Pena que D’Alessandro e Wellington Nem estejam de fora desse super clássico nacional, pela Libertadores, entre Inter e Fluminense, no Beira-Rio.
D’Ale é aquele meia-esquerda habilidoso, inteligente, que, na ausência de Oscar, carrega nos ombros a tarefa de organizar sozinho o ataque de seu time. E Nem é aquele menino de Xerém, que ganhou espaço no Figueira, igualmente canhoto, mas atacante nato, desses que invadem a área inimiga aos dribles e têm pleno discernimento entre a finalização e o passe fatal.
Em compensação, o Flu terá novamente Fred em campo. Mas, que Fred? Aquele centroavante ao mesmo tempo técnico e oportunista, que entra e sai da área com a maior desenvoltura, ou o Fred limitado em seus movimentos pelas constantes lesões que o deixam mais na enfermaria do que em campo?
Já o Inter não tem nenhuma compensação, a não ser a volta de Guiñazu, cuja única identificação com D’Alessandro é ser igualmente argentino, pois o futebol de um é a antítese do outro.
Como o jogo é no Beira-Rio, o Colorado leva pequeno favoritismo. E só.
PEIXE NAS ALTURAS
Já o Peixe tem de nadar contra a corrente, subir o morro até La Paz e ainda manter o gás necessário para aguentar a correria da turma do Bolívar e a velocidade traiçoeira da bola naquelas alturas.
Isso tudo, às vésperas de um clássico que poderá até definir desde já o campeão paulista.
Não é mole, não, meu. Em contrapartida, o Santos tem Neymar, esse menino de ouro, de pulmões e músculos de aço, que joga por prazer e para nos divertir com suas invenções sempre renovadas.
Mas, não tem um lateral-direito à altura do resto do time. Se nem o titular – o uruguaio Fucile – dá conta do recado, que dirá o reserva do reserva improvisado (Henrique, machucado), o reinscrito de última hora, Maranhão?
Ah, mas o rapaz meteu um belo gol de cabeça ainda no domingo, pelo Paulistão, dirá o amigo mais otimista. É verdade, graças àquele passe magistral de Neymar. Contudo, na bola rolando, Maranhão cometeu algumas gafes imperdoáveis.
Apesar de tudo, o Peixe tem bala e bola pra voltar à Vila numa boa, já que até um empatezinho maneiro (de preferência, com um gol lá fora) virá a calhar.
PANE NO GOL
Júlio César falhou em dois gols da Ponte, assim como Deola, na mesma proporção, diante do Guarani, pelas quartas de final do Paulistão, domingo.
Claro que não foi só por isso que Corinthians e Palmeiras caíram fora do torneio antes da hora prevista. Mas, o fato é que Júlio César há tempos caminha sob a sombra da suspeita de que não tem estatura para guardar a meta do Timão, sobretudo em momentos decisivos. E Deola é assombrado a cada jogo pela lembrança de Marcos, simplesmente o maior goleiro da história verde e ídolo incomparável de uma torcida que há muito não tem outro herói a quem incensar.
Na verdade, ouso dizer que o futebol brasileiro, em geral, vive uma crise de goleiros, depois de um período de fastígio, desde Taffarel a Júlio César, passando por Dida e Marcos. Na ponta do lápis, só restou Rogério Ceni, dessa safra dourada, ainda em recuperação de séria lesão, já pra lá de trintão.
Dos mais rodados por aí, Fábio, do Cruzeiro, é o mais regular, e, talvez, Muriel, do Inter, o mais promissor.
Sim, há Jefferson, do Botafogo, Fernando Prass, do Vasco, Diego Alves, do Valencia, bons arqueiros, mas nenhum paredão, como gostava de diferenciar o saudoso comentarista Mário Moraes, Leão para os mais íntimos.
No caso específico do Palmeiras, uma escola de grandes goleiros, a alternativa é Bruno, que já demonstrou ter qualidades, mas é preciso vê-lo mais vezes em ação para um julgamento adequado.
E, no do Corinthians, Danilo, em quem Tite diz depositar confiança (nem poderia dizer o contrário, óbvio), que, a exemplo de Bruno, carece ser testado pra valer.
Enquanto isso, permanece no nosso gol apenas a incerteza.
OLIMPÍADAS
Saiu a lista dos nossos adversários no futebol das Olimpíadas: Egito, Bielorrússia e Nova Zelãndia. A princípio, nenhum bicho-papão. Ao contrário: se fizermos o mínimo necessário, estaremos já no mata-mata.
O diabo é saber se o faremos, com tanta descrença cercando a Seleção Olímpica, que se funde intrinsecamente à Seleção da Copa.
Sim, porque do time olímpico é que nascerá a verdadeira Seleção Brasileira para a Copa das Confederações, e, em seguida, o Mundial pra valer, disso ninguém tem dúvida.
Afinal, vivemos um período de entressafra, uma transição entre a turma de Júlio César, Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Lúcio etc. para a de Neymar, Ganso, Lucas, Leandro Damião, Oscar e cia. bela.
A vantagem para os olímpicos em relação ao time principal que nos tem representado em amistosos nestes dois últimos anos está justamente no retrospecto. Enquanto os marmanjos, com algumas injeções dos novatos, vacilaram nos principais confrontos realizados, os garotos fizeram bonito em dois torneios essenciais – o Sul-Americano e o Mundial Sub-20.
Claro que os garotos carecem de mais cancha internacional com a camisa amarelinha. Mas, isso virá justamente com a disputa olímpica e com a Copa das Confederações.
Pena que essa não seja esta a convicção dos novos mandatários da CBF, que exalam aqui e ali reticências sobre a permanência de Mano Menezes à frente do time nacional.
Depende do comportamento da equipe nas Olimpíadas, deixam no ar os cartolas.
Depende do quê? De ganhar uma competição que jamais conseguimos vencer? Se for isso, Mano Menezes não merece apenas seguir á frente da Seleção Brasileira, mas, sim, um nicho especial no panteão dos heróis nacionais. Afinal, técnicos campeões do mundo foram cinco – Feola, Aymoré Moreira, Zagallo, Parreira e Felipão. Olímpico, no caso, apenas Mano.
Ou depende do desempenho da equipe, em especial deste ou daquele jogador que confirme ou se revele capaz de ser titular numa Copa do Mundo sem sombra de dúvidas, mesmo que não alcancemos a tão almejada medalha de ouro?
E, mesmo sendo o contrário, não esqueçamos que muitos craques, alguns monstros sagrados, que mais tarde se consagraram em Copas do Mundo, fracassaram em Olimpíadas. A lista é enorme, começando com Vavá, e passando por Gérson e tantos outros.
É verdade que, para as Olimpíadas, Mano terá um tempo maior de preparação da equipe do que lhe é destinado para a Seleção principal nos amistosos, quando convoca hoje, reúne amanhã e joga no dia seguinte em qualquer parte do mundo.
E, se Mano colocar em campo seu discurso correto, segundo o qual o Brasil tem de voltar a ser protagonista, praticando um futebol mais envolvente e ofensivo, não tenho dúvidas de que faremos boa figura, com os jogadores que aí estão à sua disposição. E estaremos a um passo de cumprir uma Copa do Mundo digna, em casa.
UM CRIME
Foi mais um crime lesa-futebol entre tantos já perpetrados ao longo da história desse joguinho cheio de caprichos: Barça 2, Chelsea 2, em pleno Camp Nou.
Aliás, nem se pode dizer que tenha sido um confronto entre catalães e ingleses, pois, mais uma vez, só o Barça buscou jogar bola. O Chelsea, novamente, apenas se defendeu o tempo todo. Na maior parte do jogo, na verdade, os ingleses postavam-se com nove jogadores de linha, além do goleiro, dentro da sua própria área.
Claro que há um traço heroico na tenacidade e concentração com que o Chelsea se defendeu, principalmente depois de perder seu capitão Terry, expulso justamente por ter dado uma joelhada nas costas de Alexis Sanchez, fora do lance da bola.
Apesar disso, permitiu vinte e duas finalizações a gol do adversário, com direito a duas bolas nas traves disparadas por Messi, uma de pênalti, creia, afora cerca de quatro chances de ouro desperdiçadas.
E, aí está a diferença: Messi, aquele que sempre fez a diferença a favor do Barça, desta vez, foi o inverso. O melhor jogador do mundo, incontestável, positivamente atravessa sua pior fase os últimos três anos.
Errou passes que normalmente acerta, e, o mais importante, passa a sensação de que não tem a mesma confiança de sempre para tentar a jogada pessoal, a série de dribles desconcertantes que marcam de hábito sua presença em campo.
Contudo, mesmo sem o Messi genial de sempre, o Barça tocou a bola com ciência e, ainda no primeiro tempo, chegou a abrir 2 a 0 no placar, com Busquets e Iniesta, em duas jogadas trabalhadas, de pé em pé, dentre tantas que realizou na área do Chelsea, do início ao fim.
Tomou, porém, um contragolpe no finalzinho do primeiro tempo, com Ramires escapando pela direita para dar uma cavadinha sobre Valdés, na conclusão. E o segundo, no último minuto de partida, com Torres, nas mesmas circunstâncias, sozinho, driblando o goleiro e tocando para as redes. Mas, aí a vaca catalã já havia se embrenhado no brejo.
E, agora, enquanto o Barça limpa suas feridas, o Chelsea, renascido nas mãos de Di Matteo, só espera a decisão entre Real e Bayern para saber com quem disputará, finalmente, o título europeu. Para surpresa geral.