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segunda-feira, 23 de abril de 2012 Sem categoria | 16:30

A REALIDADE DE FELIPÃO

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O Palmeiras, a exemplo do que ocorreu no ano passado, começou bem para, de súbito, mergulhar de tal maneira a ponto de ficar fora até mesmo das semifinais do Paulistão.

E já há quem torça na Academia para que Mano Menezes caia e Felipão seja convocado pela CBF em seu lugar, única forma viável de o Verdão se livrar do caríssimo treinador que segue sendo um ícone no clube, apesar dos insucessos recentes.

A propósito, não consigo entender a lógica dessa insistência com o nome de Felipão para a Seleção Brasileira, a não ser como evocação da Copa de 2002, vencida pelo Brasil por ele comandado, embora estivesse a pique de viver o histórico vexame da primeira desclassificação da nossa seleção em todas as Copas do Mundo já disputadas, na fase das Eliminatórias.

Nem de longe quero diminuir a competência de Felipão como treinador de futebol. Ao contrário: desejo apenas colocá-la na sua real dimensão – nem cabeça-de-bagre, nem o luminar ungido pela natureza pairando acima dos demais.

Bom treinador, sabe montar uma equipe e tem carisma suficiente para manter o grupo unido, além de ser muito experiente no ramo. Nunca foi, porém, um profundo estudioso das coisas do futebol, tampouco estrategista de renome.

Fez trabalhos excepcionais no Grêmio e no Palmeiras, anos atrás, mas falhou com a Seleção Portuguesa e o Chelsea, seus maiores desafios depois da Seleção Brasileira.

Digo que falhou tendo como ponto de partida o conceito do futebol-resultado, do qual Felipão sempre foi ferrenho defensor.

Ou perder a Eurocopa com a segunda maior geração de craques da história de Portugal, em casa, para a Grécia, não deve ser considerado como uma falha clamorosa, no dizer de mestre Carsughi?

No Chelsea, segundo Felipão, foi vítima de um boicote dos mandarins da equipe, Terry, Lampard e cia. Não duvido. Mas, isso implica em incapacidade de saber dominar ou persuadir esse grupo, principal atributo de Felipão, diga-se.

Agora, no Palmeiras, há já dois anos não consegue fazer o time decolar.

Sim, o elenco é limitado tecnicamente. O que apenas recoloca Felipão no verdadeiro plano de sua dimensão como técnico de futebol: excelente profissional, sujeito honestíssimo, mas nada excepcional. Pelo menos, não o suficiente para ser tratado como o Pai da Pátria, aquele redentor de que tanto carece nosso futebol.

DESTINO RUBRO-NEGRO

Leio entrevista do vice de futebol do Flamengo, Paulo César Coutinho, anunciando a permanência de Joel, por medida de economia, em meio a uma lista de dispensas e de possíveis contratações.

Paulo César Coutinho é o Cascão, que conheci menino ainda rodopiando em torno de seu ilustre e saudoso pai, Cláudio Coutinho, técnico daquele Flamengo inesquecível de Zico, Adílio, Carpegiani e cia. bela, e da Seleção Brasileira na Copa de 78, o cara mais inteligente que conheci no universo da bola nestes tantos anos de ofício.

Não vi o menino espevitado desde então; portanto, não sei em que homem se transformou. Só sei que o atual Flamengo, como, aliás, de há muito, vem sendo tocado por águas turvas, em rumos tão incertos que acabou aportando em cais solitário – aquele destinado ao único grande do Brasil que não tem nenhum horizonte à frente, até o início do Brasileirão.

Quer dizer: apesar da milionária folha de pagamentos, nenhuma receita à vista.

Tempo suficiente para o Flamengo, pelo menos, repensar seu destino.

E isso implica em decidir o que fazer com Ronaldinho Gaúcho, a estrela que não luziu nem no campo, nem fora dele, atraindo novos e milionários investimentos no clube, como se supunha no instante de sua ensandecida contratação.

CAMPINAS REDIVIVA

As vitórias do Guarani sobre o Palmeiras e da Ponte sobre o Corinthians, na rodada das quartas de final do Paulistão, me remeteram aos anos 70, quando Campinas era chamada de A Capital do Futebol Paulista.

Um tempo em que os dois grandes de Campinas exibiam verdadeiros timaços, revelando craques como Oscar, Polozi, Amaral, Zenon, Careca, Dicá, Manfrini, Renato e tantos outros.

À época, a Ponte bateu na trave do Corinthians, pela disputa do título paulista, embora fosse muito mais time do que aquele de Basílio, o Pé de Anjo. E o Guarani rompeu a barreira dos chamados grandes do Brasil, ao empalmar o Brasileirão (Campeonato Nacional) de 78 com um futebol eficiente e deslumbrante, sob o comando sereno de Zé Carlos, ex-Cruzeiro e Seleção Brasileira, o volante perfeito.

O que levou Guarani e Ponte ao declínio posterior, ambos chegando ao fundo do poço de onde reemergem agora, é matéria para vários livros.

Agora, o que importa é que um dos dois chegará à disputa do título paulista, embora nenhum deles seja time comparável aos daqueles tempos.

Mas, de qualquer forma, é um Derbi Campineiro de fazer história.

O QUE MUDOU?

Estou aqui fuçando meus alfarrábios quando deparo com estas duas pequenas joias de sabedoria eterna:

1 – “Posso dizer que o futebol brasileiro viveu três épocas: a primeira, muitos anos atrás,, quando o centromédio jogava plantado no meio do campo; a segunda, de 1942 a 1947, que reputo a melhor, quando se utilizou o WM; e a terceira, quando veio essa preocupação defensiva que prejudicou o espetáculo”. (Celestino, ex-zagueiro do Palmeiras e do Fluminense).

2 – Sílvio Neto, ex-jogador do Flu e ex-diretor da federação carioca apresentou proposta de transformação dos clubes de futebol em sociedades anônimas. Seu argumento: “o futebol brasileiro saiu do amadorismo para o profissionalismo, trazendo a paixão do amadorismo”.

Essas notas foram extraídas do II Volume de O Caminho da Bola, de Rubens Ribeiro, e datam do ano de 1957. Poderiam ser mais atuais?

E uma coisa está intimamente ligada à outra. Os técnicos optam por esquemas cada vez mais defensivos em razão da precariedade de seus empregos, fruto da inconstância dos cartolas amadores, movidos a paixões imediatistas, embora muitos, hoje em dia, recebam polpudos salários, como se profissionais fossem.

Nada muda, a não serem as aparências. Aliás, nem estas, se o amigo quer saber.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

sábado, 21 de abril de 2012 Campeonatos Estaduais, Clubes brasileiros, Sem categoria | 18:06

SÁBADO DE GOLEADAS

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São Paulo e Botafogo ganharam seus respectivos jogos decisivos marcando quatro gols cada, enquanto o Grêmio foi à final do Gauchão batendo o Universidade apenas por 1 a 0.

Mas, a verdade é que o Tricolor gaúcho merecia, por baixo, ter alcançado o mesmo placar de seus pares paulista e carioca, pois perdeu um caminhão de chances em jogo que esteve sempre sob seu domínio.

Assim como também é verdade que os 4 a 1 do São Paulo sobre o Bragantino, pelas quartas de final do Paulistão não refletem a superioridade do Tricolor paulista, que, além de oportunidades desperdiçadas, meteu duas bolas nas traves adversárias e ainda perdeu um pênalti, com Luís Fabiano, autor de dois gols de sua equipe, diga-se.

Aliás, fato similar ao que aconteceu com Loco Abreu, que fez três na vitória por 4 a 2 diante do Bangu e desperdiçou um pênalti também, o sexto dos últimos sete cobrados pelo artilheiro uruguaio.

De qualquer forma, tanto o Loco quanto o Fabuloso, saíram de campo sob aplausos da torcida. Mesmo porque o goleador tricolor completou nesse jogo onze tentos marcados em onze partidas disputadas nesta temporada.

Mas, aqui quero bater palmas para os treinadores das duas equipes – Leão e Osvaldo Oliveira, que, em jogos tão delicados, não frearam suas equipes, colocando em campo formações claramente ofensivas.

E os frutos foram colhidos nas redes inimigas – um balaio de gols.

DOMINGO DE FAVORITOS

O domingo será um festival de decisões e clássicos, em que apenas dois são absolutamente imprevisíveis: Vasco x Flamengo, pelas semifinais da Taça Rio, e Atletiba, que pode praticamente definir o campeonato paranaense, caso o Coxa vença.

São dois jogos que não permitem a indicação de um favorito, seja pela equivalência de força técnica, seja pela tradição dos clubes em questão.

A vantagem que o Vasco leva sobre o Flamengo é certa tranquilidade advinda do fato de estar firme na Libertadores, sempre um respaldo na eventualidade de nem chegar à disputa direta pelo título carioca.

O Flamengo, ao contrário: justamente por ter caído fora na fase de grupos do torneio continental e ter perdido a Taça Guanabara para o Fluminense, periga encerrar o semestre sem nenhuma conquista e com baixa expectativa para o Brasileirão, apesar de seu elenco milionário, onde os garotos é que se destacam, ao lado de Vagner Love.

Tudo isso envelopado por uma daquelas crises sem fim, às vésperas das eleições no clube e outros bichos.

Sucede que esses clubes de massa, justamente nessas circunstâncias, é que costumam dar a volta por cima. Portanto…

Já o Coritiba, que lidera o segundo turno do paranaense, a exemplo do que fizera no primeiro, se vencer o eterno rival, praticamente selará a disputa estadual. Por isso, é de se esperar um Atlético ensandecido atrás da vitória, mesmo sendo o jogo no Couto Pereira. Vai sair faísca.

Outro clássico, redivivo como tal nos dois últimos anos, pode entrar nessa lista.

Falo, claro, de América MG e Cruzeiro, que vem embalado pela virada sobre o Chapecoense na Copa do Brasil. Sei não, mas acho que a maré está mais pra azul do que pra verde, embora as praias de Minas estejam lá do outro lado da fronteira com o Espírito Santo.

Na outra perna, o Galo está de crista alta. Sucede que o Tupi também vem tinindo. E o jogo é em Juiz de Fora. Mesmo assim, deve dar carijó.

Quanto à rodada mortal das semifinais paulistas, apenas Guarani x Palmeiras sugere uma quebra de escrita dos grandes.

O Guarani vem em franca recuperação, depois das recentes humilhações, joga no Brinco de Ouro da Princesa e pega um Palmeiras abalado pelos últimos maus resultados, em que até o sempre badalado Felipão está na boca das tradicionais cornetas do Parque.

Trata-se, porém, de mera sugestão, nada mais do que isso.

Corinthians e Santos, porém, vão além das probabilidades, diante de Ponte e Mogi, respectivamente. Têm time e camisa, além de atravessarem excelente fase. Mas, jogo é jogo.

O mesmo vale para Inter e Veranópolis, pelas semifinais do Gauchão: a bola gira, gira e acaba sempre caindo no vermelho.

ENFIM, REAL

O cenário e o roteiro desse clássico planetário foram os mesmos dos últimos, sei lá, dez jogos entre Barcelona e Real Madrid: os catalães pressionando o jogo todo  e os madridistas se defendendo. Só o desfecho foi diferente: 2 a 1 para o Real, que, até então, havia vencido apenas um desses confrontos históricos.

O gol de Khedira logo aos 17  do primeiro tempo foi determinante para que o Real pudesse resistir lá atrás com mais ciência e calma do que o fez das vezes anteriores.
A isso, soma-se a fase de baixa de dois jogadores essenciais do Barça – o cerebral Xavi  e o imprevisível Messi – que, mais uma vez, não renderam o que sabem, seja pela precisa marcação dos merengues (em especial, Khedira e Xabi Alonso), seja porque estejam esgotados, seja porque simplesmente tiveram uma queda normal de rendimento, depois de tantas exibições portentosas de ambos.

Mesmo assim, Xavi teve uma oportunidade de ouro para empatar ainda no primeiro tempo, em passe de Messi, assim como Tello desperdiçou outras duas já no segundo tempo, quando Sanchez fez o seu.

O Barça, porém, não teve nem tempo de comemorar, pois Cristiano Ronaldo, até então apagado na partida, foi lá e decretou a vitória merengue.

A vitória de um ataque arrasador, que nesse mesmo clássico vibrante, alcançou a marca de maior artilharia dos campeonatos espanhóis em todos os tempos, com 109 gols. Um feito que Madri celebra em dobro esta noite de muita sangria e puchero.

Notas relacionadas:

  1. GAÚCHOS, DE GALOPE
  2. LIBERTADORES, GOLEADAS E…
  3. VERDÃO E O SÁBADO DE GOLEADAS
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , ,

quarta-feira, 18 de abril de 2012 Sem categoria | 18:42

SALVOS PELO GONGO

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A maré não estava pro Peixe, muito menos azul como o uniforme em homenagem aos cem anos de vida do clube, quando Alan Kardec materializou-se de repente na área para tocar de cabeça às redes de The Strongest. Logo em seguida, claro, Neymar não perderia a segunda grande chance do jogo a seus pés: tabelou com Borges e marcou seu décimo segundo gol em Lbertadores, o que o coloca ao lado de Coutinho e abaixo apenas de Robinho e Pelé, na lista dos maiores artilheiros do Santos em Libertadores. Não por acaso, meu ataque do Santos de todos os tempos por mim vistos: Robinho, Coutinho, Pelé e Neymar.

Isso tudo já pra lá dos 40 minutos do segundo tempo, pois, até então, apesar daquela bola na trave de Borges, no início da partida, e de duas oportunidades desperdiçadas por Neymar e Kardec, o Santos foi o anti-Santos. Criou pouco, e deixou-se enredar pela retranca dos bolivianos, que era determinada, mas nada excepcional.

Com a vitória, o Peixe não só safou a honra na Vila, num jogo decepcionante para o nível de sua equipe, como ainda içou à tona da competição o Inter, que mergulhava no brejo virtual daquele gramado de araque de Juan Aurich, ao perder para o time peruano por 1 a 0.

Meno male para ambos os brasileiros. Isso, se a noite desta quinta-feira servir de exemplo a não ser seguido por ambos na fase de mata-mata, que, como o nome indica, não perdoa.

NOITE BRASILEIRA

Foi uma noite brasileira na Libertadores.

O Flu, ao vencer o Arsenal, em Sarandi por 2 a 1 no último suspiro do jogo, terminou a fase de grupo como primeirão absoluto do torneio, o que lhe confere o direito de jogar sempre a segunda em casa, daqui pra frente.

E o Corinthians, finalmente, tirou a barriga da miséria: 6 a 0 no Deportivo Tachira da Venezuela, num Pacaembu enfeitado pelos sorrisos daquele bando de loucos.

Mas, se o jogo do Corinthians correu lépido e fagueiro, como dizia o poeta dos antigamentes, o do Fluminense, meu Deus!, arrastou-se monotonamente pelas beiradas da frustração.

Afinal, o Arsenal, se já é fraquinho completo, imagine com seu time reserva. Pois foi diante dos reservas do Arsenal que o Fluminense se complicou, sobretudo depois de ter aberto o placar com Carlinhos recebendo bola açucarada de Sóbis na cara do gol, ainda na etapa inicial.

A partir daí, o Tricolor enredou-se nas próprias pernas e acabou levando o empate de Aguirre, em saída falsa de Diego Cavallieri, aos 36 do segundo tempo, o que oferecia a liderança de todos os grupos ao Boca Juniors.

E, para aumentar a agonia, aos 40 minutos, pênalti do goleiro Campestrini em Rafael Moura. Expulso o goleiro, depois de o Arsenal já ter feito as três trocas permitidas, o atacante Torres foi para a meta, e, creia!, defendeu o pênalti mal cobrado por Thiago Neves.

Nessas condições, não restava outra alternativa: chama o He-Man! E o He-Man vestiu a capa de herói e mergulhou na pequena área para colher de cabeça o cruzamento da direita de Lanzini, salvando a pátria tricolor.

Já o Timão não precisou apelar para nenhum herói em especial, embora Emerson tenha se desdobrado em campo e merecesse o título de melhor em campo. Assim como Paulinho.

Mas, a comoção, na verdade, elegeu outro craque – Liedson, o goleador que não consegue empurrar a bichinha às redes inimigas nem a pau. Por isso, quando o Timão já vencia fácil por 3 a 0, aos 24 minutos do segundo tempo, pênalti, que a turma toda pediu para ser cobrado por Liedson. Eis que, o artilheiro bate mal e o goleiro rebate para Liedson, ufa!, chutar às redes e receber o abraço do time todo, parceiros em sua angústia.

Esse acabou sendo o lance mais importante do massacre corintiano sobre o Tachira no segundo tempo. Pois, encerra em si e revela a todos o alto grau de camaradagem desse time que caminha na ponta de dois torneios – no seu grupo da Libertadores e no Paulistão. E isso, numa temporada como esta, vale mais do que mil gols.

INTER E PEIXE NA FITA

Inter e Santos não só buscam a confirmação da passagem para a próxima fase da Libertadores, como devem aproveitar os jogos com Juan Aurich e Strongest para afiar seus times com vistas aos jogos domésticos do fim de semana.

É verdade que o Inter, ainda sem Oscar, talvez até definitivamente pelo andar da carruagem da justiça trabalhista, mas com sua esperta dupla de gringos, o DD – D’Ale e Dátolo -, joga lá, depois de cansativa viagem e naquele gramado de araque.

Sem dúvida, tarefa mais difícil do que a do Santos, na Vila, contra o frágil The Strongest. E, neste caso, nem cabe a advertência de hábito: cuidado com o salto alto, Peixe!

Pois, esse fetiche não seduz a alma de um Muricy que comando um Neymar, um Arouca, essa turma toda, que gosta de jogar por jogar – a exibição é mera consequência.

DEUSES COM TPM

Os deuses, por certo, estavam de TPM nesta quarta-feira, em Londres. E antes que me refutem dizendo que os deuses não têm TPM por uma questão elementar de gênero, já vou adiantando: os deuses são transformistas, meu caro, viram bicho, viram homem, viram mulher, viram pedra, água ou vento, o que eles quiserem, quando quiserem, e não temos nada com isso.

Hoje, eles estavam de TPM, ponto final.

Pois, reveja essa injusta vitória do Chelsea sobre o Barça, por 1 a 0, no jogo de ida das semifinais da Liga dos Campeões.

Do apito inicial ao final, só houve um time em campo – o Barça -, que controlou a bola e os espaços o tempo todo, criou, por baixo, cinco chances claras para marcar, e só pecou ao errar as finalizações, ou quando o goleiraço Peter Cech, vestindo as asas que os deuses lhe presentearam antes da partida, impedisse a bichinha de morrer em suas redes.

Numa única investida do Chelsea ao ataque, com Ramirez servindo Drogba, saiu o gol solitário da partida, aos 46 minutos do primeiro tempo. E, se Peter Cech ganhou asas divinas, de Messi retiraram-lhe a inspiração, para celebrarem, com o néctar do sarcasmo, os tais deuses, que adoram, de vez em quando, rebaixar os heróis à condição de simples mortais.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

terça-feira, 17 de abril de 2012 Sem categoria | 15:04

PELA LIDERANÇA ABSOLUTA

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Fluminense e Corinthians, já classificados, entram em campo nesta quarta-feira em busca da liderança absoluta desta fase de grupos da Libertadores.

O Flu, pela contagem de pontos, está mais perto disso. Contudo, terá de enfrentar o Arsenal Sarandi na casa do adversário – um incômodo, mas não um drama, pois o Arsenal não é nenhum Boca, nenhum River, capaz de lotar o estádio com uma torcida delirante.

O problema maior do Flu é outro: a recorrente ausência de Fred, novamente vítima de lesão muscular. Aliás, esse tem sido o entrave do Tricolor. Quando não é Fred, é Deco, baixando enfermaria, justamente os dois craques mais experientes da equipe.

Deco passou a recorrer a um fisicultor próprio, o que desagradou o clube. Mas parece estar dando certo, pois o meia, que já teve excelente participação na goleada sobre o Olaria, pelo Cariocão, estará em campo em Sarandi.

Se jogar o que é capaz, o Flu chega lá.

Quanto ao Timão, por jogar no Pacaembu e diante de um dos mais frágeis competidores da Libertadores, o Deportivo Tachira, contará com a volta de Alex – pelo menos, no banco – e seu único e crônico problema é enfiar aquela bola na meta inimiga mais vezes do que vem ocorrendo.

E o curioso – já disse e repito – é que basta dar uma espiada na escalação do Timão para ver que entra em campo sempre com uma formação mais ofensiva do que defensiva, com um volante que ataca muito (Paulinho), um meia-armador (Danilo), habituado a fazer gols, e três atacantes de ofício – Emerson, Liedson e Jorge Henrique.

Então, por que não rompe essa barreira de, no máximo, dois gols por partida? Sei lá, meu! Mistérios do futebol.

PAULISTÃO

Saiu a tabela das quartas de final do Paulistão neste fim de semana, com apenas um jogo no sábado e três no domingo. Que diabo de divisão é essa?

A lógica mais elementar sugere que fossem dois no sábado, às quatro da tarde e às seis e meia, e dois no domingo, nos mesmos horários. Por exemplo: Guarani e Palmeiras, à tarde, e São Paulo x Bragantino, ao crepúsculo, no sábado, e a mesma escala no domingo para Corinthians x Ponte e Santos x Mogi.

Assim, o telespectador poderia assistir, se o quisesse, todos os jogos, numa boa, sem ter que se dividir, no domingo entre os de dois favoritos ao título.

E por que exclui o Palmeiras dessa? Claro, por razões técnicas, embora numa rodada dessas de um jogo só e eliminatório, tudo possa acontecer.

Mas, aqui, vale uma ressalva: dos quatro grandes em ação neste fim de semana, o Palmeiras é, juntamente com o São Paulo, beneficiado por ter a semana toda livre para se afiar, já que Corinthians e Santos jogam na quarta e na quinta pela Libertadores.

Não é nada, não é nada, mas pode muito bem virar algo decisivo no caso. Digamos, por exemplo, que essa folga lhe permita recuperar Valdívia, cuja ausência nas últimas partidas explica também a queda de rendimento da equipe. Isso já fará diferença, ainda que o principal nessa história toda continue sendo o clima insalubre que cobre a Academia sempre que o time tropeça em campo.

Assim, o mais provável é que os quatro grandes acabem mesmo passando para as semifinais. Aí, seja lá o que Deus quiser.

E DEU BAYERN

O Bayern, depois de uma recuperação esplêndida tanto no campeonato alemão quanto na Liga, caiu diante do Dortmund, praticamente entregando ao rival o título nacional, ao emendar o empate por 0 a 0 em casa com o Mainz.

Bastou, porém, ter pela frente o grande Real, no seu estádio lotado e frenético, que a velha flama germânica despertou.

Não, não foi uma exibição de gala do Bayern, muito menos do Real. Foi, isso, sim, um jogo renhido, com muitas faltas, algumas merecedoras de cartão vermelho na hora, como, por exemplo, a de Marcelo em Muller, no finalzinho da partida.

Mas, tecnicamente, esteve bem abaixo do que os dois times podem oferecer de hábito. Basta dizer que nem Cristiano Ronaldo, nem Robben brilharam.

Quem se desdobrou em campo, no primeiro tempo, foi Ribéry, premiado com o gol de abertura pegando uma sobra de escanteio na área merengue, aos 16 minutos de jogo.

O empate veio com Ozil, em bola que zanzou pela área alemã meio perdida, logo aos 8 do segundo tempo E o gol da vitória, já no último minuto regulamentar da partida, com o Super Mário, que desperdiçara antes duas chances de ouro, em cruzamento da direita de Lahm.

Isso, como resultado direto do erro de Mourinho somado ao acerto de Jupe Heinz.

O erro foi a entrada de Marcelo no lugar de Ozil, para fechar ainda mais aquele lado esquerdo da defesa espanhola, justamente de onde partiu o cruzamento fatal de Lahm. Com essa decisão, Mourinho tirou do Real qualquer possibilidade de armação pelo meio e recuou demais o time que se despedaçou no final.

O acerto, a entrada de Muller no posto de Schweinsteiger, ainda em fase de recuperação de grave lesão, o que deu mais mobilidade ao time todo.

Resta ver o que acontecerá em Madri, pois esse assunto ainda está longe de se encerrar.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

segunda-feira, 16 de abril de 2012 Sem categoria | 14:49

CEM ANOS DO SANTOS – 2

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Onde foi mesmo que parei? Ah, sim, na primeira vez que a gente nunca esquece, o empate por 0 a 0 com o Juventus, na rua Javari, numa tarde primaveril de sábado, no Ano Santo de 50, marcado de verde pelas Cinco Coroas conquistadas pelo Palmeiras.

Aliás, o Juventus merece capítulo especial na história do Peixe, pois foi na mesma Javari que Pelé emplacou aquele gol mítico de tantos chapéus, logo no começo de sua fenomenal carreira. E acrescentaria outro, já na era Pelé, o 0 a 0 mais emocionante que pude assistir até hoje: uma infinidade de chances perdidas pelo Santos, bolas nas traves e outros bichos. Mas, desse não me recordo a data exata.

Agora, porém, me permita o amigo falar do Santos que precedeu a Era Pelé, o bicampeão paulista de 55/56, um timaço que vencia e dava espetáculo a cada jogo.

Esse time, na verdade, começou a ser cevado bem antes da chegada do técnico Lula, sob os comandos de Aymoré Moreira e de Mestre Brandão, num período em que o Santos mantinha com o futebol carioca, sobretudo o Fluminense, uma relação íntima de trocas constantes.

Entre 51 e 55, então, a Vila foi palco de nobre desfile de craques que marcaram época no futebol carioca, como o goleiro Veludo, reserva de Castilho no Flu e na Copa de 54, Hélvio (que já lá estava), Lafaiete, Orlando Pingo de Ouro, Carlyle, Otávio (ex-Botafogo), Tite, Cilas, Urubatão (ex-Madureira) e tantos outros que me escapam da memória.

Foi, porém, das praias de Santos, dos juvenis da Vila, do Jabuca e da Briosa que vieram as jovens promessas logo transformadas em craques consagrados, como Del Vecchio, Pagão, Pepe, Feijó, Álvaro, Wilson Capão, já veterano do Vasco, reserva de Juvenal na Copa de 50, e cia. bela.

Que linha média!

Ramiro foi um caso à parte. Veio como meia-direita do Fluminense, mas, a exemplo de seu irmão Álvaro, era filho do Guarujá. E veio para se transformar no segundo maior lateral-direito da história do Santos, abaixo apenas de Carlos Alberto Torres, o capitão do Tri.

Ramiro, Formiga e Zito. Que linha média, meu amigo! Para se ter uma ideia, Ramiro era o único a barrar os dribles mágicos de Canhoteiro, na bola. Marcava e saía jogando com elegância e eficiência, tais que três anos depois já era ídolo do Atlético de Madri, na época rival feroz de Real e Barça, ao lado de seu irmão Álvaro Valente, que tanto podia atuar como volante, meia-armador, meia ponta-de-lança ou centroavante com a mesma desenvoltura e classe inconfundível.

Formiga, que veio de Minas, numa Seleção Brasileira de 55 chegou a ser comparado a Danilo Alvim, o Príncipe, pela mídia carioca, geralmente tão ácida com os paulistas como vice-versa. Aliás, o Santos foi quem quebrou essa escrita, já nos tempos de Pelé, quando passou a ser o segundo time de todos os cariocas. E, por isso mesmo, disputou a final do Mundial de Clubes diante do Milan num Maracanã lotado, com mais de cem mil rubro-negros, tricolores e alvinegros torcendo vivamente por aquela camisa branca sem fronteiras.

Aliás, em 64, creio, cobri, pela revista O Cruzeiro, uma espécie de Rede Globo da época, em pleno Maracanã jogo decisivo pela Libertadores do Santos contra o Peñarol. Na verdade, aquele Santos tinha mais torcida no Rio do que na Baixada ou em São Paulo.

Basta dizer que, na véspera da conquista do título paulista de 55, a Gazeta Esportiva, o principal jornal esportivo paulista, dava, na sua capa, o Corinthians de manchete e destaques para São Paulo e Palmeiras, deixando o Santos num canto baixo da página.

Mas, voltando à linha média santista de então, ficou faltando falar de Zito, revelado pelo Taubaté, que chegou à Vila como meia-direita, armador, para se transformar no volante-ícone do Santos por mais de década, bicampeão interclubes e pela Seleção de 58/62, capitão do time e dono da bola que fazia disparar lá detrás, colada a seus pés, em alta velocidade para ser distribuída lá na frente com exatidão e ciência.

E o ataque, então?

Atrás dessa linha média histórica, o trio final, como se denominava o último setor de qualquer equipe: Manga; Hélvio e Ivan. E, na frente, sai de baixo – Tite, de drible fácil nas duas extremidades do ataque e violão afinado, o argentino Negri, Álvaro, Vasconcelos e Pepe. De quebra, Del Vecchio, um atacante rompedor e artilheiro, que logo seria negociado com o futebol italiano, e o fino Pagão, ídolo eterno do genial Chico Buarque de Holanda.

E, como cereja no bolo, em 56, veio do Palmeiras, já veteraníssimo, Jair Rosa Pinto, o Coice de Mula, predecessor de Gérson nos lançamentos longos, nos passes inesperados e nas cobranças de falta de fazer tremer goleiros e balizas.

Era de se ver. E olhe que estou falando de um time que precedeu Pelé por dois anos. Mas, disso, falarei amanhã. E sempre.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

domingo, 15 de abril de 2012 Sem categoria | 20:58

GANSO E NEYMAR, RESUMO DA HISTÓRIA

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A bola rolou maneira para vários times por esse Brasil afora, neste domingo.

Dentre eles, o Cruzeiro, que conseguiu virada emocionante num dia em que o Galo não cantou. Assim como o Grêmio, que parece ter reassumido a pose nas mãos de Luxa ao se classificar para as semifinais da Taça Farroupilha goleando seu adversário.

E os quatro grandes do Rio, pois se o Flu não conseguiu passar para as semifinais do segundo turno do Cariocão, já está na final, que, ao cabo, é o que vale mesmo, pelo menos se despediu desta fase em alto estilo.

Acrescente o amigo aí o Corinthians, que encerrou a fase de classificação do Paulistão em primeirão, passando o São Paulo na rodada final. São Paulo que perdeu para o Linense, mas cuja derrota não foi mais humilhante do que o empate do Palmeiras com o rebaixado Comercial, pois jogou a maior parte do tempo com um ou até dois jogadores a mais.

Mas, que me perdoem todos eles, pois coube ao Santos de Ganso e Neymar dar o tom deste domingo. Não só pela goleada por 5 a 0 sobre a Catanduvense, que, afinal, não é páreo tão nobre.

É que parece coisa do destino reservar o espetáculo oferecido pelo Santos para este domingo ainda em celebração aos cem anos de vida do Peixe.

Espetáculo que teve como protagonistas esses dois magistrais meninos da Vila – Ganso e Neymar.

Neymar fez um e deu dois para Borges, e Ganso marcou os outros dois. E que gols! Aquele primeiro, em que recolhe a bola à entrada da área, e mete no ângulo, por cima do goleiro, em toque tão sutil na bola que parece não a estar chutando, mas, sim, extraindo-lhe a gravidade, o suficiente para cumprir uma parábola até às redes, é coisa de artista, se ao engenho somar-se a elegância dos gestos.

Esse foi o maior presente que se poderia ofertar no dia do centenário do time da Vila. Na verdade, ao contrário: um presente que o Santos nos tem oferecido ao longo de sua história gloriosa.

E, se o amigo não conhece essa história em detalhes, basta fixar-se nesses dois meninos – Ganso e Neymar -, que simbolizam o passado, o presente e o futuro do Peixe, resumidos em duas palavrinhas mágicas: classe e inventividade.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

sábado, 14 de abril de 2012 Sem categoria | 07:34

OS CEM ANOS DO SANTOS – 1

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O Santos celebra hoje cem anos de vida. Mas, nas minhas contas são na verdade 62.  Sim, porque foi em 1950 que o Santos nasceu diante dos meus olhos de menino encantado pelo jogo da bola.

Naquela época, não se falava muito no Santos, embora ele tivesse sido o vice-campeão paulista do ano anterior. Era só o Trio de Ferro, com São Paulo e Palmeiras dividindo os títulos paulistas da década anterior, enquanto o Corinthians amargava na fila desde 1941.

A verdade é que nem fomos à rua Javari naquela tarde primaveril de sábado pra ver o Peixe. Fomos em bando ver o Juventus, segundo time de todo moleque de rua do Brás, Belém, Mooca e toda aquela vizinhança da Zona Leste. Mais precisamente, queríamos ver as duas estrelas nascentes do Moleque Travesso: Carbone e Julinho, dois rapazes ali do pedaço, a Zona Leste da cidade. Além, claro, de nos deliciarmos com os últimos acordes do Toscanini do Futebol, o centromédio OG Moreira, de bola refinada e estilo inconfundível já em fim de carreira.

Rodolfo Carbone era um meia ágil e insinuante, que no ano seguinte seria o artilheiro do campeonato formando no ataque dos Cem Gols (103, na ponta do lápis), com Cláudio, Luisinho, Baltazar e Mário, que tirou o Corinthians da sua primeira longa estiagem de títulos.

Julinho, o Júlio Botelho, filho da Penha, era um ponta-direita inusitadamente alto para a posição quase sempre ocupada por baixinhos hábeis e rápidos, veloz, cheio de dribles inesperados em plena carreira, cruzamentos exatos, chute forte e cabeceio fatal. O mesmo Julinho que, no ano seguinte, formaria um ataque arrasador na Lusa, com Renato, Nininho, Pinga e Simão, e que se transformaria no maior ponta-direita da história do nosso futebol (Garrincha é outro departamento).

Mas, confesso, o que me fascinou de cara foi aquele uniforme de um branco imaculado, que parecia vestir os jogadores do Santos de uma elegância ímpar. Seus gestos ganhavam uma leveza quase diáfana, como se o time todo flutuasse sobre o gramado verde.

Aos poucos, fui distinguindo este daquele. E o primeiro a me chamar a atenção foi o beque central, Hélvio, um moreno espigado, de bigodinho fino como mandava o figurino da época, magro, de movimentos leves, mas duro na disputa de bola com os adversários. Hélvio Piteira, como ficaria conhecido, graças ao locutor da Rádio Record Geraldo José de Almeida, que aliou no apelido o talhe do craque ao desenho daquele objeto fino e comprido ao qual se inseria o cigarro, nos tempos que antecederam o filtro.

E que dizer daquele baixinho, de cintura arredondada, que carregava o número 8 às costas? Bem, aquele era simplesmente Antoninho Fernandes, o maestro do time, o organizador de todas as jogadas de ataque. Maestro e arregimentador da orquestra, pois regia a turma não só com ciência, mas, sobretudo, com proficiência, indo e vindo, distribuindo partituras de pé em pé, suando a camisa, enfim.

Tudo isso para que a bola chegasse na medida certa para o artilheiro do time, o Camisa Dez, um marronzinho expedito (não confundir com o Expedito, lateral-esquerdo que jogava no Santos nessa época) e incisivo, o Odair Titica.

A propósito, Odair, que anos depois fracassaria no Palmeiras, foi o primeiro Camisa 10 de destaque da Vila. É bom lembrar que as camisas, no futebol brasileira, só haviam recebido numeração dois anos antes – em 1948 -, por exigência da Fifa com vistas à Copa do Mundo de 50, no Brasil.

E, por que Odair levava o 10 às costas? Por causa do sistema criado por Flávio Costa, denominado Diagonal, um disfarce à brasileira do já tradicional WM, em que, dependendo do time, o 8 era o meia-armador e o 10, o meia ponta-de-lança, o meia-ofensivo.

E quem herdou a Camisa 10 de Odair na Vila foi Walter Marciano, vindo do Ypiranga e indo para o Vasco, que a legou a Vasconcelos, artilheiro voraz do Santos que, cinco anos mais tarde, quebraria a hegemonia do Trio de Ferro, com o bi paulista de 55/56, anunciando o advento da Era Pelé.

Mas, esta é outra história que ficará pra amanhã.

PS: Ah, sim, o jogo da Javari terminou em 0 a 0, e recorro aos préstimos de Rubens Ribeiro, em seu O Caminho da Bola, para dar as escalações de Juventus e Santos daquela tarde de 30 de setembro de 1950, que a memória já não é a mesma, meu.

Juventus: Caxambu; Pascoal e Antunes; Chicão, Og Moreira e Osvaldo; Julinho, Carbone, Osvaldinho, Periquito e Luís.

Santos: Leonídio; Hélvio e Dinho; Nenê, Pascoal e Ivan; 109, Antoninho, Nicácio, Odair e Pinhegas.


D’ALE, ABRACADABRA!

O primeiro tempo foi um longo bocejo no Beira-Rio, provocado por aquele pega-pega tedioso que aparenta ser fruto de grande devoção dos times em campo, mas, que na verdade é resultado da ausência de um jogador capaz de dar graça e sentido à bola.

Tanto isso é mais verdade que bastou o técnico Dorival Jr. sacar o volante Elton e colocar em seu lugar o meia D’Alessandro, um desses raros cultores da bola refinada, que o Inter virou bicho e deixou o Cerâmica em cacos, no segundo tempo.

Em dez minutos, o Colorado criou cinco chances claras de gol, conjuradas pelo goleiro César, sobretudo na combinação entre os gringos D’Alessandro e Dátolo, mais Kleber, ali pela esquerda. E, na sexta, gol de Gilberto, em cruzamento de Kleber que Damião tocou de cabeça para o companheiro empurrar sobre a risca.

E, quando o Inter começava a se acomodar ao placar apertado, foi a vez de Jajá entrar e definir a questão, com um passe exato para Damião marcar o segundo, aos 40. E, antes do apito final, coube a D’Alessandro deixar sua marca, em pênalti sofrido por Damião.

Assim, o Inter salta para as semifinais da Taça Farroupilha, com todas as chances de conquistá-la, apesar da falta que faz Oscar, outro meia da estirpe de D’Alessandro, refém da falta de juízo dos cartolas e de seus empresários.

LÁ FORA

Real e Barça nem pareciam o Real e o Barça desta temporada. Ambos jogaram mal, mas saíram vitoriosos diante do Gijón e do Levante, 3 a 1 e 2 a 1, respectivamente e de virada.

Talvez, a sombra do grande confronto entre os dois grandes de Espanha tenha anuviado a bola de Real e Barça neste sábado. Ou, então, o temor de alguma lesão às vésperas das partidas decisivas pelas semifinais da Liga dos Campeões, contra Bayern e Chelsea.

O fato é que nem Cristiano Ronaldo, nem Messi, por exemplo, jogaram o que podem. Apesar disso, o português fez um gol e o argentino dois, o que acirrou ainda mais a disputa paralela pela artilharia do campeonato, já num patamar histórico.

O Real, porém, recebeu de Munique sinais de que seu adversário do meio de semana parece ter se abalado com a derrota para o Dortmund na rodada passada, o que o afastou demais da disputa pelo título alemão. Tanto, que não conseguiu ir além de mero 0 a 0, em casa, com o frágil Mainz

Quem, no entanto, arrasou foi o City: 6  a 1 no Norwich, com direito a três de Tevez, um show à parte, dois de Aguero e um de Adam Johnson.

Foi gostoso ver aquele ataque formado por quatro meias, todos hábeis, rápidos e móveis, trocando de posição o tempo todo e tecendo com a bola uma teia que enredou completamente o adversário.

E, quando desacelerou um pouco, Mancini botou Yayá Touré no lugar de Nasri e o City voltou a pegar fogo.

Uma beleza!

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

quarta-feira, 11 de abril de 2012 Sem categoria | 14:56

A LONGA NOITE DE AGONIA

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Foi a mais longa noite de agonia para o torcedor do Flamengo, que viu seu time alcançar por duas vezes o milagre da passagem à fase seguinte da Libertadores, para, no fim de tudo, amargar a queda humilhante logo no início da caminhada no principal torneio da América.

O curioso é que, bola rolando no Engenhão, todas as atenções estavam voltadas para o estádio Defensores del Chaco, em Assunção do Paraguai, onde o verdadeiro drama se desenrolava.

Sim, porque aqui, o Flamengo resolveu a parada logo no primeiro tempo, quando meteu 2 a 0 no Lanús, com Wellinton, de cabeça, em cobrança de corner de Bottinelli, e Deivid, em passe esperto de Ronaldinho, pra selar o placar aos 5 minutos do segundo tempo, num golaço de Luís Antônio, colhendo de primeira jogada sensacional de Ronaldinho pela esquerda.

Mas, lá, era um perereco só. O jogo corria sob o placar de 1 a 1, e tanto Olímpia quanto Emelec acumulavam chances desperdiçadas – numa delas, o Emelec perdeu por duas vezes o gol praticamente sobre a risca, com bola na trave e outros bichos.

Eis, porém, que os equatorianos, já na segunda metade da etapa final, viraram o jogo, para só nos descontos saírem os dois gols, um pra cada lado, que colocou o Emelec nas oitavas de final da Libertadores no lugar do Flamengo. Um espanto!

E, sobretudo, uma punição à desídia do Flamengo, que, na verdade, deu de mão beijada essa classificação ao Emelec, ao recuperar o time equatoriano na última rodada e ter insuflado o Olímpia com aquele empate incrível no Engenhão outro dia.

Resta esperar pra ver o que virá por aí ainda.

NOITE TRANQUILA

Ao contrário do Flamengo, o Vasco teve uma noite tranquila, apesar do alarido da torcida do Nacional, no velho estádio Parque Nacional. Pegou o tradicional adversário uruguaio com um time reserva, meteu 1 a 0, gol de Diego Souza, depois de tabelar com Alecsandro e aproveitando rebote do goleiro, e voltou de Montevidéu classificadíssimo, em segundão de seu grupo.

Não, não foi uma exibição de gala do Vasco. Ao contrário: jogou pro gasto, mais preocupado em evitar riscos maiores do que em sufocar o inimigo. Mesmo porque, sem Felipe ou Juninho Pernambucano naquele meio de campo, a criação estava definitivamente comprometida.

De minha parte, valeu, ao menos, pelo uniforme do Vasco nesta noite – aquele preto, com a faixa diagonal branca e as meias zebradas. Talvez, porque me remetesse ao primeiro Vasco que vi em campo, ainda menino – o Vasco de Tesourinha, Maneca, Ademir, Ipojucã e Chico. Talvez, porque o negro do uniforme número 2 infunda mais temor aos adversários do que o branco, não sei.

Por mim, esse fardamento seria o número 1, isso, sim.

Mas, o que importa é que o vascaíno vai dormir em paz. Não só pela vitória de seu time, mas, sobretudo, por saber que seu vizinho flamenguista está mergulhado em tenebroso pesadelo.

BOA, TIMÃO, MAS O FLU…

Se o Corinthians cumpriu à risca seu papel, ao bater o Nacional paraguaio por 3 a 1 ali do outro lado da fronteira, o Fluminense, meu Deus!, tomou o troco do Boca sem Riquelme, em pleno Engenhão – 2 a 0.

Perder do Boca, lá ou cá, faz parte. Afinal, aquela é uma camisa que merece respeito sempre e em qualquer latitude. O que espanta, porém, foi a maneira como o Tricolor carioca perdeu, presa de tibieza inexplicável para o time que tem, diante de sua animada torcida e sem riscos de cair fora da sequência da Libertadores.

Até pênalti desperdiçou bisonhamente, com Rafael Moura quando ainda restava um fio de reação antes do apito final.

Já o Timão foi aquele de sempre: sereno, firme na marcação, a não ser no lance do belo gol de Peralta, quando sua defesa foi pega de calças curtas, e tomando conta do campo e do espírito do jogo. Com um adendo: acertou o pé nas finalizações, pelo menos, três vezes mais do que o habitual.

Bem, se o Corinthians segue nessa toada, quer chova ou faça sol, o Fluminense precisa espiar fundo na própria alma, enquanto Abel pensa em como resolver o problema daquela zaga de tão prestimosa contribuição para a derrota do seu time.

GOLEADAS DO BRASIL

Dentre tantas goleadas na rodada da Copa do Brasil desta quarta-feira, duas merecem destaque: a do Galo sobre o Penarol, lá no Amazonas, e a do São Paulo diante do Bahia de Feira de Santana. Ambas foram de cinco. A diferença foi que o Tricolor paulista levou dois gols e o Galo voltou com suas penas intactas.

E mais: com direito a três gols de André, um deles, de bicicleta. O mesmo André que brilhou naquele ataque fantástico do Santos do primeiro semestre de 2010, não se deu bem lá fora e agora recupera sua bola fatal no Atlético Mineiro. Aliás, olho nele, que tem idade olímpica e já andou frequentando a Seleção de Mano em seu período de baixa, diga-se.

Quanto ao São Paulo, que pegou um adversário bem mais forte do que o Penarol (o atual campeão baiano), claro, beneficiou-se da expulsão do goleiro adversário, no lance do pênalti sobre Luís Fabiano.

Mas, o fato é que foi melhor o tempo todo e que esse time, do meio de campo pra frente, ainda vai fazer muito barulho por aí, creia.

REAL E BAYERN

Real e Bayern fazem jogo de morte pela Liga dos Campeões na próxima semana. Mas, nesta quarta, foram submetidos a dois testes de abalar os nervos de qualquer um em seus respectivos campeonatos nacionais.

No clássico de Madri, acossado pelo sopro do Barça no seu cangote, o Real sofreu, antes de golear o Atlético por 4 a 1. E fica devendo mais essa ao portuga, pois Cristiano Ronaldo marcou três – um de falta, outro num tiro bestial como gostam de dizer seus patrícios, além daquele de pênalti.

O curioso é que praticamente tudo aconteceu no finzinho da partida, quando o Real ainda poderia ter ampliado esse placar, inclusive com Cristiano Ronaldo.

Assim como foi no finzinho que o Bayern viu o Dortmund disparar de novo na liderança, num tiro da entrada da área que Lewandowski desviou de calcanhar, quando os bávaros mais apertavam os donos da casa.

Pudera! Se até Robben, que vinha sendo ao lado de Ribéry o grande destaque do Bayern, perdeu um pênalti, e mais adiante chutou para as nuvens o empate certo, que esperar além da derrota?

Como? Se esse é um prenúncio do que será o confronto entre Real e Bayern pela Liga? Sei lá. Só sei que não se deve duvidar nunca da recuperação de um time alemão, quaisquer que sejam as circunstâncias.

PALMAS PARA ROMÁRIO! E DAÍ?

Romário, por onde passa, recebe aplausos, como se estivesse marcando aqueles gols inesquecíveis com as palavras candentes sobre a preparação da Copa do Brasil. Isso, porque, obviamente, suas declarações refletem o que o povo pensa a respeito: será uma gigantesca roubalheira com um legado de elefantes brancos que custarão muito caro ao país. Ou melhor: a cada um de nós.

Mas, isso tudo a tribo de cocar verde-amarelo já sabia de cor e salteado desde o instante em que o Brasil se candidatou a sediar a Copa do Mundo de 2014. Não é nenhuma novidade. Esse papo rola nas esquinas, nas padarias, nas oficinas, nos escritórios, nas salas de aula, nos botequins e nas mesas refinadas das hípicas e clubes de elite deste mundão chamado Brasil.

O diabo é que Romário não é apenas um a mais a dizê-lo. É o Romário, ídolo nacional, campeão do mundo e tal e cousa e lousa e maripousa. Mas, sobretudo, deputado federal, eleito por significativa parcela do povo brasileiro.

Então, o que se deveria esperar de Romário, além de seus discursos ácidos, é uma ação firme e eficiente no Congresso, com medidas que visem a, na pior das hipóteses, reduzir o campo de manobra dos que esperam se locupletar com a Copa.

Como? Não sei. O deputado é ele, não eu. Ele é quem tem um staff à sua disposição para bolar medidas adequadas nesse sentido.

Só sei que as ações, na prática, valem mais do que simples palavras de advertência que estão na mente e na boca do povo.

FLA DE PATRÍCIA

A presidente do Flamengo, Patrícia Amorim, ficou de pensar antes de dar uma resposta ao convite da CBF para chefiar a delegação de futebol feminino às Olimpíadas.

Por certo, quer esperar, entre outros eventos futuros, o resultado do jogo desta quinta-feira entre Fla e Lanús, pela Copa Libertadores, para encaminhar um sim ou um não ao presidente Marin.

Afinal, o Rubro-Negro corre sério risco de ser o único brasileiro, dentre tantos, a cair fora do certame logo de cara. Isso, num grupo em que, convenhamos, não há um único bicho-papão entre os adversários.

Mas, que diabo!, vencer o Lanús em casa não seria nenhuma façanha superior para esse Flamengo, que, apesar de toda crise vivida, tem jogadores de alto nível, como o goleiro Felipe, o lateral Léo Moura, Vagner Love e, claro, Ronaldinho Gaúcho, que, mesmo em baixa, pode decidir um jogo com um passe inesperado ou uma cobrança de falta exata.

E, com uma combinação de resultados favoráveis, o Fla bem que pode salvar a honra nesta fase da Libertadores, por que não?

Mas, a questão não se encerraria num eventual festejo da passagem para a próxima fase do torneio. Pois, a crise é mais profunda e recorrente na Gávea.  A crise, na verdade, é de gestão. Simplesmente, Patrícia não conseguiu até hoje dar um rumo certo e seguro ao clube. Ao contrário: só tem metido os pés pelas mãos, e nada sugere que isso mude no futuro mais imediato.

Nesse cenário, pois,, seria imprudente a presidente largar o clube à deriva por um mês. Ainda mais que aí vêm as eleições no Fla e na política carioca, onde Patrícia atua como vereadora.

Seria mesmo? Pois agora lembro uma máxima muito difundida nos anos 60: “Há ausência que preenche melhor a lacuna”. Quem sabe não seja o caso?

O VASCO E JUNINHO

O Vasco, que já passou de fase, disputa com o Nacional, em Montevidéu, apenas a liderança do grupo. Portanto, esse não é o problema em São Januário.

O problema é Juninho Pernambucano, o Reizinho da Colina, ídolo da torcida e um dos dois únicos armadores autênticos do elenco vascaíno – o outro e Felipe, lesionado.

Mais uma vez, embora digam que já esteja plenamente recuperado fisicamente, Juninho não embarca com a delegação. Raios! E por quê? – questionará o torcedor de bigode grande.

Tá na cara. Juninho, ao voltar a São Januário, depois de brilhante carreira no Lyon, aceitou receber um mísero salário mínimo, como paga simbólica dele ao clube que o projetou para a fama e a fortuna.

Ao renovar o contrato, porém, o Vasco preferiu oferecer-lhe 50 mil reais por partida disputada e um acréscimo de 10 mil por gol marcado. Só que o craque já jogou uma pá de vezes sob o novo acordo, marcou meia dúzia de gols, e até agora só recebeu o equivalente a uma única apresentação.

Juninho não é um bandalho divertido como o Velho Vamp, que cunhou a célebre frase sobre o Fla – “Eles fingem que pagam e eu finjo que jogo”. Juninho é um cara sério, gente! Não finge. Ou joga ou não joga.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

terça-feira, 10 de abril de 2012 Sem categoria | 15:22

TIMÃO E FLU, COM TUDO

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Corinthians e Fluminense entram nos campos da Libertadores nesta quarta com tudo a favor. Até o mando de jogo. O Flu porque joga mesmo em casa, e o Corinthians será como se fosse, graças à venda do evento por parte do Nacional, o genérico paraguaio, para um empresário que o atirou nos braços da Fiel.

Sim, porque, jogo transferido para a fronteira com o Brasil, mais de 20 mil corintianos já compraram antecipadamente praticamente todos os ingressos. Aliás, era esse mesmo o objetivo do empresário. Ótimo para ele e para o Timão. Péssimo para o critério técnico, que deveria prevalecer sobre os demais numa competição do porte da Libertadores. Mas, isto é Sud-América, por supuesto.

Afora isso, tanto Flu quanto Corinthians, no momento, têm elencos mais qualificados que os dos seus adversários, lideram por pontos seus respectivos grupos e, cá entre nós, só perdem para eles mesmos, embora o futebol sempre nos reserve surpresas, claro.

O Fluminense, além das voltas de Fred, Deco e do menino Welington Nem, que tem sido um aço no ataque tricolor, recebe mais um valioso reforço – a ausência de Riquelme, o craque e dono do Boca Juniors. É só não rebolar, nem desatinar que o Tricolor fatura mais essa e já salta definitivamente para a fase seguinte do torneio.

Esse conselho, no caso do Corinthians, é desnecessário, pois se há um ponto forte no campeão brasileiro é justamente o empenho e a atenção permanente no vaivém da bola. Neste caso, só precisa mesmo é acertar o pé nas finalizações, a pedrinha nas chuteiras alvinegras nesta temporada, segundo o próprio treinador Tite.

E aqui vale uma breve reflexão. Chute a gol é aquele movimento que mais exige dos músculos e articulações do jogador de futebol. Portanto, o que pode provocar lesões súbitas, ainda nos treinamentos. Logo, neste calendário estúpido do nosso futebol, em que não há pré-temporada decente nem tempo suficiente entre um jogo e outro, o treinamento de chute a gol tem de ser dosado homeopaticamente pelos treinadores.

Resultado: na hora do vamovê, o carinha não está devidamente afiado para a conclusão. Por isso, tantas falhas nesse quesito que se repetem pelos campos brasileiros. Não só no Corinthians, mas, especialmente, no Corinthians.

O WM DE GUARDIOLA

A cada dia que passa fico mais fã desse Guardiola, técnico do Barça, que já admirava como jogador, um volante de alta classe, fronte erguida, marcação firme e passe exato, não esse toquinho de lado convencional, mas o lançamento profundo, arriscado que iria achar o companheiro a meio caminho do gol.

Peguemos como exemplo o Barça que acaba de meter 4 a 0 no Getafe (poderia ter sido de 14 a 0, sem exagero), tascando fogo nos fundilhos do Real que joga amanhã.

Qualquer técnico brasileiro, dos mais ousados aos mais tímidos, na ausência de zagueiros, poderia até improvisar o setor com dois volantes de ofício. Mas, de imediato, colocaria à frente deles um trio de ferrenhos volantes de contenção, no mínimo.

Pois, o catalão, ao contrário: na ausência de zagueiro, coloca mais um atacante.

Na verdade, segundo a postura de seu time em campo, pra que zagueiro-zagueiro, beque por talhe e vocação? Pois se o seu time joga apenas no campo adversário, os zagueiros, na verdade, acabam fazendo as funções de volantes. Ora, nesse caso, então, que sejam logo volantes como Busquets e Mascherano.

E assim vai da valsa, um baile interminável, com a bola circulando ao som de violinos virtuais, de pé em pé, daqui pra lá, de lá pra cá, até surgirem as oportunidades em sucessão inacreditável, sem forçar a barra, sem transpirar uma gota além do absolutamente necessário.

Tão divertido como, aliás, é ver nossos bravos comentaristas, no dia seguinte, tentando decodificar o discurso do cara nas mais intrincadas fórmulas matemáticas, desde que a formação do time, em campo, varia feito imagens de caleidoscópio ou nuvens de político mineiro – ora, é assim; ora, é assado.

Na verdade, quando um sujeito atilado como o Calçade, da Espn, procura definir, por exemplo, com Puyol, Mascherano e Adriano uma linha de três zagueiros, certamente não está falando naqueles três becões resguardados por mais dois ou três volantes que habitualmente são usados em terras tupiniquins, uma perversão do tal 3-5-2 da Dinamáquina de 86.

Refere-se, imagino, ao velho e tradicional WM, base de todos os esquemas que dele se desdobraram nos últimos oitenta e tantos anos desde sua implantação por Herbert Chapman, no Arsenal nos anos20 do século passado.

Em síntese: um zagueiro central ladeado por dois laterais; no meio, dois apoiadores e dois armadores, formando o quadrado mágico; e, na frente, dois pontas e um centroavante.

No caso: Puyol, pela direita, Mascherano, no centro, e Adriano, na esquerda; no meio de campo, Busquets, Xavi, Iniesta e Messi; no ataque, Cuenca, Alex Sanchez e Pedrito.

Os laterais apoiam como todos os laterais sempre o fizeram, uns mais, outros, menos; os dois médios se projetam e os meias unem-se a todo instante aos três atacantes, com os dois pontas invariavelmente abertos, quase sobre a linha lateral do campo.

Nada de novo sob o sol. Apenas a ideia certa aplicada com precisão e talento na hora certa. Ou seja: aquela hora em que o futebol ia perdendo substância e graça.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

domingo, 8 de abril de 2012 Sem categoria | 21:57

SOBERBA E IGNORÂNCIA

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É no mínimo constrangedor ver o diretor de Seleções da CBF, na Mesa Redonda do meu considerado Flávio Prado, na TV Gazeta, dizendo todas aquelas tonterias (em homenagem às origens ibéricas de Andrés Sanchez) sobre o Barcelona. Revela, além de soberba, profunda ignorância sobre o tema, o que é imperdoável para quem tem agora sob sua guarda as joias da coroa do nosso futebol – a Seleção em todos os seus níveis.

É evidente, notório, irrefutável, incontestável, indiscutível, histórico que o Barcelona mantém sua escola de futebol há algumas décadas, uma clara e inconfundível conexão desde as categorias de base até o time titular.

Desde os fraldinhas até os marmanjos estrelados, todos são condicionados a jogar de uma maneira, que valoriza o toque de bola, a marcação avançada sobre o campo adversário, muita deslocação e atenção permanente na recuperação da bola perdida.

Se isso não resultava em conquistas há não sei quantos anos ou se deixará de fazê-lo no futuro, é outro departamento. Não há, no futebol como na vida, nenhuma fórmula infalível para que alguém ou alguma instituição seja vitorioso para sempre.

Isso é tão óbvio que me sinto envergonhado de dizê-lo aqui.

Ao mesmo tempo em que se dobram os temores sobre o futuro da Seleção Brasileira, na certeza de que continuaremos dependendo mesmo apenas do talento individual do jogador brasileiro, o pão de cada dia dessa cartolagem incompetente.

AZAR VERDE

O Verdão está precisando mesmo plantar atrás da orelha um ramo de arruda, como reza a crença popular, que é pra espantar a inhaca. Pois, não é que Wesley, recém-chegado à Academia já baixou enfermaria por longos seis ou oito meses, segundo previsão dos médicos que examinaram seu joelho baleado neste fim de semana?

O baque é ainda maior pelas circunstâncias que cercaram a vinda de Wesley. Não apenas pelo alto preço do investimento assumido pelo Palmeiras, mas, sobretudo, pelo escarcéu que se fez em torno daquela jogada de marketing furada desde a sua concepção.

Sim, porque, embora excelente jogador, Wesley não tem perfil de salvador da pátria, tampouco fama suficiente para imantar a torcida verde, levando-a a tirar do próprio bolso uma fortuna com a sua contratação.

Foi, sem dúvida, o antimarketing mais prenunciado da história, agravado, agora, pelo infortúnio do craque.

Resta agora apenas torcer para que Wesley se recupere plenamente para a próxima temporada, ao menos.

MESSI ETC.

Messi fez mais dois na goleada do Barça sobre o Zaragoza por 4 a 1. E poderia ter marcado o dobro ao desperdiçar duas chances de ouro – numa delas, em cavadinha sobre o goleiro, sua especialidade entre tantas. E, com isso, bateu mais um recorde: é o único jogador a marcar 60 gols na mesma temporada na Europa nos últimos 40 anos. Isso, depois de já ter alcançado a marca de maior artilheiro da história do Barça.

Antes dele, o recorde pertencia a Gerd Muller, do Bayern de Munique, com 67 gols na temporada 72/73, marca que Messi ainda pode alcançar neste ano. Agora, em matéria de técnica e habilidade, não há como cotejar Muller a Messi. Muller, mal comparando, era um Aguero, um Chicharito, um Liedson, muito mais eficaz nas finalizações. Rápido, fino senso de colocação na área e precisão nas conclusões, fosse com os pés, fosse com a cabeça, esse era Muller. Messi, porém, é simplesmente um gênio, com técnica e habilidade muito acima do bem e do mal.

Bastou Thiago Silva baixar enfermaria e o Milan despencou: caiu fora da Liga dos Campeões e acaba de perder a liderança do Campeonato Italiano para a Juventus, ao perder por 2 a 1 da Fiorentina no sábado. Não é à toa que lá na Europa Thiago é chamado de melhor zagueiro do mundo na atualidade.

Na Inglaterra, os Diabos Vermelhos ampliaram a vantagem sobre o City, ao massacrar, tática e tecnicamente, o QPR, embora com placar modesto: 2 a 0. Já o City levou um baile, de cabo a rabo, do Arsenal, em sensacional reabilitação no campeonato, O placar de 1 a 0 não diz o que foi o jogo e as chances claras desperdiçadas pelo Arsenal. O que realmente chamou a atenção foi a sucessão de erros crassos  dos juízes, como o escandaloso impedimento no gol de Ivanovic para o Chelsea e o pênalti em Young, que, além de estar impedido, mal foi tocado por Derry, expulso.

EM MINAS…

Na ponta do lápis, se é que alguém ainda usa esse objeto antidiluviano, o Galo merecia ter saído de campo com a vitória diante do Cruzeiro, no grande clássico nacional do domingo de Páscoa.

Sim, porque o Atlético teve o controle da partida durante três/quartos do tempo, fez 2 a 0 ainda na etapa inicial e desperdiçou chances claras de ampliar esse marcador.

Mas, o Cruzeiro, que também teve oportunidades de ouro, como aquela desperdiçada por Anselmo Ramón diante da meta vazia, soube manter a cabeça fria e, graças ao talento de Montillo, que levou a bola à antecâmara dos dois gols do seu time, chegou ao empate final. O mesmo Anselmo Ramón que seria o herói azul da jornada, ao marcar os dois gols cruzeirenses.

Cabeça fria que faltou a Roger, autor de covarde e criminosa cotovelada nas costas de Danilinho, uma agressão que poderia provocar sérios danos ao companheiro de profissão, atingido no topo da coluna vertebral. E o juiz exibiu-lhe apenas o cartão amarelo…

De qualquer forma, o empate serviu para semear na alma do torcedor mineiro a expectativa de um final eletrizante do campeonato, com Galo e Raposa nos trinques, o que não acontecia há muito tempo.

DOS TRÊS, SÓ O TIMÃO

Isso mesmo: à tarde, o Palmeiras levou de 3  1 do Guarani, para quem perdeu o quarto lugar no torneio de classificação do campeonato; à noite, o Santos, quem diria?, acabou tomando uma virada do Azulão, em São Caetano – 2 a 1, dois vacilos dos santistas: um de Ganso; outro, da dupla Ibson-Henrique.

Só o Corinthians, dos três grandes da Páscoa, achou aquele ovinho de ouro da vitória, numa cabeçada esperta de William, em cruzamento de Fábio Santos.

Assim, enquanto Verdão e Peixe veem suas posições ameaçadas (o que, no fundo, não muda nada), o Corinthians continua lá em cima, à espera de um tropeço tricolor na rodada final para encerrar esta fase como líder do campeonato, o que também não vale nada.

ESTRELA SOLITÁRIA

À saída de campo, depois da vitória do Botafogo por 3 a 1 sobre o Friburguense, Loco Abreu deu um puxão de orelha na própria torcida: “Nós não precisamos confiar no time. Precisamos é que confiem em nós”.

Esse, por certo, foi o pensamento que induziu o técnico Osvaldo Oliveira, em geral avesso a gestos teatrais, a reunir a tropa, dar os braços a dois dos jogadores que com ele puxavam a fila e sair de campo em marcha unida.

Aquele recurso do qual se valia muitas vezes Zagallo, como a clamar para o mundo: “Somos nós contra todos!”.

Às vezes, funciona; às vezes, não funciona.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

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