CRISE À VISTA, ALMIRANTE!
O Corinthians recebe o Emelec no Pacaembu e o Vasco vai ao covil do Lanús, em Buenos Aires, ambos em busca de classificação para próxima fase da Libertadores, sob nuvens escuras.
Sim, porque uma eventual desclassificação poderá provocar tempestades sobre São Januário e o Parque, com raios dirigidos diretamente às cabeças dos técnicos Tite e Cristóvão, justamente o campeão e o vice do último Brasileirão.
O mais ameaçado é Cristóvão, que saiu de campo sob vaias da torcida vascaína, na vitória por 2 a 1 contra o Lanús, em São Januário. Isso mesmo: vaias na vitória, como se o torcedor já antecipasse o desastre no jogo da volta, por conta do placar apertado.
Ou, então, pela lembrança dos tantos vices acumulados na vida recente do Almirante, apesar da conquista da Copa do Brasil outro di, sob o comando desse mesmo Cristóvão, agora execrado. Mas, torcedor é imediatista, e cartola é torcedor com poder de mando no clube. Logo…
Não sei se Cristóvão escapa dessa, mas que ele está correto em seu plano de voo, disso não tenho dúvidas. Isto é: vai pra cima do Lanús, atrás não só da vitória, mas daquele golzinho lá fora que poderá manter o Vasco na disputa.
Para tanto, armou sua equipe num claro viés ofensivo, do meio de campo pra frente: Rômulo, Juninho Pernambucano, Felipe, Diego Souza, Eder Luís e Alecsandro. É o que tem de melhor e mais apropriado para esse estilo de jogo. Pode não dar certo por todas aquelas variáveis que compõem um jogo de futebol. Mas, aí, na pior das hipóteses, cai em pé.
Já no Corinthians, a pressão é menor, mas latente, depois da queda no Paulistão ainda nas quartas de final, apesar de o Timão ter encerrado a fase de classificação em primeirão. Mas, isso, para a torcida, não conta, por não levar o timbre oficial, nem valer taça alguma.
Além do mais, visto assim à distância, jogando em casa, o Corinthians corre menos riscos do que o Vasco. Afinal, o Emelec não é lá essas coisas. E o Corinthians, se não deslumbra, é um time organizado e dono de um grupo de jogadores de boa técnica, capaz perfeitamente de se livrar dos equatorianos no Pacaembu.
Só precisa refrear os nervos sem perder o tônus. Mas, isso o Corinthians já provou que pode.
ALGUNS MITOS
Aquela imagem do Canhotinha de Ouro, o nosso Gérson imortal, bola aos pés, esperando longamente a hora do lançamento exato para Pelé na decisão com a Itália da Copa do Mundo de 70, tem levado muita gente boa, como meu querido Vadão no Bem, Amigos, a um equívoco medonho; o de que, no futebol corrido e taludo de hoje em dia, essa imagem, representativa de um tempo morto, não seria possível de se reproduzir.
Bem, antes de mais nada, é preciso inseri-la no contexto daquele jogo, disputado ao sol do meio dia, na altitude da Cidade do México e contra um adversário esfalfado pela disputa da véspera com a Alemanha de Beckenbauer, em partida de 120 minutos.
Embora o futebol daquela época fosse mais cadenciado do que o atual – acima de tudo pela excelência técnica dos meias que dominavam os campos de então -, o tempo de lançamento de Gérson, como o de seus ilustres antecessores (Didi, Zizinho, Jair Rosa Pinto etc.) e de seus contemporâneos – Rivellino, Ademir da Guia, Dicá e outros -, normalmente, era mais curto.
Mais ou menos como o faz Ganso, hoje, em plena era da tão decantada alta velocidade, ou como fazia Zidane ainda outro dia. Aliás, no programa, intervi, apontando para Ganso, sentado ao lado de Vadão, que, por sua vez, anuiu de cabeça.
O que eu quero dizer é que há, sim, tempo e espaço para o lançamento perfeito, o passe exato, de lenta preparação ou rápida execução, hoje como ontem. O que falta é talento no setor em que os criadores cederam vez aos destruidores. Só isso.
E que nos livremos desses mitos, esses clichês, que só servem para dissimular a verdade crua do medo que impera nos nossos campos.
JOGANDO PRA TORCIDA
Uma das raríssimas qualidades do presidente que se foi já tarde, Ricardo Teixeira, era não se intrometer no trabalho dos técnicos da Seleção Brasileira. Se o fazia, era no segredo das sombras dos bastidores.
O atual presidente Marin, talvez por ter sido ponta-direita reserva do São Paulo nos anos 40/50, porém, resolveu jogar pra torcida e escancarou sua decisão de vetar ou aprovar nomes da próxima lista de convocados por Mano para os amistosos que aí vêm. E citou um nome de seu desagrado: Ronaldinho Gaúcho.
Não tenho conversado ultimamente com Mano Menezes, mas sou capaz de apostar uma maria-mole e um cigarro Yolanda, segundo os versos do poeta popular, que Ronaldinho, embora conste da relação dos 52 possíveis olímpicos, nem passa mais pela cabeça do técnico brasileiro. Pelo menos, não neste momento, quando Ronaldinho está em baixa no Flamengo. E que ele, Mano, sofre os efeitos da forte corrente contra si na imprensa e na própria CBF.
A não ser que tivesse perdido o juízo e resolvesse abrir uma frente de batalha não só com o presidente da CBF, mas, sobretudo com a mídia, a opinião pública, o senso comum e o bom senso.
Logo, desnecessárias essas bravatas públicas presidenciais. Bastava chamar o Mano na sua sala, sem escutas nem testemunhas, e levar um papo cordial e amigo, para o bem de todos.
Aliás, se Marin quiser prestar um serviço relevante à Seleção Brasileira neste momento, seria o de recolocar as chuteiras legais e oficiais em Oscar, intermediando com eficácia as desavenças entre São Paulo, Inter e o jogador.
Isso, sim, seria um gol de placa de placa do extrema-direita Marin pela camisa da Seleção que ele nunca envergou.