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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012 Sem categoria | 17:52

OS GRANDES E SEUS REFORÇOS

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Os três grandes do Brasil que mais e melhor contrataram reforços até aqui foram, sem dúvida, Grêmio, Fluminense e São Paulo.

Só pra ficarmos com os mais famosos, vejamos.

O Grêmio montou um ataque de respeito, com Kleber Gladiador e Marcelo Moreno, mais Marco Antônio para acioná-los, ao lado de Douglas, que está sai-não-sai mas, pelo jeito, fica no Olímpico. E ainda tem lá Marquinhos, outro hábil e experiente armador – três armadores, num futebol sem armação, é um luxo que nenhum ouro time ostenta.

Talvez, só o Fluminense, que trouxe Wagner de volta ao Brasil para formar a dupla de regentes com Deco.  E, se Souza cumprir o prometido – de voltar a jogar o que sabe, então o Flu se equiparia nesse quesito ao Grêmio.

Caso se confirme a volta às Laranjeiras de Thiago Neves, então, sai de baixo.

Outra boa contratação do Flu foi o volante, que joga também na lateral-direita, Jean, ex-São Paulo. Tem boa técnica, disciplina tática e é muito dedicado na marcação.

Falando em São Paulo, a chegada de Jadson foi a grande tacada, o preenchimento de uma ausência que já se tornava crônica no Morumbi. Assim como as vindas de Fabrício e de Cortês são também são promissoras.

Ainda falta um atacante pra compensar a saída de Dagoberto, grande reforço do Inter, que, a exemplo de Corinthians e Vasco, não foram ávidos ás compras.

Mas, mantiveram suas equipes, em alto nível.

Quem ainda está devendo nessa área? Flamengo, Botafogo, Palmeiras, Santos, Atlético e Cruzeiro.

Flamengo, Cruzeiro e Santos ainda se debatem para manter algumas de suas principais atrações – Ronaldinho Gaúcho, Thiago Neves, Montillo e Ganso -, enquanto o Palmeiras, zonzo pelo soar constante e estridentes das cornetas, não sabe para onde ir.

Quanto ao Galo, está ali, mineiramente, na encolha, à espera da tão demorada alvorada para soltar seu canto de guerra, finalmente.

MONTILLO POR GANSO

A coisa toda não passou de um bate-papo no ar entre meu querido Fábio Sormani e um diretor do Santos. O comentarista perguntou sobre hipotética troca, por empréstimo de um ano, de Ganso por Montillo, e o cartola achou a ideia boa. Ponto.

O presidente do Santos, de volta das férias, negou qualquer movimento nesse sentido, mas a ideia ficou no ar e floresceu rapidamente neste campo árido da entressafra de notícias do futebol.

Mas, digamos que essa sugestão se infiltre nas almas dos cartolas dos dois clubes. Seria um bom negócio para quem?

Bem, em primeiro lugar para meu considerado Sormani, que teria dado origem a uma notícia estrondosa, a mais surpreendente e espetacular do ano que mal se inicia.

Antes de mais nada, vale comparar o momento e as possibilidades de cada um dos jogadores citados.

Montillo, beirando a fatídica idade dos 30 anos, vem jogando demais. É um daqueles meias raros que unem aos seus pés descortino, habilidade e senso tático.

Ganso, mal dando seus primeiros passos na cena principal do futebol, em pouco tempo, mostrou toda a sua genialidade, assinalando para um futuro sem limites. Isso, caso, as constantes e graves lesões já sofridas neste pouco tempo de carreira, não se tornarem crônicas e intermitentes, o que certamente o impedirá de atingir o auge de suas potencialidades.

Nesse caso – se Ganso não recuperar a plenitude de seu futebol, ou sofrer novas lesões –, a Raposa fica com o mico na mão, enquanto Montillo, pela sua experiência, seria de grande valia para o Peixe numa Libertadores, digamos.

Por outro lado, se Ganso acertar o pé na Toca, o céu é o limite.

Mas, a questão não me parece se restringir às vantagens ou desvantagens de um ou de outro no plano técnico ou físico.

O que provocou a possibilidade de saída de Montillo do Cruzeiro não foi nenhum desconforto do jogador com o clube ou vice-versa. Ao contrário: a torcida o adora e ele nunca esteve tão bem na vida em outro clube como agora.

A sua saída de lá passou a ser cogitada a partir de uma proposta vertiginosa do Corinthians que abalou as estruturas do jogador, claro. Seria sua última (e única) chance de ganhar na Mega-Sena do futebol, na idade limite da carreira.

O Santos, nem de longe, estaria disposto a investir isso tudo em Montillo, tendo Ganso lá na Vila, ainda que em evidente desconforto das duas partes. E por quê? Grana, cara, grana, que o Cruzeiro jamais chegaria a desembolsar no nível do plano de carreira oferecido pelo Peixe ao craque, e por ele recusado.

Portanto, embora nunca diga não, como aconselhava Miguel Vaccaro Neto (tá vivo, meu?) na Era do Rádio, desconfio que essa ideia não prospere além das muitas discussões na padaria, na tv, no rádio e em crônicas medíocres como esta.

FERNANDO PEIXOTO

Foi-se no domingo o diretor de teatro Fernando Peixoto. Não o vi partir. Aliás, não me encontrava com ele há muitos anos.

Mas lembro de quando chegou a São Paulo, lá pelo início dos anos 60.

Na época, eu era diretor de redação da agência de notícias Interpress, da Santos & Santos Publicidade, no verdor dos meus 20 anos. Hoje, sou um velho gagá, como gostam de lembrar alguns jovens neste pedaço, mas, já fui muleke esperto, meu, acredite.

E quem me apresentou o Fernando foi Luiz Vergueiro, publicitário e produtor musical, irmão da grande atriz Maria Alice Vergueiro, e primo do meu chapinha, o ilustre compositor e cantor Carlinhos Vergueiro, todos dignos herdeiros do histórico Senador Vergueiro.

Vergueiro, de um dia pro outro, me avisou que estava de partida. Iria dar uma mãozinha na produção do célebre show de Bossa Nova no Carnegie Hall, ou outro evento do gênero. Então, para cobrir sua ausência na redação me apresentava um gaúcho genial que havia chegado agora do Sul, de braço dado com sua mulher na época: a deslumbrante Ítala Nandi, que pouco tempo depois viraria Sex-Simbol do Brasil.

Confesso que, na época, Ítala não me pareceu tão deslumbrante assim. Espinhas. Ítala Nandi tinha espinhas As espinhas se foram com o tempo e só restaram espinhos na minha alma pela primeira impressão besta.

Enfim, Fernando Peixoto ficou por ali, na Interpress, o tempo suficiente para ajeitar seu ninho no teatro – Oficina, se não me engano – e recomeçar sua brilhante carreira, agora no eixo Rio-São Paulo.

Era um tanto avesso ao diálogo e, todavia, candente e incontrolável, na defesa de suas teses sobre teatro, cultura em geral, a vida, enfim. Sério, grave mesmo, diria, íntegro e devotado a suas ideias e causas. Pelo menos, era assim naquela ´peoca, quando me deixou essa imagem para sempre.

É mais um que embarca. O cerco está se fechando.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

domingo, 15 de janeiro de 2012 Sem categoria | 00:33

DOIS EM UM

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Foi rodada dupla num jogo só. No primeiro tempo, os titulares; no segundo, os reservas. E, embora o placar final fosse o de 2 a 2, vale dividi-lo por cada tempo de jogo.

No primeiro, só deu Corinthians, que fez 2 a 0 com belo disparo de Alex e esperto toque de Liedson em bola dividida.

É verdade que o Flamengo teve uma chance incrível, quando tudo estava no zero, com Itamar, sozinho, tocando de cabeça pra fora. Se já chegou esmagado por uma tonelada de suspeitas, Itamar vai ter de fazer alguns milagres para descer pela goela do urubuzada.

Na fase final, com Adriano em campo (?), o Flamengo foi melhor e alcançou o empate com bonito gol do gringo Botinelli e outro de Negueba.

Claro, tudo não passou de um amistoso, um jogo-treino para espanar de vez as migalhas das Festas. Mas, se o Timão tem tempo para ainda mais afiar seu time até entrar em campo pra valer no Paulistão, o Flamengo já está de partida para as alturas e Potosi, estreando na Libertadores.

Com esse time vai ser mais difícil. Mas, não impossível.

ENFIM, JADSON

Não, Jadson não é nenhum Gérson, nenhum Pedro Rocha ou Raí, pra ficarmos com os meias-armadores que fizeram história no São Paulo nos últimos quarenta anos.

Diria que, mal comparando, estaria mais para Silas, o que não é pouca coisa, diga-se. Pelo menos, os estilos se assemelham: ambos destros, boa visão de jogo e muita movimentação – mais um meia de ligação do que um meia-armador típico.

De qualquer jeito, se tudo correr nos conformes, terá sido um reforço precioso para o Tricolor, que carece de um meia com essas características há séculos.

Com Denílson, Casemiro, Fabrício, Jadson, Lucas, Cícero, Luís Fabiano e Fernandinho, do meio de campo pra frente, o técnico Leão terá opções de nível suficiente para dar nova feição ao São Paulo de tantas frustrações recentes.

THIAGO NEVES

Se realmente Thiago Neves voltar às Laranjeiras, será uma perda irreparável para o Flamengo, não apenas no aspecto técnico, mas, sobretudo, moral.

Afinal, o Fla investiu os tubos nele e em Ronaldinho Gaúcho, que, parece, receberá o que lhe devem, segundo promessa da diretoria do clube – algo em torno de 4 milhões de reais, o bastante para qualquer um de nós encostar o burro na sombra para o resto da vida.

Mas, se Ronaldinho teve um surto de excelente futebol durante o Brasileirão, Thiago Neves foi o que se manteve num estágio superior a maior parte do tempo.

Por outro lado, o Fluminense, com Deco, Fred, Wagner, Sóbis e cia. bela, ganha um reforço inestimável, que o coloca, ao lado do Vasco, como uma das duas maiores atrações cariocas para a temporada.

SÁBADO DIVERTIDO

O sábado foi longo e divertido diante da telinha.

A começar pela vitória do Manchester United sobre o Bolton, por 3 a 0, que redimiu os Diabos Vermelhos dos dois últimos insucessos no campeonato inglês e o deixou ainda na cola do líder City, que joga na segunda contra o frágil Wigan.

Pena que Wayner Rooney não conseguisse fazer o seu, apesar das tantas chances (entre elas, um pênalti cobrado nas mãos do goleiro), na estreia de sua nova cabeleira implantada certamente por inspiração do nosso querido Mauro Beting.

Em seguida, surgiu o Corinthians da Copinha, que bateu por 1 a 0 o Goiás, mas, pelo volume de jogo e de chances perdidas, merecia mais do que o solitário gol de Mateusinho, um desses meias canhotos, habilidosos que tanta falta fazem entre os marmanjos.

E, ao mesmo tempo em que o Real conseguia virar a duras penas sobre o Mallorca, no campeonato espanhol, sobretudo depois da entrada de Kaká, no segundo tempo, o Palmeiras passava pelo Ajax, num amistoso internacional no Pacaembu, com gol de cabeça de Pedro Carmona pra lá dos 48 minutos do segundo tempo, quando a torcida verde mais protestava contra a falta de reforços de peso.

A propósito, depois do jogo, Felipão mandou ver na entrevista coletiva contra a morosidade e a superficialidade da diretoria no que diz respeito ás contratações.

Mas, até que o Palmeiras, em campo, não foi o desastre esperado. Jogou direitinho, dentro de suas possibilidades atuais. Quem decepcionou foi o Ajax, que não apresentou nada de diferente do que fez o Palmeiras.

É bem verdade que esse Ajax nem de longe pode ser comparado ao de Cruyjff ou mesmo o dos irmãos de Boers, dos anos 90. É, digamos, o Palmeiras atual da Europa.

Palmeiras que dá gosto de ver é esse da Copinha, que, na sequência meteu 2 a 0 no Monte Azul e segue lampeiro no torneio. Isso, no dia em que cerca de cinco mil palestrinos promoveram uma procissão em devoção a São Marcos, culminada com uma paródia de sermão bíblico na porta do estádio do Pacaembu.

Por fim, já beirando as franjas do domingo, Cruzeiro e Atlético PR fizeram um jogo animado, que só foi decidido nos pênaltis a favor do Furacão.

Ufa!

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

sábado, 14 de janeiro de 2012 Sem categoria | 11:35

O ENCONTRO DE DUAS NAÇÕES

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É um amistoso de luxo, para abrir a temporada em alta escala. Afinal, são as duas maiores nações do futebol brasileiro, Flamengo e Corinthians, os campeões das duas últimas edições do Brasileirão. Em confronto.

Mas, se o Corinthians vem todo prosa, na mais cândida paz – coisa rara na sua história sempre conturbada, diga-se -, é o Flamengo quem começa o ano metido num balaio de gatos. É Ronaldinho Gaúcho que não recebe há meses a parte mais substancial de seus salários. É Luxa numa queda de braço permanente com o diretor de finanças. É atraso nos pagamentos do grupo. É Thiago Neves arrumando as malas para voltar a Laranjeiras, é o diabo, meu!

É, porém, o Flamengo, que pode muito bem dar um piparote nisso tudo e carimbar a faixa de campeão do Corinthians logo no primeiro passo da temporada.

Contudo, mesmo que isso ocorra, embora o Timão seja o favorito nessas circunstâncias, o Fla precisa se acertar rapidamente, que a Libertadores, para ele, já começa daqui a pouco, na altitude fatal de Potosi.

Se bobear, dança.

GRÊMIO ANIMADO

Claro, foi apenas um jogo-treino contra uma equipe sem expressão do Sul. Mas, valeu a movimentação do time, segundo os relatos da primeira apresentação do Tricolor gaúcho na temporada que mal se inicia.

Kleber, o Gladiador, foi o destaque, dizem os que viram o cotejo. Mas, chamou também a atenção a atuação de Douglas e do estreante Marco Antônio, meia revelado pelo São Paulo e que atingiu a plenitude de sua bola redonda na Lusa campeã da Segundona.

Mais significativo do que isso, mesmo sem ter visto a movimentação do Grêmio em campo, me parece ter sido a orientação do técnico Caio Jr., no sentido de que o time ponha a bola no chão, enfatizando a troca de passes, o envolvimento do adversário e evitando levá-la pelo alto à área inimiga.

Bons conselhos esses do novo treinador tricolor.

ANO OLÍMPICO

A Seleção Brasileira já tem seu calendário para o primeiro semestre deste ano. Vai enfrentar a Bósnia, os EUA, o México, a Dinamarca e o time titular da Argentina.

Pode não soar como o ideal, mas é um roteiro bem mais interessante do que os que já nos levaram ao Gabão e outras babas universais.

Não sei ainda quais os planos de Mano Menezes. Mas, considero mais ajuizado nosso treinador reunir para esses jogos – talvez, com exceção do jogo com a Argentina, que sempre tem um caráter muito especial – a nossa Seleção Olímpica, aquela que irá a Londres tentar o único titulo de expressão que não consta do memorial da CBF.

Um time abaixo dos 23 anos, com os três reforços acima dessa linha de idade permitidos pelo COI.

E que reforços poderiam ser esses? Na minha opinião, um goleiro experiente – Júlio César, Jefferson, Victor, um desses – e a dupla de zaga titular da seleção principal: Thiago Silva e David Luís ou Dedé.

De resto, Danilo e Alex Sandro nas laterais; Fernando, Casemiro, Oscar, Lucas, Dudu, Leandro Damião, essa turminha boa de bola, grande parte deles campeã sul-americana e do mundo Sub-20. isso, claro, sem falar em Neymar e Ganso.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012 Sem categoria | 17:31

VAMOS TRABALHAR ESSA BOLA, PÔ!

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- Trabalha a bola, João! Trabalha a bola, João!

Era o técnico Zé Sérgio à beira do gramado, gritando para seu meia João Felipe, no empate com o Sergipe, depois da goleada por 10 a 0 sobre o Palmas e antes da precoce desclassificação do São Paulo na fase inicial da Copinha.

João não trabalhou a bola e o Tricolor dançou.

Situação parecida viveu o Flamengo, campeão da última edição da Copa São Paulo Jr., que, mesmo com três de suas mais promissoras revelações – Muralha, Adryan e Thomás – somou três empates chochos e caiu fora antes da hora.

Cito esses dois times, de imensa tradição nessas categorias de base, mas poderia estender a mesma observação para a maioria dos demais participantes do torneio que vi em ação: a turminha não trabalha a bola, a exemplo dos marmanjos. É aquela ligação direta o tempo todo, muita correria, muita pegada, e nada de tocar a bichinha com acuro e presteza.

Dos que vi em campo nesta Copinha, como bem adverte o bloguista Leonardo Guerra de Lana, abaixo, o Santos foi o único que buscou esse tipo de jogo, o jogo jogado. E, por isso, teve, sei lá, mais de 60 por cento de posse de bola, o que lhe valeu a classificação para a próxima fase com certa facilidade.

Falo dos meninos como poderia estar falando dos marmanjos, pois um é espelho do outro. E não se trata de ficarmos aqui desdobrando fórmulas mágicas, na combinação de números que, no fundo, acabam sendo aleatórios – 4-4-2 ou 4-3-3 e seus mútiplos desdobramentos.

Mesmo porque eu posso escalar meu time num já clássico 4-4-2. Mas, se os quatro do meio de campo forem volantes de ofício (ainda que saibam sair jogando, como dizem por aí), a criatividade e o molejo do meio de campo estarão comprometidos sem reverso.

Quer dizer: o que determina o estilo de um time jogar é o estilo de seus jogadores.

Compare, por exemplo, o Barça de Guardiola com a Seleção Espanhola de Drl Bosque, campeã do mundo. O Barça é a base da Seleção, claro, sem a genialidade de Messi. Mas, observe como flui menos do que o do Barça. E, por quê? Basicamente, porque a Seleção joga com dois volantes, embora ambos de alta qualidade técnica – Busquets e Xabi Alonso. Ao contrário do Barça que, em vez do madridista Xabi Alonso, tem mais um meia ao lado de Busquets, Xavi e Iniesta. Seja ele quem for – Keita, Thiago Alcântara, Fábregas etc.

Esse é um detalhe. O outro, e agora já voltando pra nossa praia, é a enorme distância entre os setores do time, a partir do aprofundamento de nossos zagueiros de área, o que gerou a síndrome da segunda bola. Então, bola nas mãos do goleiro ou nos pés dos zagueiros, quebra lá na frente, como gostam de ordenar nossos professores – o que não pode é perder a segunda bola, aquela que vem da rebatida da zaga adversária.

Ora, isso não é futebol, é tênis, pingue-pongue, pelota basca, squash, qualquer coisa, menos futebol.

Mas é isso o que aprendem a fazer nossos jogadores desde menino

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012 Sem categoria | 17:39

VÃ FILOSOFIA

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Fico aqui só imaginando a cena: numa taverna má frequentada do Hades, os dois Sócrates – o filósofo grego e o filósofo dos gramados brasileiro – confabulando sobre como roubar do arsenal de Zeus o raio que parta a cabeça do presidente da Academia Brasileira de Filosofia, autor da ideia de jerico de indicar João Havelange como candidato ao Prêmio Nobel da Paz.

É verdade: Havelange, quando presidente da Fifa, incorporou à cena principal do futebol mundial regiões até então periféricas, como África, Ásia e as Américas do Norte e Central.

Mas, diante dos escândalos na Fifa recém-revelados, quem seria capaz de distinguir a nobreza do gesto da torpeza dos interesses comerciais que teriam pautado a ação do ex-presidente da CBD e da Fifa?

Ah, essa vã filosofia…

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

terça-feira, 10 de janeiro de 2012 Sem categoria | 14:20

NOSSO ESPANTOSO ATRASO

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Absolutamente indispensável a leitura da brilhante entrevista do companheiro Paulo Passos, aqui do IG, com o ex-craque e atual técnico do Ajax, Frank de Boer.

De Boer foi um zagueiro inteligentíssimo, de alta técnica, canhoto, campeão europeu e do mundo pelo Ajax, na primeira metade dos anos 90, ao lado de Van der Saar, seu irmão gêmeo, Ronald, Dani Blind, Davids, Seedorf, em início de carreira, Kluivert, Overmars, Kanu, Litmanen, Finidi Goerge, um timaço.

E o que diz De Boer na entrevista ao IG? Simplesmente, que ficou espantado ao constatar como o futebol brasileiro está, taticamente, atrasado em relação aos principais centros europeus. Ainda jogamos num esquemático 4-4-2, segundo o próprio entrevistado, contrariando o nosso próprio caráter histórico, sistema abandonado há muito tempo pelos europeus, que preferem o mais ousado 4-3-3, bem ao estilo brasileiro do passado.

Claro, isso é uma redução do quadro geral que abrange muito mais coisas.

Por exemplo, ainda na segunda-feira, no Arena Sportv, papeando com Belletti, que atuou entre tantos times pelo Barcelona e pelo Chelsea, fiquei sabendo do espanto causado por Felipão, quando assumiu a equipe inglesa.

No primeiro treino da pré-temporada, o capitão Terry aproximou-se de Bellettie apontou para seus pés:

- Tênis? Vamos treinar de tênis?

Traduzindo: nada de bola, pelo menos, nessa fase de preparação, só corridas curtas e maratonas. Está explicado por que a passagem de Felipão pela Inglaterra foi tão breve.

É que, na Europa atual, praticamente todos os treinadores trabalham, seja a parte física, quanto a tática e a técnica, com bola. Como, aliás, acontecia por aqui, antes de a preparação física específica tomar conta dos nossos campos. Hoje, enfatizamos demais o atleta e de menos o craque, o jogador de futebol.

E, quando calçamos as chuteiras, a bola passa a ser um ser maligno, que deve ser exorcizado a pancada das proximidades de nossa área, não o objeto de desejo, que cada um acarinha a seus pés em direção à meta adversária, como era outrora.

Até quando?.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012 Sem categoria | 18:50

MESSI, ÓBVIO

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Qual a novidade? Mesmo que não recebesse aquela Bola de Ouro, Messi ainda assim seria aclamado pelo senso comum como o melhor jogador do planeta na atualidade. O troféu apenas ritualiza a performance repetida, jogo após jogos, nos campos da bola.

É craque, inventivo, ousado, eficiente, veloz, imprevisível dentro da mais óbvia previsibilidade, pois quando pega na bola já sabemos que fará o algo de inesperado, e transmite a forte sensação de ser gente boa pra caramba.

Discreto, não é de reclamar da decisão errada do companheiro na hora H, resiste bem ao assédio dos marcadores, apesar do físico mirrado se comparado aos zagueirões da praia, e quase nunca se machuca, ainda que vítima constante de pancadas sentidas.

É habilidoso, capaz de produzir verdadeiras pirotecnias com a bola, contudo, sempre objetivo em seus movimentos. É versátil, pois tanto faz atuar pela direita, pela esquerda, pela meia, ou como falso centroavante, e, a exemplo de todos os seus companheiros do Barça, passa o tempo todo ligado no jogo.

Assim, não podia dar outro, apesar da excelência de seus concorrentes – Xavi, o cérebro, e Cristiano Ronaldo, que disputava na mesma faixa de Messi, o craque hábil, cheio de dribles e de extrema eficiência, seja como goleador, seja como assistente.

Periga, isso sim, virar rotina, já que Messi é ainda muito jovem – 24 anos de idade -, quando se sabe que o craque atinge sua plenitude lá pelos 27/28 anos. Nessa toada, acabará acumulando tantos prêmios de melhor do mundo que será absolutamente impossível outro alcançá-lo neste século.

O GOL DE NEYMAR

Neymar, que frequentou a lista dos 23 pré-candidatos à Bola de Ouro, levou também seu prêmio: o de autor do mais bonito gol do ano, aquela jogada sensacional contra o Flamengo, no jogo histórico do Brasileirão vencido pelo Rubro-Negro por 5 a 4..

Gol de Pelé. A diferença é que o Rei fazia, pelo menos, um gol desses, jogo sim, outro também.

Assim como Neymar já cansou, em tão pouco tempo de cena principal do futebol, de marcar outros tantos gols espetaculares.

É outro que ainda nos reserva prazeres inexcedíveis.

GUARDIOLA PREMIADO

Não, não foi Pep Guardiola quem inventou essa maneira de jogar do Barça. Mas, foi o treinador que elevou esse estilo à beira da perfeição.

Esse é um processo que remonta aos anos 70, quando o Barça foi dirigido pelo holandês Rinus Mitchels, com Cruyjff na condição de estrela da cia. O próprio Cruyjff, que, ao pendurar as chuteiras, o substituiu, para ceder seu bastão a Van Gaal, antes de Reyjkaard assumir o comando do Barça. Todos eles holandeses, criadores ou herdeiros da maravilhosa máquina de jogar bola batizada de Laranja Mecânica ou Carrossel Holandês, na Eurocopa de 72 e na Copa da Alemanha, em 74.

Todos admiradores declarados do verdadeiro futebol brasileiro, aquele que, aqui, abjuramos e esquecemos nas últimas duas décadas, por baixo.

Aliás, pouco depois da Copa de 74, a TV Bandeirantes, sob inspiração de seu diretor na época, Murilo Leite, resolveu promover um jogo entre estrelas internacionais e um combinado paulista, no Morumbi.

Depois do jogo, tive a chance de jantar e varar a madrugada no restaurante do Hotel Eldorado, na rua São Luiz, papeando com Cruyjff..Embora hipnotizado pela beleza de sua mulher, uma deusa escandinava, pude colher de suas palavras o encanto que o futebol brasileiro exercia sobre os holandeses, à época.

Tanto, que, segundo ele, seu time entrou em campo tremendo de medo do Brasil de Jairzinho, Paulo César e cia. bela. E que, se um deles tivesse convertido uma daquelas duas chances incríveis para marcar, Cruyjff não seria capaz de imaginar que estragos isso teria provocado no Carrossel Holandês.

Voltando, porém, a Guardiola, que é catalão mas que não mudou o curso do giro do Carrossel Barcelonês, apenas o acelerou, há um algo em comum entre ele e um dos signos do melhor produzido pelo futebol brasileiro – Mestre Ziza, o mais completo dos nossos jogadores, depois de Pelé.

Além dos ecos dos ensinamentos de seus pais e avós, segundo declarações do próprio Guardiola outro dia, ao comparar o estilo de jogo do Barça com o que se praticava no Brasil no passado, há este. Zizinho, quando transformado em técnico, anos à frente de seu tempo, costumava dizer que se preocupava muito menos com o adversário do que com seu próprio time.

“Eles que achem um jeito de me anular, não o contrário” – sentenciava o mestre.

Com Guardiola, é o mesmo. O Barça joga seu jogo, e o adversário que trate de arrumar um jeito de marcá-lo.

Ao inverso de Mourinho, que passa a semana treinando seu time de acordo com o adversário, segundo me dizia Belletti, seu jogador no Chelsea, Guardiola não se preocupa muito com isso, a não ser pontualmente. Afia seu time pra jogar do seu jeito, e fim de papo.

Isso é ser protagonista. E os resultados vêm com naturalidade, sem truques criados nos campos de treinamento, nem gritos berrados á beira do gramado do jogo. Autoridade sem autoritarismo. Brilho sem fogos de artifício.

COISA DE CINEMA

Parecia roteiro de filme americano dos anos dourados.

O Arsenal – na verdade, um mistão do Arsenal – penava em campo para fazer um mísero golzinho no modesto Leeds, pela Copa da Inglaterra. E, no banco, a grande surpresa, o presente de Natal de Arsène Wenger à torcida dos Gunners: Thierry Henry, o maior artilheiro da história do centenário clube londrino, estrela das últimas grandes conquistas do time, dentre elas o título invicto inglês e outros tantos babados.

Por dois meses, durante as férias do futebol norte-americano, Henry voltará a defender o Arsenal, que lhe dedicou estátua em frente ao Emirates Arena, como prova de veneração eterna.

Bola rolando, jogo empatado por 0 a 0, eis que, aos 22 minutos do segundo tempo, Henry pisa de novo o gramado amado. Na primeira bola, está impedido. Na segunda, passe medido de Song, Henry domina pela meia-esquerda, dentro da área, e bem ao seu estilo, toca rasteiro no canto oposto ao do goleiro: 1 a 0, placar definitivo.

Haja uísque e cerveja nos pubs londrinos esta noite.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

sábado, 7 de janeiro de 2012 Sem categoria | 15:36

AS LIÇÕES DO MELHOR PROFESSOR

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O técnico do Barcelona, Pep Guardiola, foi eleito o melhor treinador do mundo no ano que findou pelo instituto de estatística inventado e tocado por aquele alemão maluquete que não me merece maiores créditos pelas bizarrices que perpetra a cada pesquisa anunciada.

Mas, é inegável que Guardiola foi o melhor. Aliás, tem sido nos últimos três anos, quando acumulou uma infinidade de títulos nacionais e internacionais. E, mais do que isso: montou e dirige o time que apresenta um futebol, além de eficiente, encantador, hipnótico, extasiante. Prova cabal de que jogando bonito é mais fácil ser um supercampeão do que jogando feio, como defendem os idiotas de plantão.

E que toque de bola envolvente, dribles e passes bem executados não são coisas dos tempos em que se amarrava cachorro com lingüiça, nem que, quem quiser ver espetáculo deva ir ao teatro, como sentenciaram recentemente dois dos mais badalados técnicos brasileiros – Felipão e Muricy.

Mesmo porque o estilo de jogo que Guardiola aprimorou à perfeição no Barça é, sim, dos tempos em que se amarrava cachorro com lingüiça, assim como o é neste tempos da mais alta tecnologia e o será para sempre, pelo simples fato de que é a essência do próprio jogo da bola. E isso o tempo não muda.

Quem não conhece o passado não entende o presente e é incapaz de imaginar o futuro.

O amigo, por exemplo, já ouvir falar no Tico-Tico no Fubá? Sim, a expressão foi inspirada pelo chorinho clássico de Zequinha de Abreu, mas quem o plantou nos campos de futebol foi o Ameriquinha do Trajaninho, nos anos 30./40.

Era assim: a turma se juntava a partir do meio de campo e saía tocando a bola e trocando de posição, como um bando de tico-ticos ciscando no terreiro atrás dos grãos de fubá.

A expressão, de início, era um elogio. Depois, passou a ter um tom pejorativo, quando o tico-tico não ia além de simples e inócua troca de passes no meio de campo.

Como tudo na vida, o que dá pra rir dá pra chorar.

No caso do Barça, é só gargalhada. Basta dizer que, com esse expediente, o time catalão está há mais de duzentos jogos, nas vitórias, empates ou nas raras derrotas, mantendo a posse de bola acima de 70 por cento. Algo inconcebível, em qualquer época e por qualquer dos maiores timaços da história.

Mas, voltando à telinha destes tempos de Copinha. O que vejo? Vejo essa garotada de 16, 17, 18 anos, portanto, na fase final de formação, desprezando olimpicamente os preceitos básicos do futebol – individualmente, o passe; coletivamente, a aproximação e a triangulação.

Os times – mesmo os mais categorizados tecnicamente – se espraiam pelo campo, da defesa, lá atrás, ao ataque, lá na frente; de uma lateral à outra. Os espaços que se abrem entre os setores são verdadeiros latifúndios, e o carinha que recebe a bola no meio de campo olha para um lado, ninguém; pro outro, nenhuma alternativa. Então, só lhe resta enfiar o esticão para o atacante disputar essa bola na velocidade com o beque e sua sobra. A bola bate e volta, e aí é aquela correria desenfreada, intercalada de carrinhos, repuxões de camisa, socos e pontapés.

Ou, então, mal se aproxima da área, já vai lançando um chuveirinho, à espera da falha do goleiro ou dos tantos beques lá postados.

É de uma indigência coletiva de causar pasmo e indignação. Afinal, o que fazem os professores com esses meninos o ano inteiro?

Outro dia, vi na tv uma reportagem sobre a filial do Barça montada lá na Amazônia, que revelava o treinamento dos garotinhos de 9, 10, 11 anos de idade, senão menos. Era a gurizada fazendo embaixadas, dando chapéus, dribles estonteantes e… passes. Todos juntinhos trocando passes e repasses.  E o professor ensinando que aprendeu a lição com o método Barça de jogar bola.

Como dizia Elliot, no poema célebre, a exploração é da nossa natureza, e, quanto mais exploramos, mais voltamos ao início, à origem de tudo.

O diabo é que, no futebol, sentamos sobre rígidos conceitos e paramos de explorar justamente o campo que abrimos para o conhecimento e o deslumbramento do resto do mundo. Por puro medo, o mais perverso dos sentimentos humanos porque é aquele que gera preconceito e violência em seu mais alto grau, inibindo a imaginação e escurecendo a criatividade.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012 Sem categoria | 15:43

UM POUCO MAIS DE IMAGINAÇÃO

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Os times brasileiros começam a voltar aos campos de treinamento para cumprir uma pré-temporada indigente, sem tempo suficiente para conferir aos atletas a base suficiente com vistas à temporada longa e altamente competitiva, dividida entre campeonatos estaduais, Copa do Brasil, Libertadores, Brasileirão e Sul-Americana. Isso, sem falar no calendário paralelo da Seleção Brasileira, seja a principal, seja a olímpica, que certamente desfalcará os grandes clubes de seus melhores jogadores.

É inacreditável que os cartolas, a CBF, a Globo, enfim, todos os interessados diretos na produção do espetáculo futebol não consigam estabelecer um projeto que atenda os interesses comuns, já que todos buscam a mesma solução; isto é, elevar o nível do espetáculo a um patamar que permita a essa turma ganhar muito mais dinheiro, botando um sorriso na face do torcedor em geral.

Não se trata de reduzir apenas o número de jogos a serem transmitidos pela tv, que paga muito por essas competições e tem todo direito de receber os lucros do investimento vultoso feito.  Mas, sim, de qualificá-los, com um olho no aqui e agora e outro mais adiante.

Está mais do que evidente a defasagem entre o nosso futebol e o dos grandes centros europeus E não é só por conta da massacrante exibição do Barça diante do Santos, outro dia. Basta dar uma espiada nos jogos dos campeonatos espanhol, alemão e inglês, por exemplo, para constatarmos a imensa diferença: estádios lotados, até mesmo nos campos dos chamados pequenos; gramados impecáveis, onde a bola rola com fluência sempre em direção ao gol adversário e não emprenhada nos pés inábeis dessa legião de volantes que nos sufocam jogo após jogo.

O que nossos treinadores julgam ser a última palavra em modernidade não passa de sucata atirada há anos na lata de lixo dos grandes centros futebolísticos do mundo.

Nossa Seleção jamais esteve tão desqualificada no ranking da Fifa como agora. Há muitos anos nenhum time brasileiro se destaca no ranking daquela organização que trata das estatísticas planetárias.

E, mesmo assim, seguimos sendo a maior usina de craques do mundo. Quer dizer: não é por falta de matéria prima que caímos tanto. É por falta de imaginação e ousadia de quem promove o espetáculo futebol no Brasil.

Ainda outro dia, o presidente do Santos, um dos raros cérebros ativos sob a cartola neste país, disse que, diante desse quadro, iria se reunir com seus colegas e pedir à CBF permissão para que os clubes brasileiros possam voltar a fazer aquelas excursões ao exterior que tanto benefício nos trouxeram em tempos idos.

Esse intercâmbio direto é essencial para o desenvolvimento num mundo globalizado ainda mais. Há ricos mercados lá fora que precisam ser reconquistados pelo nosso futebol, ainda reverenciado por lá por sua gloriosa história.

Não podemos mais ficar por aqui, ilhados, relacionando-nos só com os vizinhos continentais, parados no tempo, olhando o mundo avançar pela janela da telinha da tv.

Isso me faz lembrar o caso da Inglaterra. Inventores do futebol moderno, os ingleses julgavam-se tão superiores ao resto do mundo que se negavam a deixar a Velha Albión para enfrentar times do continente europeu.

Até que, com todo aquele ar de lorde enfastiado, resolvesse disputar a Copa do Mundo no Brasil, em 50, e acabou eliminada pelos EUA, por 1 a 0, em Belo Horizonte. Em seguida, em pleno templo sagrado de Wembley, tomaram um vareio e uma goleada da Hungria de Puskas e Kocsis. A coroa foi pro espaço, e os ingleses passaram a ter a vaga noção de seu real poderio.

Então, que se amplie o tempo de pré-temporada para os nossos clubes, permitindo-lhes completá-la com excursões ao exterior ou promovendo por aqui torneios internacionais, lucrativos não só para os clubes como, como para a tv. Mas, sobretudo, para o futuro do futebol brasileiro.

Reduza-se, pois, o campeonato estadual à sua verdadeira dimensão, com fórmulas mais inventivas e atraentes do que as atuais, e amplie-se, na mesma proporção, o Brasileirão, abrindo-se brechas para as datas destinadas à Seleção.

E que Deus nos ajude.

MARCÃO, O MAIOR?

Sem dúvida, Marcos foi o melhor goleiro brasileiro deste século. Não só por todos os milagres praticados sob o arco verde, mas, principalmente, por ter sido tão decisivo na conquista do penta, na Ásia.

Mas, estará São Marcos entronizado no nicho mais cintilante do altar alviverde?

Bem, cada qual em seu tempo.

Por falar em tempo, lembro o mito de Cronos, que reinava no Olimpo no início de tudo, e que tinha o indigesto hábito de comer seus filhos para evitar qualquer assédio ao seu trono. Pois, foram seus filhos, arrancados do estômago do velho, por um sortilégio qualquer, que, sob o comando de Zeus, tiraram-lhe o poder. E Zeus reinou até que outros mitos o fossem sucedendo com o passar do tempo.

No caso do Palmeiras, o primeiro grande ídolo, sem dúvida, foi Heitor, um meia hábil mas ao mesmo tempo impetuoso, que reinou nos anos 10/20 do século passado, ao lado de Neco, o primeiro ídolo corintiano e de Fried, o primeiro ídolo nacional, do Paulistano, na Seleção Brasileira..

Heitor, por certo, foi batizado em honra ao herói troiano que o grego Achiles derrotou, humilhou e, em seguida, reverenciou, segundo nos relata Homero. E, curiosidade: Achiles o sucederia no panteão verde, trinta anos depois.

De breve carreira, ceifada por grave e irrecuperável lesão na época, Achiles, no começo dos anos 50, foi idolatrado pela torcida palmeirense como o herói da conquista do título paulista do Ano Santo de 50, o ano das Cinco Coroas,, com o gol de empate sobre o São Paulo. Dono de rush incontrolável, Achiles deixou seu nome na galeria dos imortais.

Mas, antes e depois dele, houve outros ainda mais nomeados.

O zagueiro Junqueira, por exemplo, que teve seu busto esculpido em bronze e plantado no Jardim Suspenso do Parque Antártctica há décadas.

Nos anos 40, o eterno Oberdã Catani, o correspondente, em tudo a Marcão, que recebeu logo a parceria de dois imortais palmeirenses: Waldemar Fiúme, o Professor, meia-volante-lateral-zagueiro, de alta classe e estilo, e Eduardo Lima, o Garoto de Ouro, com seu gorrinho listrado de verde e branco escondendo a calva precoce, meia-direita, que transitava com refinada técnica e fluência da ponta-direita à esquerda, quando não quebrava um galho de volante.

Nos anos 50, Mazzola, o Altafini dos italianos, que desembarcou no Parque Antárctica, vindo de Piracicaba, aos 15 anos, para sagrar-se campeão do mundo aos 19. De estilo um tanto bizarro, quem conseguia pará-lo quando partia em alta velocidade, aos dribles, ou, então, elevava-se na área para o cabeceio fatal?

Vieram, então, Dudu e Ademir da Guia, o coração e o cérebro das Academias dos anos 60 e 70. Dudu era o suor temperado por boa dose de técnica apurada; Ademir, a sofisticação elevada ao seu mais alto grau. Assim como o seria Alex, na sua primeira passagem pelo Parque, depois de Leão e Luís Pereira.

Entre eles todos, houve outros, como Canhotinho, Jair Rosa Pinto, Rivaldo, César Maluco, sei lá quantos mais restam na memória do torcedor palestrino mais antigo.

Mas, poucos terão o mesmo grau de admiração de Marcos, o São Marcos de todos nós.

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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012 Sem categoria | 22:08

CIAO, MARCÃO

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Que falar de Marcos, esse eterno meninão de fala frouxa, que diz o que o coração lhe dita a cada vitória, a cada derrota? Não há um corintiano, um tricolor, um peixeiro, um palestrino que não lhe renda a homenagem sincera do respeito e da admiração.

E olhe que o Palmeiras, desde os tempos do Palestra, foi sempre uma escola de goleiros inesquecíveis.

A começar por Primo, de feitio um tanto similar a Marcos, segundo as poucas fotos que nos restaram.

Mas, a sucedê-lo, há um rol de goleiros históricos, como Aymoré Moreira, que se transformou num dos mais inventivos técnicos do nosso futebol, campeão mundial em 62; Nascimento, pai de Angelita, a mais esbelta e desejada de nossas vedetes nos anos 50/60; Jurandir, execrado por ter levado, certa vez, seis gols do São Paulo, mas craque de Seleção; até chegarmos em Oberdã Cattani.

E aqui vale uma pausa, Pois, se Marcos merece uma comparação com os antigos ídolos da meta palmeirense, este é Oberdã, que ainda está entre nós, já beirando os 90 anos de idade, bigodes e cabelos tingidos, mas autêntico como sempre.

Oberdã chegou ao Palmeiras no início dos anos 40, vindo também do interior paulista, mais precisamente de Sorocaba.

Maçudo, não tão alto quanto Marcos, mãos que parecem duas pás, chegou ao Parque Antarctica e foi logo fechando o gol. Produzia, jogo após jogo, milagres dignos de um São Marcos, por mais de década. Lá pela metade dos anos 50, foi vítima de uma dessas perversidades típicas do cartolas, e transferiu-se, já veterano, para o Juventus. Pois, num Palmeiras e Juventus, pegou tanto, até pênalti, que o remorso dos cartolas levou-o de volta ao seu clube de coração, onde, dignamente encerrou sua carreira.

O Palmeiras, então viveu um período de incertezas. Chegou a ter onze goleiros – Inocêncio, Fábio, Doly, Herrera, Furlan, Cavani, e… Ruggilo, um argentino de fama internacional Era chamado de o Leão de Wembley, não apenas por suas feições leoninas – cabelos e bigodão fartos, mas, sobretudo, porque pegou tudo num célebre e raro, na época, confronto entre argentinos e ingleses no mitológico estádio de Wembley.

Pois, o Leão de Wembley não poderia ter sido um fracasso maior no Palmeiras. Não fez mais do que um par de jogos, e somou tantos frangos que logo foi despachado de volta para a Argentina.

A honra e a tradição da meta verde foram repostas por Valdir de Moraes, um gaúcho vindo do Renner, que apesar da altura mediana, era um mestre em colocação e nos segredos da sua posição.Tantos que o fez, depois da aposentadoria, o pioneiro na preparação específica de goleiros, criando um método até hoje seguido por seus seguidores.

Para substituí-lo, nas regras das artes, não da cronologia, pois por lá estiveram o paraguaio Perez, o grande Maidana, uruguaio, e o nosso Picasso, veio também do interior paulista Emerson Leão, que, com dezenove anos de idade, já foi para a Seleção e sagrou-se campeão do mundo no México, ainda que na reserva de Félix.

Leão disputou três Copas do Mundo, duas como titular e deixou seu nome marcado na história da Seleção e do Palmeiras.

Em seguida, emergiram, da escolinha de Valdir de Moraes, Velloso, Zetti e, finalmente, Marcos, que ainda menino, sem mesmo ser titular absoluto do Palmeiras, mereceu de Zagallo uma chamada de Zagallo para a Seleção Brasileira. E, agora, Deola, que segue os passos de Marcão e todos os seus ilustres predecessores.

FARTURA DE GOLS

É jogo demais nesta fase inicial da inchada Copinha dos últimos anos. Em compensação, que fartura de gols…

Sim, porque, em alguns casos, há certa equivalência entre os disputantes. Mas, em outros, a disparidade é abissal. Pegue o amigo, a amiga, esse clássico entre Corinthians e São Paulo, disputado hoje apenas no placar, entre outras tantas goleadas, como as do Grêmio, do Juventus, do Goiás, do Monte Azul, do Linense, sei lá quantas mais.

À tarde, o Corinthians pegou pela proa o Santos da Paraíba. Resultado: 9 a 0! Aí, noite fechada, entra em campo o São Paulo, diante do Palmas de Tocantins: 10 a 0! Um gol a mais do que a goleada alvinegra, Ou terá sido por 11 a 0? Já nem sei ao certo. Só sei que houve um gol legítimo do São Paulo anulado pelo bandeirinha. Isso, sem falar na dúzia de gols desperdiçados pelo Tricolor.

Por isso mesmo, por conta da enorme diferença, física e técnica, entre esses times, dá para extrair pouca coisa desses jogos sob qualquer enfoque. A não ser aplaudir os dois grandes paulistas que, diante de tamanha fragilidade, não refluíram na cômoda posição de deixar o tempo passar. Ao contrário: atiraram-se o tempo todo em direção ao gol inimigo, até que as goleadas se perpetrassem.

Pelo menos isso.

Ah, sim, vale ressaltar a atuação desse menino Ademílson, que já chamara a atenção na Seleção Sub-17: veloz, hábil e oportunista, como comprovam seus três gols marcados nesta noite, na Arena Barueri.

Tem futuro

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