E O TIMÃO SE MANTEVE LÁ
O Corinthians manteve a liderança, mas a que custo, meu!
O jogo foi muito disputado, naquela base brasileira atual – a la europeia de antigamente -: muita marcação no meio de campo, trombadas, rasteiras, chutões pra frente, e bolas alçadas sempre que um dos times conseguia levá-la para às cercanias da área.
Por isso mesmo o placar com cinco gols pode ser considerado exagerado em relação às chances criadas. Placar, aliás, aberto por um equívoco do árbitro que considerou como pênalti aquele esbarrão de costas de Adílson em Liedson. Chicão converteu, e o Grêmio, que até então vinha melhor em campo, refluiu.
Mas, justamente quando o Corinthians dominava a bola e os espaços, pressionando o adversário, falta nas proximidades da área, que Douglas mete no ângulo de Júlio César, em primorosa execução.
A coisa rolava assim equilibrada quando Tite resolveu recolocar no time Jorge Henrique, no lugar do apático Danilo. Foi entrar e resolver: de um passe seu, Paulinho desempatou, para em seguida, na sequência de um cruzamento do mesmo Jorge Henrique, Ramón pegar a sobra e definir a vitória corintiana.
A vitória, mas não o placar, pois o Grêmio, aproveitando-se da expulsão de Liedson fez o seu segundo gol, com André Lima e, depois da expulsão de Edenílson, por um triz não chega ao empate.
VASCO ALÉM DA DOR
A expectativa era saber como o Vasco reagiria depois do trauma sofrido com a grave situação de saúde de seu técnico Ricardo Gomes. Pois, o Almirante ergueu a cabeça e prestou a melhor das homenagens ao seu treinador enfermo: 3 a 1 no Ceará, que não é petisco pra ninguém.
Ganhou com categoria, numa noite infernal de Eder Luís, autor de um dos gols e de várias jogadas vertiginosas. Numa delas, em que varou toda a defesa do Ceará, um pecado não ter êxito na conclusão. Seria o gol do ano.
Assim, o Vasco, já na Libertadores, segue na briga pelo título, sim, senhor.
FOGOL!
Se, ao cabo desta rodada alucinante, o Vasco chegou aos calcanhares do líder Corinthians, o salto prodigioso foi do Botafogo, que, ao meter 3 a 1 no Palmeiras, no Engenhão, com autoridade e méritos, ultrapassando de uma só vez São Paulo e Flamengo e plantando-se ali na terceira posição, embicado para disputar o título.
Com uma disposição claramente ofensiva em campo, o Botafogo, sem maiores dificuldades, conseguiu transformar isso em realidade, chegando a marcar 3 a 0, com Herrera, Gustavo e Maicosuel.
Já o Palmeiras, desfalcado de dois jogadores essenciais (Kleber e Luan), inclusive de seu técnico Felipão, reduziu o placar com Assunção cobrando falta – sempre ele! – já no finzinho, quando tudo estava resolvido.
O Fogão tá na parada, amigo, e como!
E O MENGO, HEIN?
Bem que Ronaldinho fez a sua parte – dois gols, um deles, olímpico. Mas, o fato é que o Flamengo continua rateando justamente quando se esperava que ele não só assumiria a liderança como abriria até certa folga para os demais.
Que nada! Levou de 3 a 2 do Avaí, na Ressecada, e volta para a Gávea com um frustrante quarto lugar, espiando o avanço de dois de seus mais ferozes rivais domésticos – Vasco e Botafogo.
Mas, calma nessa hora, minha gente: esse campeonato é complicado, e muita coisa ainda haverá de mudar nesse cenário atual.
O MELHOR TRICOLOR
Não, não diria que o atual time do Tricolor carioca seja melhor do que o Tricolor paulista, apesar da faixa de campeão que ainda ostentará até o apito final do campeonato.
Mas, nesta noite de quarta, num Morumbi vazio e friorento, foi bem melhor, pelo menos, no primeiro tempo, quando abriu o placar com o menino argentino Lanzzini. Isso, sem falar num pênalti que o gringuinho sofreu de Wellington logo de cara.
O São Paulo, na verdade, só foi levantar a cabeça no segundo tempo, depois da substituição de Rivaldo, praticamente ausente, pelo garoto William José. Só então o Tricolor paulista passou a pressionar, até que, num dos perigosos contragolpes do Flu, Rafael Sobis aumento para 2 a 0.
Ah, sim, o jogo não se encerrou sem antes Rogério Ceni diminuir, num pênalti em Dagoberto que só o juiz viu.
E, assim, o Flu espantou a crise, por enquanto, e o São Paulo, que estava na bica de assumir a liderança há duas rodadas, caiu fora do G-4.
BORGES ESPETACULAR
Jogaço mesmo foi o do Beira-Rio, entre dois dos melhores times do campeonato que, no entanto, não se encontram lá na rinha do título.
O Inter, com severa marcação sobre os principais jogadores do Santos, disparou 3 a 0, com Índio, Damião e Oscar, de pênalti. Tudo parecia resolvido já pra lá da segunda metade da etapa final, quando, de repente, Borges entrou em cena. Fez um, de cabeça, deu o passe para Alan Kardec marcar o segundo e estabeleceu o empate em jogada pessoal na área adversária.
Fico tentando medir o dilema do gremista amigo entre celebrar a frustração do rival e lamentar a perda de um artilheiro como poucos.