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quarta-feira, 25 de abril de 2012 Sem categoria | 18:54

NOITE SEM ESTRELAS

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Foi uma noite brasileira na Libertadores escura, sem lua, nem estrelas.

No Beira-Rio, Inter e Fluminense lutaram muito pela posse da bola mas pouco fizeram para dar-lhe rumo e sentido. Tanto, que raras foram as chances de gol criadas de lado a lado. A maior delas, o pênalti de Edinho em Damião, foi desperdiçada por Dátolo, em providencial defesa de Diego Cavalieri.

Pela dimensão de suas camisas e o nível técnico dos elencos, era de se esperar um jogo mais bonito e emocionante. Mas…

E o Peixe, então? Lá nas alturas de La Paz, deixou-se dominar pelo Bolívar, time brioso mas tecnicamente muito limitado, e volta com 2 a 1 no lombo, três frutos de cobranças de falta. No primeiro, Campos bate protegido por dois companheiros, a bola choca-se com o poste, e, repica nas costas de Rafael, antes de entrar. No empate, Elano é quem atira para o goleiro rebater no poste bola que Maranhão empurra em cima da risca. E, no terceiro, Campos bateu direto, no cantinho de Rafael.

O amigo haverá de me perguntar: e, Neymar? Pois lhe digo que o garoto correu um bocado, apanhou o de hábito, e produziu as poucas boas jogadas do Santos. Quem falhou muito foi Ganso, nos passes, seu maior atributo.

O consolo é saber que na Vila, ao nível do mar, o Peixe estará na sua praia, o que deverá virar de ponta cabeça esse cenário sombrio.

HERÓIS E ANTI-HERÓIS

Cristiano Ronaldo e Kaká, dois dos eleitos melhores do mundo antes de Messi, juntaram-se nesta quarta-feira ao ilustre argentino na caminhada para o inferno do futebol. Ambos, em seguida, desperdiçaram os dois pênaltis na decisão com o Bayern pelo direito de disputar o título da Liga dos Campeões com o Chelsea, e entregaram os louros todos a Schweinsteiger, o herói alemão nessa gloriosa saga alemã, logo depois do goleiraço Neuer, que defendeu os dois pênaltis.

Herói porque, líder de um grupo seleto de craques, passou longo tempo na enfermaria, e, de volta, só nesse jogo conseguiu atuar não apenas os 90 minutos regulamentares, como a meia hora suplementar.

E foi, ao lado do brasileiro Luiz Gustavo, o termômetro de uma equipe que em momento nenhum se abalou em campo. Nem mesmo quando perdia, já no começo da partida, por 2 a 0, dois gols de Cristiano Ronaldo, um deles, de pênalti que não houve, pois claramente o garoto Alaba, ao cair, levou a mão esquerda ao chão para aparar a queda, e bola tocou em seu braço. Não houve intenção, que é o que a lei determina.

Mas, enfim, Alaba levantou a cabeça e passou a jogar com tal desenvoltura a ponto de se transformar numa das principais figuras de seu time. Sem se falar no fato de que abriu a sessão de pênaltis com extrema categoria.

E o Bayern, então, encetou uma blitz sobre a área do Real, que culminou no pênalti claro de Pepe, ao derrubar Mário Gomez. Pênalti que Robben converteu, definindo o placar do jogo. O mesmo Robben que pouco antes perdera um gol feito e, logo depois, cobraria venenosa falta defendida no cantinho por Casillas.

Aliás, Casillas garantiu que esse jogo fosse à decisão por pênaltis, pois praticou mais duas defesas providenciais em disparos de Mário Gomez.

No segundo tempo, o Real reequilibrou as ações, embora o controle emocional da partida continuasse nos pés dos bávaros. Muito perde e ganha no meio de campo, faltinhas sucessivas de parte a parte, até a última gota de suor de todos os jogadores em ação.

E, assim, enquanto o Real parte para a consolação do título espanhol, depois de quatro anos vendo os festejos do Barça, o Bayern, que perdeu o campeonato alemão para o Dortmund, espera em casa o Chelsea, com todas as chances de recuperar a taça europeia, que frequentou tantas vezes sua galeria de troféus num passado mais distante.

Graças, sobretudo, ao seu futebol ofensivo e destemido, na alegria ou na dor.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

terça-feira, 24 de abril de 2012 Sem categoria | 14:12

INTER, FLU E SEUS DESFALQUES

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Pena que D’Alessandro e Wellington Nem estejam de fora desse super clássico nacional, pela Libertadores, entre Inter e Fluminense, no Beira-Rio.

D’Ale é aquele meia-esquerda habilidoso, inteligente, que, na ausência de Oscar, carrega nos ombros a tarefa de organizar sozinho o ataque de seu time. E Nem é aquele menino de Xerém, que ganhou espaço no Figueira, igualmente canhoto, mas atacante nato, desses que invadem a área inimiga aos dribles e têm pleno discernimento entre a finalização e o passe fatal.

Em compensação, o Flu terá novamente Fred em campo. Mas, que Fred? Aquele centroavante ao mesmo tempo técnico e oportunista, que entra e sai da área com a maior desenvoltura, ou o Fred limitado em seus movimentos pelas constantes lesões que o deixam mais na enfermaria do que em campo?

Já o Inter não tem nenhuma compensação, a não ser a volta de Guiñazu, cuja única identificação com D’Alessandro é ser igualmente argentino, pois o futebol de um é a antítese do outro.

Como o jogo é no Beira-Rio, o Colorado leva pequeno favoritismo. E só.

PEIXE NAS ALTURAS

Já o Peixe tem de nadar contra a corrente, subir o morro até La Paz e ainda manter o gás necessário para aguentar a correria da turma do Bolívar e a velocidade traiçoeira da bola naquelas alturas.

Isso tudo, às vésperas de um clássico que poderá até definir desde já o campeão paulista.

Não é mole, não, meu. Em contrapartida, o Santos tem Neymar, esse menino de ouro, de pulmões e músculos de aço, que joga por prazer e para nos divertir com suas invenções sempre renovadas.

Mas, não tem um lateral-direito à altura do resto do time. Se nem o titular – o uruguaio Fucile – dá conta do recado, que dirá o reserva do reserva improvisado (Henrique, machucado), o reinscrito de última hora, Maranhão?

Ah, mas o rapaz meteu um belo gol de cabeça ainda no domingo, pelo Paulistão, dirá o amigo mais otimista. É verdade, graças àquele passe magistral de Neymar. Contudo, na bola rolando, Maranhão cometeu algumas gafes imperdoáveis.

Apesar de tudo, o Peixe tem bala e bola pra voltar à Vila numa boa, já que até um empatezinho maneiro (de preferência, com um gol lá fora) virá a calhar.

PANE NO GOL

Júlio César falhou em dois gols da Ponte, assim como Deola, na mesma proporção, diante do Guarani, pelas quartas de final do Paulistão, domingo.

Claro que não foi só por isso que Corinthians e Palmeiras caíram fora do torneio antes da hora prevista. Mas, o fato é que Júlio César há tempos caminha sob a sombra da suspeita de que não tem estatura para guardar a meta do Timão, sobretudo em momentos decisivos. E Deola é assombrado a cada jogo pela lembrança de Marcos, simplesmente o maior goleiro da história verde e ídolo incomparável de uma torcida que há muito não tem outro herói a quem incensar.

Na verdade, ouso dizer que o futebol brasileiro, em geral, vive uma crise de goleiros, depois de um período de fastígio, desde Taffarel a Júlio César, passando por Dida e Marcos. Na ponta do lápis, só restou Rogério Ceni, dessa safra dourada, ainda em recuperação de séria lesão, já pra lá de trintão.

Dos mais rodados por aí, Fábio, do Cruzeiro, é o mais regular, e, talvez, Muriel, do Inter, o mais promissor.

Sim, há Jefferson, do Botafogo, Fernando Prass, do Vasco, Diego Alves, do Valencia, bons arqueiros, mas nenhum paredão, como gostava de diferenciar o saudoso comentarista Mário Moraes, Leão para os mais íntimos.

No caso específico do Palmeiras, uma escola de grandes goleiros, a alternativa é Bruno, que já demonstrou ter qualidades, mas é preciso vê-lo mais vezes em ação para um julgamento adequado.

E, no do Corinthians, Danilo, em quem Tite diz depositar confiança (nem poderia dizer o contrário, óbvio), que, a exemplo de Bruno, carece ser testado pra valer.

Enquanto isso, permanece no nosso gol apenas a incerteza.

OLIMPÍADAS

Saiu a lista dos nossos adversários no futebol das Olimpíadas: Egito, Bielorrússia e Nova Zelãndia. A princípio, nenhum bicho-papão. Ao contrário: se fizermos o mínimo necessário, estaremos já no mata-mata.

O diabo é saber se o faremos, com tanta descrença cercando a Seleção Olímpica, que se funde intrinsecamente à Seleção da Copa.

Sim, porque do time olímpico é que nascerá a verdadeira Seleção Brasileira para a Copa das Confederações, e, em seguida, o Mundial pra valer, disso ninguém tem dúvida.

Afinal, vivemos um período de entressafra, uma transição entre a turma de Júlio César, Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Lúcio etc. para a de Neymar, Ganso, Lucas, Leandro Damião, Oscar e cia. bela.

A vantagem para os olímpicos em relação ao time principal que nos tem representado em amistosos nestes dois últimos anos está justamente no retrospecto. Enquanto os marmanjos, com algumas injeções dos novatos, vacilaram nos principais confrontos realizados, os garotos fizeram bonito em dois torneios essenciais – o Sul-Americano e o Mundial Sub-20.

Claro que os garotos carecem de mais cancha internacional com a camisa amarelinha. Mas, isso virá justamente com a disputa olímpica e com a Copa das Confederações.

Pena que essa não seja esta a convicção dos novos mandatários da CBF, que exalam aqui e ali reticências sobre a permanência de Mano Menezes à frente do time nacional.

Depende do comportamento da equipe nas Olimpíadas, deixam no ar os cartolas.

Depende do quê? De ganhar uma competição que jamais conseguimos vencer? Se for isso, Mano Menezes não merece apenas seguir á frente da Seleção Brasileira, mas, sim, um nicho especial no panteão dos heróis nacionais. Afinal, técnicos campeões do mundo foram cinco – Feola, Aymoré Moreira, Zagallo, Parreira e Felipão. Olímpico, no caso, apenas Mano.

Ou depende do desempenho da equipe, em especial deste ou daquele jogador que confirme ou se revele capaz de ser titular numa Copa do Mundo sem sombra de dúvidas, mesmo que não alcancemos a tão almejada medalha de ouro?

E, mesmo sendo o contrário, não esqueçamos que muitos craques, alguns monstros sagrados, que mais tarde se consagraram em Copas do Mundo, fracassaram em Olimpíadas. A lista é enorme, começando com Vavá, e passando por Gérson e tantos outros.

É verdade que, para as Olimpíadas, Mano terá um tempo maior de preparação da equipe do que lhe é destinado para a Seleção principal nos amistosos, quando convoca hoje, reúne amanhã e joga no dia seguinte em qualquer parte do mundo.

E, se Mano colocar em campo seu discurso correto, segundo o qual o Brasil tem de voltar a ser protagonista, praticando um futebol mais envolvente e ofensivo, não tenho dúvidas de que faremos boa figura, com os jogadores que aí estão à sua disposição. E estaremos a um passo de cumprir uma Copa do Mundo digna, em casa.

UM CRIME

Foi mais um crime lesa-futebol entre tantos já perpetrados ao longo da história desse joguinho cheio de caprichos: Barça 2, Chelsea 2, em pleno Camp Nou.

Aliás, nem se pode dizer que tenha sido um confronto entre catalães e ingleses, pois, mais uma vez, só o Barça buscou jogar bola. O Chelsea, novamente, apenas se defendeu o tempo todo. Na maior parte do jogo, na verdade, os ingleses postavam-se com nove jogadores de linha, além do goleiro, dentro da sua própria área.

Claro que há um traço heroico na tenacidade e concentração com que o Chelsea se defendeu, principalmente depois de perder seu capitão Terry, expulso justamente por ter dado uma joelhada nas costas de Alexis Sanchez, fora do lance da bola.

Apesar disso, permitiu vinte e duas finalizações a gol do adversário, com direito a duas bolas nas traves disparadas por Messi, uma de pênalti, creia, afora cerca de quatro chances de ouro desperdiçadas.

E, aí está a diferença: Messi, aquele que sempre fez a diferença a favor do Barça, desta vez, foi o inverso. O melhor jogador do mundo, incontestável, positivamente atravessa sua pior fase os últimos três anos.

Errou passes que normalmente acerta, e, o mais importante, passa a sensação de que não tem a mesma confiança de sempre para tentar a jogada pessoal, a série de dribles desconcertantes que marcam de hábito sua presença em campo.

Contudo, mesmo sem o Messi genial de sempre, o Barça tocou a bola com ciência e, ainda no primeiro tempo, chegou a abrir 2 a 0 no placar, com Busquets e Iniesta, em duas jogadas trabalhadas, de pé em pé, dentre tantas que realizou na área do Chelsea, do início ao fim.

Tomou, porém, um contragolpe no finalzinho do primeiro tempo, com Ramires escapando pela direita para dar uma cavadinha sobre Valdés, na conclusão. E o segundo, no último minuto de partida, com Torres, nas mesmas circunstâncias, sozinho, driblando o goleiro e tocando para as redes. Mas, aí a vaca catalã já havia se embrenhado no brejo.

E, agora, enquanto o Barça limpa suas feridas, o Chelsea, renascido nas mãos de Di Matteo, só espera a decisão entre Real e Bayern para saber com quem disputará, finalmente, o título europeu. Para surpresa geral.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

segunda-feira, 23 de abril de 2012 Sem categoria | 16:30

A REALIDADE DE FELIPÃO

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O Palmeiras, a exemplo do que ocorreu no ano passado, começou bem para, de súbito, mergulhar de tal maneira a ponto de ficar fora até mesmo das semifinais do Paulistão.

E já há quem torça na Academia para que Mano Menezes caia e Felipão seja convocado pela CBF em seu lugar, única forma viável de o Verdão se livrar do caríssimo treinador que segue sendo um ícone no clube, apesar dos insucessos recentes.

A propósito, não consigo entender a lógica dessa insistência com o nome de Felipão para a Seleção Brasileira, a não ser como evocação da Copa de 2002, vencida pelo Brasil por ele comandado, embora estivesse a pique de viver o histórico vexame da primeira desclassificação da nossa seleção em todas as Copas do Mundo já disputadas, na fase das Eliminatórias.

Nem de longe quero diminuir a competência de Felipão como treinador de futebol. Ao contrário: desejo apenas colocá-la na sua real dimensão – nem cabeça-de-bagre, nem o luminar ungido pela natureza pairando acima dos demais.

Bom treinador, sabe montar uma equipe e tem carisma suficiente para manter o grupo unido, além de ser muito experiente no ramo. Nunca foi, porém, um profundo estudioso das coisas do futebol, tampouco estrategista de renome.

Fez trabalhos excepcionais no Grêmio e no Palmeiras, anos atrás, mas falhou com a Seleção Portuguesa e o Chelsea, seus maiores desafios depois da Seleção Brasileira.

Digo que falhou tendo como ponto de partida o conceito do futebol-resultado, do qual Felipão sempre foi ferrenho defensor.

Ou perder a Eurocopa com a segunda maior geração de craques da história de Portugal, em casa, para a Grécia, não deve ser considerado como uma falha clamorosa, no dizer de mestre Carsughi?

No Chelsea, segundo Felipão, foi vítima de um boicote dos mandarins da equipe, Terry, Lampard e cia. Não duvido. Mas, isso implica em incapacidade de saber dominar ou persuadir esse grupo, principal atributo de Felipão, diga-se.

Agora, no Palmeiras, há já dois anos não consegue fazer o time decolar.

Sim, o elenco é limitado tecnicamente. O que apenas recoloca Felipão no verdadeiro plano de sua dimensão como técnico de futebol: excelente profissional, sujeito honestíssimo, mas nada excepcional. Pelo menos, não o suficiente para ser tratado como o Pai da Pátria, aquele redentor de que tanto carece nosso futebol.

DESTINO RUBRO-NEGRO

Leio entrevista do vice de futebol do Flamengo, Paulo César Coutinho, anunciando a permanência de Joel, por medida de economia, em meio a uma lista de dispensas e de possíveis contratações.

Paulo César Coutinho é o Cascão, que conheci menino ainda rodopiando em torno de seu ilustre e saudoso pai, Cláudio Coutinho, técnico daquele Flamengo inesquecível de Zico, Adílio, Carpegiani e cia. bela, e da Seleção Brasileira na Copa de 78, o cara mais inteligente que conheci no universo da bola nestes tantos anos de ofício.

Não vi o menino espevitado desde então; portanto, não sei em que homem se transformou. Só sei que o atual Flamengo, como, aliás, de há muito, vem sendo tocado por águas turvas, em rumos tão incertos que acabou aportando em cais solitário – aquele destinado ao único grande do Brasil que não tem nenhum horizonte à frente, até o início do Brasileirão.

Quer dizer: apesar da milionária folha de pagamentos, nenhuma receita à vista.

Tempo suficiente para o Flamengo, pelo menos, repensar seu destino.

E isso implica em decidir o que fazer com Ronaldinho Gaúcho, a estrela que não luziu nem no campo, nem fora dele, atraindo novos e milionários investimentos no clube, como se supunha no instante de sua ensandecida contratação.

CAMPINAS REDIVIVA

As vitórias do Guarani sobre o Palmeiras e da Ponte sobre o Corinthians, na rodada das quartas de final do Paulistão, me remeteram aos anos 70, quando Campinas era chamada de A Capital do Futebol Paulista.

Um tempo em que os dois grandes de Campinas exibiam verdadeiros timaços, revelando craques como Oscar, Polozi, Amaral, Zenon, Careca, Dicá, Manfrini, Renato e tantos outros.

À época, a Ponte bateu na trave do Corinthians, pela disputa do título paulista, embora fosse muito mais time do que aquele de Basílio, o Pé de Anjo. E o Guarani rompeu a barreira dos chamados grandes do Brasil, ao empalmar o Brasileirão (Campeonato Nacional) de 78 com um futebol eficiente e deslumbrante, sob o comando sereno de Zé Carlos, ex-Cruzeiro e Seleção Brasileira, o volante perfeito.

O que levou Guarani e Ponte ao declínio posterior, ambos chegando ao fundo do poço de onde reemergem agora, é matéria para vários livros.

Agora, o que importa é que um dos dois chegará à disputa do título paulista, embora nenhum deles seja time comparável aos daqueles tempos.

Mas, de qualquer forma, é um Derbi Campineiro de fazer história.

O QUE MUDOU?

Estou aqui fuçando meus alfarrábios quando deparo com estas duas pequenas joias de sabedoria eterna:

1 – “Posso dizer que o futebol brasileiro viveu três épocas: a primeira, muitos anos atrás,, quando o centromédio jogava plantado no meio do campo; a segunda, de 1942 a 1947, que reputo a melhor, quando se utilizou o WM; e a terceira, quando veio essa preocupação defensiva que prejudicou o espetáculo”. (Celestino, ex-zagueiro do Palmeiras e do Fluminense).

2 – Sílvio Neto, ex-jogador do Flu e ex-diretor da federação carioca apresentou proposta de transformação dos clubes de futebol em sociedades anônimas. Seu argumento: “o futebol brasileiro saiu do amadorismo para o profissionalismo, trazendo a paixão do amadorismo”.

Essas notas foram extraídas do II Volume de O Caminho da Bola, de Rubens Ribeiro, e datam do ano de 1957. Poderiam ser mais atuais?

E uma coisa está intimamente ligada à outra. Os técnicos optam por esquemas cada vez mais defensivos em razão da precariedade de seus empregos, fruto da inconstância dos cartolas amadores, movidos a paixões imediatistas, embora muitos, hoje em dia, recebam polpudos salários, como se profissionais fossem.

Nada muda, a não serem as aparências. Aliás, nem estas, se o amigo quer saber.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

domingo, 22 de abril de 2012 Campeonatos Estaduais, Clubes brasileiros | 18:59

FLA E TIMÃO, NAÇÕES EM TRANSE

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As duas maiores nações do Brasil do futebol estão em transe neste fim de domingo.

No Rio, o Flamengo levou de 3 a 2 do Vasco e perdeu a última chance de conquistar qualquer título neste primeiro e desastroso semestre, num jogo em que o veterano e talentoso Felipe deu as cartas e jogou de mão. Entre outras coisas, deu o chute que seu xará rebateu nos pés de Eder Luís, no primeiro gol, e marcou os outros dois – um tiro certeiro de fora da área e uma cobrança de pênalti.

Já o Mengo viveu apenas da expectativa de Vagner Love, que marcou o primeiro (o segundo, um belo tiro de Kleberson de média distância), e se mexeu lá na frente o tempo todo.

Moral da história: enquanto o Vasco parte pra cima do Botafogo em busca do título da Taça Rio, o Flamengo mergulha ainda mais fundo na crise que aponta seu dedo acusador para Joel e Ronaldinho Gaúcho, que, mais uma vez, não fez a tal diferença.

Em São Paulo, o Corinthians, primeirão em tudo, invicto há doze jogos e tal e cousa e lousa e maripousa, caiu da Ponte, por 3 a 2, e, quando reemergir será para assistir de longe as semifinais do Paulistão.

Mas, se há espaço de sobra para a decepção no Parque, não há nenhuma razão mais forte para crise alguma. Afinal, se a Ponte foi melhor no primeiro tempo, quando fez 2 a 0 (no primeiro gol, em tiro longo, forte e rasteiro no canto, falha do goleiro Júlio César, que falharia também na saída da meta, no terceiro, de Pimpão), o Corinthians lutou e quase chegou ao empate que levaria a decisão aos pênaltis.

FAVORITOS SEM SUSTOS

Santos e Inter, por seu lado, nem foram surpreendidos, nem passaram sequer pelos sustos habituais em jogos decisivos como os que feriram nesta tarde de domingo, contra Mogi e Veranópolis.

O Inter já saltou para a final da Taça Farroupilha, em mais um Gre-Nal de arrepiar, ao golear o Veranópolis, com um pé nas costas: 4 a 0, na volta auspiciosa de Dagoberto à equipe.

E o Santos, depois de passar pelo Mogi por 2 a 0, em mais uma tarde de Neymar, que deu passe magistral para Maranhã abrir a contagem, e selar o placar com um golaço, em que passou por dois e tocou no canto, pegará nas semifinais do Paulistão, nada menos que o São Paulo – o encontro de dois ataques arrasadores.

PELAS OROPAS

Na Espanha, o Barça já jogou a toalha, ao perder para o Real, que já está com o pano de lustrar a taça na mão. Na Alemanha, o Dortmund já deu a volta olímpica do bi, ao vencer outro dia o Bayern e completar a missão no sábado diante do M’Gladbach.

Mas, na Inglaterra, a disputa pelo título pegou fogo neste domingo, com o insólito empate do United e a vitória do City, às vésperas do encontro decisivo entre ambos na outra segunda-feira.

Empate insólito porque os Diabos Vermelhos venciam por 4 a 2, de virada, dominavam o jogo, e, logo depois de Evra meter de cabeça uma bola na trave do Everton, em menos de dois minutos, já no finzinho, tomou os dois gols que recolocaram o City no páreo.

Já o City, em novo show de Tevez, meteu 2 a 0 no Wolverhampton, gols de Aguero e Nasri, e ficou a uma vitória do United, seu próximo adversário. E, cá entre nós, apesar do carisma eterno do United, hoje em dia, o City é mais time, sobretudo porque melhor e maior elenco.

Mas…

Notas relacionadas:

  1. PEIXE, TIMÃO E FLA
  2. TIMÃO, INTER, MENGÃO E TRICOLOR
  3. TIMÃO E TRICOLOR, IGUAIS
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , ,

sábado, 21 de abril de 2012 Campeonatos Estaduais, Clubes brasileiros, Sem categoria | 18:06

SÁBADO DE GOLEADAS

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São Paulo e Botafogo ganharam seus respectivos jogos decisivos marcando quatro gols cada, enquanto o Grêmio foi à final do Gauchão batendo o Universidade apenas por 1 a 0.

Mas, a verdade é que o Tricolor gaúcho merecia, por baixo, ter alcançado o mesmo placar de seus pares paulista e carioca, pois perdeu um caminhão de chances em jogo que esteve sempre sob seu domínio.

Assim como também é verdade que os 4 a 1 do São Paulo sobre o Bragantino, pelas quartas de final do Paulistão não refletem a superioridade do Tricolor paulista, que, além de oportunidades desperdiçadas, meteu duas bolas nas traves adversárias e ainda perdeu um pênalti, com Luís Fabiano, autor de dois gols de sua equipe, diga-se.

Aliás, fato similar ao que aconteceu com Loco Abreu, que fez três na vitória por 4 a 2 diante do Bangu e desperdiçou um pênalti também, o sexto dos últimos sete cobrados pelo artilheiro uruguaio.

De qualquer forma, tanto o Loco quanto o Fabuloso, saíram de campo sob aplausos da torcida. Mesmo porque o goleador tricolor completou nesse jogo onze tentos marcados em onze partidas disputadas nesta temporada.

Mas, aqui quero bater palmas para os treinadores das duas equipes – Leão e Osvaldo Oliveira, que, em jogos tão delicados, não frearam suas equipes, colocando em campo formações claramente ofensivas.

E os frutos foram colhidos nas redes inimigas – um balaio de gols.

DOMINGO DE FAVORITOS

O domingo será um festival de decisões e clássicos, em que apenas dois são absolutamente imprevisíveis: Vasco x Flamengo, pelas semifinais da Taça Rio, e Atletiba, que pode praticamente definir o campeonato paranaense, caso o Coxa vença.

São dois jogos que não permitem a indicação de um favorito, seja pela equivalência de força técnica, seja pela tradição dos clubes em questão.

A vantagem que o Vasco leva sobre o Flamengo é certa tranquilidade advinda do fato de estar firme na Libertadores, sempre um respaldo na eventualidade de nem chegar à disputa direta pelo título carioca.

O Flamengo, ao contrário: justamente por ter caído fora na fase de grupos do torneio continental e ter perdido a Taça Guanabara para o Fluminense, periga encerrar o semestre sem nenhuma conquista e com baixa expectativa para o Brasileirão, apesar de seu elenco milionário, onde os garotos é que se destacam, ao lado de Vagner Love.

Tudo isso envelopado por uma daquelas crises sem fim, às vésperas das eleições no clube e outros bichos.

Sucede que esses clubes de massa, justamente nessas circunstâncias, é que costumam dar a volta por cima. Portanto…

Já o Coritiba, que lidera o segundo turno do paranaense, a exemplo do que fizera no primeiro, se vencer o eterno rival, praticamente selará a disputa estadual. Por isso, é de se esperar um Atlético ensandecido atrás da vitória, mesmo sendo o jogo no Couto Pereira. Vai sair faísca.

Outro clássico, redivivo como tal nos dois últimos anos, pode entrar nessa lista.

Falo, claro, de América MG e Cruzeiro, que vem embalado pela virada sobre o Chapecoense na Copa do Brasil. Sei não, mas acho que a maré está mais pra azul do que pra verde, embora as praias de Minas estejam lá do outro lado da fronteira com o Espírito Santo.

Na outra perna, o Galo está de crista alta. Sucede que o Tupi também vem tinindo. E o jogo é em Juiz de Fora. Mesmo assim, deve dar carijó.

Quanto à rodada mortal das semifinais paulistas, apenas Guarani x Palmeiras sugere uma quebra de escrita dos grandes.

O Guarani vem em franca recuperação, depois das recentes humilhações, joga no Brinco de Ouro da Princesa e pega um Palmeiras abalado pelos últimos maus resultados, em que até o sempre badalado Felipão está na boca das tradicionais cornetas do Parque.

Trata-se, porém, de mera sugestão, nada mais do que isso.

Corinthians e Santos, porém, vão além das probabilidades, diante de Ponte e Mogi, respectivamente. Têm time e camisa, além de atravessarem excelente fase. Mas, jogo é jogo.

O mesmo vale para Inter e Veranópolis, pelas semifinais do Gauchão: a bola gira, gira e acaba sempre caindo no vermelho.

ENFIM, REAL

O cenário e o roteiro desse clássico planetário foram os mesmos dos últimos, sei lá, dez jogos entre Barcelona e Real Madrid: os catalães pressionando o jogo todo  e os madridistas se defendendo. Só o desfecho foi diferente: 2 a 1 para o Real, que, até então, havia vencido apenas um desses confrontos históricos.

O gol de Khedira logo aos 17  do primeiro tempo foi determinante para que o Real pudesse resistir lá atrás com mais ciência e calma do que o fez das vezes anteriores.
A isso, soma-se a fase de baixa de dois jogadores essenciais do Barça – o cerebral Xavi  e o imprevisível Messi – que, mais uma vez, não renderam o que sabem, seja pela precisa marcação dos merengues (em especial, Khedira e Xabi Alonso), seja porque estejam esgotados, seja porque simplesmente tiveram uma queda normal de rendimento, depois de tantas exibições portentosas de ambos.

Mesmo assim, Xavi teve uma oportunidade de ouro para empatar ainda no primeiro tempo, em passe de Messi, assim como Tello desperdiçou outras duas já no segundo tempo, quando Sanchez fez o seu.

O Barça, porém, não teve nem tempo de comemorar, pois Cristiano Ronaldo, até então apagado na partida, foi lá e decretou a vitória merengue.

A vitória de um ataque arrasador, que nesse mesmo clássico vibrante, alcançou a marca de maior artilharia dos campeonatos espanhóis em todos os tempos, com 109 gols. Um feito que Madri celebra em dobro esta noite de muita sangria e puchero.

Notas relacionadas:

  1. GAÚCHOS, DE GALOPE
  2. LIBERTADORES, GOLEADAS E…
  3. VERDÃO E O SÁBADO DE GOLEADAS
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , ,

quarta-feira, 18 de abril de 2012 Sem categoria | 18:42

SALVOS PELO GONGO

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A maré não estava pro Peixe, muito menos azul como o uniforme em homenagem aos cem anos de vida do clube, quando Alan Kardec materializou-se de repente na área para tocar de cabeça às redes de The Strongest. Logo em seguida, claro, Neymar não perderia a segunda grande chance do jogo a seus pés: tabelou com Borges e marcou seu décimo segundo gol em Lbertadores, o que o coloca ao lado de Coutinho e abaixo apenas de Robinho e Pelé, na lista dos maiores artilheiros do Santos em Libertadores. Não por acaso, meu ataque do Santos de todos os tempos por mim vistos: Robinho, Coutinho, Pelé e Neymar.

Isso tudo já pra lá dos 40 minutos do segundo tempo, pois, até então, apesar daquela bola na trave de Borges, no início da partida, e de duas oportunidades desperdiçadas por Neymar e Kardec, o Santos foi o anti-Santos. Criou pouco, e deixou-se enredar pela retranca dos bolivianos, que era determinada, mas nada excepcional.

Com a vitória, o Peixe não só safou a honra na Vila, num jogo decepcionante para o nível de sua equipe, como ainda içou à tona da competição o Inter, que mergulhava no brejo virtual daquele gramado de araque de Juan Aurich, ao perder para o time peruano por 1 a 0.

Meno male para ambos os brasileiros. Isso, se a noite desta quinta-feira servir de exemplo a não ser seguido por ambos na fase de mata-mata, que, como o nome indica, não perdoa.

NOITE BRASILEIRA

Foi uma noite brasileira na Libertadores.

O Flu, ao vencer o Arsenal, em Sarandi por 2 a 1 no último suspiro do jogo, terminou a fase de grupo como primeirão absoluto do torneio, o que lhe confere o direito de jogar sempre a segunda em casa, daqui pra frente.

E o Corinthians, finalmente, tirou a barriga da miséria: 6 a 0 no Deportivo Tachira da Venezuela, num Pacaembu enfeitado pelos sorrisos daquele bando de loucos.

Mas, se o jogo do Corinthians correu lépido e fagueiro, como dizia o poeta dos antigamentes, o do Fluminense, meu Deus!, arrastou-se monotonamente pelas beiradas da frustração.

Afinal, o Arsenal, se já é fraquinho completo, imagine com seu time reserva. Pois foi diante dos reservas do Arsenal que o Fluminense se complicou, sobretudo depois de ter aberto o placar com Carlinhos recebendo bola açucarada de Sóbis na cara do gol, ainda na etapa inicial.

A partir daí, o Tricolor enredou-se nas próprias pernas e acabou levando o empate de Aguirre, em saída falsa de Diego Cavallieri, aos 36 do segundo tempo, o que oferecia a liderança de todos os grupos ao Boca Juniors.

E, para aumentar a agonia, aos 40 minutos, pênalti do goleiro Campestrini em Rafael Moura. Expulso o goleiro, depois de o Arsenal já ter feito as três trocas permitidas, o atacante Torres foi para a meta, e, creia!, defendeu o pênalti mal cobrado por Thiago Neves.

Nessas condições, não restava outra alternativa: chama o He-Man! E o He-Man vestiu a capa de herói e mergulhou na pequena área para colher de cabeça o cruzamento da direita de Lanzini, salvando a pátria tricolor.

Já o Timão não precisou apelar para nenhum herói em especial, embora Emerson tenha se desdobrado em campo e merecesse o título de melhor em campo. Assim como Paulinho.

Mas, a comoção, na verdade, elegeu outro craque – Liedson, o goleador que não consegue empurrar a bichinha às redes inimigas nem a pau. Por isso, quando o Timão já vencia fácil por 3 a 0, aos 24 minutos do segundo tempo, pênalti, que a turma toda pediu para ser cobrado por Liedson. Eis que, o artilheiro bate mal e o goleiro rebate para Liedson, ufa!, chutar às redes e receber o abraço do time todo, parceiros em sua angústia.

Esse acabou sendo o lance mais importante do massacre corintiano sobre o Tachira no segundo tempo. Pois, encerra em si e revela a todos o alto grau de camaradagem desse time que caminha na ponta de dois torneios – no seu grupo da Libertadores e no Paulistão. E isso, numa temporada como esta, vale mais do que mil gols.

INTER E PEIXE NA FITA

Inter e Santos não só buscam a confirmação da passagem para a próxima fase da Libertadores, como devem aproveitar os jogos com Juan Aurich e Strongest para afiar seus times com vistas aos jogos domésticos do fim de semana.

É verdade que o Inter, ainda sem Oscar, talvez até definitivamente pelo andar da carruagem da justiça trabalhista, mas com sua esperta dupla de gringos, o DD – D’Ale e Dátolo -, joga lá, depois de cansativa viagem e naquele gramado de araque.

Sem dúvida, tarefa mais difícil do que a do Santos, na Vila, contra o frágil The Strongest. E, neste caso, nem cabe a advertência de hábito: cuidado com o salto alto, Peixe!

Pois, esse fetiche não seduz a alma de um Muricy que comando um Neymar, um Arouca, essa turma toda, que gosta de jogar por jogar – a exibição é mera consequência.

DEUSES COM TPM

Os deuses, por certo, estavam de TPM nesta quarta-feira, em Londres. E antes que me refutem dizendo que os deuses não têm TPM por uma questão elementar de gênero, já vou adiantando: os deuses são transformistas, meu caro, viram bicho, viram homem, viram mulher, viram pedra, água ou vento, o que eles quiserem, quando quiserem, e não temos nada com isso.

Hoje, eles estavam de TPM, ponto final.

Pois, reveja essa injusta vitória do Chelsea sobre o Barça, por 1 a 0, no jogo de ida das semifinais da Liga dos Campeões.

Do apito inicial ao final, só houve um time em campo – o Barça -, que controlou a bola e os espaços o tempo todo, criou, por baixo, cinco chances claras para marcar, e só pecou ao errar as finalizações, ou quando o goleiraço Peter Cech, vestindo as asas que os deuses lhe presentearam antes da partida, impedisse a bichinha de morrer em suas redes.

Numa única investida do Chelsea ao ataque, com Ramirez servindo Drogba, saiu o gol solitário da partida, aos 46 minutos do primeiro tempo. E, se Peter Cech ganhou asas divinas, de Messi retiraram-lhe a inspiração, para celebrarem, com o néctar do sarcasmo, os tais deuses, que adoram, de vez em quando, rebaixar os heróis à condição de simples mortais.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

terça-feira, 17 de abril de 2012 Sem categoria | 15:04

PELA LIDERANÇA ABSOLUTA

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Fluminense e Corinthians, já classificados, entram em campo nesta quarta-feira em busca da liderança absoluta desta fase de grupos da Libertadores.

O Flu, pela contagem de pontos, está mais perto disso. Contudo, terá de enfrentar o Arsenal Sarandi na casa do adversário – um incômodo, mas não um drama, pois o Arsenal não é nenhum Boca, nenhum River, capaz de lotar o estádio com uma torcida delirante.

O problema maior do Flu é outro: a recorrente ausência de Fred, novamente vítima de lesão muscular. Aliás, esse tem sido o entrave do Tricolor. Quando não é Fred, é Deco, baixando enfermaria, justamente os dois craques mais experientes da equipe.

Deco passou a recorrer a um fisicultor próprio, o que desagradou o clube. Mas parece estar dando certo, pois o meia, que já teve excelente participação na goleada sobre o Olaria, pelo Cariocão, estará em campo em Sarandi.

Se jogar o que é capaz, o Flu chega lá.

Quanto ao Timão, por jogar no Pacaembu e diante de um dos mais frágeis competidores da Libertadores, o Deportivo Tachira, contará com a volta de Alex – pelo menos, no banco – e seu único e crônico problema é enfiar aquela bola na meta inimiga mais vezes do que vem ocorrendo.

E o curioso – já disse e repito – é que basta dar uma espiada na escalação do Timão para ver que entra em campo sempre com uma formação mais ofensiva do que defensiva, com um volante que ataca muito (Paulinho), um meia-armador (Danilo), habituado a fazer gols, e três atacantes de ofício – Emerson, Liedson e Jorge Henrique.

Então, por que não rompe essa barreira de, no máximo, dois gols por partida? Sei lá, meu! Mistérios do futebol.

PAULISTÃO

Saiu a tabela das quartas de final do Paulistão neste fim de semana, com apenas um jogo no sábado e três no domingo. Que diabo de divisão é essa?

A lógica mais elementar sugere que fossem dois no sábado, às quatro da tarde e às seis e meia, e dois no domingo, nos mesmos horários. Por exemplo: Guarani e Palmeiras, à tarde, e São Paulo x Bragantino, ao crepúsculo, no sábado, e a mesma escala no domingo para Corinthians x Ponte e Santos x Mogi.

Assim, o telespectador poderia assistir, se o quisesse, todos os jogos, numa boa, sem ter que se dividir, no domingo entre os de dois favoritos ao título.

E por que exclui o Palmeiras dessa? Claro, por razões técnicas, embora numa rodada dessas de um jogo só e eliminatório, tudo possa acontecer.

Mas, aqui, vale uma ressalva: dos quatro grandes em ação neste fim de semana, o Palmeiras é, juntamente com o São Paulo, beneficiado por ter a semana toda livre para se afiar, já que Corinthians e Santos jogam na quarta e na quinta pela Libertadores.

Não é nada, não é nada, mas pode muito bem virar algo decisivo no caso. Digamos, por exemplo, que essa folga lhe permita recuperar Valdívia, cuja ausência nas últimas partidas explica também a queda de rendimento da equipe. Isso já fará diferença, ainda que o principal nessa história toda continue sendo o clima insalubre que cobre a Academia sempre que o time tropeça em campo.

Assim, o mais provável é que os quatro grandes acabem mesmo passando para as semifinais. Aí, seja lá o que Deus quiser.

E DEU BAYERN

O Bayern, depois de uma recuperação esplêndida tanto no campeonato alemão quanto na Liga, caiu diante do Dortmund, praticamente entregando ao rival o título nacional, ao emendar o empate por 0 a 0 em casa com o Mainz.

Bastou, porém, ter pela frente o grande Real, no seu estádio lotado e frenético, que a velha flama germânica despertou.

Não, não foi uma exibição de gala do Bayern, muito menos do Real. Foi, isso, sim, um jogo renhido, com muitas faltas, algumas merecedoras de cartão vermelho na hora, como, por exemplo, a de Marcelo em Muller, no finalzinho da partida.

Mas, tecnicamente, esteve bem abaixo do que os dois times podem oferecer de hábito. Basta dizer que nem Cristiano Ronaldo, nem Robben brilharam.

Quem se desdobrou em campo, no primeiro tempo, foi Ribéry, premiado com o gol de abertura pegando uma sobra de escanteio na área merengue, aos 16 minutos de jogo.

O empate veio com Ozil, em bola que zanzou pela área alemã meio perdida, logo aos 8 do segundo tempo E o gol da vitória, já no último minuto regulamentar da partida, com o Super Mário, que desperdiçara antes duas chances de ouro, em cruzamento da direita de Lahm.

Isso, como resultado direto do erro de Mourinho somado ao acerto de Jupe Heinz.

O erro foi a entrada de Marcelo no lugar de Ozil, para fechar ainda mais aquele lado esquerdo da defesa espanhola, justamente de onde partiu o cruzamento fatal de Lahm. Com essa decisão, Mourinho tirou do Real qualquer possibilidade de armação pelo meio e recuou demais o time que se despedaçou no final.

O acerto, a entrada de Muller no posto de Schweinsteiger, ainda em fase de recuperação de grave lesão, o que deu mais mobilidade ao time todo.

Resta ver o que acontecerá em Madri, pois esse assunto ainda está longe de se encerrar.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

segunda-feira, 16 de abril de 2012 Sem categoria | 14:49

CEM ANOS DO SANTOS – 2

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Onde foi mesmo que parei? Ah, sim, na primeira vez que a gente nunca esquece, o empate por 0 a 0 com o Juventus, na rua Javari, numa tarde primaveril de sábado, no Ano Santo de 50, marcado de verde pelas Cinco Coroas conquistadas pelo Palmeiras.

Aliás, o Juventus merece capítulo especial na história do Peixe, pois foi na mesma Javari que Pelé emplacou aquele gol mítico de tantos chapéus, logo no começo de sua fenomenal carreira. E acrescentaria outro, já na era Pelé, o 0 a 0 mais emocionante que pude assistir até hoje: uma infinidade de chances perdidas pelo Santos, bolas nas traves e outros bichos. Mas, desse não me recordo a data exata.

Agora, porém, me permita o amigo falar do Santos que precedeu a Era Pelé, o bicampeão paulista de 55/56, um timaço que vencia e dava espetáculo a cada jogo.

Esse time, na verdade, começou a ser cevado bem antes da chegada do técnico Lula, sob os comandos de Aymoré Moreira e de Mestre Brandão, num período em que o Santos mantinha com o futebol carioca, sobretudo o Fluminense, uma relação íntima de trocas constantes.

Entre 51 e 55, então, a Vila foi palco de nobre desfile de craques que marcaram época no futebol carioca, como o goleiro Veludo, reserva de Castilho no Flu e na Copa de 54, Hélvio (que já lá estava), Lafaiete, Orlando Pingo de Ouro, Carlyle, Otávio (ex-Botafogo), Tite, Cilas, Urubatão (ex-Madureira) e tantos outros que me escapam da memória.

Foi, porém, das praias de Santos, dos juvenis da Vila, do Jabuca e da Briosa que vieram as jovens promessas logo transformadas em craques consagrados, como Del Vecchio, Pagão, Pepe, Feijó, Álvaro, Wilson Capão, já veterano do Vasco, reserva de Juvenal na Copa de 50, e cia. bela.

Que linha média!

Ramiro foi um caso à parte. Veio como meia-direita do Fluminense, mas, a exemplo de seu irmão Álvaro, era filho do Guarujá. E veio para se transformar no segundo maior lateral-direito da história do Santos, abaixo apenas de Carlos Alberto Torres, o capitão do Tri.

Ramiro, Formiga e Zito. Que linha média, meu amigo! Para se ter uma ideia, Ramiro era o único a barrar os dribles mágicos de Canhoteiro, na bola. Marcava e saía jogando com elegância e eficiência, tais que três anos depois já era ídolo do Atlético de Madri, na época rival feroz de Real e Barça, ao lado de seu irmão Álvaro Valente, que tanto podia atuar como volante, meia-armador, meia ponta-de-lança ou centroavante com a mesma desenvoltura e classe inconfundível.

Formiga, que veio de Minas, numa Seleção Brasileira de 55 chegou a ser comparado a Danilo Alvim, o Príncipe, pela mídia carioca, geralmente tão ácida com os paulistas como vice-versa. Aliás, o Santos foi quem quebrou essa escrita, já nos tempos de Pelé, quando passou a ser o segundo time de todos os cariocas. E, por isso mesmo, disputou a final do Mundial de Clubes diante do Milan num Maracanã lotado, com mais de cem mil rubro-negros, tricolores e alvinegros torcendo vivamente por aquela camisa branca sem fronteiras.

Aliás, em 64, creio, cobri, pela revista O Cruzeiro, uma espécie de Rede Globo da época, em pleno Maracanã jogo decisivo pela Libertadores do Santos contra o Peñarol. Na verdade, aquele Santos tinha mais torcida no Rio do que na Baixada ou em São Paulo.

Basta dizer que, na véspera da conquista do título paulista de 55, a Gazeta Esportiva, o principal jornal esportivo paulista, dava, na sua capa, o Corinthians de manchete e destaques para São Paulo e Palmeiras, deixando o Santos num canto baixo da página.

Mas, voltando à linha média santista de então, ficou faltando falar de Zito, revelado pelo Taubaté, que chegou à Vila como meia-direita, armador, para se transformar no volante-ícone do Santos por mais de década, bicampeão interclubes e pela Seleção de 58/62, capitão do time e dono da bola que fazia disparar lá detrás, colada a seus pés, em alta velocidade para ser distribuída lá na frente com exatidão e ciência.

E o ataque, então?

Atrás dessa linha média histórica, o trio final, como se denominava o último setor de qualquer equipe: Manga; Hélvio e Ivan. E, na frente, sai de baixo – Tite, de drible fácil nas duas extremidades do ataque e violão afinado, o argentino Negri, Álvaro, Vasconcelos e Pepe. De quebra, Del Vecchio, um atacante rompedor e artilheiro, que logo seria negociado com o futebol italiano, e o fino Pagão, ídolo eterno do genial Chico Buarque de Holanda.

E, como cereja no bolo, em 56, veio do Palmeiras, já veteraníssimo, Jair Rosa Pinto, o Coice de Mula, predecessor de Gérson nos lançamentos longos, nos passes inesperados e nas cobranças de falta de fazer tremer goleiros e balizas.

Era de se ver. E olhe que estou falando de um time que precedeu Pelé por dois anos. Mas, disso, falarei amanhã. E sempre.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

domingo, 15 de abril de 2012 Sem categoria | 20:58

GANSO E NEYMAR, RESUMO DA HISTÓRIA

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A bola rolou maneira para vários times por esse Brasil afora, neste domingo.

Dentre eles, o Cruzeiro, que conseguiu virada emocionante num dia em que o Galo não cantou. Assim como o Grêmio, que parece ter reassumido a pose nas mãos de Luxa ao se classificar para as semifinais da Taça Farroupilha goleando seu adversário.

E os quatro grandes do Rio, pois se o Flu não conseguiu passar para as semifinais do segundo turno do Cariocão, já está na final, que, ao cabo, é o que vale mesmo, pelo menos se despediu desta fase em alto estilo.

Acrescente o amigo aí o Corinthians, que encerrou a fase de classificação do Paulistão em primeirão, passando o São Paulo na rodada final. São Paulo que perdeu para o Linense, mas cuja derrota não foi mais humilhante do que o empate do Palmeiras com o rebaixado Comercial, pois jogou a maior parte do tempo com um ou até dois jogadores a mais.

Mas, que me perdoem todos eles, pois coube ao Santos de Ganso e Neymar dar o tom deste domingo. Não só pela goleada por 5 a 0 sobre a Catanduvense, que, afinal, não é páreo tão nobre.

É que parece coisa do destino reservar o espetáculo oferecido pelo Santos para este domingo ainda em celebração aos cem anos de vida do Peixe.

Espetáculo que teve como protagonistas esses dois magistrais meninos da Vila – Ganso e Neymar.

Neymar fez um e deu dois para Borges, e Ganso marcou os outros dois. E que gols! Aquele primeiro, em que recolhe a bola à entrada da área, e mete no ângulo, por cima do goleiro, em toque tão sutil na bola que parece não a estar chutando, mas, sim, extraindo-lhe a gravidade, o suficiente para cumprir uma parábola até às redes, é coisa de artista, se ao engenho somar-se a elegância dos gestos.

Esse foi o maior presente que se poderia ofertar no dia do centenário do time da Vila. Na verdade, ao contrário: um presente que o Santos nos tem oferecido ao longo de sua história gloriosa.

E, se o amigo não conhece essa história em detalhes, basta fixar-se nesses dois meninos – Ganso e Neymar -, que simbolizam o passado, o presente e o futuro do Peixe, resumidos em duas palavrinhas mágicas: classe e inventividade.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

sábado, 14 de abril de 2012 Sem categoria | 07:34

OS CEM ANOS DO SANTOS – 1

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O Santos celebra hoje cem anos de vida. Mas, nas minhas contas são na verdade 62.  Sim, porque foi em 1950 que o Santos nasceu diante dos meus olhos de menino encantado pelo jogo da bola.

Naquela época, não se falava muito no Santos, embora ele tivesse sido o vice-campeão paulista do ano anterior. Era só o Trio de Ferro, com São Paulo e Palmeiras dividindo os títulos paulistas da década anterior, enquanto o Corinthians amargava na fila desde 1941.

A verdade é que nem fomos à rua Javari naquela tarde primaveril de sábado pra ver o Peixe. Fomos em bando ver o Juventus, segundo time de todo moleque de rua do Brás, Belém, Mooca e toda aquela vizinhança da Zona Leste. Mais precisamente, queríamos ver as duas estrelas nascentes do Moleque Travesso: Carbone e Julinho, dois rapazes ali do pedaço, a Zona Leste da cidade. Além, claro, de nos deliciarmos com os últimos acordes do Toscanini do Futebol, o centromédio OG Moreira, de bola refinada e estilo inconfundível já em fim de carreira.

Rodolfo Carbone era um meia ágil e insinuante, que no ano seguinte seria o artilheiro do campeonato formando no ataque dos Cem Gols (103, na ponta do lápis), com Cláudio, Luisinho, Baltazar e Mário, que tirou o Corinthians da sua primeira longa estiagem de títulos.

Julinho, o Júlio Botelho, filho da Penha, era um ponta-direita inusitadamente alto para a posição quase sempre ocupada por baixinhos hábeis e rápidos, veloz, cheio de dribles inesperados em plena carreira, cruzamentos exatos, chute forte e cabeceio fatal. O mesmo Julinho que, no ano seguinte, formaria um ataque arrasador na Lusa, com Renato, Nininho, Pinga e Simão, e que se transformaria no maior ponta-direita da história do nosso futebol (Garrincha é outro departamento).

Mas, confesso, o que me fascinou de cara foi aquele uniforme de um branco imaculado, que parecia vestir os jogadores do Santos de uma elegância ímpar. Seus gestos ganhavam uma leveza quase diáfana, como se o time todo flutuasse sobre o gramado verde.

Aos poucos, fui distinguindo este daquele. E o primeiro a me chamar a atenção foi o beque central, Hélvio, um moreno espigado, de bigodinho fino como mandava o figurino da época, magro, de movimentos leves, mas duro na disputa de bola com os adversários. Hélvio Piteira, como ficaria conhecido, graças ao locutor da Rádio Record Geraldo José de Almeida, que aliou no apelido o talhe do craque ao desenho daquele objeto fino e comprido ao qual se inseria o cigarro, nos tempos que antecederam o filtro.

E que dizer daquele baixinho, de cintura arredondada, que carregava o número 8 às costas? Bem, aquele era simplesmente Antoninho Fernandes, o maestro do time, o organizador de todas as jogadas de ataque. Maestro e arregimentador da orquestra, pois regia a turma não só com ciência, mas, sobretudo, com proficiência, indo e vindo, distribuindo partituras de pé em pé, suando a camisa, enfim.

Tudo isso para que a bola chegasse na medida certa para o artilheiro do time, o Camisa Dez, um marronzinho expedito (não confundir com o Expedito, lateral-esquerdo que jogava no Santos nessa época) e incisivo, o Odair Titica.

A propósito, Odair, que anos depois fracassaria no Palmeiras, foi o primeiro Camisa 10 de destaque da Vila. É bom lembrar que as camisas, no futebol brasileira, só haviam recebido numeração dois anos antes – em 1948 -, por exigência da Fifa com vistas à Copa do Mundo de 50, no Brasil.

E, por que Odair levava o 10 às costas? Por causa do sistema criado por Flávio Costa, denominado Diagonal, um disfarce à brasileira do já tradicional WM, em que, dependendo do time, o 8 era o meia-armador e o 10, o meia ponta-de-lança, o meia-ofensivo.

E quem herdou a Camisa 10 de Odair na Vila foi Walter Marciano, vindo do Ypiranga e indo para o Vasco, que a legou a Vasconcelos, artilheiro voraz do Santos que, cinco anos mais tarde, quebraria a hegemonia do Trio de Ferro, com o bi paulista de 55/56, anunciando o advento da Era Pelé.

Mas, esta é outra história que ficará pra amanhã.

PS: Ah, sim, o jogo da Javari terminou em 0 a 0, e recorro aos préstimos de Rubens Ribeiro, em seu O Caminho da Bola, para dar as escalações de Juventus e Santos daquela tarde de 30 de setembro de 1950, que a memória já não é a mesma, meu.

Juventus: Caxambu; Pascoal e Antunes; Chicão, Og Moreira e Osvaldo; Julinho, Carbone, Osvaldinho, Periquito e Luís.

Santos: Leonídio; Hélvio e Dinho; Nenê, Pascoal e Ivan; 109, Antoninho, Nicácio, Odair e Pinhegas.


D’ALE, ABRACADABRA!

O primeiro tempo foi um longo bocejo no Beira-Rio, provocado por aquele pega-pega tedioso que aparenta ser fruto de grande devoção dos times em campo, mas, que na verdade é resultado da ausência de um jogador capaz de dar graça e sentido à bola.

Tanto isso é mais verdade que bastou o técnico Dorival Jr. sacar o volante Elton e colocar em seu lugar o meia D’Alessandro, um desses raros cultores da bola refinada, que o Inter virou bicho e deixou o Cerâmica em cacos, no segundo tempo.

Em dez minutos, o Colorado criou cinco chances claras de gol, conjuradas pelo goleiro César, sobretudo na combinação entre os gringos D’Alessandro e Dátolo, mais Kleber, ali pela esquerda. E, na sexta, gol de Gilberto, em cruzamento de Kleber que Damião tocou de cabeça para o companheiro empurrar sobre a risca.

E, quando o Inter começava a se acomodar ao placar apertado, foi a vez de Jajá entrar e definir a questão, com um passe exato para Damião marcar o segundo, aos 40. E, antes do apito final, coube a D’Alessandro deixar sua marca, em pênalti sofrido por Damião.

Assim, o Inter salta para as semifinais da Taça Farroupilha, com todas as chances de conquistá-la, apesar da falta que faz Oscar, outro meia da estirpe de D’Alessandro, refém da falta de juízo dos cartolas e de seus empresários.

LÁ FORA

Real e Barça nem pareciam o Real e o Barça desta temporada. Ambos jogaram mal, mas saíram vitoriosos diante do Gijón e do Levante, 3 a 1 e 2 a 1, respectivamente e de virada.

Talvez, a sombra do grande confronto entre os dois grandes de Espanha tenha anuviado a bola de Real e Barça neste sábado. Ou, então, o temor de alguma lesão às vésperas das partidas decisivas pelas semifinais da Liga dos Campeões, contra Bayern e Chelsea.

O fato é que nem Cristiano Ronaldo, nem Messi, por exemplo, jogaram o que podem. Apesar disso, o português fez um gol e o argentino dois, o que acirrou ainda mais a disputa paralela pela artilharia do campeonato, já num patamar histórico.

O Real, porém, recebeu de Munique sinais de que seu adversário do meio de semana parece ter se abalado com a derrota para o Dortmund na rodada passada, o que o afastou demais da disputa pelo título alemão. Tanto, que não conseguiu ir além de mero 0 a 0, em casa, com o frágil Mainz

Quem, no entanto, arrasou foi o City: 6  a 1 no Norwich, com direito a três de Tevez, um show à parte, dois de Aguero e um de Adam Johnson.

Foi gostoso ver aquele ataque formado por quatro meias, todos hábeis, rápidos e móveis, trocando de posição o tempo todo e tecendo com a bola uma teia que enredou completamente o adversário.

E, quando desacelerou um pouco, Mancini botou Yayá Touré no lugar de Nasri e o City voltou a pegar fogo.

Uma beleza!

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

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