Treinadores | Blog do Alberto Helena Jr.

Publicidade

Arquivo da Categoria Treinadores

terça-feira, 29 de maio de 2012 Olimpíada, Seleção Brasileira, Treinadores | 16:17

AS EXPERIÊNCIAS DE MANO

Compartilhe: Twitter

A informação que nos chega dos EUA é a de que, num treino em campo reduzido, nove contra nove, Mano Menezes escalou o trio Hulk, Pato e Neymar, juntos, com Casemiro fazendo as funções de beque.

Não sei até onde essas experiências serão levadas a efeito no amistoso desta quarta-feira contra os norte-americanos. Mas, ainda é tempo de Mano testar em campo as ideias que porventura rondam sua cabeça.

A aparentemente mais estapafúrdia seria essa de escalar eventualmente Casemiro na zaga. Mas, a sugestão passa a ser mais válida se lembrarmos que Casemiro foi um dos esteios da Seleção Sub-20 campeã do mundo atuando várias vezes na função de líbero, lá atrás. Acrescente-se a isso o fato de que, pelas regras olímpicas, só poderemos inscrever dezoito jogadores para a competição, o que, certamente, obrigará Mano a se precaver em caso de improvisações necessárias nesta ou naquela partida.

Quanto ao trio atacante, não creio que Pato comece jogando no lugar de Damião. Mas, é preciso testá-lo pra valer nesses jogos preparatórios. Assim como Hulk, destaque da vitória sobre a Dinamarca, vai ganhando sua vaga na Seleção. Todavia, não nesta olímpica, a não ser como o terceiro jogador acima da idade permitida pela disputa. Desconfio, contudo, que Mano deverá guardar esse lugar para setores mais vulneráveis do time, como o gol e as laterais.

Mesmo porque, se levado para Londres, Hulk deveria ser titular, o que obstaria a evolução de Lucas, deslocada para a esquerda, contra a Dinamarca, posição em que o craque tricolor revelou-se desconfortável e improdutivo.

Certo mesmo é que Neymar volte ao time, e que Oscar terá a tarefa de lhe meter as bolas exatas no lugar de Ganso, o parceiro de sempre.

Assim como é certo que o Brasil não terá moleza diante dos EUA, time que, historicamente, só foi vencido por nós, bem e com facilidade, na estreia de Mano, Neymar e Ganso, lembram?

Entre outras coisas, porque os americanos vêm de uma vitória expressiva sobre a Escócia, por 5 a 1, com o veterano Donovan, autor de três gols, nos trinques.

Tudo bem: a Escócia, a exemplo da Dinamarca, não é lá essas coisas. Mas, se numa coisa os escoceses são bons, além do uísque e da gaita de fole, é justamente defender-se com unhas e dentes. Procure nos alfarrábios xadrezes que o amigo não encontrará facilmente outra goleada dessas sofrida pela Escócia ao longo de sua história.

OS NOSSOS GRINGOS

Falou-se um bocado da possibilidade de Guardiola assumir a Seleção Brasileira, numa eventual queda de Mano Menezes. E até o próprio técnico catalão, admirador confesso daquele nosso velho estilo de jogar bola tão desprezado por aqui nos últimos anos, sentiu a picada da mosca azul e andou espalhando por aí que, olhe!, é coisa pra se estudar.

O brasileiro em geral, como a maioria dos latinos, se entusiasma na mesma velocidade com que se decepciona, diante da sucessão de resultados. E o êxito de Guardiola no Barça foi fruto, sobretudo, da paciência, do tempo de trabalho em que ele passou burilando os garotos da base e os marmanjos de cima, dentro de um conceito de jogo estabelecido no clube há décadas.

Não sei se atingiria seus objetivos nesse vapt e vupt do nosso futebol, sobretudo na Seleção, que se junta hoje pra jogar amanhã, sob uma rede intrincada de interesses dos clubes, dos jogadores, da CBF, da tv, dos patrocinadores e outros bichos.

Mas, uma coisa é certa. Afora os tantos técnicos argentinos e uruguaios que moldaram taticamente nosso futebol feito basicamente de talentos individuais, nas décadas de 30, 40, 50 e 60, a passagem por aqui de dois húngaros, com a diferença de vinte anos, instilaram conceitos que criaram raízes e deram belos frutos.

O primeiro deles, o austro-húngaro Dori Kruschner, que, na segunda metade dos anos 30, trouxe o WM para o Brasil, em sua breve passagem pelo Flamengo. Até então, jogávamos na clássica formação de 2-3-5. Isto é: dois zagueiros de área – o back, que ficava na sobra, e o stopper, que partia pro combate -, a linha média de três e o ataque de cinco – dois extremas, dois meias e um centroavante.

O WM, criado no final dos anos 20 pelo britânico Herbert Chapman, por conta da mudança da lei do impedimento (antes, eram três, em vez dos dois atuais, entre o atacante e a linha de fundo), estabelecia três zagueiros (dois laterais e um central), dois médios apoiadores, dois meias de ligação e três atacantes (dois pontas e um centroavante).

Flávio Costa, que era auxiliar de Kruschner nessa época, com a saída do gringo, fez uma leve alteração no posicionamento dos médios e meias, chamou isso de Diagonal, e implantou esse sistema, mais tarde na Seleção Brasileira. Todo mundo foi atrás, até o advento do quarto-zagueiro, já pra lá da metade dos anos 50.

Foi mais ou menos na época em que outro húngaro ilustre, Bella Gutman, um dos integrantes da comissão técnica da Seleção Húngara de Puskas, Kocsis e cia., o Barça daqueles tempos, assumiu o São Paulo, campeão paulista de 57.

Gutman, que falava uma estranha mistura de espanhol com italiano, resumiu seu conceito à mais simples onomatopeia: Tá-Tá-Tá. Traduzindo: três passes, chute a gol. Isso era o que faltava ao nosso futebol, tão artístico, tão elaborado na troca de passes, nos dribles, nas invenções de jogadas pessoais – objetividade. Ir logo direto ao assunto, o gol inimigo.

Vicente Feola, à época superintendente do São Paulo e técnico intermitente do clube, entendeu a proposta e aplicou-a com esmero na Seleção que ele mesmo dirigiu na Suécia, culminando com a vinda do nosso primeiro caneco.

Quero dizer o seguinte: não é necessário que Guardiola, por exemplo, assuma a Seleção Brasileira hoje para mudar o curso do nosso futebol. Nestes tempos de globalização, os conceitos voam de lá pra cá, num átimo, e, mais cedo ou mais tarde, começam a germinar, independentemente da presença física de seus autores.

Basta o amigo rever as entrevistas dos nossos principais treinadores, pelo menos, desde o passeio do Barça no Santos, na decisão do Mundial de Clubes. Todos passaram a falar na necessidade de reter a posse de bola por mais tempo, de avançar a linha de marcação, de fazer isso ou aquilo como o Barça.

Ora, nós sabemos que, por uma combinação singular de fatores, o Barça é o que é, e nenhum outro time no mundo será capaz de imitá-lo literalmente.

Nem se trata disso. Trata-se apenas de reavivar o conceito do jogo trabalhado, passando da defesa pelo meio de campo antes de chegar ao gol adversário, em vez da chamada ligação direta, do medo extremo de atacar para não perder a segurança lá atrás, da supremacia da técnica sobre a força bruta, essas coisas elementares que fazem do futebol, ao mesmo tempo, uma competição e uma arte.

Algo que dê prazer de ser visto, com emoção, sim, mas também com a razão.

Notas relacionadas:

  1. O CIVILIZADO MANO
  2. OS CAMINHOS DE MANO
  3. A SELEÇÃO DE MANO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: ,

quinta-feira, 26 de maio de 2011 Copa do Brasil, Libertadores, Treinadores | 00:37

PEIXE NO FIO DA NAVALHA

Compartilhe: Twitter

O Santos segue na Libertadores caminhando sobre o fio da navalha. Se a formação do time na vitória por 1 a 0 sobre o Cerro Porteño, com quatro volantes e apenas Neymar lá na frente, já que Zé Love segue à sombra do jogo, sugere maior segurança, ao mesmo tempo, a falta de criatividade no meio de campo e de agressividade no ataque é um convite para o adversário ousar mais.

Sorte que Neymar está à toda, e tem pernas e mente para segurar as pontas lá na frente. Dribla, passa, tenta a tabela, o chute a gol, e, quando nada disso resulta em rede, mete uma assistência como aquela no finalzinho do primeiro tempo para Edu Dracena conferir de cabeça.

O diabo é que, até Ganso se recuperar e Borges tiver condições de jogo, a coisa vai rolar assim mesmo, quem sabe até o Peixe levantar a taça.

charge_sfc1x0cerro

Os técnicos de Santos e Cerro após o jogo, em charge de Milton Trajano

VASCÃO E COXA

Era mais ou menos o que se esperava se a bola rolasse dentro da lógica, o que nem sempre ocorre nesses jogos fatais: Vasco e Coritiba passaram por Avaí e Ceará e vão decidir a Copa do Brasil.

O Coritiba, por seu retrospecto cintilante neste início de temporada. O Vasco, pela recente ascensão.

Agora, diante da grande decisão, tiro o time de campo.

SEEDORF, PLUFT!

Pluft! Desfez-se o sonho holandês acalentado por Corinthians, Botafogo e Flamengo nas últimas semanas: Seedorf acaba de assinar novo contrato com o Milan.

Aliás, era o que se esperava mesmo. Em primeiro lugar, porque Seedorf voltou a jogar bem, depois de um período de encolha, e foi decisivo na conquista do título italiano nesta temporada. Depois, porque o Milan adora espremer seus velhinhos até a última gota.

Uma pena, para o futebol brasileiro, que perde a chance de ver por aqui um holandês com alma e estilo bem brasileiro de jogar bola.

OLHOS DE FALCÃO

Falcão disse no Bem, Amigos que pretende, mais à frente, passar a assistir os jogos de seu Inter lá de cima, na tribuna. Dessa forma, ele fica livre da crítica dos apaixonados torcedores e da mídia, que medem o trabalho de um treinador pela encenação que o dito cujo faz à beira do gramado. E, sobretudo, analisa melhor o comportamento de seu time e do adversário, e pode passar instruções mais precisas para seu auxiliar, no rés do chão, de onde, na verdade, não se vê nada dos movimentos coletivos dos dois times.

Aliás, até hoje não entendi por que os treinadores não adotam essa postura, ainda mais com as facilidades oferecidas hoje pela alta tecnologia nas comunicações em geral.

Lembro Rubens Minelli obrigado a dirigir o seu São Paulo, na decisão do título brasileiro de 77 contra o Atlético, de uma cabine de rádio no Mineirão. Depois do jogo, encontrei-o entre surpreso e eufórico: “Rapaz, que delícia dirigir um time lá de cima!”

Pois, é. Só que Minelli seguiu sua brilhante carreira vendo o jogo do banco de reservas mesmo.

Espero que Falcão consiga mudar esse braço da viola, com sucesso.

Notas relacionadas:

  1. SÓ O PEIXE NESTA NOITE
  2. O PEIXE DESTE SÉCULO
  3. PEIXE, PIRATAS, COPA DO BRASIL, GIGGS E ABDIAS
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , ,

domingo, 4 de julho de 2010 Copa do Mundo, Seleção Brasileira, Treinadores | 11:07

UNIÃO É GRUPO

Compartilhe: Twitter

Direto de Joanesburgo – Dunga partiu mudo e chegou calado ao Brasil. Já seu parceiro Jorginho desembarcou no Rio dizendo que tudo foi feito dentro dos conformes, que repetiria item por item a programação dos últimos três anos e meio e que o grande saldo positivo foi a união do grupo. Secundaram-no vários jogadores.

Esse me parece outro mito a ser derrubado na Seleção, a tal da união de grupo, um clichê  repetido até a exaustão não só pelos técnicos da Seleção como dos clubes.

Nem por isso, tão verdadeiro. Nos clubes, ainda se compreende, pois os jogadores convivem durante uma temporada inteira, em geral, quando não mais, estão todos os dias da semana juntos e tal e cousa e lousa e maripousa.

Mas, seleção, pela sua própria natureza, expressa até no nome, é a reunião temporária, de tempos em tempos, dos melhores jogadores em atividade, naquele exato momento. Logo, se seguida à risca sua meta, não se deve buscar um time, um grupo fechado num período tão longo, durante o qual os jogadores oscilarão tecnicamente, serão vítimas de contusões e tudo o mais que a vida reserva a todos nós.

Ao contrário, o técnico da Seleção deve, isso sim, estar aberto para todas as alternativas o tempo todo.

Lições dos mestres

Mesmo porque há dois ensinamentos de dois mestres que colhi e abrigo na memória a respeito desse assunto. De Telê Santana: “Essa história de grupo unido é conversa fiada. Grupo só está unido na vitória”. De Rubens Minelli: “Futebol é momento”.

Se seleção é fruto da escolha dos melhores, é evidente que está implícita a reunião de individualidades díspares. Mais que isso: de celebridades, jogadores habituados a certas regalias e reverências que não são comuns aos demais mortais. Logo, o choque de vaidades estará sempre latente em qualquer seleção que se preze pelo nome.

Cabe ao comandante, o técnico, ter percepção, jogo de cintura, inteligência, enfim, para controlar esses níveis de conflitos iminentes, evitando-os e procurando sedimentar no grupo um sentido de solidariedade suficiente para que o elenco não se esfacele.

Caso contrário, se eleger como prioritária a tal união de grupo, terá de abdicar da excelência técnica máxima em favor de um grupo formado por jogadores medianos que aceitam, submissos, as regras impostas pelo comando.

Então, não teremos uma seleção de verdade, e sim um conglomerado de jogadores escolhidos mais pos suas personalidades subservientes do que por craques de bola.

É evidente que, nesse processo, o técnico se debaterá com craques de personalidades deletérias, que, em favor do espírito de equipe, terá de descartar ao longo de sua gestão. Mas, essas são exceções, não regra geral.

Momento de unir

E, como futebol é momento, o técnico da Seleção deverá sempre optar por aqueles que, no momento da convocação, estão melhores. Sobretudo, às vésperas de uma Copa do Mundo, torneio de tiro curto, em que prevalecerá sempre o estado atlético, anímico e técnico dos que entrarem em campo. O que foi ou o que poderá vir a ser conta muito pouco nesses casos.

Aí, sim, já nos dias de preparação para o grande certame, caberá ao técnico injetar na moçada o tal espírito de equipe, a união do grupo etc.

O QUE ACONTECEU AFINAL?

Passados alguns dias do impacto da derrota para a Holanda, vale tentar compreender o que houve naquele jogo, em que o Brasil virou do vinho para água: um primeiro tempo primoroso seguido de uma derrocada no segundo.

Claro que a falha de Júlio César, o goleiro que nunca falha, pesou muito no ânimo da tropa. Assim como a expulsão de Felipe Melo também contribuiu muito para a quebra emocional do nosso time, impedindo-o de reagir à virada holandesa.

Mas colho na Internet uma declaração do auxiliar técnico Frank de Boer, extraordinário ex-zagueiro do Ajax campeão do mundo e da Seleção Holandesa em duas Copas, que pode nos dar pista para outra explicação: “No intervalo, nosso técnico disse para nós voltarmos e jogarmos nosso jogo”.

Simples, direto, e imensamente revelador. No primeiro tempo, a Holanda não jogou seu jogo. Morreu de medo do Brasil, cometeu uma série inaudita de faltas, enfim, foi a anti-Holanda, um futebol historicamente técnico e ofensivo. No segundo, a Holanda voltou a ser a Holanda, botou a bola no chão e deu no que deu.

Justamente ao contrário do Brasil, que nega sua própria identidade, em favor de um jogo mais defensivamente e burocrático. E que assume, no fundo, o medo que os outros têm de nós, há décadas. Acorda, Brasil!

Notas relacionadas:

  1. NILMAR, TRÊS VEZES NILMAR
  2. FINAL FELIZ
  3. A VEZ DO MALANDRO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , ,

sexta-feira, 21 de maio de 2010 Campeonato Brasileiro, Libertadores, Treinadores | 00:30

INTER, LÁ; FLA, FORA

Compartilhe: Twitter

 

Foi uma conquista heroica. Em dois minutos, ainda no primeiro tempo o Estudiantes fez o placar que o levaria para as semifinais da Libertadores: 2 a 0 – o primeiro gol num lançamento magistral de Verón.

Mas, o Estudiantes se resume em Verón, e o Inter se distribui em vários outros jogadores de nível, embora o time, como conjunto, não tenha chegado até agora a atingir o estádio que lhe é possível.

De qualquer forma, tinha o domínio da bola e dos espaços. E só precisava de um maldito golzinho para seguir avante no torneio. E o gol veio já aos 40 minutos do segundo tempo, com Giuliano, que entrara no lugar de D’Alessandro, invadindo a área argentina pela direita.

O técnico Fossati, por certo, será incensado por ter feito essa substituição e também por ter trocado um de seus três zagueiros pelo atacante Walter, o que, a meu ver, deu-se tarde. Mas, olhe o amigo para o lado oposto: eis o técnico Sabella tirando um meio-campista por um terceiro zagueiro para preservar o placar de 2 a 0.

No fundo, no fundo, é tudo uma troca protocolar, dentro dos padrões vigentes, em que o resultado, enfim, acaba sendo apenas circunstancial. Mas, o fato é que, bola rolando, o Inter mereceu mais do que o Estudiantes essa vaga para a próxima fase da Libertadores.

Ah, Fla…

Assim como o Flamengo mereceu vencer o Universidad de Chile, lá em Santiago, por 2 a 1, gols de Love, na sequência de bicicleta de Adriano, e de Adriano, em jogada iniciada por Petkovic, que deveria ter jogado desde o início.

Mas, tomou um golaço do argentino Montillo, e dançou. Dançou porque foi pífio no jogo de ida, no Maracanã. Agora, só lhe resta encarar pra valer o bicampeonato brasileiro, possível, sim, mas ainda mais difícil.

A dança dos técnicos

Parraga, das divisões de base, ex-integrante daquela Ponte Petra histórica dos anos 70, assumiu o Palmeiras, interinamente. E se declarou fã do futebol jogado com técnica e habilidade. Mas, não quis adiantar o time que entrará em campo neste fim de semana, pelo Brasileirão, contra o Grêmio, no Palestra. Logo o Grêmio, que apesar da desclassificação na reta final da Copa do Brasil, vem de magnífica campanha, com um time afiado?

É a chance de se consagrar. Mas, como, se Robert, o único que fazia gols nesse Verdão, foi demitido, por causa daquele quiproquó com o também dispensado técnico Zago? Robert junta-se, pois a Wagner Love e Diego Souza, postos pra correr pela torcida verde. A bola da vez quem será? Cleiton Xavier? Quem sabe Marcão? Aí não restará no Verdão um pingo de técnica e habilidade em que se basear o jogo de Parraga.

Gaúcho não resistiu à horrorosa exibição do Vasco contra o Palmeiras e cedeu seu posto interino para o titular Celso Roth, que chegou a São Januário comandando aos gritos a assustada boleirada. Às vezes, funciona; outras, não. Mas Roth é do ramo.

Por falar em técnicos, a cujo lugar certo Dorival Júnior alojou depois da vitória sobre o Grêmio (“Dá-se demais importância ao treinador no Brasil”), a França já anunciou seu comandante para depois da Copa: Blanc, extraordinário zagueiro dos bleus campeões do mundo e europeus nos finais dos anos 90. Na Copa de 98, na França, tive um breve papo com Blanc, que me causou excelente impressão. Cara articulado, que pensa o futebol dentro do melhor figurino do jogo. Acho que vai dar samba. Ops! Aquele puladinho ao som da concertina que eles lá cultivam na Provença.

Notas relacionadas:

  1. INTER E TUTTI QUANTI
  2. ATÉ AGORA, SÓ O INTER
  3. TODOS FORA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

sexta-feira, 30 de abril de 2010 Copa do Brasil, Futebol internacional, Libertadores, Treinadores | 00:21

BRILHANTE GRÊMIO

Compartilhe: Twitter

Esse Grêmio do técnico Silas está conseguindo conjugar aos seus pés o traço heroico tradicional do clube e uma técnica refinada, pouco usual na história gloriosa do Tricolor gaúcho.

E foi assim que o Grêmio, em pleno Maracanã, arrancou uma vitória brilhante diante do Fluminense, na estreia de Muricy nas Laranjeiras com um gol de Jonas e dois de Douglas. Mesmo com um jogador a menos ao longo de todo o segundo tempo, com a expulsão de Rodrigo.

Aliás, Douglas é bem o emblema desse time: um desses canhotos hábeis, de toques, passes, dribles e lançamentos sofisticados, tidos como vadios sem alma, que, na verdade, se desdobram em campo e definem uma partida.

Aquele terceiro gol, em que ele recebeu à entrada da área, limpou dois e tocou no canto, selando a vitória gaúcha, diz tudo.

Vitória amarga

Enquanto não houver um fato novo, essa relação entre torcida e time no Palestra Itália só tende a piorar a situação do Palmeiras quando joga em casa. E o fato novo seria a conquista de um título, feito quase impossível se o time não conseguir jogar tranquilo em casa.

O Verdão venceu o Atlético Goianiense, no Palestra, por 1 a 0, gol de pênalti cobrado por Cleiton Xavier, que voltou à equipe nesta noite de quarta. Mas, restou mais amargor no ar do que alegria.

Péssimo isso.

Três vezes Thiago

O Cruzeiro praticamente definiu sua passagem para aproxima fase da Libertadores, ao bater o Nacional de Montevidéu, no Mineirão, por 3 a 1, três gols de Thiago Ribeiro, esse artilheiro que se alinha com aquela estirpe dos que sabem fazer gol mas sabem também jogar bola.

E bastou um primeiro tempo lancinante da Raposa para definir o placar, maculado pelo gol uruguaio já no segundo tempo.

Pelo que demonstrou nesta noite de quinta-feira, o Cruzeiro vai tomando corpo na hora H.

Venha, Leo

E o Duce da Lombardia, Silvio Berlusconi, chamou Leonardo de teimoso e garantiu a demissão do técnico do Milan em público. Mais uma demonstração da fidalguia e refinamento que marcam a carreira desse cartola-politico italiano. O Flamengo, e a Comissão de Organização da Copa de 2014 esperam nosso Leo de braços abertos.

Notas relacionadas:

  1. VERDÃO NAS ALTURAS
  2. LIBERTADORES, COPA BR E OBINA
  3. CRISE NA LIBERTADORES
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , ,

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010 Campeonatos Estaduais, Clubes brasileiros, Treinadores | 22:50

NO TÚNEL DO TEMPO

Compartilhe: Twitter

Era como se tivesse mergulhado no túnel do tempo e emergido na Vila dos anos 60, para assistir a mais uma noite de gala daqueles meninos de então. E lá estavam Dorval, Coutinho, Lima, Pepe, Zito, Pelé, sim senhor, incorporados por inteiro ou em parte em Robinho, Neymar, Ganso, Wesley, André e cia. bela.

A bola rolava em alta velocidade, tocada com malícia e ciência de pé em pé, quando não sob as pernas dos adversários,  e os gols iam se suceddendo: dois de Robinho, dois de André, um de Wesley (que bola está jogando esse garoto!), vá somando, seis? Isso mesmo: 6 a 3 no Bragantino.

E até nisso o espetáculo desta noite de quinta se fundiu aos da memória rediviva, pois aquele Santos não era time que se vexasse de levar três gols de um ataque como o do Bragantino, o melhor do campeonato até então.

Isso era irrelevante, como sempre deveria ser.

Charge do Santos, por Milton Trajano

Charge do Santos, por Milton Trajano

NÃO DEU LIGA

O Palmeiras, depois do desastre da noite de Quarta-Feira de Cinzas, foi rápido no gatilho: demitiu Muricy e contratou Antônio Carlos, ex-zagueiro do São Paulo, do Palmeiras, da Roma, Corinthians, Santos, que, ao pendurar as chuteiras assumia a gerência do Corinthians e, ultimamente, era técnico do São Caetano, justamente o algoz do Verdão.

Na verdade, a contagem regressiva de Muricy no Palmeiras começou no dia em que foi contratado. E isso nada tem a ver com sua competência como treinador de futebol vitorioso: campeão pernambucano, gaúcho, vice-brasileiro pelo inter e tricampeão pelo São Paulo, entre outros títulos, Muricy ostenta um dos mais irretocáveis currículos do futebol brasileiro.

Divertido às vezes, malcriado na maioria das outras, Muricy não é fácil, como ele mesmo diria.

Mas, não foi por nada disso que Muricy foi demitido. Foi porque, além de carregar nos ombros a carga de suas raízes tricolores para o Parque Verde, pegou o time voando nas mãos de Jorginho, então, técnico interino, após a saída de Luxemburgo.

Muricy, então, não resistiu e resolveu imprimir suas digitais num time que estava redondinho . Mudou o sistema para três zagueiros, o time oscilou, tentou voltar, não deu certo, e o Palmeiras declinou da liderança para fora da zona da Libertadores nas últimas rodadas do Brasileirão.

Isso vincou definitivamente uma ruga profunda na testa do palestrino sempre que ouvia o nome de Muricy. A diretoria tentou segurá-lo, na esperança de que, ano novo, vida nova, com o técnico podendo montar o time ao seu gosto. Mas, a torcida expulsou Vágner Love e a empresa parceira recuou nos investimentos, dado ao novo cenário, e Muricy ficou com o que tinha: um bom time, capaz de ser excelente, mas de elenco reduzido.

E até que começou bem, com seus dois zagueiros e Sacconi ajudando Cleiton Xavier na armação e tal e cousa e lousa. Chegou, porém, Edinho, um beque-volante, seu peixinho no Inter, ao mesmo tempo em que Sacconi batia e voltava no Nantes.

Com Edinho, falsamente atuando como volante, mas, de fato, um terceiro zagueiro, levou um passeio do São Caetano no primeiro tempo, que chegou a 3 a 0 mas poderia ter sido mais.

Voltou no segundo tempo com Sacconi, mas, de imediato, tomou o quarto gol. Tudo isso em pleno Palestra Itália. E, embora melhorasse sensivelmente no segundo, com Sacconi, não chegou a evitar a suprema humilhação de levar de 4 a 1 para o São Caetano.

Foi a gota d’água, num copo entornado, boa parte pela incúria da direção e boa parte pela incapacidade de Muricy obter os resultados mínimos para sua sobrevivência no Parque.

Resumindo: como diria o próprio Muricy – não deu liga.

Notas relacionadas:

  1. RUBROS DE VERGONHA E INDIGNAÇÃO
  2. E DEU MURICY NO PALESTRA
  3. ESSES MENINOS…
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , , ,

segunda-feira, 27 de julho de 2009 Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros, Treinadores | 15:34

O MILAGRE DE OBINA

Compartilhe: Twitter

Que milagre é esse, meu? Eis a questão recorrente: o cara que não fazia um golzinho sequer, nem de pênalti, havia quase um ano no Flamengo, de repente, desembarca de graça no Palestra Itália e desanda a marcar, coroando esse renascimento do artilheiro com três gols contra o arquirrival Corinthians.

Claro que estou falando de Obina. Mas, não há milagre algum, a não ser aquele quase imperceptível que ocorre todo dia com cada um de nós, em qualquer ofício.

No futebol, então, casos como esse são escrachados, evidentes, comuns e repetidos ao longo da história.

Há a estirpe dos artilheiros-craques, aqueles seres especiais que sabem jogar bola num alto nível técnico, donos de habilidades incomuns, que somam a isso tudo a vocação rara de enfiar as bolas nas redes com mais rpecisão do que os demais. Pelé, Zico, Careca, Romário, Ronaldo Fenômeno etc. E há os goleadores que só foram ungidos com o dom de fazer gols, de técnica e habilidade reduzidas.

Ambos estão sujeitos às marés de sorte e azar, períodos de fausto e de estiagem, que se alternam ao longo de suas carreiras. Quando a lua não lhes é propícia, suprem a ausência de gols com passes medidos, dribles inesperados, jogadas deslumbrantes, essas coisas, que, aos olhos da multidão, acabam compensando a ausência de gols.

Já os goleadores da linhagem de Obina, ou fazem gols o tempo todo, ou caem em depressão, pois não contribuem para o time e para o espetáculo com nada mais do que aquele toque final à redes. E, à medida em que perdem gols feitos, perdem também a auto-confiança, num ciclo vicioso que parece interminável.

Então, vem o coro das arquibancadas, amplificado pela mídia: Grosso!

E aí o cara desce aos infernos.

É muito comum o artilheiro desprezado por este clube renascer naquele outro.

Flávio, o Minuano, e Mirandinha foram execrados pela Fiel nos anos 60 e 70, para renascerem no Fluminense, no Inter e no São Paulo, com direito a vagas na Seleção. Citei dois exemplos antigos, mas poderia acrescentar casos de hoje, como Washington, que ficou aí umas rodadas a seco e já pediam a cabeça do rapaz. De repente, voltou a marcar.

Essa é a vida do artilheiro, de ontem, de hoje, de sempre.

A AUSÊNCIA DE RONALDO

Por falar em artilheiros, veja só o caso de Souza, no Corinthians.

Souza é, tecnicamente, irmão gêmeo de Obina. Fez gols por onde passou, desde o Vasco até o Flamengo, mas também passou longos períodos de estio.

Chegou ao Corinthians para segurar as pontas de um Ronaldo em recuperação, uma incógnita à época. previa-se, então, que ambos se alternariam no comando do ataque corintiano, reservando-se Ronaldo para os grandes momentos.

Mas, Ronaldo surpreendeu e Souza jamais conseguiu justificar sua contratação.

Agora, com Ronaldo baixando enfermaria porcinco semanas, seria a chance de Souza se afirmar. Mas, quem confia? Pior: se entrar no time agora, ficará inapto para ser transacionado com qualquer outro clube da Série A do Brasileirão.

O diabo é que, no atual elenco corintiano, não há nenhum substituto à vista.

Tanto pode entrar e resolver a questão, quanto afundar-se definitivamente, levando consigo um time que vinha tão bem, antes de começar a perder alguns de seus principais jogadores.

É uma faca de dois legumes, como diria o saudoso presidente corintiano, Vicente Matheus.

FLA À DERIVA

Fragmentado lá em cima, pelas desavenças políticas, o Flamengo sai à cata de um treinador para substituir Cuca, demitido outro dia.

Assim de nome feito e técnico de longo curso, caiu na praça Leão, depois de se desaver com a diretoria do Sport. Mas, sobretudo, pelos maus resultados que baixaram o Leão à zona do descenso. Mas, Leão é tão complicado… E o Flamengo, ainda mais.

Na verdade, ao que se saiba, o Fla iniciou conversações com Mancini, defenestrado há pouco pelo Santos, mas mantém um olho em Sérgio Guedes, dois emergentes de competência comprovada, mas estilos diferentes.

De qualquer forma, Andrade, o sucessor de Carlinhos como eterno interino, vai ficando. Quem sabe, não fique o tempo necessário para que o Fla ponha a cabeça no lugar?

Notas relacionadas:

  1. O VAIVÉM DA MUDANÇA DE ANO
  2. LIBERTADORES, COPA BR E OBINA
  3. TRÊS VEZES OBINA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , ,

quinta-feira, 23 de julho de 2009 Treinadores | 19:25

CUCA E OUTROS MAIS

Compartilhe: Twitter

Por Milton Trajano
Veja mais charges de Milton Trajano aqui

Antes do jogo, o cartola colocou Cuca em cima do telhado; depois do jogo, a vaia da torcida o derrubou de vez. Era só uma questão de tempo, todos sabiam, inclusive o ex-treinador do Flamengo para que o vendaval de paixões o varresse da Gávea.

Ainda outro dia, no Arena, Cuca foi franco ao responder-me que, sim, os técnicos de futebol neste país vivem na corda bamba e por isso mesmo, por via das dúvidas, preferem jogar fechadinhos, o que enfeia o espetáculo e contraria visceralmente nossa forma de jogar bola.

Isso dissemina por todos os clubes, torcidas, mídia, cartolas, o diabo a quatro, uma irritação crônica, coletiva, que, a qualquer resultado considerado negativo, a bomba explode no colo do treinador, aquele que é mais fácil de ser removido.

Pelas minhas contas, sempre imprecisas mas próximas do real, já foram detonados treze (ô numerozinho cabalístico!) técnicos em treze rodadas do Brasileirão. Pelas estatísticas, um a cada rodada.

E têm mais na fita. Um deles, que atende pelo apelido de Tite, apesar de todas as juras dos cartolas do Inter.

Notas relacionadas:

  1. O FLAMENGO, CAIO E PARREIRA
  2. A GRANDE VITÓRIA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: ,

quarta-feira, 22 de julho de 2009 Campeonato Brasileiro, Treinadores | 15:36

E DEU MURICY NO PALESTRA

Compartilhe: Twitter

Quando se pensava que esse assunto já estava encerrado, eis que Muricy assina com o Palmeiras e já assume na segunda-feira. É a chance do tetra brasileiro, feito absolutamente inédito até aqui na história do nosso futebol, mesmo porque Muricy pega um Palmeiras em posição privilegiada na tabela, bem armado por Luxa e Jorginho, com todas as condições, pois, de brigar pelo título.

Dependendo dos resultados da rodada que se inicia hoje à noite, pode receber das mãos de Jorginho um Verdão líder isolado do Brasileirão.

Mesmo porque, mais do que os resultados obtidos até aqui, o Palmeiras tem revelado um futebol leve, envolvente e agressivo, agradável de se ver. Dizem que em razão da afinidade do elenco com o técnico interino. Aliás, não faltaram declarações dos jogadores nesse sentido nos últimos dias.

Mas, Muricy tem talento e personalidade para manter vivo esse vínculo com seus comandados.

Basta tocar o barco com leme firme, sem grandes desvios, que pode chegar lá.

MAIS UM NA JANELA

Outro corintiano que está com um pé sobre o batente da janela escancarada para o mundo é Douglas, um desses raros meias canhotos de toque refinado, tão pródigos no passado e tão escassos no presente futebol brasileiro.

Douglas, por isso mesmo, tem sido um ícone do Corinthians de Mano de tantas conquistas recentes. Representa a aposta de um técnico que ousou ir na contramão do estabelecido no futebol brasileiro destes tempos sombrios, arejando seu esquema e iluminando seu meio-de-campo com jogadores que jogam bola, antes de tudo o mais, sem perder a consistência defensiva. Ao contrário, o Corinthians, mesmo jogando com uma formação muito mais ofensiva do que os demais, é dono de uma defesa forte, nada vulnerável, como preconizariam os pragmáticos de plantão.

Joga e não deixa jogar, o lema mais verdadeiro de tantos que o futebol cultiva há mais de século.

Notas relacionadas:

  1. HABEMUS TIME?
  2. RUBROS DE VERGONHA E INDIGNAÇÃO
  3. A GRANDE VITÓRIA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , ,

quarta-feira, 15 de julho de 2009 Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros, Treinadores | 16:31

DANÇA DO DIABO 2

Compartilhe: Twitter

A propósito dessa dança de treinadores, inclusive os de méritos indiscutíveis e fama nacional, vale lembrar a confirmação, ao vivo e em cores, de Cuca, outro dia, no Arena Sportv do Cléber Machado, sob o comando de Maurício Noriega, de uma questão por mim levantada: sim, os técnicos brasileiros, diante da sombra da demissão, que é mais ou menos constante, apelam para a retranca, a fim de evitar a derrota fatal.

Ora, como só há um líder, um eventual campeão, no transcorrer da competição nacional, e dez, doze candidatos potenciais, sem falar no grupo que só está lá para evitar o rebaixamento, a imensa maioria dos técnicos estará sempre acuado pela perspectiva de demissão antes do cumprimento do prazo de contrato.

Quando digo que são dez, doze candidatos ao título, é preciso ter uma visão paroquial da questão. De norte a sul deste país, em cada estado, temos de dois a quatro clubes grandes, que assim se consideram pela força de suas respectivas torcidas e por suas tradições regionais, e cujas torcidas e cartolagem exigem a conquista do título, o que se restringe, na prática, a, no máximo, meia dúzia de clubes, sobretudo representantes das zonas, economicamente, mais poderosas: São Paulo, Minas, Rio e Rio Grande do Sul.

Não é por desprezo aos nordestinos, aos catarinas, aos paranaenses, goianos etc., que, a imprensa do tal eixo (antes, era apenas Rio-São Paulo; hoje é Sudeste e Minas) que se debruça mais sobre os clubes desses centros do que os demais. É porque esses clubes estão na vanguarda, em geral.

Quando o Sport cumpria aquela bela campanha, era chamado de Leão Encantado, a Ilha do Retiro de Ilha da Fantasia, e o rubro-negro pernambucano ganhou espaços generosos na imprensa do chamado eixo. É a lei do mercado, a que todos estamos atados – uns mais, outro menos.

Isto posto, voltamos à vaca fria: nesse cenário de tamanha instabilidade para o treinador de futebol em geral, no Brasil, não há lugar para os tais projetos de longo prazo tão decantados por clubes e profissionais do ramo. A não ser projetos com prazo de validez de um ano, no máximo. O resto é conversa mole pra boi dormir.

Se não há projeto, não há estratégia definida. E, se não há estratégia, é aquele vai-da-valsa conhecido. Sai um treinador mais teórico, entra um disciplinador, que, por sua vez, mais à frente, cede seu lugar a uma celebridade, que acaba entregando o cargo a um emergente, e assim la nave va, de norte a sul, mais ou menos à deriva.

Resultado: todos eles, diante de tal instabilidade, tratam de salvar a própria pele. E quem paga o pato é o espetáculo, o jogo jogado nas regras da arte. É retranca pra cá, retranca pra lá, o que acaba deformando até o nível de exigência dos novos torcedores que se vão formando nesse padrão de baixo repertório.

Estes se limitam a exigir vitórias, títulos, o que é impossível para 99 por cento dos times em disputa.

Assim, os técnicos, na sua imensa maioria, sequer podem colocar em prática suas ideias, se é que eles as cultivam.

Peguemos dois exemplos extremos, dos dois mais badalados treinadores brasileiros, um, dono de currículo irrepreensível como técnico de campo; outro, simplesmente, tricampeão brasileiro, um feito inusitado: Luxa e Muricy.

Luxemburgo está aí na praça há vinte anos acumulando títulos, batendo recordes, em vários clubes, mas sob a mesma concepção de um futebol ofensivo, envolvente e tal e cousa e lousa e maripousa. Aliás, por onde andou, sempre repetiu o mesmo discurso nesse sentido. Contudo, ao se ver apertado no Palmeiras, apelou para o sistema com três zagueiros, que ele próprio execrava publicamente.

Muricy, embora desde o Inter apelasse para o mesmo sistema, sempre proclamou seu gosto particular por filé mignon, mas justificava o feijão-com-arroz temperado do São Paulo pela ausência na praça de meias, o que lhe permitiria mudar o esquema, uma meia-verdade, diga-se. E olhe que Muricy teve uma sobrevida no São Paulo fora do comum no futebol brasileiro: três anos e meio. Mas, isso só foi possível pela conquista dos três campeonatos brasileiros seguidos. Quando o time vacilou, caiu.

Resumindo: se não mudarmos essa mentalidade (nisso, incluo mídia, cartoalgem e torcida), nenhum treinador sairá de trás das muralhas. E quem paga o mico é o futebol brasileiro.

PS: O post Dança do Diabo bombou, com mais de duzentos comentários dos internautas, muitos dos quais ofensivos e idiotas, revelando preconceitos e ignorância inauditos, o que é comum neste país de semi-alfabetizados. A esses, me permitam dar o desprezo. Aos que, porém, mantiveram o nível mínimo de civilidade, mas que entenderam a crônica como uma expressão de patriotismo, quero lembrar que rechaço isso logo de cara no texto. O Cruzeiro é Brasil não porque leve a carteira de identidade verde-amarela. É Brasil porque representa a escola brasileria de jogar bola, aquela que conseguiu, ao longo da história, conjugar arte e competividade no mesmo nível. Só isso. Nem de longe suponho que os torcedores dos demais clubes vão torcer pelo Cruzeiro nessa decisão com o Estudiantes. Nem pretendo que isso ocorra. Afinal, a escolha é livre. Tampouco torço para que o Cruzeiro vença por causa do Cruzeiro. E, sim, pelo que ele representa – a verdadeira escola brasileira de jogar bola, a mais completa que o mundo conheceu e reverenciou. Não há nada de patriotismo, ufanismo ou qualquer ismos desses, como deixo claro no texto. Mas, que fazer, se as pessoas só lêem o que querem?

Notas relacionadas:

  1. A TEORIA DA CONSPIRAÇÃO
  2. MISTURANDO AS ESTAÇÕES
  3. CRUZEIRO, NOSSO GUIA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , ,

  1. Primeira
  2. 1
  3. 2
  4. Última