Foi um jogo de rasgar o coração. O Flamengo vencia o Olímpia em pleno Engenhão por 3 a 0 até os 31 minutos do segundo tempo. Placar exagerado, é verdade, diante do andamento da partida. Afinal, o Olímpia fora, durante todo o primeiro tempo, mais organizado e incisivo, quando Paulo Vítor salvou milagrosamente cabeceio certeiro de Orteman.
Mas, num raro contragolpe rubro-negro, Vagner Love dribla dois paraguaios e serve de bandeja Bottinelli, que, de colher, bota a bichinha na rede.
E, no segundo tempo, o Flamengo, mais aliviado, voltou melhor e disparou no placar que sugeria goleada até, com o gol de pênalti em Love cobrado com perfeição por Ronaldinho, que, logo adiante, enfiaria bola mágica para o menino Luís Antônio fazer os 3 a 0 fatídicos.
Fatídicos porque parece terem extraído da alma rubro-negra o desejo de ir em frente, ao tempo em que despertaram nos índios a gana de salvar ao menos a honra. E, aí, deu-se a tragédia: dos 31 aos 43 minutos da etapa final, Zeballos, Caballero e Marin produziram o impossível – 3 a 3. E, por pouco, os paraguaios não chegaram ao gol da vitória numa cabeçada que Paulo Vítor espalmou pra escanteio.
Gol da vitória, que, na sequência, esteve nos pés de Bottinelli, só, diante da meta adversária – por cima.
Só espero que toda a perplexidade estampada no rosto dos jogadores e do técnico rubro-negros não se transforme em caça às bruxas dos tantos meninos que compuseram o time nesse momento singular da vida do Flamengo.
Afinal, eles cumpriram seu dever, com louvor. Que tratem de achar outro bode expiatório.
NA FALTA DE NEYMAR, GANSO
O Peixe levou um tempinho para se ajeitar naquele campinho de gramado esquisito. E, nesse ínterim, o Juan Aurich abriu a contagem, em bela virada de Tejada na área santista.
Mas, logo Ganso entrou no jogo e o Santos passou a tomar conta do pedaço, até que um levantamento de Juan da esquerda passou por Borges mas não por Fucille, que, de canhota, guardou como um autêntico centroavante.
A virada veio em falta cobrada com mestria por Ganso, no ângulo, e a pá de cal, com Borges, ufa!, tão carente de seus golzinhos, artilheiro no estio que vinha sendo sua situação nos últimos jogos.
Como? E Neymar? Bem, não foi nem sombra do que costuma ser, talvez incomodado com o gramado sintético, talvez porque não conseguisse dar sequência a uma jogada sem ser atirado ao chão, talvez simplesmente porque não estivesse inspirado. Mesmo assim meteu uma bola na trave.
Mas, o jovem Ganso, seu velho parceiro, cuidou para que o Santos não sentisse a quase ausência de Neymar, ao fazer um e dar a assistência para o de Borges, entre otras cositas más. Amigo é pra essas coisas, né?
FLU CEM POR CENTO
Nesta noite de quarta da Libertadores, só o Fluminense saiu de campo com a vitória. Vitória esquelética, é verdade – 1 a 0 sobre o modesto Zamora da Venezuela. E, diga-se, gol de beque, um tiro de fora da área certeiro de Anderson quando a agonia começava a tomar conta dos tricolores.
Não que o Flu fosse ameaçado pra valer pelo adversário, que se plantou todo na defesa e ficou ali esperando o tempo passar entre as pernas cada vez mais tensas dos brasileiros. Apenas não conseguia criar as chances necessárias para folgar no placar.
Bem, de qualquer forma, venceu e agora acalenta este pequeno recorde: o Flu é o único cem por cento dentre todos desta fase de grupos. Não é nada, mas, diante da dureza geral, sempre vale como estímulo.
TIMÃO NAS ALTURAS
Até que a altitude mexicana não inibiu a velocidade e o empenho do Corinthians nesse 0 a 0 com o Cruz Azul. Na verdade, o Corinthians jogou à vontade e bem praticamente toda a partida. Criou várias chances desperdiçadas ou conjuradas pelo goleiro, e só foi declinar no finzinho, quando esteve a pique de sofrer o gol da derrota, em bola salva sobre a risca por Chicão.
Destaques: Edenílson, uma improvisação que pinta como grande solução para a lateral-direita do Corinthians, Alex e Paulinho, apesar de ter perdido duas oportunidades claras para marcar.
VASCÃO, QUASE…
Quase que o Vasco volta de Assunção com uma vitória sobre o Libertad, em jogo de seis pontos no seu grupo. Começou bem melhor do que o adversário, e fez seu gol em cobrança de falta de Fagner para o cabeceio fatal de Diego Souza.
Diego Souza! Pois, o rapaz cumpria sua melhor partida na temporada, quando perdeu a cabeça, foi expulso, o que criou um perereco em campo, cujo resultado foi o desequilíbrio do Vasco a partir daí. Tamanho, que o empate acabou sendo inevitável.
NOITE FABULOSA
Isso mesmo: o São Paulo, que não havia evitado a segunda partida com o Independente do Pará, na semana passada, pela Copa do Brasil, desta vez, extrapolou – goleou o mesmo adversário por 4 a 0, quatro gols de Luís Fabuloso. E olhe que poderia ter sido o dobro, dadas tantas outras oportunidades perdidas.
Mas, se Luís Fabiano levou todos os louros da partida, vale menção especial à bela exibição de Casemiro, marcando e armando com alta categoria, sobretudo nos lançamentos inesperados e precisos, atributo raro a todos esses volantes mais cotados por aí.
VERDÃO E GLORIOSO
A exemplo do que aconteceu com o São Paulo na sua estreia na Copa do Brasil, Palmeiras e Botafogo não conseguiram evitar o jogo da volta.
O Verdão,, em Maceió, não foi além de um esquálido 1 a 0, gol de Barcos, claro, contra o Coruripe. Gol que sugeriu de cara uma goleada e tal e cousa e lousa e maripousa, para coroar a excelente campanha do Palmeiras nesta temporada.
Que nada. O Palmeiras deu a sensação de sofrer de progressivo esvaziamento interior como se já tivesse cumprido sua missão antes de concluí-la.
Já o Botafogo,foi pior ainda, ao empatar por 1 a 1 com o Treze da Paraíba. Empate sofrido no finalzinho. De qualquer forma, teria de fazer o jogo da volta mesmo.
O fato é o futebol anda de tal forma nivelado que nenhum desses resultados pode mais ser catalogado como zebra.
OS 52 DE MANO
Aprendi nesta longa caminhada a não desdenhar do craque. Você espia, e ele está ali, mortinho da silva, com direito a missa de sétimo dia e às frases lapidares de sempre. De repente, o bicho desperta e sai gramado afora desenhando pequenas obras primas do futebol.
Por isso, vou com cautela quando se trata de Ronaldinho Gaúcho, a grande surpresa da lista dos 52 pré-olímpicos anunciada por Mano Menezes nesta quarta. É verdade que, no íntimo, já mandei o garçom virtual pendurar minha esperança no cabide ali em frente, ao lado da conta do Filósofo da Vila. Mas, vai que…
Vai que Mano realmente leve Ronaldinho, e o craque jogue o está jogando faz tempo no Flamengo – isto é: praticamente nada. Irá no lugar de quem? Qual destes meninos com talento e pernas para chegar inteiros à Copa de 2014, seria prejudicado: Ganso? Oscar? Lucas do São Paulo? P. Coutinho, que está abafando no Espanyol? Dudu, ex-Cruzeiro, que esmerilhou no Mundial Sub-20? Bernard, do Galo, essa grata revelação? Douglas Costa?
Bem, não adianta especular agora a respeito. Esperemos a convocação pra valer, antes de qualquer coisa.
Mesmo porque não creio que Mano perpetrará esse equívoco, a não ser que, nessa época, a fera tenha despertado e sua chamada seja na verdade uma convocação de todos.
Assim, deixemos a esperança em Ronaldinho pendurada naquele cabide ali em frente, e partamos para o garimpo dos que realmente podem e devem ir a Londres.
Dentre os veteranos, acima de 23 anos de idade, é certo que teremos os dois zagueiros internos – David Luís (ou Dedé) e Thiago Silva. O terceiro está pendente no coração do técnico. De resto, justo como boca de bode, como dizia o poeta do sertão, lá vão os goleiros Rafael e Neto; os laterais Danilo (se recuperado em tempo de grave lesão), Alex Sandro; Rômulo, Fernando, Ganso, Lucas e Leandro Damião.
Pode o amigo acrescentar aí, com pequena margem de erro, por minha conta: Galhardo, Rafael, Marquinhos, Juan, Sandro, Oscar, Casemiro, Dudu, Pato e André ou Wellington Nem.
Estou falando sobre o que desconfio será feito por Mano, fruto de longas conversas anteriores.
Agora, pra meu gosto, o terceiro jogador acima dos 23 anos seria o goleiro Diego Alves, do Valencia, que entraria como titular de cara. Na linha de defesa: Danilo ou Rafael, Dedé, Thiago Silva e Alex Sandro; Casemiro, Fernando, Oscar e Ganso; Neymar e Leandro Damião.
Reservas: Rafael ou Neto; Galhardo, Romário, Juan e Gabriel Silva; Rômulo, Sandro, Lucas e Doouglas Costa ou P. Coutinho; Pato e André ou Wellington Nem.
Aproveite, amigo, e faça a sua.