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terça-feira, 8 de maio de 2012 Sem categoria | 15:52

CRISE À VISTA, ALMIRANTE!

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O Corinthians recebe o Emelec no Pacaembu e o Vasco vai ao covil do Lanús, em Buenos Aires, ambos em busca de classificação para próxima fase da Libertadores, sob nuvens escuras.

Sim, porque uma eventual desclassificação poderá provocar tempestades sobre São Januário e o Parque, com raios dirigidos diretamente às cabeças dos técnicos Tite e Cristóvão, justamente o campeão e o vice do último Brasileirão.

O mais ameaçado é Cristóvão, que saiu de campo sob vaias da torcida vascaína, na vitória por 2 a 1 contra o Lanús, em São Januário. Isso mesmo: vaias na vitória, como se o torcedor já antecipasse o desastre no jogo da volta, por conta do placar apertado.

Ou, então, pela lembrança dos tantos vices acumulados na vida recente do Almirante, apesar da conquista da Copa do Brasil outro di, sob o comando desse mesmo Cristóvão, agora execrado. Mas, torcedor é imediatista, e cartola é torcedor com poder de mando no clube. Logo…

Não sei se Cristóvão escapa dessa, mas que ele está correto em seu plano de voo, disso não tenho dúvidas. Isto é: vai pra cima do Lanús, atrás não só da vitória, mas daquele golzinho lá fora que poderá manter o Vasco na disputa.

Para tanto, armou sua equipe num claro viés ofensivo, do meio de campo pra frente: Rômulo, Juninho Pernambucano, Felipe, Diego Souza, Eder Luís e Alecsandro. É o que tem de melhor e mais apropriado para esse estilo de jogo. Pode não dar certo por todas aquelas variáveis que compõem um jogo de futebol. Mas, aí, na pior das hipóteses, cai em pé.

Já no Corinthians, a pressão é menor, mas latente, depois da queda no Paulistão ainda nas quartas de final, apesar de o Timão ter encerrado a fase de classificação em primeirão. Mas, isso, para a torcida, não conta, por não levar o timbre oficial, nem valer taça alguma.

Além do mais, visto assim à distância, jogando em casa, o Corinthians corre menos riscos do que o Vasco. Afinal, o Emelec não é lá essas coisas. E o Corinthians, se não deslumbra, é um time organizado e dono de um grupo de jogadores de boa técnica, capaz perfeitamente de se livrar dos equatorianos no Pacaembu.

Só precisa refrear os nervos sem perder o tônus. Mas, isso o Corinthians já provou que pode.

ALGUNS MITOS

Aquela imagem do Canhotinha de Ouro, o nosso Gérson imortal, bola aos pés, esperando longamente a hora do lançamento exato para Pelé na decisão com a Itália da Copa do Mundo de 70, tem levado muita gente boa, como meu querido Vadão no Bem, Amigos,  a um equívoco medonho; o de que, no futebol corrido e taludo de hoje em dia, essa imagem, representativa de um tempo morto, não seria possível de se reproduzir.

Bem, antes de mais nada, é preciso inseri-la no contexto daquele jogo, disputado ao sol do meio dia, na altitude da Cidade do México e contra um adversário esfalfado pela disputa da véspera com a Alemanha de Beckenbauer, em partida de 120 minutos.

Embora o futebol daquela época fosse mais cadenciado do que o atual – acima de tudo pela excelência técnica dos meias que dominavam os campos de então -, o tempo de lançamento de Gérson, como o de seus ilustres antecessores (Didi, Zizinho, Jair Rosa Pinto etc.) e de seus contemporâneos – Rivellino, Ademir da Guia, Dicá e outros -, normalmente, era mais curto.

Mais ou menos como o faz Ganso, hoje, em plena era da tão decantada alta velocidade, ou como fazia Zidane ainda outro dia. Aliás, no programa, intervi, apontando para Ganso, sentado ao lado de Vadão, que, por sua vez, anuiu de cabeça.

O que eu quero dizer é que há, sim, tempo e espaço para o lançamento perfeito, o passe exato, de lenta preparação ou rápida execução, hoje como ontem. O que falta é talento no setor em que os criadores cederam vez aos destruidores. Só isso.

E que nos livremos desses mitos, esses clichês, que só servem para dissimular a verdade crua do medo que impera nos nossos campos.

JOGANDO PRA TORCIDA

Uma das raríssimas qualidades do presidente que se foi já tarde, Ricardo Teixeira, era não se intrometer no trabalho dos técnicos da Seleção Brasileira. Se o fazia, era no segredo das sombras dos bastidores.

O atual presidente Marin, talvez por ter sido ponta-direita reserva do São Paulo nos anos 40/50, porém, resolveu jogar pra torcida e escancarou sua decisão de vetar ou aprovar nomes da próxima lista de convocados por Mano para os amistosos que aí vêm. E citou um nome de seu desagrado: Ronaldinho Gaúcho.

Não tenho conversado ultimamente com Mano Menezes, mas sou capaz de apostar uma maria-mole e um cigarro Yolanda, segundo os versos do poeta popular, que Ronaldinho, embora conste da relação dos 52 possíveis olímpicos, nem passa mais pela cabeça do técnico brasileiro. Pelo menos, não neste momento, quando Ronaldinho está em baixa no Flamengo. E que ele, Mano, sofre os efeitos da forte corrente contra si na imprensa e na própria CBF.

A não ser que tivesse perdido o juízo e resolvesse abrir uma frente de batalha não só com o presidente da CBF, mas, sobretudo com a mídia, a opinião pública, o senso comum e o bom senso.

Logo, desnecessárias essas bravatas públicas presidenciais. Bastava chamar o Mano na sua sala, sem escutas nem testemunhas, e levar um papo cordial e amigo, para o bem de todos.

Aliás, se Marin quiser prestar um serviço relevante à Seleção Brasileira neste momento, seria o de recolocar as chuteiras legais e oficiais em Oscar, intermediando com eficácia as desavenças entre São Paulo, Inter e o jogador.

Isso, sim, seria um gol de placa de placa do extrema-direita Marin pela camisa da Seleção que ele nunca envergou.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

segunda-feira, 7 de maio de 2012 Sem categoria | 15:37

O QUE ELES TÊM EM COMUM

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Fluminense, Santos e Inter enfrentam uma semana de decisões, tanto na Libertadores quanto nos respectivos campeonatos estaduais.

Flu e Santos praticamente decidiram a parada doméstica nos jogos de ida, emplacando três gols de vantagem sobre seus adversários, Botafogo e Guarani, enquanto o Inter ainda tem de se desvencilhar de vez do Caxias, com quem empatou na primeira rodada das finais gaúchas.

Sucede que o Inter empatou com o Caxias, na serra, sem meio time titular, graças a um golaço do menino Oscar, liberado pela justiça trabalhista, a quem o futebol agradece penhoradamente. Afinal, Oscar é um daqueles cinco garotos de que tanto dependerá o nosso futebol não só para as Olimpíadas e Copa das Confederações que aí vêm, como, sobretudo, para o Mundial de 2014. Os outros são, obviamente, Neymar, Ganso, Leandro Damião e Lucas.

A propósito, sem querer fugir muito do assunto, mas já fugindo, como costuma dizer o Gordo, fosse eu Mano Menezes e já experimentaria esse quinteto de uma só vez no mesmo time nos amistosos que lhe restam antes dos Jogos Olímpicos em Londres, com Fernando, um pouco mais atrás, fazendo as funções de volante.

Ah, mas nosso meio de campo ficaria por demais exposto desse jeito, dirá o pragmático de plantão. Uma ova! Basta avançar a linha de zaga, para compactar o time mais á frente, e obrigar essa moçada de pulmões plenos a fechar os espaços quando estiverem sem a bola. Aliás, no Mundial Sub-20, várias vezes Oscar fez – e muito bem – as funções do que se convencionou chamar ultimamente de segundo volante.

Dessa forma, Mano daria o pontapé inicial na virada tática a que ele se propôs desde quando assumiu a Seleção. Pelo menos, se tiver de cair depois de Londres, cairá de pé e altaneiro, abraçado ao novo, não ao convencional.

Mas, voltando à vaca fria, antes de decidirem os títulos regionais, Inter e Fluminense têm de se confrontar em jogo de vida ou morte na Libertadores, no Engenhão, o que confere certo favoritismo ao Tricolor carioca.

Não só porque o Flu vem embalado pela vitória por 4 a 1 sobre o Botafogo, mas, sobretudo, porque tem time para vencer o Colorado, ainda desfalcado de D’Alessandro, o grande condutor dessa equipe.

Já o Santos pegará em casa o frágil Bolívar, pra quem perdeu por 2 a 1 nas alturas de La Paz. Na beira da praia e com Ganso e Neymar, o atual campeão da América só perde o passo se cruzar com uma zebra tresloucada do tamanho do Monte Serrat.

Depois, cada um terá de resolver suas pendengas domésticas a seu jeito, na certeza de que, qualquer resultado, até o mais adverso, não modificará o fato de que os três têm algo a mais em comum – são os melhores elencos do pais, neste momento.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

domingo, 6 de maio de 2012 Sem categoria | 21:17

TRÊS VITÓRIAS NUM FESTIVAL DE EMPATES

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Foi um festival de empates nas decisões deste domingo por esse Brasil afora, com três exceções relevantes: a carioca, a paulista e a catarinense.

Das três, a mais surpreendente foi a vitória do Avaí sobre o Figueira por 3 a 0. Afinal, o Figueira é considerado o melhor time de Santa Catarina nesta temporada, título comprovado pela conquista dos dois turnos desse campeonato de regulamento, no mínimo, exótico, pois o vencedor ao longo de praticamente toda a disputa não leva vantagem alguma para a esdrúxula decisão.

Já a vitória do Fluminense sobre o Botafogo surpreende pela contagem elevada: 4 a 1, muito para um clássico desse porte.

Pode-se argumentar que, pudera!, o Bota teve um jogador expulso. Mas, quem viu o jogo assegura que, antes e depois da expulsão de Lucas, a história era a mesma – o Flu muito superior ao Botafogo, graças, entre outras coisas, ao exemplar desempenho de Deco.

Do que vi, ficou-me o encanto do gol de bicicleta de Fred, uma pintura.

Por fim, nenhuma surpresa nos 3 a 0 do Santos diante do Guarani, num Morumbi em festa. Era mais ou menos o esperado, embora o Bugre tenha chegado a jogar melhor do que o Peixe em boa parte do jogo, sobretudo no primeiro tempo.

O início, porém, sinalizava em sentido contrário. Na primeira bola que recebeu, Neymar passou por cinco adversários e sofreu falta que Elano mandou ao travessão.
E, depois de Ganso abrir o placar, no finzinho da etapa inicial, Neymar tratou de colocar as coisas dentro do previsto, com mais dois – o último, no encerramento da partida, uma joia: matou no peito, já tirando um beque da jogada, livrou-se no ato de Domingos, e, na saída do goleiro, tocou para as redes.

Com esse gol, Neymar atingiu o recorde de artilharia no Santos pós-Pelé, marca até então só alcançada por Sérginho Chulapa e João Paulo, o Papinha da Vila.

E esse é só o começo de uma carreira sem limites.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

sexta-feira, 4 de maio de 2012 Sem categoria | 17:51

FORRÓ, FANDANGO, CATERETÊ E SAMBA

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O domingo está pontilhado de decisões por esse Brasil afora, sob as mais variadas fórmulas de disputa, como os tantos sotaques que unem e separam este país-continente.

Nesse festival de hibridismos, em que se confundem os sistemas por pontos corridos e o mata-mata, os mais lógicos – ou, menos ilógicos – são o mineiro e o carioca. O mais absurdo, disparado, o catarinense, onde o Figueirense ganhou os dois turnos por pontos corridos, a sua perna das semifinais, e pega o Avaí, em dois jogos, para decidir o título.

O Paulistão é outro que peca pela irracionalidade e paga alto preço por isso. Só serve para derrubar técnico, que nem tempo dispõe para armar devidamente sua equipe, pois pré-temporada não há.

E aí temos na briga pelo título o terceiro e o quarto colocados da fase de classificação, a mais longa de todas, que, diga-se, mereceram a honraria pelo que fizeram nas quartas e semifinais de um jogo só.

Além disso, há outros atrativos: a perspectiva de o Santos arrebatar o tri, feito inédito desde a era Pelé, com Neymar, Ganso, Muricy, o técnico mais vencedor do século, e a milagrosa recuperação do Bugre, que saiu do fundo do poço para chegar, no mínimo, ao vice-campeonato, praticando um jogo gostoso de se ver sob o comando de Vadão.

Os dois jogos serão no Morumbi, por decisão da FPF, embora ninguém me convença que sem o apreço dos dois clubes de olho na bilheteria. Há quem veja nessa decisão um desprezo pelo fator técnico, na base de que o Bugre, no Brinco, é mais Bugre, como o Peixe, na Vila, é mais Peixe.

Mas, afora o fato de o Morumbi proporcionar maior arrecadação aos clubes do que se jogassem em seus respectivos campos, no plano esportivo, nada mais justo: campo neutro e de dimensões mais condizentes para um jogo franco, gramado excelente, vestiários adequados para ambos e tal e cousa e lousa e maripousa.

Não diria, enfim, que são favas contadas, não, que o Guarani joga certinho e pode surpreender. Mas, quem tem Neymar é o Santos, meu.

ESTRELADO VERSUS ESTRELA

O time estrelado é o do Fluminense, com seus Deco, Fred, Thiago Neves e cia. bela. Mas, o Botafogo é a Estrela Solitária, e não me refiro apenas ao seu implacável e polêmico artilheiro Loco Abreu.  E, sim, àquele brilho singular que cintila em meio aos, de hábito, sombrios augúrios de sua torcida sempre desconfiada, mesmo quando o time cumpre vitoriosa campanha.

Sucede que o Flu não será, desta vez, tão estrelado, com tantos desfalques, dentre eles, o de Thiago Neves, sem falar no menino Wellington Nem, que tem feito a diferença nesse time.

Sua maior esperança, além de Deco e Fred, passou a ser o menino Marcos Jr., de tão exemplar desempenho na Copa São Paulo Jr., sempre uma imprevisibilidade.

Por seu lado, o Bota vai a campo nos trinques, com força máxima. Sei, não.

O COELHO E O GALO

A moral da história dessa fábula moderna do futebol mineiro começa a ser escrita domingo em cima de seus dois capítulos decisivos.

O Galo chega à rinha com a crista baixa e olhar desconfiado, à procura de um coelho esperto. que acabou de espantar a Raposa, rabo entre as pernas, para sua Toca desolada.

O Galo sofre por ter sido depenado na Copa do Brasil pelo Goiás. Mas, que diabo!, ganhou o segundo jogo contra os goianos, e cumpriu a melhor campanha entre todos no campeonato estadual.

Além do mais, se não é nenhuma maravilha, o time do Atlético é bom, tem um treinador experiente, e uma camisa de respeito nacional.

O América, no entanto, vem cheio de moral e isso, muitas vezes, conta mais do que o poderio técnico deste ou daquele.

INTER: UM DESFALQUE SÓ

Se o Caxias, vencedor do primeiro turno gaúcho, chega à decisão em baixa, pela má campanha no segundo, o Inter, por sua vez, joga todo desfalcado.

Meno male
que a CBF, finalmente, resolveu liberar Oscar para esse jogo, depois de ensebar por uma semana a decisão do tribunal competente.

Reforço valioso para o Colorado, claro. Mas, é preciso cautela. Afinal, o garoto, além dessa pressão toda sobre o seu destino, não joga há uma pá de tempo, o que, muito provavelmente, se refletirá em campo.

FORRÓ NO NORTE

O Nordeste estará em festa neste domingo, não vivesse em festa praticamente todos os dias do ano. Mas é que teremos um verdadeiro forró (de for all, para todos, em inglês, segundo os folcloristas a origem do termo) nos campos de lá.

No Ceará, nada menos do que Ceará e Fortaleza, o maior clássico do pedaço, com vantagem para o Ceará, que cumpriu melhor campanha até aqui. Mas, essas coisas pouco dizem num clássico desse porte.

Pernambuco freve (de frevo) à espera desse Santa Cruz e Sport, confronto de dois veteranos que vêm esmerilhando no campeonato: Marcelinho Paraíba e Denis Marques, redivivo como o Cobra Coral, que, nos últimos tempos, rastejava sua humilhação lá por baixo das divisões.

E, na Bahia, Falcão está a dois passos de levantar a taça diante do maior rival de seu time – o Vitória, que era de Cerezo e quase foi de Carpegiani, dois parceiros inesquecíveis do Bola-Bola.

Outro clássico em que o mais sensato é cravar o ar que paira acima deles.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

quinta-feira, 3 de maio de 2012 Sem categoria | 15:38

TIMÃO E A INCIVILIDADE

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Concordo que o tom das reclamações do Corinthians quanto à arbitragem do jogo em Guaiaquil tenha sido alto demais em relação ao que se desenrolou no campo e nos bastidores do confronto com o Emelec.

Mas, é inegável que a conduta dos nossos hermanos deste continente tem sido, desde sempre, de clara incivilidade, com as exceções de praxe, claro.

É absolutamente inaceitável que, em pleno Século 21, jogadores de times visitantes tenham de ser protegidos por uma barreira de escudos policiais para cobrar um mísero escanteio, ou simplesmente irem ao vestiário.

Outro dia, meu querido Paulo César Vasconcelos falava a respeito das medidas que a Conmebol deveria adotar para coibir essa baixaria nos estádios da Libertadores. O que fazer?

- Troca o povinho todo deste hemisfério – respondi com excesso de mau humor.

Sim, porque dê uma espiada no presidente da Confederação Sul-Americana, que carrega essa sigla de mau gosto e péssima sugestão – Conmebol, Comebola -, com seus cabelos pintados e visão tolhida por interesses mesquinhos.

Que se pode esperar de uma entidade dirigida por alguém desse nível intelectual?

Troque-se, então, o presidente da Sul-Americana. Por quem? Julio Grondona, o eterno jefe da AFA? Marin? Pode escolher à vontade, que é tudo farinha do mesmo saco.

Pensando bem, quero retificar aquela frase ofensiva lá de cima, pois a coisa toda não se resume ao nosso continente. Melhor seria chamar o Criador e implorar-lhe  que recomece tudo de novo.

Ainda outro dia, relendo Honra Teu Pai, de Gay Talese, um dos criadores do new-journalism, que conta a saga da família mafiosa Bonanno, topo com esta preciosidade colhida pelo personagem central, Bill, numa seção de curiosidades da revista Newsweek dos anos 60.

“A Terra está em degeneração. Há sinais de que a civilização chega ao fim. O suborno e a corrupção campeiam. A violência é onipresente. Os filhos já não respeitam os pais, nem lhes obedecem”
. (De uma inscrição assíria datada de 3000 anos AC).

Há cinco mil anos, pois, lá no berço da civilização ocidental já se condenava o comportamento humano com todas as letras que o amigo lê nos jornais e na internet de hoje, aqui ou em qualquer lugar deste planeta em eterna agonia.

LEÃO, A SURPRESA

Em outros tempos teria soltado um rugido e pegado seu boné diante da indevida interferência dos cartolas tricolores em seu trabalho, ao vetarem no vestiário a presença de Paulo Miranda no jogo contra a Ponte.

Leão, embora evidentemente contrariado contou até dez e deu uma volta no assunto, jogando as perguntas dos repórteres para o colo da cartolagem.

Reflexo da idade que amansou o bicho ou resultado de sua longa espera por alguém que o quisesse ainda dirigindo um clube de porte?

Desconfio que isso deve ter contado, sim. Mas, suspeito que o Leão Paz e Amor é mais fruto da expectativa do treinador de moldar uma equipe que poderia dar o que falar no cenário do nosso futebol, mesmo porque ele não precisa de emprego, pois sua vida está devidamente resolvida há muito tempo.

Contratado sob suspeita pelo São Paulo, com prazo de validade curto, ele conseguiu ultrapassar a barreira do fim do ano, e, com os reforços recém-chegados, passou a montar um time bem interessante de se ver.

Somou longa série invicta nestes primeiros meses do ano, recuperou jogadores que estavam mais ou menos no limbo, e deu à equipe um estilo ofensivo, equiparando seu poder de fogo ao do Santos de Ganso e Neymar, sem ter nem Ganso, nem Neymar.

Tão bem se relacionou com o grupo de jogadores que até Lucas, a estrela jovem da cia., alvo de críticas do treinador, veio a público para dizer que a fala de Leão nada mais era do que uma orientação para o seu futuro, pelo qual agradecia comovido.

Eis, porém, que vem o cartola-mor, e balança o coreto do técnico, a harmonia do elenco e coloca em cheque o processo de evolução da equipe, ao primeiro tropeço. E que tropeço? Seu time perdeu um clássico, para o time considerado pela maioria como o melhor do país no momento, bicampeão paulista, campeão da Libertadores e tal e cousa e lousa e maripousa. E, pior: perdeu jogando melhor do que o adversário.

Mais constrangedor ainda foi ouvir o diretor de futebol, que sempre me pareceu um tipo inteligente e sensato, fazendo piruetas com a retórica para explicar o inexplicável. Resumindo: resolveram barrar o rapaz em cima da hora porque, depois de muita reflexão, a diretoria achou que essa seria a maneira de preservar o jogador de coisas piores.

Jesus!

CURINGAS CENTENÁRIOS

Recebi e agradeço o envio do livro Santos – 100 anos, 100 jogos, 100 ídolos, de autoria de Odir Cunha e Celso Unzelte, um trabalho de fôlego que resultou numa leitura fácil e agradável.

E, ao mesmo tempo em que louvo a obra dos dois companheiros, fico imaginando a dureza de um pesquisador de hoje em dia, sobretudo para aqueles que, pela idade, não puderam testemunhar o período do pós-guerra até a década de 70, quando se inicia de fato a memória viva do nosso futebol, através das gravações para a tv de jogos e eventos relacionados.

Esse foi o período em que se operaram todas as transformações e a consolidação dos sistemas táticos até hoje vigentes – do 3-4-3 (o WM e sua variação, a Diagonal de Flávio Costa), ao 4-2-4,  4-3-3, 4-4-2, sem falar em todas as forma de retrancas, no advento do quarto-zagueiro e do cabeça-de-área, hoje denominado paradoxalmente de volante de contenção (se é volante, vai e vem, não pode ser de contenção, aquele que fica para marcar).

Diante disso, o pesquisador terá de recorrer aos jornais da época. E, aí, cai num cipoal duro de desbravar por falta de outras referências. E, pelo simples fato de que nossa imprensa esportiva, a exemplo de nossos treinadores em geral, sempre esteve à reboque da história.

Basta dizer que ao publicar a ficha técnica dos jogos dos anos 40, 50 e até 60, a escalação dos times obedecia o sistema clássico, aquele que já havia sido substituído no mundo todo pelo WM.

Por exemplo, pegue o Santos bicampeão de 55/56. Lá está: Manga, Hélvio e Ivã; Ramiro, Formiga e Zito; Tite, Negri, depois Jair, Álvaro, Vasconcelos e Pepe. Se o amigo traduzisse não para o que é hoje, mas para o que era naquela época, a escalação teria de ser assim formulada: Manga; Ramiro, Hélvio e Ivã; Formiga, Zito, Negri ou Jair e Vasconcelos; Tite, Álvaro e Pepe.

Ou seja: Ramiro era lateral -direito, Hèlvio, beque central; Ivã, lateral-=esquerdo; Zito e Formiga, os médios apoiadores; Jair ou Negri, o meia armador; Vasconcelos o meia ponta-de-lança, e Pepe, o ponta-esquerda.

Mas, se o amigo avançar um ano além do bi santista, verá o apoiador ou volante Formiga transformado em quarto-zagueiro. E, dois anos mais tarde, os jornais passaram a escalar os times como a formação do WM, já em desuso na prática, com o aparecimento do tal quarto-zagueiro.

E, quando já jogávamos num 4-3-3, a rapaziada alegre da imprensa continuava a escalar os times no 4-2-4.

E assim caminha a história do nosso futebol, de atraso em atraso, quando não descamba para o delírio da multiplicação de números que um dia os levará ao requinte da seguinte fórmula: 1-1-1-1-1-1 até completar onze, o que não estará muito longe da verdade, pois futebol real não é pebolim – os jogadores se mexem  em campo, sabia?

Por falar nisso, eis outra armadilha para os pesquisadores: o curinga. Melhor seria
dizê-lo no plural, embora a expressão tenha cunhado para sempre a figura de Lima, o Curinga da Vila.

Mas, a verdade é que a Vila esteve sempre cheia de curingas, antes, durante e depois de Lima.

Só no período que precedeu a chegada de Lima à Vila, vá somando: Olavo, Feijó, Fiotti, Ramiro, Zito, Urubatão, Cássio, Dalmo, Álvaro, Tite, Pagão, Dorval, Odair Titica, dos que lembro assim de cabeça, todos esses jogavam em duas ou mais posições.

Alguns, como Zito, que veio do Taubaté como meia-direita, e criou uma legenda como volante, jogou de lateral-direito, quarto-zagueiro e lateral-esquerdo. Alvaro tanto podia ser centroavante, como meia-armador, meia ponta-de-lança e até volante. Cássio, Olavo e  Dalmo jogavam nas quatro posições da defesa e até de volante.

Toninho Guerreiro foi meia-ofensivo, centroavante e falso ponta-direita várias vezes. Assim como Edu, nas duas pontas e no lugar de Pelé, quando necessário.

E Joel Camargo, então, que atuava com a mesma desenvoltura de zagueiro, lateral, volante e de falso ponta?

Enfim, não faltavam curingas na Vila para desbaratar a marcação dos adversários, desviando de quebra os caminhos da história para nossos dedicados pesquisadores.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

Sem categoria | 00:48

VASCO E TIMÃO, SINAIS TROCADOS

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O Vasco venceu e saiu de campo vaiado pela sua torcida. O Corinthians empatou e o resultado foi recebido com alívio pela Fiel. Coisas do futebol.

É que o Vasco, depois de um primeiro tempo primoroso, coroado por um golaço de Diego Souza (dois chapéus na entrada da área e o tiro fatal), refluiu na etapa final e acabou tomando aquele gol de Regueiro que pode vir a ser a casca de banana no caminho do Almirante para a próxima fase da Libertadores, no jogo de volta contra o Lanús.

Já o Corinthians, que pouco fez para mudar o placar, do início ao fim, não foi além do empate por 0 a 0 com o Emelec, na casa do inimigo. Resultado que deve mais à fragilidade ofensiva do adversário do que fruto de sua própria e inegável superioridade técnica.

Ah, mas houve a expulsão de Jorge Henrique, o que poderia dar ao empate corintiano tintas épicas. Nada disso, pois o Timão, em onze contra onze foi igualmente inoperante, e, depois da expulsão, sequer teve se desdobrar para resistir ao tênue assédio dos equatorianos.

De positivo mesmo, a boa atuação do goleiro Cássio, na sua estreia, cercada de tantas suspeitas na véspera. Pegou duas bolas difíceis e cortou todas as que cruzaram sua área pelo alto.

Mas, desconfio que a tarefa do Corinthians no Pacaembu será mais fácil do que a do Vasco no campo do Lanús. Apenas, desconfiança.

JUJU ENTRA EM CAMPO

E o São Paulo perdeu para a Ponte Preta, em Campinas, pela Copa do Brasil: 1 a 0. Entre outras coisas, porque o presidente do clube, Juvenal Juvêncio, mais conhecido pelos íntimos como Coronel Juju, num arroubo de torcedor, decidiu vetar a escalação do zagueiro Paulo Miranda, que ele mesmo contratou outro dia, porque o rapaz falhou no jogo com o Santos, pelo Paulistão.

Obviamente, isso interferiu no ânimo do grupo e deixou o técnico Leão com a brocha na mão, sem escada a seus pés. Uma atitude jurássica, própria da atual diretoria tricolor, que só pode atrasar o processo de evolução que o time vinha demonstrando em campo nesta temporada.

ALÁ, REAL!

Um pouco antes, o Barça metera 4 a 1 no Málaga, com três gols de Messi, que atingiu mais um recorde em sua curta carreira: com 68 gols, é o maior artilheiro europeu em uma só temporada, marca que há décadas pertencia ao alemão Gerd Muller.

Foi um leve consolo para os catalães, que, mais tarde viram o Real vencer o Athletic Bilbao por 3 a 0 e festejar a conquista do Campeonato Espanhol, roubando o tetra do Barça.

Há quem considere esse desfecho prova de declínio do Barça. Porem, fazendo-se as contas, veremos que o Barça repetiu praticamente a mesma pontuação que lhe deu o tri. O Real foi que extrapolou, cumprindo uma campanha excepcional, tanto na contagem de pontos – 94 -, quanto no poder de fogo de seu ataque – 115 gols em 36 jogos até agora, faltando ainda duas rodadas para o encerramento oficial do torneio, contra 108 do rival.

E, se Guardiola deixa o Barça com o título de maior técnico da história do glorioso clube, Mourinho veste sua sétima faixa de campeão em seguida, do Porto ao Real, passando por Chelsea e Inter de Milão. Não é fácil.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

segunda-feira, 30 de abril de 2012 Sem categoria | 16:14

NEYMAR E O TRI

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Antes de mais nada, quero me desculpar pela gafe de ontem: Neymar não levou cartão amarelo, portanto, pode, sim, jogar a primeira partida contra o Guaani, o que faz uma diferença brutal.

Sim, porque Neymar é, no futebol brasileiro de hoje, aquele craque que consegue compensar com suas invenções, investidas e gols toda e qualquer eventual deficiência técnica ou tática de sua equipe.

Isso, contudo, não elimina de vez o perigo que o Bugre representa para o Santos nessas duas partidas finais do Paulistão, embora marque um favoritismo evidente do bicampeão em busca do tri.

E é sobre o tri que gostaria de dizer duas ou três palavrinhas.

Hoje em dia, virou moda usar esse negócio de bi, tri, tetra, penta, aleatoriamente, juntando-se títulos conquistados por um clube em largos espaços de tempo. Aliás, a moda começou com o Trimundial do Brasil no México.

No rigor da expressão, não era tri nenhum – ou seja, três títulos obidos em sequência, como o bi de 58/62. Mas, como se tratava de um feito inédito na história da Copa do Mundo até então (só a Itália – bi, em 34/38 – e o Uruguai – 30 e 50 – haviam vencido dois Mundiais como o Brasil), a conquista do terceiro título nos colocava no topo desse torneio. Honraria que merecia um destaque especial, traduzido na palavrinha Tri, mesmo porque a periodicidade da Copa do Mundo não obedece a sequência anual dos demais certames, nacionais ou estaduais, estes só vigentes aqui no Brasil continental.

No Camepoanto Paulista, especificamente, só houve um tetra – o mítico Paulistano, em 19, em plena era do amadorismo. Corinthians e Palmeiras obtiveram, ao longo de suas gloriosas vidas, o tri, nas décadas de 20 e 30. E o Santos, já nos tempos de Pelé, na década de 60, foi duas vezes tri, o último em 67/68/69. E só não foi deca ou mais porque o Palmeiras da Academia introduziu sua cunha verde nos anos em que o Peixe vacilou.

O mesmo Palmeiras que impediu o São Paulo, único dos quatro grandes da província a não celebrar um tricampeonato paulista, nas décadas de 40, por duas vezes, e nos anos 70, ficando por conta do Corinthians esse papel no início dos anos 80.

O fato é que desde o Santos de Pelé não há um tricampeão paulista. É o que busca o Santos de Neymar, que, em três anos e meio de carreira, alcançaria esse título. Nem Friedenreich, nem Leônidas da Silva. Nem mesmo Pelé.

MUDANDO O TIMÃO

A desclassificação do Corinthians nas quartas de final do Paulistão já causou duas vítimas: o goleiro Júlio César, que vai para o banco de Cássio no jogo desta quarta contra o Emelec, pela Libertadores, e Liedson, que nem viajou com a delegação para o Equador.

São substituições de ordem técnica, plenamente justificáveis.

Júlio César, com razão ou não, já carregava a fama de falhar em jogos decisivos antes de falhar duas vezes contra a Ponte.  E Liedson, o artilheiro de raros gols na temporada, há tempos está sob suspeita de não conseguir entrar em plena forma por sequelas de crônica lesão no joelho.

Um, fica esperando nova oportunidade no banco, o outro vai ser submetido a treinamentos mais refinados para voltar aos trinques, deixando para William a tarefa de dividir o poder de fogo alvinegro com Emerson.

Nada de mais, se visto assim à distância. Faz parte do jogo. Mas, é bom esperar pra ver como essa decisão de Tite se refletirá no âmago do grupo. Afinal, a alma humana, embora a almeje sempre, é muito sensível a qualquer mudança.

RAPOSA NA TOCA

A queda da Raposa diante do América na sequência da má temporada passada, que, diga-se, iniciou-se auspiciosa, e a perigo na Copa do Brasil, por certo está provocando agitação na Toca.

A verdade é que esse time do Cruzeiro carece de reforços. Mas, como, se grana não há? A que havia, pelo visto, foi investida na permanência de Montillo, que é fundamental, mas, não tudo.

Como de hábito, sobrará mesmo para o técnico, Mancini, que já não tem em Minas suficiente aprovação pública, embora sua responsabilidade seja limitada como a de qualquer outro treinador de futebol.

NOVA INVESTIDA DO R-10

Se no campo de jogo Ronaldinho Gaúcho não tem feito a tal diferença para o Flamengo, nos bastidores seu irmão e procurador Assis está fazendo o maior auê.

Já está cobrando mais fortemente os tais 4,8 milhões que o Flamengo ainda deve ao craque, apesar de a presidente Patrícia Amorim ter jurado a quitação da dívida tempos atrás.

Mais do que nunca aqui cabe a célebre frase de Vampeta, o Velho Vamp: “O Flamengo finge que paga e nós fingimos que jogamos”.

Agora, fala-se na Gávea no repatriamento de jogadores que tenham identidade com o clube, baseando-se na performance de Vagner Love. Além de Adriano, Renato Augusto, Ibson e Juan.

Bem, Adriano está na estaleiro e sua recuperação plena é mais do que problemática por conta de seu comportamento vida afora, e Juan mais frequenta
a enfermaria da Roma do que o campo de jogo.

Ibson recuperou-se no Santos e Renato Augusto, que pintou tão bem no Flamengo, não conseguiu se desenvolver na mesma proporção na Alemanha, alternando boas e más performances.

Mas, é inegável que todos eles seriam bons reforços. Desde que recebam em dia, claro.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

domingo, 29 de abril de 2012 Sem categoria | 21:27

NEYMAR E O BUGRE

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Santos e Guarani marcaram neste domingo suas passagens para as finais do Paulistão, pelo mesmo placar, mas, de formas diferentes.

O Santos poderia até ter obtido um resultado mais amplo. Afinal, o juiz anulou gol legítimo de Alan Kardec e validou o de William José em posição de impedimento.

Mas, seria um placar enganoso, pois o São Paulo foi melhor do que o Peixe a maior parte do tempo, dominando as ações de meio de campo, graças às excelentes participações de Casemiro, Denílson e Cícero, que acabou sendo expulso ao tomar o segundo amarelo quando o jogo já estava decidido.

A diferença foi, novamente, Neymar, que, no rigor da análise, só teve um parceiro à altura no seu time hoje: Arouca. Nem mesmo Ganso, que se redimiu em parte com aquele passe exato para um dos gols de Neymar – o primeiro foi de pênalti e o terceiro, em falha do goleiro Dênis.

Já o Guarani, ao contrário: foi muito superior à Ponte, sobretudo no segundo tempo, quando perpetrou a virada histórica na celebração do centenário do clássico campineiro, um dos mais ferozes do Brasil, com gols de Fábio Bahia e dois de Medina, que substituiu Fumagali, o dono do time, com ampla vantagem.

Mas, o craque do jogo e do Guarani nesta temporada surpreendentemente maravilhosa foi mais uma vez Fabinho, um canhotinho esperto, hábil e insinuante.

Com seu futebol veloz e envolvente, o Guarani surge como um perigo iminente diante do Santos que não terá Neymar no primeiro confronto da grande decisão. O Peixe que abra o olho.

O BRILHO DA ESTRELA SOLITÁRIA

Aqui mesmo revelei na véspera minhas suspeitas de que o Vasco iria para a final do Cariocão com o Flu. Dancei, pois brilhou mesmo a Estrela Solitária: 3 a 1, em mais uma tarde decisiva de Loco Abreu, autor de dois gols, aqueles que colocaram o Vasco à beira de um ataque de nervos.

Algo me diz, porém, que esse jogo foi vencido nos vestiários, como gostam de dizer nossos jovens cronistas, onde a tropa de General Severiano se reuniu sob o comando de Osvaldo Oliveira e resolveu se unir para revidar com a bola às tantas críticas que esse time vem sofrendo por parte da torcida da imprensa esportiva do Rio, apesar de sua longa invencibilidade.

NAL, ANTES DO GRE

Lá no Sul, deu Colorado por 2 a 1 em jogo tenso, tão tenso que o técnico Luxemburgo acabou sendo expulso por desavenças com o… gandula, creia.

E olhe que o Inter estava desfalcado de jogadores chaves, como D’Alessandro, Nei, Kleber e Dagoberto, sem falar em Oscar, que a CBF, na sua inutilidade habitual, não liberou a tempo.

Eis, porém, que o autor do gol da vitória foi um dos reservas desses ausentes – Fabrício, o excelente lateral-esquerdo que se projetou na Lusa há dois, três anos.

Coisas do Gre-Nal.

AMÉRICA, QUEM DIRIA?

Em Minas, a expectativa maior era a de que o Cruzeiro, mesmo perdendo o primeiro encontro com o América, pelas semifinais do Mineirão, se reabilitaria no jogo da volta. Pois, sim… Deu América, por 2 a 1, num jogo em que Wellington Paulista chegou a perder um gol feito por duas vezes no mesmo lance – na cobrança de pênalti e na finalização da rebatida do goleiro Neneca, com a meta aberta à sua frente.

Depois, se redimiu, marcando o único gol de seu time, o de empate, num jogo lá e cá, definido no finzinho por ninguém menos do que o veteraníssimo Fábio Jr., aquele centroavante revelado pelo Cruzeiro para ser o substituto de Ronaldo Fenômeno.

Agora, Minas reviverá um clássico dos tempos em que o América tinha a segunda maior torcida do pedaço – a primeira, claro, na época, era a do Galo, seu adversário na decisão do campeonato.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

sábado, 28 de abril de 2012 Sem categoria | 16:55

LEÃO, MURICY E O ENIGMA DO 3

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Às vésperas do clássico decisivo das semifinais do Paulistão, o cabalístico número 3 gira em torno das cogitações dos treinadores de São Paulo e Santos.

Leão não anunciou ainda se vai de três atacantes de ofício, com a simples entrada de William José no lugar de Fabiano, suspenso, ou se empurra o versátil Cícero mais à frente, encaixando Casemiro no meio, ao lado de Denílson e Jadson.

E Muricy se sente novamente atraído pela configuração com três zagueiros autênticos, deixando apenas Neymar lá na frente recebendo o apoio de Ganso.

Diga-se a bem da verdade que o temor de Muricy procede: vai pegar um Tricolor descansado, embalado pela campanha realizada até aqui, e com alguns jogadores capazes de realizar estragos em qualquer defesa, mesmo sem a presença sólida de Luís Fabiano.

A par disso, Muricy não tem um lateral-direito de fé, já que o titular Fucile, o reserva Cristian e o sempre improvisável Henrique estão no estaleiro. E Maranhão, no mínimo, carece de proteção especial, sobretudo se enfrentar um ponta liso e incisivo como Fernandinho.

Assim, como do outro lado, no lugar de Juan, terá o veterano Léo, que não joga há uma pá de tempo, pegando pela proa o jovem Lucas, estrela do time adversário.

De qualquer forma, ainda mais com Adriano como cabeça-de-área, esse eventual Santos me parece excessivamente defensivo, sobretudo em relação ao perfil habitual do time da Vila.

Diante disso tudo e por jogar em casa, com o apoio de sua torcida, o São Paulo leva ligeiro favoritismo, a não ser que Neymar esteja com a macaca. Aí, meu…

PRA SAIR FAÍSCA

Não espere o amigo um Gre-Nal jogado em alta classe, ornado de belas jogadas, essas coisas que, de hábito, não cabem nessa guerra farroupilha, embora estivessem em campo D’Alessandro, Kleber, Oscar, essa turminha, alguns enfeites haveriam de sobrar.

Vai é sair faísca na decisão do segundo turno gaúcho que levará um dos dois grandes para a final com o Caxias, campeão da Taça Piratini que, porém, não foi bem na Taça Farroupilha.

Estivessem os dois times completos, como o jogo é no Beira-Rio, arriscaria eleger o Colorado como o mais provável vencedor. Mas, nas atuais circunstâncias, nem pensar em dar um palpite sequer.

MAIS VASCO

A decisão da Taça Rio está mais pra Vasco do que pra Botafogo.

Isso porque o Vasco, além de possuir um elenco mais qualificado do que o Bota, não tem dúvidas. Só um grande lamento pela ausência do extraordinário beque Dedé. E o Botafogo, que por si só é um dilema eterno, não sabe se poderá contar com Loco Abreu, seu artilheiro. Mas, sabe que não terá Renato, aquele pêndulo do meio de campo que tanto estabilizou o time nos momentos mais críticos do campeonato.

Terá, todavia, Maicosuel em plena ascensão, além de Andrezinho, Elkeson, Herrera, jogadores que, se não são craques consumados, sabem jogar e podem muito bem complicar a vida do Almirante.

O Vasco, porém, com Juninho, Felipe, Eder Luís e cia, bela é, tecnicamente, melhor.

MINEIRAMENTE FALANDO…

Sei lá, sô!, pra onde vai esse trem. Sei que o América do meu querido amigo Mário Lúcio Marinho saiu na frente do Cruzeiro, nesse mata-mata das semifinais do Mineirão. Mas deixou os azuis chegarem perto, no fim do jogo, de tal maneira que a iminente depressão, talvez fatal para o segundo confronto, transformou-se em esperanças redobradas.

Ainda mais que o técnico Mancini  resolveu escalar Roger ao lado de Montillo no meio de campo. Com esses dois acionando os atacantes, as chances são sempre maiores de dar certo.

GALO LÁ

O Galo já desceu desse trem na plataforma da decisão, ao vencer o Tupi, nesta tarde-noite de sábado, em Sete Lagoas. Bola alçada por Danilinho à área do Tupi, aos 26 do segundo tempo, que André desviou de cabeça para as redes, esse foi o lance fatal de um jogo em que praticamente só deu Atlético.

E o lance mais intrigante ocorreu, porém, antes de a bola rolar para o segundo tempo, quando os jogadores do Galo se reuniram e, juntos, ignoraram as investidas da imprensa. Depois, soube-se que era um protesto pelas críticas à equipe nesta semana, quando o Galo perdeu por 2 a 0 para o Goiás, pela Copa do Brasil.

Que diabo!, aquela foi a única derrota da equipe neste ano em que o Galo vai à final, seja contra o Cruzeiro, seja contra o América, com a vantagem do empate nas duas partidas decisivas. Por tudo isso, mereceria tal tratamento da crítica e da torcida?

Mesmo porque basta espiar a escalação carijó para se perceber que há ali jogadores de boa técnica, em que a esperança supera o desalento por goleada. Mas, enfim…

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

sexta-feira, 27 de abril de 2012 Sem categoria | 11:22

FIM DO CICLO GUARDIOLA

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A saída de Pep Guardiola representa o fim de um ciclo no Barça. Não necessariamente o fim do ciclo do Barça. São duas coisas diferentes.

Talvez, até mesmo possa vir a resultar na retomada desse maravilhoso esquadrão ao seu caminho de glórias trilhado nos últimos quatro anos até a perda do título espanhol (praticamente) e a desclassificação da Liga dos Campeões da Europa.  Isso, dependendo, claro, de quem venha a assumir o seu lugar.

Mas, o elenco é o mesmo que conquistou treze títulos em dezoito disputados nesse período, uma façanha histórica para qualquer grande clube do mundo, em qualquer época. A dinâmica de jogo, única, por sinal, é a mesma que fez os catalães dominarem seus adversários ainda que nas recentes derrotas. E o Barça, como instituição, é o Barça.

O que, então, levou Guardiola a pedir o boné? Às vezes, é preciso acreditar no que as pessoas dizem. E Guardiola deixou bem claro que sentiu o desgaste destes anos de fastígio, mas, também, de muito trabalho.

O imortal Vicente Feola, nosso primeiro técnico campeão do mundo, costumava dizer que nenhum esquadrão resiste no topo mais do que três anos, o mesmo prazo que o saudoso Telê dava ao treinador de futebol neste ou naquele clube. É mais o menos o prazo em que o desgaste leva ou o time se desmembrar ou o treinador a cair fora, quando não é demitido.

Guardiola, um dos sujeitos mais inteligentes que o futebol produziu nos últimos anos, já havia pressentido isso muito antes, quando navegava ao leme de uma embarcação vitoriosa. E, tudo indica, seu destino será o Milan, que está perdendo um título praticamente ganho algumas rodadas atrás.

Se assim for, será um desafio que valerá a pena acompanhar de perto.

OSCAR, FINALMENTE!

Finalmente, Oscar volta a campo, munido de uma certidão de alforria concedida pelo Tribunal Superior do Trabalho. A decisão se baseou num princípio que está acima do valor jurídico de qualquer contrato assinado livremente pelas duas partes: o direito inalienável de o indivíduo exercer sua profissão onde queira.

Claro que o contrato entre Oscar e o São Paulo tem validade, e, como a justiça já se manifestou várias vezes, suas cláusulas terão de ser cumpridas. E a cláusula decisiva é a que fala em multa, no caso de destrato. O valor dessa multa é que deverá ser arbitrada pela justiça, já que a estabelecida, nominalmente, em contrato não é mais aceita pelo clube, que exige uma revisão, baseada na ausência do jogador durante a vigência do acordo e na valorização de sua marca no mercado.

Mas, isso é outra questão, a ser resolvida nos tribunais.

O importante para o futebol brasileiro é que Oscar está liberado para jogar bola, que é seu ofício e vocação. E, se o Inter dele tanto necessita para as disputas decisivas do Gauchão, nossa Seleção Olímpica, então, nem se fala.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

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