Mesmo que perdesse para o Flu, no Engenhão, o Galo seguiria na frente do Brasileirão. Não perdeu, mas, quase. Se o juiz não tivesse voltado atrás ao assinalar aquele gol legítimo de Fred, já no finzinho da partida, duvido que o Galo conseguisse empatar.
Quem venceu, com folga e categoria, foi o São Paulo: 4 a 1 no Flamengo. E olhe que foi pouco, diante das tantas chances criadas e desperdiçadas, quando não conjuradas por Paulo Victor. Tudo isso sob o olhar atento de Rogério Ceni, que voltou à cena, depois de seis meses de estaleiro, como mero espectador dentro das quatro linhas, dada a inoperância do Rubro-negro.
Assim como venceram Cruzeiro e Santos, ufa!
O Cruzeiro meteu 2 a 1 num Palmeiras devastado por tantas contusões e suspensões, sem falar em Cicinho, que saiu do hotel pela fresta da janela, direto para Sevilha.
Também os azuis mereciam mais. Contudo, valeu pela exibição de Montillo e os dois gols de Borges, resgatando a fama de artilheiro que lhe cai tão bem.
Já o Santos teve um sobressalto: vencia por 1 a 0, quando lá pelas tantas do segundo tempo, Rildo entrou em campo e despertou a Macaca, que empatou com Roger. O Peixe, porém, partiu pra cima e, no finalzinho, Miralles assegurou a vitória que o deixa no limiar da zona da morte, a um pontinho das trevas.
E o Corinthians? Um sono diante do Bahia. E só isso justifica o zero a zero final.
Sim, teve a bola aos seus pés, mas, e daí, se não a levava com perigo até a área adversária?
E assim conta-se a história principal desse domingo de Brasileirão.
ARTE E CIÊNCIA DOS MENINOS
Por certo, a imagem que ficará na memória dessa vitória do Brasil sobre a Bielorússia por 3 a 1, que nos coloca já nas quartas de final das Olimpíadas, é a do terceiro gol, síntese da nossa escola de jogar bola – o perfeito encontro da arte com a eficiência.
Já nos acréscimos da partida, Neymar recolheu na esquerda, livrou-se do marcador, derivou para o meio e, na entrada da área, ao perceber a passagem de Oscar às suas costas, tocou de calcanhar para o parceiro dominar e tirar do goleiro.
Mas, isso faz parte do nosso repertório eterno. O que não costuma fazer parte do nosso show, nos últimos quinze anos, por baixo, é a paciência. Ou melhor: tire o pa e deixe só a ciência para timbrar o jogo desenvolvido pelo Brasil ao longo de todo o jogo.
Ciência de ir tocando a bola diante da feroz retranca vermelha, alternando os lados e esperando a hora de dar o bote. Sobretudo, depois de ter levado um gol inesperado logo aos 8 minutos de bola rolando – um cruzamento da direita que colheu Thiago Silva fora do lugar e que um brasileirinho de nome de cineasta francês da Nouvelle Vague, Renan Bressan, marcasse de cabeça.
Nosso time absorveu o golpe sem piscar sequer, seguiu sua rotina, e o resultado veio de imediato com aquele passe genial pelo alto de Neymar para a cabeça de Pato. E se consolidou na cobrança de falta que ele mesmo sofreu por Neymar, já aos 14 do segundo tempo.
Um Neymar diferente do habitual, sempre muito participativo mas econômico nas jogadas pessoais e generoso no passe e repasse, o que permitiu, ao lado de Oscar e com o apoio persistente de Marcelo, pela esquerda, e Rafael pela direita, dinamizar o nosso toque de bola, numa configuração que lembrou muito o Barça e a Espanha campeã do mundo.
É assim que se vai forjando um time jovem com o olhar no horizonte de 2014. E nisso Mano Menezes tem, certamente, participação especial.
EMOÇÕES OLÍMPICAS
Tudo começou na véspera, com o show de abertura das Olimpíadas, magnífica produção – um misto bem equilibrado de teatro televisado em linguagem cinematográfica – contando a história da transformação da Velha Albion do pastoreio à indústria e concluindo com um frenético clipe roqueiro, do qual me abstive, sorry.
O sábado, porém, surgiu luminoso para os brasileiros em ação, a ponto de termos cumprido o mais glorioso início de Olimpíadas de nossa história.
As meninas do futebol, mesmo jogando mal, sem criatividade e aos solavancos, bateram a nova Zelândia por 1 a 0, com um gol de raça de Cristiane, que já havia feito a diferença na goleada de estreia, no finzinho da partida.
E as do handebol passaram apertadas, mas passaram, pelas croatas, em bela exibição da goleira Xana, que não se perca pelo nome.
Assim como foi emocionante a conquista do bronze por Felipe Katadai no judô.
Do bronze à prata nas braçadas vigorosas de Thiago Pereira, nas águas em que Phelps reinou em passado recente como um Netuno, e, que neste sábado, ficou vendo o brasileirinho ultrapassá-lo sem forças para manter o trono caído.
Mas, nenhuma outra imagem foi mais comovente e significativa do que a sutil combinação de choro e riso – os dois extremos dos sentimentos humanos – estampada no rosto dessa menina de ouro do judô – Sarah Menezes -, misto de caboclinha doce do pequeno, mas, bravo Piauí e de guerreira serena e decidida,
Nada mais tivesse acontecido neste primeiro dia de Jogos Olímpicos ou aconteça até o final, só isso já justificaria nossa ida a Londres.
A PRIMEIRA DE SEEDORF
A vitória sofrida por 1 a 0, gol de Andrezinho, sobre o Figueirense, no Engenhão, foi a primeira de Seedorf vestindo a camisa do Glorioso.
Embora não tivesse participação no lance fatal, Seedorf já deu mostras do que é capaz nesse jogo, com passes magistrais, toques de alta classe e, sobretudo, com o poder de aglutinar o time, criando um laço forte com a torcida sempre propensa a achar que isso não vai dar certo, como diria nosso capitão Cafu.
Não, Seedorf não é daqueles craques que entram em campo, fazem dois gols, arrebentam a defesa inimiga, essas coisas. É um cara cerebral, que sabe jogar bola, conhece os caminhos mais insondáveis do campo de jogo e confere aquele toque de classe indispensável ao seu time.
O que, diga-se, não é pouco.
A ESTREIA DE FORLAN
A estreia de Diego Forlán no Inter poderia ter sido uma consagração, se o craque uruguaio tivesse marcado pelo menos um dos dois gols que se lhe ofereceram no empate por 0 a 0 com o Vasco, no Beira-Rio.
Mas, ficou apenas na esperança renovada por seu esforço até que as forças lhe faltassem no wegundo tempo, o que é perfeitamente compreensível.
Entre outras coisas, porque, já sem Oscar, o Inter perdeu, novamente, D’Alessandro, lesionado, o que retirou do time todo poder de criação. Fenômeno semelhante ao que ocorreu com o Vasco, que já entrou em campo sem Juninho Pernambucano, até aqui o melhor jogador do campeonato, ao lado do menino Bernard.
E isso explica esse zero a zero final.