O QUE PREOCUPA MESMO
O que mais preocupa não é o placar – vitória apertada do Inter sobre o Once Caldas, em casa, e derrota por diferença de um gol do Flamengo diante do Real, em Potosí.
É a performance dos dois brasileiros na estreia da pré-Libertadores, isso, sim, bota uma pulguinha atrás da orelha.
Mais a do Inter do que a do Flamengo. Afinal, o Mengão está mergulhado em crise e jogou lá em cima, por entre as nuvens de Potosí. Sim, teve um bom período de adaptação. Não o suficiente para espantar todos os males da altitude, é verdade, mas, pelo menos o suficiente para que isso não fosse tão decisivo.
O fato é que o Flamengo jogou mal, como terminou o ano passado, no nível do mar. Recheado de volantes no meio de campo, sem um pingo de criatividade no setor em que a criatividade é vital, e com um Ronaldinho mais uma vez apático, isento do jogo.
A não ser que se transforme radicalmente, no jogo da volta, periga o Rubro-Negro experimentar a amarga experiência do Corinthians diante do Tolima na temporada passada.
O diabo é que está faltando comando ao Fla, dentro e fora de campo. E isso costuma ser fatal num jogo de equipe.
Já o Inter, sem crise alguma, a não ser a possível saída de D’Alessandro, o grande ídolo da torcida e jogador fundamental para o esquema do time, revelou algo mais do que simples cansaço no segundo tempo da vitória por 1 a 0 sobre o Once Caldas, no Beira-Rio.
Pela excelência do elenco e de seu treinador Dorival Jr., faltou-lhe, sobretudo, ânimo e serenidade para envolver o adversário e aplicar-lhe um placar que deixasse a turma mais sossegada para o jogo em Manizales.
Mas, vamos aguardar.
OLÍMPICOS OU NÃO?
O diretor de futebol da CBF, Andrés Sanchez, veio a público para anunciar que o Brasil fará seus amistosos programados para este primeiro semestre com sua força máxima, nada disso de escalar uma Seleção Olímpica nos jogos programados para junho.
- A hora é de aprontar o time para a Copa do Mundo de 2014 – declarou o cartola.
Prefiro acreditar que seja aquele discurso oficial para passar mel na boca dos patrocinadores desses amistosos, com o fito de não criar problemas contratuais, essas coisas.
Bobagem. Porque quando se vende a Seleção Brasileira, além da camisa pentacempeã do mundo, vendem-se as estrelas do nosso futebol com fulgência internacional. E quais são, atualmente, nossas estrelas?
Neymar, Ganso, Leandro Damião, Lucas, Casemiro, essa turminha olímpica que tem despertado o interesse dos clubes europeus, em geral. Além de Pato, que está lá no Milan mas, tem idade olímpica.
Lá de fora, entre os mais veteranos, estão Dani Alves, David Luís, Thiago Silva, Marcelo, quem mais?
Ora, os jogos marcados para antes de junho são todos fora das datas-Fifa. Quer dizer: o técnico não poderá chamar jogadores que atuam na Europa. Logo, terá de listar apenas os que atuam no Brasil. Portanto, não será a Seleção da Copa de 2014, como pretende fazer crer o cartola da CBF.
Será, isso sim, se o técnico puder chamar os que lhe convém, sem as limitações impostas pelos interesses dos clubes que estarão envolvidos em várias competições importantes, praticamente a Seleção Olímpica, com Neymar, Ganso, Leandro Damião, Lucas, Casemiro, Rômulo etc.
Em junho, quando se abrirão as datas-Fifa, estaremos tão perto das Olimpíadas que seria, mais do que burrice, um crime não testar nosso time olímpico contra adversários mais categorizados.
Por fim, a Seleção Brasileira que disputará em casa da Copa de 2014 só começará mesmo a se definir durante ou depois da Copa das Confederações, essa é a verdade.