O REINÍCIO PARA OS SEIS
O Grêmio chega ao Pacaembu cheio de moral pela vitória no Gre-Nal, mas com os cuidados devidos. Afinal, passarinho na muda não pia. E o Grêmio, sob o comando de Celso Roth está mudando a plumagem. Nesses casos, justifica-se a preocupação de Roth, mesmo ratificando o conceito, nem sempre verdadeiro, de que se trata de um mero retranqueiro: “Primeiro, é não tomar gol. Depois, tentar fazê-lo”.
Essa é a palavra de ordem no Grêmio para enfrentar um Corinthians líder, campeão virtual do primeiro turno e tal e cousa e lousa, mas jururu pelos resultados das últimas nove rodadas, incluindo, claro, a derrota para o arquirrival Palmeiras no domingo.
E, Tite, já tão questionado no Parque, apesar da liderança alcançada e mantida praticamente ao longo de todo o primeiro turno, tem uma questão espinhosa pela frente. Seu nome: Alex.
Contratado a peso de ouro como grande esperança de incutir uma dose extra de habilidade e descortino ao time, demorou para entrar. Entrou um tanto vacilante, depois fez duas ou três partidas excelentes, para cair no ramerrão do resto da equipe nesta fase sombria.
Está mesmo machucado, ou simplesmente magoado por não ser escalado na posição que mais lhe agrada: no ataque, pela esquerda? Não me atrevo a duvidar das pessoas, desde que não me ofereçam razões claras para tanto.
O fato é que não consigo entender por que, com Danilo recuperado, atuando na sua posição original, de meia-armador, Alex não pode rolar ali na faixa em que gosta. Um complementa ou outro, não há exclusão nesse caso.
Contudo, nem essa pareceu ser a preocupação de Tite, que resolveu sacar Jorge Henrique para escalar em seu lugar o volante Edenílson, rompendo o sistema com três atacantes que deu tanto certo quanto errado. Como disse, passarinho na muda não pia.
Mas, enfim, trata-se de um clássico nacional, o Timão não pode bobear desta vez, na abertura do segundo turno, se quiser evitar que o ti-ti-ti vire TUM-TUM-TUM!
FLA COM BALA
O jogo é na Ressecada e o Avaí vem de vitória comovedora sobre seu rival doméstico, o Figueira, de tão bom desempenho no Brasileirão até agora. Isso, na cabeça do avaiano, diminui em muito a enorme distância que separa o seu time do vice Flamengo. E, uma eventual vitória dessas pode muito bem servir de ponto de inflexão para o Avaá iniciar sua fuga da zona do rebaixamento.
Mas, o Mengo é o Mengo, de Ronaldinho e também de Thiago Neves, que volta ao time nesta quarta-feira, ainda que desfalcado de dois ou três titulares. E o Flamengo tem bala para se impor em Floripa. Na pior das hipóteses, mais um dos tantos empates que timbraram a campanha rubro-negra neste Brasileirão.
TRICOLOR E VASCO
São Paulo e Vasco codividem o terceiro lugar do campeonato, em pontos ganhos, com vantagem para o Tricolor nos critérios de desempate.
O São Paulo é um time em formação, cheio de excelentes alternativas para o técnico Adílson Batista, do meio de campo pra frente. Por exemplo: não terá Carlinhos Paraíba, suspenso. E daí? Pode ter Denílson, Cañete, que ainda não estreou, mas, chegou coberto de fama, Cícero, recuado, para abrir uma vaga a Rivaldo ou Marlos, sem falar em alternativas mais ofensivas, como Henrique ao lado de Dagoberto, com vistas ao Fluminense, que desembarca no Morumbi sob as maiores suspeitas nas próprias Laranjeiras.
Já o Vasco, que vinha no embalo, desprezando a vaga na Libertadores, já conquistada, mas mirando o topo da tabela, ninguém é capaz de prever como se comportará contra o Ceará, sempre perigoso, ainda sob o impacto do trauma sofrido por seu técnico Ricardo Gomes, um dos grandes responsáveis pela grata recuperação do Almirante nesta temporada.
Tanto pode ser de funda depressão, quanto de um esforço extra para homenagear seu comandante combalido num leito de hospital, entre a vida e a morte, literal ou metaforicamente falando.
Só vendo.
GLORIOSO E VERDÃO
No início de tudo, ambos eram dados como cartas fora do baralho. Todavia, no transcorrer do primeiro turno, Botafogo e Palmeiras, apesar de todos os resmungos das duas torcidas, se mantiveram ali rondando ou frequentando o clube exclusivo do G-4.
E começam uma eventual arrancada no segundo turno, enfrentando-se no Engenhão, motivados, sobretudo, pelas vitórias diante de seus antigos rivais: Flu e Corinthians, respectivamente.
O Botafogo sofre a perda de seu zagueiro Antônio Carlos, bom atrás e ótimo na frente, com seus cabeceios fatais em bolas paradas.
O Palmeiras, porém, sofre mais, muito mais, pois Felipão não poderá contar com os quatro jogadores de frente – Valdívia, a serviço da Seleção Chilena, Maikon Leite, Luan, e, possivelmente Kleber, sob cuidados médicos.
Não é mole, não, meu camaradinha, para um time que carece de peças de reposição como o Palmeiras.
AVISO AOS NAVEGANTES DESTE BLOG: Antes que me venham injuriar por não tratar dos demais jogos da rodada desta quarta-feira, foi minha decisão soberana de cuidar apenas daqueles jogos em que os seis lá da ponta brigam por situações mais nobres. Os demais, que me desculpem, se possível.