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Arquivo da Categoria Sem categoria

21/10/2009 - 20:09

SURPRISES!

A grande surpresa na Liga dos Campeões, sem dúvida, foi a derrota do Barça para o Rubin, em pleno Camp Nou. Por 2 a 1. Mas reveja o jogo, meu amigo. E verá que o Barça teve mais de sententa por cento de domínio de bola, meteu duas bolas nas traves, com Ibrahimovic e Touré, criou uma pá de chances para golear o adversário e saiu de campo derrotado.

O Barça é assim: quando perde, se perde, perde jogando infinitamente mais do que seu inimigo. Claro, não teve a mesma sincronização de sempre, não tocou a bola ao seu estilo como de hábito. Mas, jogou mais e merecia melhor placar.

Assim como outra surpresa foi a virada espetacular do Milan, no Santiago Bernabéu, sobre o Real Madri, que saiu na frente numa lambança do nosso Dida, que Raul aproveitou ao seu feitio: Dida, já com a bola dominada de um chute à distância, tentou sair rapidamente, se embaralhou e Raul guardou.

Mas, no segundo tempo, de repente o Milan, que vinha de campanhas pífios, tanto no Campeonato Italiano quanto na Liga dos Campeões, teve uma epifania, uma revelação súbita, cobriu-se de luz e virou para 2 a 1, num disparo longo de Pirlo e numa arrancada revestida de discreta finta de Pato sobre o goleiro Casillas, que saiu mal do gol, e empatou.

Empatou e sofreu o empate em seguida, com um tiro certo de Drenthe. Mas, teve de completar a vitória por duas vezes: num cabeceio de Thiago Silva, absolutamente legal, que o juiz anulou, e no bate-pronto de Pato, em levantamento magistral de Seedorf, que o juiz legitimou. Ah, sim, antes, no primeiro tempo, houve pênalti em favor do Real.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , , ,
19/10/2009 - 17:01

A PERPLEXIDADE DE MURICY

Depois da derrota para o Flamengo, Muricy não estava nem divertido, nem malcriado. Parecia, isso, sim, perplexo diante do que vem ocorrendo não apenas com seu time, mas com a maioria dos postulantes ao título, neste momento.

Quando parece que este ou aquele vai engrenar, patina ou reflui. E olhe que ainda falta cerca de 1/4 do caminho a ser percorrido, como em adverte um dos nossos bloguistas aí embaixo.

Mas, se os que estão lá em cima, com exceção do Galo, que parece ter retomado impulso com a volta de Tardelli e a integração de Ricardinho na equipe, andam escorregando além da conta, outros vêm de posições inferiores, num crescendo ameaçador. São os casos de Flamengo e Cruzeiro, dois clubes de imensa tradição e bola respeitável nos padrões atuais do nosso futebol.

Ah, sim, e o Grêmio, que, se não embalou ainda, poderá fazê-lo a partir do clássico de domingo, contra um Inter, que continua o mesmo, apesar da troca de técnicos: uma no cravo, outra na ferradura. Uma eventual vitória sobre o rival antigo, lá no Sul, em geral vale por um campeonato, conferindo força moral extra ao vencedor.

Dando uma espiada por cima na próxima rodada, de qualquer forma, o Palmeiras surge como o grande favorito, diante de um Santo André caindo pelas tabelas. Joguinho, portanto, perigoso, pois, em caso de derrota, embora o Verdão não deva perder a liderança, corre sério risco de entrar em crise emocional que se refletirá decisivamente nas rodadadas subsequentes.

Outro verde que tem tudo para estancar a queda é o Goiás, que pega o lanterninha do campeonato, Flu, em casa. Mas, o Tricolor está dando o sangue para fugir do rebaixamento. Portanto, não são favas contadas.

Já o Galo, animado e atuando no Mineirão, mesmo assim não deverá encontrar facilidades diante de um Vitória bem dirigido por Mancini, com Ramón e cia., e que já começa a rondar a zona de classificação para a Libertadores, ao lado de Grêmio e a quatro pontos do Flamengo, o quinto colocado.

Quanto ao Flamengo, em prodigiosa ascensão, pega um Botafogo ainda tentando de afastar da zona de descenso. Mas, é um clássico, como tal…

Situação mais ou menos como a do São Paulo, que vai à Vila enfrentar um Santos que terá de volta o meia Ganso, o que deverá fazer muita diferença no Peixe, que nem vai, nem volta. Só que o Tricolor, embora frequentando ainda o G-4, vem de sucessivas fracassos, ao contrário do Fla.

Como se vê, ao cabo dessa próxima rodada, a perplexidade de Muricy poderá se transformar em confiança, ou em desespero, tudo depende de para que lado a bolinha rolar.

VELHINHOS PIMPÕES

Num futebol que se caracteriza pela incrível capacidade de regeneração, lançando no mercado mundial uma pá de novos talentos, ano após ano, e num tempo em que tanto se louva a força física, a resistência e a velocidade, é de surpreender a legião de velhinhos pimpões que andam dando o tom do Brasileirão.

Aliás, não só aqui: acompanhe o amigo os jogos do Manchester United, líder do campeonato inglês, e se delicie com o desempenho de Ryan Giggs, aquele canhotinho prodigioso, quase quarentão. Há três ou quatro anos, como um Sílvio Caldas da bola (pra quem não sabe, o Caboclinho Querido, um dos quatro maiores cantores populares da nossa história, passou os últimos vinte anos de sua vida dando seu último show e gravando seu último disco), Giggs vem anunciando sua aposentadoria.

Mas, com aquela bola toda e aquele fôlego interminável, como? Giggs, aliás, lembra outro britânico hisórico, uma lenda do futebol inglês: Sir Stanley Matthews, que só foi pendurar as chuteiras depois dos 50 anos de idade. Aliás, com 45 anos de idade, deu um baile memorável, em Wembley, na Enciclopédia do Futebol, nosso incomparável Nilton Santos.

Surpreso? Pois, então, engula esta: meu querido amigo Zé Nogueira, da Rádio Eldorado, celebrou seus 80 anos de idade participando de um daqueles rachas semanais do que restou dos Namorados da Noite, time de artistas e boêmios desta província.

Mas, voltando aos campos tão exigentes do Brasileirão, aí estão Petkovic, Ricardinho, Ramón, Ronaldo Fenômeno, com todas as suaws cicatrizes e excesso de peso, Marquinhos, do Avaí, todos acima dos trinta e alguns beirando os quarenta. E todos brilhando entre tantos búfalos jovens, de força e disposição descomunais.

Perceba o amigo que, com exceção de Ronaldo, todos os demais citados são meias, articuladores de jogadas, função tão desprezada nos últimos tempos no Brasil, pois ainda há quem suistente a impossibilidade de jogadores desse talhe técnico participar pra valer de um futebol de músculos e têmpera tão afiados como os dehoje em dia.

Bobagem, ja que esses caras não jogam com os pés. Jogam com a cabeça, e cérebro, todos nós sabemos, não tem músculos.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , , , , , , , , ,
08/10/2009 - 23:55

NO QUARTEL DE ABRANTES

Veja mais charges no blog do Milton Trajano

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E, no fim das contas, o que parecia uma tragédia para o São Paulo acabou sendo apenas uma decepção por não ter aproveitado a chance de se aproximar do Palmeiras, que tropeçou no Palestra diante do Avaí, assim como o Galo levava um sapeca inesperado do Botafogo, no Engenhão, e o Goiás levou de 3 a 0 do Cruzeiro, no Mineirão.

E olhe que o Verdão esteve a pique de perder de um Avaí arrumadinho, leve e incisivo, que chegou a abrir 2 a 0, sob o comando de Marquinhos, um desses veteranos que, ao lado de Marcelinho Paraíba, Ramón e Petkovic, vêm botando tempero especial neste Brasileirão.

Mas, o Palmeiras não é líder por acaso, e foi buscar força lá no seu interior para chegar ao empate e manter-se a uma distância ainda folgada do vice. Mas, não tanto que eventual revirolta esteja fora de questão.

O fato é que, no fim de tudo, apenas o Inter avançou, retomando seu lugar na zona da Libertadores. De resto, tudo ficou como dantes no quartel de Abrantes.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , , , , , ,
06/09/2009 - 00:27

SANTA RETRANCA!

Congelei na tela da tv o close de Maradona: os traços e a expressão lembravam uma daquelas máscaras mortuárias dos nativos andinos feitas para rituais mágicos e de sacrifício.

Exangue, pois toda sua energia se voltara para as vésperas do grande jogo, fatal para os argentinos: promoveu uma guerra psicológica contra os brasileiros, reuniu sua tropa, infundiu-lhes vigor pátrio, desafiou-os a entregar seus corações nessa partida, levou-os à igreja, fê-los ajoelhar-se aos pés da Cruz, acendeu uma vela a San Gená, conduziu Brasil e Argentina para o campo de Rorsário, onde a pressão seria maior do que no estádio de Nuñes, dançou um tango e jogou uma flor à estrela da manhã, nas suas primeiras cintilações.

Só não cuidou de dar um mínimo de segurança à sua defesa, que geme ao mais leve toque do adversário.

Resultado: 3 a 1 para o Brasil, que nada fez para tanto, a não ser defender-se com precisão quase cirúrgica, enquanto os argentinos tomavam conta da bola de cabo a rabo da partida, sem, contudo, conseguirem levá-la à meta adversária. E, nas raras vezes em que o conseguiram, lá estava Júlio César, um paredão.

Sim, houve uma pálida oportunidade que deu certo – um disparo longo e certeiro de Datolo, no ângulo esquerdo de Júlio César. Mas, aí, la vaquita já se embrenhara no brejo até o pescoço.

Pois, o Brasil, ainda no primeiro tempo, em duas pontadas obtivera seus dois gols, em jogadas nascidas de cobranças de faltas por Elano. Na primeira, Luisão surge só e lampeiro para meter de cabeça. Na segunda, a bola espirra na barreira, cai nos pés de Kaká, na esquerda, que centra rasteiro, e, pebolim!, Luís Fabiano, livre e solto, empurra para as redes vazias.

E, para maiores pecados de Maradona e cia., os argentinos sequer tiveram tempo de celebrar aquele gol de Datolo, que prenunciava a virada épica, pois Kaká recebe na meia-direita, pela intermediária gringa, uma daquelas bolas solitárias que escapavam da nossas defesa, domina, mira e executa passe milimétrico para Luís Fabuloso tocar por cima do goleiro.

O amigo sabe que tenho a maior aversão por retrancas que enfeiam o jogo e enfumaçam o brilho de uma vitória. Mas, para tudo, há exceção. E a exceção foi essa retranca brasileira deste sábado luminoso. Afinal, não se tratava de um jogo qualquer, nem mesmo apenas um dos tantos clássicos com nosso mais feroz adversário. Resumia em si toda a campanha de quase quatro anos de Dunga à frente da Seleção e a conquista, com antecipação inédita, da vaga à próxima Copa do Mundo.

Ali, naquela hora, diante de um adversário cuja potência ofensiva é notável, não havia espaço para nenhum outro pensamento a não ser fechar todos os espaços. Sobretudo, depois de ter aberto dois gols de vantagem.

Ora, somos o único futebol do planeta que nunca ficou fora de uma Copa do Mundo. E não seria agora que poríamos em risco mais essa láurea do brasileiro.

OS HERÓIS DO JOGO

Sem dúvida, Júlio César encabeça a lista dos heróis de Rosário, pelas três defesas sensacionais que praticou, duas, cara-a-cara.

Mas, ao seu lado, sem dúvida, Luisão, absolutamente imbatível, por baixo ou por cima. Além do mais, autor do gol que abriu caminho para a vitória. Pensando bem, passo Luisão para o topo da lista.

Seu parceiro, Lúcio, foi outro esteio, enquanto André Santos portou-se de forma tão magnífica, tanto defendendo como apoiando (muito menos do que habitualmente o faz, por força das circunstâncias), que dificilmente perderá a camisa titular para outro qualquer na Copa.

Por fim, Kaká, por ter estado na origem de dois gols e por ter sido o mais lúcido de nossos jogadores, embora longe de suas melhores atuações, o que é natural numa hora dessas. E Luís Fabiano, que, mesmo isolado pelo esquema e pela ausência de Robinho, cumpriu com louvor sua principal função. Ou seja, marcar gols, não um, que já seria de bom tamanho, mas, dois.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Seleção Brasileira, Sem categoria Tags: , , , , , , , ,
31/08/2009 - 16:10

PAGUE, FLU

Anos atrás, recebi visita inesperada do primo Renato, que não via desde a infância mais remota nas temporadas passadas na chácara do meu tio avô Chico, no Tanque, povoado incrustrado entre Atibaia e Bragança. Trazia-me o convite de seu casamento e uma pergunta fatal: estava prestes a assumir a prsidência do Bragantino e queria saber de mim o que fazer, já que não estava muito afeito às coisas do futebol.

Minha resposta foi elementar, franca, sucinta e direta:

- Pague os jogadores em dia, todos, sem exceção.

Outro dia, Renato me visitou, tantos anos decorridos depois desse episódio, e me garantiu que aquele foi o melhor de todos os conselhos que recebera no período em que dirigiu o Braga.

Lembro disso ao pensar no Fluminense, carregando novamente a cruz do descenso iminente.

O Tricolor carioca já trocou de técnico algumas vezes, trocou até a direção do fuebol que voltou às mãos de Branco, fez isso e aquilo, e continua ladeira abaixo.

Mas, que diabo, então, acontece com esse clube de tanta tradição e tamanha torcida?

Ouve-se aqui e ali que o clube está dividido entre a diretoria formal e o patrocinador. E que os jogadores que pertencem ao clube não recebem, ou recebem com atrasos angustiantes, enquanto aqueles que pertencem ao patrocinador, é na caixa, no dia certo.

Time desunido será quase sempre vencido, parodiando a palavra de ordem de tempos passados.

RUGIDO DO MEDO 

Maradona, um extraordinário jogador, mas que não superou, por exemplo, o húngaro Puskas, quanto mais Pelé, agora como técnico da Seleção Argentina, esmerou-se em lançar farpas contra nós, às vésperas do grande confronto de Rosário, pelas Eliminatórias.

Na sua esteira, vem Tevez, garantindo que chegaremos lá morrendo de medo.

São os argentinos tentando transferir para o inimigo o medo que os consome toda vez que enfrentam o Brasil, desde a década de 70, por baixo.

Houve um tempo em que, realmente, o Brasil borrava-se diante de los hermanos. Nos anos 30/40, até meados dos 50, era uma tragédia: apanhávamos feito cachorro vira-lata, na bola e no braço. Mas, a partir da conquista da Copa de 58, o braço da viola começou a mudar. E, em 78, em plena Copa do Mundo, nessa mesma Rosário, os argentinos, que acabaram campeões do mundo graças às mumunhas da ditadura Videla, passaram os 90 minutos lá atrás, apavorados diante de um Chicão implacável, que plantou sua bandeira no meio de campo e espanou gringo pra todos os lados.

Claro, a Argentina é a favorita para esse clássico continental que se aproxima. Afinal, tem bons jogadores, além de Messi, extraordinário. Portanto, pode perfeitamente vencer lá, em casa, mesmo porque, enquanto estamos tranquilos na tabela de classificação eles vivem a angústia de eventual desqualificação para a Copa da África.

E esse é o medo atroz que tentam atirar sobre nós como um rugido do leão acuado em sua toca.

 

 

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Sem categoria Tags:
02/07/2009 - 00:16

DA SEGUNDONA À LIBERTADORES

E o Corinthians, que saiu lá da Segundona em fulminante carreira, de passagem, levou o título paulista e chegou para levantar a cobiçada Copa do Brasil, garantindo sua participação na Liertadores do próximo ano.

E levantou a taça diante do poderoso Inter, em pleno Beira-Rio, num jogo em que o Timão deu as cartas no primeiro tempo, meteu dois gols, com Jorge Henrique e André Santos, e deixou de ampliar com Ronaldo, cara a cara com Lauro.

No segundo, o Inter partiu para o tudo ou nada, empatou com Alecsandro, e depois virou bagunça, o que, no fim, favoreceu mais o visitante do que o mandante.

Enfim, a taça não poderia estar em melhores mãos.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Copa do Brasil, Sem categoria Tags: , , ,
16/06/2009 - 18:23

TIMÃO, INTER, GRÊMIO, VERDÃO E SELEÇÃO

O Palmeiras, do técnico Luxemburgo, cultor do sistema com apenas dois zagueiros de área, vai a Montevidéu, com um beque a mais da sua própria conta para pegar o Nacional.

O Grêmio, por tradição time guerreiro com tons defensivos acentuados, nas mãos de Paulo Autuori, muda o braço da viola e recebe o Caracas no Olímpico.

É o futebol brasileiro, tentando ir às finais do maior torneio continental, por vias diferentes.

No fundo, no fundo, essa sintonia fina é muita relativa, numa disputa mata-mata como esta, em que tantos outros fatores atuam com maior intensidade do que a escolha deste ou daquele sistema de jogo, embora este seja sempre essencial.

Autuori já foi duas vezes campeão da Libertadores – pelo Cruzeiro e pelo São Paulo -, logo, há de se supor que sabe muito bem o que está fazendo.

Luxemburgo, de tantos títulos, porém, nunca chegou a levantar essa preciosa taça. Mas, é um técnico atilado, pragmático antes de mais nada, e versátil, capaz, pois, de fazer funcionar um esquema que não lhe é caro, em especial.

O que eu quero dizer, com toda esse lero, é que Grêmio e Palmeiras, assim mesmo, ou de sinais invertidos novamente, têm tudo para seguir adiante neste funil da Libertadores.

TIMÃO OU INTER?

O Inter vai ao Pacaembu sem três titulares de peso – Nilmar e Kleber, servindo à Seleção Brasileira, e D’Alessandro, machucado.

Em contrapartida, o Corinthians não terá apenas o lateral-esquerdo André Santos. De resto, vai com tudo, inclusive o Ronaldo Fenômeno.

Portanto, favas contadas, pois não? Jogando em casa, com o apoio da Fiel ensandecida, com Ronaldo e contra um Inter ferido em três posições chaves da equipe, o Timão é favorito.

Até pode ser. Mas, não necessariamente.

Olhemos por outro ângulo: Ronaldo está gripado e vem de uma recuperação de lesão muscular na panturrilha, o que drena sua energia e limita suas ações, e a ausência de André Santos é uma lacuna sem preenchimento. Mano terá de apostar em Saci, que não tem ido bem, ou em Diego, um beque que não funciona por ali, ou ainda Marcelo Oliveira, um meiocampista improvisado no setor.

Já o Inter, no lugar de Kleber, tem Marcelo Cordeiro, que vem jogando melhor do que o titular.

Para a vaga de D’Alessandro, lá está Andrezinho, de tão boas atuações recentes.

E, para o comando do ataque, Alecsandro, que, se não tem a técnica e a mobilidade de Nilmar, longe disso, é um atacante eficiente e goleador por natureza.

Ah, sim, ia esquecendo de Bolívar, outro ausente no Inter. Mas, se jogar Danilo, talvez o Colorado ganhe até mais no apoio ao ataque por aquele setor.

De qualquer forma, seria, como será, briga de cachorro grande. E qualquer um que saia vencedor desse jogo em 180 minutos será digno representante da vanguarda atual do futebol brasileiro na Libertadores.

NOSSO VELHO CANSAÇO

Depois da suada vitória sobre o Egito, na estréia da Copa das Confederações, a turma justificou-se, não sem alguma razão, botando a culpa maior no cansaço de tantas viagens, no fuso horário e tal e cousa e lousa e maripousa.

Sim, claro, tudo isso influenciou na pífia apresentação brasileira, apesar da vitória emocionante por 4 a 3.

E aí me pergunto se esses fatores não atuaram mais decisivamente sobre o jogo brasileiro justamente porque adotamos um conceito em que a força de marcação se sobrepõem excessivamente à técnica.

Explico melhor: se fossemos um time treinado para reduzir o espaço de ação mais à frente, marcando a saída de bola do adversário (como, aliás, fez o Egito), e, quando de posse da bichinha, passássemos a fazê-la circular com exatidão e arte, nos desgastaríamos menos fisicamente e teríamos melhor resultado no andamento da partida.

Isso é elementar, básico. Mas, para tanto, teríamos de contar com menos volantes e mais meias habilidosos, esses carinhas que recebem a bola de costas para o adversário, gingam, saem da marcação e tocam com precisão.

Infelizmente, não é o nosso caso. Logo, temos de ralar para chegar onde chegaríamos sem ter de ralar tanto.

Esse é um daqueles casos em que me lembro da célebre Seleção Holandesa de 1974, a do Carrossel e outros bichos. Sua dinâmica de jogo era tão surpreendente e vertiginosa que o povo, por aqui, exaltava o vigor de vaca holandesa da tal Laranja Mecânica.

Para quem estava lá como eu, e, que no ano seguinte levou um papo varando a madrugada, no bar do Hotel Eldorado, aqui em São Paulo, com Cruyff, a história era justamente o contrário. A Holanda chegou à Alemanha sem o menor preparo físico, sem zagueiros de ofício (o único, Israel, judeu como sugere seu nome, por razões de segurança – leia-se, Munique 72 -, foi poupado) e sob uma troca de tiros entre os de Roterdã e os de Amsterdã, um Rio-São Paulo de tamancos de bico curvo.

Pois bem, o técnico Rinus Mitchles, então, tocando o Barça de Cruyff, quando chegou à concentração da Seleção, depois da disputa da Copa de Campeões da Europa, encontrou o caos, já que, além desses problemas todos, os jogadores caíram na esbórnia.

Mitchels, então, mandou chamar as mulheres de todos os jogadores, pra cortar a onda da tropa, reuniu a turma e deu as devidas instruções:

1) Como não há nem força física, nem força de conjunto, nem zagueiros, nem nada, vamos construir um novo conceito, capaz de suprir todos esses defeitos. Como? Simples: improvisamos dois volantes nas posições de zagueiros (Reijberg e Haan)  e agrupamos os dez jogadores de linha entre as duas intermediárias, utilizando uma linha de impedimento em que todos partam sobre o adversário da bola, como um grupo de selvagens. A corrida é pouca, nesse caso, e o efeito, múltiplo, pois não só tomamos a bola já no campo inimigo como, na sequência, promovemos um ataque em massa.

2) Os vértices do triângulo, aqueles que esperam o passe do nosso que estiver com a bola, em vez de ficarem estáticos à espera da definição, rodam em torno dele. Esse movimento, além de dificultar a marcação, oferece rapidez no passe, que não precisa ser justo, mas, simplesmente despachado para o ponto futuro, onde chegará um dos dois companheiros que rodam ao seu redor.

3) Então, formavam-se em campo aquelas rosáceas que deslumbraram o mundo e a mim e ao mestre Armando Nogueira, que assistimos à final com a Alemanha lá do último degrau do estádio Olímpico de Munique.

Um prodígio que jamais se repetiu em campo algum, mas que remete à essência do futebol desde que ele se constituiu como jogo: o negócio é o jogador correr o menos possível, e fazer a bola circular ao máximo.

Lição que os brasileiros haviam ensinado ao mundo há muito tempo, agora executada pelos espanhóis. E que nós esquecemos nas últimas duas décadas.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Copa do Brasil, Libertadores, Seleção Brasileira, Sem categoria Tags: , , , , , , , , , ,
14/05/2009 - 15:46

QUÉ PASA, COLORADO?

Os dois últimos jogos que vi do Inter, confesso, me deixaram com a pulga atrás da orelha.

A vitória sobre o time reserva do Corinthians, na abertura do Brasileirão, valeu pelo golaço de Nilmar. Mas, o time não desenvolveu aquele jogo agudo e veloz que apresentara ao longo dos primeiros meses deste ano, fosse no Gauchão, fosse na Copa do Brasil.

E o empate por 0 a 0 com o Flamengo, embora possa ser considerado positivo, pois lhe dá a vantagem do mando de campo no jogo decisivo pela Copa do Brasil, foi um achado, já que o Rubro-Negro dominou todas as ações e o espírito do jogo.

Depois da partida, Guiñazu disse que o Colorado precisa aprender a jogar fora de casa. Não sei exatamente qual a proposta tática do Inter. Mas, com três volantes de marcação que sabem também jogar (Sandro, Magrão e Guiñazu), mais um beque de origem na lateral-direita (Bolívar), dois zagueiros firmes e um ataque lépido, hábil e contundente (Nilmar e Taison), armado por um meia de qualidade (D’Alessandro), ese Inter tem tudo pra jogar fora de casa de acordo com a receita mais ortodoxa: fechar-se atrás e sair em rápidos contragolpes.

Minha dúvida é sobre a infalibilidade dessa receita. Vezes sem conta ela desanda mesmo é para a inócua retranca, o que acaba por isolar a armação e o ataque, justamente os dois pontos mais fortes do inter.

Quem sabe um pingo a mais de ousadia não resolva o problema? Por exemplo, aliviar a carga da armação exclusiva de D’Alessandro, colocando ao seu lado, digamos, o ágil Andrezinho, no lugar de um dos três volantes, o que haveria de conferir mais equilíbrio entre os três setores da equipe.

É só uma reflexão, não uma solução exata.

MÉDIOS E MEIAS

Esse tem sido um tema recorrente, neste momento em que o nosso futebol começa a se desatar dos sistemas mais defensivos em busca da modernidade que campeia nos grandes centros da Europa, num movimento de espiral histórica, em que se resgata o antigo e eterno num novo patamar da preparação física.

A história é um tanto comprida. Mas, vou tentar resumir ao máximo. Antes, no sistema clássico – o 2-3-5 -, você tinha dois beques (o stopper, aquele que saía para dar combate, e o back, o que ficava na espera); três médios (dois marcavam os pontas adversários e o centromédio era o eixo da equipe, o que distribuía o jogo para os meias de ligação, cuja função era levar a bola aos três atacantes – dois pontas e um centroavante).

Com o advento do WM, de autoria do inglês Herbert Chapman, no Arsenal da virada dos anos 20 para os 30, fruto da mudança da linha de impedimento, formalizou-se a linha de três zagueiros (dois laterais, marcadores de pontas, e um central), com dois médios apoiadores e dois meias-de-ligação, no meio de campo, formando o tal quadrado mágico. Mágico, porque Chapman, professor de geometria por ofício, previa a transformação desse quadrado em retângulo, triângulo ou losango, dependendo da movimentação dos médios e dos meias.

É o sistema básico que serviu para todas as variações que a ele se seguiriam. A começar pela fixação do quarto-zagueiro (assim chamado porque foi o último zagueiro a ser incorporado aos novos esquemas): um dos dois médios apoiadoresrecuou para a linha de zaga, ao lado do central.

E, por quê? Porque já nos anos 50, houvera uma mudança no posicionamento dos dois meias: um deles, passou a ser o meia-armador, mais recuado; o outro, o meia ponta-de-lança, mais avançado. Para marcar este quarto atacante, um dos médios foi recuado para a zaga, a quarta-zaga.

Bem, a partir daí o médio-apoiador passou a ser chamado de médio-volante, que, no decorrer do tempo, reduziu-se ao termo volante, aquele que vai e vem, vai ao ataque e volta para defender.

Eis que esse cara, já na virada dos anos 60/70, fixa-se como cabeça de área, uma espécie de vigia dos dois zagueiros de área, o que, no processo, transformou um dos meias em volante, hoje chamado de segundo volante. Recuou-se o meia-ponta-de-lança para a armação, e um dos pontas passou a auxiliá-lo nessa tarefa, reduzindo o ataque a dois avantes apenas.

Não satisfeitos, os pragmáticos de plantão transfiguraram o meia-armador em terceiro volante, num caminho tortuoso, sempre pra trás. O jogo enfeiou, fixou-se o conceito do futebol de resultados, essas coisas todas, até que se iniciasse esse movimento de volta, pois o futebol deixara de ser um espetáculo e passara a ser uma competição de força, insossa e desagradável. Na verdade, a velhíssima retranca, ferrolho, cattenacio, recurso usado há séculos pelos times pequenos contra os grandes. Apequenaram-se todos, em suma.

Esse refluir em direção ao ataque (ou melhor, ao equilíbrio na distruição de funções dos jogadores em campo, de acordo com suas características natas), no Brasil, esbarrou na escassez de meias, que outrora era nosso apanágio. Sim, porque esse pessoal foi submetido a um verdadeiro massacre, sobretudo nas categorias de base, em nome do resultado, nos últimos quinze anos, por baixo.

E, também, pela relutância dos treinadores que se formaram nesse período, em apostar em meias de habilidade, já que seu foco era basicamente defensivo.

Luxemburgo foi sempre uma exceção, e por isso soma em sua carreira tantas glórias e conquistas, embora, nesta quadra de sua vida, esteja dando um passo atrás, com a insistência em recorrer ao sistema de três zagueiros, essa sucata que só resiste ainda no Brasil, dentre os grandes centros futebolísticos do mundo.

Assim como foi Parreira, em vários momentos de sua brilhante carreira, e está sendo Mano Menezes no Corinthians atual.

Mas, se faltam meias, os volantes, pelo menos, evoluíram. Estão deixando de ser meros cabeças-de-área para recuperarem a vocação e o talento dos antigos volantes. Sabem sair para o jogo, em apoio ao ataque. Não é pouco, porém, não é tudo. Afinal, uma coisa é saber apoiar; outra, muito diferente, é saber armar.

Aliás, esta é a grande diferença que poucos técnicos, mídia em geral e torcida percebe. Acham que um volante habilidoso pode se transformar em meia, apenas porque joga mais avançado, no espaço destinado ao meia. Um Hernanes, um Magrão, sei lá quantos mais volantes de qualidade, sempre serão volantes, não meias. O contrário, porém, é muito possível; um meia virar volante, como Lorico, Carlos Miguel, em tempos passados, ou um Elias, um Cleiton Xavier, um Diego Souza, nos tempos atuais. 

E valho-me sempre do exemplo cássico de Dino Sani, El Pelao, campeão do mundo em 58. Dino jogava na meia-de-armação, do Palmeiras ao São Paulo, passando pelo extinto Comercial da Capital e pelo XV de Jaú, sempre uma promessa que não se realizava. Altamente técnico, passe exato, centro de gravidade invejável – quase nunca era derrubado -, batia na bola como poucos e tinha uma leitura do jogo, como se diz hoje, excepcional. Mas, jogando como meia, não conseguia fazer o jogo fluir.

Quando o húngaro Bella Guttman chegou ao Tricolor, juntamente com Zizinho, o maior de todos os meias-armadores de nossa história, Dino foi recuado para a posição de volante. Pornto, deu-se o sortilégio: de repente, Dino ganhou status de mestre, foi para a Suécia como titular, e, depois, encantou os torcedores do Milan, do Boca e do Corinthians por anos a fio.

- É que eu não tinha cintura e drible para jogar como meia, recebendo a bola de costas para o adversário. – disse-me anos atrás Dino para explicar essa mágica alquimia em seu futebol.

Resumo da ópera: médio é médio, meia é meia, ontem, hoje e amanhã.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Copa do Brasil, Libertadores, Sem categoria Tags: , ,
12/05/2009 - 17:17

A USINA E O JECA TATU

Cacau, alguém aí sabe quem é? Pois, nosso cabrochinho desconhecido, desses tantos que partem anonimamente daqui bem cedo para a Europa, está na lista dos prováveis convocados para a Seleção Alemã.

Sim, eu sei, não se trata de uma novidade, já que Paulo Rink frequentou por várias vezes essa nobre área do futebol, há bem pouco tempo atrás. Mas, Paulo Rink era meio alemão, meio brasileiro de origem.

Caso semelhante, no passado de brasileiros como Filó, De Maria, Mazzola (o nosso Altafini), que defenderam a Azzurra, tutti quanti oriundi. Assim como já tivemos brasileiros defendendo várias outras seleções do mundo, da Polônia ao Japão, das Américas ao Oriente Médio, enfim, a geléia geral nos tempos de globolização.

Ainda outro dia, Marcos Assunção sagrou-se campeão da Europa, sob chuvas de confetes, com a camisa da Fúria.

Afinal, o Brasil segue sendo essa usina de craques incomparável, que abastece não só o nosso mercado interno como o do resto do mundo, grandes, médios e pequenos centros.

E o que me interessa nesse pequeno exemplo é desvendar esse enigma permanente. Não só entender as razões que levaram nossa gente, uma das últimas a receber a injeção do futebol no mundo dito civilizado, a se distinguir dessa forma do resto do planeta, decifração de que já desisti há tempos. Mas, sobretudo, saber de que tanto se queixam treinadores e cartolas da falta de pé de obra adequado a preços compatíveis com o nosso próprio mercado.

Com tamanha abundância, basta garimpar que acha. Com tamanha diversidade, basta escolher aquele que mais lhe convier.

Mas, não. Cartolas e técnicos preferem ficar à frente da palhoça, feito um Jeca Tatu de Monteiro Lobato, caçando carrapato no pé, pálido de endemias, sem disposição de colher o que, aqui, em se plantando, dá.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Futebol internacional, Sem categoria Tags: , ,
29/04/2009 - 19:26

DIABOS, SÓ 1 A 0?

O Manchester teve pleno domínio da partida, mas não foi além de um placar tímido de 1 a 0, gol de O’Shea, creia, o mais opaco de seu jogadores. Pouco para o jogo de volta, pela Liga dos Campeões. Mas, pelo volume de jogo, pelo cotejo de jogador por jogador, só se os deuses estiverem de mau humor, os Diabos Vermelhos deverão deixar de ir à final do torneio.

Manchester United x Arsenal

No primeiro tempo, o Manchester poderia ter disparado três, quatro a zero, pelas chances criadas. Mas, o goleiro espanhol Almunia conjurou todas. Aliás, inexplicável sua ausência na Seleção da espanha, embora Cassilas e Reyna estejam em grande forma. Mas, Almunia tem feito milagres no arco do Arsenal e não é de hoje.

Do outro lado, o grande destaque, em meio a tantos craques, foi o volante Carrick, que, além de cortar todos os contragolpes do Arsenal, que mal chegou à meta de Van Der Saar, ainda por cima fez a jogada, pela ponta-esquerda que resultou no único gol da partida, convertido por O’Shea.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Futebol internacional, Sem categoria Tags: , , , , , ,
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