Mano Menezes foi a grata surpresa reservada para esse início temerário do novo Corinthians, aquele que terá de recomeçar do zero sua história a partir do próximo ano.
Sim, porque depois de o presidente levar uma descompostura em regra de um desses torcedores profissionais, baixando a cabeça, e de escalar o primeiro escalão do departamento de futebol não por critérios técnicos e sim por amizades, completou com um bate-boca insólito com Gustavo Nery, coisa de torcedor e jogador, nunca uma relação entre o presidente do clube e um funcionário.
Por tudo isso e otras cositas más, a contratação de Mano foi um gol espetacular. Não só porque se trata de um treinador com todos os méritos, técnicos e pessoais, como é um dos raros exemplos de profissional em plena ascensão que experimentou na pele, com o Grêmio, a experiência que o Corinthians viverá pela primeira vez na sua vida.
Quer dizer: Mano é técnico não só para repatriar o Corinthians à sua verdadeira praia – a Primeira Divisão – como de prosseguir o trabalho em busca da redenção total, disputando títulos mais nobres, tipo Brasileirão, Copa do Brasil e até Libertadores.
O diabo é que entre a chegada de Mano e a luta pelo retorno à elite do futebol brasileiro se insere o Paulistão, que não vale nada, não vale nada, mas vale tudo para esse Corinthians de alma combalida. Nesse período, aliás, o foco deverá, por todas as razões, ser a Copa do Brasil, atalho para a Libertadores.
Mas, o Paulistão, na mídia, terá sempre maior destaque, por uma questão de hábito e de constância. E, uma eventual (natural, até, pelas circunstâncias, pois será o período de montagem da equipe), uma sucessão de fracassos certamente abalará esse clube já tão fragilizada emocionalmente.
Nesse instante o cartola terá de se despir de sua camisa de jogador e de sua alma de torcedor para pensar friamente nas consequências de cada ato.
E eu me pergunto: pelo que se viu até agora do atual presidente, assim será ou seria?