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	<title>Blog do Alberto Helena Jr. &#187; Treinadores</title>
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	<description>futebol, comentários, jogos, partidas e tabelas</description>
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		<title>O MILAGRE DE OBINA</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Jul 2009 18:34:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alberto Helena jr.</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Clubes brasileiros]]></category>
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		<description><![CDATA[Que milagre é esse, meu? Eis a questão recorrente: o cara que não fazia um golzinho sequer, nem de pênalti, havia quase um ano no Flamengo, de repente, desembarca de graça no Palestra Itália e desanda a marcar, coroando esse renascimento do artilheiro com três gols contra o arquirrival Corinthians.
Claro que estou falando de Obina. Mas, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Que milagre é esse, meu? Eis a questão recorrente: o cara que não fazia um golzinho sequer, nem de pênalti, havia quase um ano no Flamengo, de repente, desembarca de graça no Palestra Itália e desanda a marcar, coroando esse renascimento do artilheiro com três gols contra o arquirrival Corinthians.</p>
<p>Claro que estou falando de Obina. Mas, não há milagre algum, a não ser aquele quase imperceptível que ocorre todo dia com cada um de nós, em qualquer ofício.</p>
<p>No futebol, então, casos como esse são escrachados, evidentes, comuns e repetidos ao longo da história.</p>
<p>Há a estirpe dos artilheiros-craques, aqueles seres especiais que sabem jogar bola num alto nível técnico, donos de habilidades incomuns, que somam a isso tudo a vocação rara de enfiar as bolas nas redes com mais rpecisão do que os demais. Pelé, Zico, Careca, Romário, Ronaldo Fenômeno etc. E há os goleadores que só foram ungidos com o dom de fazer gols, de técnica e habilidade reduzidas.</p>
<p>Ambos estão sujeitos às marés de sorte e azar, períodos de fausto e de estiagem, que se alternam ao longo de suas carreiras. Quando a lua não lhes é propícia, suprem a ausência de gols com passes medidos, dribles inesperados, jogadas deslumbrantes, essas coisas, que, aos olhos da multidão, acabam compensando a ausência de gols.</p>
<p>Já os goleadores da linhagem de Obina, ou fazem gols o tempo todo, ou caem em depressão, pois não contribuem para o time e para o espetáculo com nada mais do que aquele toque final à redes. E, à medida em que perdem gols feitos, perdem também a auto-confiança, num ciclo vicioso que parece interminável.</p>
<p>Então, vem o coro das arquibancadas, amplificado pela mídia: <em>Grosso!</em></p>
<p>E aí o cara desce aos infernos.</p>
<p>É muito comum o artilheiro desprezado por este clube renascer naquele outro.</p>
<p>Flávio, o Minuano, e Mirandinha foram execrados pela Fiel nos anos 60 e 70, para renascerem no Fluminense, no Inter e no São Paulo, com direito a vagas na Seleção. Citei dois exemplos antigos, mas poderia acrescentar casos de hoje, como Washington, que ficou aí umas rodadas a seco e já pediam a cabeça do rapaz. De repente, voltou a marcar.</p>
<p>Essa é a vida do artilheiro, de ontem, de hoje, de sempre.</p>
<p><strong>A AUSÊNCIA DE RONALDO</strong></p>
<p>Por falar em artilheiros, veja só o caso de Souza, no Corinthians.</p>
<p>Souza é, tecnicamente, irmão gêmeo de Obina. Fez gols por onde passou, desde o Vasco até o Flamengo, mas também passou longos períodos de estio.</p>
<p>Chegou ao Corinthians para segurar as pontas de um Ronaldo em recuperação, uma incógnita à época. previa-se, então, que ambos se alternariam no comando do ataque corintiano, reservando-se Ronaldo para os grandes momentos.</p>
<p>Mas, Ronaldo surpreendeu e Souza jamais conseguiu justificar sua contratação.</p>
<p>Agora, com Ronaldo baixando enfermaria porcinco semanas, seria a chance de Souza se afirmar. Mas, quem confia? Pior: se entrar no time agora, ficará inapto para ser transacionado com qualquer outro clube da Série A do Brasileirão.</p>
<p>O diabo é que, no atual elenco corintiano, não há nenhum substituto à vista.</p>
<p>Tanto pode entrar e resolver a questão, quanto afundar-se definitivamente, levando consigo um time que vinha tão bem, antes de começar a perder alguns de seus principais jogadores.</p>
<p>É uma faca de dois legumes, como diria o saudoso presidente corintiano, Vicente Matheus.</p>
<p><strong>FLA À DERIVA</strong></p>
<p>Fragmentado lá em cima, pelas desavenças políticas, o Flamengo sai à cata de um treinador para substituir Cuca, demitido outro dia.</p>
<p>Assim de nome feito e técnico de longo curso, caiu na praça Leão, depois de se desaver com a diretoria do Sport. Mas, sobretudo, pelos maus resultados que baixaram o Leão à zona do descenso. Mas, Leão é tão complicado&#8230; E o Flamengo, ainda mais.</p>
<p>Na verdade, ao que se saiba, o Fla iniciou conversações com Mancini, defenestrado há pouco pelo Santos, mas mantém um olho em Sérgio Guedes, dois emergentes de competência comprovada, mas estilos diferentes.</p>
<p>De qualquer forma, Andrade, o sucessor de Carlinhos como eterno interino, vai ficando. Quem sabe, não fique o tempo necessário para que o Fla ponha a cabeça no lugar?</p>
<p><strong></strong></p>
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		<title>CUCA E OUTROS MAIS</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Jul 2009 22:25:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alberto Helena jr.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Treinadores]]></category>
		<category><![CDATA[Cuca]]></category>
		<category><![CDATA[Flamengo]]></category>

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		<description><![CDATA[
Veja mais charges de Milton Trajano aqui
Antes do jogo, o cartola colocou Cuca em cima do telhado; depois do jogo, a vaia da torcida o derrubou de vez. Era só uma questão de tempo, todos sabiam, inclusive o ex-treinador do Flamengo para que o vendaval de paixões o varresse da Gávea.
Ainda outro dia, no Arena, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://colunistas.ig.com.br/albertohelenajr/files/2009/07/5384395adeus_cuca_360_498.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-11459" src="http://colunistas.ig.com.br/albertohelenajr/files/2009/07/5384395adeus_cuca_360_498.jpg" alt="Por Milton Trajano" width="498" height="360" /></a><br />
Veja mais charges de Milton Trajano <a href="http://colunistas.ig.com.br/charges_esportes/" target="_blank">aqui</a></p>
<p>Antes do jogo, o cartola colocou Cuca em cima do telhado; depois do jogo, a vaia da torcida o derrubou de vez. Era só uma questão de tempo, todos sabiam, inclusive o ex-treinador do Flamengo para que o vendaval de paixões o varresse da Gávea.</p>
<p>Ainda outro dia, no Arena, Cuca foi franco ao responder-me que, sim, os técnicos de futebol neste país vivem na corda bamba e por isso mesmo, por via das dúvidas, preferem jogar fechadinhos, o que enfeia o espetáculo e contraria visceralmente nossa forma de jogar bola.</p>
<p>Isso dissemina por todos os clubes, torcidas, mídia, cartolas, o diabo a quatro, uma irritação crônica, coletiva, que, a qualquer resultado considerado negativo, a bomba explode no colo do treinador, aquele que é mais fácil de ser removido.</p>
<p>Pelas minhas contas, sempre imprecisas mas próximas do real, já foram detonados treze (ô numerozinho cabalístico!) técnicos em treze rodadas do Brasileirão. Pelas estatísticas, um a cada rodada.</p>
<p>E têm mais na fita. Um deles, que atende pelo apelido de Tite, apesar de todas as juras dos cartolas do Inter.</p>
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		<title>E DEU MURICY NO PALESTRA</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Jul 2009 18:36:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alberto Helena jr.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Campeonato Brasileiro]]></category>
		<category><![CDATA[Treinadores]]></category>
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		<category><![CDATA[Muricy Ramalho]]></category>
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		<description><![CDATA[Quando se pensava que esse assunto já estava encerrado, eis que Muricy assina com o Palmeiras e já assume na segunda-feira. É a chance do tetra brasileiro, feito absolutamente inédito até aqui na história do nosso futebol, mesmo porque Muricy pega um Palmeiras em posição privilegiada na tabela, bem armado por Luxa e Jorginho, com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando se pensava que esse assunto já estava encerrado, eis que Muricy assina com o Palmeiras e já assume na segunda-feira. É a chance do tetra brasileiro, feito absolutamente inédito até aqui na história do nosso futebol, mesmo porque Muricy pega um Palmeiras em posição privilegiada na tabela, bem armado por Luxa e Jorginho, com todas as condições, pois, de brigar pelo título.</p>
<p>Dependendo dos resultados da rodada que se inicia hoje à noite, pode receber das mãos de Jorginho um Verdão líder isolado do Brasileirão.</p>
<p>Mesmo porque, mais do que os resultados obtidos até aqui, o Palmeiras tem revelado um futebol leve, envolvente e agressivo, agradável de se ver. Dizem que em razão da afinidade do elenco com o técnico interino. Aliás, não faltaram declarações dos jogadores nesse sentido nos últimos dias.</p>
<p>Mas, Muricy tem talento e personalidade para manter vivo esse vínculo com seus comandados.</p>
<p>Basta tocar o barco com leme firme, sem grandes desvios, que pode chegar lá.</p>
<p><a href="http://colunistas.ig.com.br/albertohelenajr/files/2009/07/charge-muricy-belluzzo.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-11453" src="http://colunistas.ig.com.br/albertohelenajr/files/2009/07/charge-muricy-belluzzo.jpg" alt="" width="500" height="360" /></a></p>
<p><strong>MAIS UM NA JANELA</strong></p>
<p>Outro corintiano que está com um pé sobre o batente da janela escancarada para o mundo é Douglas, um desses raros meias canhotos de toque refinado, tão pródigos no passado e tão escassos no presente futebol brasileiro.</p>
<p>Douglas, por isso mesmo, tem sido um ícone do Corinthians de Mano de tantas conquistas recentes. Representa a aposta de um técnico que ousou ir na contramão do estabelecido no futebol brasileiro destes tempos sombrios, arejando seu esquema e iluminando seu meio-de-campo com jogadores que jogam bola, antes de tudo o mais, sem perder a consistência defensiva. Ao contrário, o Corinthians, mesmo jogando com uma formação muito mais ofensiva do que os demais, é dono de uma defesa forte, nada vulnerável, como preconizariam os pragmáticos de plantão.</p>
<p>Joga e não deixa jogar, o lema mais verdadeiro de tantos que o futebol cultiva há mais de século.</p>
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		<title>DANÇA DO DIABO 2</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Jul 2009 19:31:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alberto Helena jr.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Campeonato Brasileiro]]></category>
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		<category><![CDATA[Cruzeiro]]></category>
		<category><![CDATA[Ilha do Retiro]]></category>
		<category><![CDATA[Sport]]></category>

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		<description><![CDATA[A propósito dessa dança de treinadores, inclusive os de méritos indiscutíveis e fama nacional, vale lembrar a confirmação, ao vivo e em cores, de Cuca, outro dia, no Arena Sportv do Cléber Machado, sob o comando de Maurício Noriega, de uma questão por mim levantada: sim, os técnicos brasileiros, diante da sombra da demissão, que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A propósito dessa dança de treinadores, inclusive os de méritos indiscutíveis e fama nacional, vale lembrar a confirmação, ao vivo e em cores, de Cuca, outro dia, no<em> Arena Sportv</em> do Cléber Machado, sob o comando de Maurício Noriega, de uma questão por mim levantada: sim, os técnicos brasileiros, diante da sombra da demissão, que é mais ou menos constante, apelam para a retranca, a fim de evitar a derrota fatal.</p>
<p>Ora, como só há um líder, um eventual campeão, no transcorrer da competição nacional, e dez, doze candidatos potenciais, sem falar no grupo que só está lá para evitar o rebaixamento, a imensa maioria dos técnicos estará sempre acuado pela perspectiva de demissão antes do cumprimento do prazo de contrato.</p>
<p>Quando digo que são dez, doze candidatos ao título, é preciso ter uma visão paroquial da questão. De norte a sul deste país, em cada estado, temos de dois a quatro clubes grandes, que assim se consideram pela força de suas respectivas torcidas e por suas tradições regionais, e cujas torcidas e cartolagem exigem a conquista do título, o que se restringe, na prática, a, no máximo, meia dúzia de clubes, sobretudo representantes das zonas, economicamente, mais poderosas: São Paulo, Minas, Rio e Rio Grande do Sul.</p>
<p>Não é por desprezo aos nordestinos, aos catarinas, aos paranaenses, goianos etc., que, a imprensa do tal eixo (antes, era apenas Rio-São Paulo; hoje é Sudeste e Minas) que se debruça mais sobre os clubes desses centros do que os demais. É porque esses clubes estão na vanguarda, em geral.</p>
<p>Quando o Sport cumpria aquela bela campanha, era chamado de Leão Encantado, a Ilha do Retiro de Ilha da Fantasia, e o rubro-negro pernambucano ganhou espaços generosos na imprensa do chamado eixo. É a lei do mercado, a que todos estamos atados &#8211; uns mais, outro menos.</p>
<p>Isto posto, voltamos à vaca fria: nesse cenário de tamanha instabilidade para o treinador de futebol em geral, no Brasil, não há lugar para os tais projetos de longo prazo tão decantados por clubes e profissionais do ramo. A não ser projetos com prazo de validez de um ano, no máximo. O resto é conversa mole pra boi dormir.</p>
<p>Se não há projeto, não há estratégia definida. E, se não há estratégia, é aquele vai-da-valsa conhecido. Sai um treinador mais teórico, entra um disciplinador, que, por sua vez, mais à frente, cede seu lugar a uma celebridade, que acaba entregando o cargo a um emergente, e assim <em>la nave va</em>, de norte a sul, mais ou menos à deriva.</p>
<p>Resultado: todos eles, diante de tal instabilidade, tratam de salvar a própria pele. E quem paga o pato é o espetáculo, o jogo jogado nas regras da arte. É retranca pra cá, retranca pra lá, o que acaba deformando até o nível de exigência dos novos torcedores que se vão formando nesse padrão de baixo repertório.</p>
<p>Estes se limitam a exigir vitórias, títulos, o que é impossível para 99 por cento dos times em disputa.</p>
<p>Assim, os técnicos, na sua imensa maioria, sequer podem colocar em prática suas ideias, se é que eles as cultivam.</p>
<p>Peguemos dois exemplos extremos, dos dois mais badalados treinadores brasileiros, um, dono de currículo irrepreensível como técnico de campo; outro, simplesmente, tricampeão brasileiro, um feito inusitado: Luxa e Muricy.</p>
<p>Luxemburgo está aí na praça há vinte anos acumulando títulos, batendo recordes, em vários clubes, mas sob a mesma concepção de um futebol ofensivo, envolvente e tal e cousa e lousa e maripousa. Aliás, por onde andou, sempre repetiu o mesmo discurso nesse sentido. Contudo, ao se ver apertado no Palmeiras, apelou para o sistema com três zagueiros, que ele próprio execrava publicamente.</p>
<p>Muricy, embora desde o Inter apelasse para o mesmo sistema, sempre proclamou seu gosto particular por filé <em>mignon</em>, mas justificava o feijão-com-arroz temperado do São Paulo pela ausência na praça de meias, o que lhe permitiria mudar o esquema, uma meia-verdade, diga-se. E olhe que Muricy teve uma sobrevida no São Paulo fora do comum no futebol brasileiro: três anos e meio. Mas, isso só foi possível pela conquista dos três campeonatos brasileiros seguidos. Quando o time vacilou, caiu.</p>
<p>Resumindo: se não mudarmos essa mentalidade (nisso, incluo mídia, cartoalgem e torcida), nenhum treinador sairá de trás das muralhas. E quem paga o mico é o futebol brasileiro.</p>
<p>PS: O<em> post</em> <em>Dança do Diabo</em> bombou, com mais de duzentos comentários dos internautas, muitos dos quais ofensivos e idiotas, revelando preconceitos e ignorância inauditos, o que é comum neste país de semi-alfabetizados. A esses, me permitam dar o desprezo. Aos que, porém, mantiveram o nível mínimo de civilidade, mas que entenderam a crônica como uma expressão de patriotismo, quero lembrar que rechaço isso logo de cara no texto. O Cruzeiro é Brasil não porque leve a carteira de identidade verde-amarela. É Brasil porque representa a escola brasileria de jogar bola, aquela que conseguiu, ao longo da história, conjugar arte e competividade no mesmo nível. Só isso. Nem de longe suponho que os torcedores dos demais clubes vão torcer pelo Cruzeiro nessa decisão com o Estudiantes. Nem pretendo que isso ocorra. Afinal, a escolha é livre. Tampouco torço para que o Cruzeiro vença por causa do Cruzeiro. E, sim, pelo que ele representa &#8211; a verdadeira escola brasileira de jogar bola, a mais completa que o mundo conheceu e reverenciou. Não há nada de patriotismo, ufanismo ou qualquer ismos desses, como deixo claro no texto. Mas, que fazer, se as pessoas só lêem o que querem?</p>
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		<title>CRUZEIRO, NOSSO GUIA</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Jul 2009 20:22:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alberto Helena jr.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O Cruzeiro é Brasil, sim senhor, neste confronto com o Estudiantes de La Plata pelo título da Libertadores, no Mineirão. Confesso que me causa náuseas essa mania mais recente de adversários domésticos torcerem contra o time brasileiro que está disputando uma competição internacional. Isso é de uma mesquinharia atroz.
É o nosso Cruzeiro do Sul, guia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Cruzeiro é Brasil, sim senhor, neste confronto com o Estudiantes de La Plata pelo título da Libertadores, no Mineirão. Confesso que me causa náuseas essa mania mais recente de adversários domésticos torcerem contra o time brasileiro que está disputando uma competição internacional. Isso é de uma mesquinharia atroz.</p>
<p>É o nosso Cruzeiro do Sul, guia dos timoneiros sem bússola, um rumo que deveria ser seguido por todos os demais times brasileiros, no sentido de que é um dos raros a preservarem em campo suas identidade histórica.</p>
<p>Basta dizer que, nestas seis décadas em que acompanho o futebol, seja como amante da arte, seja por dever de ofício, não me lembro de um Cruzeiro que não praticasse um jogo técnico, ofensivo, rigorosamente dentro dos ensinamentos da brilhante e vitoriosa escola brasileira.</p>
<p>Não receba, por favor, o amigo estas palavras como fruto de chauvinismo, patriotismo, ufanismo, ou qualquer outro desses ismos que não me tocam nem de longe. É apenas uma constatação.</p>
<p>Não sei se os azuis vão levar a taça, nesta noite de quarta, ninguém sabe na véspera o que esse jogo tão caprichoso nos reserva para o dia seguinte.</p>
<p>Afinal, o Estudiantes é um bom time, que sabe tocar a bola bem ao estilo argentino do toco y me voy, orquestrado por um maestro no meio-de-campo, o eterno Verón.</p>
<p>Mas, desconfio que dá Cruzeiro, com gol de Kléber, o Gladiador, e outro, de despedida de Ramires. Pelo menos, torço, confesso, que assim seja.</p>
<p><strong>DANÇA DO DIABO</strong></p>
<p>Quem acompanha o futebol por um bom tempo não mais se surpreende com essa Dança do Diabo, como intitulou seu antigo livro de memórias o ex-técnico Francisco Sarno.</p>
<p>A surpresa é que, apesar de tantas vagas abertas, treinadores do porte e fama de Luxemburgo, Parreira e Muricy estejam por aí à deriva, assim como o emergente Mancini, que caiu sob uma chuva de ovos, o que me remete à velha máxima lusitana repetida pelo saudoso Oto Glória: sem ovos, não se faz omelete. (Os ovos a que ele se referia eram aqueles que entram em campo, não os que a torcida fez explodir nas janelas do ônibus santista).</p>
<p>A explicação é mais simples do que parece: grana. Grana e um certo desfastio desses técnicos.</p>
<p>Sim, porque os clubes começam a desconfiar que, com o nosso calendário, com tão pouco espaço oferecido ao técnico para treinar adequadamente suas equipes, mais os cofres vazios por tantas razões, o melhor é transferir os vultosos investimentos nos chamados treinadores de ponta para reforçar o elenco, abrindo espaços para interinos ou emergentes que possam tocar o barco mais ou menos da mesma maneira a um custo infimamente menor.</p>
<p>Mas, enfim, isso tudo pode ser apenas circunstancial. Amanhã, o Muricy assume o Santos; Parreira, o Palmeiras; Luxa, o Inter, ou até se associe com um clube de menor expressão, essas coisas, e tudo volta ao normal.</p>
<p>O problema todo é que, com o advento do Brasileirão por pontos corridos, mais o renascimento da Libertadores para nossos clubes (a Copa do Brasil se insere nesse cenário continental), os chamados clubes grandes brasileiros ainda não caíram na nova realidade, muito diferente daquela dos tempos em que os estaduais eram reis.</p>
<p>Naqueles tempos, eram de dois a quatro clubes disputando o título principal da temporada, em cada estado. No máximo, o jejum seria de três anos.</p>
<p>Hoje, são, por baixo, dez clubes dos grandes centros, sem contar as eventuais surpresas, competindo pelo cetro nacional. Pela lei das probabilidades, cada um poderia levar a taça de nove em nove anos. Uma eternidade para nossa cabecinha.</p>
<p>Acrescente aí o risco de rebaixamento, suprema vergonha para os bambambans do pedaço.</p>
<p>Cartola, mídia e torcida nem de longe enxergam as campanhas dos grandes sob essa perspectiva. Ao contrário, se tal clube, que investiu numa comissão técnica de nível e em alguns bons jogadores, não vestir a faixa de campeão, no mínimo, é um fracasso retumbante, mesmo que seja vice.</p>
<p>Só o tempo mudará essa ótica. Se mudar. Enquanto isso, todos continuaremos a seguir os passos da Dança do Diabo.</p>
<p><strong>E AÍ VEM MAIS</strong></p>
<p>Vem aí a décima primeira rodada do Brasileirão, com boas possibilidades de novas cabeças rolarem Ou, de algumas periclitantes se salvarem.</p>
<p>É o caso do interino Jorginho, no Palmeiras. Vai que o Verdão faça bela figura diante do Mengão, no Maracanã, cujo gramado foi destroçado pelo show do Roberto Carlos.</p>
<p>Se o presidente do Palmeiras já começa a acalentar a ideia de mantê-lo até onde der, terá de se render às evidências e soldar a permanência do atual treinador, que, cá entre nós, só precisa de um tempo para provar sua competência.</p>
<p>Afinal, o Flamengo vem muito bem, obrigado, e joga em casa, o que é sempre um grande negócio para os rubro-negros.</p>
<p>Outro que poderá se firmar um pouco mais, no conceito da mídia e da torcida, é Ricardo Gomes, cujo São Paulo vai ao Mineirão pegar nada menos do que o Galo forte, vingador e líder isolado do torneio.</p>
<p>Para tanto, muito contribuirá se o técnico tricolor olhar mais adiante e configurar seu time nos padrões mais modernos, com apenas dois zagueiros e um meio de campo mais ágil e hábil.</p>
<p>E Tite, desse Inter tão decantado no início da temporada e que, além das quedas na Copa do Brasil e na Recopa Sul-Americana, vem de derrota para o Furacão? Dizem que se u prazode validade vai até o Grenal. Mas, se fizer fiasco diante de um Fluminense acéfalo, na zona do rebaixamento e tal e cousa e lousa e maripousa, sei não se Tite chega até lá.</p>
<p>Por fim, quem não tem que provar nada é Mano Menezes (nem podia ser diferente), que recebe no Pacaembu o Sport, time de campanha mediana no campeonato.</p>
<p>Mas, atenção, pode perfeitamente enfrentar certa turbulência, pois o Corinthians jogará desfalcado de sete titulares, dentre eles, Elias, que o Fenômeno, outra noite, no Bem, Amigos, classificou como o melhor jogador brasileiro da atualidade.</p>
<p>Será a chance de Jucilei, de tantas expectativas, comprovar que está apto a assumir o lugar do titular, um dos cogitados, aliás, para pular pela janela européia de contratações.</p>
<p>Elias, embora tenha jogado muito pouco na derrota por 3 a 0 para o Grêmio, tem sido uma das âncoras do Corinthians, nesta gloriosa campanha do seu time. </p>
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		<title>A GRANDE VITÓRIA</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Jul 2009 00:52:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alberto Helena jr.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Sem dúvida, a grande vitória da rodada foi a do Grêmio sobre o Corinthians, que vinha embalado, cheio de lanteloujas, e se esboroou no Olímpico: 3 a 0, logo de cara, gols de Jonas, Alex Mineiro e Rafael Marques. 
Curioso que os dois primeiros gols gremistas foram marcados pela dupla de ataque reserva dos gringos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href='http://colunistas.ig.com.br/albertohelenajr/files/2009/07/gremio-corinthians-charge.jpg'><img src="http://colunistas.ig.com.br/albertohelenajr/files/2009/07/gremio-corinthians-charge.jpg" alt="" width="480" height="346" class="aligncenter size-full wp-image-11437" /></a></p>
<p>Sem dúvida, a grande vitória da rodada foi a do Grêmio sobre o Corinthians, que vinha embalado, cheio de lanteloujas, e se esboroou no Olímpico: 3 a 0, logo de cara, gols de Jonas, Alex Mineiro e Rafael Marques. </p>
<p>Curioso que os dois primeiros gols gremistas foram marcados pela dupla de ataque reserva dos gringos Max Lopes e Herrera, que, depois de longa estiagem, haviam feito dois cada um no jogo anterior.</p>
<p>Sim, claro, o Timão se ressentiu da ausência de sua parelha de beques – William e Chicão -, dois esteios nessa série tão gloriosa deste semestre. Mas, não foi por aí, não. </p>
<p>A verdade é que o Grêmio foi melhor, mais consistente no meio de campo, e mereceu a vitória, embora o Corinthians melhorasse no segundo tempo, apesar da expulsão do zagueiro Jean.</p>
<p><strong>SEGURO E TRANSPARENTE</strong></p>
<p>Mas, antes, no sábado, houve outra vitória significativa: a goleada do Palmeiras sobre o Náutico, no Palestra Itália – 4 a 1, gols de Maurício, Willians, Márcio, Armero (golaço!) e Pierre. </p>
<p>Não só pela goleada, mas, sobretudo, pela forma como o Palmeiras a obteve, com extrema tranquilidade, segurança e superioridade indiscutível. Fez quatro e poderia ter feito uns seis, no mínimo, fruto das tantas chances criadas e perdidas. </p>
<p>Neste caso, uma vitória dessas pode representar algo mais. Pode representar o início da pavimentação do caminho que conduzirá á confirmação do técnico interino Jorginho como titular.  </p>
<p>Já disse e repito: tive poucas mas boas conversas com Jorginho sobre futebol. O suficiente para perceber que se trata de um cara com boas e lúcidas ideias sobre esse jogo manhoso. </p>
<p>Nada revolucionário, nada extremamente inovador, nada dessas jogadas marqueteiras em que se apoiam velhos e novos treinadores. Apenas uma visão clara sobre a simplicidade desse jogo, em toda a sua complexidade. </p>
<p>E foi isso o que se viu em campo: um time seguro, cada qual no seu lugar e um futebol transparente, jogado nas regras da arte, básico, belo e funcional.</p>
<p><strong>SÃO PAULO PARADO<br />
</strong><br />
Nesse andar vacilante – um passo à frente, outro, atrás -, o Tricolor não sai do lugar. Aliás, caiu alguns degraus na tabela, ao empatar por 2 a 2 com o Flamengo no Morumbi. Um Flamengo, diga-se, desfalcado de meio time, mas o suficiente para dominar o adversário durante o primeiro tempo, quando emplacou 2 a 1, gols de Fierro, Borges e Adriano, de pênalti. </p>
<p>No segundo tempo, refluiu e o Tricolor, mesmo com dez e depois das entradas de Eduardo Costa e Jorge Wagner, empatou de pênalti e ainda criou umas duas boas oportunidades para desempatar. </p>
<p>Pode ser que me engane, mas está na hora de o São Paulo rasgar a fantasia e partir para outra, remodelando de vez seu esquema de jogo e injetando sangue novo nesse time, com Oscar, Wellington e tal e cousa e lousa e maripousa.</p>
<p><strong>GALOOO!<br />
</strong><br />
Tudo bem; o Cruzeiro, de olho na decisão da Libertadores, entrou no Mineirão com um time misto.  Mas, espie o amigo a escalação e verá que é time para enfrentar de fronte erguida qualquer outro do Brasileirão. Pois, o Galo foi lá e meteu 3 a o no arquiniimigo, gols de Júnior, Alessandro e Eder Luís. É verdade que também contou com aquela expulsão recorde de Zé Carlos.</p>
<p>Assim, o Galo volta a ocupar a liderança do Brasileirão, e vai tomando gosto por isso, graças à derrota do Inter para o Atlético Paranaense, na Arena da Baixada, por 3 a 2, resultado que coloca a cabeça no arco da guilhotina. Sobretudo, porque Muricy, eterno objeto de desejo do Inter, está por aí, entre Ibiúna e o Guarujá, livre e faceiro.</p>
<p><strong>MAUS LENÇÓIS</strong></p>
<p>Que biaba! O Vitória de Carpeggiani, de tão bela campanha, recebeu o Santos no Barradão, e logo enfiou um saco: 6 a 2. Basta dizer que já vencia por quatro gols antes mesmo da primeira meia hora de jogo. </p>
<p>Claro que por todos os méritos dos baianos, que voltaram ao G-4. Mas, também, pela evidente incapacidade do Santos em se defender, o que faz desse time uma das piores, se não a pior, do campeonato. Pelo que se conhece da Vila, o técnico Mancini está em maus lençóis.</p>
<p>Quem também está em maus lençóis é Carlos Alberto Parreira, nas Laranjeiras. O Fluminense, no Engenhão, perdeu por 1 a 0, e caiu para a zona de descenso, um degrau abaixo do Botafogo, que, no sábado, obteve boa vitória. Parreira, porém, não ficaria ao desabrigo por muito tempo: dizem que o Palmeiras está de olho nele.</p>
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		<title>RUBROS DE VERGONHA E INDIGNAÇÃO</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Jul 2009 18:11:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alberto Helena jr.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Clubes brasileiros]]></category>
		<category><![CDATA[Treinadores]]></category>
		<category><![CDATA[Internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Muricy]]></category>
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		<category><![CDATA[Tite]]></category>

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		<description><![CDATA[Imagino a torcida colorada rubra de vergonha e indignação por mais uma perda significativa do Inter neste semestre: depois da Copa do Brasil, para o Corinthians, a Recopa, diante da pálida LDU, em Quito. Nem tanto pela derrota em si, mas, sobretudo, pela forma como o Inter se conduziu lá, sem um pingo de força [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Imagino a torcida colorada rubra de vergonha e indignação por mais uma perda significativa do Inter neste semestre: depois da Copa do Brasil, para o Corinthians, a Recopa, diante da pálida LDU, em Quito. Nem tanto pela derrota em si, mas, sobretudo, pela forma como o Inter se conduziu lá, sem um pingo de força ou talento, dois quesitos que chegaram a elevar o time à condição de melhor elenco do país ainda outro dia.</p>
<p>Dá-se, então, que o Inter volta a campo neste domingo, diante do Furacão, na Arena da Baixada, numa situação insólita: embora líder do Brasileirão, com todas as chances de levantar essa taça, jogará, sem dúvida, sob pressão extrema. Principalmente, o técnico Tit, ainda mais à sombra de Muricy, xodó do Inter, que acabou não caertando sua eventual ida para o Palmeiras.</p>
<p>Como todos sabemos, nessas circunstâncias, apesar de todas as declarações em contrário da diretoria do Inter, quem sempre paga a conta é o treinador de plantão, seja ele Tite, Muricy ou Luxemburgo.</p>
<p><strong>MURICY E O PALMEIRAS</strong></p>
<p>Confesso que me surpreendi com esse desfecho decepcionante da novela Muricy-Palmeiras, embora fosse clara certa relutância do treinador em pular assim de cara o muro que separa o CT do São Paulo do CT do Palmeiras, na Barra Funda.</p>
<p>Entre outras coisas porque sua profunda identificação com o São Paulo seria uma pedra no sapato constante: a qualquer tropeço, a já exigente torcida verde, sem falar nos tradicionais cornetas do Parque, jogariam na cara do treinador essa pecha.</p>
<p>Por outro lado, não me espantaria se o Palmeiras, ao longo da espera de um contato decisivo com Muricy, passou o tempo refazendo suas contas. Afinal, uma das razões fundamentais da demissão de Luxa, técnico com cartel muito superior ao de Muricy, era o alto preço que o Verdão pagava a Luxemburgo e sua corte, com retorno bem inferior ao esperado.</p>
<p>Resta, agora, ao Palmeiras procurar uma alternativa mais econômica. um desses treinadores menos badalados mas que emergem com boa figura no cenário nacional. Alguém como Dorival Jr., de passado ligado ao clube, como ex-jogador e sobrinho de um dos imortais do Palestra Itália &#8211; Dudu. Mas, Dorival está em plena atividade no comando do Vasco. Quem sabe, Silas, do Avaí?</p>
<p>Mas, algo me diz que os astros conspiram para dar a Jorginho, o interino, um tempo suficiente para acabar se acomodando no cargo. Se assim for, nosso Cantinflas terá de aproveitar bem a chance deste sábado, em casa, contra o Náutico. Uma vitória convincente poderá ser a primeira pedra do degrau. Nunca se sabe, pois tão volúvel é a alma do cartola como do torcedor.</p>
<p><strong>PASSO ATRÁS?</strong></p>
<p>Falando de Muricy, Palmeiras e São Paulo, é ijnevitável chamar à roda o novo técnico tricolor, Ricardo Gomes, que chegou ao Morumbi para mudar o braço da viola de Muricy. Tentou duas vezes, ganhou uma, perdeu outra, e agora parece estar disposto a dar um passo atrás nessa busca de uma nova maneira de o Tricolor jogar.</p>
<p>O São Paulo recebe o Flamengo no Morumbi. Um Flamengo motivado por já rondar o G-4, embora venha desfalcado de Ibson (despediu-se já dos companheiros), seu principal articulador de jogadas de meio-campo, de Juan, machucado, e, talvez, de Kleberson. mas, vem com o Imperador comandando a tropa lá na frente.</p>
<p>Talvez, até mesmo por temor da potência ofensiva de Adriano, é que Ricardo Gomes cogite da volta ao esquema com três zagueiros de ofício. Aliás, a bem da verdade, com a presença de Eduardo Costa á frente da zaga, no fundo, no fundo, o esquema com Ricardo Gomes não diferia muito daquele que Muricy aplicava nos seus últimos tempos de São Paulo.</p>
<p>Sim, claro, prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém. A não ser quando a prudência se confunde com medo e o caldo de galinha, já passado, provoque azia. mesmo porque quem vai e volta a toda hora, acaba não saindo do lugar. E o lugar ocupado pelo São Paulo na tabela é, no mínimo, preocupante.</p>
<p><strong>HORA H</strong></p>
<p>Este é um clássico emblemático para os dois: para o Corinthians, o momento de dar o grande salto no Brasileirão, que lhe permitirá chegar definitivamente á zona de luta pelo título do Brasileirao; para o Grêmio, a oportunidade de fincar sua primazia no Olímpico, espantar eventuais fantasmas que rondam o clube neste semestre, além de pular para uma posição mais digna em relação à sua força e à sua tradição.</p>
<p>Afinal, o Grêmio, vencendo, daria um tapa de luva de pelica no eterno rival Inter, que acaba de perder a Copa do Brasil justamente para esse Corinthians, como ganharia um moral extra por bater aquele que é considerado o melhor time da temporada no país, até agora.</p>
<p>Quanto ao Timão, uma vitória mobilizaria ainda mais elenco, comissão técnica e torcedores nessa eventual arrancada em direção à terceira coroa.</p>
<p>Embora o Corinthians me pareça mais arrumado e incisivo do que o Grêmio, em clássicos desse porte, ainda mais sob o apoio delirante da torcida azul, nunca se sabe. </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
]]></content:encoded>
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		<title>HABEMUS TIME?</title>
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		<pubDate>Mon, 29 Jun 2009 18:27:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alberto Helena jr.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Foi, sim, uma vitória épica, essa do Brasil sobre os EUA. Pelo desenrolar do jogo, não pela dimensão das forças em confronto.
Explico: se o Brasil metesse 3 a 0, como o fez no jogo da fase de grupos da Copa das Confederações, não haveria nem um traço épico nessa vitória, dada a imensa diferença histórica [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Foi, sim, uma vitória épica, essa do Brasil sobre os EUA. Pelo desenrolar do jogo, não pela dimensão das forças em confronto.</p>
<p>Explico: se o Brasil metesse 3 a 0, como o fez no jogo da fase de grupos da Copa das Confederações, não haveria nem um traço épico nessa vitória, dada a imensa diferença histórica e técnica entre os dois times.</p>
<p>Épico, porém, não significa excelência técnica. Nesse aspecto, o Brasil não cumpriu &#8211; a não ser em breves momentos do segundo tempo &#8211; seus altos desígnios. Foi muito mais guerreiro, determinado do que qualquer outra coisa. Claro que esse atributo é também essencial, mas jogar bola, esse, sim, é o nosso destino. </p>
<p>Mas, virar um placar de 2 a 0 contra, numa decisão qualquer, nas condições em que isso ocorreu, com o adversário inteiro até o final, sem pênaltis ou gols ilícitos (ao contrário: aquela bola de Kaká entrou e o juiz não deu), é, sem dúvida, um feito épico.</p>
<p>Mas, passando de pato a ganso &#8211; e, neste momento, estou vendo três patinhos brancos deslizando no regato que banha meu jardim, como a saudar a vitória brasileira -, então, quer dizer que já temos o time da Copa e que Dunga está mais firme do que as Muralhas da China no comando da Seleção?</p>
<p>Bem, a não ser que advenha uma catástrofe irremediável, Dunga selou sua passagem para a Copa do Mundo, não apenas pela conquista da Copa das Confederações, com cinco vitórias &#8211; uma delas, sobre a Itália, campeã do mundo, mas, também, pela reação nas Eliminatórias nos jogos que precederam a ida à África do Sul.</p>
<p>Quanto ao time, não há nenhuma garantia, pois, até lá, sempre haverá a possibilidade de lesões, queda acentuada de rendimento deste ou daquele jogador, aparecimento súbito de um craque desses que estão acima de qualquer suspeita e tal e cousa e lousa e maripousa.</p>
<p>Esse time mesmo já teve bons e maus momentos, mesmo no curso das vitórias recentes. Isso faz parte. Mesmo porque há outros fatores, além dos técnicos e táticos, que contribuem para tanto &#8211; cansaço, falta de tempo para treinamento adequado, má fase deste ou daquele jogador etc.</p>
<p>Mas, digamos, como um exercício de imaginação, que essa turma toda chegue na Copa do Mundo nos trinques, o que ficará ainda faltando? Estou convencido de que falta uma alternativa tática confiável para quando as coisas não correrem do jeitinho que a gente gosta.</p>
<p>Na defesa e no ataque, não há muito o que se cogitar: os últimos convocados se suprem na medida do necessário. Mas, no meio-de-campo é que a porca torce o rabo. Há volantes demais e meias de menos.</p>
<p>Não custa nada Dunga trocar dois ou três volantes por dois ou três meias habilidosos. Vai que precisa, não é mesmo?</p>
<p><strong>MURICY RETICENTE</strong></p>
<p>Não tenho conversado com Muricy nos últimos tempos, apesar de vizinhos aqui em Ibiúna, onde ele descansa e reflete sobre seu futuro. Desconfio que ele anda agastado comigo, o que lastimo mas entendo. Afinal, passei, por baixo, este ano e meio pedindo para que Muricy mudasse o braço da viola, escapasse daquele círculo de giz que ele mesmo riscou ao seu redor, fixando-se num sistema que tornava seu time previsível, repetitivo e sem brilho.</p>
<p>A propósito, alguns internautas me cobram coerência: como, depois de tantas críticas, venho aqui condenar a demissão de Muricy do São Paulo?</p>
<p>Poderia, simplesmente, responder-lhes como o sábio: coerência é apanágio dos idiotas. Mas, não o farei, pois, não é esse o caso: ao mesmo tempo em que critiquei a postura tática inflexível do São Paulo de Muricy, antes mesmo, muitos anos atrás, venho repetido que se trata da maior vocação para técnico de futebol de que me lembro nas últimas décadas.</p>
<p>Uma coisa é o sistema adotado por Muricy; outra coisa é seu potencial como treinador de futebol, sua honradez, sua disposição de trabalhar de sol a sol na montagem de uma equipe, seus conhecimentos sobre os segredos do futebol, esse jogo tão simples em toda a sua complexidade.</p>
<p>O fato é que passei agora pouco pela frente do seu condomínio e me deaprei com uma fila de pretendentes aos seus serviços técnicos que atravessava a estrada.</p>
<p>Qual o clube que não quer Muricy, tricampeão brasileiro?</p>
<p>O primeiro a saltar na frente foi o Palmeiras, que, aliás, só se desfez de Luxemburgo, o mais vitorioso técnico brasileiro, depois que soube que Muricy estava na praça.</p>
<p>Muricy, porém, está reticente: aceita ou não aceita o convite? Pediu uns dias para pensar.</p>
<p>Num prato da balança está o pudor de assumir o grande rival do São Paulo, clube que está entranhado na sua alma simples e direta. No outro, o desejo da família de que ele continue mesmo por aqui, na rota São Paulo-Ibiúna-Guarujá.</p>
<p>Ora, se Muricy estivesse pensando em trocar o São Paulo pelo Palmeiras por vontade própria, por uma oferta irrecusável etc., esse sentimento de lealdade se justificaria plenamente. Mas, não é o caso. Muricy foi simplesmente defenestrado do Morumbi. Logo, ninguém poderia condená-lo por aceitar uma oferta do Palmeiras nessas circunstâncias.</p>
<p>O homem, porém, é a soma de seus desejos e hábitos, muitas vezes conflitantes. E o que Muricy gostaria mesmo, lá no fundo, era suspirar feito Greta Garbo: <em>Leave me alone!</em> </p>
]]></content:encoded>
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		<title>VAI SER DURO</title>
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		<pubDate>Sat, 27 Jun 2009 18:46:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alberto Helena jr.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Campeonato Brasileiro]]></category>
		<category><![CDATA[Seleção Brasileira]]></category>
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		<description><![CDATA[Quer saber, meu amigo? Preferia que o nosso adversário na decisão da Copa das Confederações fosse Espanha ou Itália, menos esses EUA que aí estão.
Isso mesmo: um time com muito mais tradição do que os americanos, que jogasse o jogo, o que sempre nos dá a vantagem das individualidades mais refinadas e decisivas.
Esse time americano, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://colunistas.ig.com.br/albertohelenajr/files/2009/06/luxademitido.jpg"></a>Quer saber, meu amigo? Preferia que o nosso adversário na decisão da Copa das Confederações fosse Espanha ou Itália, menos esses EUA que aí estão.</p>
<p>Isso mesmo: um time com muito mais tradição do que os americanos, que jogasse o jogo, o que sempre nos dá a vantagem das individualidades mais refinadas e decisivas.</p>
<p>Esse time americano, porém, parece uma máquina desenvolvida em Detroit, destinada a não deixar o adversário jogar, mesmo porque carece de jogadores de alta qualidade. Tirando-se aí Dempsey e Donovan, descole o amigo um outro que tenha algo mais a oferecer.</p>
<p>Ah, mas passamos por ele, na fase de grupos, com facilidade, no placar e no jogo jogado: 3 a 0. É verdade, mas, agora, eles vêm ainda mais determinados, aplicados, envoltos na bandeira americana e inspirados nas palavras de Obama &#8211; aquele patriotismo único que fazem os americanos hastearem a bandeira nacional em cada casa dos subúrbios, de norte a sul do país.</p>
<p>Além do mais, parecem estar mais descansados do que os nossos, quase todos em fim de temporada, o que nos torna presa mais fácil à marcação cerrada e dobrada que certamente exercerão. Vide o jogo com a África do Sul, quando não conseguimos escapar ao pertinaz combate dos adversários. </p>
<p>Sim, porque, nesses casos, para fazermos prevalecer nossas técnica e habilidade superioras, é preciso que a turma da frente, sobretudo, se movimente muito, mesmo sem a bola. Haja gás para isso.</p>
<p>Apesar de tudo, mesmo se for um jogo chato, cansativo, emprenhado, sou muito mais Brasil.</p>
<p><strong>A QUEDA DE LUXA</strong></p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-11413" src="http://colunistas.ig.com.br/albertohelenajr/files/2009/06/luxademitido.jpg" alt="" width="600" height="433" /></p>
<p>Claro que a demissão de Luxemburgo, na madrugada de sábado, não se deveu apenas à suposta quebra de hierarquia nas palavras explodidas pelo técnico em entrevista em que a negociação de Keirrison com o Barça era o foco, embora o discurso de Luxa tivesse excedido ao tom natural nessas circunstâncias.</p>
<p>A verdade, desconfio e posso estar equivocado, é que o desgaste de Luxemburgo no Palmeiras já havia atingido um ponto de saturação.</p>
<p>Em primeiro lugar, porque os resultados obtidos, comparados ao volume do investimento no técnico e sua comissão de auxiliares, e mesmo ao currículo excepcional do treinador, vinha sendo muito inferior à expectativa.</p>
<p>Em segundo lugar, porque é insuportável para a cartolagem ouvir e ler todos os dias que Luxemburgo mandava prender e mandava soltar no Parque, a seu bel prazer. Por mais equilibrado e comedido que seja o dirigente, chega uma hora que isso fere muito mais do que qualquer coisa.</p>
<p>Mas, o diabo era se livrar de um vencedor nato como Luxemburgo numa hora dessas. Pois, deu-se a conjunção, quando Muricy levou um pé nos fundilhos do São Paulo.</p>
<p>Muricy passou a ser o objeto de desejo de vários grandes do Brasil, dentre eles o Internacional, em crise técnica, o Flamengo, com quem Cuca mantém um relacionamento atado a um fio muito tênue etc. A hora, então, era essa, antes de Muricy subir num barco do qual, todos sabem por sua biografia, que só desembarcará ao final do contrato, ou se for demitido, fato raro em sua carreira.</p>
<p>O problema é que Muricy passa a sensação de estar um tanto abalado ainda &#8211; menos pela demissão em si, e mais pelo fato de o São Paulo, nas suas mãos, neste primeiro semestre, não ter dado sinais claros de recuperação.</p>
<p>Aliás, saiu do Morumbi dizendo que queria mesmo era descansar por uns tempos, o que é muito compreensível, para quem vem numa balada de conquistas, desde o Sport, São Caetano, Inter e São Paulo.</p>
<p>Resta, pois, à direção do Palmeiras convencê-lo, acenando-lhe com algo que realmente o comova, a ponto de voltar imediatamente à ativa. Seria muito bom para ambos.</p>
<p>Quanto a Luxemburgo, se o Inter fizer aquele sinalzinho do dedo indicador voltado pra dentro, indo e vindo, também seria uma boa solução, imagino. Somaria um elenco de escol a um técnico de alta competência, coisa bem a gosto de Luxa.</p>
<p>Por fim, a saída de Keirrison para o Barça era inevitável, já que essa possibilidade estava tramada antes mesmo de o craque se transferir do Coritiba para o Palmeiras. Tanto, que constava do contrato de K-9 com o Verdão como uma cláusula específica.</p>
<p>Acho que é cedo para um salto desses. Mas, quem sabe?</p>
<p><strong>ESTRÉIA DE RICARDO GOMES</strong></p>
<p>Na estréia de Ricardo Gomes no lugar de Muricy, o São Paulo foi outro, diante do Náutico. Não apenas por ter vencido com o placar de 2 a 0, gols do zagueiro Rolt, de cabeça, em cobrança de falta de Hernanes, que marcou o segundo, também de falta, com desvio do zagueiro do Timbu.</p>
<p>É que, jogando com apenas dois zagueiros, e três volantes, o time ficou um pouco mais equilibrado, e, embora tenha sofrido contragolpes perigosos do Náutico, manteve melhor fluência na saída para o jogo e criou maior número de chances para abrir a contagem.</p>
<p>Melhorou ainda mais depois das entradas dos meias Jorge Wagner e Oscar, o que provocou a volta de Hernanes a seu lugar ideal &#8211; segundo volante.</p>
<p>Sim, levou duas bolas nas traves e meteu uma, mas, pelo menos, mudou o braço da viola.</p>
<p><strong>SURPRESA</strong></p>
<p>A grande surpresa desta rodada de sábado, sem dúvida, foi a derrota do líder Atlético Mineiro para o Barueri, na casa do inimigo: 4 a 2, quem diria?</p>
<p>E olhe que o Galo, depois de sofrer dois gols no início &#8211; um deles, em falha do goleiro Aranha, ao tentar devolver com os pés bola pressionada pelo atacante do Barueri -, chegou ao empate, com dois pênaltis convertidos por Diego Tardelli. Mas, a expulsão do beque Wesley e a determinação dos jogadores do Barueri acabaram por decretar a goleada no finalzinho da partida.</p>
<p>Assim, o Galo perdeu a invencibilidade, mas não perdeu a liderança.</p>
<p>Já a derrota do Corinthians para o Furacão, na Arena da Baixada, não chega a surpreender ninguém.</p>
<p>Afinal, Mano Menezes escalou todo o time reserva, além do banco, poupando seus principais jogadores para a decisão da Copa do Brasil diante do Inter.</p>
<p>Com magnífica cobrança de falta de Paulo Baier, o Atlético PR livrou-se da lanterna. Por enquanto. E o Timão segue ali rondando o G-4, o que não é mau negócio.</p>
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		<title>MUITA VISAGEM E POUCA SUBSTÂNCIA</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Jun 2009 15:52:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alberto Helena jr.</dc:creator>
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<p>Fico só imaginando a cena: ao clarim da alvorada seguinte à queda de Muricy, Coronel Juju reúne a tropa, digo, a imprensa, saca do bolso do colete virtual um cartãozinho azul com bordas douradas, no mais rebuscado estilo rococó, onde se lê o nome do ungido a técnico do São Paulo - Ricardo Gomes -, e dispara, cabeleira branca esvoaçante ao vento da manhã gelada desta província altaneira e garbosa:</p>
<p>- Postura! &#8211; e repete, elevando o tom como se, fronte erguida, aumentasse alguns centímetros de altura, sobre um imaginário salto Luís XV &#8211; Postura!</p>
<p>É isso. Está desvendado o mistério da queda de Muricy, tricampeão brasileiro, feito inédito na história gloriosa do clube: postura, eis a palavra-chave.</p>
<p>Todos conhecem, se divertem ou se irritam, com a postura de Muricy, craque de refinadas criações com a bola, técnico vitorioso por onde tenha passado, mas tipo povão, desbocado, espontâneo, transparente, um tanto brega, que se expressa com as palavras que, ao longo da vida, colheu nas ruas, nos bares, nas intermináveis concentrações. Oh, como isso incomoda certa cartolagem de novos-ricos &#8211; alguns com diploma na parede -, que tanto aspiram a uma anacrônica aristocracia de botequim.</p>
<p>Agora, espie o amigo seu sucessor: cavalheiro de fina estampa, que fala francês e um português correto, veste-se na moda, e homem de caráter sem jaça, como diria Coronel Juju. Como figura humana, exemplar, sem a menor dúvida. E foi, é verdade, um excelente quarto-zagueiro, de nível de Seleção Brasileira.</p>
<p>Mas, e como técnico. Bem, é aí que a porca torce o rabo: dirigiu uma pá de times brasileiros, dentre os quais, Fluminense e Flamengo, além dos franceses PSG, Bordeaux e Mônaco. Em nenhum deu-se bem, sem falar naquele rotundo fracasso com a Seleção Brasileira Pré-Olímpica da qual tanto se esperava.</p>
<p>Sim, claro, todos devem ter outra ou mais chances. Muricy não teve: ao primeiro percalço, rua! Ricardo Gomes terá sua enésima chance, quem sabe, aquela que lhe dará impulso definitivo no ofício de treinador de futebol. Espero que sim, pela pessoa que é.</p>
<p>Mas, no fundo, no fundo, é tudo <em>visage</em>, que o malandro brasileiro traduziu para visagem, um truque de imagem destinada a enganar o otário de plantão.</p>
<p>Muita pose e pouca substância.</p>
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