela do adversário deste sábado, mas não agradou num jogo que foi verdadeira sinfonia de passes errados. Sobretudo, do Cruzeiro, que teve mais posse de bola, pressionou, porém, sem criar muitas chances, além daquele tirombaço na trave de William Magrão e da plástica bicicleta de Léo, no gol da Raposa.

O Inter, de sua parte, restringiu-se à defesa e a alguns contragolpes rápidos, como nos dois gols no primeiro tempo, o de Oscar e o de Damião.

Já Seedorf divertiu-se mais no Engenhão, vendo seu Botafogo bater o Bahia por 3 a 0, dois do menino Cidinho e outro, de placa, de Elkeson, que colheu um canhotaço, de prima, na boca da meia-lua, no ângulo.

Agora, é esperar que ambos brilhem em campo, rapidamente.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

sexta-feira, 6 de julho de 2012 Sem categoria | 12:46

MAIS CLÁSSICO, IMPOSSÍVEL

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O Fla-Flu centenário toma a cena do Brasileirão neste fim de semana, claro. Pois, não há um clássico com tanto charme e tamanha tradição no Brasil, cheio de episódios dramáticos, cômicos, até mesmo surreais como conta a história desse encontro entre esses dois grandes cariocas.

No momento – e, como ensinava mestre Rubens Minelli, futebol é momento -, o Fluminense está em melhor situação do que o Flamengo, seja na classificação do campeonato, seja no cotejo da qualidade dos elencos, mas, sobretudo, no estado emocional de cada um.

Se na Gávea reina incertezas até mesmo sobre a manutenção do técnico Joel Santana, nas Laranjeiras tudo são flores.

Mas, o Flamengo, como todo clube de massa, muitas vezes se nutre dessas crises para dar a volta por cima épica, ao cabo de cada capítulo. Por isso mesmo, não se sabe ainda o que sairá da prancheta do Papai Joel, já que o veterano Leo Moura, válvula de escape desse time pela direita, estará de fora, assim como é dúvida o menino Adryan, que salvou a pátria rubro-negra na última rodada.

Já o Tricolor carioca, embora não tenha ainda exibido todo o seu potencial neste Brasileirão, deu-se ao luxo de treinar com Fred e Thiago Neves entre os reservas. Mas, é evidente que ambos estarão em campo, ao lado de Deco, formando um trio de ouro capaz de decidir qualquer clássico.

Paralelamente, nos bastidores, fere-se outro Fla-Flu, em torno da volta ao Brasil do argentino Conca, que acaba de se desligar do seu time na China.

É evidente que os laços de Conca com o Flu são mais estreitos, pois foi nas Laranjeiras que o gringo decolou de vez, após sua saída de São Januário. Mas, quem mais precisa de seus serviços é o Flamengo, tão carente de um pingo de inteligência e habilidade em seu meio de campo povoado de muito esforço e pouco talento.

INTER E CRUZEIRO

Aí está outro clássico, este nacional: Inter e Cruzeiro, no Beira-Rio, o que já dá uma pequena vantagem ao Colorado. O Cruzeiro, porém, está surpreendendo nestas primeiras rodadas do torneio, e pode muito bem mudar esse cenário inicial.

Ainda mais que a cabeça do Inter está zonza com a vinda de Diego Forlán, o craque da Copa da África, que acaba de rescindir seu contrato com a Inter de Milão. Assim como a Raposa já começa a computar os gols que Borges lhe dará como compensação pela estiagem do artilheiro no Santos nesta temporada.

Tá mais pro Inter. Mas…

SANTOS E GRÊMIO

Por falar em Borges, o técnico Muricy terá de quebrar a cabeça para montar o ataque do Peixe a partir do clássico nacional com o Grêmio na Vila. Para preencher as vagas de Kardec, Borges e Neymar na Seleção, só poderá contar com o menino Victor Andrade – grande promessa, diga-se -, de 16 anos de idade.

Mas, diante do Grêmio, ainda terá Neymar, em discreta fase, e sem Ganso, em recuperação e descontente com a proposta de renovação de contrato feita pelo clube.

De seu lado, Luxemburgo prefere o despiste à transparência sobre o time que mandará à Vila. Mas, uma coisa é certa: marcação tripla sobre Neymar, esteja o craque iluminado ou não. É sempre bom tomar tento nesses casos.

GALOOO!

E o líder do campeonato, o Galo, vem mais forte e vingador sobre a Lusa, no estádio Independência. Sim, porque se o time anda tocando a bola com esmero e marcando gols, agora, terá um paredão no gol – Victor, que, inesperadamente, trocou o Grêmio pelo Atlético e já estreia no domingo.

Caixinha, obrigado? Nem tanto, nem tanto, que o time de Geninho anda se virando bem como livre-atirador neste Brasileirão.

Assim, o Galo não pode bobear, pois a Raposa vem aí.

E O TIMÃO?

Quem aí é capaz de me dizer que Timão teremos contra o Sport, no Recife?

Em plena ressaca pela conquista mais almejada nos seus cem anos de vida, tanto pode desembarcar na Ilha do Retiro, adrenalina a mil, e destroçar o Sport, quanto, ainda sob os vapores das doces lembranças da quarta-feira, virar presa fácil para o Leão do Nordeste.

O certo é que o Corinthians precisa agora se concentrar no Brasileirão como se fosse a final do Mundial de Clubes. Nem digo para buscar o bi, mas, antes de tudo, para escapar da humilhante posição na tabela. E, quanto mais cedo, melhor.

VERDE INCÓGNITA

E o Palmeiras, então, que enfrenta a Ponte, em Campinas?

Precisa desesperadamente escapar da zona de rebaixamento. Mas, como, se está a um passo de conquistar a Copa do Brasil, o único título nacional em doze anos de estio?

Sei lá. O jeito é botar em campo a reservera e deixar para iniciar a recuperação no Brasileirão depois do jogo final pela Copa do Brasil com o Coritiba.

Nesse caso, aumentam as chances da Ponte, que fazer/

LOCO FIGUEIRA

Loco Abreu trocou o Bota pelo Figeirense, mas ainda não terá condições legais para enfrentar o Vasco, nesta rodada.

Mas, com Loco ou não, o Figueira precisa sair dessa logo, logo, se não quiser se encrencar mais à frente. Afinal, não vence há seis jogos, e, cá entre nós, o Vasco é favorito, mesmo sendo o jogo em Floripa.

REI MORTO, VIVA O REI!

Loco Abreu, o último grande ídolo do Botafogo, saiu por uma porta de General Severiano no mesmo instante em que por outra entrava Seedorf carregado nos ombros de dois mil torcedores que o foram receber no aeroporto.

E, mesmo sem jogar, Seedorf será a grande atração do jogo deste sábado contra o Bahia de Falcão, no Engenhão, quando o holandês será apresentado oficialmente à torcida.

Entre Loco Abreu e Seedorf, porém, surge o menino Cidinho como alternativa do Botafogo para o embate com o Bahia.

Que o Glorioso dê uma digna recepção a Seedorf com a vitória que virou obrigação.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

quinta-feira, 5 de julho de 2012 Copa do Brasil, Olimpíada, Sem categoria | 17:33

SORTE DE CAMPEÃO OU CIÊNCIA DO CRAQUE?

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Se é que existe mesmo essa tal de sorte de campeão, o Palmeiras já pode mandar confeccionar a faixa de campeão da Copa do Brasil, o primeiro título de importância nacional depois de doze anos de estio.

Sim, porque conseguiu superar a inesperada perda de seu artilheiro Barcos no dia do jogo decisivo com o Coritiba, vítima de apendicite, creia, pra começo de conversa.

Em seguida, resistiu o assédio do Coxa durante todo o primeiro tempo, evitando até mesmo uma contagem que poderia definir a situação de vez já nessa partida inicial, pois o Coxa perdeu cara a cara três gols feitos, num deles com dois atacantes, sozinhos, se atrapalhando diante do goleiro Bruno já com as mãos para os céus.

Eis que, aos 46 minutos de bola rolando, num dos raros avanços do Verdão, pênalti, que Valdívia converte. E, aos 19 do segundo tempo, quando o Coritiba pressionava, mas, já sem muitas esperanças, Thiago Heleno, de cabeça estabelece os 2 a 0 finais. Finais, porque Maikon Leite ainda perdeu chance de ouro, quando o Palmeiras já estava com um a menos, por conta da expulsão de Valdívia.

Ah, sim, houve um pênalti de Márcio Araújo em Tcheco, que o juiz não deu (a propósito, ô juizinho ruim de serviço, esse, meu!). Mas, do jeito que a coisa andava, perigava Bruno pegar o pênalti ou a bola ir pra fora, sei lá.

Só sei que a tal sorte de campeão, esse sortilégio, no fundo, no fundo, foi mesmo ajudado pela ciência de Marcos Assunção nas cobranças das faltas que provocaram o pênalti, no primeiro gol verde, e o cabeceio de Thiago Heleno, no segundo.

De qualquer forma, o Verdão leva para Coritiba uma vantagem significativa, se não definitiva. Só a sorte dirá. Ou a ciência do jogo, quem sabe, desta vez prevaleça.

OS DEZOITO DE MANO

Mano chamou os dezoito das Olimpíadas com Hulk como novidade entre os três acima de 23 anos de idade, pois Thiago Silva e Marcelo eram favas contadas. Assim como o era David Luís, que acabou cedendo sua vaga a Hulk, aprovado com louvor nos amistosos recentes. Mas, sobretudo, porque Juan, ao lado de Thiago Luís, teve bom desempenho também.

A presença de Hulk, porém, provoca uma questão instigante. Se vai, é pra jogar. E, se jogar, por certo, não será no lugar de Neymar, a estrela da cia. Como Neymar e Hulk jogam pelas beiradas, Mano terá de escalar um centroavante, seja Pato ou Leandro Damião.

Assim, sobrarão três vagas no meio de campo, onde a dupla de volantes – Rômulo e Sandro – é sagrada para o esquema do treinador. Logo, Ganso terá de disputar a posição de único meia autêntico com Oscar, que esmerilhou nas últimas partidas.

Uma das alternativas que Mano queria experimentar no período dos amistosos era a formação com ambos em campo, sem um centroavante genuíno. Mas, Ganso havia baixado novamente enfermaria e não foi possível.

Aliás, essa é a grande incógnita: como estará Ganso durante as Olimpíadas? Pelo que tem jogado no Santos depois da última cirurgia, só sairá do banco em caso extremo.

Uma pena, porque, se Ganso estivesse nos trinques, Mano poderia ir pras cabeças, com apenas um volante (Rômulo ou Sandro), dois meias (Oscar e Ganso) e o trio atacante Hulk ou Lucas, Pato ou Damião e Neymar.

Mas, nem tudo é azul na canarinho, não é mesmo?

JUJU NA MOSCA

A escolha não poderia ter sido a mais adequada. Ney Franco é um mineiro inteligente, discreto, trabalhador, jovem mas com respeitável bagagem à beira do gramado, e cultor de um futebol jogado nas regras da arte, pra frente, como manda o figurino, com as cautelas básicas, é claro.

Seu trabalho à frente das seleções sub-20, com as quais ganhou cinco títulos expressivos, foi estupendo, a ponto de ter montado o time que acabará servindo de base não só para as Olimpíadas como até mesmo para o Mundial de 2014, passando pela Copa das Confederações.

Só resta agora o Coronel Juju sentar-se na varanda, munido do sagrado copo dourado, e deixar o moço trabalhar em paz, quaisquer que sejam os resultados iniciais.

ENFIM, O CHIP

Demorou demais para a Fifa decidir implantar esse chip na bola que deixa dúvidas sobre a risca do gol – entrou, não entrou? O bichinho vai dizer com segurança na hora o que aconteceu de fato.

O olho humano é tão sensível a enganos e a tecnologia atingiu tal grau de sofisticação que não dá mais para desprezá-la nos campos do futebol.

Aliás, a propósito da falibilidade do olho humano, vale lembrar que isso serviu até para que um filósofo do passado criasse a teoria segundo a qual nossa realidade, de fato, é uma irrealidade, apenas um reflexo do mundo ideal, que está em outra dimensão, lá no céu, digamos.

E, para provar sua tese, basta o cara espiar a olho nu o tampo de uma mesa. A verá, então, lisa, marron etc. Aproximando essa superfície através de uma lupa perceberá que ela, na verdade, é uma soma depequenos orifícios, de cor amarelada. Se vista sob tal ângulo, é assim. De outro, assado, e lá vai o sábio provando que todos os nosssos sentidos – a visão, o olfato, o tato, o paladar – vivem nos pregando peças. Ora, se não poemos crer nas mensagens que eles nos enviam, em que acreditar, a não ser que tudo não passa de mera ilusão, ou projeção de uma realidade que está fora do nosso alcance.

Voltemos ao chip da bola que é algo bem mais palpável, não acha, meu?

Notas relacionadas:

  1. MANO E O LUGAR-COMUM
  2. QUEM PAGA A PIZZA É O PATO DE SEMPRE
  3. BRASIL SEM GANSO
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Sem categoria | 00:32

DOIS GOLS EM OURO E PRATA

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Se eu fosse o presidente do Corinthians, mandaria esculpir em ouro e prata toda a sequência dos dois gols de Emerson Xeique que deram o título da Libertadores ao Corinthians, inscrevendo um capítulo único na história do clube, a exemplo dos povos antigos que assim relatavam suas grandes batalhas e conquistas nas paredes de seus monumentos que vararam o tempo até nós. E instalaria essa inscrição no frontispício do novo estádio do Corinthians.

Pois, a obra de Emerson, com a inestimável colaboração de todos os seus companheiros, e, sobretudo, do técnico Tite, é coisa para ser relembrada e reverenciada até o fim dos tempos alvinegros.

No primeiro, Danilo sofreu falta na direita do ataque corintiano, que Alex levantou sobre a área do Boca. Jorge Henrique desvia de cabeça pra trás, na direção de Danilo, que disputa a bola de cabeça. No pingo da bichinha, mete um calcanhar mágico, que Emerson apara no peito e fuzila de direita, aos 8 minutos do segundo tempo.

No segundo, aos 26,  o zagueiro Schiavi lhe oferece um prêmio, que Emerson agradece e dispara em direção ao gol até tocar fora do alcance do goleiro.

Se um bastava, que dirá dois gols?

Não pense, porém, o amigo que foram dois lances isolados na saga corintiana nesta Libertadores de América. Emerson Xeique já vinha sendo o guerreiro e o artífice das principais jogadas de ataque de um time que se afamou pela excelência de sua defesa.

Foi o autor do gol diante do Santos que assegurou a ida do Timão à final com o Boca, e também do passe para Romarinho que deixou seu time vivo para o jogo da volta

E, nesta noite, no Pacaembu, infernizou a vida dos zagueiros argentinos, criou as jogadas mais agudas de sua equipe e corou a espetacular exibição com os dois gols já antológicos.

De resto, é dizer que o jogo transcorreu sobre o fio da navalha, mas o Corinthians jamais perdeu o senso. E o Boca só se desarticulou de fato depois do primeiro gol corintiano.

Mas, antes disso, o Corinthians já havia dominado a bola, os espaços e o espírito do jogo, a partir de uma pequena mudança feita pelo técnico Tite já na metade do primeiro tempo, quando passou Danilo para a esquerda e Emerson ficou mais centralizado.

E assim se conta essa maravilhosa história da vida do centenário clube do povo, campeão, invicto, da Libertadores, a única taça que faltava na rica e farta galeria de títulos do Parque São Jorge. Para todo o sempre.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

terça-feira, 3 de julho de 2012 Sem categoria | 19:25

VAI, CURINTIA!

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Quando abri os olhos para o futebol, aos seis, sete anos de idade, o Corinthians amargava a longa fila de dez anos sem título, período em que o corintiano ganhou o estigma de sofredor e a sua torcida passou a ser chamada de Fiel, justamente pela fidelidade cega nessa hora de infortúnio que parecia não ter fim.

Teve, em 1951, em grande estilo, com aquele ataque arrasador – Claudio, Luisinho, Baltazar, Carbone e Mário – que rompeu pela primeira vez na história do futebol paulista a marca dos 100 gols, até então privilégio do Santos de Feitiço e cia.

Foi uma festança lá pelas bandas da Zona Leste. Mas, nem perto da celebração de 1954, quando a festa corintiana fundiu-se à do Quarto Centenário da Cidade de São Paulo. Nesse ano, o Corinthians duplicou o verso de seu hino, aquele que falava em Campeão do Centenário. Passou a ser Campeão dos Centenários – o da Independência do Brasil, em 22, e o dos 400 anos de São Paulo.

Pagou, porém, em dobro essa dupla alegria, pois o corintiano, mais sofredor ainda, levaria 23 anos para voltar às ruas soltando o grito de É Campeão!, graças ao pé de anjo de Basílio, na decisão do Paulistão de 77 contra a Ponte. A cidade, então, trepidou.

Mas, um ano antes, a Fiel havia protagonizado um episódio inédito na história do nosso futebol. Simplesmente, invadiu o Rio de Janiero, fincou a bandeira alvinegra no Cristo Redentor e dividiu com o Fluminense o, então, gigantesco Maracanã.

Foram mais de setenta mil loucos que se espalharam pela orla carioca, dormindo na praia, desfilando pela Avenida Atlântica, a pé, em bandos, em carros cobertos pela bandeira alvinegra, uma algazarra que varou a noite da véspera e o dia do jogo.

Lembro que me hospedara dias antes no mesmo hotel da delegação corintiana – Nacional, em São Conrado -, para acompanhar de perto os treinamentos do Fluminense, a Máquina do Dr. Horta, um timaço, cuja cereja no bolo era ninguém menos do que Rivellino, o Reizinho do Parque, destronado pouco antes para assumir a coroa tricolor.

Duque, o técnico corintiano, ao saber da minha presença no hotel, pediu-me para levar um papo no quarto dele, um verdadeiro relicário de santinhos e ícones do candomblé, em meio a densa fumaça exalada por velas e incensos espalhados por todos os criados-mudos e mesas.

Relatei, então, ao Duque o que vira nas Laranjeiras e que reproduzira nas minhas colunas do Jornal da Tarde. E o principal nem era Rivellino. Era o volante Carlos Alberto Pintinho, para o bem e para o mal. Quando ia ao ataque, Pintinho era um perigo. Mas, demorava para voltar. Se Duque alertasse um dos seus volantes – Ruço ou Givanildo -  para que entrasse às costas de Pintinho, a porteira se abriria.

Por sorte, mandinga ou ciência, Ruço, às costas de Pintinho, foi o autor do gol de empate – não por acaso, Pintinho havia aberto a contagem. Nos pênaltis, o Corinthians se classificou para decidir o título nacional com o Inter de Falcão e cia. bela. E aí, meu, nem toda sorte, mandinga ou ciência daria jeito.

Mas, o que se sente no ar, às vésperas da decisão da Libertadores com o Boca, é a antevisão de um festa que haverá de superar a todas aqui lembradas agora, até mesmo à da conquista do título mundial, sobre o Vasco.

É que, mesmo o Mundial valendo mais do que a Libertadores, um torneio continental, no fundo da alma da Fiel pulsa a certeza de que só ganhando a sua primeira Libertadores terá validado definitivamente aquele Mundial e todos os que virão, se o destino quiser.

Assim, prepare-se, meu amigo, que, em caso de vitória corintiana – um gol de cabeça de Danilo, um disparo de Emerson, uma falta bem cobrada por Alex, ou mais um prodígio do menino Romarinho – e a cidade vai explodir numa alegria sem par.

E, se perder? Bem, se perder, o corintiano sabe melhor do que qualquer outro como trabalhar com o sofrimento, transformando-o em dois tempos na mais leve esperança que sempre acompanha os passos da Fiel ao longo dessa caminhada eterna, traduzida no grito que nunca se cala Vai Curintia!

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segunda-feira, 2 de julho de 2012 Sem categoria | 16:10

O NOSSO TRI E O DA FÚRIA

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A imprensa europeia se derrama em elogios à Fúria, comparando-a à Seleção Brasileira de 70, aquela que foi, seguramente, a melhor da história do futebol mundial.

A Hungria de Puskas, a Holanda de Cruuyjff e o Brasil de Zico, Sócrates, Falcão, Júnior e cia. foram espetaculares, mas não levantaram a taça. Somente a Alemanha de Beckenbauer, campeã de 74, se perfilaria ao lado dessa Espanha e daquele Brasil.

Aliás, já fiz há tempos, aqui mesmo, essa comparação entre os estilos de jogo do Barça, base e inspiração da Fúria, e a Seleção do Tri. O Barça, ainda mais do que a Fúria, porque, além, de jogar com um volante apenas (Busquets), tem Messi para contrabalançar um tantinho assim com Pelé. E tem um lateral-direito de escol, o nosso Daniel Alves, incomparavelmente superior a esse Arbeloa que mal sabe dominar uma bola, nem marca, nem ataca, o que fez da Fúria na Eurocopa um time capenga.

As semelhanças estão na paciência com que os dois times tocam a bola, sob o comando de Gérson, em 70, e de Xavi, agora. E, sobretudo, a predominância dos meias que rareiam no futebol de hoje. Na Espanha, lá estão Xavi, Iniesta, Fàbregas e Silva. No Brasil do México, Gérson, Rivellino, Pelé, Tostão e Jairzinho, todos meias em seus respectivos clubes, uns mais de armação, outros, mais ofensivos.

A diferença está na qualidade técnica dos adversários. Em 70, o Brasil cruzou com verdadeiros timaços, como a Checoslováquia, o Peru de Teófilo Cubillas, a Romênia de Dumitrache, a Inglaterra de Bob Moore, o Uruguai de Cubilla e a Itália de Rivera e Sandrino Mazzola. Percurso muito mais pedregoso do que o enfrentado pela Espanha nesta Eurocopa.

O mais importante, porém, é que essa Espanha, pela terceira vez consecutiva, derruba o mito modernoso de que o futebol mudou tanto a ponto de não mais caber no mesmo time a eficiência e o espetáculo, a capacidade de se defender e a de tocar a bola, envolver o adversário e marcar gols. De que a força predomina sobre a técnica e a arte de jogar bola esfumaçou-se com o passar dos tempos.

Se não erro nas contas – e sempre erro -, a Espanha, em seis jogos da Eurocopa, marcou onze gols e sofreu apenas um, e, desde a conquista da Euro em 2008 não perde uma partida oficial. E, ainda por cima, dá olé.

Que querem mais esses patéticos defensores do antifutebol?

O CANTO DO GALO

Só neste fim de semana, quatro times ocuparam a liderança do Brasileirão. A rodada começou com o Cruzeiro no topo, passou pelo Flu, voltou ao Vasco e acabou no terreiro do Galo.

Só isso mostra como é competitivo esse Brasileirão, único campeonato nacional no mundo que tem, habitualmente, no mínimo, dez concorrentes ao título, em princípio. O que não quer dizer necessariamente bem jogado.

Pode ser que me engane, o que não seria nenhuma novidade. Mas, algo me diz que o Atlético Mineiro vai fincar raízes lá em cima. Digo isso porque vejo ali um elenco qualificado a ponto de manter no banco dois atacantes que seriam titulares em quase todos os outros concorrentes: Guilherme e André. E, no gramado, o contraste do veterano Ronaldinho, de alma renovada, ainda que longe de seu auge técnico, com o menino Bernard, de muita bola e invenção.

A propósito, vendo o garoto jogar – e o vejo desde aquela Taça Belo Horizonte em que ele se destacou no ano passado ou retrasado, já nem sei, pela velocidade com que os dias andam passando -, lembro Juninho Paulista; loirinho, franzino, baixinho, hábil e rápido nas resoluções das jogadas. A leve diferença é que Juninho jogava mais pelo meio, e Bernard ocupa de hábito o lado esquerdo do ataque carijó.

Juninho surgiu no Ituano, transferiu-se para o São Paulo, de onde saltou para a Seleção Brasileira, a Europa e encerrou sua carreira com o raro título de campeão mundial, entre outros.

Bernard, que terá como toda jovem promessa suas naturais quedas de rendimento, tem tudo para cumprir roteiro semelhante.

É NÓIS!

Outro dia, antes mesmo do empate na Bombonera, um amigo me perguntou se eu conhecia algum cambista honesto, pois estava disposto a gastar qualquer nota para ver seu Corinthians no Pacaembu, disputando a final da Libertadores com o Boca.

Enfatizou: qualquer grana, pois não há preço para uma lembrança dessas.
Infelizmente, não conheço nenhum cambista, honesto ou não. Mas, vejo na Internet que há gente oferecendo o ingresso de 80 mangos por 22 mil reais, isso mesmo, 22 mil reais – a poupança de uma vida para a imensa maioria desses 30 milhões de loucos espalhados por esse Brasil afora.

Por aí o amigo pode medir a importância do título das Américas para um clube que já foi campeão até do mundo, sem falar na série recorde de campeonatos paulistas e nos tantos brasileiros já conquistados. A Libertadores é a taça que falta na gloriosa e farta galeria do Parque São Jorge. E está, pela primeira vez, aí, ó, a um beiço.

Basta o mínimo, 1 a 0, gol de… Claro, nos devaneios desse bando de loucos, o nome está na ponta da língua – Ro-ma-ri-nho!

Era só o que faltava para arredondar o grito que ecoará pela cidade, espalhando-se por todos os cantos do país e até mesmo em Buenos Aires, pois corintiano tem em toda parte do planeta: É nóis, mano!

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

domingo, 1 de julho de 2012 Sem categoria | 22:12

ESPANHA, OLÉ!

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Aí, então entra em cena o pragmático de plantão e sentencia: ninguém é capaz de reproduzir o futebol dessa Espanha que acaba de massacrar a Itália por 4 a 0 e levantar o terceiro caneco de ouro em seguida – o bi da Eurocopa e, de quebra, um Mundial.

Isso exige muito entrosamento, treino e tal e cousa e lousa e maripousa. O mesmo, aliás, dizem do Barça, base e inspiração dessa Fúria campeoníssima, que reúne a seus pés toda a eficiência e toda beleza do futebol na sua mais pura essência.

Não creia nisso, meu amigo, pois tais argumentos não passam de pretextos dos ignorantes e medrosos que se apossaram dos nossos campos há mais de duas décadas.

Só é preciso mesmo um pingo de ousadia e muita percepção.

Por exemplo: dê uma espiada em todo o elenco da Espanha na Eurocopa, titulares e banco. Procure aí um único e maldito cabeça de área. Não achará. Afora os dois volantes, Busquets e Xabi Alonso, de alta técnica, são todos meias e atacantes, se não contarmos os laterais e zagueiros de praxe.

E, mesmo os atacantes de ofício – Torres, Llorente e Negredo – só saem do banco em situações especiais. De resto é jogar a bola para todos aqueles meias habilidosos – Fàbregas, Xavi, Iniesta, Silva, Mata, Cazorla e cia.bela.

Isso, não para jogar uma partida festiva de fim de ano, não. Mas, sim, para disputar o segundo maior torneio de seleções do planeta. Talvez, o maior, pois o Mundial, por conta da política da boa vizinhança, exibe muita baba que a Eurocopa não abriga,

O resultado disso é esse toque de bola envolvente e fatal, que desperta surpresa nos mais jovens e despeito travestido de desconfiança dos pragmáticos de plantão.

Já disse e repito à exaustão. Era assim que jogávamos até o início dos anos 90, pelo menos. Não apenas as nossas seleções, mas os times brasileiros em geral. Não há nada de novo, a não ser esse velho e rabugento futebol de resultados que sugou nossa alma e cegou nossa visão.

GALOOO!

E, na dança da liderança do Brasileirão, eis o Galos cantando vitória, sozinho, no topo da tabela. Vitória obtida nos pampas do Grêmio, com Zé Roberto e tudo o mais a que tinha direito o Tricolor gaúcho.

Foi por um gol apenas, é verdade. Mas que gol, meu amigo, que gol. Olhe só o que fez esse menino de ouro Bernard, junto à linha de fundo, pela esquerda. Simplesmente, num palmo de terreno, deu dois lençóis (um, de calcanhar) nos beques tricolores e serviu Jo de bandeja para definir o placar.

Faz tempo que estou dizendo: esse garoto é aço, meu.

ADRYAN É O NOME

Outro garoto que entrou para resolver foi Adryan, de 17 anos. O Flamengo penava no Engenhão diante do lanterna Goianiense, quando o pivetinho foi chamado para decidir a parada. Na primeira bola, enviou-a na cabeça de Murício. Na segunda, foi às redes. Com os dois gols de Renato, o Mengo salvou-se por 3 a 2, para alívio de Joel Santana que já está enjoando de tanto balançar na Gávea.

VERDÃO, UFA!

Afinal, o Palmeiras venceu sua primeira partida no Brasileirão: 3 a 1 no Figueira, de virada. Dito assim parece que foi mole, mas não foi, sobretudo porque o Figueirense abriu o placar com um golaço de Júlio César, e jogou melhor em boa parte do tempo.

Mas, o Verdão, embora com uim mistão bem temperado, foi lá, com Román, Barcos e Maikon Leite e ganhou uma dose extra de esperança na disputa da Copa do Brasil, com o Coritiba, que perdeu, também de virada, para o Sport, no Couto Pereira.

XIIII. PEIXE…

O clássico no Canindé terminou em 0 a 0, com a bola do jogo nos pés de Borges – Neymar, caindo, serviu o centroavante livre, na cara de Dida, e… bola pro mato.

A Lusa, porém, meteu bola na trave, criou várias chances e foi mais organizada do que o Santos o tempo todo.

O negócio está ficando preto para os lados da Vila.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

sábado, 30 de junho de 2012 Sem categoria | 21:57

A DANÇA DOS LÍDERES

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Quando o Cruzeiro assumiu a liderança, encerrei estas mal traçadas linhas com as nuvens do político mineiro: você olha, parece uma galinha; olha de novo, e é um elefante.

Assim é a tabela do Brasileirão, sobretudo neste período inicial, quando os clubes ainda estão se arrumando dentro do torneio, além da paridade entre vários dos concorrentes.

Este sábado, por exemplo, começou com o Cruzeiro líder, e o Vasco em terceiro. Terminou com as posições trocadas. E, entre o jogo de um e de outro, o Fluminense ocupou a liderança por algumas horas.

Ora, como a rodada mal começou e o Galo, o Grêmio e o Inter estão na parada, quem sabe que figuras as nuvens do Brasileirão formarão ao fim do domingo?

O fato é que foi um sábado de bola cheia, no Independência, nos Aflitos e no Engenhão. Partidas movimentadas, cheias de alternâncias, bem jogadas e plenas de emoção.

Virada vascaína

Dessas, a mais surpreendente, pelo menos, foi a virada do Vasco sobre a Ponte. Surpreendente, sobretudo, pela atuação da Ponte, que atingiu o equilíbrio exato entre defender-se e atacar uma equipe, tecnicamente, superior.

E, cá entre nós, só não saiu vencedora porque desperdiçou chances claras e ofereceu dois gols ao Vasco, em falhas de Lucas, que furou na cruzada de Alecsandro para Eder marcar o segundo de seu time, e cometeu o pênalti que Diego Souza converteu no gol da vitória.

O Vasco, por seu turno, embora não jogasse o que sabe, teve maior posse de bola e soube fazer o placar quando as oportunidades foram criadas.

A queda da Raposa

A partida foi disputada sobre o fio da navalha, do início ao fim, no estádio (ou arena, se preferirem) Independência.

A Raposa, defendendo a liderança, com certo exagero na presença de um zagueiro a mais como lateral (Léo) e tantos volantes, e o São Paulo, em crise, buscando afirmação, mas, com dois pés atrás, na volta dos três zagueiros, sucata que parece estar voltando à moda neste atrasadíssimo Brasil da bola.

Sucede que, apesar de tantos cuidados defensivos de parte a parte, o jogo fluiu lá e cá, com lances agudos nas duas áreas. E, logo aos 11 minutos, Luís Fabiano abriu a contagem, numa falha de Rafael Donato, predestinado a ser o nome do jogo, para o bem e para o mal.

Tanto, que de sua cabeça de ferro nasceram os dois gols do Cruzeiro, que, no entanto, sempre esteve atrás no placar, com os gols de Lucas e Jadson. Placar que esteve a pique de virar goleada se Fábio não pegasse aquele pênalti cobrado por Luís Fabiano. Ou, acabasse em empate se o juiz desse aquele pênalti sofrido pelo mesmo Donato, mais à frente.

Assim, o São Paulo dá sinais de recuperação, mantendo-se ali numa zona de disputa, a quatro pontos do líder deste sábado. E o Cruzeiro mantém-se vivo entre os que seguem em direção ao topo da tabela.

Flu, no sufoco

Já o Fluminense passou um suadouro nos Aflitos e salvou-se graças às providenciais defesas de Diego Cavalieri e o oportunismo de Samuel, o garoto que substituiu mais uma vez o artilheiro Fred.

Entre eles, os passes exatos de Deco. De resto, só deu o Timbu, que criou e perdeu uma pá de chances dourados.

SEEDORF E A ESTRELA

Ele nasceu nosso vizinho de cima, no Suriname, tem bela cobertura na Cidade Maravilhosa, é casado com uma brasileira e fala português mais fluentemente que muitos dos nossos companheiros da latinha.

O Corinthians chegou a espichar os olhos na sua direção, mas Seedorf preferiu vir mesmo para o time da Estrela Solitária, onde formará um meio de campo de se tirar o chapéu com Renato.

Revelado por aquele Ajax campeão do mundo, de Van der Sar, os gêmeos de Boer, Overmars, Kanu, Kluivert, Dani Blind, Davids e cia. bela, alcançou o auge no Real de Zidane e jogou muito ainda no Milan.

Já descendo o morro da fama, Sedorf ainda tem muita lenha pra queimar. Só é preciso dar-lhe um tempinho de adaptação ao nosso futebol, tão atrasado taticamente que certamente será um choque para esse nobre holandês.

De qualquer forma, uma grande atração, o suficiente, ao menos, para tirar o botafoguense da depressão habitual. Ou não?

FOI-SE O CAVALHEIRO

Os amigos mais jovens, por certo, nunca ouviram falar de Carlos Alberto Cavalheiro, que saiu da vida aos 80 anos neste sábado.

Pois lhes digo que, antes de mais nada, não negava o nome: era um verdadeiro cavalheiro, dentro e fora dos campos. Tanto, que, como oficial do Exército, jamais aceitou se profissionalizar como jogador de futebol. Não aceitava receber salários do governo e de um clube de futebol ao mesmo tempo. Vivesse hoje teria sido internado no primeiro manicômio disponível como péssimo exemplo para os poderosos de plantão.

Figura singular em seu tempo, os anos 50, era o único amador em atividade no futebol brasileiro, defendendo a meta do Vasco, da Lusa e das várias Seleções Olímpicas a que serviu, exatamente por essa sua peculiar situação.

Ao pendurar as chuteiras (não digo luvas, porque naquela época isso não era moda entre nós), Carlos Alberto foi um dos pioneiros na função de Supervisor de alguns clubes brasileiros, o equivalente, hoje, a gerente de futebol.

Sempre sóbrio, cortês, desapareceu aos poucos, imperceptivelmente, da cena do futebol. E, agora, definitivamente do nosso convívio.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

sexta-feira, 29 de junho de 2012 Sem categoria | 10:06

LÍDERES EM CLÁSSICOS

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O líder Cruzeiro e o vice Atlético defendem suas nobres posições nos dois clássicos deste fim de semana do Brasileirão, contra São Paulo e Grêmio, respectivamente.

A Raposa recebe no Independência um São Paulo em crise, finalmente sob o comando de Juju, o técnico, ops!, perdão, o auxiliar Milton Cruz, no lugar do despedido Leão.

Paulo Miranda, obviamente, foi barrado até mesmo da formação com três zagueiros de ofício adotada pelo técnico interino. Assim como é possível que Casemiro perca seu lugar no time para Maicon. Sem Cícero, lesionado, que vinha se constituindo no principal jogador da equipe – ou, pelo menos, o mais regular -, e sob a pressão encomendada à torcida organizada, não dá pra dizer que São Paulo enfrentará o Cruzeiro em Belo Horizonte – se um time aguerrido, mordido pela desconfiança interna, ou uma equipe fragmentada emocionalmente, presa fácil da Raposa.

Esta, ao contrário, espia o adversário lá do topo da tabela com confiança, segura de suas possibilidades sob o comando de Celso Roth.

Vejamos, vejamos.

Já o Galo vai ao Olímpico, no domingo, para enfrentar um Grêmio altivo e reforçado por um nome de peso: o meio-campo Zé Roberto, aquele mesmo revelado pela Lusa, tantas vezes selecionado pelo Brasil, e que fez fama e fortuna nos campos da Alemanha.

Incansável ainda, apesar de beirar os 40 anos de idade, Zé Roberto parece ter, com o tempo, sofisticado ainda mais se futebol tão refinado até atingir aquele nível de simplicidade que toca somente aos craques verdadeiramente acabados.

Pelo menos, é o que disseram seus companheiros, logo depois do primeiro treinamento de Zé Roberto no Grêmio.

O Galo, porém, está com a macaca e responde com um nome de igual peso no cenário mundial – Ronaldinho Gaúcho em fase de recuperação -, além de uma pá de jogadores de alto nível, entre os quais se destaca o menino Bernard.

Ou muito me engano, ou este será o jogo da rodada. Entre outras coisas, porque o Grêmio está a um ponto do Galo na tabela, o que acirra ainda mais a disputa.

HORA DO PEIXE

Esta é a hora de o Peixe começar sua reação no Brasileirão, antes de perder de vez Rafael, Ganso e Neymar para a Seleção Olímpica.
Com o moral abalado pela desclassificação na Libertadores diante do rival Corinthians,  Elano arrastando suas correntes em campo e sem um banco à altura, o Peixe terá de buscar uma força interior extra para superar suas desditas, diante da Lusa, no Canindé.

Traduzindo: ou Neymar resolve tudo isso, ou o Peixe mergulha em águas tão turvas que corre o riso de perder o rumo de vez.

RECOMEÇO DO VASCO

O Almirante vinha todo pimpão no comando da nau Brasil, e, de repente, despencou para terceirão. Calma, nessa hora, minha gente. Nem de longe se trata de um naufrágio, apenas uma pequena turbulência, um caldo, se tanto, pois o Vasco está simplesmente a um ponto de distância do topo e a uma vitória para reconquistar a liderança, em caso de duplo tropeço dos mineiros e consequente ascensão do Grêmio.

Mas, ganhar da Macaca, mesmo em São Januário, não será moleza, não. Que o digam Botafogo, Corinthians e Flamengo, pra ficarmos com os bambas do eixo Rio-SP.

Obviamente, o Vasco é mais time e, mesmo sofrendo, haverá de se manter à tona do campeonato.

FLU E INTER

Fluminense e Inter, dois dos melhores elencos do país, estão na bica de cavar uma vaga entre os quatro primeiros, a chamada zona da Libertadores.

O Flu vai aos Aflitos pegar um Náutico sem Araújo, artilheiro do time, que voltou a esmerilhar no Recife, depois de uma passagem apagada pelas Laranjeiras. E vai sem Fred, novamente, qual a novidade?

A novidade é que Thaigo Neves está de volta e Deco, apesar de poupado do treino, espera alcançar sua melhor performance nesta temporada, desde que desembarcou no Rio vindo de Londres.

A verdade, porém, é que o Tricolor ainda não conseguiu embalar uma campanha ao nível da qualidade de seu elenco. E não terá vida fácil nos Aflitos diante do Timbu, com ou sem Araújo.

O Inter, por seu lado, vai se firmando na disputa como um visitante incômodo, a ponto de estar invicto fora de casa. E pega um Bahia sem grandes saltos e ainda sem Kleberson, que acaba de chegar ao Tricolor, lá no Pituaçu.

Com a dupla de ouro na armação – Oscar e D’Alessandro – servindo ao goleador Leandro Damião, o Inter deverá ter o imprevisível Jajá ao lado desse trio ofensivo.

O Colorado promete.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

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