Blog do Alberto Helena Jr - Part 20

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sábado, 17 de dezembro de 2011 Sem categoria | 16:15

DOIS JOGAÇOS EM UM SÓ

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A decisão deste domingo pelo título do Mundial de Clubes no Japão não é apenas o contraditório confronto entre duas escolas invertidas, mas também o cotejo entre dois craques cujos estilos se confundem em muitos pontos – Messi e Neymar.

A contradição entre os modelos adotados por Barça e Peixe está no simples fatos de que eles jogam como jogávamos naqueles tempos em que atemorizávamos e encantávamos o mundo; e nós jogamos como quando eles eram mais vacas bravas do que toureiros de fina estampa.

É verdade que o Santos foge um tanto desse padrão vigente no futebol brasileiro há duas décadas. Já esteve bem mais distante deste e muito próximo daquele, no primeiro semestre do ano passado. Mas, ainda assim, por conta de alguns jogadores excepcionais, como Neymar, Ganso, Borges e Arouca, por exemplo, consegue se elevar alguns degraus acima do lugar-comum do pega-pega, mata-mata geral.

Claro, isso não exclui de vez a possibilidade de o Santos voltar do Japão com o caneco debaixo do braço. Trata-se de um jogo só, com todas as variáveis e surpresas que uma partida de futebol oferece em 90 minutos, mais prorrogação e cobranças de pênaltis, numa eventualidade.

Justamente porque tem Neymar, Ganso, Borges e Arouca, que, em três combinações, podem decidir um jogo aparentemente perdido.

Mesmo porque o poder de fogo do Barça para essa partida está em parte comprometido, pela ausência de David Villa e, talvez, do chileno Alexis Sanchez. Digo, em parte, porque Guardiola sempre terá as alternativas de Fábregas e Pedrito para suprir as ausências desses dois atacantes.

Fábregas, é verdade, não chega a ser um atacante de ofício. Mas, nas últimas partidas do Barça, no Espanhol, tem jogado como tal, ali pela esquerda, exatamente na posição ocupada de hábito por Villa, poupado pela fissura na tíbia que acabou se rompendo na estreia do Mundial.

Neymar x Messi

Dito isso, passemos ao jogo paralelo  – a disputa entre Messi e Neymar, dois craques que podem desequilibrar a qualquer momento.

Antes de tudo, vale dizer que não estou estabelecendo aqui hierarquia entre dois talentos imensos, nada disso. Não se trata de saber quem é melhor, se Neymar ou Messi.

Busco apenas cotejar estilos, virtudes e eventuais defeitos dessas duas maravilhas do futebol.

A grande diferença entre ambos é genética o branco: Messi é canhoto natural e o mulato Neymar, destro. Os dois, porém, não são cegos com o pé menos dotado. Messi usa a direita melhor do que muitos destros grossos que andam por aí, e Neymar, idem com batatas, quando se trata de sua esquerdinha.

Messi é aquele canhoto que passou grande parte de sua carreira atuando pela direita, antes de se deslocar para a fluida função de falso centroavante. Na verdade, flutua por todo o ataque, atrás da linha de volantes adversários.

Neymar, da mesma forma, é o destro que parte sempre da ponta-esquerda para fazer suas diabruras.

Tanto Neymar quanto Messi fazem da velocidade poderosa arma, sobretudo aquele arranque curto, com a bola colada ao pé,  que logo deixa o marcador para trás, atônito. O drible é a base dos seus fundamentos. E aqui, numa sintonia fina, veremos que há uma sutil diferença: Messi não reveste seu drible de brilhos extras, mas mantém a bola presa à canhota; Neymar não cansa de inventar novos arabescos, jogo atrás de jogo, deixando a bola mais ao alcance do marcador.

Ambos são eméritos assistentes e, ao mesmo tempo, artilheiros, assim como são exímios cobradores de falta e escanteio.

Messi leva a vantagem de ser cinco anos mais velho do que Neymar, atuando sempre em alto nível nas mais cotadas competições do mundo. Além do mais, como foi forjado nas categorias de base do Barça, que não altera seu padrão desde lá até o time titular, está muito mais integrado à dinâmica do seu time.

Já Neymar, embora também cultivado desde garoto na Vila, em dois anos de carreira como titular, teve de se adaptar às constantes variações de sua equipe, devido à troca de companheiros nem sempre com o mesmo talhe técnico e tático.

(Sim, o Santos tem no seu DNA o futebol ofensivo, criativo, leve e técnico. Mas, isso é um pouco difuso, uma lembrança inconsciente do que tem sido sua história. Não é, porém, um conceito aplicado na prática, de baixo acima, como acontece no Barça).

De qualquer forma, seja qual for o resultado final, teremos neste domingo dois espetáculos de extasiar o mais chato espectador: Santos x Barça e Neymar x Messi.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011 Sem categoria | 15:52

O BARÇA E SEUS ESPELHOS

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Como se esperava, o Barça goleou o Al-Sadd, por 4 a 0, placar recorrente nas exibições habituais do time catalão, com mais de 70 por cento de posse de bola, outra rotina.
Mesmo jogando com um mistão, o que não lhe faz diferença, já que o elenco é todo ele composto por jogadores de alta qualidade técnica e perfeitamente entrosados ao esquema adotado pelo técnico Guardiola.

E que esquema é esse?

Bem, ainda ontem reencontrei Valdir Espinosa, técnico campeão do mundo pelo Grêmio, entre outros títulos, que me veio louvar um texto perpetrado por este pobre e velho contador de histórias aqui neste espaço.

Era sobre o indevido uso da palavrinha “equilíbrio” tão presente nos discursos dos nossos técnicos neste século. No fundo, não se trata de equilíbrio algum, mas, sim, de um eufemismo para a retranca. Isto é: equilíbrio seria a perfeita harmonia entre os três setores de uma equipe de futebol – defesa, meio-campo e ataque.

Contudo, na prática, nossos times, na verdade, jogam sob a égide do medo, provocando, isso, sim, desequilíbrio. É a síndrome do contra-ataque.

Pegue o Barça como exemplo, cujo estilo de jogo foi moldado pela Seleção Holandesa de 74, a Laranja Mecânica ou Carrossel Holandês, desde Rinus Mitchels (técnico daquela seleção e do Barça, ao mesmo tempo), passando por Cruyjff e Van Gaal, até chegar quase à perfeição nas mãos do catalão Pep Guardiola.

O Barça, desde o início da partida, reduz o campo à sua metade ofensiva, planta seus zagueiros no círculo centra, e passa o tempo todo tocando a bola de primeira, fazendo-a circular entre todos os seus jogadores, até que encontre a brecha fatal.

Mas, como se defende? Simples. Na verdade, não se defende, ataca. Isto é: defende-se atacando, baseado no princípio de que, se você não recuar, acabará recuperando a bola no campo adversário, o que lhe permitirá chegar ao gol adversário (o objetivo do jogo, até mesmo para nossos pragmáticos de plantão) mais rapidamente e com menos desgastes de toda ordem – físico, mental etc.

Então, quando perde a bola lá na frente, em vez de recuarem, assombrados pela possibilidade do contragolpe, como fazem de hábito nossos times, eles armam uma barreira ofensiva, apertando a saída de bola do inimigo.

Ora, como esta, em geral, parte de um zagueiro, por natureza o menos habilidoso de um time, a possibilidade de recuperar a bola ainda na zona próxima à da conclusão é sempre maior.

Entre outras coisas, porque as estatísticas comprovam – e o jogo com o Sadd foi tão evidente nesse sentido como o contra o Real – que cerca de setenta por cento da recuperação de bola de um time se dá menos pelo combate direto e muito mais pelo erro de passe do adversário acossado.

Não é necessário, pois, roubar a bola, na marra. Basta o bom posicionamento e a atenção para esperar o passe errado do outro. Consequentemente, o Barça agradece e dispensa a presença em seu time desses volantões ladrões de bola que congestionam os campos brasileiros.

No jogo com o Sadd, o único volante de ofício, típico, presente no Barça era o argentino Mascherano. Mas não como volante, e, sim, como zagueiro na sobra, o último guardião da linha de defesa, se assim pode se definir a linha derradeira desse time.

Todos os demais, afora o beque Puyol e os laterais, eram meias autênticos, desde Keita a Messi, passando por Thiago Alcântara e Iniesta, com dois atacantes fluidos lá na frente – David Villa e Pedrito.

Nesse aspecto, esse Barça, indiretamente, resgata outro time histórico, talvez o melhor de todos os tempos: a Seleção Brasileira, campeã invicta em 70.

Tínhamos, então,, na quarta-zaga, improvisado, um apoiador  de passe exato, Piazza; um volante de extrema habilidade, Clodoaldo; e cinco meias, uns, mais ofensivos, como Jairzinho, Pelé e Tostão; outros, mais armadores, como Gérson e Rivellino.

Com exceção de Clodoaldo, nenhum dos demais era dado à marcação, embora Gérson, o veterano da equipe, participasse um pouco mais do combate.

O segredo, pois, não era a destruição para recuperar a bola. Mas, sim, o posicionamento, o fechamento de espaço, já que a recuperação de bola se daria a partir do erro de passe do inimigo.

O amigo dirá: ah, mas naquele tempo… Que tempo, cara? Esse Barça aí é de quando? Dos tempos da Revolução Francesa?

O QUE DÁ PRA RIR…

…dá pra chorar, como no samba antológico de Billy Blanco.

E esse é o encanto que cerca a final do Mundial de Clubes, entre Santos e Barcelona: o justo encaixe entre dois estilos antagônicos.

Se o Barça, por certo, se debruçará sobre o campo peixeiro, trocando bolas até encontrar o espaço fatal, o Santos ficará aqui na moita, esperando a chance de um contragolpe que pegue a defesa catalã adiantada e incapaz de conter o ímpeto e o talento de um Neymar, de um Borges.

Pode, sim, por que não? O Al-Sadd, com todas as suas limitações, teve duas dessas oportunidades, abortadas menos pela ação dos defensores catalães e mais pela inépcia dos atacantes do Qatar.  Chances semelhantes à que teve, por exemplo, Cristiano Ronaldo, no jogo do fim de semana, pelo Campeonato Espanhol, mas, aqui não se pode falar em inépcia.

Azar, talvez.

Ou, quem sabe, sorte de um time que parece escolhido pelos deuses como um dos mais perfeitos da história do futebol.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011 Sem categoria | 10:55

GANHOU, MAS…

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O Santos venceu o Reysol, por 3 a 1, classificou-se para a decisão do Mundial de Clubes, com chances, sim, de levantar o caneco e tal e cousa e lousa e maripousa. Mas, venceu por três inspirações individuais, os gols de Neymar, Borges e Danilo, de falta.

Contudo, como conjunto, o Santos foi um horror. Mal conseguiu trocar três passes certos, abusou dos chutões de seus zagueiros e foi submetido ao maior domínio dos japoneses, do início ao fim, com alguns raros momentos. E, mais: erros sucessivos na defesa, sobretudo por parte de Bruno Rodrigo, o que permitiu ao Reysol criar várias chances claras de gol.

Neymar, que esteve ativo no primeiro tempo, desapareceu no segundo. O meio de campo jamais conseguiu soldar o time em seus vários setores, e as centelhas de lucidez no setor partiram dos pés de Ganso, mesmo que longe daquele meia extraordinário de outros tempos.

Sim, claro, há que se descontar o fator estreia, somado ao fato de o adversário, tecnicamente, ser muito inferior ao Santos. É como brigar com bêbado na frente de uma multidão: se bater, não fez mais do que o óbvio; se perder, será a suprema humilhação. Isso tira o cara do eixo, o que incrementa o erro.

Se o adversário de domingo for mesmo o Barça, como se espera, o Santos terá de mudar muito de postura, a não ser que Neymar, Borges ou Ganso, em duas ou três jogadas mais incisivas, decidam tudo.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

terça-feira, 13 de dezembro de 2011 Sem categoria | 15:37

CHEGOU A HORA

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Bem, agora é pra valer. Daqui a pouco, o Santos entra em campo para pegar o Kashiwa Reysol, na estreia do Mundial de Clubes, em Toyota.

Jogo fácil? Sim, se o Peixe jogar tudo que sabe, não descarto sequer uma goleada. Mas, se embaraçar nos nervos expostos de uma estreia, a coisa se complica, pois os japoneses já exorcizaram esses fantasmas e vêm embalados por duas vitórias, contra o Aukland e o Monterrey (nos pênaltis).

Já disse e repito: além dos brasileiros Jorge Wagner e Leandro Domingues, sob o comando experiente de Nelsinho, o Reysol tem lá um atacante esperto chamado Tanaka. Mas, sua defesa é frágil, e a diferença técnica, no todo, só conspira a favor do Peixe.

Preocupam-me, porém, duas posições no time do Santos – a presença de Elano, que desde aquele início estupendo no Paulistão não conseguiu mais produzir um bom futebol, e a de Durval, na lateral-esquerda, embora o becão tenha se saído bem quando por ali atuou no Brasileirão.

Contudo, isso poderá vir a ser um verdadeiro problema contra o Barça, numa eventual decisão de título do torneio. Por ora, dá pro gasto, imagino.

O FLA DO MUNDO

O Flamengo celebra os trinta anos da conquista de Mundial de Clubes, e as lembranças vagam em torno desse time maravilhoso montado pelo saudoso Cláudio Coutinho e levado à glória maior por Carpegiani.

Aquele Flamengo da virada dos anos 70 para os 80 foi, de Raúl, Leandro, Júnior, Carpegiani, Andrade, Zico, Adílio, Cláudio Adão, Nunes, Uri Geller, Tita e cia. bela, seguramente, foi um dos maiores esquadrões da história do futebol que vi jogar nos últimos sessenta anos, digamos.

Jogava fácil, bola de pé em pé, com uma irresistível compulsão ao ataque, no melhor estilo da autêntica e original escola brasileira. Algo semelhante ao que pratica o Barça hoje em dia, mas com mais contundência ofensiva e alguns arabescos extra, quando a bola caía na ponta-esquerda, onde Uri Geller (em homenagem ao mágico da tv que entortava colheres só com o olhar) demolia as defesas adversárias em dribles hilariantes, por exemplo. Em seguida, veio do mundo árabe o falso ponta-esquerda Lico, que liberou Zico ainda mais para as ações ofensivas.

Mas, exibia também o requinte e a habilidade de Adílio, ao lado de técnica impecável de Andrade , do descortino de Carpegiani, antes de virar treinador, e da genialidade de Zico, apoiado pela habilidade de Tita e o poder de fogo de Cláudio Adão, depois, Nunes.

Isso, sem falar no talento inexcedível dos dois laterais históricos – Leandro e Júnior.

E, na segurança proporcionada pela presença já madura do goleirão Raúl, na plenitude de sua carreira.

Lembro como se fosse hoje de uma cena, à beira do gramado da Gávea, num treino do Flamengo, quando o técnico Coutinho se aproximou de mim e segredou: “Preste atenção naquele menino ali. Estava emprestado para um time da Venezuela, mas não vou deixar voltar, não. Joga demais”.

O menino era Andrade, um dos mais completos volantes de nosso futebol, capaz de aliar força à técnica na mesma proporção.

E, veja bem, meu amigo, minha amiga: um timaço praticamente todo forjado lá na Gávea, a custo zero, obedecendo à velha máxima rubro-negro, segundo a qual, craque, o Flamengo  faz em casa.

Ah, mas os tempos eram outros.

É verdade. Mas, só não diria que aquele Flamengo foi o último remanescente cintilante da escola brasileira de jogar bola – aquele que conquista e extasia – porque tivemos ainda outro dia o Santos de Neymar, Ganso, Arouca, Wesley, Robinho etc., que foi desmontado antes de atingir seu paroxismo.

Mas, que a lembrança daquele Flamengo campeão do mundo sirva como germe de uma grande virada no nosso futebol, hoje, tão desprovido de brilho como de títulos.

TITE VAI OU FICA?

Na minha cabeça, depois de ter sido bancado pelo presidente Sanchez no momento mais crucial desta passagem de Tite pelo Corinthians, não havia a menor dúvida: com o caneco na mão, a permanência do treinador no Parque era favas contadas.

De repente, Sanchez aparece no Bem, Amigos lançando uma dúvida atroz: Tite, através de seu agente Gilmar Veloso, teria extrapolado na pedida para renovar o contrato com o Timão.

Sei lá por que camadas da estratosfera flutuam os números em pauta, nem me interessa saber. Mas, pelo que ouço aqui e ali, desconfio que, de um modo geral, os salários pagos por nossos grandes clubes aos treinadores, excedem à realidade brasileira. Talvez, uma compensação pela flagrante instabilidade desses profissionais, que precisam assegurar um ano de trabalho em dois, três meses de atividade. Mesmo porque, muitos deles são obrigados, ao cabo, a ir cobrar suas multas ou salários complementares, de acordo com os contratos, na justiça, onde esperam sentados anos por uma decisão final.

Não sou cartola, técnico, agente, longe disso. Mas desconfio que a melhor forma de  elaborar um contrato viável e compensador para todos seria aquele que concentrasse o maior ganho do profissional na obtenção de metas.

Sei lá, um salário base decente, com multa altíssima a ser paga no ato da eventual demissão, e o grosso, escalonado segundo o nível de conquista; campeão da Libertadores, tanto; do Brasileirão, tanto; do estadual, tanto, e assim em ordem descrente, para vice, terceiro colocado, quarto, quinto, vaga na Libertadores, na Sul-Americana etc. Já que os resultados são o imperador das decisões.

O diabo é que, neste país, os contratos são feitos para não ser cumprido, desde os tempos da Colônia, quando os poderosos mandavam seus filhos a Coimbra, aprender direito como fazer leis tortas.

Então, vai da valsa e seja lá o que Deus quiser.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011 Sem categoria | 11:41

TUDO É POSSÍVEL

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Claro, meu amigo, minha amiga, que, de repente, Barça e Santos, a exemplo do que já ocorreu com o poderoso Inter,podem cair de cara, diante de Al-Sadd e Reysol e sequer chegarem à final tão sonhada. Pois, tudo é possível nesse joguinho infernal criado pelos deuses só para nos martirizar.

Mas, o mais provável é que os campeões da Europa e da América cheguem lá e nos proporcionem um desses momentos mágicos da história do futebol.

Mais sugestivo ainda seria se fosse o atual Barça contra o Santos do primeiro semestre do ano passado, aquele com Arouca e Wesley de volantes, Ganso em plena forma, Robinho e Neymar.

Seria, por certo, uma chuva de gols de lado a lado, com muitas jogadas de extasiar os mais céticos olhares.

Talvez, aquele Peixe de Dorival Jr. fosse o único a bater esse Barça sem contar com a sorte ou uma jornada infeliz dos catalães. Nunca saberemos.

Mas, este Santos de Muricy também tem competência para tanto. Mais cerrado na marcação e menos vulnerável na defesa, se conseguir quebrar aquele toque de bola ininterrupto dos catalães, tem grandes chances de surpreender com as investidas diabólicas de Neymar e o faro de gol de Borges, apoiados nos passes e enfiadas de Ganso, que, espero, não esteja inibido ou disperso por tudo o que vem acontecendo ao seu redor fora do campo.

Ah, sim. Ainda há possibilidade de uma bola parada de Elano ou um cabeceio de Edu Dracena ou Durval na cobrança de escanteio.

Todas essas possibilidades, assim como um eventual vareio do Barça, estão sugeridas na linha do horizonte, que, como sabe o amigo, a amiga, vai ao infinito.

NO CAMPO DA BOLA

Descendo ao campo de jogo, além do toque de bola incessante do Barça, Muricy terá de preocupar-se com as individualidades do Barça, que não são poucas.

Xavi é o maestro, o condutor da equipe, aquele que distribui o jogo, mas, também chega de surpresa para finalizar.

Iniesta, que ajuda pra burro na marcação, é a investida pela esquerda, de preferência, aos dribles e toques. E Fábregas, idem, com batatas.

Mas, quem mais atribula é Messi, claro, o craque quase completo, que agora atua solto a partir da intermediária adversária, como um falso centroavante e que arrasa com seus dribles inesperados em progressão.

Se tivesse Adriano, por certo, Muricy o colocaria na cola de Messi. Mas, não tem. E Elano, que deve substituí-lo, é a antítese de Adriano. Marca muito menos e é lento demais para cumprir essas funções defensivas, que deverão ficar a cargo de Arouca e Henrique.

Então, a alternativa é… Sei lá!

Aliás, quando perguntei isso a Muricy, num Bem, Amigos passado, colhi do treinador santista uma expressão divertida, um dar de ombros, arrematado pela frase mais viável diante de tal dilema:

- Tem que marcar, tomar a bola e jogar.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

sábado, 10 de dezembro de 2011 Sem categoria | 21:33

O BARÇA E A BOLA

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Estádio lotado de merengues e o Real vindo de quinze vitórias consecutivas, time azeitado, pleno de estrelas, líder do Campeonato Espanhol, sensação da Liga dos Campeões e tal e cousa e lousa e maripousa.

Eis que, logo de cara, o goleiro Victor Valdés, do Barça, faz uma lambança e Benzema abre a contagem. A tragédia catalã se desenha no ar do Santiago Bernabeu.

Que nada, espie só o Barça. É como se nada tivesse acontecido e tudo estivesse ainda por acontecer, pois o jogo, para ele, nem era realmente no Santiago Bernabeu, em Madrid, ou qualquer outro recanto real que a bola rolava. Era num campo dos sonhos, flutuando acima de qualquer paixão.

Perceba como esses caras não dão a menor pelota para o placar, o adversário, o juiz, a torcida. Seu negócio é a bola. Onde ela estiver, eles a tratam com ternura e cuidados. Mesmo sob intensa pressão, apesar do erro grotesco do goleiro, nenhum chutão pra frente, nenhum despacho sem endereço certo, nenhum temor.

Como cunhou certa vez o técnico Muricy: a bola pune. Sim, pune quem a trata mal, mas premia quem lhe dispensa tanto respeito e carinho. E, lá vai a bichinha ronronando de prazer de pé em pé, submissa, agradecida, seduzida, até se deitar na rede branca por três vezes ainda antes do apito final.

Há quem consiga traçar e retraçar, durante o jogo, todos os meandros desse time maravilhoso, construindo e reconstruindo fórmulas as mais cabalísticas possíveis; mas, para mim, o mistério desse Barcelona é a simplicidade em seu estado mais puro, como a primeira lição das cartilhas d’antanho, que começava assim: O Menino e a Bola.

REYSOL, O ADVERSÁRIO

E deu Kashiwa Reysol , nos pênaltis, num jogo sem grandes lances, a não ser o gol japonês, no tempo regulamentar, perpetrado pelo brasileiro Leandro Domingues, uma bela chicotada de direita no ângulo oposto do goleiro do Monterrey.

Sob o comando do técnico Nelsinho Batista e com Jorge Wagner e Leandro Domingues organizando tudo, o Reysol revelou-se um time esforçado, frágil na defesa, e dependente demais do rápido Nakata no ataque.

Merece atenção do Peixe, mas nada que meta medo.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011 Sem categoria | 14:34

BARÇA, REAL E O SANTOS

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Não dá para avaliar em que estado de espírito o Barça desembarcará no Japão em busca do título de campeão do mundo, agora, às vésperas do clássico do século na Espanha, contra o Real.

Pela primeira vez, nos últimos anos, o Real está na frente do Barça, no Campeonato Espanhol, e, se vencer o clássico, pode disparar uma distância do rival inalcançável. E, mais do que isso: o Real está na ponta dos cascos, sob o comando de Mourinho, e com Cristiano Ronaldo em fase esplêndida novamente.

Mas, o Barça é o Barça, meu. Meio que em fase de transição, com a chegada recente de alguns reforços como Fábregas e Lionel Sanchez, mais a promoção de uma garotada de ouro que ainda outro dia deu um passeio no Bate, pela Liga dos Campeões, tipo Thiago Alcântara, seu irmão Rafinha, Cuenca, Roberto, Montoya etc.

Quando bota a bola no chão, porém, e começa a tramar aquela teia de passes e repasses, por melhor que seja o adversário, mais cedo ou mais tarde, babau.

Contudo, pela primeira vez nestes tempos gloriosos de Pep Guardiola, Xavi, Messi, Iniesta e cia. bela, o Barcelona está ameaçado de sucumbir à outra máquina bem azeitada do Real.

Para nós, porém, que estamos com os dedos cruzados, torcendo pelo Santos de Muricy, Neymar, Ganso, Arouca e aquela turma toda da Vila, interessa mesmo é saber se o Barça chegará ao Japão de crista caída ou erguida. Mesmo porque o Barça, quando (e se) encarar aquele time todo de branco à sua frente, no Japão, por certo, se lembrará do Real.

O curioso nessa história toda é que o Santos e o Real Madrid guardam algumas semelhanças que vão além do uniforme branco.

Nos anos 60, Santos e Real dividiam a primazia do melhor time do mundo, tira-teima que jamais se deu por conta dos merengues, que sempre evitaram o confronto com o Peixe naquelas tantas excursões do time de Pelé pelo mundo.

E não era pra menos, pois se o Real exibia um ataque arrasador com Kopa, Del Sol (Didi, eleito o melhor jogador da Copa de 58, teve breve e boicotada passagem nesta posição), Di Stefano, Puskas e Gento, o Santos respondia com Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe.

Para a Fifa, aquele Real foi o time do Século XX. Pra mim e imensa legião de observadores mais categorizados no mundo todo, o Santos de Pelé foi simplesmente incomparável.

Vale dizer que, quando Pelé surgiu, ainda menino, a exemplo de Neymar, quem reinava no mundo era o argentino Di Stefano, a exemplo de Messi hoje.

Eram dois estilos diferentes, embora ambos artilheiros natos.

Di Stefano, branco, que jovem ostentava uma farta cabeleira loira já ganhara acentuada calva, também substituíra a velocidade que lhe dera o apodo de Saeta Rúbia (Seta Loira) por um jogo cerebral, feito de atalhos e descortino. Vinha aqui armar para chegar na área no momento exato do encontro com a bola fatal.

Pelé, negro, de carapinha ainda intacta já setentão, era a força da natureza em seu mais puro requinte. Demolia defesa atrás de defesa, reinventando o futebol a cada jogada.

Se Di Stefano era o craque genial, Pelé era o gênio da lâmpada, mágico, inconcebível, imprevisível, pois.

O resto é a história que ainda está se desenrolando nos campos dos sonhos, ás vésperas de mais dois capítulos feitos de encanto e mistérios.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011 Sem categoria | 17:01

OS CARIOCAS NO ANO NOVO

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O futebol carioca brilhou neste Brasileirão. Seus quatro representantes passaram o tempo todo ali na ponta da tabela. O Vasco foi vice, e Fla-Flu conquistaram vagas na Libertadores, enquanto o Botafogo esteve rondando a liderança até despencar no final.

Isso terá sido fruto de superioridade técnica desses times, ou consequência do acaso, das circunstâncias? Creio que a combinação dos dois, pois, apesar da excelência desses times, nos padrões atuais do futebol brasileiro que não são muito exigentes, diga-se, as duas últimas rodadas do certame poderiam ter criado um cenário bem diferente,

Então, vejamos como os grandes do Rio poderão manter essa superioridade no ano que aí vem.

Do Vasco, já falei no post anterior. Então, vamos aos demais.

O presidente do Fluminense, às vésperas da apresentação do mais novo reforço do seu time – o meia-armador Wagner, ex-Cruzeiro -, preferiu exaltar a permanência do elenco atual nas Laranjeiras.

Para tanto, porém, terá de renovar o contrato de Mariano, um dos três laterais-direitos indicados para melhor da posição no Brasileirão pela CBF. Se perdê-lo, terá de se virar para achar outro à altura.

De resto, o time estará bem montadinho para o próximo ano, como demonstrou no segundo turno do Brasileirão, sem falar no inestimável acréscimo de Wagner, um meia canhoto, inteligente, que dividirá, por certo, a armação com Deco em altíssimo nível.

Já o Flamengo vive a indecisão sobre Ronaldinho Gaúcho, um golpe de mestre da diretoria, que deu e não deu certo. Deu, quando, num determinado período do campeonato, jogou bem e foi decisivo em várias partidas. Não deu, na medida em que, na média, esteve abaixo do esperado. Além do que o acordo com a Traffic está enroscado e o craque não vê a bufunfa há algum tempo.

Mas, o fato é que, com ou sem Ronaldinho, o Rubro-Negro carece de novos incentivos, se quiser dar um salto maior do que apenas repetir a conquista do Cariocão e cavar, no sufoco, uma vaga para a Libertadores, como foi neste ano.

Há duas alternativas à vista. Ou o Fla investe nos seus meninos, tipo Tomás e Adryan, ou ataca no mercado mais dois ou três jogadores de alto nível. Pelo menos, um zagueiro de escol, um armador de categoria e discernimento e um atacante implacável. Quais? Não sei, mas é aí que entra a imaginação e o conhecimento do treinador.

Quanto ao Botafogo, que cometeu a enorme besteira de demitir Caio Jr. na reta final do torneio, levou Oswaldo Oliveira para General Severiano. Um perfil muito parecido com o de Caio, discreto, comedido e avesso a grandes lances de invenção, o alçapão em que pisou o ex-técnico às vésperas de sua demissão.

O Bota tem um bom time, com a espinha dorsal bem estruturada – o goleiro Jefferson, o zagueiro Antônio Carlos, o meia Renato e o centroavante Loco Abreu. Inclua aí o hábil Maicosuel e o lateral Cortês, que precisa, porém, exorcizar-se da convocação à Seleção para voltar a jogar o que jogava, e teremos um grupo respeitável de jogadores.

O suficiente, ao menos, para cumprir uma campanha digna na próxima temporada. Mas, se quiser alçar voos maiores, terá de investir num parceiro para Antônio Carlos, num lateral-direito de recursos, num meia de armação para ajudar Renato nessa tarefa e num atacante veloz para se revezar com Herrera.

Nos próximos blogs, falarei de mineiros, gaúchos e paulistas

O GRANDE BARÇA

Certamente, o Barcelona é, dentre os clubes milionários, aquele que menos joga dinheiro fora. Aliás, a bem da verdade, não joga fora um tostão, pois os raros e grandes investimentos na contratação de craques consagrados, quase sempre dão certo, com exceção, talvez, de Ibra, por razões extra campo.

Pegue o amigo, como exemplo, o tape da goleada do Barça sobre o Bate Borisov, por 4 a 0, pela Liga dos Campeões. Pep Guardiola mandou a campo um time de garotos, todos formados nas canteras do Barça, com exceção do goleiro Pinto e do brasileiro Maxwell. Média de 19/20 anos de idade.

Resultado: era como se estivéssemos vendo em campo o time titular: bola de pé em pé, mais de 70 por cento de posse da esfera, praticamente nenhuma falta cometida, sete chances de gols criadas e quatro convertidas, numa delas – a de Pedro, de calcanhar -, trama de passes vertiginosa e encantadora.

Ah, mas esse Bate é uma baba. É verdade. Mas, não será o Vktoria Pilsen igualmente um time de segunda? Pois, o Milan, rival do Barça na Europa, pelo peso da camisa e o tamanho do cofre, não foi além do empate por 2 a 2, com dois gols brasileiros – Robinho e Pato, duas estrelas do mistão que Allegri mandou a campo.

A verdade, meu caro, é que nada é comparável ao Barça no planeta bola, o que não quer dizer que, numa eventualidade, acabe soçobrando diante de Neymar e Ganso, no Mundial de Clubes que está em vias de se realizar.

Entre outras coisas, porque o Barça enfrenta a batalha eterna contra o Real, neste fim de semana, enquanto o Peixe, fresquinho, se prepara no Japão.

Mas, o que quero exaltar aqui, agora, é essa convicção do Barça num estilo de jogo que guia seus jogadores desde os dentes-de-leite até os marmanjos, um estilo que enfatiza o essencial do futebol: toque de bola e compulsão em direção ao gol adversário. Talento no lugar da força.

NOSSOS ANTOLHOS

Falando de Barça e seu estilo de jogo, em que os zagueiros se postam no meio de campo, com apenas um volante, dois meias de habilidade e três atacantes, com movimentação livre, porém, coordenada pela inteligência de todos e de cada um, compare o amigo com o nosso futebol engessado em conceitos fixos e superados.

Espie só os critérios básicos da entrega de prêmios do Brasileirão estabelecidos pela CBF, ou por quem tenha autoridade para tanto. Pois não é que o meio de campo, esse campo fértil em imaginação e talento, a turma o compartimentou rigidamente em um volante pela direita, um volante pela esquerda, um meia pela esquerda, outro meia pela esquerda e dois atacantes.

Se eu quisesse, por exemplo, escalar a Seleção do Brasileirão, com um volante, dois meias e três atacantes, como reza a cartilha do Barça e dos principais times da Europa na atualidade, tava ferrado.

É a síndrome do contragolpe que se incorporou nos técnicos brasileiros, desde os meados dos anos 80, coisa mais velha do que esta minha barba branca.

O medo de levar contra-ataque e a esperança de, seguros lá atrás, produzirem contragolpes fatais que resolvam a questão do placar, está incutido na mente dos nossos treinadores, jogadores, torcida e críticos, todos de ouvidos moucos aos ecos do passado glorioso e encantador do nosso futebol e cegos ao que acontece no centro do mundo.

Ora, se o Brasil evoluiu nos últimos tempos foi exatamente na produção de grandes zagueiros, que logo partem para a Europa, e lá se projetam, jogando praticamente no mano a mano, já que os principais times de lá aboliram o excesso de dois ou três volantes há tempos. Com exceção dos italianos, mas isso é do seu DNA.

Logo, nossos zagueiros, pela própria natureza, não precisam de tanta proteção assim. Em contrapartida, nossos atacantes carecem demais da criatividade de meio de campo, entregue quase sempre à ação de volantes sem a menor criatividade.

E, mesmo diante de provas irrefutáveis, como, por exemplo, o Santos de Dorival Jr., que atuava com apenas Arouca de volante típico, e que ganhou tudo com sobras e espalhando encantamento por onde passava, a turma segue atada aos antolhos do passado, insistindo nessa história de dois volantes, como um dogma irrefutável.

Ai, meu Deus…

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

terça-feira, 6 de dezembro de 2011 Sem categoria | 14:39

O LONGO ADEUS

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Reencontrei Toquinho, amigo de meio século, no Bem, Amigos. Vale dizer que, quando o conheci, nos meados dos anos 60, ele estava no verdor dos seus 16 anos de idade, mas já era um mestre do violão, cujos segredos havia colhido das lições do saudoso campineiro Paulinho Nogueira, autor, entre outras obras-primas, de Menino Jogando Bola, inspirado no célebre quadro de Portinaria, de Brodosqui, tão perto de Ribeirão.

Pois não é que me surpreendo com o elogio divertido do amigo de sempre?

- O que mais curto em você na tv é esse negócio de contrariar o torcedor.

Bem, meu caro Antônio, o que posso dizer é o seguinte: o torcedor é o bicho mais burro do planeta. Em segundo lugar, disputando par a par a liderança nessa inglória disputa, é o comentarista de futebol, e aí me inclua, por favor.

Certamente, isso é fruto da crueldade dos deuses, que inventaram o futebol só para zombar dos infelizes mortais como nós. Quando você pensa que a vitória é certa, sobrevém a derrota, e assim por diante.

Mas, não é disso que quero falar, ao cunhar o título deste post com o título de um clássico do romance policial, escrito pelo gênio de Raymond Chandler.

O reencontro com Toquinho, na verdade, me desafiou a memória, que Armando Nogueira chamava de a grande traidora.

Sim, porque supunha ter apresentado Toquinho ao Dr. Sócrates numa certa noite de boêmia, no Carreta, ali na Rua Pamplona, nos Jardins, São Paulo, em meio à turma que frequentava o restaurante do Luisinho que emendava a noite e o dia, sem as odiosas segundas-feiras de recesso habitual.

Toquinho, Carlinhos Vergueiro, o Chico Buarque, o Vinicius, o Cyro Monteiro, o Paulinho da Viola, quando vinham a São Paulo, o Zé Nogueira, a Velha, o Raul Português, o Cria do Toquinho, grande percussionista, filho da Lúcia, a mais sóbria notívaga que conheci, sempre tangendo suas belas e espertas filhas, o professor de semiótica Samir Mezzerani  e seus cafezinhos intermináveis, enfim, um povo do balacobaco.

Mas, informa-me o Toquinho que já se dava com o Dr. Sócrates desde um show que fizera em Ribeirão.

E, assim, com a memória estimulada pelo equívoco, desfilam à minha frente alguns lances que convivi com o Magrão, sobretudo nos seus primeiros passos no futebol, todos eles autênticos..

A primeira vez que o vi em campo, ao vivo, foi numa tarde de quarta-feira de Botafogo e Guarani, na rua Javarí. Não me perguntem por que na Javarí, campo neutro. E logo me chamou a atenção aquele tipo espigado, de movimentação e toques originais, diferente de tudo que havia visto antes.

Revi Sócrates, em seguida, no Pacaembu, numa noite de meio de semana. O jogo era contra o Corinthians, e o Dr. ainda estudante de Medicina, havia cumprido 48 horas de plantão num hospital de Ribeirão.

Os times já estavam entrando em campo quando Sócrates chegou ao estádio, numa corrida de carro maluca. Teve tempo apenas para se trocar, entrar em campo e meter um golaço: o saudoso Zé Mário cruzou da direita, e o Magrão, no primeiro pau, tocou de calcanhar para as redes. Foi um show de Sócrates, cujo temor era dormir de cansaço no meio do campo.

Corta, ano seguinte – 1977. Cláudio Coutinho acabara de assumir o comando da Seleção Brasileira para justa indignação de Rubens Minelli, tri campeão brasileiro pelo Inter e pelo São Paulo. E não é que marcam um jogo entre a Seleção Brasileira de Coutinho e a Seleção Paulista de Minelli, no Morumbi?

Às vésperas, insisto com Minelli que deve convocar Sócrates, apesar de sua preferência balançar entre Palhinha e Enéas, dois craques inesquecíveis. Minelli reluta, mas acaba chamando o Dr, e escalando-o entre os reservas, no treino coletivo.

Findo o treino, repórteres satisfeitos com todas as entrevistas se retiram, mas fiquei ali na salinha do técnico no Morumbi, olhando fixo para Minelli, que reagiu com seu proverbial italianismo do Bom Retiro.

- O que você está esperando? Que fale sobre o Sócrates? Pois, lá dentro do campo, é que pude ver do que ele é capaz. Quando pensava em dizer para ele ficar aqui, ele já estava; quando pensava em mandá-lo à frente, ele já se antecipara. O cara vê o jogo como poucos, pô!

Assim é a vida, meu.

PRA MELHOR

Não vi a festa de entrega dos prêmios da CBF no Ibirapuera, pois estava na tenda do Bem, Amigos, distante do auditório principal. Mas, pelo que leio na internet, parece ter sido uma comédia de erros.

Mas, vamos ao que interessa: o futebol. O amigo, por acaso, escalaria a Seleção Brasileira titular com os onze escolhidos pelo colégio eleitoral formado basicamente por jornalistas do país inteiro (exclua-me dessa lista, pois não me enviaram nenhum formulário)?

Só para refrescar a memória, o time escolhido foi este: Jefferson; Fagner, Dedé, Rever e Cortês; Ralf, Paulinho, Ronaldinho Gaúcho e Diego Souza; Fred e Neymar.

Faço essa pergunta, pois, há algum tempo a turma vem clamando por convocações que desprezem os expatriados, tratados na verdade como apátridas, mercenários sem coração nem bandeira, essas coisas mesquinhas do passam pela alma do torcedor.

Muitos do que aí estão listados já foram chamados por Mano Menezes. A saber: Jefferson, Dedé, Rever, Cortês, Ralf, Ronaldinho Gaúcho, Diego Souza, Fred e Neymar – nove, em onze. Alguns têm presença constante no time titular, como Neymar (o campeão de chamadas), Fred e, mais recentemente, Ronaldinho Gaúcho, Jefferson e Dedé, que, aliás, ganhou o prêmio de Craque da Galera. Outros vão e vêm, ou, quando vão, ficam no banco.

Mas, a pergunta é esta: você assinaria embaixo desse time, ou faria mudanças, quais? Responda-me para voltarmos ao papo em seguida.

TÁ BOM DEMAIS?

Tá ótimo, mas tem de melhorar, segundo o ainda presidente do Corinthians e futuro da CBF (pelo menos, na prática), Andrés Sanchez.

Na certeza de fazer de Mário Gobbi seu sucessor, Sanchez não só anuncia a permanência de Tite no comando da equipe campeã do Brasil, como já se mexe em busca de três ou quatro reforços para encarar a Libertadores e o próximo Brasileirão com um nível de excelência maior do que o desta temporada.

Pensa bem. Pensa grande o cartola alvinegro, pois o Corinthians precisa de alguns reforços pontuais, seja para compor o grupo, seja para dar um toque de classe extra no time titular. Sobretudo se chegar à conclusão de que Adriano não parece disposto de fato a voltar a ser o Imperador.

E quais são as posições carentes no elenco corintiano?

Bem, ficou claro que não há um reserva à altura de Fábio Santos, na lateral-esquerda. Ramón não chegou a responder bem a essa solicitação, e o Corinthians sofreu quando o titular ficou de fora, machucado. Foi o período de baixa do Timão no campeonato, lembra?

No meio de campo, quem sabe um reserva para Ralf e um meia desses de resolver de vez a ligação com o ataque, alguém como Montillo sobre o qual recai o olhar corintiano.

E, no ataque, um jogador veloz, incisivo, tipo Dentinho, Jorge Henrique de seus melhores momentos, para se revezar com William e amparar melhor Liedson e Xeique.

De resto, é esperar que a bola da Libertadores, desta vez, entre para a galeria de títulos do Parque São Jorge, naquele nicho até agora vazio.

O mesmo pode-se dizer do Vasco, de tão empolgante campanha na temporada. Seu elenco talvez tenha um punhado de jogadores mais qualificados. Mas, dois deles estão numa idade limítrofe, em que as lesões inevitavelmente são mais frequentes e a recuperação mais lenta. Falo, claro, de Juninho Pernambucano e Felipe, os maestros da equipe.

Precisa, urgentemente, de um lateral-esquerdo de escol, pois Jumar, embora tenha quebrado um galhaço ali, não é daquele ramo. Assim como carece de um atacante veloz pelas beiradas para compensar as eventuais ausências de Eder Luís, que fez uma falta danada na fase decisiva do Brasileirão, diga-se.

Esses dois times, que terminam o ano coberto de louros não podem deitar-se sobre eles. Há muito o que percorrer ainda.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011 Sem categoria | 14:35

O OLHAR DE TITE

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O amigo sabe que não sou dado a valorizar demais a influência do técnico de futebol numa equipe, seja na derrota, seja na vitória.

Outro dia, disse na tv que a taxa de importância de um treinador para seu time é coisa de trinta por cento, no que fui corrigido por Muricy Ramalho: “Não é, não. É de vinte por cento”.

Pois, permita-me, elevar um tantinho mais no caso de Tite em relação ao Corinthians campeão.

Tudo bem: o campeonato teve um nível técnico de baixo para mediano, com alguns jogos de alta categoria, e de muita emoção, por conta exatamente de um nivelamento entre todos os participantes, cujas diferenças foram poucas, quando não insignificantes.

O Corinthians sagrou-se campeão, sobretudo, pela regularidade. Não é um timaço, desses que deslumbrem o torcedor em geral. Não tem um craque que transcenda e encante, embora possua jogadores de bons a excelentes.

E é aqui que entra a figura do treinador.

Tite não prodigalizou grandes mágicas, lances de deixar a Fiel com o queixo caído e o observador neutro surpreso, nada disso. Apenas montou sua equipe, nem excessivamente defensiva, nem temerariamente ofensiva. Ficou no meio-termo, onde mora a sensatez.

Resistiu com serenidade às muitas e até violentas investidas de seus críticos, graças também ao apoio inestimável do presidente Sanchez, e tocou o barco devagar, como ensina o velho marinheiro do Príncipe Da Viola.

Quero aqui pegar, como exemplo, a figura de Danilo, o jogador que mais vezes entrou em campo com a camisa do Timão neste campeonato.

Tite sabia de cor e salteado da aversão que a Fiel e muitos críticos têm em relação a esse jogador. Poderia fazer média, afastando-o, em nome de uma conexão mais forte com as arquibancadas. Mas, não o fez. E não fez porque sabia do significado da presença de Danilo em campo. Tanto, que Danilo fechou o ano como o maior assistente do campeonato. Isto é: aquele que dá a bola fatal para o companheiro marcar o gol, objetivo final de um jogo de futebol.

São os pequenos detalhes que escapam ao olhar apaixonadamente superficial do torcedor comum, mas que não podem escapar do olhar clínico do técnico. E, que, muitas vezes, fazem a diferença.

NEYMAR, FORA

E Neymar acabou de fora da lista tríplice dos candidatos ao título de melhor jogador do mundo segundo a Fifa e a France-Football. Restaram Messi, Xavi e Cristiano Ronaldo, como, aliás já se esperava.

Messi e Cristiano Ronaldo são o show, o talento vivo e a conquista recorrente do gol.
Dois artistas da bola e ainda assim artilheiros. Xavi é o passe, o descortino, a inteligência, no sentido original do termo – aquela sutil capacidade de interligar conceitos distintos, às vezes, até, aparentemente conflitantes. Ou mesmo fazer a conexão entre o terreno e o divino. É isso: Xavi consegue, com os pés no chão, sem grandes voos de imaginação, transformar em divina a movimentação de toda a sua equipe, esse mágico Barça de Guardiola.

Fundamental que, num concurso como esse, se dê espaço a um craque desse estilo e calibre, geralmente subestimado por atuar mais nas sombras do que sob os refletores do jogo.

E Neymar? Neymar está, obviamente, na categoria em que se encaixam plenamente Messi e Cristiano Ronaldo, ambos na plenitude e sua forma, disputando a artilharia do Campeonato Espanhol, um dos mais badalados do planeta.

Ainda não deu para Neymar, mas vai dar, logo, logo, pois o craque-menino mal começou a dar seus primeiros passos no futebol dos grandes. E que passos!

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

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